Os bancos mais perigosos que os exércitos

Esta frase atribuida a Thomas Jefferson, un dos criadores da nação norte-americana, reflete uma verdade de extrema atualidade.Tem as características de uma profecia plenamente realizada em nossos dias, em especial nos EUA e em outros paises ricos do mundo. Esta advertência merece ser conheida e difundida.
LB

“Penso que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades que exércitos inteiros prontos para o combate. Se o povo americano permite um dia que os bancos privados controlem a sua moeda, os bancos e todas as instituições que venham a florescer em torno aos bancos privarão as pessoas de toda posse, primeiro por meio da inflação, em seguida pela recessão até o dia em que seus filhos (e filhas) acordarão sem casa e sem teto sobre a terra que seus pais conquistaram.”

Thomas Jefferson 1802

Whither the Indignados and the Occupiers?

In one of the most important debates in the Thematic Social Forum of Porto Alegre, Brazil, where I had the opportunity to participate, I was able listen to the living testimonies of los Indigndos from Spain, London, Egypt and the United States. What impressed me deeply was the seriousness of the speeches, far from the anarchic tone of the 1960s, and very down to earth. The central theme was «democracy now». A different democracy was re-vindicated, very different than the one we are used to, that is more farce than reality. They want a democracy built from the streets, from the squares, from the place where real power originates. A democracy from below, organically created by the peoples, transparent in their procedures and never again corroded by corruption. To begin with, this democracy is characterized by linking social justice with ecologic justice.

Curiously, Los Indignados, the Occupiers and those of the Arab Spring do not identify themselves with the classic speeches of the left, or even the dreams of the several editions of the World Social Forum. We find ourselves in a different era, and a new sensibility has arisen. Another way of being a citizen is postulated, powerfully including women, who were previously made invisible, citizens with rights, with participation, with horizontal and transversal relationships facilitated by the social networks, by the mobile media, twitter and facebooks. We find ourselves facing a true revolution. Relationships were previously organized in a vertical form, from top to bottom. They are now created horizontally, towards the edges, in the immediacy of communication at the speed of light. This form represents the new times we are living: of information, of the discovery of the value of subjectivity; instead of modernity, encapsulated in itself, one of relational subjectivity, of the emergence of a consciousness of the kind found within the selfsame and unique Common House, that is threatened with collapse, as a result of the excessive thievery practiced by our system of production and consumerism.

This sensibility no longer tolerates the system’s methods for overcoming the economic crisis and its derivatives, salvaging the banks with the money of the citizens, imposing a severe fiscal austerity, dismantling social security, cheapening employment, cutting investments, illusorily supposing that this way the confidence of the markets will be regained and the economy will be revived. The belief has become dogma, and in many places the stupid catch phrase is heard: “TINA: there is no alternative”. The sacrilegious high priests of the not so holy trinity made up of the International Monetary Fund, (IMF), the European Union and by the European Central Bank, have dealt a financial blow to Greece and Italy, and have imposed their acolytes there with responsibility for the crisis, without going through the democratic rites. Everything is viewed and decided from an exclusively economic perspective, devaluing the social, and increasing unnecessary collective suffering, the desperation of families, and youth indignation because they cannot find jobs. All this can result in a crisis with dramatic consequences.

Paul Krugmann, Nobel Prize Laureate for Economics, spent some time in Iceland, studying the way this small Arctic country solved its devastating crisis. They followed the correct path that other countries should have also followed: they let the banks collapse, jailed the bankers and speculators who engaged in embezzlement, rewrote their Constitution, guaranteed social security to avoid a generalized collapse, and managed to create jobs. Consequently, the country emerged from the mess and is one of the Nordic countries with the greatest growth. News of the Icelandic path has been suppressed by the world means of mass communications, out of fear that it might serve as an example for other countries. And thus the carriage, with incorrect but coherent measures, rushes rapidly towards the precipice.

Against this foreseeable course stand Los Indignados. They want a different world, friendlier to life and respectful of nature. Perhaps Iceland will serve as inspiration for them. Wither will they go? Who knows. Certainly not in the direction of the worn-out models of the past. They will head in the direction of what Paulo Freire spoke about, the «unedited viable» that will be born from the new creativity, one that expresses itself, without violence, with a democratic-participatory spirit. In any event, the world will never be as it was before, and much less as the capitalists would like it to be.

A grande contradição brasileira

Mais e mais cresce a convicção, inclusive entre os economistas seja do stablisment seja da linha neokeynesiana, de que nos acercamos perigosamente dos limites físicos da Terra. Mesmo utilizando novas tecnologias, dificilmente poderemos levar avante o projeto do crescimento sem limites. A Terra não aguenta mais e somos forçados a trocar de rumo.

Economistas como Ladislau Dowbor entre nós, Ignace Sachs, Joan Alier, Herman Daly, Tim Jack e Peter Victor e bem antes Georgescu-Roegen incorporam organicamente o momento ecológico no processo produtivo. Especialmente o inglês T. Jack se celebrizou pelo livro “Prosperidade sem crescimento”(2009) e o canadense P. Victor pelo “Managing sem crescimento”(2008). Ambos mostraram que o aumento da dívida para financiar o consumo privado e público (é o caso atual nos paises ricos), exigindo mais energia e uso maior de bens e serviços naturais não é de modo algum sustentável.

Os Prêmios Nobel como P. Krugman e J. Stiglitz, porque não incluem explicitamente em suas análises os limites da Terra, caem na armadilha de propor como saída para a crise atual um maior gasto público no pressuposto de que este produzirá crescimento econômico e maior consumo com os quais se pagarão mais à frente as astronômicas dívidas privadas e públicas. Já dissemos à saciedade, que um planeta finito não suporta um projeto desta natureza que pressupõe a infinitude dos bens e serviços. Esse dado já é assegurado.

O que Jack e Victor propõem é uma “prosperidade sem crescimento”. Nos paises desenvolvidos o crescimento atingido já é suficiente para permitir o desabrochar das potencialidades humanas, nos limites possíveis do planeta. Então chega de crescimento. O que se pode pretender é a “prosperidade” que significa mais qualidade de vida, de educação, de saúde, de cultura ecológica, de espiritualidade etc. Essa solução é racional mas pode provocar grande desemprego, problema que eles resolvem mal, apelando para uma renda universal básica e uma diminuição de horas de trabalho. Não haverá nenhuma solução sem um prévio acerto de como vamos nos relacionar com a Terra, amigavelmente, e definir os padrões de consumo para que todos tenham o suficiente e o decente.

Para os países pobres e emergentes se inverte a equação. Precisa-se de “crescimento com prosperidade”. O crescimento é necessário para atender as demandas mínimas dos que estão na pobreza, na miséria e na exclusão social. É uma questão de justiça: assegurar a quantidade de bens e serviços indispensáveis. Mas simultaneamente deve-se visar a prosperidade que tem a ver com a qualidade do crescimento. Há o risco real de que sejam vítimas da lógica do sistema que incita a consumir mais e mais, especialmente bens supérfluos. Então acabam agravando os limites da Terra, coisa que se quer exatamente evitar. Estamos face a um angustiante círculo vicioso que não sabemos como faze-lo virtuoso sem prejudicar a sustentabilidade da Terra viva.

A contradição vivida pelo Brasil é esta: urge crescer para realizar o que o governo petista fez: garantir os mínimos para que milhões pudessem comer e, por políticas sociais, serem inseridos na sociedade. Para as classes já atendidas, precisa-se cobrar menos crescimento e mais prosperidade: melhorar a qualidade do bem viver, da educação, das relações sociais menos desiguais e mais solidariedade a partir dos últimos. Mas quem vai convecê-los se são violentamente cooptados pela propaganda que os incita ao consumo? Ocorre que até agora os governos apenas fizeram políticas distributivas: repartiram desigualmente os recursos públicos. Primeiro garantem-se 140 bilhões de reais para o sistema financeiro a fim de pagar a dívida pública, depois para os grandes projetos e somente cerca de 60 bilhões para as imensas maiorias que só agora estão ascendendo. Todos ganham mas de forma desigual. Tratar de forma desigual a iguais é grande injustiça. Nunca houve políticas redistributivas: tirar dos ricos (por meios legais) e repassar aos que mais precisam. Haveria equidade.

O mais grave é que com a obsessão do crescimento estamos minando a vitalidade da Terra. Precisamos de um crescimento mas com uma nova consciência ecológica que nos liberte da escravidão do prudutivismo e do consumismo. Esse é o grande desafio para enfrentar a incômoda contradição brasileira.

Leonardo Boff escreveu Sustentabilidade: o que é e o que não é, Vozes, Petrópolis 2012.

¿Adónde irán los Indignados y los «ocupas»?

En una de las mesas más importantes de debates en el Foro Social Temático de Porto Alegre,en fines de enero, tuve la oportunidad de participar y escuchar los testimonios vivos de los Indignados de España, de Londres, de Egipto y de Estados Unidos. Lo que me dejó muy impresionado fue la seriedad de los discursos, lejos del tono anárquico de los años 60 del siglo pasado con sus muchas «parole». El tema central era «democracia ya». Se reivindicaba otra democracia, bien diferente de esta a la que estamos acostumbrados, que es más farsa que realidad. Quieren otra democracia que se construya a partir de la calle, de las plazas, el lugar del poder originario. Una democracia desde abajo, articulada orgánicamente con el pueblo, transparente en sus procedimientos y no corroída nunca más por la corrupción. Esta democracia, de entrada, se caracteriza por vincular justicia social con justicia ecológica.

Curiosamente, los indignados, los ocupas y los de la primavera árabe no se remiten al clásico discurso de las izquierdas, ni siquiera a los sueños de las distintas ediciones del Foro Social Mundial. Nos encontramos en otro tiempo y ha surgido una nueva sensibilidad. Se postula otro modo de ser ciudadano, incluyendo poderosamente a las mujeres antes invisibilizadas, ciudadanos con derechos, con participación, con relaciones horizontales y transversales facilitadas por las redes sociales, por el móvil, por el twitter y por los facebooks. Nos encontramos ante una verdadera revolución. Antes las relaciones se organizaban de forma vertical, de arriba abajo. Ahora lo hacen de forma horizontal, hacia los lados, en la inmediatez de la comunicación a la velocidad de la luz. Este modo representa el tiempo nuevo que estamos viviendo, el de la información, del descubrimiento del valor de la subjetividad, no aquella de la modernidad, encapsulada en sí misma, sino la de la subjetividad relacional, la de la emergencia de una conciencia de especie que se descubre dentro de una misma y única Casa Común, que amenaza ruina a causa del excesivo pillaje practicado por nuestro sistema de producción y de consumo.

Esta sensibilidad no tolera ya más los métodos del sistema para superar la crisis económica y derivadas, saneando los bancos con el dinero de los ciudadanos, imponiendo una severa austeridad fiscal, el desmantelamiento de la seguridad social, el abaratamiento del empleo, el recorte de las inversiones, suponiendo ilusamente que de esta forma se reconquista la confianza de los mercados y se reanima la economía. Tal concepción se ha vuelto dogma y en muchas partes se oye la estúpida muletilla “TINA: there is no alternative”, no hay alternativa. Los sacrílegos sumos sacerdotes de la trinidad nada santa formada por el FMI, la Unión Europea y el Banco Central europeo han dado un golpe financiero en Grecia e Italia, y han impuesto allí a sus acólitos como gestores de la crisis, sin pasar por el rito democrático. Todo es visto y decidido desde la óptica exclusiva de lo económico, rebajando lo social y aumentando el sufrimiento colectivo innecesario, la desesperación de las familias y la indignación de los jóvenes porque no consiguen trabajo. Todo esto puede desembocar en una crisis de consecuencias dramáticas.

Paul Krugmann, premio Nobel de economía, pasó unos días en Islandia para estudiar la forma como ese pequeño país ártico salió de su crisis avasalladora. Siguieron el camino correcto que otros también deberían haber seguido: dejaron quebrar a los bancos, pusieron en prisión a los banqueros y especuladores que practicaron desfalcos, reescribieron la constitución, garantizaron la seguridad social para evitar el colapso generalizado y consiguieron crear empleo. Consecuencia: el país salió del atolladero y es uno de los países nórdicos que más crece. El camino islandés ha sido silenciado por los medios de comunicación de masas mundiales por temor a que sirva de ejemplo a los demás países. Y así el carruaje, con medidas equivocadas pero coherentes con la lógica del sistema, corre veloz hacia el precipicio.

Contra este curso previsible se oponen los Indignados. Quieren otro mundo más amigo de la vida y respetuoso de la naturaleza. Tal vez Islandia les servirá de inspiración. ¿Hacia dónde irán? Quién sabe. Seguramente no en la dirección de los modelos del pasado, ya agotados. Irán en dirección de aquello que decía Paulo Freire de lo «inédito viable» que nacerá de ese nuevo imaginario y que se expresa, sin violencia, dentro de un espíritu democrático-participativo. En cualquier caso, el mundo ya nunca será como antes, y mucho menos como a los capitalistas les gustaría que fuese.