FRANCISCO REACENDE A FÉ EM CUBA DIZ FREI BETTO

Por mais que tenha sido incompreendido e até caluniando FEI BETTO tem um mérito especial com referência a Cuba, ao Estado e à Igreja. Quando ainda era perigoso viajar ilha por causa da vigilância do regime dos militares, Frei Betto fez inúmeras viagens, de algumas delas participei, para cumprir uma dupla missão, solicitada por Fidel Castro: falar aos vários escalões de governo, desde ministros até funcionários de terceiro escalão, sobre o que é o marxismo, no seu sentido original (não como metafísica atéia mas como análise da sociedade de classes em conflito) para superar o marximo-cartilha elaborado pela União Soviética. E o fez com grande sucesso. A segunda tarefa era a de aproximar a Igreja Catolica ao regime de Fidel Castro, superando mútuos preonceitos. Foi um trabalho árduo, trabalhando nas duas frentes, sempre com extrema lealdade à fé cristã e ao mesmo tempo vontade de entender o socialismo cubano, quase garroteado pelo bloqueio dos Estados Unidos. Depois de largo trabalho, conseguiu-se finalmente o encontro da Conferência dos Bispos Cubamos com as mais altas instância do govereno socialista. Inaugurou-se profícuo diálogo que foi sancionado pelas duas visitas papais, de João Paulo II e de Benedito XVI. E por fim veio a paz político-religiosa como vem narrada no artigo de Frei Betto que publicamos abaixo. Grande parte deste desenvolvimento bem sucedido se deve ao empenho sério, religioso e político, no seu sentido ético mais alto, feito com generosidade e simplicidade por Frei Betto. Este seu artigo esclarece esta trajetória e desfaz preconceitos  e incompreensões que surgiram ao redor de sua atividade nestes últimos anos. Quero testemunhar a dupla lealdade que frei Betto sempre manteve: à Igreja Católica e aos ideais do socialismo democrático por representarem um avanço em humanidade, em igualdade e em fraternidade de que tanto precisamos. LBoff

HAVANA – Ao encerrar sua visita a Cuba, na terça, 22/9, papa Francisco declarou, em Santiago de Cuba, “me senti em casa, em família”. De fato, tinha motivos para comemorar. Atualmente são excelentes as relações entre a Igreja Católica e o governo cubano, após décadas de conflitos.

Dias antes de o papa desembarcar em Havana, no sábado, 20/9, o cardeal Jaime Ortega teve acesso ao programa de entrevistas de maior audiência televisiva no país. Quando se trata da delicada questão de liberar presos políticos, Raúl Castro recorre à mediação dele, gesto que comprova a admiração recíproca que os une.

Embora tenha merecido, em prazos relativamente curtos (em se tratando de pontífices), a visita de três papas – João Paulo II (1998), Bento XVI (2012) e, agora, Francisco – a ilha socialista não abriga uma nação católica. Sua religiosidade lembra a nossa Bahia. Predomina o sincretismo, que mescla cristianismo com espiritualidades oriundas da África, trazidas pelos escravos que vieram trabalhar nos engenhos de açúcar.

Calcula-se que, entre a população de pouco mais de 11 milhões de habitantes, apenas 5% podem ser considerados católicos, embora seja bem maior o número dos que foram batizados na Igreja Católica.

A Revolução cubana não se fez contra a Igreja. Fidel e Raúl estudaram, por longos anos, como alunos internos em escolas de lassalistas e jesuítas. Na missa celebrada pelo papa Francisco na Praça da Revolução, no domingo, 21/9, em Havana Raúl, ao cumprimentar-me, comentou com quem o rodeava: “Já assisti a mais missas do que Frei Betto.” Na primeira metade do século XX, alunos internos de escolas católicas eram obrigados à missa diária.

Lina, a mãe de Fidel e Raúl, fez os filhos prometerem que, se sobrevivessem à guerrilha de Sierra Maestra, cumpririam a promessa que ela fizera à santa de que depositariam suas armas aos pés da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira nacional, cujo santuário fica próximo a Santiago de Cuba. Em minha primeira visita à Ilha, em 1981, ali estive e vi as armas expostas, agora transferidas a um museu.

A guerrilha de Sierra Maestra contou com um capelão, o padre Guillermo Sardiñas, que após a vitória, em janeiro de 1959, mereceu o máximo título de “Comandante da Revolução”. E foi autorizado pelo papa João XXIII a trajar batina verde oliva…

As tensões entre Igreja Católica e Revolução se iniciaram quando as medidas de estatização de propriedades nacionais e estrangeiras emitiram sinais de que o país caminhava para o comunismo. O catolicismo pré-conciliar, de forte conotação franquista, se posicionou ao lado dos que defendiam o capitalismo como mais adequado à liberdade religiosa, e identificavam no comunismo o anjo exterminador da fé cristã.

Em 1961, após a derrota dos mercenários que, patrocinados pelo governo Kennedy, tentaram invadir Cuba pela Baía dos Porcos, Fidel declarou o caráter socialista da Revolução. Pressionada pela bipolaridade da Guerra Fria, Cuba se abrigou sob as asas da União Soviética. Sacerdotes fizeram correr a notícia de que a Revolução enviaria à Rússia milhares de crianças destinadas a, longe de seus pais, serem educadas como militantes comunistas. A chamada Operação Peter Pan transferiu para os EUA 14 mil crianças, na esperança de que o socialismo cubano seria derrotado em breve e, assim, elas regressariam a seus lares…

Mudança de rumo

Francisco comemorou, em Havana, os 80 anos de relações ininterruptas entre a Santa Sé e o Estado cubano. De fato, graças às boas relações entre Fidel e o núncio apostólico Cesare Zacchi, jamais um sacerdote foi fuzilado ou um templo fechado. No entanto, a influência soviética introduziu nas escolas a disciplina do “ateísmo científico”, e a prática religiosa refluiu para dentro dos lares e das igrejas, com exceção da santería, equivalente ao nosso candomblé, que se salvou por ser enquadrada na categoria de “folclore”.

Os cristãos foram proibidos de exercer determinadas profissões, como o magistério, e rompeu-se o diálogo entre bispos católicos e dirigentes do país.

Na década de 1970, a Revolução viu abalado seu apego a preconceitos antirreligiosos incutidos pelos soviéticos. Em quase toda a América Latina despontava um catolicismo progressista nas Comunidades Eclesiais de Base, que deram origem à Teologia da Libertação. Na Colômbia, em 1966, o padre Camilo Torres tombara como guerrilheiro, de armas nas mãos. No Brasil, em 1969 descobriu-se que frades dominicanos colaboravam com a guerrilha urbana de Carlos Marighella. Em El Salvador e Nicarágua, cristãos participavam da luta revolucionária ombro a ombro com marxistas. A Revolução Cubana passou a rever seus conceitos frente ao fenômeno religioso.

Abertura religiosa

Em julho de 1980, conheci Fidel, em Manágua, no primeiro aniversário da Revolução Sandinista. Fiz-lhe duas perguntas. Qual a atitude da Revolução frente à Igreja Católica? Antes que respondesse, adiantei-lhe três hipóteses: perseguir, o que comprovaria a acusação de incompatibilidade entre Revolução e religião; manter indiferença, o que favoreceria os contrarrevolucionários que, sem poder sair da ilha, se abrigariam à sombra das sacristias; dialogar, como ente político, com todas as instituições cubanas, inclusive a Igreja Católica. Fidel concordou que a terceira era mais sensata, e que a Revolução precisaria mudar sua atitude.

Em seguida, indaguei-lhe por que o Estado e o Partido Comunista de Cuba eram confessionais. Fidel se espantou: “Como confessionais?” Fiz ver a ele que tanto a afirmação da existência de Deus quanto a negação são meras confessionalidades, e que a modernidade requer Estado e partidos laicos.

Aceitei o seu convite para empenhar-me na reaproximação entre bispos católicos e dirigentes cubanos e, pouco depois, mudanças na Constituição do país e no estatuto do partido introduziram a laicidade. Em 1985, Fidel me concedeu a longa entrevista publicada sob o título “Fidel e a religião” (livro com o qual presenteou o papa Francisco, a ser reeditado em breve, no Brasil, pela Companhia das Letras). Era a primeira vez na história que um líder comunista no poder falava positivamente do fenômeno religioso. A partir daí, como observou um bispo cubano, decresceram o medo dos cristãos e o preconceito dos comunistas.

Francisco surpreendeu

Raúl Castro, ao receber o papa, sabia tratar-se de um “companheiro”. Francisco fizera duras críticas ao capitalismo, qualificado por ele de “ditadura sutil”, em seus encontros mundiais com líderes de movimentos populares. Sua primeira encíclica, “Louvado seja – o cuidado de nossa casa comum”, é o mais contundente documento até hoje emitido sobre o tema socioambiental. O papa associa devastação da natureza ao crescimento da miséria e da pobreza, e aponta a ambição de lucro e a economia de livre mercado como responsáveis por isso. Raúl estava seguro de que Francisco não causaria surpresas.

O presidente de Cuba se equivocou. O papa surpreendeu por sua empatia com o povo cubano, cristãos e ateus. Dispensou o Mercedes blindado reservado a seus deslocamentos e, pressionado a receber os guerrilheiros das FARC que, sob mediação cubana, negociam em Havana um acordo de paz com o governo colombiano, optou por incluir em sua homilia, na missa na Praça da Revolução, seu apelo pelo bom êxito das negociações.

Ao escutar, na catedral, o depoimento de uma jovem religiosa que cuida de pessoas portadoras de deficiências, a emoção levou Francisco a abandonar o texto escrito de sua preleção e, de improviso, reforçar a opção pelos pobres da Igreja Católica e a misericórdia frente aos pecados alheios. Os cardeais da Cúria Romana que o acompanhavam devem ter ficado em pânico, pois o papa, revestido de infalibilidade em questões de fé e moral, não pode correr o risco de omitir uma opinião considerada equivocada.

No encontro com os jovens, Francisco ouviu um deles criticar a Revolução por ver seus colegas irem de pé nos ônibus a caminho do trabalho e da escola. Com óbvia sutileza, o papa fez ver a ele que, em Cuba, ao menos há ônibus e jovens ainda podem se dirigir ao trabalho e à escola. Quantos no mundo não têm nem ônibus, nem trabalho, nem escola.

Antes de Francisco embarcar em Santiago de Cuba, rumo aos EUA, Raúl Castro soprou-lhe ao ouvido que não lhe beijaria a mão, mas o traria sempre no coração. Francisco retribuiu com igual promessa.

Frei Betto é escritor, autor de “Paraíso perdido – viagens ao mundo socialista” (Rocco), entre outros livros.

El niñito ahogado, Aylan Kurdi, nos hace llorar y pensar

El niñito sirio de 3 o 4 años yace ahogado en la playa, pálido y vestido todavía con su ropita de niño. De bruces y con la cara vuelta hacia un lado, como si quisiese respirar aún. Las olas tuvieron piedad de él y lo llevaron a la playa. Los peces, siempre hambrientos, lo respetaron porque también ellos se compadecieron de su inocencia. Aylan Kurdi es su nombre. El padre no pudo sujetarlos y se le escaparon de las manos, tragados por las aguas.

Querido Aylan: tú huías de los horrores de la guerra en Siria, donde tropas del presidente Assad, apoyado por los ricos Emiratos Árabes, luchan contra los soldados del cruel Estado Islámico, ese que degüella a quien no se convierte a su religión, tristemente apoyado por las fuerzas occidentales de Europa y de Estados Unidos. Imagino que te daba miedo el sonido de los aviones supersónicos que lanzan bombas asesinas. No dormirías por miedo a que tu casa volase por los aires en llamas.

Cuantas veces habrás oído decir a tus padres y vecinos cuan temibles son los aviones no pilotados (drones). Persiguen y cazan a las personas por las colinas desiertas y las matan. Fiestas de boda, celebradas con alegría, a pesar de todo el horror, también son bombardeadas, pues se supone que entre los invitados debe haber algún terrorista.

Tal vez tú no te imaginas que quien practica esa barbaridad y está por detrás de todo esto es un soldado joven, que vive en un cuartel militar de Texas. Está sentado tranquilamente en su sala delante de una inmensa pantalla como de televisión. A través de un satélite muestra los campos de batalla de su tierra, Siria, o Irak. Cuando sospecha, con un pequeño toque de botón dispara un arma sujeta al dron. Nada siente, nada escucha, ni llega a tener pena. Al otro lado, a miles de kilómetros, mueren súbitamente 30-40 personas, niños como tú, padres y madres como los tuyos, y personas que nada tienen que ver con la guerra. Son fríamente asesinadas. Desde el otro lado, él sonríe por haber dado en el blanco.

A causa del terror que viene por cielo y tierra, ante el pavor de ser muertos o degollados, tus padres resolvieron huir. Se llevaron a toda la familia. No piensan en buscar trabajo. Solo en que no quieren morir ni que los maten. Sueñan con vivir en un país donde no pasen miedo, donde puedan dormir sin pesadillas.

Y tú, querido Aylan, podrías jugar alegremente en la calle con compañeritos cuya lengua no entiendes pero no lo necesitas, porque vosotros los niños tenéis un lenguaje que todos los niños y niñas entienden.

No has podido llegar a un lugar de paz. Pero ahora, a pesar de toda la tristeza que sentimos, sabemos que tú, tan inocente, has llegado a un paraíso donde puedes al fin jugar, saltar y correr por todas partes en compañía de un Dios que un día fue también niño, de nombre Jesús, y que para no dejarte solo ha vuelto a ser niño. Y va a jugar al futbol contigo, a coger a un gatito por el cuello, a correr detrás de un perrito, vais a entenderos tan bien como si fueseis amigos desde siempre; juntos vais a hacer dibujos de colores, a reíros con los muñecos que vais a hacer y a contaros historias bonitas uno a otro. Y os sentiréis muy felices. Y mira qué sorpresa: contigo estará también tu hermanito que murió y tu madre va a poder abrazarte y besarte como lo hacía tantas veces.

Tú no has muerto, mi querido Aylan. Has ido a vivir y a jugar a otro lugar, mucho mejor. El mundo no era digno de tu inocencia.

Y ahora deja que yo piense conmigo mismo. ¿Qué mundo es este que asusta y mata a los niños? ¿Por qué la mayoría de los países no quieren recibir a los refugiados del terror y de la guerra? ¿No son ellos, hermanos y hermanas nuestros que viven en la misma Casa Común, la Tierra? Esos refugiados no piden nada. Solamente quieren vivir. Poder tener un poco de paz y no ver a sus hijos llorando de miedo y saltando de la cama por los estruendos de las bombas. Es gente que quiere ser recibida como gente, sin amenazar a nadie. Solamente quieren vivir su manera de venerar a Dios y de ir vestida como siempre se ha vestido.

¿No han sido suficientes dos mil años de cristianismo para hacer a los europeos mínimamente humanos, solidarios y hospitalarios? Aylan, el pequeño sirio muerto en la playa es metáfora de lo que es la Europa de hoy: postrada, sin vida, incapaz de llorar y de acoger vidas amenazadas. ¿No oyeron ellos muchas veces que quien acoge a un forastero o perseguido está hospedando anónimamente a Dios?

Querido Aylan, que tu imagen estirada en la playa nos suscite el poco de humanidad que siempre queda en nosotros, una brizna de solidaridad, una lágrima de compasión que no conseguimos retener en nuestros ojos cansados de ver tanto sufrimiento inútil, especialmente, de niños como tú. Ayúdanos, por favor, sino la llama divina que tiembla dentro de nosotros, puede apagarse. Y si ella se apaga, nos hundiremos todos, pues sin amor y compasión nada más tendrá sentido en este mundo.

*Leonardo Boff, un abuelo de un país distante que ya acogió a muchas personas de tu país, Siria, que se compadeció al ver tu imagen en la playa y se le escaparon dolorosas lágrimas de compasión.

Aylan Kurdi, the little boy who drowned, makes us cry and think

The little Syrian boy, of 3 or 4 years, lay lifeless on the beach, pale and still dressed in his little boy’s clothes. He was face down, with his head turned to one side, as if he still wanted to breathe. The waves had taken pity on him and carried him to the beach. The fish, always voracious, respected him because they too felt pity for his innocence. Aylan Kurdi is his name. His father could not hold on to them. They were dragged from his hands; and the boys were swallowed by the waters.

Dear Aylan: you were fleeng the horrors of war in Syria, where the troops of President Assad, backed by rich Arab Emirates, sadly supported by forces of Western Europe and the United States, battle the soldiers of the cruel Islamic State, who behead those who refuse to convert to their religion. I imagine you were scared by the sound of the supersonic planes that launched murderous bombs. You did not sleep, for fear that your house would burst into flames and fly through the air.

How many times you would have heard your parents and neighbors say how dreadful are the planes that fly without a pilot, the drones. The drones persecute and chase human beings through the arid hills, and kill them. Wedding festivities, celebrated with great happiness in spite of all the horror, are also bombed, because it is imagined that there must be a terrorist among the guests.

Perhaps you did not imagine that the one who practices such barbarity and is behind all this is a young soldier, who lives in a military barrack in Texas. He sits peacefully in his living room in front of an immense TV screen. By satellite, the screen shows the battle fields of your country, Syria, or Iraq. When the young soldier becomes suspicous, with a simple touch of a bottom, he fires a weapon carried by the drone. The young soldier feels nothing. He hears nothing. He does not even feel pain. On the other side of the world, thousands of kilometers away, 30 or 40 human beings, children as yourself, fathers and mothers like yours, people who have nothing to do with the war, suddenly die. They are murdered in cold blood. Back in Texas, the young soldier smiles, because he hit his target.

Facing the terror that comes from skies and by land, and the dread of being killed or beheaded, your parents resolved to flee. They took the whole family. They were not thinking of looking for a job. They just wanted not to die, or be killed. They dreamed of living in a country where they were no longer scared, a place where they could sleep without having nightmares.

And you, dear Aylan, could happily play in the street with little playmates whose language you did not understand, but that you did not need, because you children have a language that all little boys and girls understand.

You, Aylan, were not able to reach such a place of peace. But now, in spite of all the sadness we feel, we know that you, so innocent, have arrived in a paradise where you can at last play, jump and run everywhere, in the company of a God who was also a child, named Jesus, and who, in order to not leave you alone, has become once again a child. And He will play soccer with you, He will grab a kitten by the neck, and run after after a puppy; you will understand each other perfectly, as if you had been friends forever. Together you will make colored drawings, laugh at the dolls you make and share beautiful stories. And you will feel very happy. And see, what a surprise: with you there will be your little brother who also died, and your mother will be able to embrace and kiss you, as she did so many times.

You did not die, my dear Aylan. You have gone to live and to play in another place, a much better place. The world was not worthy of your innocence.

And now let me think by myself. What kind of a world is this, that frightens and kills the children? Why do the majority of the countries not want to receive refugees from terror and war? Are not these refugees our brothers and sisters who live in the same Common Home, the Earth? These refugees ask for nothing. They only want to live. They want to have some peace and not to see their children screaming with fear, and jumping out of bed with the thunder of the bombs. They are human beings who want to be welcomed as human beings, without threatening anyone. They only want to live in their manner of venerating God and to be clothed the way they have always clothed.

Are not two thousand years of Christianity enough to make the Europeans minimally human, solidarian and hospitable? Aylan, the little Syrian boy lying dead on the beach is a metaphor for the Europe of today: prostrate, lifeless, unable to cry or welcome threatened lives. Have not Europeans heard so many times that the one who welcomes the stranger or the persecuted is anonymously hosting God?

Dear Aylan, may the image of you, washed up on the beach, elicit in us some of the humanity that always lives within us, a shred of solidarity, a tear of compassion that we cannot hold back, with our eyes tired of seeing so much useless suffering, especially of children, like yourself. Help us, we beg you, because otherwise the divine flame that flickers within us may be extinguished. And if that flame dies, we all will drown, because without love and compassion nothing will make sense in this world.

*Leonardo Boff, a Grandfather of a distant country that has already received many persons from your country, Syria, who took pity when he saw your image on the beach and painful tears of compassion escaped from his eyes.

Free translation from the Spanish by
Servicios Koinonia, http://www.servicioskoinonia.org.
Done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

Aren’t they human beings, our brothers and sisters?

A society’s level of civilization and of humanitarian spirit is measured by how it welcomes and coexists with those who are different. By this measure, Europe offers a pitiful example, one that borders on barbarism. Europe reveals herself as so self-centered and self-congratulatory that it is extremely hard for her to welcome and coexist with those who are different.

The strategy generally was and continues to be this: either exclude or destroy the other. This is what happened in the process of colonial expansion in Africa, Asia and principally in Latin America. They destroyed whole nations, as in Haiti, Mexico and Peru.

The primary limit on Western European culture is her arrogance, as is seen in its presumption of being the most developed in the world, as having the best form of government (democracy), the highest awareness of rights, as the creator of philosophy and technology, and, if that was not enough, as the carrier of the one true religion: Christianity. Traces of this arrogance can still be seen in the Preamble of the Constitution of the European Union. There it is simply asserted:

«The European continent is the bearer of civilization, its people have inhabited it since the beginning of humanity in successive phases, and throughout the centuries they developed the values that are the basis of humanism: the equality of all human beings, liberty, and the value of reason…»

This vision is only partly true. It forgets the frequent violations of those rights, the catastrophes it created with totalitarian ideologies, devastating wars, pitiless colonialism and ferocious imperialism that subjugated and destroyed whole cultures in Africa and in Latin America, in direct contrast to the values they proclaim. The dramatic state of the world today and the quantities of refugees who come from the Mediterranean countries are due, in great part, to the type of globalization Europe supports, since, in concrete terms, it constitutes a sort of later day Westernization of the world, more than the development of a true global community.

This is the background that helps us understand the ambiguities and the resistance of most European countries to receiving the refugees and immigrants who come from the countries of North Africa and of the Middle East, fleeing the terror of the war, caused in great part by Western Intervention (NATO) and especially by the imperialistic policies of the United States.

According to data from the United Nations High Commission for Refugees (UNHCR), just this year 60 million of persons have been forced to abandon their homes. The Syrian conflict alone has created 4 million displaced people. The countries that are most willing to take in these victims are Lebanon, with more than one million (1.1 million) and Turkey (1.8 million).

Now those thousands of people seek a little peace in Europe. This year alone nearly 300,000, both migrants and refugees, have crossed the Mediterranean sea. And the numbers grow daily. Their reception is charged with ill will, arousing fascist and xenophobic ideas in the population that betray great insensitivity, even a lack of humanity. Only after the tragedy of the island of Lampedusa, to the South of Italy, where 700 people drowned in April, 2014, was the operation Mare Nostrum launched, with the mission of searching for distressed ships.

Their reception is filled with incidents, especially in Spain and England. The most open and hospitable, notwithstanding the attacks on refugee camps, has been Germany. The phile-fascist government of Viktor Orban of Hungary has declared war on the refugees. It made a decision of great barbarity: ordering the construction of a razor-wire fence four meters high the whole length of the border with Serbia, to bar the arrival of those coming from the Middle East. The governments of Slovakia and Poland declared that they will only accept Christian refugees.

These are criminal measures. Aren’t all those who are suffering human beings? Are they not our brothers and sisters? Immanuel Kant was one of the first to propose a World Republic (Welterepublik) in his final book Perpetual Peace. He said that the first virtue of this republic would be hospitality, as the right of all, and it must be for all, because we all are children of the Earth.

All this is being shamefully denied by members of the European Community. The Judeo-Christian tradition always affirmed: whoever welcomes the stranger is unknowingly hosting God. The words of the quantum physicist Danah Zohar, who best wrote about spiritual intelligence, apply here: «The truth is that we and the others are a single one, that there is no separation, that we and the “stranger” are aspects of the one and only life» (QS: conciencia espiritual, Record 2002, p. 219). How different would be the tragic destiny of the refugees if these words were lived passionately and compassionately.

Free translation from the Spanish sent by
Melina Alfaro, alfaro_melina@yahoo.com.ar,
done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.