Em tempos de Covid: o cuidado necessário e irmandade afetuosa

Nos dias atuais, especialmente durante o isolamento social, devido a presença perigosa do coronavírus, a humanidade despertou de seu sono profundo: começou  ouvir os gritos da Terra e os gritos dos pobres e a necessidade do cuidado de uns para com os outros  e também da natureza e da Mãe Terra. De repente, demo-nos conta  de que o vírus não veio do ar. Não pode ser pensado isoladamente, mas dentro de seu contexto; veio da naturea. Ele é uma resposta da Mãe Terra contra o antropoceno e o necroceno, vale dizer, contra a sistemática dizimação de vidas, devida à agressão do processo industrialista, numa palavra, do capitalismo mundialmente globalizado. Ele avançou sobre a natureza, desflorestando milhares de hectares, na Amazônia, no Congo e em outros lugares onde se encontram as florestas úmidas. Com isso destruiu o habitat dos centenas e centenas de vírus que se encontram nos animais e até nas árvores. Saltaram em outros animais e destes a nós.

Em consequência de nossa voracidade incontrolada, cada ano desaparecem cerca de cem mil espécies de seres vivos, depois de milhões de anos de vida sobre a Terra e ainda, segundo dados recentes, há um milhão de espécies vivas sob risco de desaparecimento.

A ideia-força da cultura moderna era e continua sendo o poder como dominação da natureza, dos outros povos, de todas as riquezas naturais, da vida e até dos confins da matéria; esta dominação ocasionou atualmente as ameaças que pesam sobre o nosso destino.  Essa ideia-força tem que ser superada. Bem dizia Albert Einstein: “a idéia que criou a crise não pode ser a mesma que nos vai tirar da crise; temos que mudar”.

A alternativa será esta: ao invés do poder-dominação deve-se colocar a fraternidade e o cuidado necessário. Estas são as nova ideia-força. Como irmãos e  irmãs, somos todos interdependentes e devemos nos amar e cuidar. O cuidado implica numa relação afetuosa para com as pessoas e para com a natureza; é amigo da vida, protege e confere paz a todos que estão à sua volta.

Se o poder-dominação significava o punho cerrado para submeter, agora oferecemos a mão estendida para se entrelaçar com outras mãos, para cuidar e para afetuosamente abraçar. Essa mão cuidadosa traduz um gesto não agressivo para com tudo o que existe e vive.

Portanto, é urgente criar a cultura da fraternidade sem fronteiras e do cuidado necessário que a tudo enlaça. Cuidar de todas as coisas, desde o nosso corpo, da nossa psiqué, do nosso espírito, dos outros e mais comezinhamente do lixo de nossas casas, das águas, das floresta, dos solos, dos animais, de uns e de outros, começando pelos mais vulneráveis.

Sabemos que tudo o que amamos, cuidamos, e tudo o que cuidamos também amamos. O cuidado sana as feridas passadas e impede as futuras.

É neste contexto urgente que ganha sentido um dos mais belos mitos da cultura latina, o mito do cuidado.

“Certo dia, ao caminhar na margem de  um rio,  Cuidado viu um pedaço de barro . Foi o primeiro a ter a ideia de tomar  um pouco dele  e moldá-lo  na forma de um ser humano. Enquanto contemplava, contente consigo mesmo, com  o que havia feito, apareceu Júpiter, o deus supremo dos gregos e dos romanos.

Cuidado pediu-lhe que soprasse  espírito na figura que acabara de moldar. O que Júpiter  acedeu  de bom grado.

Quando, porém, Cuidado quis dar um nome  à criatura que havia projetado, Júpiter o proibiu. Disse que essa prerrogativa de impor um nome era missão dele. Mas cuidado insistia que ele tinha esse direito por ter, por primeiro pensado e moldado a criatura em forma de um ser humano.

Enquanto Júpiter e o Cuidado discutiam acaloradamente, de súbito, irrompeu a deusa  Terra. Quis também ela conferir um nome à criatura, pois, argumentava, que ela  fora feita de barro, material do  corpo, da Terra. Originou-se então uma discussão generalizada sem qualquer consenso.

De comum acordo, pediram, ao antigo Saturno, também chamado de Cronos, fundador da idade de ouro e da agricultura, que funcionasse como árbitro. Ele apareceu na cena. Tomou a seguinte decisão que pareceu a todos   justa:      

“Você, Júpiter, deu-lhe o espírito; receberá, pois, de volta este espírito quando essa  criatura morrer”.

“Você, Terra, deu-lhe o corpo; receberá, portanto, também de volta o seu corpo quando essa criatura morrer”.

Mas como, você, Cuidado foi quem, por primeiro, moldou essa criatura, ela ficará  sob o seu cuidado enquanto  ela viver”.

“E uma vez que entre vocês há consenso  acerca do nome, decido eu:  esta criatura será chamada Homem (ser humano), isto é, feita de húmus, que significa terra fértil”.

Vejamos a singularidade deste mito. O cuidado é anterior a qualquer outra coisa. É anterior ao espírito e anterior à Terra. Em outras palavras, a concepção do ser humano como composto de espírito e corpo não é originária. O mito é claro ao afirmar que “foi o cuidado o primeiro a moldar o barro na forma de um ser humano”.

O cuidado comparece como o conjunto de fatores sem os quais não existiria o ser humano. O cuidado constitui aquela força originante da qual jorra e se alimenta o ser humano. Sem o cuidado, o ser humano continuaria a ser apenas um boneco de barro ou um espírito desencarnado e sem  raiz em nossa realidade terrestre.

O Cuidado, ao moldar o ser humano, empenhou amor, dedicação, devoção, sentimento e coração. Tais qualidades passaram à figura que ele projetou, isto é, a nós, seres humanos. Estas dimensões entraram em nossa constituição, como um ser amoroso, sensível, afetuoso, dedicado, cordial, fraternal e carregado de sentimento. Isso faz o ser humano emergir verdadeiramente  como humano.

Cuidado recebeu de Saturno a missão de cuidar do ser humano  ao longo de toda a sua vida. Caso contrario, sem o cuidado, não subsistiria  nem viveria.

Efetivamente, todos nós somos filhos e filhas do infinito cuidado de nossas mães. Se elas não nos tivessem acolhido com carinho e cuidado, não saberíamos como deixar o berço e buscar nosso alimento. Em pouco tempo teríamos morrido, pois não contamos com nenhum órgão especializado que garanta nossa sobrevivência.

O cuidado, portanto, pertence à essência do ser humano. Mas não só. Ele é a essência de todos os seres, especialmente dos seres vivos. Se não os cuidarmos, eles definham e lentamente adoecem e por fim morrem.

O mesmo vale para a Mãe Terra e para tudo o que nela existe. Como disse bem o Papa Francisco em sua encíclica que leva como sub-título”Cuidando da Casa Comum”: “devemos alimentar uma paixão pelo cuidado do mundo”.

O cuidado é também uma constante cosmológica. Bem dizem os cosmólogos e astrofísicos: se as quatro forças que tudo sustentam (a gravitacional, a eletromagnética, a nuclear fraca e a forte) não se tivessem articulado com extremo cuidado, a expansão ficaria demasiadamente rarefeita e não haveria densidade para originar o universo, a nossa Terra e a nós mesmos. Ou então seria demasiada densa e tudo explodiria em cadeia e nada existiria do que existe. E esse cuidado preside o curso das galáxias, das estrelas e de todos os corpos celestes, a Lua, a Terra e nós mesmos.

Se vivermos a cultura e a ética do cuidado, associado ao espírito de irmandade entre todos, também com os seres da natureza, teremos colocado os fundamentos sobre os quais se construirá um novo modo de nos relacionar  e de viver na Casa Comum, a Terra. O cuidado é a grande medicina que nos pode salvar e a irmandade geral nos permitirá a sempre desejada comensalidade e o amor e a feto entre tods.

Então continuaremos a brilhar e a nos desenvolver sobre esse pequeno e belo planeta.

Esta consideração sobre o cuidado concerne a todos os que cuidam da vida em sua diversidade e do planeta, especialmente agora, sob  pandemia do Covid-19, o corpo médico, os enfermeiros e enfermeiras e outros que trabalham nos hospitais, pois, o cuidado essencial cura as feridas passadas, impede as futuras e garante o nosso futuro de nossa civilização de irmãos e de irmãs, juntos na mesma Casa Comum.

Leonardo Boff escreveu O cuidado necessário  e Saber cuidar, ambos pela Editora Vozes de Petrópolis.

Fratelli tutti: Politik als Zärtlichkeit und Zuneigung

Die neue Enzyklika von Papst Franziskus, die am 3. Oktober am Grab von Franz von Assisi in der Stadt Assisi unterzeichnet wurde, wird ein wegweisendes Dokument in der Soziallehre der Kirche sein.  Ihre Themen sind breit gefächert und detailliert, immer darauf ausgerichtet, Werte zu betonen und den Liberalismus scharf zu kritisieren. Sie wird sicherlich von Christen und Nichtchristen analysiert werden, da sie sich an alle Menschen guten Willens richtet. An dieser Stelle möchte ich auf das hinweisen, was ich im Lichte früherer Lehren der Päpste für innovativ halte.   

In erster Linie muss klar sein, dass der Papst eine Paradigmenalternative zu unseren Lebensformen in unserem Gemeinsamen Zuhause vorschlägt, welches zahlreichen Bedrohungen ausgesetzt ist.  Er beschreibt die “dunklen Wolken”, die er, wie er selbst in verschiedenen Verlautbarungen behauptet hat, mit einem allmählichen Dritten Weltkrieg gleichsetzt.  Im Moment gibt es keinen gemeinsamen Plan für die Menschheit (Nr. 18).  Aber ein roter Faden ist in der Enzyklika zu erkennen: “Die Erkenntnis, dass niemand allein gerettet wird; wir können nur gemeinsam gerettet werden” (N. 32).  Das ist der neue Plan, der in diesen Worten zum Ausdruck kommt: “Ich biete diese soziale Enzyklika als bescheidenen Beitrag zur Reflexion in der Hoffnung an, dass wir angesichts der heutigen Versuche, andere zu beseitigen oder zu ignorieren, in der Lage sein könnten, mit einer neuen Vision von Geschwisterlichkeit und sozialer Freundschaft zu reagieren“. (N.6)

Wir müssen diese Alternative gut verstehen.  Wir sind an dem Paradigma angelangt und befinden uns immer noch in dem Paradigma, das der Moderne zu Grunde liegt.  Es ist anthropozentrisch.  Es ist die Herrschaft des Herrn: der Mensch als Herr und Meister der Natur und der Erde, die nur in dem Maße Bedeutung haben, wie sie für ihn wertvoll sind.  Er hat das Antlitz der Erde verändert und viele Vorteile errungen, aber er hat das Wesentliche der Selbstzerstörung geschaffen. Eigentlich ist es die Sackgasse der “dunklen Wolken”.  Angesichts dieser kosmischen Vision schlägt die Enzyklika Fratelli tutti ein neues Paradigma vor: das des Bruders und des Fraters, eine universelle Geschwisterlichkeit und eines der sozialen Freundschaft.  Es verschiebt den Mittelpunkt: von einer individualistischen und technologisch-industriellen Zivilisation hin zu einer Zivilisation der Solidarität, der Bewahrung und der Fürsorge für alles Leben.  Das ist die natürliche Absicht des Papstes.  Hierin liegt unsere Errettung: wir werden die apokalyptische Vision der drohenden Vernichtung unserer Spezies überwinden durch eine Vision der Hoffnung, dass wir den Kurs ändern können und müssen.

Um dies zu erreichen, müssen wir Hoffnung nähren.  Der Papst sagt: “Ich lade alle zu erneuerter Hoffnung ein, die zu uns von etwas spricht, das tief in jedem menschlichen Herzen verwurzelt ist, unabhängig von den Umständen und den historischen Bedingungen, unter denen wir leben” (N.55).  Hier erklingt das Hoffnungsprinzip, das mehr als die Tugend der Hoffnung ist, sondern ein Prinzip, ein innerer Beweger, um neue Träume und Visionen zu projizieren, was Ernst Bloch so gut formulierte. Er betont: “Die Aussage, dass wir als Menschen Brüder und Schwestern sind, was keine Abstraktion ist, sondern ein Konzept, das konkret wird und Gestalt annimmt, stellt uns vor eine Reihe von Herausforderungen, die uns verlagern und uns zwingen, die Dinge in einem neuen Licht zu sehen und neue Antworten zu entwickeln” (N.128).  Wie sich daraus ergibt, haben wir es mit einem neuen Weg zu tun, mit einem paradigmatischen Kurswechsel.

Wo soll man anfangen?  Hier offenbart der Papst seine Grundhaltung mit häufigen Verweisen auf soziale Bewegungen: “Wir sollten nicht auf irgendetwas von den gegenwärtigen Regierungen erhoffen, denn es ist immer dieselbe Geschichte oder schlimmer; beginnt bei euch selbst”.  Aus diesem Grund schlägt er vor: “Wir können von unten beginnen und von Fall zu Fall auf der konkretesten und lokalen Ebene handeln und uns dann auf die entlegensten Bereiche unserer Länder und unserer Welt ausdehnen” (N.78).  Der Papst regt nun ökologische Diskussionen an.  Unsere lokale Erfahrung muss sich “im Gegensatz” und “im Einklang mit” den Erfahrungen anderer entwickeln, die in unterschiedlichen Kontexten leben (N. 147).

Es gibt lange Überlegungen über Wirtschaft und Politik, aber er sagt: “Politik darf der Wirtschaft nicht untergeordnet sein, und die Wirtschaft darf auch nicht dem Diktat eines effizienzgetriebenen Paradigmas der Technokratie unterworfen werden” (N.177).  Er übt eine harsche Kritik am Markt.  Der Markt allein kann nicht jedes Problem lösen, so sehr von uns verlangt wird, auch an dieses Dogma des neoliberalen Glaubens zu glauben.  Was auch immer die Herausforderung ist, diese armselige und sich wiederholende Denkschule bietet immer die gleichen Rezepte.  Der Neoliberalismus reproduziert sich einfach, indem er auf die magischen Theorien von “Spillover” oder “Trickle” – ohne den Namen zu verwenden – als einzige Lösung für gesellschaftliche Probleme zurückgreift” (N.168).  Die Globalisierung bringt uns näher, aber nicht mehr als Brüder und Schwestern (n.12).  Es schafft nur Partner, aber keine Brüder und Schwestern (N. 101).

Im Gleichnis vom barmherzigen Samariter gibt es eine rigorose Analyse der verschiedenen Akteure, die auf die Bühne kommen, und sie gilt für die politische Ökonomie, die in der Frage gipfelt: “Mit wem identifiziert ihr euch (mit dem Verwundeten auf der Straße, mit dem Priester, mit dem Leviten oder mit dem Fremden, dem Samariter, der von den Juden verachtet wird)?  Das ist eine unverblümte, direkte und resolute Frage.  Mit welchem von ihnen identifiziert ihr euch” (n.64)?  Der barmherzige Samariter ist ein treffendes Modell von sozialer und politischer Liebe (n.66).

Das neue Paradigma der Geschwisterlichkeit und der sozialen Liebe zeigt sich in öffentlich gezeigten Akten der Liebe, in der Fürsorge für die Schwächsten, in der Art des Dialogs und der Begegnung, in gewöhnlicher Zärtlichkeit und Zuneigung.  In Bezug auf die Kultur der Begegnung erlaube ich mir, den brasilianischen Dichter Vinicius de Moraes in seinem Samba of Blessing aus seiner Welt von 1962 “Encontro Au bon Gourmet” zu zitieren, wo er sagt: “Das Leben ist die Kunst der Begegnung, obwohl es so viele Divergenzen im Leben geben kann” (Nr. 215).  Politik darf nicht auf Machtstreitigkeiten und Gewaltenteilung reduziert werden.  Überraschenderweise sagt er: “Selbst in der Politik gibt es einen Ort der zärtlichen liebevollen Fürsorge: für die Jüngsten, die Schwächsten, die Ärmsten; sie müssen uns berühren und sie haben das “Recht”, uns an Körper und Seele zu erfüllen. Ja, sie sind unsere Schwestern und Brüder, und wir müssen sie lieben und ihnen als solchen vertrauen: (194).  Und wenn jemand fragt, was Zärtlichkeit ist, hier ist die Antwort: “Liebe, die nah und konkret ist; es ist eine Bewegung, die aus dem Herzen kommt und die Augen, die Ohren, die Hände erreicht” (n. 196).  Hier erinnern wir uns an die Worte Gandhis, eine der Inspirationen des Papstes, neben dem Hl. Franziskus, Martin Luther King und Desmond Tutu: Politik ist eine Geste der Liebe zu den Menschen, der Sorge um gemeinsame Angelegenheiten.

Gemeinsam mit Zärtlichkeit kommt die Höflichkeit, die an den Propheten Höflichkeit erinnert, der allen Passanten auf den Straßen von Rio de Janeiro verkündete “Höflichkeit erzeugt Höflichkeit” und “Gott ist Höflichkeit” im Stil des Hl. Franziskus.  Und Höflichkeit ist definiert als: “ein Geisteszustand, der nicht scharf, unhöflich oder hart ist, sondern angenehm und zart, der stärkt und ermutigt; eine Person, die diese Qualität hat, hilft anderen, ihre Lasten zu lindern” (N.223).  Dies ist eine Herausforderung für Bischöfe und Priester: eine Revolution der Zärtlichkeit zu schaffen. Solidarität ist eine der Grundlagen des menschlichen und sozialen Lebens.  Sie findet im Dienst einen konkreten Ausdruck, der eine Vielzahl von Formen annehmen kann, um sich um andere zu kümmern: zum großen Teil kümmert sie sich um die menschliche Verletzlichkeit” (N.115).  Diese Solidarität war abwesend, und doch ist nur sie wirksam im Kampf gegen COVID -19.  Solidarität vermeidet die Verzweigung der Menschheit in “meine Welt” und die “anderen”, die “sie” sind.  Viele gelten nicht mehr als Menschen mit einer unveräußerlichen Würde und werden nur noch “sie” (Nr. 27).  Der Papst schließt mit einem tiefen Wunsch: “dass wir nicht mehr in den Begriffen ‚sie’ denken, sondern nur noch im Begriff ‘uns'” (Nr. 35).


Damit diese Herausforderung eines Traums von universeller Geschwisterlichkeit und sozialer Liebe erfüllt werden kann, ruft er alle Religionen auf, “einen reichen Beitrag zum Aufbau der Geschwisterlichkeit und zur Verteidigung der Gerechtigkeit in der Gesellschaft zu leisten” (N.271).


Schließlich erinnert er an die Figur des Kleinen Bruders Jesus Charles de Foucauld, der “definitiv der universelle Bruder” unter der muslimischen Bevölkerung in der Wüste Nordafrikas sein wollte (N.287).  Papst Franziskus fügt diesem Beispiel hinzu: “Nur wenn man sich mit dem Geringsten identifiziert, kann man ein Bruder oder eine Schwester aller sein. Möge Gott diesen Traum in jedem von uns entfachen. Amen” (n.288).


Wir stehen vor einem Mann, Papst Franziskus, der sich nach seiner inspirierenden Quelle, Franz von Assisi, auch zu einem universellen Mann gemacht hat, der alle umarmt und sich mit den Verletzlichsten und Unsichtbarsten unserer grausamen Welt identifiziert.  Er entfacht die Hoffnung, dass wir den Traum von der Geschwisterlichkeit der universellen und Liebe ohne Grenzen nähren können und müssen.   

Er hat seinen Teil dazu beigetragen.  Nun liegt es an uns, den Traum nicht nur als Traum zu belassen, sondern dass er zum Samen einer neuen Form des gemeinsamen Lebens wird, als Schwestern und Brüder und die Umwelt, im selben Gemeinsamen Haus. Werden wir die Zeit und die Weisheit haben, diesen Sprung zu machen?  Die “dunklen Wolken” werden sicherlich weiterbestehen.  Aber wir haben eine Lampe in dieser Enzyklika der Hoffnung von Papst Franziskus.  Es zerstreut nicht alle Wolken.  Aber es genügt, den von allen einzuschlagenden Weg gut zu erkennen.

Leonardo Boff
Ökologe, Theologe und Philosoph
Autor von u.a.: „Franziskus aus Rom und Franz von Assisi: Ein neuer Frühling für die Kirche“, Butzon & Bercker (1. Januar 2014)

Coronavirus: Gaia’s reaction and revenge?

Everything relates to everything: that is now a data point in the collective consciousness of those who develop an integral ecology, such as Brian Swimme, many other scientists, and Pope Francis, in his Encyclical Letter, “On the Caring for the Common Home”. All beings of the universe and of the Earth, including us, human beings, are part of the intricate web of relationships, spun in all directions, in such a way that nothing exists outside of those relationships.  That is also the basic thesis of the quantum physics of Werner Heisenberg and Niels Bohr.

It was well known by the original peoples, as expressed in 1856 by the wise words of Duwamish Grandfather Seattle: “Of one thing we are certain: the Earth does not belong to man. Man belongs to the Earth. All thing are interrelated like the blood that unites a family; everything is interrelated with everything. That which wounds the Earth also wounds the sons and daughters of the Earth. It was not man who knit the web of life: man is merely a tread of the web of life. Everything that man does against that web, is also done to man himself”. This is to say, there is an intimate connection between the Earth and the human being. If we hurt the Earth, we also hurt ourselves, and vice versa.

This is the same perception the astronauts enjoyed from their spacecraft and the Moon: The Earth and humanity are a single and unique entity. Isaac Asimov said it well in 1982 when, at the request of The New York Times, he summarized the 25 years of the Space age: “Its legacy is the verification that, from the perspective of the spacecraft, the Earth and humanity form a sole entity (New York Times, October 9, 1982)”. We are Earth.  Man,  Hombre, comes from húmus, fertile earth, the Biblical Adam means son and daughter of the fertile Earth. After this verification, never again have we lost consciousness of the fact that the destiny of the Earth and of humanity are inseparably united.

Unfortunately, we are seeing that which Pope Francis laments in his ecological Encyclical Letter: “we have never mistreated and wounded so much our Common Home as we have done in the last two centuries” (nº 53). The voracity of the form of accumulation of wealth is so devastating that some scientists say that we have inaugurated a new geologic era: the anthropocenic era. Namely, it is the human being himself who threatens life and accelerates the sixth massive extinction, which we already are experiencing. The aggression is so violent that more than a thousand species of living beings disappear each year, giving way to something worse than the anthropocene, the necrocene: the era of mass production of death. Since the Earth and humanity are interconnected, massive death is produced not only in nature but also in humanity itself. Millions of people die of starvation, thirst, victims of war or of the social violence everywhere in the world.  And uncaring, we do nothing.

James Lovelock, who offered the theory of the Earth as a self regulating super living organism, Gaia, wrote a book titled, Gaia’s Revenge, (La venganza de Gaia, Planeta 2006). He suggested that the current diseases, such as dengue, chikungunya, the zica virus, sars, ebola, measles, the current coronavirus and the generalized degradation in human relationships, marked by a profound social inequality/injustice and the lack of a minimal solidarity, are the reaction of Gaia for the offenses that we continually inflict on her. I would not say, as Lovelock does, that it is all “the revenge of Gaia”, because she, as the Great Mother she is, does not take revenge, but gives us great signals that she is ill, (typhoons, melting of the polar ice, droughts and flooding, etc.); and, in the end, because we do not learn the lesson, she takes reprisals, such as the aforementioned diseases .

I remember the book-testament by Theodore Monod, perhaps the only great contemporary naturalist, And if the human adventure should fail (Y si la aventura humana fallase, Paris, Grasset 2000): «we are capable of senseless and demented behavior, from now on anything could happen, really, anything, including the annihilation of the human race; that could be the just price for our madness and cruelty» (p.246).

This does not mean that all the governments of the world, resigned, will stop struggling against the coronavirus and protecting the people, or of urgently searching for a vaccine to combat it, in spite of its constant mutations. Besides an economic-financial disaster, it could mean a human tragedy, with an incalculable number of victims. But the Earth will not be satisfied with these small compensations. She pleads for a different attitude towards her: of respect for her rhythms and limits, of caring for her sustainability, and of us feeling more like the sons and daughters of Mother Earth, the Earth herself who feels, thinks, loves, venerates and cares. In the same way that we care for ourselves, we must care for her. The Earth does not need us.  We need the Earth. Perhaps she does not want us in her face anymore, and would keep on gyrating on the sidereal space, but without us, because we were ecocidal and geocidal..

Since we are intelligent beings and lovers of life, we can change the course of our destiny.  May the Spirit Creator strengthen us in this purpose.  

Leonardo Boff
Eco-Theologian-Philosopher
Earthcharter Commission

Free translation from the Spanish sent by

Melina Alfaro, volar@fibertel.com.ar.

Done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

Covid-19 Obliges us to think: What is Essential?

As the renowned German philosopher, Jürgen Habermas, affirmed in an interview about Covid-19:  “We have never known so much about ignorance as we do now.”  Science is indispensable for survival and for explaining the complexity of modern societies, but it cannot be arrogant and pretend, as certain pseudo-scientists postulate, that it can resolve all problems.  To tell the truth, what we do not know is infinitely greater than what we know.  All knowledge is finite and imperfect.  That is now being proven in our frantic search for an effective vaccine against Covid-19.  We do not know when a vaccine will be available, nor when the epidemic will be over.

The virus leaves us with a sunset feeling on the horizon of life and of hope, and occasions that which is well described in the twitter message of the judge and author Andréa Pachá (“Life is not Just”):  :The pandemic has wrought much havoc.  Some is physical, concrete and definitive.  Other damage is subtle, but devastating.  It steals from us the desire to go, to play, to have plans, including those that are utopian and chimeric, that will never come to fruition, but which feed the soul.”

We sense that there is a profound collective depression and melancholy that even makes us furious against the virus about which we know and can do so little.  We all feel surrounded by the ghost of contamination, of confinement and of death.

The reality is that we live under an extraordinary emergency such as the tsunami in Japan that affected nuclear sites, one of which continues to emit radioactivity, affecting the coasts of India, of Thailand and even the coasts of California, playing a part in the horrendous fires of the Amazon, of the Pantanal and of the forests of California.  With Covid-19 we are faced with an extreme emergency, which affects the whole planet.  It is a consequence of a profound ecological erosion caused by the voraciousness of big business which wants only material gain from the destruction and extraction of the forests, the expansion of monocultural crops such as soy beans or the cattle grazing and the excessive urbanization of the whole world.

That intrusion of humans into nature, without any sense of respect for its intrinsic value, held as a mere means of production and not as something alive, of which we are a part and not lords and masters denies in us the respect of nature’s limits of sustainability.  It has produced the destruction of the habitats of thousands of viruses in animals and plants which have been transferred to other animals and even to humans.

We must incorporate new concepts:  zoonosis (the illness that comes from the animal world: birds, swine and cattle) and zoonotic transfer (an animal affliction transmissible to humans.  As of now these will enter our vocabulary not only as scientific terms.

One of the greatest specialists in virus, David Quammen (Montana, USA), alerts us to this in his video Spillover:  the Next Human Pandemic (2015).  “It is inevitable that a great pandemic is coming.  It can kill tens of thousands, hundreds of thousands or millions of people depending on the circumstances and the forms of our reactions, but some of these things will occur.  There will certainly be a zoonotic event.  It will originate in animals, not humans.  There will certainly be a virus.”  Let us pay attention to this warning of a noted scientist.

Faced with this extreme emergency tied to the lack of national and international mobility, social isolation, distancing and the use of masks, it is appropriate that we ask the most fundamental questions of our lives.  In the final analysis what counts most in the end?  What is really essential?  What are reasons that have brought us to such an extreme emergency?  What must we do and what can we do after the pandemic passes?  These are unavoidable questions.

We will then discover that there is no greater value than life and the entire community of life.  Life arose some 3.8 thousands of million years ago and the human race around 8 to 10 million years ago.  Life passed through various devastating moments but always survived.  And with life comes the means of life without which it cannot defend itself, namely water, soil, the atmosphere, the biosphere, the climates, the labor and nature which offers us all that we need to live and survive.  There is the human community that takes us in and offers us the bases of the social and spiritual order that holds us in cohesion as humans.  The accumulation of material goods, individual wealth and unabated competition are of no value.  What saves us as living and social beings is solidarity, cooperation, generosity and the care for one another and the environment.

These are the human-spiritual values, contrary to those of the material capital, for which Covid-19 represents a thunder bolt that is breaking it to bits.  We cannot return to what was, so as not to provoke Mother Earth and nature.  If we do not change our relationship to one of respect and care, we will be sent another virus, perhaps a more lethal and final one (The Big One) which could decimate the human species.

This time of forced seclusion is a time for reflection and ecological conversion, a time to decide what type of Common Home we want for the future.  We must grow in solidarity and in love for all creation, especially for our fellow human brothers and sisters.  

We will be “solidarity men and women”, the beginning of a new era, in which life and its diversity will be central and all else will be subservient to it.  Together we will rejoice in the happy celebration of life.

Leonardo Boff is an ecotheologian and philosopher and has written Covid-19: the Counterattack of the Earth against Humanity which will be published soon by the Vozes publishers.

Translation from Portuguese by Maria José Govito Milano.