É preferível um ateu ético que um cristão indiferente diante do sofredores das periferias

Leonardo Boff

Essa frase não é minha. É repetida várias vezes pelo Papa Francisco ao assistir como cristãos rejeitam refugiados famélicos e desesperados buscando na Europa salvar suas vidas. Quem tem Deus nos lábios e está longe da sensibilidade humana e da justiça mínima, está longe de Deus e seu Deus é antes um ídolo do que o Deus amante da vida e da ternura dos oprimidos.

Quem vive os valores da justiça, da solidariedade,  da compaixão e do cuidado de uns para com os outros incluindo a natureza está mais próximo de Deus do que aquele piedoso que frequenta a igreja, faz suas rezas e comunga mas que passa ao largo dos pobres que encontra na rua.

O presidente norte-americano Busch Jr usava frequentemente Deus bem como Bin Laden.Em nome de seu Deus fizeram guerras e promoveram atentados aterradores. Era um Deus belicoso, inimigo da vida e impiedoso destruidor de inteiras cidades com inumeráveis vítimas, particularmente inocentes crianças.

Entre nós o presidente Jair Bolsonaro coloca Deus acima de tudo, mas nega-o praticamente a todo momento com ódio aos negros, aos quilombolas aos indígenas, aos homoafetivos e a seus adversários políticos que os transforma não em adversários mas  em inimigos a quem se deve perseguir e difamar. Acostumou-se à mentira direta, ao fake news a ponto de nunca sabermos quando diz a verdade o simplesmente diz mais uma mentira.

O mais grave, entretanto, que o Deus que continuamente tem em seus  lábios não o moveu a um gesto de solidariedade às milhares de famílias que choram seus entes queridos, parentes e amigos. Nunca visitou um hospital para ver a dramática situação da falta de oxigênio e a morte por sufocamento de centenas de pessoas como ocorreu em Amazonas .Se pelo menos fizesse uma obra de misericórdia que é visitar os enfermos. Sua prática nega Deus e o torna um ateu prático, antiético e perverso.

O ódio que destila, a falta de qualquer respeito e veneração face à sacralidade da vida incorpora traços que as Escrituras atribuem ao anti-Cristo. É próprio do anti-Cristo usar o nome de Deus e de Jesus para enganar e seduzir as pessoas para o caminho da perversidade.. Marca do anti-Cristo é seu desprezo pela vida e sua pulsão pela morte.

Mas esse Deus é um ídolo porque não é possível que o Deus vivo e verdadeiro queira o  que ele quer. O ateísmo ético tem razão ao negar esse tipo de religião com o seu Deus que justificou outrora as cruzadas, a caça às bruxas, a inquisição, o colonialismo, a Shoah judaica e atualmente o genocídio provocado pelo Covid-19, particularmente entre os indígenas e os pobres sem proteção nas grandes periferias das cidades.

É possível ainda crer em Deus num mundo que manipula Deus para atender a interesses perversos do poder? Sim, é possível, à condição de sermos ateus de muitas imagens de Deus que conflitam com o Deus da experiência dos praticantes religiosos sinceros e consequentes e dos puros de coração.

Então a questão hoje é: Como falar de Deus, sem passar pela religião? Porque falar religiosamente  como Jair Bolsonaro e antes  Bin Laden e Busch falaram é blasfemar Deus.

Mas podemos falar secularmente de Deus sem referir seu nome. Como bem dizia o grande profeta já falecido Dom Casaldáliga: se um opressor diz Deus eu lhe digo justiça, paz e amor, pois estes são os verdadeiros nomes de Deus que ele nega. Se o opressor disser justiça, paz e amor eu lhe digo Deus pois sua justiça, paz e amor são falsos.

Podemos falar secularmente de Deus a partir de um fenômeno humano que, analisado, remete à experiência daquilo que chamamos  Deus. Penso no entusiasmo. Em grego, de onde se deriva entusiasmo é enthusiasmós. Ela se compõe de três partes: en (em) thu (abreviação de theós=Deus), e mos (terminação de substantivos). Entusiasmo significa, pois, ter um Deus dentro, ser tomado por uma Energia singular que nos faz lutar pela vida, pelos direitos e pelos empobrecidos. .

É uma força misteriosa que está em nós mas que é também maior que nós. Nós não a possuímos, é ela que nos possui. Estamos à mercê dela. O entusiasmo é isso, o Deus interior. Vivendo o entusiasmo, neste sentido radical, estamos vivenciando a realidade daquilo que chamamos Deus.

Essa representação é aceitável porque Deus se tornou íntimo  e dentro de nós, embora também sempre para além de nós. Bem dizia Rumi, o maior místico do Islã: “Quem ama a Deus,  não tem nenhuma religião, a não ser Deus mesmo”. Deus mesmo não tem religião.

Nestes tempos de idolatria oficial há que se resgatar este sentido originário e existencial de Deus. Seu nome é amor, é justiça, é solidariedade, é gratuidade,é capacidade de renunciar para o bem do outro, é ter compaixão e infinita misericórdia. Quem vive nesta atmosfera de valores, está mergulhado em Deus. Somos habitados pelo Deus interior  através do entusiasmo que confere sentido às nossas lutas.

Sem pronunciar-lhe o nome, o acolhemos reverentemente como entusiasmo que nos faz viver e que nos permite a alegre celebração da vida.

Leonardo Boff é teólogo e escreveu Experimentar Deus hoje: a transparência de todas as coisas, Vozes 2010.

Wasser: Lebensquelle oder Profitquelle?Gegen die Privatisierung des Wassers.

Leonardo Boff*

Es gibt heutzutage zwei wesentliche Probleme, die die gesamte Menschheit betreffen: die globale Erwärmung und die zunehmende Verknappung des Trinkwassers. Beide erfordern tiefgreifende Veränderungen in der Art und Weise, wie wir leben, denn sie können einen Zusammenbruch unserer Zivilisation verursachen und das Lebenssystem tiefgreifend beeinflussen.                                       

Konzentrieren wir uns auf das Thema Wasser, das von großen Konzernen begehrt wird, um es zu privatisieren und riesige Gewinne zu machen. Es kann ein Grund für Kriege sein, aber auch ein Grund für soziale Solidarität und Zusammenarbeit zwischen den Völkern. Es wurde bereits gesagt, dass, wenn die Kriege des 20. Jahrhunderts um Öl geführt wurden, die Kriege des 21. Jahrhunderts um Trinkwasser geführt werden. Dennoch kann es eine zentrale Referenz für einen neuen Weltsozialpakt zwischen Völkern und Regierungen zum Überleben aller sein.

Betrachten wir die grundlegenden Fakten über Wasser. Es ist extrem reichlich vorhanden und doch gleichzeitig knapp.

Auf der Erde gibt es etwa 1,36 Milliarden Kubikkilometer Wasser. Wenn wir all dieses Wasser, das sich in den Ozeanen, Seen, Flüssen, Grundwasserleitungen und Polkappen befindet, nehmen und es gleichmäßig über eine flache Landoberfläche verteilen würden, wäre die ganze Erde drei Kilometer tief unter Wasser getaucht. 97% sind Salzwasser und 3% sind Süßwasser. Aber nur 0,7 % davon sind für den Menschen direkt nutzbar. Von diesen 0,7 Prozent gehen 70 Prozent in die Landwirtschaft, 22 Prozent in die Industrie, und der Rest wird von Mensch und Tier genutzt.

Das Wasser-Recycling liegt in der Größenordnung von 43.000 Kubikkilometern pro Jahr, während der Gesamtverbrauch auf 6.000 Kubikkilometer pro Jahr geschätzt wird. Es gibt also ein Überangebot an Wasser, aber es ist ungleich verteilt: 60% steht gerade einmal 9 Ländern zur Verfügung während in 80 anderen Ländern Knappheit herrscht. Knapp eine Milliarde Menschen verbrauchen 86 % des vorhandenen Wassers, während es für 1,4 Milliarden nicht ausreicht (2020 werden es 3 Milliarden sein) und für 2 Milliarden unbehandelt ist, was 85 % der beobachtbaren Krankheiten hervorruft. Es wird davon ausgegangen, dass bis 2032 etwa 5 Milliarden Menschen von der Wasserkrise betroffen sein werden.

Das Problem ist nicht die Knappheit des Wassers, sondern seine schlechte Bewirtschaftung und Verteilung, um den Bedarf der Menschen und anderer Lebewesen zu decken.

Brasilien ist die natürliche Wasserkraft, mit 13 % des gesamten Süßwassers auf dem Planeten, das sind 5,4 Billionen Kubikmeter. Trotz des Überflusses werden 46 % davon verschwendet, was ausreichen würde, um ganz Frankreich, Belgien, die Schweiz und Norditalien zu versorgen.

Weil es knapp ist, ist Süßwasser zu einem Gut von hohem wirtschaftlichen Wert geworden. Da wir von einer Marktwirtschaft zu einer Marktgesellschaft übergegangen sind, wird alles zu einer Ware. Aufgrund dieser “großen Transformation” (Karl Polaniy) gibt es nun einen ungebremsten globalen Wettlauf, Wasser zu privatisieren und große Gewinne zu machen. So sind multinationale Konzerne wie die französische Vivendi und Suez-Lyonnaise, die deutsche RWE, die englische Thames Water, die amerikanische Bechtel u.a. entstanden. Ein Wassermarkt mit einem Volumen von mehr als 100 Milliarden Dollar wurde geschaffen. Nestlé und Coca-Cola sind hier stark vertreten und versuchen, überall auf der Welt Quellen zu kaufen.

Die große Debatte lautet heute in diesen Begriffen: Ist Wasser eine Quelle des Lebens oder eine Quelle des Profits? Ist Wasser ein natürliches, lebensnotwendiges, gemeinsames und unersetzliches Gut oder ein Wirtschaftsgut, das als Wasserressource und Ware zu behandeln ist?

Es ist wichtig zu erkennen, dass Wasser kein Wirtschaftsgut wie jedes andere ist. Es ist so eng mit dem Leben verbunden, dass es als etwas Vitales und Heiliges verstanden werden muss. Leben kann nicht in eine Ware verwandelt werden. Es ist eines der hervorragendsten Güter im Prozess der Evolution und eine der größten göttlichen Gaben. Darüber hinaus ist Wasser mit anderen kulturellen, symbolischen und spirituellen Dimensionen verbunden, die es kostbar machen und mit Werten aufladen, die an sich unbezahlbar sind.

Um den Reichtum des Wassers zu verstehen, der über seine ökonomische Dimension hinausgeht, müssen wir mit der Diktatur der instrumental-analytischen und utilitaristischen Vernunft brechen, die der Gesellschaft als Ganzes auferlegt ist. Letztere sieht Wasser als bloße Wasserressource, mit der man Geschäfte machen kann. Es dient nur Zwecken und Nützlichkeiten. Doch die Vernunft des Menschen hat andere Funktionen. Es gibt eine uralte, sensible, emotionale, herzliche und spirituelle Vernunft, die über Zwecke und Nützlichkeit hinausgeht und mit dem Sinn des Lebens, mit Werten, mit dem symbolischen, ethischen und spirituellen Charakter des Wassers verbunden ist.

Aus dieser Perspektive erscheint Wasser als natürliches Allgemeingut, als die Quelle und der Ort, aus dem das Leben auf der Erde vor 3,8 Milliarden Jahren entstanden ist. Wasser ist ein globales öffentliches Gemeingut.  Es ist das Erbe der Biosphäre und lebenswichtig für alle Lebensformen. Leben kann ohne Wasser nicht existieren.

Offensichtlich müssen sich die Dimensionen von Wasser als Lebensquelle und als Wasserressource nicht gegenseitig ausschließen, sondern richtig aufeinander bezogen sein. Grundsätzlich gehört Wasser zu den Lebensrechten. Die UN hat am 28. Juli 2010 erklärt, dass sauberes und sicheres Wasser und sanitäre Einrichtungen ein grundlegendes Menschenrecht sind.

Aber es erfordert eine komplexe Struktur der Sammlung, Erhaltung, Aufbereitung und Verteilung, die eine unbestreitbare wirtschaftliche Dimension impliziert. Diese sollte jedoch nicht über dem anderen, nämlich dem Recht, stehen, sondern Wasser für alle zugänglich machen.

Jedem Menschen sollten mindestens 50 Liter kostenloses, sauberes Trinkwasser garantiert werden. Es ist Aufgabe der öffentlichen Hand, zusammen mit der organisierten Gesellschaft, öffentliche Mittel zu schaffen, um die Kosten zu decken, die notwendig sind, um dieses Recht für jeden zu garantieren. Die Tarife für die Dienstleistungen müssen die verschiedenen Verwendungszwecke des Wassers berücksichtigen, sei es im Haushalt, in der Industrie, in der Landwirtschaft oder im Freizeitbereich. Für die industrielle und landwirtschaftliche Nutzung ist das Wasser natürlich preispflichtig.

Die vorherrschende Marktsicht verzerrt die direkte Beziehung zwischen Wasser als Lebensquelle und Wasser als Wasserressource. Dies ist im Wesentlichen auf die Verschärfung des Privateigentums zurückzuführen, die dazu führt, dass Wasser ohne Sinn für das Teilen und die Rücksichtnahme auf die Bedürfnisse der anderen und der gesamten Lebensgemeinschaft behandelt wird. Das Prinzip der gesellschaftlichen Solidarität und der Interessengemeinschaft und des Respekts für Wassereinzugsgebiete, die die Grenzen der Nationen überschreiten, ist immer noch sehr schwach, wie es zum Beispiel zwischen der Türkei auf der einen Seite und Syrien und dem Irak auf der anderen Seite oder zwischen Israel auf der einen Seite und Jordanien und Palästina auf der anderen Seite oder sogar zwischen den USA und Mexiko um die Flüsse Rio Grande und Colorado vorkommt.

Um all diese lebenswichtigen Fragen zu diskutieren, wurde 2003 das Alternative Weltwasserforum in Florenz (Italien) ins Leben gerufen. Dort wurde die Gründung einer Weltwasserbehörde vorgeschlagen.  Sie wäre ein öffentliches, kooperatives und plurales Regierungsgremium, das sich mit Wasser auf der Ebene großer internationaler Wassereinzugsgebiete und seiner gerechteren Verteilung entsprechend dem regionalen Bedarf befassen würde.

Gleichzeitig wurde eine internationale Artikulation im Hinblick auf einen Weltwasservertrag gebildet, der, da ein Weltgesellschaftsvertrag nicht existiert, um das herum aufgebaut werden könnte, was uns alle effektiv verbindet, nämlich das Wasser, von dem das Leben der Menschen und anderer Lebewesen abhängt. In ähnlicher Weise ist jetzt, mit der Ausbreitung von Covid-19, ein Weltvertrag zum Schutz des menschlichen Lebens jenseits jeder Souveränität, die als etwas Überholtes, aus einer anderen historischen Zeit, angesehen wird, dringend notwendig.

Eine wichtige Rolle ist es, Druck auf Regierungen und Unternehmen auszuüben, damit Wasser nicht auf die Märkte gebracht oder als Handelsware betrachtet wird. Es ist wichtig, die öffentlich-private Zusammenarbeit zu fördern, um zu verhindern, dass so viele Menschen aufgrund von Wassermangel oder aufgrund von falsch behandeltem Wasser sterben.

Jeden Tag verdursten 6.000 Kinder, und etwa 18 Millionen Jungen/Mädchen können nicht zur Schule gehen, weil sie gezwungen sind, 5-10 km entfernt Wasser zu holen.

Es ist sehr wichtig, bestehende Wälder zu erhalten und so viel wie möglich wieder aufzuforsten, da sie die Beständigkeit des Wassers garantieren, die Grundwasserleitungen speisen und die globale Erwärmung abschwächen, indem sie Kohlendioxid binden und lebenswichtigen Sauerstoff produzieren.

Null Hunger in der Welt, wie es die UN-Millenniumsziele seit Jahren fordern, muss auch Null Durst beinhalten, denn Wasser ist Nahrung und ohne Wasser kann nichts leben und konsumiert werden.

Schließlich ist Wasser das Leben, Erzeuger des Lebens und eines der stärksten Symbole des ewigen Lebens, da Gott als lebendig, der Erzeuger allen Lebens und die unendliche Quelle des Lebens erscheint.

Lenardo Boff, philosoph und ökotheologe. Autor von Zukunft für die Mutter Erde.Warum wir als \krone der Schöpfung abdanken müssen, Claudius Verlag 2012.

Leiden mit den Leidenden: über die Aktualität des Mitgefühls

Leonardo Boff

Eine Decke des Leidens und des Schmerzes bedeckt die ganze von Covid 19 bedrdohte Menschheit. Die Kultur des Kapitals, in der wir leben, ist geprägt von Individualismus und einem schreienden Mangel an Kooperation. Als der Papst auf der italienischen Insel Lampeduza Hunderte von Afrikanern sah, die mit Booten aus Afrika ankamen und von der lokalen Bevölkerung nicht willkommen geheißen wurden, sagte er fast unter Tränen: “Unsere moderne Kultur hat uns des Mitgefühls für unsere Mitmenschen beraubt; wir sind unfähig geworden, zu weinen.

Es scheint, dass die Inflation der instrumentellen und analytischen Rationalität uns eine Art Lobotomie beschert hat: Wir sind unempfindlich gegenüber dem Leiden anderer geworden. Der aktuelle Präsident ist der tragischste Beweis für diese Gleichgültigkeit. Er hat noch nie ein Krankenhaus besucht, das überfüllt war mit Menschen, die mit Covid-19 infiziert waren und von denen viele zu Tode erstickt sind.

Die Pandemie ließ uns unsere tiefe Menschlichkeit entdecken: die Zentralität des Lebens, die gegenseitige Abhängigkeit aller, die Solidarität und die notwendige Fürsorge. Sie hat uns sensibler gemacht. Sie brachte das Mitgefühl zurück.

Mitgefühl ist die Fähigkeit, das Leiden des anderen zu spüren und zu teilen, ihm Worte der Hoffnung ins Ohr zu flüstern, eine Schulter anzubieten und zu sagen, dass man da ist, um zu kommen oder zu gehen, gemeinsam weinen zu können, aber auch um sich gegenseitig zu ermutigen.

Mitgefühl ist ein transkulturelles menschliches Gefühl. Es ist in allen Kulturen zu finden: Jeder beugt sich über den Gefallenen und verneigt sich vor der Würde des Leidens des anderen.

Vor einiger Zeit wurde ein altägyptisches Grab mit dieser Inschrift entdeckt, die voller Mitgefühl ist: “Ich war jemand, der die Klage der Witwe anhörte; ich war jemand, der über ein Unglück weinte und die Niedergeschlagenen tröstete; ich war jemand, der das Schluchzen des Waisenmädchens hörte und ihre Tränen abwischte; ich war jemand, der Mitleid mit einer verzweifelten Frau hatte.

Heute rufen uns die Angehörigen der Getöteten und Betroffenen von Covid-19, der bei seinen Opfern schwere Folgeschäden hinterlassen hat, dazu auf, diese bessere Seite unserer Menschlichkeit zu leben: das Mitgefühl. Der heilige Thomas von Aquin schrieb in seiner Summa Theologica, dass das Mitleid vorzüglicher ist als die Nächstenliebe; letztere ist auf den anderen gerichtet, das Mitleid auf den anderen, der leidet.

Aus der Quantenphysik, der modernen Kosmologie und der Bioanthropologie lernen wir, dass das Grundgesetz aller Dinge und des gesamten Universums nicht der Wettbewerb und der Triumph des Anpassungsfähigsten ist, sondern die Kooperation und Synergie aller mit allen. Auch das Kleinste und Schwächste hat das Recht zu leben, weil es seinen Platz unter allen Wesen hat und eine Botschaft in sich trägt, die von allen gehört werden muss. In diesem Bereich gilt auch das Mitgefühl unter allen anderen nicht-menschlichen Lebewesen.

Die folgende Legende wird über den heiligen Franziskus erzählt, der besonders barmherzig mit Aussätzigen war, mit dem Wurm, der kein Loch in den harten Boden der Straße machen konnte und der barmherzig genug war, ihn aufzuheben und ihn auf feuchte Erde zu setzen, oder mit dem abgebrochenen Zweig:

Er fand einen Jungen, der in einem Käfig Tauben trug, um sie auf dem Markt zu verkaufen. Er flehte ihn an: “Gutes Kind, gib mir diese bescheidenen und unschuldigen kleinen Tauben, damit sie nicht von den Menschen getötet und gegessen werden. Der Junge, berührt von der unschuldigen Liebe des Heiligen Franziskus, gab ihm den Käfig mit den Tauben. Flüsternd sagte der heilige Franziskus zu ihnen: “Meine lieben kleinen Schwestern, warum seid ihr so töricht und einfältig und habt euch einfangen lassen?

Seht, ich komme, um euch zu befreien. Er öffnete den Käfig. Anstatt herauszufliegen, setzten sie sich auf seine Brust und in seine Kapuze und wollten ihn nicht verlassen. Der heilige Franziskus nahm sie mit in die Einsiedelei und sagte zu ihnen: “Vermehrt euch, wie es euer Schöpfer will. Sie bekamen viele Küken. Sie verließen die Gesellschaft des heiligen Franziskus und der Mönche nicht, als wären sie ihre Haustiere. Sie hoben erst ab und flogen weg, als der heilige Franziskus sie segnete und sie gehen ließ.

Wie man sieht, ist Mitgefühl im Sinne des Buddhismus und Arthur Schopenhauers “Grundzüge der Moral” (1840), das auf unbegrenztem Mitgefühl für alle Wesen beruht, nicht nur für diejenigen wichtig, die derzeit leiden, sondern für die gesamte Schöpfung.

Lasst uns mit den inspirierenden Worten des Dalai Lama schließen: “Ob Sie an Gott glauben oder nicht, ob Sie an Buddha glauben oder nicht, selbst wenn Sie nicht mit Geld helfen können, ist es immer lohnenswert, moralische Unterstützung und Empathie auszudrücken. Dies sollte die Grundlage unseres Handelns sein. Ob wir es Religion nennen oder nicht, ist die geringste unserer Sorgen” (Logik der Liebe, 1998). Worauf es ankommt, ist Mitgefühl.

Leonardo Boff  Philosoph, Ökotheologe  und Autor von: “Prinzip Mitgefühl”, Herder, Freiburg 1999

Studio Tecnico d'ingegneria Ingg. Paolo Vozzo & Enrico Raiteri

Dentro le comunità, al servizio delle persone

Cambiamo paradigma? La fraternità al centro: L.Boff

di Daniele Rocchetti | venerdì 23 luglio 2021

Santalessandro.org

Forse ha ragione Bauman quando scrive: “Il vero problema dell’attuale stato della nostra civiltà è che abbiamo smesso di farci delle domande. Astenerci dal porre certi problemi è molto più grave di non riuscire a rispondere alle questioni già ufficialmente sul tappeto; mentre porci domande sbagliate troppo spesso ci impedisce di guardare ai problemi davvero importanti. Il prezzo del silenzio viene pagato con la dura moneta delle umane sofferenze. Porsi le questioni giuste è ciò che, dopotutto, fa la differenza tra l’affidarsi al fato e perseguire una destinazione, tra la deriva e il viaggio. Mettere in discussione le premesse apparentemente indiscutibili del nostro modo di vivere può essere considerato il più urgente dei servizi che dobbiamo svolgere per noi stessi e per gli altri”.  Per questo abbiamo bisogno di letture “divergenti” che aiutino – anche le nostre comunità ecclesiali – a guardare in profondità, a mettere in discussione l’ovvio, a chiedere fino a che punto la fede in Gesù Cristo è passione per l’uomo e per la storia, è cura del creato. Il libro di Leonardo Boff, pubblicato da poco da Castelvecchi, “Abitare la terra”, va in questa direzione. Boff, uno dei padri della teologia della liberazione, da sempre attento ai temi legati ad un’etica della “madre terra”, ha raccolto in un testo,a ampliandoli, i due splendidi contributi scritti nei mesi scorsi per il blog “Confini” (confini.blog.rainews.it:  È possibile la fraternità umana universale con tutte le creature? Fratelli tutti: la politica come tenerezza e gentilezza.)  Il volume è impreziosito da una robusta introduzione scritta da Pierluigi Mele, coordinatore del blog e giornalista di Rainews 24. Proprio a Pierluigi Mele, sapiente osservatore e interprete del tempo presente,  ho posto alcune domande relative ai temi del libro.

A quando risale la tua amicizia con Leonardo Boff?
Prima di rispondere alla tua domanda voglio che fin da giovane mi sono confrontato con il pensiero di Leonardo Boff e di altri teologi della liberazione. Infatti mi sono laureato  in scienze politiche proprio su questo tema. Per cui il terreno era già pronto. La nostra amicizia nasce a Bassano del Grappa, dove era stato invitato dall’Associazione Macondo per una conferenza. In quell’occasione lo intervistai per Rainews24. Da quel giorno il nostro rapporto si è intensificato con scambi di idee e di interviste. E questo ha creato una profonda sintonia.

Dove sta a tuo avviso il valore di questo libro?
Il valore del libro sta nel pensiero profondo di Leonardo Boff, un autentico maestro del pensiero contemporaneo. Insieme a Noam Chomsky e a Egdar Morin si colloca in alto tra gli intellettuali critici del sistema. Chi leggerà questo libro non resterà indifferente rispetto alla crisi planetaria che stiamo vivendo. Sono sicuro che produrrà una presa di coscienza positiva.

Boff riprendendo alcuni passi dell’enciclica Fratelli tutti parla del llberismo come di un idolo: un pensiero unico che pervade l’intero pianeta. La cosmologia della fraternità universale è praticabile o rischia di essere solo una pia e nobile intenzione?
Non è una pia intenzione. Come potrebbe esserlo di fronte ad una situazione apocalittica. La prospettiva si costruisce con il cambio radicale del nostro paradigma sociale dominante: nel pensiero e nellazione, mai come oggi siamo stati di fronte a unalternativa chiara: dobbiamo scegliere tra una cosmologia della dominazio­ne, della conquista, del potere, e una cosmologia della cura e della relazione e della fraternità  che implica «il riconoscimento del valore intrin­seco di ogni essere, anziché la sua mera utilizzazione da parte umana; il rispetto per lintera vita e per i diritti e la dignità della natura, invece del suo sfruttamento».Cioè è la rivoluzione paradigmatica del passaggio dal dominusal frater.

La pandemia ci ha mostrato l’insostenibilità del paradigma che ha legittimato questo modello di sviluppo. Eppure la ripartenza non pare all’insegna di un cambiamento..
La tua osservazione è giusta. Forse si potrebbe dire con Gramsci che il “vecchio mondo sta morendo e il nuovo mondo tarda a comparire”. I “padroni dell’umanità ” resistono (le grandi società multinazionali, il capitale finanziario). Fanno il “maquillage” al sistema. In questo è emblematico il “Great Reset”. Anche il “filantrocapitalismo” dei super-ricchi rientra in questa logica di perpetuazione del sistema neo liberista. Parliamo di quella fetta della popolazione mondiale che, secondo i dati Oxfam relativi al 2019, costituisce l1% più ricco sotto il profilo patrimoniale e che detiene più del doppio della ricchezza netta posseduta da 6,9 miliardi di persone.Il problema principale nasce dal fatto che diventate ricche, queste persone usano le leve della globalizzazione per incidere sulle regole della politica mondiale”. Puntano le aree deboli della governance globale, delle Nazioni Unite, per penetrarle lentamente e stabilirsi in posizioni di potere. Il nostro compito di cittadini militanti è quello di essere consapevoli di questo. Creare un processo di coscientizzazione nei confronti del sistema politico non solo italiano ma anche europeo. Si può creare davvero un processo di reversibilità di questa logica perversa. 

Papa Francesco si erge come uno dei pochi leader mondiali in grado di essere riconosciuto credibile anche fuori dal perimetro dei credenti. Questo rende però evidente il deficit di classe dirigente a tutti i livelli: politico, ecclesiale, associativo. Come è possibile e su cosa ripartire per mettere di nuovo in circolo pensieri e percorsi che possano incidere anche tra coloro che decidono e hanno posizioni di rilievo?
Dove iniziare? Qui il Papa ci da una indicazione di fondo,  che spesso ripete ai movimenti sociali: Non aspettatevi niente dall’alto poiché sarà sempre più o meno lo stesso o peggio; cominciate da voi stessi, siate i poeti del nuovo mondo”. Per questo suggerisce: “È possibile cominciare dal basso e caso per caso, lottare per ciò che è più concreto e locale, fino allultimo angolo della patria e del mondo” (n. 78). Dal locale si passa al regionale, dal regionale al nazionale e dal nazionale al mondiale (cf.147). Dedica lunghe riflessioni sull’economia e la politica, ma evidenzia: “la politica non deve sottomettersi alleconomia e questa non deve sottomettersi ai dettami e al paradigma efficientista della tecnocrazia” (n. 177). Fa una schietta critica al mercato che non possiede la soluzione a tutti i problemi della sussistenza umana, tanto meno nella sua dimensione globalizzata (c.n.168). La società sempre più globalizzata ci rende vicini, ma non ci rende fratelli” (n. 12). Crea appena  dei soci, ma non fratelli (n. 101). In questo senso occorre ricordare le proposte concrete, operative del Forum di Assisi sull’Economia di Francesco. Il nuovo paradigma della fraternità e dell’amore sociale si dispiega nell’amore nella sua realizzazione pubblica, nella cura dei più fragili, nella cultura dell’incontro e del dialogo, nella politica come tenerezza e gentilezza.

Nella tua introduzione, citi, tra gli altri, Giorgio La Pira ed Ernesto Balducci. Siamo figli di una stagione che ha avuto grandi testimoni che hanno mostrato come la fraternità evangelica possa diventare amore politico. Dove li rintracci oggi?

Bisogna essere chiari su questo punto: la comunità ecclesiale italiana in questi ultimi anni si è molto impoverita di leader e di pensiero “lungo”. Paga, a caro prezzo, la gelata ruiniana. Non è facile ricostruire. Lo sforzo di Papa Francesco di ridare ossigeno alla Chiesa italiana è titanico. Spero nel percorso sinodale. Spero davvero. La parola “fraternità” non mi sembra che sia all’ordine del giorno nella politica italiana. Poi se pensiamo, anche, che esiste una forza politica di estrema destra che si chiama “Fratelli d’Italia” (che deforma in senso nazionalistico il concetto di “fraternità”, riducendolo a una clava contro lo “straniero”) capisci quanto siamo lontani dalla fraternità evangelica. E la sinistra? La sinistra in questi anni è stata troppo timida. Ancora una volta si pone l’alternativa con la destra. Solo una coraggiosa politica di fraternità può far rinascere l’idea stessa di sinistra. Tu mi chiedi dove rintraccio oggi le idee di La Pira e Balducci. A livello politico in nessuno. A livello ecclesiale, secondo me,  in Sant’ Egidio , nella Caritas, nelle Acli (anche se hanno perso parecchio della loro capacità di profezia) e in Pax Christi.

Nel  libro vi sono parole molto belle sull’urgenza della speranza come virtù e come principio

Si è vero. Oggi abbiamo bisogno del “Principio Speranza”. Leonardo ha citato il grande filosofo tedesco della speranza Ernst Bloch.  Al riguardo vorrei concludere questa nostra conversazione con un pensiero di Charles Peguy. Come sappiamo Peguy definisce la Speranza come una “bambina irriducibile”. Che la descrive così: 

La Speranza ama ciò che sarà.
Nel tempo e per l’eternità.
Per così dire nel futuro dell’eternità.
La Speranza vede quel che non è ancora e che sarà.
Ama quel che non è ancora e che sarà.
Nel futuro del tempo e dell’eternità.
Sul sentiero in salita, sabbioso, disagevole.

“La Speranza ama quel che non è ancora e che sarà”. Allora il senso profondo del libro di Leonardo è proprio questo: un profondo atto di amore nell’umanità e nella sua capacità di intraprendere, con umiltà, un cammino di autentica fraternità. Facebook Twitter LinkedI

Pubblicato “Il mondo che verrà”, il dossier ISPI

Le 10 domande per il 2021

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