Festejar: é afirmar a bondade da vida

O tema da festa é um fenômeno que tem desafiado grandes nomes do pensamento como R. Caillois, J. Pieper, H. Cox, J. Motmann e o próprio F.Nietzsche. É que a festa revela o que há ainda de mítico em nós no meio da prevalência da fria racionalidade. Quando se realizou a Copa de futebol no Brasil no mes de junho/julho do corrente ano de 2014 irromperam as grandes festas, em todas as classes sociais, verdadeiras celebrações. Mesmo depois da humilhante derrota do Brasil frente à Alemanha, as festas não esmoreceram. Na Costa Rica, mesmo não sendo a campiã do mundo, mas mostraram excelente futebol, até o Presidente saíu à rua para celebrar. Não foi diferente na Colômbia.

A festa faz esquecer os fracssos, suspende o terrível cotidiano e o tempo dos relógios. É como se, por um momento, participássemos da eternidade, pois na festa não percebemos o tempo passar.

A festa, em si, está livre de interesses e finalidades, embora haja festas para negócios onde a festa se transforma em berber, comer e negociar. Mas na festa que é festa, todos estão juntos não para aprenderem ou ensinarem algo uns aos outros, mas para alegrarem-se, para estar aí, um-para-o-outro comendo e bebendo na amizade e na concórdia. A festa reconcilia todas as coisas e nos devolve a saudade do paraíso das delícias, que nunca se perdeu totalmente. Platão sentenciava com razão:”os deuses fizeram as festas para que pudéssem respirar um pouco”. A festa não é um só um dia dos homens mas também “um dia que o Senhor fez” como diz o Salmo 117,24. Efetivamene, se a vida é uma caminhada onerosa, precisamos, às vezes, parar para respirar e, renovados, seguir adiante.

A festa parece um presente que já não depende de nós e que não podemos manipular. Pode-se preparar a festa. Mas a festividade, vale dizer, o espírito da festa, surge de graça. Ninguém a pode prever nem simplemente produzir. Apenas nos podemos prepar interior e exteriormente e acolhê-la.

Pertence à festa mais social (bodas, aniversário) a roupa festiva, a ornamentação, a música e até a dança. Donde brota a alegria da festa? Talvez Nietszche encontrou sua melhor formulação:”para alegrar-se de alguma coisa, precisa-se dizer a todas as coisas: sejam benvindas”. Portanto, para podermos festejar de verdade precisamos afirmar positivamente a totalidade das coisas.:”Se pudermos dizer sim a um único momento então teremos dito sim não só a nós mesmos mas à totalidade da existência” ”(Der Wille zur Macht, livro IV: Zucht und Züchtigung n.102).

Esse sim subjaz às nossas decisões cotidianas, em nosso trabalho, na preocupação pela família, na convivência com os colegas. A festa é o tempo forte no qual o sentido secreto da vida é vivido mesmo inconscientemente. Da festa saimos mais fortes para enfrentar as exigências da vida.
Em grande parte, a grandeza de uma religião, cristã ou não. reside em sua capacidade de celebrar e de festejar seus santos e mestres, os tempos sagrados, as datas fundacionais. Na festa cessam as interrogações do coração e o praticante celebra a alegriade de sua fé em companhia de irmãos e irmãs que com eles partilham das mesmas convicções, ouvem a mesma Palavra sagrada e se sentem próximos de Deus.

Vivendo desta forma, a festa religiosa, percebemos de como é equivocado o discurso que sensacionalisticamente anuncia a morte de Deus. Trata-se de um trágico sintoma de uma sociedade saturada de bens materiais, que assiste lentamente não a morte de Deus, mas a morte do homem que perdeu a capacidade de chorar, de se alegrar pela bondade da vida, pelo nascer do sol e pela carícia entre dois namorados.

Novamente nos socorre  Nietzsche que muito entendeu da verdade essencial do Deus vivo, sepultado sob tantos elementos envelhecidos de nossa cultura religiosa e da rigidez da ortodoxia das igrejas: a perda da jovialidade, isto é, da graça divina (jovialidade vem de Jupter, Jovis). É a consequência fundamental da morte de Deus (Fröhliche Wissenschaft III, aforismo 343 e 125).

Pelo fato de havermos perdido a jovialidade, grande parte de nossa cultura não sabe festejar. Conhece sim a frivolidade, os excessos do comer e beber, os palavrões grosseiros, e as festas montadas como comércio, nas quais há tudo menos alegria e jovialidade.

A festa tem que ser preparada e somente depois celebrada. Sem esta disposição interior corre o risco de perder seu sentido alimentador da vida onerosa que levamos. Hoje em dia vivemos em festas. Mas porque não sabemos nos preparar nem prepará-las. saimos delas vazios ou saturados quando seu sentido era de encher-nos de um sentido maior para levar avante a vida, sempre desafiante e para a maioria, trabalhosa.

Os jogadores de futebol precisam de mística além de psicologia

Foi uma idéia construtiva da CBF e do grupo técnico da seleção de futebol brasileira ter convocado uma psicóloga experiente na área, Regina Brandão, para acompanhar os jogadores nos seus jogos. A incorporação do acompanhamento psicológico já existe há anos na seleção alemã. O sentido é evidente: criar uma atmosfera de serenidade interior, celebrar as vitórias de forma controlada e criar as condições de uma boa resiliência nas derrotas, vale dizer, saber dar a volta por cima, aprender dos erros e melhorar o desempenho.

Mas estimo que isso ainda não é suficiente. A psicologia pode ser enriquecida com a mística. Não me venham logo dizer que estou introduzindo religião no futebol. Precisamos antes demais nada desmistificar a mística. Ela tem muitos significados, sendo que dois são principais: o sentido sociológico e o sentido espiritual mas não confessional.

Dou dois exemplos que esclarecem melhor do que muitas palavras. Nos dias 17 e 18 de maio de 1993, frei Betto e eu organizamos uma reflexão aberta sobre mística a espiritualidade. Era durante a semana, de manhã e de tarde. Vieram mais de 500 operários, a maioria metalúrgicos. Queriam saber que diabo é isso de místa e espiritualidade. Foram duas palestras de abertura. O resto, debates, do maior interesse e grande atenção de todos. Tudo foi registrado e saiu em livro já com muitas edições: Mística e Espiritualidade (Vozes 2014).

Outro exemplo: cada grande reunião do Movimento dos Sem Terra, com centenas de pessoas, sempre se inicia com uma “mística”. Que ocorre ai? Teatralizam-se os problemas vividos pelos participantes, criam-se símbolos significativos, entoam-se canções, ouvem-se testemunhos de luta e de vida. Nem sempre se fala de Deus. O que irrompe é um sentido de vida, um reforço na vontade de levar avante os projetos, de resistir, de denunciar e de criar coisas novas. O efeito final é o entusiasmo geral, leveza de espírito, congraçamento de todos. Por estas “celebrações” toca-se a dimensão mais profunda do ser humano, lá onde estão nossos melhores sonhos, nossas utopias, nossa determinação de melhor a vida. Esse é o sentido sociológico de mística. Ele se encontra referido na famosa palestra de Max Weber, um dos fundadores da sociologia, aos estudantes de Munique em 1919 sobre A política como vocação. Para ele, uma política digna desse nome (não o viver da política mas o viver para a política) implica numa mística, caso contrário se atola no pântano dos interesses individuais ou corporativos. Mística para Max Weber significa o conjunto das convicções profundas, as visões grandiosas e as paixões fortes que mobilizam pessoas e movimentos, inspirando práticas capazes de afrontar dificuldades e sustentando a esperança face aos fracassos. A maioria dos movimentos populares vivem desta mística face à dureza das dificuldades.

Pois esse tipo de mística pode e deve ser vivida pelos jogadores de futebol, mormente, os da seleção nas Copas Mundiais ou nos grandes torneios. Vejam que não se trata apenas de psicologia com suas motivações. Trata-se de valores, de sonhos bons, de entusiasmo. A questão é como chegar a isso?

Aqui vem o segundo sentido de mística, o espiritual. Mas precisamos fazer algum esclarecimento: temos um lado exterior, o nosso corpo com o qual entramos em contacto com os outros, a natureza e o universo. O futebol treina todas as virtualidades possíveis do corpo para criar o atleta e o craque. Mas não basta. Temos o nosso interior que é a psiqué habitada por paixões, amores, ódios, arquétipos profundos, a dimensão de luz e a de sombra. Tarefa de cada um é domesticar os demônios, potenciar os anjos bons de tal forma que possa viver em paz consigo mesmo, com os outros e não sermos vítimas dos impulsos e criando vítimas.

Mas temos também o profundo que é nosso lado espiritual. No nosso profundo, encontramos as indagações inescapáveis que nos acompanham ao largo da vida: Quem sou eu? Que faço neste mundo? Que posso esperar para além desta vida? Qual o sentido de jogar na Copa? Como devo me comportar nas vitórias e nas derrotas? Sabemos hoje pelas novas ciências da vida, da Terra e do universo que todas as coisas são interdependentes entre si e se entreajudam para viver. Tem que haver um elo que liga e re-liga todas elas.  Os cosmólogos falam da Energia de Fundo que subjaz a todo o universo e a cada coisa, tambem a cada pessoa. Temos ainda um Eu profundo de onde nos vém   sugestões e projetos que nos mobilizam.

No nivel humano um dos nome desta Energia de Fundo, poderosa e amorosa se chama entusiasmo. Gosto desta palavra porque entusiasmo em grego significa “ter um deus dentro”: aquela Energia que é maior que nós e que nos toma e que nos conduz pela vida afora. Sem entusiasmo nos acercamos do mundo da morte. A moderna ciência do cérebro identificou o que os cientistas chamaram o ponto Deus no cérebro ou a inteligência espiritual. Sempre que se abordam questões fundamentais da vida, se busca uma visão mais global, quando se pergunta pela Energia misteriosa que em tudo penetra e que tudo sustenta, há uma aceleração de uma zona dos neurônios maior que a normal. Somos dotados de um órgão interior pelo qual captamos aquilo que foi chamado de Tao, de Shiva, de Olorum, de Alá, de Javé, de Deus. Não importam os nomes: mas a experiência de uma Totalidade na qual estamos inseridos, um Elo que segura todas as coisas. Ativar o “ponto Deus” nos torna mais sensíveis aos outros, mais cuidadosos, mais amigos, compreensivos, atentos e inventidos em nossas jogadas e em nossas estratégias.

Creio que um jogador faria bem, antes de começar os treinos ou um jogo, retirar-se num canto, concentrar-se e escutar esse Eu profundo donde nascem as boas ideias, os bons sentimentos e se fortalece o “entusiasmo”. E há pessoas como frei Betto, Dom Marcelo Barros e outros que fariam magistralmente esse trabalho. Eles colocariam os jogadores afinados com o “ponto Deus” e dispensariam a magia do “Tois”. Haveria mais concentração, mais calma,mais sentido de grupo, pois o que faz vencer memo é a boa articulação do grupo, como sempre tem insistito Pelé. Isso não garante a vitória mas a torna mais provável e criaria o espaço para que ela irrompa como expressão feliz da Energia de Fundo que está sempre disponível para cada um e que pode sempre ser invocada e interiorizada. Ai o jogador é um perfeito craque no corpo, na psiqué e no espiritual.

Leonardo Boff por mais de 20 anos professor de espiritualidade e autor de Espiritualidade:caminho de transformação,Sextante, Rio 2000.

Der Katakombenpakt, wie er von Papst Franziskus gelebt wird

Am 16. November 1965, kurz vor Abschluss des II. Vatikanischen Konzils, zelebrierten einige Bischöfe, auf Anregung von Dom Helder Camara, in den Domitilla-Katakomben eine Messe und schlossen den sogenannten Katakombenpakt einer dienenden und armen Kirche. Sie wählten für sich die Ideale der Armut und Einfachheit und wollten ihre Paläste verlassen, um in einfachen Häusern oder Wohnungen zu leben. Mit Papst Franziskus kommt diesem Pakt heute eine reale Bedeutung zu. Es lohnt sich, an den Wortlaut dieser freiwilligen Verpflichtungen (hier in Übersetzung von Norbert Arntz), die diese Bischöfe auf sich nahmen, zu erinnern.

Als Bischöfe,

  • die sich zum Zweiten Vatikanischen Konzil versammelt haben;
  • die sich dessen bewusst geworden sind, wie viel ihnen noch fehlt, um ein dem Evangelium entsprechendes Leben in Armut zu führen;
  • die sich gegenseitig darin bestärkt haben, gemeinsam zu handeln, um Eigenbrötelei und Selbstgerechtigkeit zu vermeiden;
  • die sich eins wissen mit all ihren Brüdern im Bischofsamt;
  • die vor allem aber darauf vertrauen, durch die Gnade unseres Herrn Jesus Christus sowie durch das Gebet der Gläubigen und Priester unserer Diözesen bestärkt zu werden;
  • die in Denken und Beten vor die Heilige Dreifaltigkeit, vor die Kirche Christi, vor die Priester und Gläubigen unserer Diözesen hintreten;

nehmen wir in Demut und der eigenen Schwachheit bewusst, aber auch mit aller Entschiedenheit und all der Kraft, die Gottes Gnade uns zukommen lassen will, die folgenden Verpflichtungen auf uns:

  1. Wir werden uns bemühen, so zu leben, wie die Menschen um uns her üblicherweise leben, im Hinblick auf Wohnung, Essen, Verkehrsmittel und allem, was sich daraus ergibt (vgl. Mt 5,3; 6,33-34; 8,20).
  2. Wir verzichten ein für allemal darauf, als Reiche zu erscheinen wie auch wirklich reich zu sein, insbesondere in unserer Amtskleidung (teure Stoffe, auffallende Farben) und in unseren Amtsinsignien, die nicht aus kostbarem Metall – weder Gold noch Silber – gemacht sein dürfen, sondern wahrhaft und wirklich dem Evangelium entsprechen müssen (Vgl. Mk 6,9; Mt 10,9; Apg 3,6).
  3. Wir werden weder Immobilien oder Mobiliar besitzen noch mit eigenem Namen über Bankkonten verfügen; und alles, was an Besitz notwendig sein sollte, auf den Namen der Diözese bzw. der sozialen oder caritativen Werke überschreiben (vgl. Mt 6,19-21; Lk 12,33-34).
  4. Wir werden, wann immer dies möglich ist, die Finanz- und Vermögensverwaltung unserer Diözesen in die Hände einer Kommission von Laien legen, die sich ihrer apostolischen Sendung bewusst und fachkundig sind, damit wir Apostel und Hirten statt Verwalter sein können (vgl. Mt 10,8; Apg. 6,1-7).
  5. Wir lehnen es ab, mündlich oder schriftlich mit Titeln oder Bezeichnungen angesprochen zu werden, in denen gesellschaftliche Bedeutung oder Macht zum Ausdruck gebracht werden (Eminenz, Exzellenz, Monsignore…). Stattdessen wollen wir als “Padre” angesprochen werden, eine Bezeichnung, die dem Evangelium entspricht.
  6. Wir werden in unserem Verhalten und in unseren gesellschaftlichen Beziehungen jeden Eindruck vermeiden, der den Anschein erwecken könnte, wir würden Reiche und Mächtige privilegiert, vorrangig oder bevorzugt behandeln (z.B. bei Gottesdiensten und bei gesellschaftlichen Zusammenkünften, als Gäste oder Gastgeber) (Lk 13, 12-14; 1 Kor 9,14-19).
  7. Ebenso werden wir es vermeiden, irgendjemandes Eitelkeit zu schmeicheln oder ihr gar Vorschub zu leisten, wenn es darum geht, für Spenden zu danken, um Spenden zu bitten oder aus irgendeinem anderen Grund. Wir werden unsere Gläubigen darum bitten, ihre Spendengaben als üblichen Bestandteil in Gottesdienst, Apostolat und sozialer Tätigkeit anzusehen (Vgl. Mt 6, 2-4; Lk 15,9-13; 2 Kor 12,4).
  8. Für den apostolisch-pastoralen Dienst an den wirtschaftlich Bedrängten, Benachteiligten oder Unterentwickelten werden wir alles zur Verfügung stellen, was notwendig ist an Zeit, Gedanken und Überlegungen, Mitempfinden oder materiellen Mitteln, ohne dadurch anderen Menschen und Gruppen in der Diözese zu schaden.
    Alle Laien, Ordensleute, Diakone und Priester, die der Herr dazu ruft, ihr Leben und ihre Arbeit mit den Armgehaltenen und Arbeitern zu teilen und so das Evangelium zu verkünden, werden wir unterstützen. (vgl. Lk 4,18f.; Mk 6,4; Mt 11,45; Apg 18,3-4; 20,33-35; 1 Kor 4,12; 9,1-27)
  9. Im Bewusstsein der Verpflichtung zu Gerechtigkeit und Liebe sowie ihres Zusammenhangs werden wir daran gehen, die Werke der “Wohltätigkeit” in soziale Werke umzuwandeln, die sich auf Gerechtigkeit und Liebe gründen und alle Frauen und Männer gleichermaßen im Blick haben. Damit wollen wir den zuständigen staatlichen Stellen einen bescheidenen Dienst erweisen (Vgl. Mt 25, 31-46; Lk 13,12-14 und 33f.)
  10. Wir werden alles dafür tun, dass die Verantwortlichen unserer Regierung und unserer öffentlichen Dienste solche Gesetze, Strukturen und gesellschaftlichen Institutionen schaffen und wirksam werden lassen, die für Gerechtigkeit, Gleichheit und gesamtmenschliche harmonische Entwicklung jedes Menschen und aller Menschen notwendig sind. Dadurch soll eine neue Gesellschaftsordnung entstehen, die der Würde der Menschen- und Gotteskinder entspricht (Vgl. Apg 2,44f; 4,32-35; 5,4; 2 Kor 8 und 9; 1 Tim 5,16).
  11. Weil die Kollegialität der Bischöfe dann dem Evangelium am besten entspricht, wenn sie sich gemeinschaftlich im Dienst an der Mehrheit der Menschen – zwei Drittel der Menschheit – verwirklicht, die körperlich, kulturell und moralisch im Elend leben, verpflichten wir uns:
    • Gemeinsam mit den Episkopaten der armen Nationen dringliche Projekte zu verwirklichen, entsprechend unseren Möglichkeiten.
    • Auch auf der Ebene der internationalen Organisationen das Evangelium zu bezeugen, wie es Papst Paul VI. vor den Vereinten Nationen tat, und gemeinsam dafür einzutreten, dass wirtschaftliche und kulturelle Strukturen geschaffen werden, die der verarmten Mehrheit der Menschen einen Ausweg aus dem Elend ermöglichen, statt in einer immer reicher werdenden Welt ganze Nationen verarmen zu lassen.
  12. In pastoraler Liebe verpflichten wir uns, das Leben mit unseren Geschwistern in Christus zu teilen, mit allen Priestern, Ordensleuten und Laien, damit unser Amt ein wirklicher Dienst werde. In diesem Sinne werden wir
    •gemeinsam mit ihnen “unser Leben ständig kritisch prüfen;
    • sie als Mitarbeiterinnen und Mitarbeiter verstehen, so dass wir vom Heiligen Geist inspirierte Animateure werden, statt Chefs nach Art dieser Welt zu sein.
    • uns darum mühen, menschlich präsent, offen und zugänglich zu werden.
    • uns allen Menschen gegenüber offen erweisen, gleich welcher Religion sie sein mögen (vgl. Mk 8,34f.; Apg 6,1-7; 1 Tim 3,8-10).
  13. Nach der Rückkehr in unsere Diözesen, werden wir unseren Diözesanen diese Verpflichtungen bekanntmachen und sie darum bitten, uns durch ihr Verständnis, ihre Mitarbeit und ihr Gebet behilflich zu sein.

Gott helfe uns, unseren Vorsätzen treu zu bleiben.

Sind dies nicht die Ideale, die Papst Franziskus uns vorlebt?

übersetzt von Bettina Gold-Hartnack

 

Brasiliens Schande in Fussball gegen Deutschland

 

        Das Halbfinale-Spiel Brasilien gegen Deutschland am 8. Juli in Belo Horizonte endete mit einem verdienten Sieg der deutschen Mannschaft und einer vernichtenden, beschämenden Niederlage des brasilianischen Teams. Sie ist in der hundertjährigen Geschichte des brasiliani-schen Fußballs ohnegleichen. In allen Städten des Landes hatten die Menschen Straßen und Plätze bevölkert, Millionen waren es. Die meisten waren in grün-gelben Nationalfarben gekleidet; sie verbreiteten nationale Euphorie. Unter keinen Umständen hatten sie sich eine solche Demütigung auch nur im Entferntesten vorstellen können. Doch das Unvorstellbare geschah. Und das hat auch viel mit dem Land und seiner Kultur zu tun.

Es gibt aus meiner Sicht mehrere Gründe für das 1:7-Desaster gegen Deutschland. Auch in Brasilien hatten viele einen deutschen Sieg erwartet. Die deutsche Mannschaft hat, wie andere europäische Mannschaften, das Spiel und seine Strategie modernisiert. In Europa werden die Spieler sorgfältig auf Ausdauer und Geschwindigkeit trainiert. Sie werden auch ständig psychologisch begleitet. Sie werden zweitens so ausgebildet, dass sie auf vielen Positionen spielen können. Und drittens lernen sie, einen starken Teamgeist zu entwickeln. So gibt es in Europa hervorragende Spieler, denen es nicht darauf ankommt, als Stars herauszuragen. Sie wissen, dass sie nur dann gut sind, wenn sie mann- schaftsdienlich spielen und Teamgeist haben.

Arroganz und Überheblichkeit – das sind die wahren Gründe für die furchtbare Niederlage gegen Deutschland. Das war nicht das Brasilien, das wir kennen. Es war aber der Fußball, den die Nationalmannschaft gespielt hat, deren Trainer so in ihrer Arroganz festgefahren waren, dass sie von anderen nichts lernen wollten. Wir verloren durch deren Arroganz und Ignoranz. Wir verloren durch die Übererwartung, durch die falschen Heilsversprechen.

Wie zu erwarten, wurden nach der erschreckenden Niederlage auch Rechtfertigungen geliefert: Mit Neymar, dem Wun- derspieler, und Thiago Silva, dem Abwehrchef, wäre das nicht passiert! Nein, das erklärt gar nichts. Auch wenn elf Neymars auf dem Spielfeld gewesen wären, die Mannschaft aber ungeordnet, wäre das Spiel verloren worden. Wir haben verloren, weil wir schlecht gespielt haben und weil es uns nicht gelungen ist, uns die Errungenschaften anzueignen, die der technische und künstlerische Fußball in vielen Teilen der Welt erreicht hat. Und wir haben keine Mannschaft gebildet.

Persönlich tun mir die „brasileirinhos“ sehr leid, die Fans, die unsere Mannschaft mit Gesängen und Schlachtrufen angefeuert haben. Die meisten fühlen sich nun geradezu verwaist. Für diese ist Brasilien ein vielfältiges und vielfältig gespaltenes Land, das kaum etwas hat, was gut funktioniert. Das Gesundheitssystem ist nur für die Reichen gut, das Bildungssystem ebenso, das Verkehrswesen marode, die Sicherheit schlecht, die Polizei dafür oft brutal.

Wir sind in fast nichts gut. Abgesehen von Karneval, sind wir sind ein gastfreundliches und verspieltes Volk, das bei allem Zorn über die Zustände im Land immer wusste: Wenigstens Fußball können wir spielen. Dies gab dem einfachen Volk Selbstbewusstsein. Jetzt aber können wir noch nicht mal mehr sagen: Wenigstens im Fußball sind wir gut. Natürlich wird das brasilianische Team wieder Spiele gewinnen, wird es großartige brasilianische Fußballer geben. Doch dieser Dienstag, der 8. Juli 2014, wird uns noch lange Jahre als trauriger Tag der Demütigung in Erinnerung bleiben: Deutschland hat uns sieben zu eins besiegt. Weil uns wichtige Tugenden fehlten: Teamgeist, Solidarität, Demut, Lernbereitschaft.

Diese Qualitäten verhalfen den Deutschen zum Sieg über Brasilien. Und die brasilianische Mannschaft? Sie war in aller Munde, sie wurde überhöht. Die ganze Nation schien sich darin einig zu sein, dass wir die Heimat des Fußballs sind, dass wir fünfmal Weltmeister waren und deshalb auch das sechste Mal siegen würden. Haben wir nicht König Pelé und den Kronprinzen Neymar? Die Medien haben Mythen, Heldenfiguren, Halbgötter und Götter geschaffen. Die Euphorie der großen Marketingagenturen hat die Bevölkerung angesteckt. Für die Mehrheit der Brasilianer war der Sieg so gut wie sicher. Was sollte passieren, wo doch das Spiel im eigenen Land ausgetragen wurde?

Die Euphorie, die quasireligiöse Überhöhung haben die Bevölkerung nicht auf das vorbereitet, was für alle Sportarten gilt: Einer gewinnt, und einer verliert. Die Mehrheit hätte sich nicht einmal im Traum vorstellen können, dass Brasilien jemals eine solch demütigende Niederlage würde hinnehmen müssen. Der Sieg wurde vorgefeiert, die Juchee-Juchee-Rufe schon vor dem Anstoß angestimmt. Auch, weil in einem sozial, kulturell und politisch so gespaltenen Land wie Brasilien der Fußball zu einer Art ziviler Religion wird, der alle anhängen, über alle Gräben hinweg.

Diese Selbstüberschätzung begünstigte die Fehler, die Luis Felipe Scolari machte, der Trainer der brasilianischen National- elf. Dank der siegreichen Vergangenheit fühlte sich die Mannschaft so sehr überlegen. Jeder Spieler möchte seine Solo-Nummer hinlegen. Der Teamgeist bleibt auf der Strecke.

Er glaubte, nichts von den anderen Teams lernen zu müssen. Der brasilianische Fußball hat sich auf seinen Lorbeeren ausgeruht und jede Demut vergessen, die man braucht, wenn man etwas lernen will. Währenddessen entwickelte sich in Europa, aber auch in Lateinamerika, das Spiel weiter, in Kolumbien zum Beispiel oder in Costa Rica. Neue Taktiken kamen ins Repertoire und neue Aufstellungsvarianten. Nichts davon fand aber die Zustimmung der brasilianischen Trainer, insbesondere nicht die des große Felipe. Er ist eine paternalistische Figur, streng, aber gü- tig, von den Spielern geliebt und im Allgemeinen vom Publikum geachtet. Er hielt jedoch an den Strategien fest, die in der Ver- gangenheit zum Erfolg geführt hatten, in der Gegenwart aber nicht mehr halfen.

Die Niederlage hat darüber hinaus mit dem traditionellen und erbitterten Individualismus der Spieler zu tun, dem Trainer Scolari keinen Einhalt geboten hat. Jeder Spieler möchte eine Solonummer hinlegen, auch um seine Position bei eventuellen Verhandlungen mit großen ausländischen Mannschaften zu verbessern. Es ist ihm ferner nicht gelungen, eine Mannschaft mit Teamgeist zu entwickeln, bei der die Gruppe zählt und die Spieler mannschaftsdienlich spielen. Er ließ die Spieler vagabundieren. So bildeten sich die unverzeihlichen Lücken auf dem Spielfeld, die dann Deutschlands Spieler trefflich zu nutzen wussten. Und irgendwann hatte man den Eindruck, da spiele ein Vorstadtverein gegen eine bekannte und internationale Fussbalmannschaft.

Die deutsche Nationalmannschaft verdient Lob dafür, dass sie ihren Sieg diskret gefeiert, dass sie sich nicht mit ihm gebrüstet hat. Auch deshalb haben ihnen am Ende die Brasilianer applaudiert.

Leonardo Boff, der an der UNI 1970 promoviert hat.

Veröffentlicht in Süddeutsche Zeitung  Freitag, 11. Juli 2014