Lamento e lágrimas pelo Rio Doce

O amigo Luiz Gonzaga de Souza Lima, mineiro, que de Petrópolis optou por viver em Cumuruxatiba, no Sul da Bahia, perto de onde as naus de Cabral aportaram. Escolheu viver perto dos índios como um monge para dai pensar o Brasil e o mundo. Posssui sólida formação como cientista político e analista da história brasileira, além de ter sido militante contra a ditadura militar e ter vivido por anos exilado na Itália. Escreveu um livro comentado neste blog que representa, a meu ver, um avanço face a quantos tentaram decifrar o nosso destino mas que o “capelismo” medíocre de muitos de nossos intelectuais não lhe deram a mínima importância:A refundação do Brasil: rumo a uma sociedade biocentrada (RiMa,São Carlos SP 2011). Ao reagir a uma crônica de um amigo cientista e por anos dirigente do CNPQ, Alvaro Abreu, escreveu esta comovente carta que, com recortes, reproduzo. É um lamento de dor e de lágrimas face ao que ocorreu com o Rio Doce, levado quase à agonia pelo mar de lama tóxica da mineradora Sanmarco, vinculada à Vale do Rio Doce. Somos solidários a sua dor e lamento: lboff

 

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Fiquei chocado com os eventos da contaminação do Rio Doce. Acho que a VALE-Samarco matou o Rio Doce. Matou também o Rio das Velhas. Matou muito mais coisas.

Uma profunda tristeza se abateu sobre mim. Tristeza que veio com a lama tóxica, este absurdo subproduto da mineração, que escorreu do coração de Minas, para matar um pedaço dela mesma – um dos mais belos pedaços – e uma boa porção do Brasil, no qual está até o nosso querido Espírito Santo. Chorei. Chorei de verdade. Senti no peito e não deu para segurar.

Ah! Aquelas proféticas palavras de Drumond, hoje tão citadas na mídia social, mas por tanto tempo esquecidas… “O Rio? É  Doce, A Vale? Amarga. Quantas toneladas exportamos de ferro? Quantas lágrimas disfarçamos sem berro?“. Pois é. Desta fez não deu para disfarçar. Saíram.

Quanto descobri a política, nos anos do colegial, no início dos sessenta, fui viver naquela grande plantação de sonhos que foram as lutas pelas reformas de base. Neste contexto, por vários motivos que não vem ao caso neste momento, terminei por mergulhar de cabeça em uma luta deflagrada pelos estudantes de geologia da Escola Nacional de Minas, em Ouro Preto. Organizei conferencias, fiz cartazes, estas coisas. Este movimento terminou por empolgar Minas. O movimento se chamava “O Minério não dá duas safras”.

Os conteúdos, ainda me lembro bem, eram mais ou menos assim. O Minério é a carne, aliás os ossos, do território. Não pertence a uma geração, mas deverão servir aos brasileiros das gerações futuras. Seu uso deve ser limitado. Isto não atrapalharia o desenvolvimento, pois países que não possuem minérios também se desenvolvem. Sendo território presente e futuro dos brasileiros, não deveria ser entregue a empresas privadas e jamais a empresas estrangeiras.

A campanha alertava também para uma importante questão. O território onde o minério está assentado é um dos pedaços mais preciosos do patrimônio histórico brasileiro. Seus arraiais, vilas, cidades, ruas e praças. Formam o cenário de importantes lutas políticas e sociais do Brasil. Esta paisagem tinha que permanecer garantida, para os que viessem depois, no futuro, conhecessem nossas raízes e os cenários da nossa história.

Ou seja, deveriam ser estabelecidos limites quantitativos e também geográficos, territoriais e paisagísticos. E muitas outras coisas. Acho que se pensava em uma lei para estabelecer os limites da mineração. Como se pode observar, ainda não se colocava a questão ecológica. Também ainda não existia a Usina de Tubarão.

Como o amigo pode perceber sou daquele povim simples que aprendeu a amar o Brasil admirando sua beleza e impressionado com sua grandeza, e, que aprendeu também, que somos os seus senhores e os responsáveis por ele.

Naquela bela adolescência política, como mineiro que começava a amar a construção da história, me sentia como um guardião, um defensor, daquele “coração de ouro em peito de ferro” que o Brasil possui nas nossas minas gerais, como está escrito no panteão da Escola de Minas de Ouro Preto, junto aos restos mortais de um antigo diretor da Escola.

É verdade que dali, de nossas belas montanhas, já desceram muitas riquezas, que iam sempre embora para enriquecer outros povos do mundo….

Mas também é verdade que das vertentes das nossas serras, da Serra do Espinhaço, da Serra da Canastra, da Mantiqueira, da Moeda, do Curral, e muitas outras sempre desceram águas limpas e puras, que se debulhavam em cachoeiras para nosso encanto e para o prazer, para a alegria, e para molhar, alimentar e embelezar o Brasil. São Francisco, Jequitionha, Doce, Mucuri, Paraibuna e tantos e tantos. Sentíamos certo orgulho do que o nosso estado oferecia.

Orgulho só comparável àquele que sentíamos por sermos o berço de ideias tão bonitas sobre o Brasil, defendidas com fervor, com o sangue, vida e desterro, pelos dos revolucionários de 1789, que testemunharam a nossa invencível vontade de independência e de liberdade.

Estas ideias, estes sonhos e estes testemunhos também desciam junto com nossas águas, jorravam de nossas nascentes, escorregavam por nossas cachoeiras e inundavam o Brasil de esperança e de civismo. Sonhos que desciam bonito levando também consigo a beleza simples da mais bela e rica paisagem urbana do Brasil Colonial.

Destas montanhas de ouro e ferro, também descia arte. Muita arte. Junto com os Profetas em pedra sabão de Aleijadinho e a exuberante arte sacra mineira, descia também uma das mais gostosas literaturas de toda a língua portuguesa, como nos apresenta mestre Guimarães Rosa. Tudo descia junto com nossas poesias, que estão entre as mais belas que já soubemos fazer, como nos mostra Drumond.

A poesia mineira carrega em sua beleza e em sua densidade algo mais que a beleza da criação poética. Traz o compromisso radical dos seus poetas com as liberdades e a autonomia cultural do Brasil, como se pode constatar pela presença de Alvarenga Peixoto, Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e outros ali no panteão dos revolucionários mineiros de ‘89, que está na mesma praça de Ouro Preto.

De Minas sempre desceram sonhos, encantamentos, mitos, caipirês gostoso, queijin, rapadurinha, costelinha de porco com torrêsmin e um feijãozin tropeiro. Muita cachaça boa. As melhores que nosso país aprendeu fazer. Muita carne, muito pequi, buriti… E desceu muita musica. Músicas lindas de todos os tipos e da melhor qualidade. Que encantaram e continuam a encantar o Brasil e o mundo.

Pode-se imaginar o que foi para minha alma simples de sertanejo mineiro ver descer das mesmas montanhas, tão amadas, aquela lama tóxica que está matando o mundo, a natureza, as plantas, os bichos, os peixes e matará as pessoas. Que está matando rios, lagos, e que matará também um pedaço do oceano Atlântico. Um crime, uma bandidagem. E tudo isto só para alguns ganharem dinheiro…

Junto com a imagem da lama chegou uma grande tristeza. Um profundo silêncio, um aperto de coração, denso e grave. Aquela dor. Acho que a lama feriu o coração do Brasil.

Para não me alongar:

  1. O governo mineiro é da VALE; a bancada mineira no congresso é da VALE, o sistema político do pais, corrompido – todo -, palco e moldura de tantos escândalos, é corrompido também pela VALE;

  2. A imprensa é da VALE;

  3. E tantas outras coisas que não cabe aqui referir.

Este foi o modo com o qual me envolvi com o drama/tragédia da contaminação do Rio Doce. Tão boa e tão oportuna. Demorei para comentá-la porque não saberia falar deste tema senão do modo como fiz agora. Relacionando-o com o início dos meus sonhos políticos, da aprendizagem da cidadania e com o início da minha militância.

O sentimento que dominou foi a tristeza, que acabou escorrendo em lágrimas disfarçadas ao inteirar-me dos fatos, mas que saltaram copiosas, quentes e tristes quando vi no Face Book um filme sobre o  rompimento da barragem e o Rio de Lama que se formou. A cada filme, e são muitos, continuam a rolar.

Esta lama é uma derrota para o Brasil, para seu presente e seu futuro. É um sonho que virou pesadelo, um sorriso que virou grito.

Sei que atravessaremos mais esta. Mas não precisava tanto.

Com um abraço fraterno

Luiz Gonzaga

<luizgslima@uol.com.br>

 

A ausência de uma nova narrativa cosmológica nas COPs da ONU

Amanhã, dia 11 deve terminar a Vigésima Primeira Conferência das Partes (COP 21) da ONU em Paris que se propõe metas a serem assumidas por todos para diminuir os gazes de efeito estufa e equilibrar o clima da Terra abaixo de dois graus Celsius. Caso contrário haverá graves consequências para o sistema-vida e para o inteiro planeta. Como ainda não se pensa na Terra como um todo mas cada pais pensa em seus interesses, até hoje não se chegou a nenhum consenso, seja quanto ao clima, seja quanto ao financiamento de 100 bilhões de dólares/ano, seja na transferência de tecnologia e aprendizado para os países mais carentes e ameaçados.Desta vez, tenho a impressão que os avanços serão pífios e apenas voluntários, o que permite que a maioria não faça nada ou não o suficiente. Muitas são as causas que iremos ainda analisar neste espaço. Mas a principal dela se deriva de nosso modo de entender a Terra, não como um ser vivo e nós parte dele, mas como um armazém de bens e serviços naturais colocados ao nosso bem prazer. É a velha e superada cosmologia que hoje nos coloca numa profunda crise. Faz-se necessário uma nova cosmologia, vale dizer, uma nova forma de habitar o planeta. Transcrevo neste espaço o que escrevi como crítica para a Rio+20, onde estavam também os principais chefes de Estado. O leitor atento poderá perceber que já naquele ano minha linha de pensamento e as expressões estão em sintonia com aquilo que o Papa Francisco escreveu em sua encíclica sobre “o cuidado de nossa Casa Comum“. Ele, o Papa, entendeu bem que devemos mudar. Assumiu a nova cosmologia de forma clara a coerente. Por isso devemos ouvi-lo e em seu pensamento perceber uma alternativa que nos pode tirar da crise nos colocar no caminho  correto, em sintonia com todos os seres e com a Mãe Terra: lboff

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                    A ausência de uma nova narrativa nas diferentes COPs da ONU

O vazio básico do documento da ONU para a Rio+20 reside numa completa ausência de uma nova narrativa ou de uma nova cosmologia que poderia garantir a esperança de um “futuro que queremos” lema do grande encontro. Assim como está, nega qualquer futuro promissor.

Para seus formuladores, o futuro depende da economia, pouco importa o adjetivo que se lhe agregue: sustentável ou verde. Especialmente a economia verde opera o grande assalto ao último reduto da natureza: transformar em mercadoria e colocar preço àquilo que é comum, natural, vital e insubstituível para a vida como a água, solos, fertilidade, florestas, genes etc. O que pertence à vida é sagrado e não pode ir para o mercado dos negócios. Mas está indo, sob o imperativo categórico: apropia-te de tudo, faça comércio com tudo , especialmente com a natureza e com seus bens e serviços.

Eis aqui o supremo egocentrismo e a arrogância  dos seres humanos, chamado também de antropocentrismo. Estes veem a Terra como um armazém de recursos só para eles, sem se dar conta de que não são os únicos a habitar a Terra nem são seus proprietarios. Não nos sentimos parte da natureza,  mas fora e acima dela como seus “mestres e donos”. Esquecemos, entretanto,  que existe toda a comunidade de vida visível (5% da biosfera) e os quintilhões de quintilhões de microrganismos invisíveis (95%) que garantem a vitalidade e fecundidade da Terra. Todos estes pertencem ao condomínio Terra  e têm direito de  viver  e conviver conosco. Sem as relações de interdependência com eles, sequer poderíamos existir. O documento desconsidera tudo isso. Podemos então dizer: Com ele não há salvação. Ele abre o caminho para o abismo. Enquanto tivermos tempo, urge evitá-lo.

Tal vazio se deriva da velha narrativa ou cosmologia. Por narrativa ou cosmologia entendemos a visão do mundo que subjaz às idéias, às práticas, aos hábitos e aos sonhos de uma sociedade. Por ela se procura explicar a origem, a evolução e o propósito do universo, da história e  o lugar do ser humano no conjunto dos seres.

A nossa atual é a narrativa ou  a cosmologia da conquista do mundo em vista do progresso e do crescimento ilimitado. Caracteriza-se por ser mecanicista, determinística, atomística e reducionista. Por força desta narrativa 20% da população mundial controla e consome 80% de todos os bens e serviços naturais; metade das grandes florestas foram destruídas, 65% das terras agricultáveis, perdidas, cerca de 27 a cem  mil espécies vivas desaparecem por ano(Wilson) e mais de mil agentes químicos sintéticos, a maioria tóxicos, são lançados na natureza. Construímos armas de destruição em massa, capazes de eliminar toda vida humana. O efeito final é o desequilíbrio do sistema-Terra que se expressa pelo  aquecimento global. Com os gases já acumulados, até 2050 fatalmente se chegará a 3-4 graus Celsius, o que tornará a vida, assim como a conhecemos praticamente impossível.

A atual crise econômico-financeira que mergulha nações inteiras na miséria nos fazem perder a percepção do risco  e conspiram contra qualquer mudança de  de rumo.

Em contraposição, surge  a narrativa ou a cosmologia do cuidado e da responsabilidade universal, potencialmente salvadora. Ela ganhou sua melhor expressão na Carta da Terra. Situa nossa realidade dentro da cosmogênese, aquele imenso processo de evolução que se iniciou há  13,7 bilhões de anos. O universo está continuamente se expandindo, se auto-organizando e se autocriando. Nele tudo é relação em redes e nada existe fora desta relação. Por isso todos os seres são interdependentes e colaboram entre si para garantirem o equilíbrio de todos os fatores. Missão humana reside em  cuidar e manter essa harmonia sinfônica.

 Por detrás de todos os seres atua a Energia de fundo que deu origem e sustenta o universo permitindo emergências novas. A mais espetacular delas é a Terra viva e os humanos como a porção consciente dela, com a missão de cuidá-la e de responsabilizar-se por ela.

Esta nova narrativa garante “o futuro que queremos”. Do contrário seremos empurrados fatalmente ao caos  coletivo com consequências funestas. Ela se revela inspiradora. Ao invés de fazer negócios com a natureza, nos colocamos no seio dela em profunda sintonia e sinergia, respeitando seus ciclos e buscando o “bem viver” que é  a harmonia entre todos e com a mãe Terra.  Característica desta nova cosmologia é o cuidado no lugar da dominação, o reconhecimento do valor intrínseco de cada ser e não sua mera utilização humana, o respeito por toda a vida e dos direitos da natureza e não sua exploração e a articulação da justiça ecológica com a social.

Esta narrativa está mais de acordo com as reais necessidades humanas e com a lógica do próprio universo. Se o documento Rio+20 a adotasse, como pano de fundo, criar-se-ia a oportunidade de uma civilização planetária na qual o cuidado, a cooperação, o amor, o respeito, a alegria e espiritualidade ganhariam centralidade. Tal opção apontaria, não para o abismo, mas para o “o futuro que queremos”: uma biocivilização da esperança.

Leonardo Boff é autor com Mark Hathaway de O Tao da Libertação: a ecologia da transformação, Vozes 2012.

 

MANIFESTO EM DEFESA DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS

Liderado pelo teólogo,filósofo e escritor brasileiro Leonardo Boff, está circulando entre artistas e intelectuais o Manifesto em Defesa das Instituições Democráticas. O texto defende a legalidade das instituições democráticas e a cassação de Eduardo Cunha por este ter perdido a e legitimidade necessária para presidir a Câmara dos Deputados. O documento apela aos parlamentares, ao Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal uma atuação corajosa para manutenção do Estado de Direito.
Até o momento, o Manifesto já conta com a adesão de nomes de destaque, como o cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda, o sociólogo e professor Emir Sader, os atores Paulo Betti, Sérgio Mamberti, Dira Paes, Chico Diaz e Cristina Pereira, o escritor Eric Nepumoceno, os músicos Chico César, Nelson Sargento e Teresa Cristina, o jurista Fábio Konder Comparato, Luiz Pinguelli Rosa, Diretor do COPPE/UFRJ, a Presidenta da UNE Carina Vitral e o ex-ministro de Direitos Humanos do governo FHC, Paulo Sérgio Pinheiro e tantos outros

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  MANIFESTO EM DEFESA DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS

O Brasil vive um momento histórico em que a legalidade e as instituições democráticas são testadas, o que exige opinião e atitude firme de todos e todas que têm compromisso com a democracia.

Desde as eleições de 2014, vivemos um grande acirramento político que permeia as mais diversas relações humanas e sociais. Essa situação ganhou novos ingredientes a partir da eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara dos Deputados e, de forma especial, após este ser denunciado pelo Ministério Público Federal por seu envolvimento em atos de corrupção, possuindo contas bancárias no exterior e ocultando patrimônio pessoal.

Absolutamente acuado pelas denúncias, pelas fartas provas do seu envolvimento em atos ilícitos e enfrentando manifestações em todo Brasil contra a agenda conservadora e retrógrada do ponto de vista de direitos que lidera, Cunha, que já não tem mais nenhuma legitimidade para presidir a Câmara, decidiu enfrentar o Estado Democrático de Direito. A aceitação de um pedido de impedimento da Presidenta da República no momento em que avança o processo de cassação do deputado é uma atitude revanchista que atenta contra a legalidade e desvia o foco das atenções e das investigações.

Neste sentido, viemos a público repudiar a tentativa de golpe imposta por Eduardo Cunha, por não haver elementos que fundamentem esta atitude, a não ser pelo desespero de quem não consegue explicar o seu comprovado envolvimento com esquemas espúrios de corrupção. Não se trata neste momento de aprovar ou reprovar a administração nem a forma como a Presidenta da República governa, mas defender a legalidade e a legitimidade das instituições do nosso país.

Por outro lado, defendemos o cumprimento do Regimento da Câmara dos Deputados e da Constituição Federal, ambos instrumentos com fartos elementos que justificam a cassação do mandato de Eduardo Cunha. Caso contrário, toda a classe política e as instituições brasileiras estarão desmoralizadas, por manter no exercício do poder um tirano que utiliza seu cargo de forma irresponsável para manutenção dos seus interesses pessoais. Apelamos às e aos parlamentares, ao Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal, autoridades cuidadoras da sanidade da política e da salvaguarda da ordem democrática num Estado de Direito, sem a qual mergulharíamos num caos com consequências políticas imprevisíveis. O Brasil clama pela atuação corajosa e decidida de Vossas Excelências.

Não aceitamos rompimento democrático! Não aceitamos o golpe! Não aceitamos Cunha na presidência da Câmara dos Deputados!

Brasil, dezembro de 2015.

Assinam este manifesto:

Leonardo Boff – Teólogo,Filósofo, Escritor e Professor

Emir Sader – Sociólogo, Cientista Político, Escritor e Professor

Eric Nepumoceno – Escritor

Chico Buarque – Cantor, Compositor e Escritor

Paulo Betti – Ator

Chico César – Músico

Sérgio Mamberti – Ator

Dira Paes – Atriz

Chico Diaz – Ator

Fábio Konder Comparato – Professor Emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo

Nelson Sargento – Músico, Compositor, Escritor, Ator e Artista Plástico

Teresa Cristina – Cantora

Sara Antunes – Atriz

Georgiana Goes – Atriz

Lucia Bronstein – Atriz

Marco Lucchesi – Escritor e membro da Academia Brasileira de Letras

Paulo Sérgio Pinheiro -Professor de Ciência Política da USP e Ex-Ministro de Direitos Humanos do Governo Fernando Henrique Cardoso

Cristina Pereira – Atriz

Pablo Gentili – Doutor em Educação

Regina Zappa – Jornalista

Maria Victoria de Mesquita Benevides – Socióloga

Luiz Pinguelli Rosa – Físico, Diretor da COPPE/UFRJ

Ana Kutner – Atriz e Produtora

Clayton Mariano – Ator

Vinicius de Oliveira – Ator

Carina Vitral – Presidenta da União Nacional dos Estudantes

Jean Tible – Professor do Departamento de Sociologia da USP

Alexandre Luiz Mate – Professor do Instituto de Artes da UNESP

Tulio Mariante – Designer

Maria Luiza Busse – Jornalista

Angela Santangelo – Jornalista

Bruno Konder Comparato – Cientista Político e Professor da Unifesp

Nadine Borges – Advogada, Professora e Ex-Presidenta da Comissão Estadual da Verdade do RJ

Márcio Faraco – Músico e Compositor

Noca da Portela – Compositor, Cantor e Instrumentista

Zé Adão Barbosa – Ator

Jacqueline Pinzon – Atriz

Santiago – Cartunista

Milton Simas Júnior – Presidente Sindicato dos Jornalistas do RS

Tomaz Miranda – Músico

Marcia Miranda – Educadora Popular, Co-fundadora e Consultora do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis/RJ

Evonete Belizário Mattos – Empresária e Produtora Cultural

Bruno Monteiro – Jornalista e Militante de Direitos Humanos

Luiz Fernando Lobo – Artista

Tuca Moraes – Artista

João Baptista Herkenhoff – Juiz de Direito aposentado (ES), Escritor, um dos fundadores e primeiro presidente da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória

Jorge Antunes – Maestro

Felipe Nepomuceno – Documentarista

Luis Augusto Fischer – Escritor e Professor da UFRGS

Antonio David Cattani – Doutor pela Université de Paris

Toninho Geraes – Compositor

Céli Regina Jardim Pinto – Doutora em Ciência Política, Professora da UFRGS

Bagre Fagundes – Músico

Mari Martinez – Cantora

Chicão Dorneles – Músico

João Villaverde – Músico

Mel Machado – Música

Marcelo Delacroix – Músico

Reissoli Moreira – Ator

Ana Kruger – Música

Fernando Corona – Músico

Leandro Cachoeira – Músico

Denizeli Cardoso – Atriz

Margareth Diniz – Professora Adjunta de Psicologia da Universidade Federal de Ouro Preto

Augusto Conde de Mello Souza – Advogado

Tarso Cabral Violin – Advogado, professor de Direito Administrativo

João Ricardo Wanderley Dornelles – Advogado, Professor, Coordenador-Geral do Núcleo de Direitos Humanos da PUC/Rio e Membro da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro

Porcina Barreto Frota – Enfermeira

Jeferson Roselo Mota Salazar – Presidente da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas

Janeslei Aparecida Albuquerque – Professora, Secretária de Formação da APP-Sindicato, Paraná e Secretária de Relação com os Movimentos Sociais da CUT Brasil

Maria Elizabeth Sousa da Silva – Historiadora

Martha Vianna – Ceramista

Yashiro Yamamoto – Ex-Professor Assistente Doutor do IF/USP

Lenini Bonotto Cabral – Analista de Sistemas e Empresário

Sérgio Sister – Artista Plástico

Andrea Maria Altino de Campos Loparic – Professora Sênior do Departamento de Filosofia/USP

Tania Carvalheira Cabos – Aposentada

Maria Helena Arrochellas – Teóloga, Centro Alceu Amoroso Lima para Liberdade
José Oscar Beozzo – Padre, Teólogo e historiador – Ceseep

Juliano Barreto de Carvalho – Músico, Compositor e Ator

Paulinho Cardoso – Músico

Milena Dugacsek – Música

Xico Esvael – Músico

Guaracira Gouvêa de Sousa – Professora e Pesquisadora em Educação

Luiz Alberto Gómez de Souza – Escritor e Sociólogo

Lucia Ribeiro de Souza – Pesquisadora e Socióloga

Guto Vilaverde – Artista Plástico

Silke Weber – Socióloga e Pesquisadora

Constança Hertz – Psicanalista

Lúcia Bernardes – Psicóloga

Charles Pessanha – Professor de Ciência Política, UFRJ

Rosemary Fernandes da Costa – Professora e Teóloga

Jorge Eduardo Levi Mattoso – Professor Universitário – IE UNICAMP (ap.)

Eny Moreira – Advogada

Pedro A. Ribeiro de Oliveira – Sociólogo, Professor Aposentado da UFJF e da PUC-Minas, membro da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política

Maria de Nazareth Baudel Wanderley – Professora

Rute Maria Bevilaqua – Aposentada

Maria Aparecida Baccega – Professora Universitária

Marco António Augusto Pimentel – Agricultor Familiar, Presidente da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar de SP

Mara Márcia Grillo Peternella – Professora

José Luiz Menezes – Professor

Maridalva Silva – Professora

Luciene Alves da Silva Lima – Enfermeira

Erico Sampaio – Aposentado

Melissa Carla Silva – Frente Nacional contra a Redução da Maioridade Penal

Irma Maria D’ Assunção Falqueto – Enfermeira

Beatriz Helena Marão Citelli – Professora

Lourdes Lima Daou Vidal – Adminsitradora

Clara Strauss – Professora

Celso Henrique de Figueiredo – Professor da UERJ

Gaudêncio Fidélis – Historiador da Arte, Curador-Chefe da Bienal do Mercosul

Márcio Tavares – Historiador, Curador-Adjunto da Bienal do Mercosul

Margarete Moraes – Gestora Cultural

Vitor Ortiz – Gestor Cultural

Marcelo Delacroix – Músico

Jackson Raymundo – Pesquisador, Mestre em Letras

Guto Leite – Escritor, Compositor e Professor de Literatura

Valesca de Assis – Escritora

Marcelo Spalding – Escritor

Laís Chaffe – Escritora

Walter Karwatzki – Artista Plástico

Vera Pellin – Artista Visual, Designer e Produtora Cultural

Daniel Mello – Cantor

Adroaldo Bauer Corrêa – Escritor

Marcelo Restori – Diretor de Teatro e Cineasta

Monique Prada – Trabalhadora Sexual

Marcio Petracco – Músico

Fabiano Nasi – Músico

Rejane Verardo – Coordenadora da Frente Gaúcha dos Artesãos

Sérgio Freitas – Presidente da Cooparigs

João Carlos Agostinho Prudêncio – Mestre Griô

Giovani Valério – Teatro

Paulo Gaiger – Músico e Professor

Nelson Gilles – Músico e Gestor Cultural

Dinorah Araújo – Atriz

Robson Sávio Reis Souza – Cientista Social, Coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos (PUC Minas)

Cristiane Costa de Jesus – Pedagoga, Analista Social, Assessora das Comunidades Eclesiais de Base de Cuiabá/MT

Wolfgang Leo Maar – Professor Titular da UFSCar

Maria Amalia Pie Abib Andery – Professora Titular da PUC-SP

Ladislau Dowbor – Economista, Professor Titular da PUC-SP

Michael Lowy – Sociólogo

Clayton Mendonça Cunha Filho – Professor Doutor de Ciência Política – Universidade Federal do Ceará

Fabricio Pereira da Silva – Professor Adjunto de Ciência Política da UNIRIO, Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFF

Maria Edlani de Oliveira Saraiva – Administradora Aposentada

Atelisa de Salles – Músico

José Juliano de Carvalho Filho – Economista, Professor da FEA-USP

Ceci Juruá – Economista

Otávio Velho – Antropólogo

Claudio Sander – Músico

Marcelo de Barros Souza – Monge Beneditino e Teólogo. Assessor de Movimentos Sociais

Stella Maris Jimenez Gordillo – Médica Psicanalista

Isabel Lustosa – Historiadora, Pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa/FCRB

Raymundo de Oliveira – Professor e Engenheiro

Marilda Varejão – Jornalista

Lincoln Secco – Professor da Universidade de São Paulo (USP)

Maria do Socorro Braga – Cientista Política

Marcia Ribeiro Dias – Cientista Política, Professora da UNIRIO

Zico Cerqueira – Aposentado e Produtor Cultural

Denizeli Cardoso – Atriz, Cantora e Produtora

Milena Dugacsek – Etnomusicóloga

Maria José Bechara – Professora do Instituto de Física da Universidade de São Paulo

Arline Sydneia Abel Arcuri – FUNDACENTRO/MTPS

Áurea Emília da Silva Pinto – Educadora Popular – ANEPS-RN

Benjamin Prizendt – Professor

Tereza Maria Pompeia Cavalcanti – Teóloga e Professora da PUC-Rio

Renato Gama – Técnico de Nível Superior e Mestre em Ciências da Religião

Abdias Vilar de Carvalho – Sociólogo

Laura Celina Puccinelli de Lima – Pedagoga Aposentada

José Dari Krein – Professor e Pesquisador

Lígia Chiappini – Professora, Pesquisadora e Ensaísta, nas áreas de Teoria Literária, Literatura Brasileira, Literatura Comparada

João Sicsú – Economista e Professor da UFRJ

Reiko Miura – Jornalista

Martha Pires Ferreira – Artista plástica, Advogada e Astróloga

Pedro Paulo Malan de Paiva Chaves – Engenheiro

Nair Yumiko Kobashi – Professora da Universidade de São Paulo

Ennio Candotti – Professora da Universidade Federal do Amazonas

Carlos Augusto Abicalil – Professor, Diretor Geral de Educação e Cultura da OEI

Cleuza Maria da Cunha Bettoni – Professora Universitária

Maria Luiza Martins Aléssio – Professora do Centro de Ciências Biológicas da UFPE

Ricardo Swain Alessio – Professor do Centro de Educação da UFPE

Waldemar Boff, educador popular, presidente do SEOP, Petrópolis RJ

 
Bruno Monteiro
Jornalista
(61) 9967-3522
@brunogmonteiro

 

La alegria del Papa Francisco por la Carta de Apoyo que recibió de los latinoamericanos

Querido Papa Francisco:

En América Latina, en Brasil y en el Caribe y en otras partes del mundo somos muchos los que seguimos con preocupación la cerrada oposición y los ataques que le hacen minorías conservadoras, pero poderosas, desde dentro y fuera de la Iglesia. Perplejos, hemos presenciado algo inusitado en los últimos siglos: la rebelión de cardenales conservadores contra su modo de conducir el Sínodo y, sobre todo, la Iglesia Universal.

Una carta estrictamente personal, dirigida a Usted, fué pasada a la prensa como anticipadamente se hizo con la encíclica Laudato Si’ en clara violación de los principios de un periodismo ético.

Tales grupos conservadores postulan una vuelta al modelo de Iglesia del pasado, concebida como una fortaleza cerrada más que como «un hospital de campaña con las puertas abiertas para acoger a quien llama»; Iglesia que deberá «buscar y acompañar a la humanidad de hoy, con las puertas abiertas, ya que con las puertas cerradas se traiciona a sí misma y a su misión y, en vez de ser puente, se convierte en barrera». Estas fueron sus valientes palabras.

Las actitudes pastorales del tipo de Iglesia propuesto en sus discursos y en sus gestos simbólicos se caracterizan por el amor cálido, por el encuentro vivo entre las personas y con Cristo presente entre nosotros, por la misericordia sin límites, por la “revolución de la ternura” y por la conversión pastoral. Esto implica que el pastor tenga “olor a oveja”, porque convive con ella y la acompaña a lo largo del camino.

Lamentamos que tales grupos conservadores, lo que más hacen, es decir no. No a la comunión de los divorciados vueltos a casar; no al reconocimiento de los homoafectivos; no a cualquier apertura al mundo que implique cambios sustantivos.

Tenemos que recordar a estos hermanos las cosas más obvias del mensaje de Jesús. Él no vino a decir no. Al contrario, él vino a decir sí. San Pablo, en la segunda epístola a los Corintios,nos recuerda que “en el Hijo de Dios todo ha sido sí… porque todas las promesas de Dios son sí en Jesús” (2Cor 1,20).

En el Evangelio de San Juan, Jesús dice explícitamente: “Si alguno viene a mí yo no le rechazaré nunca” (Jn 6,37). Podía ser una prostituta, un leproso, un teólogo temeroso como Nicodemo: a todos acogió con su amor y su misericordia.

La característica fundamental del Dios de Jesús, “Abba”, es su misericordia sin límites (Lc 6,36) y su amor preferencial por los pobres, los enfermos y los pecadores (Lc 5,32; 6,21). Más que fundar una nueva religión con feligreses piadosos, Jesús vino a enseñarnos a vivir y a realizar los bienes de su mensaje central, el Reino de Dios, que son: el amor, la compasión, el perdón, la solidaridad, el hambre y sed de justicia y el hacernos sentir hijos e hijas amados de Dios.

Los intentos de deslegitimar su modo de ser Obispo de Roma y Papa de la Iglesia universal serán vanos, porque nada se resiste a la bondad y a la ternura de las que Usted nos da un ejemplo espléndido. Por la historia sabemos que cuando prevalece el poder, como a ellos les gustaría que prevaleciese, desaparece el amor y se extingue la misericordia, valores centrales de su predicación y de la de Jesús.

En este contexto, nosotros cristianos abiertos a los desafíos del mundo actual, ante la nueva fase planetaria de la historia y las amenazas que pesan sobre el sistema-vida y el sistema-Tierra, valientemente señaladas en su encíclica Laudato Si’ sobre “el cuidado de la Casa Común”, queremos cerrar filas a su alrededor y mostrar nuestro total apoyo a su persona y a su ministerio, a su visión pastoral y abierta de Iglesia y a la forma carismática por la cual hace que sintamos nuevamente a la Iglesia como nuestro hogar espiritual. Y tanta gente de otras Iglesias y religiones y del mundo secular lo apoyan y lo admiran por su manera de hablar y de actuar.

No es destituido de significación el hecho de que la gran mayoría de los católicos viva en las Américas, en África y en Asia, donde se constata una gran vitalidad y creatividad en diálogo con las distintas culturas, mostrando múltiples rostros de la misma Iglesia de Cristo. La Iglesia católica es hoy una Iglesia del Tercer Mundo, pues sólo el 25% de católicos vive en Europa. El futuro de la Iglesia se juega en estas regiones donde el Espíritu sopla con fuerza. No darse cuenta de este hecho es seguir siendo eurocéntrico y vaticanocéntrico.

La Iglesia Católica no puede ser rehén de la cultura occidental, que es una cultura regional, por grandes que sean los méritos que haya acumulado. Es necesario que se desoccidentalice, abriéndose al proceso de mundialización que favorece el encuentro de culturas y caminos espirituales.

Querido Papa Francisco: Usted participa del destino del Maestro y de los apóstoles, que también fueron malentendidos, calumniados y perseguidos. Pero estamos tranquilos porque sabemos que Usted asume tales tribulaciones según el espíritu de las bienaventuranzas. Las soporta con humildad. Pide perdón por los pecados de la Iglesia y sigue los pasos del Nazareno.

Queremos estar a su lado, apoyarle en su visión evangélicay liberadora de la Iglesia, darle coraje y fuerza interior para actualizarnos, con palabras y gestos, la tradición de Jesús hecha de amor, de misericordia, de compasión, de intimidad con Dios y de solidaridad con la humanidad que sufre.

En fin, querido Papa Francisco, siga mostrándonos a todos que el evangelio es una propuesta buena para toda la humanidad, que el mensaje cristiano es una fuerza inspiradora en el “cuidado de la Casa Común” y generadora de una pequeña anticipación de una Tierra reconciliada consigo misma, con todos los seres humanos, con la naturaleza, y en especial con el Padre que mostró tener características de Madre de infinita bondad y ternura.

Al final, juntos podremos decir: “todo es muy bueno” (Gn 1,31).

Fuentes del Vaticano nos comunicaron que el Papa se mostró muy contento y agradecido por este apoyo