Arthur Soffiati: Covid-19: a humanidade e as floresta

Damos continuidade às reflexões do ecologista Arthur Soffiati que já iniciaram há semanas. Suas contribuições são importantes para nos fazerem entender por que o Covid-19 atacou a humanidade, porque nós antes atacamos o vírus, roubando-lhe seu habitat devido à falta de respeito  e de cuidado da natureza.Não podemos menosprezar a natureza. Ela é muitíssimo mais forte e sábia que todos nós e poderá nos dar lições para que não sejamos os Satãs da Terra mas seus anjos bons e protetores. F.Capra,o renomado  ecólogo na Folha de São Paulo de 11;08/2020 afirmou o caráter biológico do Covid-19 como eu mesmo venho enfatizando desde o início. Se não mudarmos nossa relação para com a natureza, ela nos poderá contra-atacar novamente e sempre até aprendermos a sentirmo-nos parte dela e a respeitá-la. As reflexões de Soffiati nos mostra como tem sido nossa relação para com a natureza ao longo do tempo. Daí seu valor interpretativo. LBoff

                Arthur Soffiati: Covid-19:  a humanidade e as florestas (II)

Quando portugueses e espanhóis chegaram à África e à América respectivamente, no século XV, as florestas temperadas da Europa já estavam muito reduzidas. Elas foram progressivamente abatidas. Na África, a floresta tropical do Congo foi o que restou da grande floresta que cobria o Saara no início do Holoceno. Não houve um desmatamento descomunal que transformou uma grande mata num imenso deserto. Foram as mudanças climáticas naturais. Os povos que viviam na floresta congolesa extraíam recursos dela, mas sem comprometer sua integridade. O mesmo acontecia com a floresta equatorial da Indonésia. Além da floresta e do deserto, havia, no continente africano, extensas savanas e estepes habitadas por uma megafauna, que já era cobiçada pelos navegantes, sobretudo o elefante.

No grande continente americano, os europeus encontraram as florestas temperadas do norte, a grande floresta amazônica e a Mata Atlântica. Além desses biomas, havia, no interior, o Cerrado, a Caatinga, o Pantanal, os campos do Sul e as zonas geladas do Antártico. Os povos que habitavam a América (considerando-a um só continente, pois não havia países) usavam as florestas, mas as consideravam sagradas e merecedoras de respeito. Eles obtinham nelas recursos para sua subsistência, mas sem ultrapassar limites. Essa visão contemplativa está demonstrada nos depoimentos de índios da América do Norte reunidos no livro “Pés nus sobre a terra sagrada”. Na América do Sul, é ilustrativo o depoimento do xamã yanomami Davi Kopenawa.

Pesquisas arqueológicas estão demonstrando que culturas avançadas se desenvolveram na Amazônia antes da chegada dos europeus. Como se sabe, os solos amazônicos são pobres. As florestas se retroalimentam naquela vastidão de planície. Solo preto em grande quantidade vem sendo encontrado pelos arqueólogos. A conclusão é que a floresta chegou a comportar cerca de dez milhões de habitantes reunidos em culturas distintas que exploravam a grande floresta mantendo-a em pé. A terra preta era fabricada para o cultivo de diversas espécies, inclusive arbóreas. As prospecções sugerem uma ou mais civilizações na Amazônia. As ricas cerâmicas de Marajó, de Maracá, de Santarém e outras confirmariam que houve ali culturas que alcançaram grau civilizacional. Cauteloso, prefiro considerá-las neolíticas avançadas.

Além do mais, os europeus encontraram as adiantadas culturas dos Andes, da América Central e do Ártico, sem contar a cultura já declinante dos maias. Esta, ao que tudo indica, não soube lidar com a floresta e a devastou. Em parte, seu declínio se deve a essa remoção, segundo os estudiosos. No círculo polar ártico, não existiam florestas. Os denominados esquimós conseguiram desenvolver uma refinada cultura para viver no gelo. No México, o grande império asteca impressionou os europeus, o mesmo ocorrendo com o império inca nos Andes.

Como mostra o historiador ambiental José Augusto Pádua no seu livro “Um sopro de destruição”, as luxuriantes florestas encontradas pelos portugueses na América alimentaram neles a concepção de que elas poderiam ser exploradas indefinidamente. Mais que concepção, pode-se falar numa síndrome de inesgotabilidade. Para quem deixou um continente com parcas manchas florestais, encontrar a Mata Atlântica pela frente alimentou a crença na sua infinitude. Logo nos primeiros tempos, a busca pelo pau-brasil estimulou um desmatamento ainda em pequenas proporções, ao mesmo tempo que alterava a concepção dos povos nativos. O famoso diálogo travado entre um velho tupinambá e o calvinista Jean de Léry ilustra duas visões de mundo não só distintas como antagônicas. O francês via dinheiro no pau-brasil. O tupinambá entendia que se tratava apenas de madeira, o que o levou a concluir que os europeus eram loucos. De fato, o sistema capitalista era algo inimaginável e inútil para o índio.

Com a escolha da cana-de-açúcar para colonizar as terras reservadas a Portugal pelo Tratado de Tordesilhas, o primeiro grande tratado da globalização, exigiu-se desmatamento mais intensivo. Até século XVII, as terras baixas foram depenadas. As florestas deram lugar aos canaviais e aos pastos. É de se perguntar por que os portugueses e seus descendentes no Brasil se contentaram com a Mata Atlântica até o século XIX. Os colonos tinham 1,3 milhão de quilômetros quadrados de floresta para explorarem. As árvores eram simplesmente queimadas para abrir espaço para as lavouras e pastagens. Além de não precisarem da Amazônia, os colonos não contavam com tecnologia para derrubar uma floresta que parecia infinita.

Já existem artigos acadêmicos e livros demonstrando com documentos a visão que se tinha das florestas. Derrubá-las significava progresso e civilização. Havia algumas vozes no século XIX que já se opunham a uma tão grande devastação. Mas eram vozes isoladas. Havia quem condenasse o africano ou seu descendente escravizado como o culpado pelo desmatamento, quando, na verdade, eles cumpriam ordens do patrão, que por sua vez atendia às exigências de um capitalismo rasteiro. Por mais protestos isolados, o Brasil era uma grande fazenda dominada por rudes proprietários. Alguns cientistas também condenavam o desmatamento excessivo, como foi o caso de Auguste de Saint-Hilaire ao empreender excursões pelo Brasil. Nem a falta d’água na cidade do Rio de Janeiro causada pelo desmatamento do maciço da Tijuca, exigindo seu reflorestamento, foi suficiente para convencer a economia rural sobre a importância das matas.

O bispo poeta Pedro Casaldaliga e a tradição da mística poética espanhola

O bispo Pedro Casaldáliga (não gostava do título de Dom) foi transfigurado no dia 8 de agosto de 2020 com 92 anos de idade. Catalão, veio ao Brasil e foi sagrado bispo em 1971 para a Prelazia São Felix do Araguaia-MT. Foi pastor exemplar, profeta corajoso, poeta de grande altura e místico dos olhos abertos. Notabilizou-se por ficar decididamente do lado dos indígenas e peões expulsos de suas terras pelo avanço do latifúndio.Sua Carta Pastoral de 1971”Uma Igreja da Amazônia em Conflito com o Latifúndio e a Marginalização Social” provocou várias ameaças de morte e de expulsão do país pela ditadura Militar.

Aqui atenho-me apenas a alguns tópicos de  sua poesia e de sua mística que se alinham à grande tradição espanhola de São João da Cruz e de Santa Tereza d’Avila.Alguns estão em espanhol,outros em português.

Viveu a pobreza evangélica em grau extremo:” Não ter nada/não levar nada/não poder nada/e de pessagem,não matar nada/não calar nada./Somente o Evangelho como faca afiada/e o pranto e o riso no olhar/E a mão estendida e apertada/e a vida,a cavalo, dada./E este sol e estes rios e esta terra comprada/com testemunhas da ressurreição já estalada./E mais nada”.

Corajoso diz ao enfrentar os opressores:”Onde tu dizes lei, eu digo Deus./Onde tu dizes paz,justiça,amor/eu digo Deus./Onde tu dizes Deus/eu digo liberdade, justiça,amor”Estes valores são os verdadeiros nomes de Deus. Ameaçado de morte, escreve uma Cantiga à morte:

“Ronda a morte rondeira/ a morte rondeira ronda/já o disse Cristo antes de Lorca. Que me rondarás,morena,/vestida de medo e sombra.Que te rodarei,morena,/vestido de espera e glória. Tu me rondas em silêncio/eu te rondo na canção.Tu me rondas de aguilhão eu te rondo de laurel./Que me rondarás/que te rondarei.Tu para matar/eu para nascer. Que te rondarei/que me rondarás.Tu com guerra e morte/eu com guerra e Paz. Que me rondarás em mim;ou nos pobres de meu Povo/ou nas fomes dos vivos/ou nas contas dos mortos. Me rondarás bala/me rondarás noite/me rondarás asa/me rondarás carro. Me rondarás ponte/me rondarás rio/sequestro, acidente/ tortura, martírio,/temida.Chamada/ vendida/comprada/mentida/sentida/calada/cantada. Que me rondarás/que te rondarei que me rondaremos/todos/eu/e  Ele/ Se com Ele morremos/com Ele viveremos/Com Ele morro vivo/por /Ele vivo morto/Tu nos rondarás/mas nós te pegaremos”.

Mas nada teme:”E chegarei de noite/com o feliz espanto/de ver/por fim/que andei/dia após dia; /sobre a própria palma de Tua Mão”.

Este poema nos remete a São João da Cruz do Cântico Espiritual:

“Por aqui ya no hay camino”./Hasta donde no lo habrá?/Si no tenemos su vino/la chicha no servirá”?

“Legarán a ver el dia/quanto con nosostros van?/Como haremos compañia/si no tenemos ni pan?”

Por donde iréis hasta el cielo/si por la tierra no vais?/Para quién vais al Carmelo/Si subis y no bajáis”?

Sanará viejas feridas/las alcuzas de la ley?/Son banderas o son vidas/las batallas de este Rey”?

“Es le curia o es la calle;/donde grana la misión?/Si dejáis que el Viento calle/ que oiréis en la oración?”

“Si no oís la voz del Viento/qué palabra llevaréis?/Que daréis por sacramento/si no os dais em lo que teneis”?

“Si cedéis ante el imperio/la Esperanza y la Verdad/Quién proclamará el misterio/de la entera Libertad”?

“Si el Señor es Pan y Vino/y el Camino por do vais/Si al andar se hace camino/qué camino esperáis?”

Vivia num “palácio”de madeira de terceira e com extrema simplicidade.Era tão identificado com os indígenas e peões assassinados, que quis se enterrado no “Cemitério do Sertão” onde eles, anônimos, jazem:

“Para descansar/ quero só esta cruz de pau/como chuva e sol;/estes sete palmos e a Ressurreição”.

E assim imaginou o Grande Encontro com o Amado que serviu nos condenados da terra:

“Ao final do caminho me dirá/

E tu, viveste? Amaste?

E eu, sem dizer nada,

Abrirei o coração cheio de nomes”

 

O clamor de sua profecia, a total entrega de Pastor aos mais oprimidos, a poesia que alimentará nossa beleza e sua mística de olhos abertos e das mãos operosas permanecerão como um legado perene às comunidades cristãs, ao nosso país que ele amou e à humanidade inteira.

 

Leonardo Boff é ecoteólogo, filósofo e velho amigo de Pedro Casaldaliga.

 

 

 

A importância da figura do pai numa sociedade sem pai

Celebramos  nesse domingo,09/08, o dia dos pais. É dia de amor e de reflexão.Vivemos numa sociedade sem pai ou do pai ausente. Num certo sentido, o pai foi expulso da família na medida em que foi impedido de realizar suas funções paternas. Seja porque o regime de trabalho da sociedade industrial e do conhecimento o ocupa fisica e mentalmente de forma tão intensa que lhe resta pouco tempo para conviver com a esposa e os filhos/filhas. Seja porque seu papel foi demolido pela crítica à autoridade do pai, por certo tipo de feminismo radical, sem medir as consequências.

O certo é que vivemos num tempo de eclipse da figura tradicional do pai. O que substituiu a sociedade patriarcal foi a sociedade da Grande Mãe, hoje imperante. Ela cumpre as funções da mãe: satisfazer as necessidades dos cidadãos, cuidar da saúde, educação, conservar o existente, eliminar riscos, garantir a fluidez na sociedade.

Esta situação colocou em xeque a identidade do pai que anteriormente desempenhava a função do grande pai provedor. Ele se vê agora deslocado e, quando então desempregado, e são milhões, se sente desmoralizado e até insultado.

O enfraquecimento da figura do pai, desestabilizou a família. Os divórcios aumentaram de tal forma que surgiu uma verdadeira sociedade de famílias rompidas e de divorciados.

As consequências para os filhos/filhas são, não raro, dramáticas. Estatísticas oficiais oferecem um quadro lastimável: mais da metade  dos filhos fugidos de casa ou sem  moradia fixa ou entrando na criminalidade, são de famílias sem pai.

A ausência da figura do pai é, por todos os títulos,  inaceitável. Ela desestrutura os filhos/filhas, tira o rumo da vida, debilita a vontade de assumir um projeto e mutila a sociedade como se lhe faltasse um órgão importante como um olho ou um braço.

É  de fundamental importância, fazer a distinção entre  os modelos de pai e o princípio antropológico/psicológico do pai. Esta  distinção nos ajuda a evitar mal-entendidos e a resgatar o valor inalienável e permanente da figura do pai.

A tradição psicanalítica tirou a limpo a importância insubstituível do princípio antropológico/psicológico da mãe (Jung) e respectivamente o princípio antropológico/psicológico do pai (Freud) na constituição e evolução da pessoa humana. Agora focalizamos a figura do pai que hoje celebramos.

Este é responsável pela primeira e necessária ruptura da intimidade mãe-filho/filha e a introdução do filho/filha num outro continente, o transpessoal, do pai, dos irmãos/irmãs, dos avós, dos parentes e de outros da sociedade.

Na ordem  transpessoal e social, vige a ordem, a disciplina, o direito, o dever, a autoridade e os limites que devem valer entre um grupo e outro. Aqui as pessoas trabalham e realizam seus projetos Em razão disso, devem mostrar segurança, ter coragem e disposição de fazer sacrifícios, seja para superar dificuldades, seja para vencer.

Ora, o pai é o arquétipo e a personificação simbólica destas atitudes. É a ponte para o mundo transpessoal e social. A criança, ao entrar nesse novo mundo, deve poder orientar-se por alguém. Esse alguém é o pai que comparece como  herói, como aquele que tudo sabe, tudo pode, tudo faz. Se lhe faltar essa referência, a criança se sente insegura, perdida, sem capacidade de iniciativa.

É neste momento que se instaura um processo de fundamental importância para a psiqué da criança com consequências para toda vida: o reconhecimento da autoridade e a aceitação do limite que se adquire através da figura do pai.

A criança vem da experiência da mãe, do aconchego, da satisfação dos seus desejos, do calor da intimidade onde tudo é seguro. Agora, tem que aprender algo novo: que este novo mundo não prolonga simplesmente a mãe; que nele, há conflitos e limites. É o pai que introduz a criança no reconhecimento desta dimensão. Compete ao pai ensinar ao filho/filha o significado dos limites e o valor da autoridade, sem os quais ele não ingressa na sociedade sem  traumas.

Pertence ao pai fazer compreender ao filho/a que a vida não é só aconchego, mas também trabalho, que não é só bondade mas também conflito, que não há apenas sucesso mas também fracasso, que não há tamsomente ganhos mas também perdas. Se a mãe tende a realizar os desejos do filho/filha, se os programas dr televisão exacerbam o desejo, fazendo crer que só o céu é o limite, cabe ao pai mostrar que em tudo há limite e conveniência, que todos somos seres de implenitude, limitação e mortalidade, mesmo que o filho/filha o considere chato e insuportável.

Operar esta verdadeira pedagogia desconfortável mas vital é atender ao chamado do princípio antropológico do pai. Se não assumir esta missão/função simbólica e arquetípica, o pai concreto está prejudicando pesadamente seu filho/filha pelo resto da vida.

Uma sociedade que, ao criticar sistematicamente um modelo de pai, o patriarcal, tiver atingido, com uma crítica sem discernimento, o princípio antropológico/psicológico paterno, começa a perder rumo, vê crescer a violência, assiste à demolição da autoridade e deixa imperar a falta de limite nas relações sociais. Ela é condenada à volta do pai, mas agora na forma pervertida do autoritarismo. É o que estamos vivendo e o sofrendo no Brasil. Um pai autoritário,feito presidente, gerou filhos piores que ele sem qualquer sentido dos limites nas palavras e nos atos.

O que ocorre quando o pai está ausente na família ou há uma família apenas materna? Os filhos parecem mutilados, pois se mostram inseguros e incapazes de definir um projeto de vida. Alguma coisa está quebrada dentro deles, pois falta o complemento do pai.

Retenhamos essa ideia: uma coisa é o princípio antropológico/psicológico do pai, uma estrutura permanente, fundamental no processo de individuação de cada um. Esta função personalizadora não está condenada a desaparecer. Ela continua e continuará a ser internalizada pelos filhos e filhas como uma matriz na formação sadia da personalidade. Eles a reclamam.

Outra coisa são os modelos historico-sociais que concretizaram o princípio antropológico/psicológico do pai. Eles são sempre cambiantes.No mundo rural normalmente predomina o pai patriarcal. No urbano, o pai companheiro e amigo.

Os modelos são sempre diferentes. Mas neles todos age o princípio antropológico/psicológico do pai, sem que este, entretanto,  se exaura em nenhum destes modelos. Mas todos participam das limitações humanas, com erros e acertos, que devem ser compreendidas.

Importa também reconhecer que, por todas as partes, surgem figuras concretas de pais que se imunizaram da impregnação patriarcal e na sociedade emergente mostram responsabilidade e determinação e desta forma cumprem a missão/ função arquetípica de pais para com os filhos e filhas, função indispensável para que eles amadureçam e, sem perplexidades e traumatismos, ingressem na vida autônoma, até serem pais e mães de si mesmos.

Leonardo é teólogo e filósofo e escreveu:São José, a personificação do Pai. Vozes 2012.

 

 

Post-covid-19: was in Kosmologie und Ethik zu berücksichtigen ist (III)

Lassen Sie uns den nachdenklichen Kommentar des Textes der Erdcharta vervollständigen, der besagt, dass wir einen Neuanfang suchen müssen, um eine nachhaltige Lebensweise auf dem Planeten Erde führen zu können. Dazu sei “ein neues Gefühl globaler Interdependenz erforderlich“. Die Beziehung von allem mit allem und damit zur globalen Interdependenz stellt eine kosmologische Konstante dar.  Alles im Universum ist Beziehung. Es ist auch ein quantenphysikalisches Axiom, nach dem alle Wesen interretro-verknüpft sind. Wir selbst, die Menschen, sind ein Rhizom (Wurzelzwiebel) von Beziehungen, die sich in alle Richtungen ausstrecken. Dies impliziert das Verständnis, dass alle Probleme: ökologisch, ökonomisch, politisch und spirituell, miteinander verbunden sind. Wir werden Leben nur retten, wenn wir uns nach dieser universellen Logik, der Logik des Universums und der Natur, ausrichten

 

Die Erdcharta fährt fort: “Universelle Verantwortung ist erforderlich.” Verantwortung bedeutet, sich der Folgen unseres Handelns bewusst zu sein, ob sie anderen Wesen nützen oder schaden. Hans Jonas schrieb ein klassisches Buch über das Prinzip Verantwortung, das die Prinzipien der Prävention und Vorsorge behandelt. Durch Prävention können wir die Auswirkungen berechnen, wenn wir in die Natur eingreifen. Der Grundsatz der Vorsorge sagt uns, dass wir, wenn wir die Folgen nicht ermessen können, nicht riskieren dürfen, bestimmte Maßnahmen und Interventionen zu ergreifen, weil sie sehr schädliche Auswirkungen auf das Leben haben können.

 

Wir sehen das Fehlen einer solchen kollektiven Verantwortung in der gegenwärtigen Pandemie. Sie verlangt eine strikte soziale Isolation, um eine Ausbreitung in der Gesellschaft zu verhindern, aber die überwiegende Mehrheit der Menschen hält sich nicht an diesen Grundsatz. Er muss universell sein.

 

Darüber hinaus fordert uns die Erdcharta auf “die Vision (einer nachhaltigen Lebensweise) kreativ zu entwickeln und anzuwenden“. Nichts Großes wird auf der Erde erreicht, ohne sich die neuen Gesellschaften und Formen des Seins vorzustellen und zu erschaffen, die man sich vorgestellt hat. Das ist die Funktion lebensfähiger Utopien.  Alle Utopien erweitern unseren Horizont und fordern unsere Kreativität heraus.  Im heiteren Ausdruck von Eduardo Galeano “führt uns die Utopie von Horizont zu Horizont und veranlasst uns immer zum Gehen.

 

Um die üblichen Methoden, das Gemeinsame Haus zu bewohnen, zu überwinden, welche in einer utilitaristischen Beziehung bestehen, müssen wir von unserem Planeten als der großen Mutter träumen, “Die Erde der guten Hoffnung” (Ignace Sachs und Ladislau Dowbor). Die Menschheit kann diese Utopie verwirklichen, wenn sie sich der Dringlichkeit der Notwendigkeit einer anderen Welt bewusst wird.

 

 

Eine nachhaltige Lebensweise

 

Die Erdcharta bekräftigt auch “eine Vision einer nachhaltigen Lebensweise“. Wir sind den Ausdruck “nachhaltige Entwicklung” gewohnt.  Er ist präsent in allen offiziellen Dokumenten und auf den Lippen der vorherrschenden Ökologie. Alle seriösen Studien haben jedoch gezeigt, dass unsere Form der Produktion, Verteilung und des Konsums nicht nachhaltig ist, weil es unmöglich ist, ein Gleichgewicht aufrechtzuerhalten zwischen dem, was wir von der Natur nehmen, und dem, was wir ihr lassen, um zu ermöglichen, dass sich die Natur stets reproduzieren und sich kontinuierlich weiterentwickeln kann. Unsere Gier hat den Planeten nicht-nachhaltig gemacht, denn selbst wenn die reichen Länder ihren Wohlstand auf die gesamte Menschheit ausdehnen wollten, würde es mindestens drei Erden wie unsere gegenwärtige erfordern, was absolut unmöglich ist.

Die aktuelle Entwicklung, die das Wirtschaftswachstum des Bruttosozialprodukts, des BSP, misst, zeigt erstaunliche Ungleichheiten, zu dem Ausmaß, dass die NGO Oxfam in ihrem Bericht von 2019 feststellt, dass 1 % der Menschheit die Hälfte des Reichtums der Welt besitzt und dass 20 % der Menschen 95 % dieses Reichtums kontrollieren, während die restlichen 80 % mit nur 5 % des Reichtums auskommen müssen. Diese Daten legen offen, dass die Welt, in der wir leben, völlig unhaltbar ist.

 

Die Erdcharta wird nicht vom Profit, sondern vom Leben geleitet. Deshalb besteht die große Herausforderung darin, eine nachhaltige Lebensweise in allen Lebensbereichen zu schaffen: in den Bereichen Persönliches Leben, Familie, Soziales, auf nationaler und internationaler Ebene.

 

 

Die Bedeutung des Bio-Regionalismus

 

Schließlich muss diese nachhaltige Lebensweise auf lokaler, nationaler, regionaler und globaler Ebene verwirklicht werden. Natürlich geht es um ein Weltprojekt, das durch einen Prozess umgesetzt werden muss. Heute findet der fortgeschrittenere Teil dieser Suche auf lokaler und regionaler Ebene statt, so dass Bio-Regionalisierung als die wirklich lebensfähige Form der Verwirklichung der Nachhaltigkeit angesehen wird. Wir nehmen die Region als Referenz, nicht nach den willkürlichen Grenzziehungen, die immer noch bestehen, sondern diejenige, die von der Natur selbst geschaffen wurde, mit ihren Flüssen, Bergen, Dschungeln, Wäldern und allem, was ein regionales Ökosystem ausmacht. In diesem Rahmen kann eine authentische Nachhaltigkeit erreicht werden, einschließlich der natürlichen Güter, der Kultur und der lokalen Traditionen, der Persönlichkeiten, die diese Geschichte geprägt haben, die kleine Unternehmen und ökologische Landwirtschaft mit möglichst breiter Beteiligung in einem demokratischen Geist begünstigen. Auf diese Weise wird “gute Lebensführung und gutes Leben” (das ökologische Ideal der Anden) entstehen, ausreichend, anständig und nachhaltig mit der Verringerung der Ungleichheiten.

 

Diese Vision, die von der Erdcharta formuliert wurde, ist sowohl grandios als auch machbar. Was wir brauchen, ist mehr guten Willen, die einzige Tugend, die für Kant weder Mängel noch Grenzen sieht, denn wenn sie diese hätte, wäre sie nicht gut. Dieser gute Wille würde die Gemeinschaften motivieren und am Ende die ganze Menschheit dazu bringen, wirklich “einen Neuanfang” zu wagen (Fortsetzung folgt).

 

Leonardo Boff  Ökologe, Theologe und Philosoph, der geschrieben hat „To Protect the Earth-Care for Life: How to Avoid the End of the World“, Record, Rio, 2010.