Desencanto face ao futuro e o esperançar

 Estamos num pleno 2021, ano que não acabou porque o Covid-19 anulou a contagem  do tempo por continuar sua obra letal. O 2022 não pôde ainda ser inaugurado. O fato é que o vírus colocou de joelhos todos os poderes,especialmente, os militaristas, pois  seu arsenal de morte fez-se totalmente ineficaz.

No entanto, o gênio do capitalismo, a propósito da pandemia, fez com que a classe capitalista transnacioalizada se reestruturasse mediante o Great Reset (a Grande Reinicialização), expandindo a recente economia digital mediante a integração dos gigantes: Microsolft,  Facebook, Apple, Amazon, Google, Zoom e outros com o complexo militar-industrial-segurança. Tal evento representa a formação de um poder imenso, nunca havido antes. Notemos que se trata de um poder econômico de natureza capitalista  e que, portanto, realiza seu propósito essencial, o de de maximização  dos lucros de forma ilimitada, explorando, sem consideração, os seres humanos e a natureza.

A consequência desta radicalização do capitalismo  confirma o que  um sociólogo da universidade da Califórnia em Santa Bárbara, William I.Robinson, num artigo recente, bem observou (ALAI 20/12/2021):”À medida em que o mundo vai lse ivrando da pandemia, haverá mais desigualdade, conflitos, militarismo e autoritarismo e nesta mesma medida aumentarão as convulsões sociais e os conflitos civis; os grupos dominantes se empenharão por expandir o estado policial global para conter os descontentes em massa, vindos de baixo”. Com efeito, utilizar-se-á a inteligência artificial com seus bilhões e bilhões de algoritmos para controlar cada pessoa e a sociedade inteira. Esse brutal poder levará a humanidade para onde?

Sabendo da lógica inexorável do sistema capitalista, Max Weber, um dos que melhor criticamente a analisou, um pouco antes de morrer asseverou:”O que nos aguarda não é o florescimento do outono, nos aguarda uma noite polar, gélida, sombria e árdua (Le Savant et le Politique, Paris 1990, p. 194). Ele cunhou a expressão forte que atinge o coração do capitalismo: ele é uma”jaula de ferro”(Stahlartes Gehäuse) que não consegue romper e, por isso, nos pode levar a uma grande catástrofe (cf.a pertinente análise de M.Löwy, La jaula de hierro: Max Weber y el marxismo weberiana, México 2017). Essa opinião é compartida por grandes nomes como Thomas Man, Oswald Spengler,Ferdinand Tönnies, Eric Hobsbown, entre outros.Vários modelos de sociedade-mundo estão sendo discutidos para o pós-pandemia. Os mais importantes além do Great Reset dos bilhardários, são: o capitalismo verde, o ecosocialismo, o bien vivir e convivir dos andinos, a biocivilização, de vários grupos e  do Papa Francisco entre outros. Não cabe aqui detalhar tais projetos,coisa que fiz no livro Cvid-19:A Mãe Terra contra-ataca a Humanidade ( Vozes 2020). Apenas diria: ou mudamos de paradigma de produção, de consumo, de convivência e,especialmente, de relação para com a natureza, com respeito e cuidado ,sentindo-nos parte dela e não  sobre ela como donos e senhores, ou então realizar-se-á o prognóstico de Max Weber: poderemos de 2030 até no máximo 2050, conhecer um armagedon ecológico-social extremamente danoso para a vida e para a Terra.

Neste sentido, meu sentimento do mundo me diz que quem irá destruir a ordem do capital, com sua economia, política e cultura, não seria nenhum moimento ou escola de pensamento crítico. Seria a própria Terra, planeta limitado que não suporta mais um projeto de crescimento ilimitado. A visível mudança climática, objeto de discussão e de tomada de decisão (praticamente nenhuma) das últimas COPs da ONU, o esgotamento crescente dos bens e serviços naturais, fundamentais para a vida (The Earth Overshoot) e a ameaça de  rompimento das principais das nove barreiras do desenvolvimento que não podem ser rompidas a preço do colapso da civilização, são alguns indicadores de uma iminente tragédia.

Um número significativo de especialistas em clima  afirmam que chegamos tarde demais. Com o já acumulado de gases de efeito estufa não poderemos conter a catástrofe, apenas, com ciência e tecnologia, minorar seus efeitos desastrosos. Mas a grande crise irreversível  virá. Por isso se fizeram céticos e  até tecnofatalistas.

Seremos pessimistas resignados ou, no sentido de Nietzche, adeptos da “resignação heróica”? Estimo, como dizia um pré-socrático: devemos esperar o inesperado, pois, se não o esperarmos, quando ele vier, não o perceberemos. O inesperado pode ocorrer, dentro da perspectiva quântica: o sofrimento atual por causa da crise sistêmica não será em vão; ele está acumulando  energias benfazejas que, ao atingir certo nível de complexidade e de acumulação, darão um salto para uma outra ordem mais alta com um novo horizonte de esperança para a vida e para o planeta vivo, Gaia, a Mãe Terra. Paulo Freire cunhou a expressão esperançar:  não ficar esperando que um dia a situação irá melhorar mas criar as condições para que a esperança não seja vã, senão que, com nosso empenho, a façamos efetiva.

Creio que esse salto, com a nossa participação, poderá ocorrer e estaria dentro das possibilidades da história do universo e da Terra: do atual caos destrutivo, podemos passar para um caos generativo de um novo modo de ser e de habitar o planeta Terra.

É nisso que creio e espero, reforçado pela palavra da Revelação que afirma: “Deus criou todas as coisas por amor porque é o apaixonado amante da vida”(Sabedoria 11,26).Ele não permitirá que terminemos assim tragicamente. Ainda viveremos sob a luz benevolente do sol.

Leonardo Boff, ecoteólogo, filósofo e escritor.Escreveu O doloroso parto da Mãe Terra: uma sociedade de fraternidade sem fronteira e de amizade social,Vozes 2021; Habitar a Terra:qual o caminho para a fraternidade universal?  Vozes 2121.

Schritte zur Bekämpfung des Faschismus und der Politik des Hasses

Dieser Artikel ist denjenigen gewidmet, die für die verwundete Demokratie und die Rettung des verwüsteten Landes kämpfen.   

Politische Kräfte, Feinde des Lebens, haben sich mit dem Coronavirus verbündet und begünstigen die Dezimierung von mehr als 600 Tausend Menschenleben. Ihr Ziel ist es, uns in die vormoderne Zeit zurückzuversetzen, unsere Kultur und Wissenschaft zu demontieren, Arbeits- und Sozialversicherungsrechte zu unterdrücken, Lügen und feigen Hass auf die Armen, die Indigenen, die Quilombolas, die Afro-Nachkommen, die Homoaffektiven und die LGBTI zu verbreiten.

Ideologisch sind diese Kräfte ultrakonservativ und eindeutig faschistisch. Sie haben die höchste Macht in der Republik erlangt. Der wichtigste Vertreter dieser Kräfte will mit allen Mitteln, auch gegen das Gesetz, wiedergewählt werden. Als Parlamentarier hat er Folterknechte verherrlicht und Diktaturen verteidigt. Als Staatschef war er nachsichtig mit der großflächigen Verbrennung des Amazonaswaldes, mit den Holzfällern und mit dem Eindringen des Bergbaus und der Goldgewinnung, auch auf indigenem Land. Er beging Verbrechen gegen die Menschlichkeit, indem er die Covid-19-Impfungen leugnete und sich unsensibel und ohne jegliches Einfühlungsvermögen für das Leid Tausender von Hinterbliebenen und Millionen von Arbeitslosen und Hungernden zeigte.

Leider haben wir die Schwäche, ja sogar das Fehlen unserer offiziellen oder rechtlichen Institutionen und die geringe Intensität unserer Demokratie gesehen, die, gemessen an der sozialen Gerechtigkeit und der Achtung der Rechte, eher wie eine große offizielle Farce wirkt. Es wurde nichts oder nur wenig getan, um diese unheimliche, autoritäre, faschistische Figur zu entfernen. Sie dürfen nicht ungerührt dem Verfall der Bevölkerung, der Kultur, der Politik und des Geistes in unserem Land zusehen.

Angesichts dieser historischen Tragödie müssen wir durch Wahlen dem Todestrieb der Exekutive und ihrer Helfer Einhalt gebieten. Es ist notwendig, dieser Person, die sich als geisteskrank, unwürdig, bösartig und unfähig erwiesen hat, das brasilianische Volk zu regieren, eine vernichtende Wahlniederlage zuzufügen. Er verdient es, auf legale Weise von der politischen Bühne entfernt zu werden und für seine Verbrechen zu bezahlen, damit wir endlich mit einem Minimum an gerechter und nachhaltiger Entwicklung, mit sozialem Frieden, mit offener Freude und mit kollektivem Glück leben können.

Um diese politische und ethische Sorgfalt innerhalb der Grenzen der Verfassung und der demokratischen Rechtsordnung zu erreichen, ist es meiner Meinung nach wichtig, folgende Schritte zu unternehmen:

Erstens sollte möglichst schon in der ersten Runde jemand zum Präsidenten gewählt werden, der Charisma hat, das Vertrauen der großen Mehrheiten genießt und in der Lage ist, uns aus dem dunklen Brunnen zu ziehen, in den wir gestürzt wurden. Er hat bereits bewiesen, dass er in der Lage ist, diese Erlösung zu erreichen. Seinen Namen braucht er nicht zu nennen, denn er ist bereits als Sieger aus den Wahlen hervorgegangen.

Zweitens reicht es nicht aus, einen Präsidenten mit solchen Eigenschaften zu wählen. Es ist von grundlegender Bedeutung, ihm eine zahlreiche parlamentarische Basis zu garantieren, damit die Präsidentschaftskoalition nicht die Ideale und Ziele gefährdet, die in den Ursprüngen vorhanden und einlösbar sind, wie die Option für eine Sozialpolitik, die den großen verarmten und unterdrückten Mehrheiten dient, mit Transparenz, mit der Ethik der Solidarität, beginnend mit den Schwächsten, und mit einer aktiven und stolzen Souveränität. Bündnisse mit Parteien eingehen, die mit sozialen und volksnahen Zielen übereinstimmen. Die Bündnisse werden mit Parteien geschlossen, die ähnliche Ziele und eine ähnliche öffentliche Politik verfolgen. Ebenso wichtig ist es, die Wahl von Gouverneuren und zu gegebener Zeit von Bürgermeistern und Stadträten zu gewährleisten, die in den Regionen und an der Basis die Zentralregierung mit einem Sinn für soziale Gerechtigkeit und Sorge für das Leben der Menschen und der Natur unterstützen.

Drittens und am wichtigsten ist es, die Arbeit an der Basis zu verstärken und, wo nötig, wieder aufzunehmen, indem man Volkskomitees aller Art organisiert, damit sie sich an den bereits bestehenden Organisationen beteiligen und sich mit ihnen artikulieren können, z.B. in den Bereichen Gesundheit, Bildung, Gleichstellung der Geschlechter u. a., und so ein Bürgerbewusstsein schaffen. Es reicht nicht aus, die Eingliederung in das derzeitige perverse und volksfeindliche System zu garantieren, sondern ein verändertes Bewusstsein zu schaffen, das auf eine andere Art von Gesellschaft mit partizipativer, sozialer und ökologischer Demokratie hinweist.

Diese Arbeit an der Basis ist unabdingbar, wenn wir die Bedingungen für einen Wandel schaffen wollen, der von unten kommt, und fortschrittliche und freiheitliche Bewegungen schaffen wollen, die Träume in lebensfähige, alltägliche Praktiken umsetzen. Auf dieser Ebene, in der ersten Etage, wird das Neue geprobt und die notwendige Energie für die Neugründung eines neuen Brasiliens genährt, gegen die Verlängerung der historischen Abhängigkeit, gegen den “vira-latismo”, der in den Eliten der Rückständigkeit präsent ist, und gegen das Oligopol der Medien, den ideologischen Arm der herrschenden Klasse, Erbe der Casa Grande.

Wir sind davon überzeugt, dass dieses zerstörerische Chaos vorübergehen und in ein vielversprechendes, generatives Chaos einer neuen, höheren, gerechteren, geschwisterlichen und fürsorglicheren Ordnung für alles Leben übergehen wird: kurz gesagt, eines Brasiliens, in dem wir Freude am Leben und am Zusammenleben mit der Gerechtigkeit haben werden, wo es leichter sein wird, die Liebe und Heiterkeit zu haben, die die Besten von uns auszeichnen.

Leonardo Boff Ecotheooge und Schriftsteller.

Navidad: los Herodes de ayer, de hoy y el Divino Niño

Los relatos ancestrales sobre el “Divus Puer” (el Niño Divino) adquieren siempre nuevos significados según van cambiando los tiempos y los contextos históricos. Nosotros los leemos e interpretamos con los ojos de hoy, en el contexto de una situación sombría, marcada por la muerte de millones personas en todo el mundo, y de muchos miles entre nosotros por el ataque traicionero de un virus letal. Descubrimos similitudes y pocas diferencias entre la Navidad de entonces y la de hoy. A decir verdad, en una lectura simbólica, hay ahí algo que atañe a todos los humanos.

 De un lado, tenemos a José y María, su esposa, embarazada de nueve meses. Vienen de Nazaret, del norte de Palestina, a Belén. Son pobres como la mayoría de los artesanos y campesinos mediterráneos. A las puertas de Belén, María entra en trabajo de parto: sujeta la barriga*el vientre pues  la larga caminada aceleró el proceso. Llaman a la puerta de un hospedaje. Oyen lo que oyen siempre los pobres en la historia: “no hay lugar para ustedes en la hospedería” (Lc 2,7). 

Bajan la cabeza y se alejan preocupados. ¿Cómo María va a dar a luz? En el vecindario les quedaba un establo de animales. Allí hay un pesebre con pajas, un buey y una mula que extrañamente permanecen quietos observando. Ella da a luz a un niño entre los animales. Hace frío.  Lo envuelve en pañales y lo acomoda entre las pajas. Llora como todos los recién nacidos.

Hay pastores que velan por la noche, vigilando su rebaño. Son considerados impuros y despreciados por eso, por andar siempre entre animales y sus excrementos. Sorprendentemente, una luz los envolvió una luz y escucharon desde lo Alto una voz anunciándoles: ”no temáis os anuncio una gran alegría para todo el pueblo; acaba de nacer el Salvador; esta es la señal: encontraréis un niño, envuelto en pañales, acostado en un pesebre”. Al ponerse, presurosos, en camino oyeron un cántico dulce, de muchas voces, que venía de lo Alto: “Gloria a Dios en las alturas y paz en la Tierra a los hombres amados por Dios” (Lc 2,8-18). Cuando llegaron, se confirmó todo lo que se les había anunciado: ahí está un niñito, titiritando, envuelto en pañales y acostado en un pesebre, en compañía de animales.

Algún tiempo después, vienen bajando por el camino tres sabios de Oriente. Sabían interpretar las estrellas. Llegan. Se extasían ante la misteriosidad de la situación. Identifican en el niño a aquel que iría a sanar la existencia humana herida. Se inclinan, reverentes, y dejan presentes simbólicos. Con el corazón ligero y maravillados, toman el camino de vuelta evitando la ciudad de Jerusalén, pues allí reinaba una persona terriblemente belicosa.

Lección: Dios entró en el mundo, en la noche oscura, sin que lo supiese nadie. No hay pompa ni gloria, que imaginaríamos adecuadas a un niño que es Dios. Prefirió nacer fuera de la ciudad, entre animales. No salió en la crónica de la época, ni en Jerusalén, mucho menos en Roma. Sin embargo, ahí está Aquel que el universo estaba gestando dentro de sí hace miles de millones de años, aquella “luz verdadera que ilumina a cada persona que viene a este mundo” (Jn 1,10). 

Debemos respetar y amar la forma como Dios quiso entrar en este mundo: anónimo, como anónimos son las grandes mayorías pobres y menospreciadas de la humanidad. Quiso empezar desde abajo para no dejar a nadie fuera. La situación humillada y ofendida de ellos fue la que el mismo Dios quiso hacer suya.

Pero hay también sabios y hombres estudiosos de las estrellas del universo, que captan por detrás de las apariencias el misterio de todas las cosas. Identifican en este niño que titirita de frío, moja los pañales y busca hambriento el pecho de su madre, el Sentido de Supremo de nuestro caminar y del propio universo. Para ellos también es Navidad.

Es verdad lo que se dice por ahí: “Todo niño quiere ser hombre. Todo hombre quiere ser rey. Todo rey quiere ser Dios. Sólo Dios quiso ser niño”.

Este es el lado gozoso: un rayo de luz en medio de la noche oscura. Un poco de luz es más fuerte que todas las tinieblas. De ahí nos viene la salvación, una revolución dentro de la evolución que, de forma anticipada, llegó a su plenitud. En fin…

Por otro lado, surge un escenario sombrío y también trágico. Hay un Herodes que se siente amenazado en su poder de soberano por la presencia de este niño. José, atento, pronto se da cuenta de que quiere*va mandar matar al niño. Huye hacia Egipto con María y el niño en su regazo, que duerme, busca el pecho y vuelve a dormir.

Herodes es sanguinario. Para estar seguro mandó matar a todos los niños de Belén y sus alrededores de dos años para abajo. Así el niño Jesús no escaparía. Entonces se oyó uno de los lamentos más conmovedores de todas las Escrituras: “En Ramá se oyó una voz, mucho llanto y gemidos*sollozos: es Raquel que llora a sus hijos asesinados y no quiere ser consolada porque los perdió para siempre” (Mt 2,18).

Los Herodes se perpetúan en la historia. Entre nosotros tenemos uno que no ama la vida, que se burla del virus, que no se compadece de las lágrimas y el llanto de miles de familias que perdieron hijos, hermanos, parientes y amigos. No se sienten consoladas mientras no se haga justicia.  Niega protección de la vacuna a niños y jóvenes entre 5 y 11 años. Ellos pueden contagiarse, contagiar e incluso morir. No quiere porque no quiere, a contracorriente de la ciencia y de los países que están vacunando a sus niños. Se acostumbró al negacionismo, parece haber hecho un pacto con el virus. Se oyen voces de padres y abuelos que vienen de todas partes: ”quiero la vida de mis hijos e hijas; quiero que los vacunen; quiero que vacunen a mis nietos y nietas”.

Como el faraón, endureció su corazón y alimenta el propósito asesino de Herodes. Pero habrá siempre una estrella, como la de Belén, para iluminar nuestro camino. Por más perverso que sea nuestro Herodes no puede impedir que nazca el sol cada mañana trayéndonos esperanza, aquel que es llamado “El Sol de la Esperanza”.

Es una alegría inaudita: nuestra humanidad, pobre y mortal, a partir de Navidad comenzó a pertenecer al propio Dios. Por eso algo nuestro ha sido ya eternizado por el Niño Divino, que nos garantiza que los Herodes de la muerte jamás triunfarán.

Feliz Navidad a todos con mucha luz y discreta alegría.

*Leonardo Boff es teólogo y ha escrito El Sol de la Esperanza: Navidad, historias, poesías y símbolos, Mar de Ideias, Rio 2007; Navidad: la humanidad y la jovialidad de nuestro Dios, Vozes 2009.

Natal: os Herodes de ontem, de hoje e a Divina Criança 

Os ancestrais relatos sobre o “Divus Puer”(a Criança Divina) ganham sempre novas significações consoante a mudança dos tempos e dos contextos históricos.Nós os lemos e interpretamos com os olhos de hoje, no quadro de uma situação sombria,marcada pela morte de milhões do mundo inteiro e de milhares entre nós sob o ataque traiçoeiro de um vírus letal. Descobrimos similitudes e poucas diferenças entre o Natal de outrora e de hoje.Na verdade, numa leitura simbólica, temos a ver com algo que afeta a todos os humanos.

De um lado, temos José e Maria, sua esposa, grávida de nove meses.Eles vem de Nazaré, do norte da Palestina para o sul, em Belém. São pobres como a maioria dos artesãos e camponeses mediterrâneos. Às portas de Belém, Maria entra em trabalho de parto:  segura a barriga pois a longa caminhada acelerou o processo. Batem à porta de uma hospedaria. Ouvem o que os pobres na história sempre ouvem:”não tem lugar para vocês na hospedaria”(Lc 2,7).

Abaixam a cabeça e se afastam preocupados. Como ela vai dar à luz? Sobrou-lhes, na vizinhança, uma estrebaria  de animais. Ai há uma manjedoura com palhas,  um boi e um jumento que, estranhamente, permanecem quietos, observando. Ela dá a luz a um menino entre os animais. Faz frio. Ela o envolve com panos e ajeita-o nas palhinhas. Choraminga alto como todos os recém nascidos.

Há pastores que velam à noite, vigiando o rebanho.São considerados impuros e por isso desprezados, por estarem sempre às voltas com os animais e seus excrementos. Surpreendentemente, uma luz os envolveu e escutaram do Alto uma voz lhes anunciando:”não temais anuncio-vos uma grande alegria que é para todo o povo;acaba de nascer o  Salvador; este é o sinal: encontrareis um menino envolto em panos,deitado numa manjedoura”. Ao porem-se, pressurosos, a caminho ouviram um cântico mavioso, de muitas vozes, vindo do Alto:”Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens  por Deus amados”(Lc 2,8-18). Chegam e se confirmou tudo o que lhes fora comunicado: aí está um menino, tiritando, enfaixado em panos e deitado na manjedoura,em companhia de animais.

Algum  tempo depois,eis que vem descendo o caminho, três sábios do Oriente. Sabiam interpretar as estrelas. Chegam. Extasiam-se pela misteriosidade da situação. Identificam no menino aquele que iria sanar a existência humana ferida. Inclinam-se, reverentes, e deixam presentes simbólicos. Com o coração leve e maravilhados, tomam o caminho de volta, evitando a cidade de Jerusalém, pois aí reinava uma pessoa terrivelmente belicosa.

Lição: Deus entrou no mundo, na calada da noite,sem que ninguém o soubesse. Não há pompa nem glória, que imaginaríamos adequadas a um menino que é Deus. Mas preferiu vir fora da cidade, entre animais. Não constou na crônica da época,nem em Jerusalém, muito menos em Roma. No entanto,aí está Aquele que o universo estava gestando dentro de si há bilhões de anos, aquela “luz verdadeira que ilumina cada pessoa que vem a este mundo”(Jo 1,10).

Devemos respeitar e amar a forma como Deus quis entrar neste mundo: anônimo como anônimos são as grandes maiorias pobres e menosprezadas da humanidade.Quis começar lá em baixo para não deixar ninguém de fora. A situação humilhada e ofendida deles foi aquela que o próprio Deus  quis fazer sua.

Mas há também sábios e homens estudiosos das estrelas do universo e que captam atrás das aparências o mistério de todas as coisas. Entrevem neste menino de corpinho tiritante, que molha os paninhos,choraminga e busca, faminto, o seio da mãe, o Sentido Supremo de nossa caminhada e do próprio universo.Para eles é também Natal.

É verdade o que se conta por aí: “Todo menino quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser Deus. Só Deus quis ser menino”.

Esse é um lado, alvissareiro: um raio de luz no meio da noite escura. Um pouco de luz tem mais direito que todas as trevas. Daí nos vem salvamento, uma revolução dentro da evolução que, de forma antecipada, chegou à sua plenitude. Em fim…

Mas há o outro lado, sombrio e também trágico. Há um Herodes que se sente ameaçado em seu poder de soberano pela presença deste menino. José,atento, logo se dá conta:ele quer mandar matar o menino. Foge para o Egito com Maria e o menino ao colo que dorme, busca o seio e volta a dormir.

Herodes é sanguinário. Por segurança mandou matar todas as crianças de Belém e arredores de dois anos para baixo.Assim não escaparia o menino Jesus. Então se ouviu um dos lamentos mais comoventes de todas as Escrituras:”Em Ramá se ouviu uma voz, muito choro e gemido: é Raquel que chora os filhos assassinados e não quer ser consolada porque os perdeu para sempre”(Mt 2,18).

Os Herodes se perpetuam na história. Entre nós temos um que não ama a vida, que zomba do vírus letal,que não se compadece das lágrimas e choros de milhares de famílias quer perderam filhos, irmãos, parentes e amigos. Não se sentem consoladas enquanto não se fizer justiça. Nega proteção vacinal a crianças e a jovens entre 5 a 11 anos. Eles podem ser contaminados, contaminar e até morre.Não quer porque não quer, na contramão da ciência e dos países que estão vacinando suas crianças. Acostumou-se ao negacionismo, parecendo ter feito um pacto com o vírus. Ouvem-se vozes de pais e de avós,vindas de todos os lados:”quero a vida de meus filhos e filhas; quero que os vacinem; quero que vacinem meus netos e netas”.

Como o faraó, endureceu seu coração e alimenta o propósito do Herodes do tempo do menino.Mas haverá sempre uma estrela,como a de Belém, a iluminar nossos caminhos.Por mais perverso que seja o nosso Herodes não pode impedir que o sol nasça cada manhã nos trazendo esperança, aquele que foi chamado “O Sol da Esperança”.

Essa alegria é inaudita: a nossa humanidade,fraca e mortal, a partir do Natal começou a pertencer ao próprio Deus.Por isso algo nosso já foi eternizado pelo Divino Menino que nos garante que os Herodes da morte jamais triunfarão. Feliz Natal a todos com muita luz e discreta alegria.

Leonardo Boff é teólogo e escreveu O Sol da Esperança: Natal, histórias, poesias e símbolos, Mar de Ideias, Rio 2007; Natal: a humanidade e a jovialidade de nosso Deus, Vozes 2009. Para encomendar:contato@leonardoboff.eco.br