Qual é a verdadeira Maria Madalena dos evangelhos?

                                    Prof.dr.Fernando  Altemeyer Jr.

O professsor Fernando Altemeyer Jr é um teólogo da PUC-SP que se especializou particularmente em recolher os dados mais seguros das várias igrejas, não só romano-católica, dos síndos e concilios do passado e do presente. É um exímio pesquisador. Neste artigo tira a limpo a complexa figura de Maria Madalena. É a pecadora que ungiu os pés de Jesus com um perfume precioso? É aquela que por primeiro viu o Jesus ressuscitado? É uma do grupo de mulheres que o seguiam fascinadas por sua mensagem? Quem é ela, finalmente? Altemeyer nos ajuda a tirar a limpo esta questão. LBoff

Desde tempos antigos foi feito um amálgama das três mulheres discípulas de Jesus em torno do único nome Madalena. Isso a faz viver a polaridade entre santa e pecadora como um pêndulo que ora valoriza um lado, ora outro. Quiçá sem revelar o grande amor que ela carregava em seu coração.  

A primeira expressão quer identificar Madalena com a pecadora anônima que ao final da ceia na casa do fariseu Simão, inunda de perfume os pés de Jesus, secando-os com os próprios cabelos, como lemos no relato de São Lucas 7,36-50.

A segunda mulher foi Maria de Betânia, irmã de Marta e de Lázaro, íntima de Jesus, recebendo-o em sua casa e pedindo que Jesus o fizesse retornar à vida.

A terceira mulher é propriamente Maria de Magdala, terapeuticamente curada por Jesus de muitos demônios que a habitavam, como lemos também no Evangelho de Lucas 8,2. Ela está presente na Crucifixão de Jesus e quando ele é colocado na tumba, e é ela que participa da primeira aparição do Cristo Ressuscitado no Jardim e ouve a palavra do Vivente: não me detenhas!

Ao final da idade Média e início da Idade Moderna, os teólogos discutiram se havia três mulheres distintas ou uma única mulher nos relatos dos Evangelhos ao redor da mulher de Magdala. Para os pobres, Maria Madalena sempre permanecerá pelos séculos como santa extremamente popular e próxima da vida dura das mulheres. Com o passar dos séculos, é acrescida uma quarta nova faceta: Maria, a egípcia.

Diz a legenda dos santos que após a Ascensão de Cristo aos céus, Maria Madalena, com Marta e Lázaro se dirigem para a região da Provence, na França, onde os três irmãos converteram inúmeras comunidades. Ela então se retira do mundo para fazer penitência em uma gruta em Sainte-Baume, onde permaneceu por trinta anos. Teria morrido em Aix-em-Provence, e recebido a derradeira comunhão eucarística diretamente dos anjos. Mais tarde, suas relíquias foram transferidas para a Bourgogne. Embora não existem provas documentais ou históricas de todo o seu percurso vital, é significativo que uma narrativa dos monges de Vezelay foi difundida a partir do século onze, para justificar uma vigorosa peregrinação às relíquias existentes em seu mosteiro.

O culto de Maria Madalena não ficou restrito a Provence e Bourgogne, mas se expandiu para toda a Europa. A Contrareforma contribuiu ainda mais para tal difusão, ao personificar em Maria Madalena o protótipo de quem busca o sacramento da penitência, reforçando a imagem de uma pecadora arrependida e santificada pelo amor de Jesus.

Torna-se assim a protetora e padroeira das prostitutas. Também protetora dos perfumistas e dos cabelereiros. Também patrona dos jardineiros, vinculando a aparição do Ressuscitado no Jardim.

Representações artísticas

A arte sempre mostra Madalena com sua rara beleza e cabelos longos e soltos (assemelhando-a a Maria, a egípcia). Antes de seu arrependimento diante de Jesus, ela é apresentada como mulher sedutora, próxima das imagens da deusa Vênus. Depois do conversão, é apresentada, ao contrário, em sua pobreza, vestida de forma simples e rude, ou apenas com os próprios cabelos (por exemplo, Donatello, 1455, no batistério de Florença, Itália). Sempre com as lágrimas escorrendo sobre sua face. Uma mulher nua vestida de seus cabelos perfumados. 

O atributo mais frequente e mais antigo é sempre um frasco de perfume com o qual ungiu os pés de Jesus na casa de Simão e posteriormente no Sepulcro. Posteriormente é acrescido um espelho, um crânio diante do qual ela medita na caverna de Sainte-Baume e uma coroa de espinhos. 

Maria Madalena sempre está presente nas cenas da vida e da Paixão de Cristo. Na ceia com Simão. Na visita na casa de Marta e Maria. Em ambas as cenas ela sempre está ajoelhada aos pés de Jesus. Também apresentada aos pés da Cruz. Ela faz parte das mulheres que acompanham o corpo do Jesus morto para a tumba e depois na abertura do Santo Sepulcro, em diálogo com os anjos.

A cena que teve um número grande de representações é a da aparição do Ressuscitado face-a-face para Maria Madalena. Ela o reconhece, quer tocá-lo, mais Jesus, o Cristo, ordena para que ela não o retenha (noli me tangere).

Da legenda provençal, os artistas normalmente apresentam os três santos em Marselha, em um barco sem velas nem leme. Também a penitencia de Madalena na gruta de Saint-Baume (santo creme) em geral nua coberta somente por seus cabelos, e em extase místico e visões do ceu (sete vezes por dia, anjos a transportavam para o paraíso para que ela pudesse ouvir os coros celestiais), enfim, o quadro de sua ultima comunhão eucarística recebendo a hóstia das mãos do bispo de Aix, monsenhor Maximino ou dos anjos, diretamente.

Atributos pessoais nas artes: Cabelos longos e soltos. Coroa de espinhos. Espelho. Caveira. Frasco de perfume.

Ela é proclamada como apóstola dos apóstolos.

É a que vigorosamente anuncia a rebelião da vida.

É a subversiva que nega o império da morte.

É aquela que crê no amor pessoal e uterino que vence a mentira e o medo.

Há um evangelho apócrifo com seu nome. Evangelho segundo Maria Madalena publicado pela Editora Vozes.

Dia 22/07/21 – Festa litúrgica de Santa Maria Madalena, discípula de Cristo, canonizada pelas Igrejas Católica, Ortodoxa e Anglicana. Festa principal proclamada pelo papa Francisco. Ela é a primeira a levar aos apóstolos a notícia da ressurreição de Jesus. É a primeira testemunha ocular qualificada a ver ao Jesus Ressuscitado. ο πρώτος εκφωνητής – a primeira anunciadora. É considerada a “Apóstola dos Apóstolos”, pois recebe a ordem do Senhor: “…vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para meu Pai, para meu Deus e vosso Deus”. A tradição oriental a colocou ao lado da Virgem Maria e de São João Evangelista, acompanhando-a a Éfeso. 

A igreja nasce do testemunho pascal de uma mulher. Deus seja louvado por essa escolha uterina e erótica!

Fonte bibliografica: La Bible et les saints – Guide iconographique, Flammarion. 1990.

Es preferible un ateo ético a un cristiano indiferente a los sufridores de las periferias

Leonardo Boff*

Esta frase no es mía. La ha repetido varias veces el Papa Francisco al ver cómo cristianos rechazan a refugiados famélicos y desesperados que buscan en Europa salvar sus vidas. Quien tiene a Dios en los labios pero está lejos de la sensibilidad humana y de la justicia mínima, está lejos de Dios y su Dios es más un ídolo que el Dios amante de la vida y de la ternura de los oprimidos.

Quien vive los valores de la justicia, de la solidaridad, de la compasión y del cuidado de unos a otros, incluyendo a la naturaleza, está más próximo a Dios que el piadoso que frecuenta la iglesia, hace sus rezos y comulga, pero pasa de largo ante los pobres que encuentra en la calle.

El presidente norteamericano Busch Jr usaba frecuentemente a Dios así como Bin Laden. En nombre de su Dios hicieron guerras y promovieron atentados aterradores. Era un Dios belicoso, enemigo de la vida y destructor despiadado de ciudades enteras con innumerables víctimas, particularmente niños inocentes.

Entre nosotros el presidente Jair Bolsonaro pone a Dios por encima de todo, pero en la práctica lo niega en todo momento con su odio a los negros, a los quilombolas, a los indígenas, a los homoafectivos y a sus adversarios políticos, a los que transforma de adversarios en enemigos a quienes se debe perseguir y difamar. Se ha acostumbrado a la mentira directa, a las fake news hasta el punto de que nunca sabemos cuándo dice la verdad o simplemente está diciendo otra mentira.

Lo más grave, sin embargo, es que el Dios que tiene continuamente en sus labios no le ha movido a tener un gesto de solidaridad con los miles de familias que lloran a sus seres queridos, parientes y amigos. Nunca ha visitado un hospital para ver la dramática situación de la falta de oxígeno y la muerte por asfixia de cientos de personas, como ocurrió en Amazonas. Si por lo menos hiciese una obra de misericordia que es visitar a los enfermos. Su práctica niega a Dios y le convierte en un ateo práctico, anti-ético y perverso.

El odio que destila, la falta de respeto y veneración ante la sacralidad de la vida incorpora rasgos que las Escrituras atribuyen al anti-Cristo. Es propio del anti-Cristo usar el nombre de Dios y de Jesús para engañar y seducir a las personas hacia el camino de la perversidad. Marca del anti-Cristo es su desprecio por la vida y su pulsión por la muerte.

Pero ese Dios es un ídolo porque no es posible que Dios vivo y verdadero quiera lo que él quiere. El ateísmo ético tiene razón al negar este tipo de religión con su Dios que justificó en otro tiempo las cruzadas, la caza de brujas, laInquisición, el colonialismo, la Shoah judaica y actualmente el genocidio provocado por la Covid-19, particularmente entre los indígenas y los pobres, sin protección en las grandes periferias de las ciudades.

¿Es posible aún creer en Dios en un mundo que manipula a Dios para atender a intereses perversos del poder? Sí, es posible, a condición de que seamos ateos de muchas imágenes de Dios que entran en conflicto con el Dios de la experiencia de los practicantes religiosos sinceros y consecuentes y de los puros de corazón.

Entonces la cuestión hoy es: ¿Cómo hablar de Dios, sin pasar por la religión? Porque hablar religiosamente como Jair Bolsonaro y antes Bin Laden y Busch hablaron es blasfemar de Dios.

Pero podemos hablar secularmente de Dios sin mencionar su nombre. Como bien decía el gran profeta ya fallecido, Don Casaldáliga: si un opresor dice Dios, yo le digo justicia, paz y amor, pues estos son los verdaderos nombres de Dios que él niega. Si el opresor dice justicia, paz y amor, yo le digo Dios, pues su justicia, paz y amor son falsos.

Podemos hablar secularmente de Dios a partir de un fenómeno humano que, analizado, remite a la experiencia de aquello que llamamos Dios. Pienso en el entusiasmo. En griego, entusiasmo se deriva de enthusiasmós. Esta palabra se compone de tres partes: en (en) thu (abreviación de theós=Dios), y mos (terminación de sustantivos). Entusiasmo significa, pues, tener un Dios dentro, ser tomado por una Energía singular que nos hace luchar por la vida, por los derechos y por los empobrecidos. 

Es una fuerza misteriosa que está en nosotros pero que es también mayor que nosotros. Nosotros no la poseemos, es ella la que nos posee. Estamos a merced de ella. El entusiasmo es eso, el Dios interior. Viviendo el entusiasmo, en este sentido radical, estamos vivenciando la realidad de aquello que llamamos Dios.

Esta representación es aceptable porque Dios se ha vuelto íntimo y dentro de nosotros, aunque también siempre más allá de nosotros. Bien decía Rumi, el mayor místico del Islam: “Quien ama a Dios, no tiene ninguna religión, a no ser Dios mismo”. Dios mismo no tiene religión.

En estos tiempos de idolatría oficial hay que recuperar este sentido originario y existencial de Dios. Su nombre es amor, es justicia, es solidaridad, es gratuidad, es capacidad de renunciar para el bien del otro, es tener compasión e infinita misericordia. Quien vive en esta atmósfera de valores, está sumergido en Dios. Somos habitados por el Dios interior a través del entusiasmo que da sentido a nuestras luchas. 

Sin pronunciar su nombre, lo acogemos reverentemente como entusiasmo que nos hace vivir y nos permite la alegre celebración de la vida.

Leonardo Boff es teólogo y ha escrito Experimentar a Dios hoy: la transparencia de todas las cosas, Vozes 2010.

Traducción de Mª José Gavito Milano

É preferível um ateu ético que um cristão indiferente diante do sofredores das periferias

Leonardo Boff

Essa frase não é minha. É repetida várias vezes pelo Papa Francisco ao assistir como cristãos rejeitam refugiados famélicos e desesperados buscando na Europa salvar suas vidas. Quem tem Deus nos lábios e está longe da sensibilidade humana e da justiça mínima, está longe de Deus e seu Deus é antes um ídolo do que o Deus amante da vida e da ternura dos oprimidos.

Quem vive os valores da justiça, da solidariedade,  da compaixão e do cuidado de uns para com os outros incluindo a natureza está mais próximo de Deus do que aquele piedoso que frequenta a igreja, faz suas rezas e comunga mas que passa ao largo dos pobres que encontra na rua.

O presidente norte-americano Busch Jr usava frequentemente Deus bem como Bin Laden.Em nome de seu Deus fizeram guerras e promoveram atentados aterradores. Era um Deus belicoso, inimigo da vida e impiedoso destruidor de inteiras cidades com inumeráveis vítimas, particularmente inocentes crianças.

Entre nós o presidente Jair Bolsonaro coloca Deus acima de tudo, mas nega-o praticamente a todo momento com ódio aos negros, aos quilombolas aos indígenas, aos homoafetivos e a seus adversários políticos que os transforma não em adversários mas  em inimigos a quem se deve perseguir e difamar. Acostumou-se à mentira direta, ao fake news a ponto de nunca sabermos quando diz a verdade o simplesmente diz mais uma mentira.

O mais grave, entretanto, que o Deus que continuamente tem em seus  lábios não o moveu a um gesto de solidariedade às milhares de famílias que choram seus entes queridos, parentes e amigos. Nunca visitou um hospital para ver a dramática situação da falta de oxigênio e a morte por sufocamento de centenas de pessoas como ocorreu em Amazonas .Se pelo menos fizesse uma obra de misericórdia que é visitar os enfermos. Sua prática nega Deus e o torna um ateu prático, antiético e perverso.

O ódio que destila, a falta de qualquer respeito e veneração face à sacralidade da vida incorpora traços que as Escrituras atribuem ao anti-Cristo. É próprio do anti-Cristo usar o nome de Deus e de Jesus para enganar e seduzir as pessoas para o caminho da perversidade.. Marca do anti-Cristo é seu desprezo pela vida e sua pulsão pela morte.

Mas esse Deus é um ídolo porque não é possível que o Deus vivo e verdadeiro queira o  que ele quer. O ateísmo ético tem razão ao negar esse tipo de religião com o seu Deus que justificou outrora as cruzadas, a caça às bruxas, a inquisição, o colonialismo, a Shoah judaica e atualmente o genocídio provocado pelo Covid-19, particularmente entre os indígenas e os pobres sem proteção nas grandes periferias das cidades.

É possível ainda crer em Deus num mundo que manipula Deus para atender a interesses perversos do poder? Sim, é possível, à condição de sermos ateus de muitas imagens de Deus que conflitam com o Deus da experiência dos praticantes religiosos sinceros e consequentes e dos puros de coração.

Então a questão hoje é: Como falar de Deus, sem passar pela religião? Porque falar religiosamente  como Jair Bolsonaro e antes  Bin Laden e Busch falaram é blasfemar Deus.

Mas podemos falar secularmente de Deus sem referir seu nome. Como bem dizia o grande profeta já falecido Dom Casaldáliga: se um opressor diz Deus eu lhe digo justiça, paz e amor, pois estes são os verdadeiros nomes de Deus que ele nega. Se o opressor disser justiça, paz e amor eu lhe digo Deus pois sua justiça, paz e amor são falsos.

Podemos falar secularmente de Deus a partir de um fenômeno humano que, analisado, remete à experiência daquilo que chamamos  Deus. Penso no entusiasmo. Em grego, de onde se deriva entusiasmo é enthusiasmós. Ela se compõe de três partes: en (em) thu (abreviação de theós=Deus), e mos (terminação de substantivos). Entusiasmo significa, pois, ter um Deus dentro, ser tomado por uma Energia singular que nos faz lutar pela vida, pelos direitos e pelos empobrecidos. .

É uma força misteriosa que está em nós mas que é também maior que nós. Nós não a possuímos, é ela que nos possui. Estamos à mercê dela. O entusiasmo é isso, o Deus interior. Vivendo o entusiasmo, neste sentido radical, estamos vivenciando a realidade daquilo que chamamos Deus.

Essa representação é aceitável porque Deus se tornou íntimo  e dentro de nós, embora também sempre para além de nós. Bem dizia Rumi, o maior místico do Islã: “Quem ama a Deus,  não tem nenhuma religião, a não ser Deus mesmo”. Deus mesmo não tem religião.

Nestes tempos de idolatria oficial há que se resgatar este sentido originário e existencial de Deus. Seu nome é amor, é justiça, é solidariedade, é gratuidade,é capacidade de renunciar para o bem do outro, é ter compaixão e infinita misericórdia. Quem vive nesta atmosfera de valores, está mergulhado em Deus. Somos habitados pelo Deus interior  através do entusiasmo que confere sentido às nossas lutas.

Sem pronunciar-lhe o nome, o acolhemos reverentemente como entusiasmo que nos faz viver e que nos permite a alegre celebração da vida.

Leonardo Boff é teólogo e escreveu Experimentar Deus hoje: a transparência de todas as coisas, Vozes 2010.

Wasser: Lebensquelle oder Profitquelle?Gegen die Privatisierung des Wassers.

Leonardo Boff*

Es gibt heutzutage zwei wesentliche Probleme, die die gesamte Menschheit betreffen: die globale Erwärmung und die zunehmende Verknappung des Trinkwassers. Beide erfordern tiefgreifende Veränderungen in der Art und Weise, wie wir leben, denn sie können einen Zusammenbruch unserer Zivilisation verursachen und das Lebenssystem tiefgreifend beeinflussen.                                       

Konzentrieren wir uns auf das Thema Wasser, das von großen Konzernen begehrt wird, um es zu privatisieren und riesige Gewinne zu machen. Es kann ein Grund für Kriege sein, aber auch ein Grund für soziale Solidarität und Zusammenarbeit zwischen den Völkern. Es wurde bereits gesagt, dass, wenn die Kriege des 20. Jahrhunderts um Öl geführt wurden, die Kriege des 21. Jahrhunderts um Trinkwasser geführt werden. Dennoch kann es eine zentrale Referenz für einen neuen Weltsozialpakt zwischen Völkern und Regierungen zum Überleben aller sein.

Betrachten wir die grundlegenden Fakten über Wasser. Es ist extrem reichlich vorhanden und doch gleichzeitig knapp.

Auf der Erde gibt es etwa 1,36 Milliarden Kubikkilometer Wasser. Wenn wir all dieses Wasser, das sich in den Ozeanen, Seen, Flüssen, Grundwasserleitungen und Polkappen befindet, nehmen und es gleichmäßig über eine flache Landoberfläche verteilen würden, wäre die ganze Erde drei Kilometer tief unter Wasser getaucht. 97% sind Salzwasser und 3% sind Süßwasser. Aber nur 0,7 % davon sind für den Menschen direkt nutzbar. Von diesen 0,7 Prozent gehen 70 Prozent in die Landwirtschaft, 22 Prozent in die Industrie, und der Rest wird von Mensch und Tier genutzt.

Das Wasser-Recycling liegt in der Größenordnung von 43.000 Kubikkilometern pro Jahr, während der Gesamtverbrauch auf 6.000 Kubikkilometer pro Jahr geschätzt wird. Es gibt also ein Überangebot an Wasser, aber es ist ungleich verteilt: 60% steht gerade einmal 9 Ländern zur Verfügung während in 80 anderen Ländern Knappheit herrscht. Knapp eine Milliarde Menschen verbrauchen 86 % des vorhandenen Wassers, während es für 1,4 Milliarden nicht ausreicht (2020 werden es 3 Milliarden sein) und für 2 Milliarden unbehandelt ist, was 85 % der beobachtbaren Krankheiten hervorruft. Es wird davon ausgegangen, dass bis 2032 etwa 5 Milliarden Menschen von der Wasserkrise betroffen sein werden.

Das Problem ist nicht die Knappheit des Wassers, sondern seine schlechte Bewirtschaftung und Verteilung, um den Bedarf der Menschen und anderer Lebewesen zu decken.

Brasilien ist die natürliche Wasserkraft, mit 13 % des gesamten Süßwassers auf dem Planeten, das sind 5,4 Billionen Kubikmeter. Trotz des Überflusses werden 46 % davon verschwendet, was ausreichen würde, um ganz Frankreich, Belgien, die Schweiz und Norditalien zu versorgen.

Weil es knapp ist, ist Süßwasser zu einem Gut von hohem wirtschaftlichen Wert geworden. Da wir von einer Marktwirtschaft zu einer Marktgesellschaft übergegangen sind, wird alles zu einer Ware. Aufgrund dieser “großen Transformation” (Karl Polaniy) gibt es nun einen ungebremsten globalen Wettlauf, Wasser zu privatisieren und große Gewinne zu machen. So sind multinationale Konzerne wie die französische Vivendi und Suez-Lyonnaise, die deutsche RWE, die englische Thames Water, die amerikanische Bechtel u.a. entstanden. Ein Wassermarkt mit einem Volumen von mehr als 100 Milliarden Dollar wurde geschaffen. Nestlé und Coca-Cola sind hier stark vertreten und versuchen, überall auf der Welt Quellen zu kaufen.

Die große Debatte lautet heute in diesen Begriffen: Ist Wasser eine Quelle des Lebens oder eine Quelle des Profits? Ist Wasser ein natürliches, lebensnotwendiges, gemeinsames und unersetzliches Gut oder ein Wirtschaftsgut, das als Wasserressource und Ware zu behandeln ist?

Es ist wichtig zu erkennen, dass Wasser kein Wirtschaftsgut wie jedes andere ist. Es ist so eng mit dem Leben verbunden, dass es als etwas Vitales und Heiliges verstanden werden muss. Leben kann nicht in eine Ware verwandelt werden. Es ist eines der hervorragendsten Güter im Prozess der Evolution und eine der größten göttlichen Gaben. Darüber hinaus ist Wasser mit anderen kulturellen, symbolischen und spirituellen Dimensionen verbunden, die es kostbar machen und mit Werten aufladen, die an sich unbezahlbar sind.

Um den Reichtum des Wassers zu verstehen, der über seine ökonomische Dimension hinausgeht, müssen wir mit der Diktatur der instrumental-analytischen und utilitaristischen Vernunft brechen, die der Gesellschaft als Ganzes auferlegt ist. Letztere sieht Wasser als bloße Wasserressource, mit der man Geschäfte machen kann. Es dient nur Zwecken und Nützlichkeiten. Doch die Vernunft des Menschen hat andere Funktionen. Es gibt eine uralte, sensible, emotionale, herzliche und spirituelle Vernunft, die über Zwecke und Nützlichkeit hinausgeht und mit dem Sinn des Lebens, mit Werten, mit dem symbolischen, ethischen und spirituellen Charakter des Wassers verbunden ist.

Aus dieser Perspektive erscheint Wasser als natürliches Allgemeingut, als die Quelle und der Ort, aus dem das Leben auf der Erde vor 3,8 Milliarden Jahren entstanden ist. Wasser ist ein globales öffentliches Gemeingut.  Es ist das Erbe der Biosphäre und lebenswichtig für alle Lebensformen. Leben kann ohne Wasser nicht existieren.

Offensichtlich müssen sich die Dimensionen von Wasser als Lebensquelle und als Wasserressource nicht gegenseitig ausschließen, sondern richtig aufeinander bezogen sein. Grundsätzlich gehört Wasser zu den Lebensrechten. Die UN hat am 28. Juli 2010 erklärt, dass sauberes und sicheres Wasser und sanitäre Einrichtungen ein grundlegendes Menschenrecht sind.

Aber es erfordert eine komplexe Struktur der Sammlung, Erhaltung, Aufbereitung und Verteilung, die eine unbestreitbare wirtschaftliche Dimension impliziert. Diese sollte jedoch nicht über dem anderen, nämlich dem Recht, stehen, sondern Wasser für alle zugänglich machen.

Jedem Menschen sollten mindestens 50 Liter kostenloses, sauberes Trinkwasser garantiert werden. Es ist Aufgabe der öffentlichen Hand, zusammen mit der organisierten Gesellschaft, öffentliche Mittel zu schaffen, um die Kosten zu decken, die notwendig sind, um dieses Recht für jeden zu garantieren. Die Tarife für die Dienstleistungen müssen die verschiedenen Verwendungszwecke des Wassers berücksichtigen, sei es im Haushalt, in der Industrie, in der Landwirtschaft oder im Freizeitbereich. Für die industrielle und landwirtschaftliche Nutzung ist das Wasser natürlich preispflichtig.

Die vorherrschende Marktsicht verzerrt die direkte Beziehung zwischen Wasser als Lebensquelle und Wasser als Wasserressource. Dies ist im Wesentlichen auf die Verschärfung des Privateigentums zurückzuführen, die dazu führt, dass Wasser ohne Sinn für das Teilen und die Rücksichtnahme auf die Bedürfnisse der anderen und der gesamten Lebensgemeinschaft behandelt wird. Das Prinzip der gesellschaftlichen Solidarität und der Interessengemeinschaft und des Respekts für Wassereinzugsgebiete, die die Grenzen der Nationen überschreiten, ist immer noch sehr schwach, wie es zum Beispiel zwischen der Türkei auf der einen Seite und Syrien und dem Irak auf der anderen Seite oder zwischen Israel auf der einen Seite und Jordanien und Palästina auf der anderen Seite oder sogar zwischen den USA und Mexiko um die Flüsse Rio Grande und Colorado vorkommt.

Um all diese lebenswichtigen Fragen zu diskutieren, wurde 2003 das Alternative Weltwasserforum in Florenz (Italien) ins Leben gerufen. Dort wurde die Gründung einer Weltwasserbehörde vorgeschlagen.  Sie wäre ein öffentliches, kooperatives und plurales Regierungsgremium, das sich mit Wasser auf der Ebene großer internationaler Wassereinzugsgebiete und seiner gerechteren Verteilung entsprechend dem regionalen Bedarf befassen würde.

Gleichzeitig wurde eine internationale Artikulation im Hinblick auf einen Weltwasservertrag gebildet, der, da ein Weltgesellschaftsvertrag nicht existiert, um das herum aufgebaut werden könnte, was uns alle effektiv verbindet, nämlich das Wasser, von dem das Leben der Menschen und anderer Lebewesen abhängt. In ähnlicher Weise ist jetzt, mit der Ausbreitung von Covid-19, ein Weltvertrag zum Schutz des menschlichen Lebens jenseits jeder Souveränität, die als etwas Überholtes, aus einer anderen historischen Zeit, angesehen wird, dringend notwendig.

Eine wichtige Rolle ist es, Druck auf Regierungen und Unternehmen auszuüben, damit Wasser nicht auf die Märkte gebracht oder als Handelsware betrachtet wird. Es ist wichtig, die öffentlich-private Zusammenarbeit zu fördern, um zu verhindern, dass so viele Menschen aufgrund von Wassermangel oder aufgrund von falsch behandeltem Wasser sterben.

Jeden Tag verdursten 6.000 Kinder, und etwa 18 Millionen Jungen/Mädchen können nicht zur Schule gehen, weil sie gezwungen sind, 5-10 km entfernt Wasser zu holen.

Es ist sehr wichtig, bestehende Wälder zu erhalten und so viel wie möglich wieder aufzuforsten, da sie die Beständigkeit des Wassers garantieren, die Grundwasserleitungen speisen und die globale Erwärmung abschwächen, indem sie Kohlendioxid binden und lebenswichtigen Sauerstoff produzieren.

Null Hunger in der Welt, wie es die UN-Millenniumsziele seit Jahren fordern, muss auch Null Durst beinhalten, denn Wasser ist Nahrung und ohne Wasser kann nichts leben und konsumiert werden.

Schließlich ist Wasser das Leben, Erzeuger des Lebens und eines der stärksten Symbole des ewigen Lebens, da Gott als lebendig, der Erzeuger allen Lebens und die unendliche Quelle des Lebens erscheint.

Lenardo Boff, philosoph und ökotheologe. Autor von Zukunft für die Mutter Erde.Warum wir als \krone der Schöpfung abdanken müssen, Claudius Verlag 2012.