Minha Pátria é a Terra: a promissora utopia

Leonardo Boff

Hoje vivemos tempos distópicos, carentes de inspirações utópicas. As grandes utopias do passado não cumpriram suas promessas: do iluminismo, dar instrução a todo mundo; do capitalismo, todos podem se tornar ricos; do socialismo, igualdade entre todos; do comunismo,uma sociedade sem classes; da pós-modernidade, não há narrativas universais, cada um escolhe a sua. O fato é que nenhuma sociedade, isso os antropólogos e sociólogos nos garantem, vive sem ter uma utopia, quer dizer, uma ideia forte, um sonho inspirador que dê sentido à vida das pessoas,  à sociedade e à história.

Bem dizia o escritor irlandês Oscar Wilde:”Um mapa do mundo que não inclua a utopia não é digno de ser espiado, pois ignora o único território em que a humanidade sempre atraca, partindo em seguida, para uma terra ainda melhor”.

Mas o sonho utópico nunca morre, pois é da essência do ser humano, o princípio esprança (Ernst Bloch) de estar sempre a caminho. É completo mas imperfeito, pois busca sempre melhorar sua humanidade. Tem muito de verdade a utopia de Pierre Teilhard de Chardin ainda nos idos de 1930, a irrupção lá na frente, da noosfera na qual coração e mente da humanidade chegariam a uma feliz convergência. Também a utopia que circula nas bases:”a alma não tem fronteira, nenhuma vida é estrangeira”. Ou aquela que até a TV fez circular:”minha pátria é a Terra”, utopia verdadeira.

Duas utopias viáveis foram propostas, a da Carta da Terra (2000) com sua ética do cuidado para com todos os seres e a do Papa Francisco com sua ecologia integral, “Como cuidar da Casa Comum”(2015) na qual afirma a relação de todos com todos,”com o sol e a lua, com o cedro e o o pardal”(n.86) e da “fraternidade universal” entre os humanos e com todos os seres da natureza (Fratelli tutti 2015) porquanto todos foram gerados pela Mãe Terra e possuem o mesmo código genético de base.

Quero apresentar a utopia radical de Robert Müller, por 40 anos alto funcionário da ONU e primeiro reitor Universidade da Paz fundada pela ONU em Costa Rica.Ela nos remete à utopia bíblica do “novo céu e da nova Terra”. Projetou um Novo Gênesis (cf. O nascimento de uma civilização global, Aquarius, São Paulo 1993 p,170-171):

“E Deus viu que todas as nações da Terra, negras e brancas, pobres e ricas, do Norte e do Sul, do Oriente e do Ocidente, de todos os credos, enviavam seus emissários a um grande edifício de cristal às margens do rio do Sol Nascente, na ilha de Manhattan, para juntos estudarem, juntos pensarem e juntos cuidarem do mundo e de todos os seus povos.E Deus disse:” Isso é bom”. E esse foi o primeiro dia da Nova Era da Terra.

       E Deus viu que os soldados da paz separavam os combatentes de nações em guerra, que as diferenças eram resolvidas pela negociação e pela razão e não pelas armas, e que os líderes das nações encontravam-se, trocavam ideias e uniam seus corações, suas mentes, suas almas e suas forças para o benefício de toda a humanidade.  E Deus disse:” Isso é bom.”E esse foi o segundo dia do Planeta da Paz.

E Deus viu que os seres humanos amavam a totalidade da Criação, as estrelas e o sol, o dia e a noite, o ar e os oceanos, a terra e as águas, os peixes e as aves, as flores e as plantas e todos os seus irmãos e irmãs humanos.E Deus disse:”Isso é bom.”E esse foi o terceiro dia do Planeta da Felicidade.

E Deus viu que os seres humanos eliminavam a fome, a doença, a ignorância e o sofrimento em todo o globo, proporcionando a cada pessoa humana uma vida decente, consciente e feliz, reduzindo a avidez, a força e a riqueza de uns poucos. E Deus disse:”Isto é bom.”E esse foi o quarto dia do Planeta da Justiça.

E Deus viu que os seres humanos viviam em harmonia com seu planeta e em paz com os outros, gerenciando seus recursos com sabedoria, evitando o desperdício, refreando os excessos, substituindo o ódio pelo amor, a avidez pelo contentamento, a arrogância pela humildade, a divisão pela cooperação e a suspeita pela compreensão. E Deus disse:” Isso é bom.”E esse foi o quinto dia do Planeta de Ouro.

E Deus viu que as nações destruíam  suas armas, suas bombas, seus mísseis, seus navios e aviões de guerra, desativando suas bases e desmobilizando seus exércitos, mantendo apenas policiais da paz para proteger os bons dos maus e os normais dos insanos.  E Deus disse:” Isso é bom”. E esse foi o sexto dia do Planeta da Razão.

E Deus viu que os seres humanos restauravam Deus e a pessoa humana como o Alfa e o Ômega, reduzindo instituições, crenças, políticas, governos e todas as entidades humanas a simples servidores de Deus e dos povos. E Deus os viu adotar como lei suprema:”Amarás ao Deus do Universo com todo o teu coração, com toda  tua alma, com toda atua mente e com todas as tuas forças. Amarás teu belo e miraculoso planeta e o tratarás com infinito cuidado. Amarás teus irmãos e irmãs humanos como amas a ti mesmo. Não há mandamentos maiores que estes. E Deus disse:”Isso é bom.”E esse foi o sétimo dia do Planeta de Deus“.

       Não estou seguro de que este sonho de Robert Muller seja, por ora, viável com o tipo de seres humanos que nos tornamos. Mas reinventando o ser humano – esse é o nosso desafio caso queiramos sobreviver – este sonho poderá tornar-se realidade.Pois,nunca nos cansamos de sonhar de que um dia poderemos vivenciar essa promissora utopia viável: A minha pátria é a Terra.

Leonardo Boff escreveu O doloroso parto da Mãe Terra, Vozes 2021.

MUERE GUSTAVO GUTIÉRREZ, PADRE DE LA TEOLOGÍA DE LA LIBERACIÓN

Leonardo Boff*

El 22 de octubre de este año murió en Lima, con 96 años cumplidos, el iniciador de la TEOLOGÍA DE LA LIBERACIÓN, Gustavo Gutiérrez (1928-2024).

Era un amigo entrañable, con el que colaboramos a partir de los años setenta para hacer una teología adecuada a la situación de América Latina, hecha de injusticias sociales y de pobreza humillante.

Como para todo teólogo, el centro de su indagación es Dios. En primer lugar Dios como experiencia de vida, en especial a partir el sufrimiento humano, y solo después como reflexión reverente.

El tema perturbador que le acompañó a lo largo de toda su vida era el sufrimiento. Él mismo sufrió de poliomelitis y estuvo durante años en una silla de ruedas. Después, operado, caminaba con dificultad. Era pequeño, cojo, fornido, cara de índio quechua y dotado de una inteligencia extraordinaria, creativa, llena de humor y de bellas “trouvailles” como esta: “los politicos sólo tienen en mente una intención, la segunda”. En suma, era fundamentalmente un hombre bueno, sencillo, humilde y espirituoso.

Su gran pregunta, de fondo biográfico, era: ¿cómo comprender a Dios ante el sufrimiento del inocente; cómo comprender a Jesús resucitado en un mundo donde las personas debido a la opresión mueren antes de tiempo; cómo encontrar a Dios liberador en un mundo donde falta fraternidad y solidaridad?

El mensaje cristiano no solo concierne a la vida eterna y al Reino de Dios, sino que ofrece estímulos para mejorar la vida presente, especialmente la de los pobres y oprimidos, en la convicción de que la vida eterna y el Reino de Dios ya comienzan aquí en la Tierra. Es más, el propio Jesús histórico fue un pobre y no tenía dónde reposar su cabeza. De aquí que Gustavo Gutiérrez entiende la teología como “una reflexión crítica de la práxis histórica a la luz de la Palabra de la revelación”.

El libro fundador en 1971 fue TEOLOGIA DE LA LIBERACIÓN, PERSPECTIVAS. Curiosamente, ese mismo año, sin conocernos, yo escribía JESUCRISTO EL LIBERADOR, Juan Luis Segundo en Uruguay y Segundo Galilea en Chile trabajaban también en una perspectiva de liberación. No nos conocíamos pero oíamos una llamada, creo, venida del Espíritu (Hegel diria del Weltgeist) y nosotros éramos solo meros micrófonos que realzaban el sonido de esa llamada.

El eje estructurador de este tipo de teología es la opción no excluyente por los pobres, contra la pobreza y a favor de la justicia social y de la liberación, apoyándose siempre en la tradición de los profetas y en la práctica del Jesús histórico. Bien afirmaba Gustavo: “Los pobres son los predilectos de Dios, no porque sean cristianos, religiosos o buenos, sino porque Dios, identificándose con ellos, es bueno y misericordioso”. Dios vivo opta por aquellos que menos vida tienen. Este es el fundamento teológico de la opción por los pobres, por su vida oprimida y por su liberación.

Hombre profundamente espiritual, vivió con los pobres en el barrio periférico Rimac de Lima. De esa inserción nacieron casi todas sus obras, especialmente BEBER EN SU PROPIO POZO; EL DIOS DE LA VIDA; LA FUERZA HISTÓRICA DE LOS POBRES; DÓNDE DORMIRÁN LOS POBRES; EN BUSCA DE LOS POBRES DE JESUCRISTO: EL PENSAMIENTO DE BARTOLMÉ DE LAS CASAS y otros.

Como otros teólogos de la liberación sufrió incomprensiones y persecuciones, especialmente del Cardeal de Lima, Cipriani, del Opus Dei, con la acusación de que sería una teología marxista. Esa idea era reforzada por el mayor opositor, diría que hasta perseguidor de la Teología de la Liberación, el Cardenal López Trujillo de Medellín (Colombia). Esa acusación no se sostiene, pero siempre se le ha hecho a todos los que, como Dom Helder Câmara, entienden la situación de los pobres como víctimas de una sociedad de injusticias y de explotación que demanda una transformación histórico-social.

En América Latina se extendió el concepto de pobre a los indígenas, los negros, las mujeres, pobres económicos, culturales y de otra opción sexual. Así surgieron las distintas vertientes de la Teología de la liberación. Para cada grupo específico, su método adecuado y su correspondiente liberación. El método es siempre: ver la realidad sufriente; juzgar con medios científicos y a la luz de la fe; actuar para transformar esa antirealidad, teniendo como protagonistas principales a los propios oprimidos.

De ahí la liberación a partir de la fe. Marx nunca fue padre ni padrino de la Teología de la Liberación como la acusan, sin fundamento, algunos todavía hoy. Su inspiración se encuentra en las fuentes de la fe cristiana, en las Escrituras y en la tradición de figuras como San Francisco de Asís, San Vicente de Paúl y otros que dieron centralidad a los pobres.

Por su seriedad recibió innumerables premios y títulos de doctor honoris causa. No daba importancia a estos reconocimientos, pues se situaba siempre en el lugar de origen, la pobreza y los pobres con los cuales compartía la vida.

El Papa Francisco lo recibió en Roma, en un gesto de reconocimiento de su reflexión como una riqueza para toda la Iglesia. En sus exequias, el Papa envió este breve mensaje:

Hoy pienso en Gustavo Gutiérrez, un grande, un hombre de Iglesia que supo estar callado cuando tenía que estar callado, supo sufrir cuando le tocó sufrir, supo llevar adelante tanto fruto apostólico y tanta teología rica. Que en paz descanse”.

Nosotros que lo conocimos en su trabajo y en su día-a-día damos testimonio de que vivió y murió con claras señales de santidad personal. Y le echaremos mucho de menos.

Traducción de Mªjosé Gavito Milano

GUSTAVO GUTIÉRREZ, VATER DER BEFREIUNGSTHEOLOGIE, IST GESTORBEN

Leonardo Boff

Am 22. Oktober dieses Jahres ist der Begründer der BEFREIUNGSTHEOLOGIE, Gustavo Gutiérrez (1928-2024), im Alter von 96 Jahren in Lima gestorben.

Er war ein enger Freund, mit dem wir seit den 1970er Jahren zusammenarbeiteten, um eine Theologie zu entwickeln, die der Situation in Lateinamerika, die von sozialer Ungerechtigkeit und erniedrigender Armut geprägt ist, angemessen ist.

Wie jeder Theologe steht Gott im Mittelpunkt seiner Betrachtung. Aber zuerst Gott als Lebenserfahrung, besonders unter dem Gesichtspunkt des menschlichen Leidens, und erst dann als ehrfürchtige Reflexion.

Das beunruhigende Thema, das ihn sein ganzes Leben lang begleitete, war das Leiden. Er selbst litt an Kinderlähmung und war jahrelang an den Rollstuhl gefesselt. Nach einer Operation konnte er nur noch mit Mühe gehen. Er war klein, lahm, stämmig, mit dem Gesicht eines Quechua-Indianers und ausgestattet mit einer außergewöhnlichen, kreativen Intelligenz, voller Humor und schöner „Trouvaillen“ wie dieser: „Die Politiker denken nur an eine Absicht, nämlich die zweite“, kurzum, er war im Grunde ein guter, einfacher, bescheidener und geistreicher Mensch.

Seine große Frage mit biografischem Hintergrund lautete: Wie kann man Gott angesichts des Leidens der Unschuldigen verstehen; wie kann man den auferstandenen Jesus in einer Welt verstehen, in der Menschen aufgrund von Unterdrückung vor ihrer Zeit sterben; wie kann man den befreienden Gott in einer Welt finden, in der es an Geschwisterlichkeit und Solidarität fehlt?

Die christliche Botschaft betrifft nicht nur das ewige Leben und das Reich Gottes, sondern bietet auch Anreize, das gegenwärtige Leben zu verbessern, insbesondere das der Armen und Unterdrückten, in der Überzeugung, dass das ewige Leben und das Reich Gottes bereits hier auf Erden beginnen. Darüber hinaus war der historische Jesus selbst arm und hatte kein Dach über dem Kopf. Daher versteht Gutiérrez die Theologie als „kritische Reflexion der historischen Praxis im Licht des Wortes der Offenbarung“.

Das Gründungsbuch von 1971 war THEOLOGIE DER BEFREIUNG, PERSPEKTIVEN. Kurioserweise schrieb ich im selben Jahr, ohne dass wir uns kannten, JESUS CHRISTUS DER BEFREIER, und Juan Luis Segundo in Uruguay und Segundo Galea in Chile arbeiteten ebenfalls aus einer Befreiungsperspektive. Wir kannten einander nicht, aber wir hörten einen Ruf, der, wie ich glaube, vom Geist kam (Hegel würde sagen, vom Weltgeist), und wir waren lediglich die Mikrofone, die den Klang dieses Rufs unterstrichen.

Die strukturierende Achse dieser Art von Theologie ist die nicht-exklusive Option für die Armen, gegen die Armut und für soziale Gerechtigkeit und Befreiung. Sie stützt sich immer auf die Tradition der Propheten und die Praxis des historischen Jesus. Gustavo hat es gut ausgedrückt: „Die Armen sind Gottes Lieblinge, nicht weil sie christlich, religiös oder gut sind, sondern weil Gott, der sich mit ihnen identifiziert, gut und barmherzig ist“. Der lebendige Gott wählt diejenigen aus, die das geringste Leben haben. Dies ist die theologische Grundlage der Option für die Armen, für ihr unterdrücktes Leben und für ihre Befreiung.

Als zutiefst spiritueller Mann lebte er mit den Armen im Randviertel Rimac von Lima. Fast alle seine Werke sind aus dieser Einfügung entstanden, insbesondere TRINKEN AUS DEM EIGENEN BRUNNEN; DER GOTT DES LEBENS; Die historische Stärke der Armen; WO DIE ARMEN SCHLAFEN WERDEN; AUF DER SUCHE NACH DEN ARMEN JESU CHRISTI: DER GEDANKE VON BARTOLMEU DE LAS CASAS u. a.

Wie andere Befreiungstheologen stieß er auf Unverständnis und Verfolgung, insbesondere durch den Kardinal von Lima, Cipriani, vom Opus Dei, mit der Anschuldigung, es handele sich um eine marxistische Theologie. Diese Vorstellung wurde durch den größten Gegner, ja Verfolger der Befreiungstheologie, Kardinal Lopez Trujillo de Medellin in Kolumbien, noch verstärkt. Dieser Vorwurf ist nicht haltbar und wurde immer gegen diejenigen erhoben, die wie Dom Helder Câmara die Situation der Armen als Opfer einer Gesellschaft der Ungerechtigkeit und Ausbeutung sehen, die eine historische und soziale Umgestaltung erfordert. In Lateinamerika wurde der Begriff der Armen auf Indigene, Schwarze, Frauen, wirtschaftlich Arme, kulturell Arme und Menschen mit anderer sexueller Orientierung ausgeweitet. So sind die verschiedenen Strömungen der Befreiungstheologie entstanden. Für jede spezifische Gruppe gibt es eine geeignete Methode und die entsprechende Befreiung. Die Methode ist immer die folgende: die leidende Realität sehen; mit wissenschaftlichen Mitteln und im Lichte des Glaubens urteilen; handeln, um diese Anti-Realität zu verändern, wobei die Unterdrückten selbst die Hauptakteure sind.

Daher Befreiung durch Glauben. Marx war nie der Vater oder Pate der Befreiungstheologie, wie manche ihr auch heute noch haltlos vorwerfen. Ihre Inspiration findet sich in den Quellen des christlichen Glaubens, in der Heiligen Schrift und in der Tradition von Persönlichkeiten wie dem Heiligen Franziskus von Assisi, dem Heiligen Vinzenz von Paul und anderen, die den Armen den Mittelpunkt einräumten.

Für seine Ernsthaftigkeit erhielt er zahlreiche Auszeichnungen und Ehrendoktorwürden. Er legte keinen Wert auf diese Anerkennungen, da er sich immer auf seinen Herkunftsort, die Armut und die Armen, mit denen er sein Leben teilte, besann.

Papst Franziskus empfing ihn in Rom als Geste der Anerkennung für seine Überlegungen, die für die ganze Kirche von großem Wert sind. Anlässlich der Beerdigung sandte der Papst diese kurze Botschaft: „Heute denke ich an Gustavo Gutiérrez, einen großen Mann, einen Mann der Kirche, der es verstand, still zu sein, wenn er still sein musste, der es verstand, zu leiden, wenn er an der Reihe war zu leiden, der es verstand, so viel apostolische Frucht und so viel reiche Theologie weiterzugeben. Möge er in Frieden ruhen“.

Wir, die wir ihn in seiner Arbeit und in seinem täglichen Leben kannten, bezeugen, dass er mit deutlichen Zeichen persönlicher Heiligkeit lebte und starb. Und wir werden ihn sehr vermissen.

Leonardo Boff


Übersetzung von Bettina Gldhartnack

È MORTO GUSTAVO GUTIÉRREZ, PADRE DELLA TEOLOGIA DELLA LIBERAZIONE

Leonardo Boff

Il 22 ottobre di quest’anno è morto a Lima, all’età di 96 anni, l’iniziatore della TEOLOGIA DELLA LIBERAZIONE, Gustavo Gutiérrez (1928-2024).

Era un amico intimo con il quale insieme abbiamo collaborato, a partire dagli anni ’70, per creare una teologia adeguata alla situazione dell’America Latina, piena di ingiustizie sociali e di povertà degradante.

Come per ogni teologo, il centro della sua indagine è Dio. Ma Dio innanzitutto come esperienza di vita, specialmente a partire dalla sofferenza umana e, solo dopo, come riflessione riverente.

Il tema inquietante che lo ha sempre accompagnato per tutta la vita è stata la sofferenza. Lui stesso soffriva di poliomielite, rimanendo per anni su una sedia a rotelle. Dopo l’intervento chirurgico camminava con difficoltà. Era piccolo, zoppo, rude, con la faccia da indio quechua e dotato di un’intelligenza straordinaria, creativa, piena di umorismo e di belle “trouvailles” come questa: “i politici pensano solo a un’intenzione, cioè alla seconda”. Insomma, era fondamentalmente un uomo buono, semplice, umile e spiritoso.

La sua grande domanda, a sfondo biografico, era: come comprendere Dio di fronte alla sofferenza degli innocenti; come comprendere Gesù risorto in un mondo in cui le persone muoiono prematuramente a causa dell’oppressione; come incontrare il Dio liberatore in un mondo dove mancano fraternità e solidarietà?

Il messaggio cristiano non riguarda solo la vita eterna e il Regno di Dio, ma offre stimoli per migliorare la vita presente, soprattutto quella dei poveri e degli oppressi, nella convinzione che la vita eterna e il Regno di Dio già iniziano qui sulla Terra. In più lo stesso Gesù storico era un povero e non aveva dove posare il capo. Da qui Gutiérrez intende la teologia come “una riflessione critica della prassi storica alla luce della Parola della rivelazione”.

Il libro fondatore fu «TEOLOGIA DELLA LIBERAZIONE, PROSPETTIVE» del 1971. Curiosamente, in quello stesso anno, senza che ci conoscessimo, io scrivevo «JESUS ​​​​CHRIST LIBERTADOR», anche Juan Luis Segundo in Uruguay e Segundo Galea in Cile lavoravano in una prospettiva di liberazione. Noi non ci conoscevamo, ma sentivamo una chiamata, credo, proveniente dallo Spirito (Hegel direbbe dal Weltgeist) e noi eravamo appena i semplici microfoni che evidenziavano il suono di questa chiamata.

L’asse strutturante di questo tipo di teologia è l’opzione non esclusiva per i poveri, contro la povertà e a favore della giustizia sociale e della liberazione. Affidandosi sempre alla tradizione dei profeti e alla pratica del Gesù storico. Gustavo bene affermava: “I poveri sono i prediletti di Dio non perché sono cristiani, religiosi o buoni, ma perché Dio, identificandosi con loro, è buono e misericordioso”. Il Dio vivo opta per quelli che dispongono di meno vita. Questo è il fondamento teologico dell’opzione per i poveri, per la loro vita oppressa e per la loro liberazione.

Uomo profondamente spirituale, visse con i poveri nel quartiere periferico Rimac di Lima. Da questo inserimento sono nate quasi tutte le sue opere, specie «BERE AL PROPRIO POZZO»; «IL DIO DELLA VITA»; «LA FORZA STORICA DEI POVERI»; «DOVE DORMIRANNO I POVERI»; «ALLA RICERCA DEI POVERI DI GESÙ CRISTO»; «IL PENSIERO DI BARTOLOMÉ DE LAS CASAS» e altri.

Come altri teologi della liberazione, ha sofferto incomprensioni e persecuzioni, specialmente da parte del cardinale di Lima, Cipriani, dell’Opus Deus, con l’accusa che si trattasse di una teologia marxista. Questa idea era rafforzata dal più grande oppositore, direi persino, persecutore della Teologia della Liberazione, il cardinale Lopez Trujillo di Medellin in Colombia. Questa accusa non è sostenibile ed è sempre stata rivolta contro tutti coloro, come Dom Helder Câmara, che collocano la situazione dei poveri come vittime di una società di ingiustizia e di sfruttamento che richiede una trasformazione storico-sociale. In America Latina si è esteso il concetto di povero fino a includere gli indigeni, i neri, le donne, i poveri per ragioni economiche, culturali e per altri orientamenti sessuali. Così sono emerse le varie correnti della Teologia della Liberazione. Per ogni gruppo specifico, il suo metodo adeguato e la sua corrispondente liberazione. Il metodo è sempre questo: vedere la realtà sofferente: giudicare con mezzi scientifici e alla luce della fede; agire per trasformare questa anti-realtà, avendo come protagonisti principali gli stessi oppressi.

Da qui la liberazione a partire dalla fede. Marx non è mai stato il padre o il padrino della Teologia della Liberazione, come alcuni la accusano ancora oggi, senza fondamento. La sua ispirazione si incontra nelle fonti della fede cristiana, nelle Scritture e nella tradizione di figure come San Francesco d’Assisi, San Vincenzo di Paola e altri che hanno dato centralità ai poveri.

Per la sua serietà ha ricevuto numerosi premi e titoli di dottore honoris causa. Non dava importanza a questi riconoscimenti, collocandosi sempre nel luogo d’origine, nella povertà e tra i poveri con cui condivideva la vita.

Papa Francesco lo ha ricevuto a Roma come gesto di riconoscimento per la sua riflessione, che rappresenta una ricchezza per tutta la Chiesa. In occasione delle esequie, il Papa ha inviato questo breve messaggio: «Oggi penso a Gustavo Gutiérrez, un grande, un uomo di Chiesa che ha saputo stare in silenzio quando doveva tacere, che ha saputo soffrire quando gli è toccata la sofferenza, che ha saputo portare avanti tanto frutto apostolico e tanta meravigliosa teologia. Che riposi in pace.

Noi che lo abbiamo conosciuto nel suo lavoro e nella sua quotidianità testimoniamo che egli è vissuto e morto con chiari segni di santità personale. E di lui conserveremo molta saudade.

Traduzione di Gianni Alioti