O caos atual destrutivo e o caos generativo como saída salvadora

                           Leonardo Boff

Inegavelmente vivemos uma conjunção de crises de toda ordem. São tantas que nem precisamos citá-las. Numa palavra, estamos vivendo uma situação de grande caos.

Já há muitos anos, cientistas vindos das ciências da vida e do  universo começaram a trabalhar com a categoria do caos. Este se apresenta como destrutivo de uma ordem dada e como generativo de uma nova ordem escondida dentro da destrutiva que forceja por nascer.

Realizemos este percurso: inicialmente pensava-se que o universo era estático e regulado por leis determinísticas. Até o próprio Einstein comungava inicialmente desta visão.

Mas tudo começou a mudar quando um cosmólogo amador Hubble em 1924 comprovou que o universo não era estático mas se encontrava em expansão e em rota de fuga, para uma direção por nos indecifrável. Mais tarde, cientistas perceberam uma onda de baixíssima intensidade e permanente,vindo de todas as partes. Seria o último eco do big bang ocorrido por  volta de 13,7 bilhões de anos atrás. Aqui estaria a origem do universo.

Neste contexto da evolução que se mostra não linear mas que dá saltos para frente e para cima, ganhou centralidade o conceito de caos. O big bang representaria um incomensurável caos. A evolução teria surgido para pôr ordem  nesse caos originário, criando ordens novas: a miríade de corpos celestes, as galáxias, as estrelas e os planetas.

O fenômeno do caos resultou da observação de fenômenos aleatórios como a formação das nuvens e particularmente o que se veio chamar de efeito borboleta. Quer dizer: pequenas modificações iniciais, como farfalhar das asas de uma borboleta no Brasil, podem provocar, no final um efeito totalmente diferente como uma tempestade sobre Nova York.

Isso porque todos os elementos estão interligados, tudo está relacionado com tudo e podem complexificar-se de forma surpreendente. Fez-se a constatação da crescente complexidade de todos os fatores que estão na raiz da emergência da vida e em  ordens de vida cada vez mais altas (cf. J.Gleick Caos: criação de uma nova ciência,1989).

O sentido é este: dentro do caos  se escondem virtualidades de um outro tipo de ordem. E vice-versa, por detrás da ordem se escondem dimensões de caos. Ilya Progrine (1917-1993), prêmio Nobel de Química em 1977, estudou particularmente as condições que permitem a emergência da vida a partir do caos.

Segundo este grande cientista,  sempre que exisitir um sistema aberto, sempre que houver uma situação de caos (portanto, fora  do equilíbrio) e se constatar a conectividade entre as partes, gera-se uma nova ordem (cf. Order out of Chaos,1984). No caso, a nova ordem emergente seria a vida ou uma forma nova de organizar a sociedade.

Ainda segundo Ilya Prigogine, existem no seio da vida estruturas dissipativas, num duplo sentido: elas demandam muita energia e assim  dissipam esta energia em forma de rejeitos; por outro lado estas estruturas dissipam a entropia e fazem dos rejeitos, base para outras formas de vida. Nada se perde. Tudo se recompõe e gera a possibilidade de novas formas de vida e eventualmente de sociedades.Isso indefinidamente,como processo da evolução.

Tentemos aplicar esta compreensão ao destrutivo caos atual. Ninguém pode dizer que ordem pode surgir,escondida dentro desse caos.  Apenas sabemos que uma ordem diferente, dadas certas condições socio-históricas, pode irromper. Quem vai desentranhá-la e assim  superar o caos destrutivo?

O que de certo podemos dizer é que a atual ordem caótica imperante no mundo não oferece nenhum subsídio para superar o caos. Ao contrário, ao levá-lo avante, pode nos conduzir a um caminho sem retorno. O resultado final seria o abismo. Bem notava Albert Einstein:”a ideia que criou crise (diríamos o caos), não será a mesma que nos tirará dela; temos que mudar”.

Quando a humanidade se confronta com fundamentais situações caóticas que podem ameaçar sua existência – creio que estamos dentro delas – não lhe resta outro caminho  senão mudar. Estimo que para esta mudança não nos resta outro caminho melhor senão consultar a nossa própria natureza humana. Embora contraditória (sapiente e demente) ela se caracteriza por ser um projeto infinito, carregado de potencialidades.Dentro destas potencialidades podem se identificar elementos de uma ordem diferente e melhor.

Esta se fundará,necessariamente, numa nova relação para com a natureza, afetiva e respeitosa,sentindo-se parte dela; no amor que pertence ao nosso DNA; na solidariedade que permitiu o salto da animalidade para a humanidade; na fraternidade universal,baseada no mesmo código genético, presente em todos os seres vivos; no cultivo do mundo do espírito que também pertence à essência do ser humano. Este nos torna cooperativos e compassivos e nos revela que somos um nó de relações voltadas em todas as direções até para com Aquele Ser que faz ser todos os seres. Assim sairíamos do caos destrutivos rumo ao caos generativo.

Esses seriam alguns elementos, entre muitos outros aqui não referidos, que poderiam fundar uma nova ordem e forma de habitar amigavelmente o planeta Terra, tido como Casa Comum, a natureza incluída. E assim estaríamos salvos  por ter superado o caos destrutivo rumo um caos generativo com um outro horizonte de vida e de futuro civilizatório.

Leonardo Boff é ecoteólogo e filósofo e escreveu Cuidar da Casa Comum: pistas para protelar o fim do mund

Apokalyptische Zeiten, sind es die unseren?

Ich bin nicht apokalyptisch. Was apokalyptisch ist, sind unsere Zeiten. Die Anhäufung von Tragödien in der Natur, die verheerenden Kriege mit dem Völkermord an Tausenden unschuldiger Kinder, der Zusammenbruch der Ethik, die Erstickung des Anstands in den politischen Beziehungen, die Erstickung grundlegender menschlicher Werte, die Offizialisierung der Lüge in den virtuellen Medien, die Diktatur der materialistischen Kultur des Kapitals mit der daraus folgenden Verbannung der dem Menschen innewohnenden spirituellen Dimension lassen uns denken: Könnte es sein, dass die biblischen Propheten Recht haben, wenn sie von apokalyptischen Zeiten schreiben? Wir wissen aus der Exegese, dass Prophezeiungen nicht den Anspruch erheben, künftiges Unglück vorherzusagen. Sie zielen darauf ab, Tendenzen aufzuzeigen, die, wenn sie nicht gestoppt werden, zu den vorhergesagten Unglücken führen werden.

Ein erschreckender Text in der jüdisch-christlichen Bibel hat mich schon immer beeindruckt. Welche Art von Erfahrung hat den Autor dazu gebracht, das zu schreiben, was er geschrieben hat? Ich glaube, dass vielen Menschen heute etwas Ähnliches durch den Kopf geht. In dem Text heißt es:

Der Herr sah, dass die Bosheit der Menschen auf der Erde groß war und dass alle Absichten ihres Herzens immer nur böse waren. Und es reute den Herrn, dass er den Menschen auf Erden gemacht hatte, und es bekümmerte ihn in seinem Herzen. Und der Herr sprach: Ich will den Menschen, den ich geschaffen habe, vom Erdboden vertilgen und mit dem Menschen auch das Vieh und die Kriechtiere und die Vögel des Himmels; denn es reut mich, dass ich sie gemacht habe“ (Gen 6, 5-8). Würde das Böse, das in der weiten Welt wütet, diese Überlegung nicht rechtfertigen?

Ich würde auch den apokalyptischen Text des Evangelisten Matthäus hinzufügen: „Und ihr werdet hören von Kriegen und Kriegslärm. Seht zu, dass ihr euch nicht erschreckt; denn es muss geschehen, aber es ist noch nicht das Ende. Denn es wird sich ein Volk gegen das andere erheben und ein Königreich gegen das andere; es wird Hungersnöte und Erdbeben geben an verschiedenen Orten; aber das alles ist erst der Anfang der Leiden“ (Mt 24,6-8). Treten ähnliche Phänomene nicht auch auf planetarischer Ebene auf?

Es scheint, dass die vier Reiter der Apokalypse mit ihren zerstörerischen Hyänen frei herumlaufen: Das erste weiße Pferd nimmt die Gestalt Christi an, um so viele Menschen wie möglich zu täuschen. Jesus antwortete ihnen: „Seht zu, dass euch niemand verführt! Denn es werden viele kommen in meinem Namen und sagen: Ich bin der Christus, und werden viele verführen“ (Mt 24, 4-5). Johannes stellt in seinem ersten Brief fest, dass es „[…] in der Tat viele Antichristen gibt […] Sie sind von uns ausgegangen, aber sie waren nicht von uns; wenn sie von uns gewesen wären, wären sie bei uns geblieben […]“ (Jh 2,18-19). Heute wimmelt es in unserer Mitte von Christusverkündern, die Scharen in ihren Tempeln versammeln und das Gegenteil von dem predigen, was Christus gepredigt hat: Hass, Verleumdung und Verteufelung des Nächsten.

Das andere Feuerpferd symbolisiert den Krieg, in dem sie sich gegenseitig die Kehle aufschlitzen. Heute gibt es etwa 18 Kriegsschauplätze mit einer großen Dezimierung von Menschenleben.

Das dritte schwarze Pferd symbolisiert Hungersnot und Pest. Wir wurden von der Plage des Coronavirus heimgesucht, jetzt von Dengue, von der Grippe, die Millionen von Menschen krank macht.

Und schließlich das grünliche Pferd, dessen Farbe den Tod symbolisiert (die Farbe eines Leichnams), der heute auf unzählige Arten und Weisen Millionen erntet (Offb 6,1-8).

Heute brauchen wir kein Eingreifen Gottes, um dieser unheilvollen Geschichte ein Ende zu setzen. Wir selbst haben das Prinzip der Selbstzerstörung mit chemischen, biologischen und atomaren Waffen geschaffen, die die gesamte Menschheit und auch die Natur mit ihren Tieren, Reptilien und Vögeln der Lüfte dezimieren.

Dies sagte einst Michail Gorbatschow, und ich hörte es persönlich zusammen mit der großen argentinischen Sängerin Mercedes Soza (la Negra) bei einem Treffen zur Erdcharta, das er koordinierte. Eine solch beängstigende Rede eines Staatschefs, der über Hunderte von Atomsprengköpfen und alle Arten von tödlichen Waffen verfügt, erinnert mich an das, was einer der größten Historiker des letzten Jahrhunderts, Arnold Toynbee, in seiner Autobiographie als Reaktion auf den Abwurf der Atombombe auf Hiroshima gestand: „[…] Ich habe erlebt, wie das Ende der menschlichen Geschichte zu einer realen Möglichkeit wurde, die nicht durch einen Akt Gottes, sondern durch den Menschen in die Tat umgesetzt werden kann“ (Experiência, Vozes 1970, S.422). Ja, das Schicksal des Lebens liegt in unserer Hand. Sollte es zu einer Eskalation kommen und strategische Atomsprengköpfe zum Einsatz kommen, würde dies das Ende der menschlichen Spezies und des Lebens bedeuten.

Neben der nuklearen Bedrohung, die manche angesichts des Krieges Russlands mit der Ukraine und der Drohung Putins, taktische Atomwaffen einzusetzen, für unmittelbar bevorstehend halten, gibt es noch den Notfall des Klimawandels. Bei uns [in Brasilien] im Rio Grande do Sul, in Europa, in Afghanistan und anderswo hat es verheerende Überschwemmungen gegeben, die ganze Städte von der Landkarte verschwinden ließen. Der neuseeländische Wissenschaftler James Renwick von der University of Victoria stellt fest: „Der Klimawandel ist die größte Bedrohung, der die Menschheit je ausgesetzt war, und hat das Potenzial, unser soziales Gefüge und unsere Lebensweise zu zerstören. Er hat das Potenzial, Milliarden von Menschen zu töten, durch Hunger, Kriege um Ressourcen und die Vertreibung der Betroffenen“.

Was können wir erwarten? Alles. Unseren Untergang aufgrund unserer Trägheit oder den Einbruch eines neuen Bewusstseins, das sich für das Überleben entscheidet, mit Sorgfalt und einer emotionalen Verbindung zu Mutter Erde. Der bekannte Ökonom und Ökologe Nicolas Georgescu-Roegen vermutete, dass „das Schicksal des Menschen vielleicht darin besteht, ein kurzes, aber fieberhaftes, aufregendes und extravagantes Leben zu führen, anstatt ein langes, vegetatives und eintöniges. In diesem Fall werden andere Spezies ohne spirituelle Ansprüche, wie Amöben [Parasiten], eine Erde erben, die noch lange Zeit in der Fülle des Sonnenlichts gebadet wird“ (The Promethean Destiny, N. York: Pinquin Books 1987, S. 103).

Christen sind optimistisch: Sie glauben an diese Botschaft aus der Offenbarung: „Und ich sah einen neuen Himmel und eine neue Erde; denn der alte Himmel und die alte Erde waren vergangen, und das Meer war nicht mehr. Und ich sah auch die heilige Stadt, das neue Jerusalem, von Gott aus dem Himmel herabkommen, bereit wie eine geschmückte Braut für ihren Mann. Und ich hörte eine gewaltige Stimme, die vom Thron herabkam und sagte: „Siehe, das Zelt Gottes bei den Menschen! Er wird bei ihnen wohnen, und sie werden sein Volk sein, und er wird der Gott bei ihnen sein, ihr Gott. Und er wird abwischen alle Tränen von ihren Augen, und der Tod wird nicht mehr sein, noch Leid, noch Geschrei, noch Schmerz wird mehr sein; denn das Erste ist vergangen“ (Offb 21,1-4).

Wir müssen wie Abraham sein, der „gegen alle Hoffnung an die Hoffnung geglaubt hat“ (Röm 4,18), denn „die Hoffnung enttäuscht nicht“ (Röm 5,4). Das ist es, was uns bleibt: die zuversichtliche Hoffnung und, im positiven Sinne, die ständige Hoffnung [o esperançar].

Leonardo Boff Öcotheologe Philosoph shrieb Die Erde ist uns anvertraut, Butxo&Berker 2010.

Autor von: O homem: Satã ou Anjo bom, Record 2008; Sol da esperança, Mar de Ideias, Rio 2007.

Tempi apocalittici, i nostri?

Leonardo Boff

Non sono apocalittico. Ad essere apocalittici sono i nostri tempi. L’accumulo di tragedie che accadono nella natura, le guerre di grande devastazione con il genocidio di migliaia di bambini innocenti, il collasso dell’etica, il soffocamento della decenza nelle relazioni politiche, l’asfissia dei valori umani fondamentali, l’ufficializzazione della menzogna nei mezzi di comunicazione virtuale, la dittatura della cultura materialista del capitale con il conseguente esilio della dimensione spirituale, insita nell’essere umano, ci inducono a pensare: sarà che i profeti biblici abbiano ragione quando scrivono di tempi apocalittici? Sappiamo esegeticamente che le profezie non pretendono anticipare le disgrazie future. Mirano a evidenziare le tendenze che, se non fermate, porteranno alle disgrazie annunciate.

Sono sempre rimasto impressionato da un testo spaventoso, incluso nella Bibbia giudaico-cristiana. Che tipo di esperienza ha portato il suo autore a scrivere ciò che ha scritto? Credo che qualcosa di simile stia attraversando la mente di molte persone oggi. Il testo dice: «Il Signore vide che la malvagità degli uomini era grande sulla terra e che ogni intimo intento del loro cuore non era altro che male, sempre. E il Signore si pentì di aver fatto l’uomo sulla terra e se ne addolorò in cuor suo. Il Signore disse: “Cancellerò dalla faccia della terra l’uomo che ho creato e, con l’uomo, anche il bestiame e i rettili e gli uccelli del cielo, perché sono pentito di averli fatti» (Genesi 6, 5-8). Il male che imperversa nel vasto mondo non giustificherebbe questa considerazione?

Aggiungerei anche il testo apocalittico raccolto dall’evangelista San Matteo: «E sentirete di guerre e di rumori di guerre. Guardate di non allarmarvi, perché deve avvenire, ma non è ancora la fine. Si solleverà infatti nazione contro nazione e regno contro regno; vi saranno carestie e terremoti in vari luoghi: ma tutto questo è solo l’inizio dei dolori» (Vangelo di Matteo 24, 6-8). Fenomeni simili non si verificano attualmente a livello planetario?

Sembra che i quattro cavalieri dell’Apocalisse, con le loro iene distruttrici, siano sciolti: Il primo cavallo bianco assume la figura di Cristo per ingannare il maggior numero di persone. «Gesù rispose loro: “Badate che nessuno vi inganni! Molti infatti verranno nel mio nome, dicendo: “Io sono il Cristo”, e trarranno molti in inganno» (Vangelo di Matteo 24, 4-5). San Giovanni nella sua Prima Epistola sostiene che ci sono «[…] di fatto molti anticristi […] Sono usciti da noi, ma non erano dei nostri; se fossero stati dei nostri, sarebbero rimasti con noi […]» (Vangelo di Giovanni 2,18-19). Oggi, in mezzo a noi, pullulano quelli che annunciano Cristo, radunano moltitudini nei loro templi e predicano il contrario di ciò che Cristo ha predicato: l’odio, la diffamazione e la satanizzazione del prossimo.

L’altro cavallo di fuoco simboleggia la guerra, nella quale si tagliavano la gola a vicenda. Oggi ci sono circa 18 luoghi di guerra con grande decimazione di vite umane.

Il terzo cavallo nero simboleggia la carestia e la peste. Siamo stati visitati dalla peste del coronavirus, ora dal dengue, dall’influenza che porta malattie a milioni di persone.

Infine il cavallo verdastro, il cui colore simboleggia la morte (il colore di un cadavere) che oggi miete milioni e milioni di persone in innumerevoli modi diversi (Apocalisse 6, 1-8).

Oggi non abbiamo bisogno dell’intervento di Dio per porre fine a questa storia sinistra. Noi stessi abbiamo creato il principio dell’autodistruzione con armi chimiche, biologiche e nucleari che decimano tutta l’umanità e anche la natura con i suoi animali, rettili e uccelli del cielo. E non rimarrà nessuno a raccontare la storia.

Questo lo disse una volta Michail Gorbachev, e l’ho sentito di persona insieme alla grande cantante argentina Mercedes Soza (la Negra) in occasione di un incontro sulla Carta della Terra, che lui stava coordinando. Un discorso così spaventoso da parte di un capo di Stato, con centinaia di testate nucleari e ogni tipo di arma letale, mi ricorda quello che confessò uno dei più grandi storici del secolo scorso, come reazione allo sgancio della bomba atomica su Hiroshima, Arnold Toynbee nella sua autobiografia: “[…] ho vissuto fino a vedere la fine della storia umana diventare una possibilità reale che può essere tradotta in fatti non da un atto di Dio ma dell’essere umano” (Experiência, Vozes 1970, p.422). Sì, il destino della vita è nelle nostre mani. Se si verificasse un’escalation e si utilizzassero testate nucleari strategiche, ciò significherebbe la fine della specie umana e della vita.

Oltre alla minaccia nucleare che alcuni considerano imminente, vista la guerra della Russia contro l’Ucraina, con la minaccia di Putin di utilizzare armi nucleari tattiche, c’è tuttora anche l’emergenza dei cambiamenti climatici. Tra noi [in Brasile] nel Rio Grande do Sul, in Europa, in Afghanistan e altrove, si sono verificate inondazioni devastanti, oltre a spazzare via dalla mappa intere città. Osserva uno scienziato neozelandese, James Renwick, dell’Università di Victoria: “Il cambiamento climatico è la più grande minaccia che lumanità abbia mai dovuto affrontare, con il potenziale di rovinare il nostro tessuto sociale e il nostro stile di vita. Ha il potenziale di uccidere miliardi di persone, attraverso la fame, la guerra per le risorse e per lo sfollamento delle persone colpite”.

Cosa possiamo aspettarci? Tutto. La nostra scomparsa, per colpa della nostra inerzia o l’irruzione di una nuova coscienza che sceglie la sopravvivenza, con cura e un legame emotivo con la Madre Terra. Il noto economista-ecologista Nicolas Georgescu-Roegen sospettava che “forse il destino dellessere umano è quello di avere una vita breve ma febbrile, eccitante e stravagante piuttosto che una vita lunga, vegetativa e monotona. In questo caso, altre specie, prive di pretese spirituali, come ad esempio le amebe [parassiti], erediteranno una Terra che continuerà a essere bagnata per lungo tempo dalla pienezza della luce solare” (The Promethean Destiny, N. York: Pinquin Books 1987, pag.103).

I cristiani sono ottimisti: credono a questo messaggio dell’Apocalisse: «E vidi un cielo nuovo e una terra nuova: il cielo e la terra di prima infatti erano scomparsi e il mare non c’era più. E vidi anche la città santa, la Gerusalemme nuova, scendere dal cielo, da Dio, pronta come una sposa adorna per il suo sposo. Udii allora una voce potente, che veniva dal trono e diceva: “Ecco la tenda di Dio con gli uomini! Egli abiterà con loro ed essi saranno suoi popoli ed egli sarà il Dio con loro, il loro Dio. E asciugherà ogni lacrima dai loro occhi e non vi sarà più la morte né lutto né lamento né affanno, perché le cose di prima sono passate» (Apocalisse 21, 1-4).

Dobbiamo essere come Abramo che «contro ogni speranza ebbe fede nella speranza» (San Paolo ai Romani, 4,18), perché «la speranza non delude» (San Paolo ai Romani, 5,4). È quello che ci resta: la speranza fiduciosa e, positivamente, il continuare a sperare [o esperançar].

Leonardo Boff ha scritto: O homem: Satã ou Anjo bom, Record 2008; Sol da esperança, Mar de Ideias, Rio 2007.

(traduzione dal portoghese di Gianni Alioti)

Tempi apocalittici, i nostri?

Leonardo Boff

Non sono apocalittico. Ad essere apocalittici sono i nostri tempi. L’accumulo di tragedie che accadono nella natura, le guerre di grande devastazione con il genocidio di migliaia di bambini innocenti, il collasso dell’etica, il soffocamento della decenza nelle relazioni politiche, l’asfissia dei valori umani fondamentali, l’ufficializzazione della menzogna nei mezzi di comunicazione virtuale, la dittatura della cultura materialista del capitale con il conseguente esilio della dimensione spirituale, insita nell’essere umano, ci inducono a pensare: sarà che i profeti biblici abbiano ragione quando scrivono di tempi apocalittici? Sappiamo esegeticamente che le profezie non pretendono anticipare le disgrazie future. Mirano a evidenziare le tendenze che, se non fermate, porteranno alle disgrazie annunciate.

Sono sempre rimasto impressionato da un testo spaventoso, incluso nella Bibbia giudaico-cristiana. Che tipo di esperienza ha portato il suo autore a scrivere ciò che ha scritto? Credo che qualcosa di simile stia attraversando la mente di molte persone oggi. Il testo dice: «Il Signore vide che la malvagità degli uomini era grande sulla terra e che ogni intimo intento del loro cuore non era altro che male, sempre. E il Signore si pentì di aver fatto l’uomo sulla terra e se ne addolorò in cuor suo. Il Signore disse: “Cancellerò dalla faccia della terra l’uomo che ho creato e, con l’uomo, anche il bestiame e i rettili e gli uccelli del cielo, perché sono pentito di averli fatti» (Genesi 6, 5-8). Il male che imperversa nel vasto mondo non giustificherebbe questa considerazione?

Aggiungerei anche il testo apocalittico raccolto dall’evangelista San Matteo: «E sentirete di guerre e di rumori di guerre. Guardate di non allarmarvi, perché deve avvenire, ma non è ancora la fine. Si solleverà infatti nazione contro nazione e regno contro regno; vi saranno carestie e terremoti in vari luoghi: ma tutto questo è solo l’inizio dei dolori» (Vangelo di Matteo 24, 6-8). Fenomeni simili non si verificano attualmente a livello planetario?

Sembra che i quattro cavalieri dell’Apocalisse, con le loro iene distruttrici, siano sciolti: Il primo cavallo bianco assume la figura di Cristo per ingannare il maggior numero di persone. «Gesù rispose loro: “Badate che nessuno vi inganni! Molti infatti verranno nel mio nome, dicendo: “Io sono il Cristo”, e trarranno molti in inganno» (Vangelo di Matteo 24, 4-5). San Giovanni nella sua Prima Epistola sostiene che ci sono «[…] di fatto molti anticristi […] Sono usciti da noi, ma non erano dei nostri; se fossero stati dei nostri, sarebbero rimasti con noi […]» (Vangelo di Giovanni 2,18-19). Oggi, in mezzo a noi, pullulano quelli che annunciano Cristo, radunano moltitudini nei loro templi e predicano il contrario di ciò che Cristo ha predicato: l’odio, la diffamazione e la satanizzazione del prossimo.

L’altro cavallo di fuoco simboleggia la guerra, nella quale si tagliavano la gola a vicenda. Oggi ci sono circa 18 luoghi di guerra con grande decimazione di vite umane.

Il terzo cavallo nero simboleggia la carestia e la peste. Siamo stati visitati dalla peste del coronavirus, ora dal dengue, dall’influenza che porta malattie a milioni di persone.

Infine il cavallo verdastro, il cui colore simboleggia la morte (il colore di un cadavere) che oggi miete milioni e milioni di persone in innumerevoli modi diversi (Apocalisse 6, 1-8).

Oggi non abbiamo bisogno dell’intervento di Dio per porre fine a questa storia sinistra. Noi stessi abbiamo creato il principio dell’autodistruzione con armi chimiche, biologiche e nucleari che decimano tutta l’umanità e anche la natura con i suoi animali, rettili e uccelli del cielo. E non rimarrà nessuno a raccontare la storia.

Questo lo disse una volta Michail Gorbachev, e l’ho sentito di persona insieme alla grande cantante argentina Mercedes Soza (la Negra) in occasione di un incontro sulla Carta della Terra, che lui stava coordinando. Un discorso così spaventoso da parte di un capo di Stato, con centinaia di testate nucleari e ogni tipo di arma letale, mi ricorda quello che confessò uno dei più grandi storici del secolo scorso, come reazione allo sgancio della bomba atomica su Hiroshima, Arnold Toynbee nella sua autobiografia: “[…] ho vissuto fino a vedere la fine della storia umana diventare una possibilità reale che può essere tradotta in fatti non da un atto di Dio ma dell’essere umano” (Experiência, Vozes 1970, p.422). Sì, il destino della vita è nelle nostre mani. Se si verificasse un’escalation e si utilizzassero testate nucleari strategiche, ciò significherebbe la fine della specie umana e della vita.

Oltre alla minaccia nucleare che alcuni considerano imminente, vista la guerra della Russia contro l’Ucraina, con la minaccia di Putin di utilizzare armi nucleari tattiche, c’è tuttora anche l’emergenza dei cambiamenti climatici. Tra noi [in Brasile] nel Rio Grande do Sul, in Europa, in Afghanistan e altrove, si sono verificate inondazioni devastanti, oltre a spazzare via dalla mappa intere città. Osserva uno scienziato neozelandese, James Renwick, dell’Università di Victoria: “Il cambiamento climatico è la più grande minaccia che lumanità abbia mai dovuto affrontare, con il potenziale di rovinare il nostro tessuto sociale e il nostro stile di vita. Ha il potenziale di uccidere miliardi di persone, attraverso la fame, la guerra per le risorse e per lo sfollamento delle persone colpite”.

Cosa possiamo aspettarci? Tutto. La nostra scomparsa, per colpa della nostra inerzia o l’irruzione di una nuova coscienza che sceglie la sopravvivenza, con cura e un legame emotivo con la Madre Terra. Il noto economista-ecologista Nicolas Georgescu-Roegen sospettava che “forse il destino dellessere umano è quello di avere una vita breve ma febbrile, eccitante e stravagante piuttosto che una vita lunga, vegetativa e monotona. In questo caso, altre specie, prive di pretese spirituali, come ad esempio le amebe [parassiti], erediteranno una Terra che continuerà a essere bagnata per lungo tempo dalla pienezza della luce solare” (The Promethean Destiny, N. York: Pinquin Books 1987, pag.103).

I cristiani sono ottimisti: credono a questo messaggio dell’Apocalisse: «E vidi un cielo nuovo e una terra nuova: il cielo e la terra di prima infatti erano scomparsi e il mare non c’era più. E vidi anche la città santa, la Gerusalemme nuova, scendere dal cielo, da Dio, pronta come una sposa adorna per il suo sposo. Udii allora una voce potente, che veniva dal trono e diceva: “Ecco la tenda di Dio con gli uomini! Egli abiterà con loro ed essi saranno suoi popoli ed egli sarà il Dio con loro, il loro Dio. E asciugherà ogni lacrima dai loro occhi e non vi sarà più la morte né lutto né lamento né affanno, perché le cose di prima sono passate» (Apocalisse 21, 1-4).

Dobbiamo essere come Abramo che «contro ogni speranza ebbe fede nella speranza» (San Paolo ai Romani, 4,18), perché «la speranza non delude» (San Paolo ai Romani, 5,4). È quello che ci resta: la speranza fiduciosa e, positivamente, il continuare a sperare [o esperançar].

Leonardo Boff ha scritto: O homem: Satã ou Anjo bom, Record 2008; Sol da esperança, Mar de Ideias, Rio 2007.

(traduzione dal portoghese di Gianni Alioti)