Qual é o próximo passo depois da Rio+20?

Há dois anos dei uma palestra na Universidade suiça de Lausanne por ocasião de um título que me foi conferido. Resumo aqui o essencial de um pensamento mais detalhado e longo exposto naquela ocasião. Ele vem a propósito da conclusão da Rio+20.

 

O grande tema da Rio+20 era “Que futuro queremos”. O documento final, entretanto, não nos fornece a rota nem os meios de percorrê-la. Ele é medroso, sem ambições e sem sentido ético e espiritual da história humana. Refém de uma visão reducionista e até materialista da economia não forjou um novo e necessário software social e civilizacional que nos desse esperança de um futuro que não fosse simplesmente o prolongamento do passado e do presente. Este deu tudo o que tinha que dar. Levá-lo teimosamente avante é empurrar-nos para o abismo que se abre lá na frente, num tempo não muito distante.

Depois das crises que afligem toda a humanidade, particularmente  a do aquecimento global, da insustentabilidade do planeta Terra e ultimamente da econômico-financeira, atingindo o coração dos países opulentos, o crescimento do fundamentalismo e a permanente ameaça do terrorismo, os cenários dramáticos que muitos analistas sérios desenham para o próximo futuro da Terra, da Humanidade, da vida e as poucas chances para uma  paz duradoura, uma angustiante pergunta nos assalta: qual será o próximo passo agora depois da Rio+20?

Façamos algumas constatações: consolidou-se a aldeia global; ocupamos praticamente todo o espaço terrestre e exploramos o capital natural até os confins da matéria e da vida, com a utilização da razão instrumental-analítica; provocamos uma imensa crise civilizatória que se revela nas várias crises enunciadas acima.

Perguntamo-nos: E agora o que virá?  Mais do mesmo? Mas isso é muito arriscado, pois o paradigma atual está assentado sobre o poder como dominação da natureza e dos seres humanos. Não devemos esquecer que ele criou a máquina de morte que pode destruir a todos nós e a vida de Gaia. Esse caminho parece ter-se esgotado, embora ainda dominante.

Do capital material somos forçados  passar ao capital espiritual. O capital material tem limites e se exaure. O espiritual, é infinito e inexaurível. O capital espiritual   feito de o amor, de compaixão, de cuidado, de criatividade, realidades intangíveis e valores infinitos que  não há limites.

Este foi parcamente aproveitado por nós. Mas ele pode representar a grande alternativa que supera a crise atual e inaugura um novo patamar civilizatório.

A centralidade do capital espiritual reside na vida, na autonomia dos cidadãos, na relação inclusiva, no amor incondicional, na compaixão, no cuidado de nossa Casa Comum, na alegria de viver e na capacidade de transcendência.

Não significa que tenhamos que dispensar a tecnociência. Sem ela não atenderíamos as demandas humanas. Mas ela não seria mais destrutiva da natureza e da vida. Se no capital material a razão instrumental era seu motor, no capital espiritual é a razão cordial e sensível que organizará a vida social e a produção consoante os ciclos da natureza e dentro dos limites de cada ecossistema. Na razão cordial estão radicados os valores; dela se alimenta a vida espiritual pois produz as obras do espírito que referimos acima: o amor, a solidariedade e a transcendência.

Usando uma metáfora do grande escritor irlandês C.S. Lewis diria: se no tempo dos dinossauros houvesse um observador hipotético que se perguntasse pelo próximo passo da evolução, provavelmente diria: o aparecimento de espécies de dinos ainda maiores e mais vorazes. Mas ele estaria enganado. Sequer imaginaria que de um pequeno mamífero que vivia na copa das árvores mais altas, alimentando-se de flores e de brotos e tremendo de medo de ser devorado pelos dinossauros, iria irromper, milhões de anos depois,  algo absolutamente impensado: um ser de consciência e de inteligência – o ser humano – com uma qualidade totalmente diferente daquela dos dinossauros. Não foi mais do mesmo. Foi uma ruptura. Foi um passo diferente.

Cremos que agora poderá surgir um ser humano com outro passo, pois será marcado pelo inexaurível capital espiritual. Agora é o mundo do ser mais que o mundo do ter.

O próximo passo, então, seria exatamente este:  descobrir o capital espiritual inesgotável e começar a organizar a vida, a produção, a sociedade e o cotidiano a partir dele. Então a economia estará a serviço da  vida e a vida se imbuirá dos valores das relações abertas e inclusivas, da mutualidade ser humano-Terra, da auto-realização e da alegria. uma verdadeira alternativa ao paradigma vigente.

Mas este passo não é mecânico. É resultado de uma coligação de forças ao redor de valores e princípios assumidos por todos, biocentrados e ecoamigáveis. Quer dizer, ele é oferecido à nossa liberdade. Podemos acolhê-lo como podemos também recusa-lo. Mas mesmo recusado, ele permanece como uma possibilidade sempre presente e pronta a irromper.  Ele não se identifica com nenhuma religião. É algo anterior, que emerge das virtualidades daquela Energia de fundo, poderosa e amorosa, que sustenta todo o universo, a cada um de nós e que penetra em toda a evolução consciente. Quem o acolhe, viverá outro sentido de vida,  vivenciará também um novo futuro, diferente daquele imaginado pela Rio+20. Os outros continuarão sofrendo os impasses do atual modo de ser e se perguntarão, angustiados, pelo seu futuro e até sobre o eventual desaparecimento da espécie humana.

Foi Pierre Teilhard de Chardin que ainda nos anos 30 do século XX teve o sonho da irrupção da noosfera. Noos  em grego significa a mente e o espírito totalmente abertos. A noosfera  seria a irrupção da humanidade como espécie, da mente e do coração sincronizados e batendo em uníssono. Seria a etapa nova da antropogênese, a superação do antropoceno, a inauguração da era ecozóica  e uma idade também nova de Gaia.

Estimo que  o legado positivo da atual crise mundial seja nos abrir a possibilidade de realização da noosfera. Dizem por aí que Jesus,  Buda, Francisco de Assis, Rumi,  Gandhi, Irmã Dorothy e tantos outros mestres e testemunhas do passado e do presente teriam, antecipadamente, dado já esse passo.

Eles são nossas estrelas-guia, os alimentadores de nosso princípio-esperança e a garantia de que ainda temos futuro. As dores atuais não seriam estertores de uma civilização moribunda mas os sinais de um parto  de um novo modo sustentável de viver e de habitar o nosso planeta Terra. Seremos humanos, reconciliados conosco mesmos, com Mãe Terra e com a Última Realidade.

Como disse sugestivamente uma de nossas melhoras pensadoras dos novos paradigmas Rose Marie Muraro:” Quando desistirmos de ser deuses, poderemos ser plenamente humanos, o que ainda não sabemos o que é mas que já o tínhamos intuído desde sempre”.

 

 

How Much Sustainability Will the Green Economy Tolerate?

Three are the main actors in Rio+20: the official State and government representatives, the business community, and The Peoples’ Leadership. Each group brings a proposal and a vision for the future.

The Official Representatives, considering the First Draft and the Definitv Text once again propose the empty sustainable development, now colored green. They forgot to acknowledge, however, that sustainable development has failed miserably. Mikhail Gorbachov says: “the present model of economic growth is unsustainable; it engenders crises, social injustice and the danger of an environmental catastrophe” (O Globo 8/6/2012). The Systemic Evaluation of the Ecosystems of the Millennium revealed in 2005 that the principal elements that sustain life are being degraded. That was reiterated in the recent PNUMA Report. The First Draft of Rio+20 recognizes that «sustainable development continues to be a distant goal» (n.13). But with their dogmatic faith in sustainable development that, in fact, is material growth, they continue to propose more of the same.

Gorbachov emphatically states: «twenty years after Rio-92 we are surrounded by cynicism and, for many, desperation». Have the agents of the present world system suffered some kind of lobotomy? They do not feel the urgency of the environmental threat. They prefer to save the financial system and the banks than to guarantee life and protect the Earth. The red light and special check warning are already on.

The Businessmen, important actors, are becoming aware of the limits of the Earth, and of population growth and global warming. They are not waiting for a virtually impossible consensus from the UN and government gatherings. More than a hundred business leaders gathered in Rio before the formal event. They purported to create a G-0, in opposition to the G-2, G-7 or G-20. They confidently declare: «we need to take charge». The agreed collective agenda is in line with green economy, not as a new model, but by lowering the production of carbon and preserving nature as much as possible. However, they comprise only 1% of enterprises with assets of more than a billion dollars, as the Financial Times recently noted. They understand that the problem cannot be solved within the current model: by reconciling sustainability and profit. Those in charge do not want to renounce profit in the name of sustainability. Sustainability ends up being so fragile that it almost vanishes. These businessmen at least have grasped the problem: either they change, or they will go down with everyone else.

The third actor is the Peoples’ Leadership. Thousands have come from all over the world, the altermundisters (those who seek a different world), those who want to show what they are doing with solidarian economy and fair trade, with the preservation of semillas criollas (native seeds), with the struggle against transgenics, with organic family farms, with the ecoaldeas (eco-villages) and alternative energies. Here one sees a different form of production and consumption, more in consonance with the rhythms of nature, the result of a new way of looking at the Earth, as possessing dignity and rights.

To summarize, I would say that in the first group, resignation reigns, in the second, agitation, and in the third, hope.

This is the following outcome of Rio+20: the formal gathering of the UN aproved green economy, with the same basic capitalistic mode of production. This will allow business to trade in the goods and services of nature. A World Organization of the Environment was not created, along the lines of the World Organization of Commerce.

The business community will pressure the governments not to interfere with the business of the green economy. They want a free hand, because it is all about a low carbon economy and therefore it is eco-friendly, even though it retains the current model.

The Peoples’ Leadership  launched  an alternative to Green Economy: the Solidarian Economy. They will create global movements against the marketing of goods and services, such as water, soil, seeds, jungles, oceans and others, which are understood as goods that are common to all humanity.

For now, there will be no steps towards a new paradigm of world society, but it will be a must in the face of the environmental crises that are approaching. Collective suffering will provide bitter lessons. We will learn, from those agonies, a love and caring for life, for humanity and for Mother Earth, all of which are pre-conditions to the future we want.

Os termos da discussão ecológica atual

A Rio+20 provocou vasta discussão sobre questões ecológicas. Nem todos entendem os termos técnicos da temática. Publicamos aqui um artigo do mais conhecido ecologista do Estado do Rio, Arthur Soffiati, de Campos de Goytacazes,RJ, fundador do Centro Norte Fluminense para a Conservação da Natureza e publicada no dia 14 de maio de 2012 na Folha da Manhã daquela cidade. Eis a palavras principais: Ecodesenvolvimento, desenvolvimento sustentável, economia verde, pegada ecológica, antropoceno.
Há cerca de 11 mil anos, a temperatura da Terra começou a se elevar naturalmente, produzindo o derretimento progressivo da última grande glaciação. Grande parte da água, passando do estado sólido para o líquido, elevou o nível dos mares, separou terras dos continentes, formou ilhas, incentivou a formação de florestas e de outros ambientes. Os cientistas deram a esta fase nova o nome de Holoceno.
Nesses últimos 11 mil anos, restou dos Hominídeos apenas o “Homo sapiens”, que se tornou soberano em todo o planeta. Com um cérebro bem desenvolvido, ele foi desafiado pelas novas condições climáticas e domesticou plantas e animais, inventando a agropecuária, criou tecnologia para polir a pedra, inventou a roda, a tecelagem e a metalurgia. Logo a seguir, criou cidades, impérios, represas, drenagem e irrigação. Várias civilizações ultrapassaram os limites dos ecossistemas em que se ergueram, gerando crises ambientais que contribuíram para o seu fim.
Entra, então, o conceito de pegada ecológica. Ele se refere ao grau de impacto ecológico por um indivíduo, um empreendimento, uma economia, uma sociedade. A pegada ecológica das civilizações anteriores à civilização ocidental sempre teve um caráter regional, sendo reversíveis ou não. O ocidente foi a civilização que calçou as botas mais pesadas conhecidas até o momento. O peso começou com o capitalismo, que transformou o mundo.
A partir do século XV, a civilização ocidental (leia-se europeia) passou a imprimir marcas profundas com a expansão marítima. Impôs sua cultura a outras áreas do planeta. O mundo foi ocidentalizado e passou também a pisar fundo no ambiente.
Veio, então, outra grande transformação com a revolução industrial, cuja origem localiza-se na Inglaterra do século XVIII. Ela se expandiu pelo mundo, dividindo-o em países industrializados e países exportadores de matéria prima. A partir dela, começa a se criar uma outra realidade planetária, com emissões de gases causadores do aquecimento global, devastação de florestas, empobrecimento da biodiversidade, uso indevido do solo, urbanização maciça, alterações profundas nos ciclos de nitrogênio e fósforo, contaminação da água doce, adelgaçamento da camada de ozônio e extração excessiva de recursos naturais não-renováve is, que, por sua vez, produz quantidades inauditas de lixo.
Os cientistas estão demonstrando que, dentro do Holoceno (holos=inteiro+koinos=novo), a ação humana coletiva no capitalismo e no socialismo provocou uma crise ambiental sem precedentes na história da Terra porque gerada por uma só espécie. Eles estão denominando o período pós-revolução industrial do século XVIII de Antropoceno, ou seja, uma fase geológica construída pela ação coletiva do ser humano (antropos=homem+koinos=novo).
Em função dessa grande crise ou dessa nova época é que a Organização das Nações Unidas vem promovendo grandes conferências internacionais, como as Conferências de Estocolmo (1972), Rio-92 e, proximamente, a Rio+20. O objetivo é resolver os problemas do Antropoceno, seja conciliando desenvolvimento econômico e proteção do ambiente, seja buscando outras formas de desenvolvimento. A Rio-92 adotou a fórmula do desenvolvimento sustentável, que ganhou diversos sentidos, inclusive antagônicos ao original.
A Conferência Rio+20 pretende colocar em pé de igualdade as dimensões ambiental, social e econômica. A palavra mágica, agora, é economia verde, cujo conteúdo não apresenta clareza. Supõe-se que, no mínimo, signifique a substituição progressiva de fontes de energia carbono-intensivas por fontes renováveis de energia, bem como a substituição de recursos não renováveis por renováveis.
A Rio+20 mostrou que os países industrializados não querem abdicar da sua posição; os países emergentes querem alcançar os industrializados; e os países pobres querem ser emergentes. Enquanto não houver entendimento acerca dos limites do planeta, inútil pensar em justiça social e desenvolvimento econômico. Por conseguinte, o ambiente é mais importante que o social e o econômico, já que sem ele não se pode encontrar solução para os outros dois. Por outro lado, o conceito de ecodesenvolvimento parece ser o mais correto enquanto tática e estratégia.

Das Fehlen einer neuen Vision in Rio+20

Das hauptsächliche Manko im UNO-Dokument für Rio +20 besteht in der völligen Abwesenheit einer neuen Vision oder einer neuen Weltanschauung, die Grund zur Hoffnung gäbe auf eine „Zukunft, die wir wollen“, wie das Motto dieser großen Zusammenkunft lautet. Doch so wird eine verheißungsvolle Zukunft verwehrt.

Für die Autoren dieses Textes ist die Zukunft von der Wirtschaft abhängig. Dem dazugehörigen Adjektiv „nachhaltig“ oder „grün“ messen sie wenig Bedeutung bei. Vor allem stellt die grüne Wirtschaft („green economy“) einen Anschlag auf die letzte Bastion der Natur dar, indem sie alles zu einer Ware verwandelt und mit einem Preis versieht, was zu den Gemeingütern zählt, was natürlich, lebendig und lebensnotwendig ist, wie das Wasser, die Böden, Fruchtbarkeit, Urwälder, Gene etc. Was zum Leben gehört, ist heilig und darf nicht vermarktet werden. Stattdessen wird es zum Handelsgegenstand gemacht gemäß dem kategorischen Imperativ: Nimm alles, was du willst, handle mit allem, vor allem mit der Natur und ihren Gütern und Dienstleistungen.

Dies ist höchster Egoismus und Arroganz des Menschen oder, wie man es auch nennt, Anthropozentrismus. Die Menschen sehen in der Erde einen Supermarkt, der nur für sie Ressourcen bereithält, ohne zu erkennen, dass wir weder die einzigen Erdbewohner sind noch die Erde besitzen; wir spüren nicht, dass wir ein Teil der Natur sind, sondern fühlen uns als Wesen außerhalb der Natur und ihr überlegen als ihre Herren und Meister. Wir vergessen allerdings, dass es eine ganze sichtbare Lebensgemeinschaft gibt (5 % der Biosphäre) und Quadrillionen über Quadrillionen unsichtbarer Mikroorganismen (95 %), die für die Vitalität und für die Fruchtbarkeit der Erde sorgen. Sie alle gehören zur Erde, zum Kondomium und haben ein Recht zu leben und mit uns zu koexistieren. Ohne eine Beziehung wechselseitiger Abhängigkeit mit ihnen könnten wir nicht einmal existieren. Diesem Umstand trägt das Rio +20-Dokument nicht Rechnung. Wir können dann davon ausgehen, dass von diesem Papier keine Rettung zu erwarten ist. Es bahnt vielmehr einen Weg zum Abgrund. Solange wir noch Zeit haben, müssen wir dies dringend vermeiden.

Unsere aktuelle Sicht oder Kosmologie ist geprägt von der Eroberung der Welt und von grenzenlosem Wachstum. Es ist eine mechanistische, deterministische, atomisierte und reduktionistische Weltanschauung. Dank dieser Anschauung kontrollieren und konsumieren 20 % der Weltbevölkerung 80 % der Naturschätze, die Hälfte der großen Urwälder wurden zerstört, 65 % landwirtschaftlich bebaubarer Fläche ruiniert, 27.000 bis 100.000 Spezies sterben jedes Jahr aus (Wilson), und mehr als 1.000 synthetische chemische, zumeist giftige, Stoffe werden in die Natur entsorgt. Wir stellen Massenvernichtungswaffen her, die in der Lage sind, alles Menschenleben zu zerstören. Im Endeffekt bringen wir die Erde aus dem Gleichgewicht, was man an der globalen Erwärmung ablesen kann. Mit den sich bisher angesammelten Gasen werden wir bis zum Jahr 2035 auf einen Temperaturanstieg um 3-4°C kommen, was das Leben, wie wir es kennen, praktisch unmöglich macht.

Die aktuelle Wirtschaftsfinanzkrise, die ganze Nationen ins Elend stürzt, vergrößert die Gefahr und wirkt jeglichem nötigen Kurswechsel entgegen.

Im Gegensatz dazu ist die potenziell erlösende Vision oder Weltanschauung der Achtsamkeit und der universellen Verantwortung aufgekommen. Am besten findet sie ihren Ausdruck in der Erd-Charta. Diese ordnet unsere Realität in die Kosmogenese ein, den immensen Evolutionsprozess, der vor ca. 13,7 Milliarden Jahren seinen Anfang nahm. Das Universum breitet sich aus, organisiert sich selbst und erschafft sich beständig selbst. In diesem Universum ist alles durch Netzwerke miteinander verbunden, und nichts existiert außerhalb dieser Beziehungen. Aus diesem Grund sind alle Wesen wechselseitig voneinander abhängig und müssen miteinander kooperieren, um das Gleichgewicht aller Faktoren zu erhalten. Der Auftrag der Menschheit besteht darin, diese sinfonieartige Harmonie zu pflegen und aufrecht zu erhalten. Was wir brauchen ist nicht die Produktion zur Anhäufung von Privateigentum, sondern dessen, was für alle ausreichend und angemessen ist unter Beachtung der Grenzen und Zyklen der Natur.

Hinter all dem wirkt die Grundenergie, die dem Universum seinen Ursprung verlieh, es aufrechterhält und Neues entstehen lässt. Am spektakulärsten von all dem ist die lebendige Erde und die Menschheit, der bewusste Anteil der Erde, mit ihrem Auftrag, für diese zu sorgen und Verantwortung für sie zu tragen.

Diese neue Vision würde die „Zukunft, die wir wollen“  gewährleisten. Andernfalls werden wir unvermeidlich ins kollektive Chaos getrieben mit verheerenden Konsequenzen. Diese Vision ist inspirierend. Anstatt mit der Natur Geschäfte zu machen, begeben wir uns selbst in ihr Inneres in tiefer Harmonie und Synergie, respektieren ihre Grenzen und streben nach dem „guten Leben“, d. h. nach Harmonie mit allen und mit Mutter Erde. Diese neue Weltanschauung ist mehr durch Achtsamkeit als durch Beherrschung charakterisiert und durch die Anerkennung der intrinsischen Werte aller Wesen und nicht durch deren puren Nutzen für den Menschen, durch Respekt für alles Leben und für die Rechte der Natur anstatt deren Plünderung, und durch die Vermählung ökologischer und sozialer Gerechtigkeit.

Diese Vision steht mehr in Einklang mit den wirklichen menschlichen Bedürfnissen und mit der Logik des Universums selbst. Nähme das Rio +20-Dokument diese Vision zum Hintergrund seiner Überlegungen, entstünde die Gelegenheit zu einer planetaren Zivilisation, in der Achtsamkeit, Kooperation, Liebe, Respekt, Freude und Spiritualität im Mittelpunkt stehen. Eine solche Option würde nicht an den Abgrund führen, sondern in eine Zukunft, die wir wollen: eine Bio-Zivilisation der guten Hoffnung.