Ameaças à Mãe Terra e como enfrentá-las

          Há quatro ameaças que pesam sobre a nossa Casa Comum e que exigem de nós especial cuidado.

A primeira é a visão pobre da Terra sem vida e sem propósito dos tempos modernos. Ela foi entregue à exploração impiedosa em vista do enriquecimento. Tal visão que trouxe benefícios inegáveis, acarretou também um desequilíbrio em todos os ecossistemas que provocaram a atual crise ecológico generalizada. Nesse afã foram eliminados povos inteiros como na América Latina, devastaram-se a floresta atlântica e, em parte, a Amazônia e o cerrado.

Em janeiro de 2015 18 cientistas publicaram na famosa revista Science um estudo sobre “Os limites planetários: um guia para um desenvolvimento humano num mundo em mutação”. Elencaram 9 dados fundamentais para a continuidade da vida. Entre eles estavam o equilíbrio dos climas, a manutenção da biodiversidade, preservação da camada de ozônio, e controle da acidificação dos oceanos entre outras. Todos os itens encontram-se em estado de erosão. Mas dois são os mais degradados, que eles chamam de “limites fundamentais”: a mudança climática e a extinção das espécies. O rompimento destas duas fronteiras fundamentais pode levar a civilização ao colapso.

Cuidar da Terra neste contexto significa que ao paradigma da conquista que devasta natureza devemos opor o paradigma do cuidado que preserva a natureza. Este cura as feridas passadas e evita as futuras. O cuidado nos leva a conviver amigavelmente com todos os demais seres e a respeitar os ritmos da natureza. Devemos, sim, produzir o que precisamos para viver, mas com cuidado e dentro dos limites suportáveis de cada região e com a riqueza de cada ecossistema. À Terra como baú de recursos devemos opor a compreensão atual da Terra como Grande Mãe e Gaia, super-organismo vivo.

A segunda ameaça consiste na máquina de morte das armas de destruição em massa: armas químicas, biológicas e nucleares. Elas já estão montadas e podem destruir toda a vida do planeta por 25 formas diferentes. Como a segurança nunca é total devemos cuidar para que não sejam usadas em guerras e que o mecanismos de segurança sejam cada vez mais severos.

À esse ameaça devemos opor uma cultura da paz, do respeito aos direitos da vida, da natureza e da Mãe Terra, a distensão e do diálogo entre os povos. Ao invés do ganha-perde, viver o ganha-ganha buscando convergências nas diversidades. Isso significa criar equilíbrio e gerar o cuidado.

A terceira ameaça é a falta de água potável. De toda água que existe na Terra apenas 3% é água doce, o resto é salgada. Destes 3%, 70% vão para a agricultura, 20% para a indústria e somente destes 0,7%, 10% vão para a dessetentação humana e animal É um volume irrisório o que explica que mais de um bilhão de pessoas vivem com insuficiência de água potável.

Cuidar da água da Terra é cuidar das florestas, pois são elas as protetoras naturais de todas as águas. Cuidar da água exige zelar para que as nascentes sejam cercadas de árvores e todos os rios tenham sua mata ciliar, pois são elas que alimentam as nascentes. Ocorre que mais da metade das florestas húmidas foram desmatadas, alterando os climas, secando rios ou diminuindo a água dos aquíferos. O que melhor podemos sempre fazer é reflorestar.

A quarta grande ameaça é representada pelo aquecimento crescente da Terra. Pertence à geofísica do planeta que ele conheça fases de frio e fases de calor que sempre se alternam. Ocorre que este ritmo natural foi alterado pela excessiva intervenção humana em todas as frentes da natureza e da Terra. O dióxido de carbono, o metano e outros gases do processo industrialista criaram uma nuvem que circunda toda a Terra e que retém o calor aqui em baixo. Estamos próximos a 2 graus Celsius. Com esta temperatura pode-se ainda administrar os ciclos da vida.

A COP21 de Paris do final de 2015 criou um consenso entre as 192 nações de fazer tudo para não chegar a dois graus Celsius tendendo a 1,5 o nível da sociedade pré-industrial. Se ultrapassar este a espécie humana estará perigosamente ameaçada.Pena que tais decisões não tenham valor legal mas sejam apenas voluntárias.

Não sem razão que os cientistas criaram uma nova palavra para qualificar nosso tempo: o antropoceno. Este configuraria uma nova era geológica, na qual o grande ameaçador da vida, o verdadeiro Satã da Terra, é o próprio ser humano em sua irresponsabilidade e falta de cuidado.

Outros aventam a hipótese segundo a qual a Mãe Terra não nos quereria mais vivendo em sua Casa. Arranjaria um modo de nos eliminar, seja por um desastre ecológico de proporções apocalípticas seja por alguma super-bactéria poderosíssima e inatacável, permitindo assim que as outras espécies não se sentissem mais ameaçadas por nós e possam continuar no processo da evolução.

Contra o aquecimento global devemos buscar fontes alternativas de energia, como a da biomassa, a solar e a eólica, pois a fóssil, o petróleo, o motor de nossa civilização industrial, produz, em grande parte, o dióxido de carbono. Devemos viver os vários êrres (r) da Carta da Terra: reduzir, reusar e reciclar, reflorestar, respeitar e rejeitar todo o apelo ao consumo. Tudo o que possa poluir o ar deve ser evitado, para impedir o aquecimento global.

Se não começarmos com mudanças substanciais o futuro comum Terra-Humanidade corre risco. Vivemos tempos de urgência e de irreversibilidade. A Terra nunca mais será como antes. Temos que cuidar para que as transformações que lhe temos introduzido sejam benéficas para a vida e não o seu holocausto.

Leonardo Boff é colunista do JB on line e escreveu Os direitos do corção. Paulus 2016.

Un ethos mondiale della cura. Per evitare l’abisso

Leonardo Boff*

La Carta della Terra, un documento nato da una consultazione di base dell’umanità, sotto il coordinamento di M. Gorbachev, con l’obiettivo di definire valori e principi per la salvezza della nostra civiltà, e approvato dall’Unesco nel 2003, inizia con questo severo avvertimento: «Ci troviamo in un momento critico della storia della Terra, in un’epoca in cui l’umanità è chiamata a scegliere il suo futuro (…): o stringiamo un’alleanza globale per prenderci cura della Terra e gli uni degli altri o potremo assistere alla distruzione della nostra specie e della biodiversità».

Nella sua enciclica Laudato si’, papa Francesco lancia un avvertimento analogo: «Basta guardare la realtà con sincerità per vedere che c’è un grande deterioramento della nostra casa comune» (n. 61). E aggiunge: «Mai abbiamo maltrattato e offeso la nostra casa comune come negli ultimi due secoli» (n. 53). Un comportamento, conclude, «che a volte sembra suicida» (n. 55).

La Carta della Terra e la Laudato si’ sono a mio parere gli unici documenti di carattere mondiale a offrire una proposta alternativa per la nostra relazione con la Terra, contrapponendo al paradigma della conquista e del dominio, proprio della modernità, il paradigma della cura e della responsabilità, proprio del presente. Due paradigmi opposti: quello moderno ci pone al di fuori e al di sopra della natura, nell’atto di dominarla, e quello nuovo ci fa sentire parte di essa, nell’atto di prendercene cura. Il nucleo della questione ecologica sta nella scelta tra queste due diverse relazioni con la Madre Terra: o di potere e di sfruttamento o di cura e convivenza.

Bisogna pertanto superare la trappola tesa dalle varie conferenze sul riscaldamento globale organizzate dall’Onu, ancora dominate dall’idea di poter superare la crisi con mezzi tecnici e dunque dalla proposta delle ricette di sempre, le quali non fanno che aggravare il problema anziché offrire un’alternativa al paradigma vigente. Diceva bene Albert Einstein: «Non possiamo risolvere i nostri problemi con lo stesso pensiero che li ha generati». A nulla serve limare i denti del lupo nell’illusione di fargli perdere la ferocia. La ferocia del lupo non è nei suoi denti ma nella sua natura. Un inganno in cui è fatalmente caduta quasi tutta la riflessione ecologica contemporanea, la quale si è limitata all’ambientalismo senza aprirsi a una visione integrale, quella basata sul presupposto che tutto è in relazione, come riconoscono l’enciclica e la Carta della Terra.

La nostra proposta è quella contenuta nel sottotitolo della Laudato si’: “La cura della casa comune”. Notiamo la sfumatura: il papa non parla semplicemente di pianeta o di Terra, ma adotta il linguaggio della ragione sensibile e cordiale, parlando di “casa comune” e di “Madre Terra”.

Il papa assume con decisione il nuovo paradigma, nato dalla nuova cosmologia, dalla fisica quantistica e dalle scienze della vita e della Terra, secondo cui tutti gli esseri sono sempre in relazione, sono interdipendenti e possiedono un valore intrinseco, indipendentemente dall’uso che ne fanno gli esseri umani: la Terra è la casa comune, un super-organismo vivente. La nuova ecologia pone l’accento sulla cultura della cura e della compassione e sull’articolazione permanente tra il grido della Terra e il grido dei poveri, riscattando quella ragione sensibile che corregge e arricchisce la ragione strumentale-analitica, la principale causa dell’attuale crisi ecologica.

Al di sopra di tutto, si impone il paradigma della cura. Se un giorno, a causa della nostra irresponsabilità, la Madre Terra non riuscisse più a produrre e a riprodurre la vita per tutti, ogni cosa verrebbe meno: la nostra civiltà, i nostri progetti, i nostri sogni e la nostra stessa esistenza. La Madre Terra – la Magna Mater degli antichi, la Nana degli orientali, la Pacha Mama dei popoli andini, la Gaia dei moderni – è, allora, la precondizione di tutto ciò che esiste e che possa esistere in questo mondo.

La descrizione convenzionale della Terra come pianeta composto da parti emerse, i continenti, e da fiumi, mari e oceani, è solo esteriore, e direi anche povera. La Terra è ben altro: è la coesistenza, l’inter-retro-relazione di tutti questi fattori sempre interdipendenti e articolati tra loro in modo da rendere la Terra un super-organismo vivo, dinamico e sempre pronto a produrre e riprodurre vita.

A partire dagli anni ’70, è apparso infatti chiaro alla maggior parte della comunità scientifica che la Terra non si limita a presentare vita sul suo suolo, ma offre un’articolazione così sottile ed equilibrata delle componenti fisiche, chimiche, energetiche ed ecologiche da essere in grado di mantenersi viva. Di tutto ciò, nel 2002, James Lovelock e la sua équipe hanno presentato le prove, trasformando quella che era solo un’ipotesi in una teoria scientifica (cioè in una verità scientifica). A ciò si aggiunge il fatto che, il 22 aprile 2009, l’Assemblea Generale dell’Onu ha approvato all’unanimità la proposta di trasformare la Giornata della Terra del 22 aprile in Giornata della “Madre Terra”, accogliendo con ciò l’idea che solo un essere vivente può produrre vita. Così è la Terra: un essere pieno di vita che genera vita. Afferma il grande biologo Edward Wilson che, se guardassimo un grammo di terra al microscopio, potremmo vedere 10 miliardi di microrganismi di 6mila specie differenti. È la prova che la Terra è viva.

Le minacce alla Madre Terra

Sono quattro le principali minacce che pesano sulla nostra casa comune. La prima è data dallo stile di vita moderno, le cui origini affondano nella nuova visione scientifica del mondo affermatasi nel XVI secolo, quando si è smesso di guardare alla Terra come alla grande generatrice di vita, per vederla come una cosa – res extensa –, un baule pieno di risorse a servizio dell’essere umano. Sulla base della tecnoscienza si è progettato un nuovo paradigma: quello della conquista e del potere come dominazione, allo scopo di sottomettere la natura, di conquistare altri popoli e di creare forme più efficaci di sfruttamento delle risorse della Terra in funzione del profitto. Ed è così che sono stati eliminati popoli interi, come in America Latina, e devastati interi ecosistemi, come la Foresta Atlantica e parte dell’Amazzonia.

Tale paradigma ha prodotto due ingiustizie: una sociale, con la creazione di una grande e diffusa povertà, e l’altra ecologica, con la devastazione di interi ecosistemi. A partire dal 1972, quando si è realizzato il primo bilancio sullo stato della Terra, scienziati e capi di Stato si sono resi conto che la Terra è malata. E la causa è il modello di sviluppo sfrenato e diseguale imposto in tutto il mondo. Oggi l’umanità ha toccato i limiti della Terra, acquisendo la consapevolezza di non poter mantenere l’attuale stile di vita. Se gli Usa, l’Europa e il Giappone volessero estendere a tutta l’umanità il loro livello di benessere, ci sarebbe bisogno perlomeno di cinque Terre uguali alla nostra. Ed è impossibile. È necessario cambiare perché ci sia più equità.

L’attuale stile di vita è individualista e consumista. Dobbiamo contrapporgli la sobrietà condivisa, la frugalità volontaria e la solidarietà nei confronti di chi meno ha. Possiamo essere più con meno.

Il 13 agosto 2015 si è registrato l’Earth Overshoot Day, il Giorno del sovrasfruttamento, quello in cui la Terra la esaurito la biocapacità di far fronte alle esigenze umane. Per farlo, c’è ora bisogno di 1,6 pianeti. In altre parole, il nostro stile di vita è insostenibile. Nel gennaio 2015, 18 scienziati hanno pubblicato sulla famosa rivista Science uno studio su “I limiti planetari: una guida per uno sviluppo umano in un mondo in cambiamento”. Lo studio elenca 9 aspetti fondamentali per la continuità della vita, tra cui l’equilibrio dei climi, la conservazione della biodiversità, la preservazione della fascia di ozono e il controllo dell’acidificazione degli oceani. Si incontrano tutti in uno stato di deterioramento, ma i più degradati sono i due che vengono definiti “limiti fondamentali”: il cambiamento climatico e l’estinzione delle specie. Il superamento di tali limiti può condurre la civiltà al collasso.

Prendersi cura della Terra significa opporre al paradigma della conquista che devasta gli ecosistemi quello della cura che preserva la natura, risana le ferite passate e previene quelle future. Dobbiamo produrre quello di cui abbiamo bisogno per vivere, ma rispettando i ritmi della natura e restando all’interno dei limiti di ogni ecosistema.

La seconda minaccia consiste nella macchina di morte rappresentata dalle armi di distruzione di massa, chimiche, biologiche e nucleari, che possono distruggere la vita intera in 25 diversi modi. Una minaccia a cui dobbiamo opporre una cultura della pace, del rispetto per i diritti della vita, della natura e della Madre Terra e la distensione e il dialogo tra i popoli. Invece del “chi vince e chi perde”, occorre perseguire il “vincono tutti”, cercando convergenze nella diversità.

La terza minaccia è la mancanza di acqua potabile. Di tutta l’acqua che esiste sulla Terra solo il 3% è acqua dolce, tutto il resto è acqua salata. Di questo 3%, il 70% è destinato all’agricoltura, il 20% all’industria e solo il 10% all’uso umano. Una quantità irrisoria che spiega perché più di un miliardo di persone soffra di insufficienza idrica. Il ciclo dell’acqua si sta riducendo di anno in anno, con il rischio di una grave crisi mondiale con migliaia e migliaia di vittime o di guerre violente per l’accesso alle fonti idriche. Che l’acqua si sia trasformata in merce è una perversità: l’acqua è un bene naturale, vitale, comune e insostituibile che non dovrebbe mai essere usato come fonte di lucro, perché non si può negoziare sulla vita, che è sacra.

Prendersi cura dell’acqua implica la cura delle foreste, perché sono queste le protettrici naturali di tutte le acque. Eppure, più della metà delle foreste umide mondiali è andata distrutta, alterando i climi, prosciugando i fiumi e riducendo le falde acquifere. Ciascun albero assorbe anidride carbonica e mediante la fotosintesi produce l’ossigeno necessario alla vita.

La quarta grande minaccia è rappresentata dal crescente riscaldamento della Terra. La geofisica del pianeta prevede la costante alternanza di fasi di freddo e di caldo. Ma tale ritmo naturale è stato alterato dall’eccessivo intervento umano: l’anidride carbonica, il metano e gli altri gas del processo industriale hanno creato una nube intorno alla Terra che trattiene il calore qui in basso, un calore che sta aumentando in maniera irrefrenabile. Ci stiamo avvicinando all’aumento di 2°C: con tale temperatura sarebbe ancora possibile amministrare i cicli della vita, ma anche così molte specie non riuscirebbero ad adattarsi e scomparirebbero. Secondo Edward Wilson, stanno scomparendo ogni anno tra le 27mila e le 100mila specie viventi. Un’autentica devastazione.

Gli scienziati ci avvertono che, se le cose non cambieranno, a metà di questo secolo la Terra potrebbe andare incontro a un brusco aumento di temperatura, anche di 4-6°C. Con questo aumento, ci avvisano, nessuna forma di vita conosciuta sarebbe risparmiata. La specie umana sarebbe in grave pericolo: grazie alla scienza e alla tecnologia qualche milione di persone potrebbe forse salvarsi, ma la grande maggioranza sarebbe condannata a scomparire. Nel caso peggiore, la Terra andrebbe avanti, coperta di cadaveri, ma senza di noi. E sarebbe una disgrazia indescrivibile. Il grande naturalista di origine francese Théodore Monod, nel suo libro L’avventura umana, ci ha lasciato questo avvertimento: «Siamo capaci di una condotta insensata e demente; a partire da adesso, si può temere tutto, proprio tutto, anche l’annientamento della specie umana».

A ragione, il chimico Paul J. Crutzen, Nobel per la Chimica nel 1995, ha parlato dell’avvento di una nuova era geologica: l’Antropocene. E molti scienziati lo hanno seguito. L’Antropocene configurerebbe una nuova era in cui la grande minaccia alla vita, il vero Satana della Terra, non è un meteorite ma lo stesso essere umano.

Per prenderci cura della Terra contro il riscaldamento globale dobbiamo cercare fonti alternative di energia, come la solare e l’eolica, perché è quella fossile – il motore della nostra civiltà industriale – a produrre, in gran parte, l’anidride carbonica. Siamo chiamati a vivere le diverse “erre” della Carta della Terra: ridurre, riusare, riciclare, riforestare, rispettare e respingere ogni appello al consumo.

La Terra che sente, pensa, ama, cura e venera

La Terra non ha generato solo noi esseri umani. Ha prodotto l’immensa comunità di vita, a partire dalla miriade di microrganismi che compongono il 90% di tutta la rete della vita. In tutti gli esseri viventi è presente lo stesso alfabeto genetico di base: i 20 aminoacidi e le quattro basi fosfatate. È la combinazione differenziata di questi elementi a creare la biodiversità all’interno della sacra unità della vita. È per questo che un legame di fraternità ci unisce tutti.

Noi, esseri umani, siamo quella porzione della Terra che, in un momento di alta complessità, ha cominciato a sentire, a pensare e ad amare. Siamo Terra, come si dice in Genesi 2,7 e come papa Francesco ribadisce nella sua enciclica (n. 2). Sentire che siamo Terra e prenderci cura di essa significa immergerci nella comunità terrena, nel mondo dei fratelli e delle sorelle, come vissuto esemplarmente da Francesco d’Assisi nella sua mistica cosmica e come ripetuto da papa Francesco (n. 10).

La coscienza collettiva sta lentamente incorporando la sfida di provvedere alla casa comune, rendendola abitabile per tutti, conservandola nella sua generosità e preservandola nella sua integrità e nel suo splendore. Nasce da qui un ethos mondiale della cura e della responsabilità collettiva, in grado di unire gli esseri umani al di là delle loro differenze culturali, affinché si sentano di fatto come figli e figlie della Terra, che la amano e la rispettano come propria madre. È importante, come afferma papa Francesco, «alimentare una passione per la cura del mondo» (n. 216). Del resto, siamo la stessa Terra che si preoccupa del proprio destino e cerca sempre più di provvedere a se stessa attraverso la nostra cura. E tutti siamo sotto la cura dello Spirito Creatore, del Dio che si è rivelato come «sovrano amante della vita» (Sap 11,26). E che, sicuramente, non permetterà che abbia fine la vita umana sulla Terra.


L’autore di questo articolo è Leonardo Boff, tra i padri fondatori della Teologia della Liberazione e massimo esponente del nuovo paradigma ecoteologico; tra le altre cose, ha scritto Grido della terra grido dei poveri. Per una ecologia cosmica (Cittadella, 1996), Il Tao della Liberazione (Fazi Editore, 2014) e Al cuore del Cristianesimo (Emi, 2013). Pubblicato per Adista Roma marzo 2016.


 

A culture where the heart is at the center

Since the so-called Century of Lights, (1715-1789), our culture has rigorously applied the understanding of Rene Descartes, (1596-1650), that the human being is “lord and master” of Nature and can dispose of her at his whim. Descartes gave absolute value to reason and the scientific spirit: whatever cannot pass the test of reason, loses legitimacy. From this there followed a severe criticism of all traditions, especially of traditional Christian faith.

This also closed many windows of the spirit that permit knowledge without necessarily passing through the rational cannons. Blaise Pascal already noted that reductionism in his Thoughts about the logique du coeur, (“the heart has reasons unknown to reason”), and in the esprit de finesse, that differentiated itself from the esprit de géométrie, this is, from the calculating and analytical instrumental reason.

But what was thoroughly relegated to the margins and even defamed was the heart, the organ of the sensibility and of the universe of emotions, with the pretext that from the scientific point of view, it would spoil “clear and distinctive ideas” (Descartes). Thus arose a knowledge without heart, but functional to the goal of modernity, that was, and still is, of making knowledge a power, a power as a means of dominating nature, peoples, and cultures. That was the metaphysics (the understanding of reality) underlying all of colonialism, slavery, and eventually, the destruction of the different, such as the rich cultures of the original peoples of Latin America (remember Bartolome de las Casas with his History of the Destruction of the Indies).

Curiously, all modern epistemology that incorporates quantum mechanics, the new astrology, the phenomenological philosophy and analytical psychology have shown that all knowledge comes impregnated with the emotions of the subject, and that subject and object are indissolubly linked, sometimes by hidden interests (J. Habermas).

Starting from these observations and with the pitiless experience of modern wars, it was thought to rescue the heart. After all, in the heart resides love, affection, compassion, the feeling of respect, the bases of human dignity and inalienable rights. Michel Mafessoli, in France, David Goleman in the United States, Adela Cortina in Spain, Muniz Sodre, in Brazil and many others around the world, have worked hard to rescue emotional intelligence, or sensible or cordial reason. Personally, I believe that facing the globalized crises of our lifestyle and of our relationship with the Earth, without cordial reason, we will not move to safeguard the vitality of Mother Earth and guarantee the future of our civilization.

What appears new to us, and a conquest –the rights of the heart–, was the axis of the great Mayan culture of Central America, particularly in Guatemala. Since they did not experience the circumcision of modern reason, they faithfully kept the traditions that came through the Grandmothers and Grandfathers, throughout the generations. Their principal written texts, the Popol Vuh and The Books of Chilam Balam of Chumayel, bear witness to that wisdom.

I have participated many times in Mayan celebrations, with their priests and priestesses. They are always done around the fire. They start by calling to the heart of the winds, of the mountains, the heart of the waters, the trees and the heart of the ancestors. These calls are made in the middle of a native perfumed incense that produces a lot of smoke.

Listening to them talk of the energies of nature and of the universe, it seemed to me that, except for the differences of language, their cosmic vision was very much like quantum physics. Everything to them is energy and movement, between formation and disintegration (we would say: the dialectics of chaos-cosmos) that give dynamism to the Universe. They were eminent mathematicians and had invented the number zero. Their calculus of the course of the stars approximates in many ways what we have attained with modern telescopes.

Beautifully they say that everything that exists was born from the loving encounter of two hearts, the heart of Heaven and the heart of the Earth. The Earth is Pacha Mama, a living being who feels, intuits, vibrates and inspires human beings. Humans are the “illustrious sons and daughters, the investigators, the searchers of the existence”, affirmations that remind us of Martin Heidegger.

The essence of the human being is the heart, that must be cared for to be affable, understanding and loving. All the education that continues throughout life consists of cultivating the dimension of the heart. The Brothers of La Salle have in the capital city of Guatemala an immense College –Prodessa– where young Mayans live in a bilingual internship. There the Mayan cosmic vision is recaptured and systematized at the same time that ancestral knowledge is assimilated and combined with the modern, especially linked to agriculture and respectful relationships with nature.

I am pleased to end with a text that a wise Mayan woman passed to me at the close of an encounter with only Mayan people: “When you have to choose between two paths, ask yourself which of them has heart. Whoever chooses the path of the heart never will be wrong” (Popol Vuh).

Leonardo Boff is a brazilian theologian and ecologist, has written Christianity in a Nutshell, Orbis 2014

Free translation from the Spanish by
Servicios Koinonia, http://www.servicioskoinonia.org.
Done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

DIECI DIRITTI DEL CUORE

Si costata attualmente una feconda discussione filosofica sulla necessità di riscattare la ragione cordiale, per contenere l’eccesso di razionalizzazione della società, e come arricchimento della ragione strumentale analitica, che lasciata a ruota libera può danneggiare il rapporto con la natura, che è coscienza di appartenenza e rispetto dei suoi cicli e ritmi. Vediamo alcuni diritti della dimensione del cuore.
1. Proteggi il cuore, centro biologico del corpo umano. Con le sue pulsazioni pompa il sangue in tutto l’organismo facendo sì che viva. Non lo sovraccaricare con alimenti grassi e bibite alcooliche.

2. Abbi cura del cuore. E’ il nostro centro psichico. Di lì escono, come ci ricorda Gesù, tutte le cose, buone o cattive. Comportati in modo tale che il cuore non sia obbligato a trasalire davanti a rischi e pericoli. Mantienilo calmo con una condotta serena e sana.

3. Sta’ attento al tuo cuore. Lui rappresenta la nostra dimensione del profondo. In lui si manifesta la coscienza che sempre ci segue, consiglia, ci avvisa e anche ci punisce. È nel cuore che brilla la sacra scintilla che produce in noi l’entusiasmo. Questo entusiasmo, filologicamente parlando, significa “Dio interiore”, che ci scalda e c’illumina. Il sentimento profondo del cuore ci convince che l’assurdo mai prevarrà sul suo sentire.

4. Coltiva la sensibilità propria del cuore. Non permettere che questa sensibilità sia dominata dalla ragione funzionale. Ma riconciliati con lei. È attraverso la sensibilità che percepiamo il battito del cuore dell’altro. Attraverso di lei avvertiamo che le montagne e le foreste, gli animali, il cielo stellato e Dio stesso hanno anche loro un cuore che batte. Insomma prendiamo atto che c’è un solo immenso cuore che pulsa in tutto l’universo.

5. Ama il tuo cuore. È la sede dell’amore. È l’amore che induce l’allegria dell’incontro tra persone che si vogliono bene e permette la fusione di corpi e menti in una sola e misteriosa realtà. È l’amore che fa il miracolo della vita attraverso l’unione amorosa dei sessi, e anche il dono disinteressato, la cura dei più deboli, le relazioni sociali includenti, le arti, la musica, l’estasi mistica per cui la persona si fonde con l’essere amato.

6. Abbi un cuore compassionevole, che sappia uscire da se stesso, e immaginare sé al posto dell’altro, per soffrire con lui, per portare le croci della vita e celebrare insieme l’allegria.

7. Apri il tuo cuore alla carezza essenziale. Essa è soave come una penna che viene dall’infinito e, a toccarla, ci dà la percezione di essere fratelli e sorelle e che apparteniamo alla stessa famiglia umana che abita nella casa comune.

8. Prepara il cuore alle premure, che rendono l’altro importante per te. La cura lenisce le ferite passate e previene le futuribili. Chi ama, ha cura; e chi ha cura, ama.

9. Raddolcisci il cuore con la tenerezza. Se vuoi che l’amore duri per sempre, circondalo di tenerezza e gentilezza.

10. Purifica il cuore giorno per giorno, perché le ombre, il risentimento e lo spirito di vendetta, che pure abitano il cuore, mai si sostituiscano al benvolere, alla grazia, all’amore. Così lui batterà all’unisono col ritmo dell’universo e troverà riposo nel cuore del Mistero, quella fonte originaria da cui tutto proviene e che noi chiamiamo semplicemente Dio.

Non sono fuori luogo cinque raccomandazioni che rafforzano l’amore
1. Metti il cuore in tutto quello che fai e pensi. I discorsi senza il cuore sono freddi e istituzionali. Le parole dette col cuore raggiungono il profondo delle persone. Si stabilisce così una sottile sinfonia con gl’interlocutori e ascoltatori che facilita la comprensione e l’adesione.

2. Cerca di articolare ragione e emozione. Senza forzature, perché essa deve spontaneamente rivelare la profonda convinzione di quel che si fa e si dice. Solo così arriva al cuore dell’altro e diventa convincente.

3. L’intelligenza intellettuale fredda, con la presunzione di poter comprenderé e risolvere tutto, genera una percezione razionalista e riduzionista della realtà. Ma d’altra parte, anche l’eccesso di ragione cordiale e sensibile può scadere a sentimentalismo dolciastro e in proclami populisti, che allontanano le persone. È sempre importante cercare la misura giusta tra mente e cuore, ma articolando i due poli a partire dal cuore

4. Quando parli in un uditorio o a un gruppo, cerca di entrare in sintonia con l’atmosfera lì creata. Al momento che ti tocca parlare, non parlare solo a partire dalla testa, ma dà la precedenza al cuore. È lui che sente, vibra e fa vibrare. Le ragioni dell’intelligenza intellettuale sono efficaci, solo se amalgamate con la sensibilità del cuore.

5. Credere non è pensare a Dio. Credere è sentire Dio a partire dal cuore. A questo punto ci rendiamo conto che ci tiene sempre in palma di mano e che un’energia amorosa e potente ci illumina, ci riscalda e presiede al cammino della vita, della Terra e dell’intero universo.

*Leonardo Boff, columnist del JB on line y ecoteólogo

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato