“Amazônia, santuário intangível da Casa Comum”

Nestes tempos em que se está realizando em Roma o Sínodo Panamazônico, muitos grupos se manifestam e enviam suas petições ou comentários ao grupo central, responsável pela redação do documento final. Um desses, creio, dos mais impressionantes vem de grupos indígenas sul-americanos com mais de 400 subscrições de lideranças indígenas, de bispos e outros expertos do bioma amazônico. O texto chegou às mãos do Papa pelo bispo Dom Evaristo Spengler da ilha do Marajó que se notabilizou, anteriormente, por uma extraordinária intervenção na fase preparatória.Lboff

Este é o texto

               “Amazônia, santuário intangível da Casa Comum”

“Saudamos a realização do Sínodo Panamazônico, uma extraordinária iniciativa do Papa Francisco pela qual esta importante asembléia colegial pode ver a problemática, analizar e avaliar a realidade a luz da Palavra e desenhar propostas de ação. A iniciativa é um sinal de esperança no meio dos perigos que ameaçam a subsistência da Casa Comum.

Pedimos ao Papa Francisco e a todos os padres sinodais uma declaração da Amazônia como Santuario da Casa Común.

Esta declaratória seria um chamado espiritual e profético a todos os homens e mulheres de boa vontade para que se reconheça a Amazônia, que cobre 9 países, como terra santa, tão sagrada como a da sarça ardente de Moisés que escutou as palavras de Deus, “o lugar em que estás é terra santa”.

A declaratória seria um chamado à consciência universal e particularmente um pedido aos organismos mundiais e aos estados responsáveis para que tomem as medidas urgentes e profundas que se fazem necessárias para salvar a vida no planeta.

As medidas deveriam ser feitas e aplicadas com sentido de emergência, considerando a velocidade e a profundidade das mudanças adversas que vêm afetando cada vez mais o clima, o habitat e a vida dos povos amazônicos. Os objetivos devem enfocar o problema como um todo, pois tudo é afetado sistematicamente. A flora é impactada e a fauna, o clima, o ar, e o regime de chuvas, comprometendo o delicado equilíbrio de todos os ecossistemas e mesmo a vida dos povos amazônicos, cujo extermínio está cada vez mais próximo. Os povos não são uma espécie a mais do sistema. São uma obra magnífica de Deus, sua imagem e semelhança. Eles receberam do Criador esse paraíso natural, o desfrutam e o protegem. Sabendo-se e sentindo-se um com seu mundo, sabem como viver sem afetar seu equilíbrio.

Consequentemente as medidas deveriam ser assim implementadas.

1.Que se determinem legalmente os territórios suficientes para cada uma das diversas nacionalidades indígenas que habitam na Amazônia, considerando sua forma de viver e de interagir com a natureza.

2.Que a delimitação e a localização dos territórios seja tal que cada um constitua um refúgio seguro e a base de sustento e nutrição dos povos indígenas e a vida da Amazônia.

Que se aplique a estes territórios uma significativa moratória das atividades extrativistas que prejudicam a floresta, também das petroleiras e das mineradoras. Da mesma forma se discuta seriamente a implementação de plantações e de criação de gado que implicam desflorestação. Especialmente que se garanta a sustentabilidade para uma eventual abertura de estradas e de centrais hidrelétricas. Em fim, que cessem as intervenções predatórias tanto por parte dos governos quanto dos grupos econômicos interessados, nacionais e internacionais.
Que os povos indígenas possam exercer nestes territórios sua autoridade, no marco da autodeterminação, do autogoverno, da justiça ancestral de acordo com os usos e costumes e sua vida política, cultural e espiritual em plenitude, sentido-se parte da nação.
Os acordos e pactos internacionais ficaram sem eficácia porque não são obrigatórios para os países. Não se estabeleceram consequências para a sua não implementação. Aspiramos que o Sínodo possa demandar aos organismos internacionais para que peçam a aplicação efetiva e eficaz das resoluções tomadas.

Pedimos aos padres sinodais que atuem com energia para pedir que os estados que se comprometeram com seus compromissos em favor da Amazônia mediante a adoção de mecanismos idôneos, independentes do vai- e- vem das conjunturas políticas.

Desta forma, a Declaratória de Santuário, será um instrumento idôneo para salvaguardar os povos indígenas em isolamento voluntário. Eles constituem grupos humanos mais vulneráveis da Amazônia e do mundo, vítimas da violência do modelo econômico global, depredador, imposto. Ao mesmo tempo comparecem como um testemunho de resistência a esta globocolonização que uniformiza e mata a diversidade e a vida da humanidade e do planeta.

“Para o indígena, a terra é mãe. Não se trata de uma maneira de falar, não é um puro sentimentalismo. O povo indígena considera, dentro de seu núcleo cultural, dentro de seu pensamento, a terra como sua mãe… pensamento que, por outra parte, se identifica com o pensamento das Sagradas Escrituras, em outras palavras, com o pensamento de Deus”(Dom Leônidas Proaño, bispo de Riobamba, Equador). E acrescenta ainda o Papa Francisco em sua encíclica Laudato Si sobre o cuidado da Casa Comum. “Para os indígenas a Terra não é um bem econômico, senão é um dom de Deus e de seus antepassados que descansam nela, um espaço sagrado pois o nessecitam para interagir e para sustentar sua identidade e seus valores; quando permanecem em seus territórios, são precisamente eles que melhor os cuidam”(n.146).

Queremos finalizar com as palavras de Bernardo Alves, do povo indígena Sateré-Mawé. “Os povos indígenas são bibliotecas vivas. São guardiães, cuidadores e jardineiros da Amazônia e do planeta. Cada vez que um povo indígena é exterminado ou desaparece, um rosto de Tupãna (Deus),morre e o cosmos, e o planeta e toda a humanidade se empobrecem”.

Articulação- Pueblo Indio del Ecuador, Quito.

e-mail fpie@fundaciónpuebloindio.org

Seguem mais de 400 subscrições de lídres indígenas, de muitos bispos, especialistas, militantes, missionários e missionárias e representantes de povos da floresta.

 

 

 

 

Dom Evaristo Spengler entregando ao Papa o Documento Amazônia Santuário intangível da Casa Comum

“Amazônia, santuário intangível da Casa Comum”

“Amazônia, santuário intangível da Casa Comum”

       Nestes tempos em que se está realizando em Roma o Sínodo Panamazônico, muitos grupos se manifestam e enviam suas petições ou comentários ao grupo central, responsável pela redação do documento final. Um desses, creio, dos mais impressionantes vem de grupos indígenas sul-americanos com mais de 400 subscrições de lideranças indígenas, de bispos e outros expertos do bioma amazônico. O texto chegou às mãos do Papa pelo bispo Dom Evaristo Spengler da ilha do Marajó que se notabilizou, anteriormente, por uma extraordinária intervenção na fase preparatória.Lboff

Este é o texto

Amazônia, santuário intangível da Casa Comum

“Saudamos a realização do Sínodo Panamazônico, uma extraordinária iniciativa do Papa Francisco pela qual esta importante asembléia colegial pode ver a problemática, analizar e avaliar a realidade a luz da Palavra e desenhar propostas de ação. A iniciativa é um sinal de esperança no meio dos perigos que ameaçam a subsistência da Casa Comum.

Pedimos ao Papa Francisco e a todos os padres sinodais uma declaração da Amazônia como Santuario da Casa Común.

         Esta declaratória seria um chamado espiritual e profético a todos os homens e mulheres de boa vontade para que se reconheça a Amazônia, que cobre 9 países, como terra santa, tão sagrada como a da sarça ardente de Moisés que escutou as palavras de Deus, “o lugar em que estás é terra santa”.

A declaratória seria um chamado à consciência universal e particularmente um pedido aos organismos mundiais e aos estados responsáveis para que tomem as medidas urgentes e profundas que se fazem necessárias para salvar a vida no planeta.

As medidas deveriam ser feitas e aplicadas com sentido de emergência, considerando a velocidade e a profundidade das mudanças adversas que vêm afetando cada vez mais o clima, o habitat e a vida dos povos amazônicos. Os objetivos devem enfocar o problema como um todo, pois tudo é afetado sistematicamente. A flora é impactada e a fauna, o clima, o ar, e o regime de chuvas, comprometendo o delicado equilíbrio de todos os ecossistemas e mesmo a vida dos povos amazônicos, cujo extermínio está cada vez mais próximo. Os povos não são uma espécie a mais do sistema. São uma obra magnífica de Deus, sua imagem e semelhança. Eles receberam do Criador esse paraíso natural, o desfrutam e o protegem. Sabendo-se e sentindo-se um com seu mundo, sabem como viver sem afetar seu equilíbrio.

Consequentemente as medidas deveriam ser assim implementadas.

1.Que se determinem legalmente os territórios suficientes para cada uma das diversas nacionalidades indígenas que habitam na Amazônia, considerando sua forma de viver e de interagir com a natureza.

2.Que a delimitação e a localização dos territórios seja tal que cada um constitua um refúgio seguro e a base de sustento e nutrição dos povos indígenas e a vida da Amazônia.

  1. Que se aplique a estes territórios uma significativa moratória das atividades extrativistas que prejudicam a floresta, também das petroleiras e das mineradoras. Da mesma forma se discuta seriamente a implementação de plantações e de criação de gado que implicam desflorestação. Especialmente que se garanta a sustentabilidade para uma eventual abertura de estradas e de centrais hidrelétricas. Em fim, que cessem as intervenções predatórias tanto por parte dos governos quanto dos grupos econômicos interessados, nacionais e internacionais.
  2. Que os povos indígenas possam exercer nestes territórios sua autoridade, no marco da autodeterminação, do autogoverno, da justiça ancestral de acordo com os usos e costumes e sua vida política, cultural e espiritual em plenitude, sentido-se parte da nação.

Os acordos e pactos internacionais ficaram sem eficácia porque não são obrigatórios para os países. Não se estabeleceram consequências para a sua não implementação. Aspiramos que o Sínodo possa demandar aos organismos internacionais para que peçam a aplicação efetiva e eficaz das resoluções tomadas.

Pedimos aos padres sinodais que atuem com energia para pedir que os estados que se comprometeram com seus compromissos em favor da Amazônia mediante a adoção de mecanismos idôneos, independentes do vai- e- vem das conjunturas políticas.

Desta forma, a Declaratória de Santuário, será um instrumento idôneo para salvaguardar os povos indígenas em isolamento voluntário. Eles constituem grupos humanos mais vulneráveis da Amazônia e do mundo, vítimas da violência do modelo econômico global, depredador, imposto. Ao mesmo tempo comparecem como um testemunho de resistência a esta globocolonização que uniformiza e mata a diversidade e a vida da humanidade e do planeta.

Para o indígena, a terra é mãe. Não se trata de uma maneira de falar, não é um puro sentimentalismo. O povo indígena considera, dentro de seu núcleo cultural, dentro de seu pensamento, a terra como sua mãe… pensamento que, por outra parte, se identifica com o pensamento das Sagradas Escrituras, em outras palavras, com o pensamento de Deus”(Dom Leônidas Proaño, bispo de Riobamba, Equador). E acrescenta ainda o Papa Francisco em sua encíclica Laudato Si sobre o cuidado da Casa Comum. “Para os indígenas a Terra não é um bem econômico, senão é um dom de Deus e de seus antepassados que descansam nela, um espaço sagrado pois o nessecitam para interagir e para sustentar sua identidade e seus valores; quando permanecem em seus territórios, são precisamente eles que melhor os cuidam”(n.146).

Queremos finalizar com as palavras de Bernardo Alves, do povo indígena Sateré-Mawé. “Os povos indígenas são bibliotecas vivas. São guardiães, cuidadores e jardineiros da Amazônia e do planeta. Cada vez que um povo indígena é exterminado ou desaparece, um rosto de Tupãna (Deus),morre e o cosmos, e o planeta e toda a humanidade se empobrecem”.

 

Articulação– Pueblo Indio del Ecuador, Quito.

e-mail   fpie@fundaciónpuebloindio.org

Seguem mais de 400 subscrições de lídres indígenas, de muitos bispos, especialistas, militantes, missionários e missionárias e representantes de povos da floresta.

 

 

 

Cómo el Sínodo Panamazónico puede sorprendernos

Hasta el 27 de octubre se celebra en Roma el Sínodo Panamazónico. Ya en 1974 el Papa Pablo VI instituyó la firgura del Sínodo, primero ell Sínodo de los obispos, con representantes de todos los continentes y también los Sínodos regionales, como el Sínodo de los obspos holandeses en 1980 y el Sínodo de los obispos alemanes que se está realizando en 2019 y otros.

El sínodo, cuyo significado etimológico significa “hacer un camino juntos” representa una ocasión para que las Iglesias locales o regionales tomen el pulso del caminhar de sus iglesias, analizando los problemas, identificando los desafios y buscando juntos caminos de implementación y actualización del evangelio.

El Sínodo Panamazónico tiene una especial relevancia, dado el doble grado de conciencia revelado en el propio tema básico: “Nuevos caminos para la Iglesia y para la Ecología integral”. Se trata de definir otro tipo de presencia de la Iglesia en las Américas y especificamente en esta vasta región amazónica que abarca 9 países en una extensión de más de 8 millones de kilómetros cuadrados. El otro grado de conciencia se revela en la importancia que tiene la Amazonia para el equilíbrio de la Tierra y para el futuro de la vida y de la humanidad.

La Iglesia romano-católica en América Latina y en la Amazonia era una Iglesia-espejo de la Iglesia-madre de Europa. Después de cinco siglos se ha transformado en una Iglesia-fuente, con un rostro afro-índio-europeo. En la homilia de apertura del Sínodo, el día 4 de octubre, el Papa Francisco dijo claramente: ”Cuantas veces el don de Dios ha sido, no ofrecido, sino impuesto! Cuantas veces ha habido colonización en vez de evangelización! Dios nos preserve de la ganancia de los nuevos colonialismos”. En otra ocasión, en Puerto Maldonado (Perú), pidió perdón, cosa nunca hecha antes por un Papa: ”Pido humildemente perdón, no solo por las ofensas de la propia Iglesia sino por los crímenes contra los pueblos originarios durante la conquista de América”.

En el Instrumento de Trabajo para preparar el Sínodo, se pide que sejan ordenados “viri probati”, es decir, hombres casados, comprobamente honrados, especialmente indígenas, para ser ordenados sacerdotes. El obispo emérito de Xingú, la diócesis mayor del mundo, Don Erwin Kräutler, sugirió al Papa que en vez de decir “viri probati”(hombres) se diga “personae probatae (perdonas comprobadas), lo que incluye también a las mujeres. Dice él: en las comunidades ellas hacen todo lo que hace el sacerdote menos consagrar el pan y el vino. Por que no concederles también esta misióm? Maria dio a luz a Jesús, el Hijo de Dios. Sus herrmanas, las mujeres, por qué no van a poder representarlo? Además el texto dice que se dará a las mujeres una misión especial. Bien podría ser, como se hace en todas las demás iglesias cristianas, que las mujeres sean, a su manera, también sacerdotes.

Este Papa es innovador y valiente. Dicen los mejores teólogos que no hay ningún dogma o doctrina que impida a las mujeres representar a Cristo. Teológicamente hablando, sacerdote no es el que consagra. Es Cristo quien consagra. El sacerdote solo le da visibilidad. Sólo el patriarcalismo todavia reinante lo impide.

La cuestiónn más aguda e importante es la salvaguarda del bioma amazónico. Esa vasta región ha sido objeto de investigación por parte de grandes científicos desde hace por lo menos dos siglos. Decía Euclides da Cunha en sus ensayos amazónicos:”La inteligencia humana no soportaría el peso de la realidad portentosa de la Amazonia; tendrá que crecer con ella, adaptándose a ella, para dominarla (Vozes 1976,p.15). Ella es el gran filtro del mundo que secuestra dióxido de carbono, mitiga el calentamiento global y nos entrega oxígeno. La biodiversidad en ella es tanta que “en pocas hectáreas de la selva amazónica existe un número de especies de plantas y de insectos mayor que toda la flora y fauna de Europa”, nos dice el gran especialista E.Salati.

Pero su significado principal reside en la inmensidad de las aguas, sea de los rios volantes (humedad de los árboles) sea de la superficie del río, sea del inmenso acuífero Alter do Chão. Si no se preserva la floresta en pie, el Amazonas puede transformarse en un desierto como el Sahara, que hace 15 mil años era una especie de Amazonia, con el rio Nilo desaguando en el Atlántico. Si la Amazonia furese deforestada cincuenta mil millones de toneladas de dióxido de carbono serían lanzadas al cielo, haciendo imposible la vida en el sur del Continente.

El papa se refirió a la situación de la Amazonia al analizar la situación actual mundial: “la Tierra cada vez está más interconectada y habitada por pueblos que forman parte de una comunidad global; por ejemplo, el problema de los incendios en la Amazonia, no es solo de esa región. Es un problema mundial, así como el fenómeno migratorio”.

Cada vez crece más la conciencia de que el bioma amazónico es un Bien Común de la Tierra y de la Humanidad. El llamamiento a la soberanía de cada país se mueve todavía dentro del viejo paradigma que dividía el planeta en partes. Ahora se trata de reunir las partes y construir la Casa Común para nosotros y para toda la comunidad de vida. Brasil no es dueño de la Amazonia (63%), es solo su administrador, ahora bajo el nuevo gobierno de forma altamente irresponsable, al hacer poco caso de los incendios y en función de los minerales, del petróleo y de otras riquezas incentivar grandes proyectos que amenazan a los pueblos originarios – los que saben cuidar y preservar la selva– y al equilibrio ecológico de toda la Casa Común.

Existe un proyecto, suscrito por decenas de caciques, obispos, autoridades, científicos y otros, para ser presentado en el Sínodo de declarar a la “Amazonia, santuario intangible de la Casa Común”!

La UNESCO ya ha registrado varios biomas en varios países, por qué no hacerlo con la Amazonia, en la cual se juega en parte el futuro de la vitalidad de la Tierra y de nuestra civilización?

* Leonardo Boff es ecoteólogo, filósofo y escritor.

Traducción de Mª José Gavito Milano

 

 

Das Vermächtnis des Chico Mendes für die Amazonas-Synode

Francisco Alves Filho, besser bekannt als Chico Mendes, war ein echtes Kind des Urwalds und identifizierte sich mit ihm. Er erkannte bald, dass die gegenwärtige Entwicklung die Natur überflüssig macht und gegen diese gerichtet ist, da sie sie eher als Hindernis denn als Verbündeten sieht. Er war einer der wenigen, die Nachhaltigkeit als ein dynamisches und selbstregulierendes Gleichgewicht der Erde verstanden, dank der Kette der gegenseitigen Abhängigkeit zwischen allen Wesen, insbesondere den Lebewesen, die von recycelten Ressourcen leben und daher stets nachhaltig sind. Der Amazonas ist das beste Beispiel für diese natürliche Nachhaltigkeit.

Diejenigen unter uns, die ihn kannten und seine Freundschaft genossen, kennen seine tiefe Identifikation mit dem Amazonas-Regenwald, mit dessen immensen Artenvielfalt, mit den Seringales (Gummibaumplantagen), mit den Tieren, mit den geringsten Anzeichen von Waldleben. Er hatte den Geist eines modernen Hl. Franziskus. Er teilte seine Zeit zwischen der Stadt und dem Urwald auf. Als er in der Stadt war, hörte er den Ruf des Urwalds, in seinem Körper und in seiner Seele. Er fühlte sich als Teil des Urwalds, nicht über ihn erhaben. Deshalb kehrte er von Zeit zu Zeit zu seinem Seringal und zur Gemeinschaft mit der Natur zurück. Dort fühlte er sich in seinem Lebensraum, in seinem wahren Zuhause. Aufgrund seines sozio-ökologischen Bewusstseins verließ er den Urwald für einige Zeit, um die Seringueros (Gummiarbeiter) zu organisieren, Gewerkschaftszellen zu gründen und an Widerstandskämpfen teilzunehmen: die berühmten “Bindungen” (empates), eine Strategie, nach der die Seringueros zusammen mit ihren Kindern, ihren Älteste und anderen Verbündeten sich friedlich den Maschinen gegenüber stellten, die ihre Bäume fällen sollten.  Angesichts der Brandkatastrophe, wie sie derzeit im Amazonas wütet und die im Jahr 2019 74.155 Brennpunkte mit einer Fläche von 18.627 km2 umfasste, schlug Chico Mendes im Namen der Bewegung der Urwalddörfer die Schaffung von Rohstoffreserven vor, was von der Regierung akzeptiert wurden: „Wir, die Seringueros, verstehen, dass der Amazonas nicht in ein unantastbares Heiligtum verwandelt werden kann. Andererseits verstehen wir auch, dass es einen dringenden Entwicklungsbedarf gibt, ohne jedoch das Leben der Völker des Planeten zu gefährden.“ Er sagte: „Am Anfang habe ich die Seringueros verteidigt, dann habe ich verstanden, dass ich die Natur verteidigen muss, und schließlich habe ich erkannt, dass ich die Menschheit verteidigen muss. Deshalb schlagen wir eine Alternative zur Erhaltung des Urwaldes vor, die gleichzeitig ökonomisch sein kann. Wir dachten damals daran, die Rohstoffreserven zu schaffen“ (vgl. Grzybowski, C., (org.) Der Wille des Urwaldmenschen: Chico Mendes allein, FASE, Rio de Janeiro 1989, S. 24). Er selbst erklärte, wie es funktionieren würde: „In den Rohstoffreserven werden wir die Produkte vermarkten und industrialisieren, die der Urwald uns großzügig gewährt. Die Universität muss die Rohstoffreserve begleiten. Nur auf diese Weise kann der Amazonas erhalten bleiben. Diese Reserve hat keine Eigentümer. Es wird ein gemeindliches Gut der Gemeinschaft sein. Wir werden den Nießbrauch haben, nicht das Eigentum“ (vgl. Jornal do Brasil, 24.12.1988). „Auf diese Weise würden wir eine Alternative zum wilden Abbau finden, der nur den Spekulanten Vorteile bringt. Ein in Acre geschnittener Mahagonibaum kostet 1 bis 5 Dollar. Der Verkauf auf dem europäischen Markt kostet zwischen 3 und 5 Tausend US-Dollar.“ An Heiligabend 1988 fiel er dem Hass der Feinde der Natur und der Menschheit zum Opfer. Er wurde mit fünf Kugeln getötet. Er verließ sein Amazonas-Leben, um in die universelle Geschichte und das kollektive Unterbewusstsein der Menschen einzutreten, die unseren Planeten und seine Artenvielfalt lieben. Chico Mendes ist zu einem Archetyp geworden, der den Kampf für den Erhalt des Amazonas-Regenwaldes und der Völker des Urwalds fördert, welcher jetzt von Millionen von Menschen auf der ganzen Welt übernommen wird. Wir verstehen die Empörung vieler G7-Mitglieder unter der Führung des französischen Präsidenten E. Macron über die von Präsident Bolsonaro verursachte irrationale Verwüstung. Er begeht ein Verbrechen gegen die Menschlichkeit und verdient, dafür vor Gericht gestellt zu werden. Der Amazonas ist ein Gemeinwohl der Menschheit. Die Amazonas-Megaprojekte (Brasilien und das Ausland) offenbaren die Art der räuberischen Entwicklung des Kapitalismus. Es produziert nur Wachstum, das sich einige auf Kosten des Urwalds und des Elends seiner Völker angeeignet haben. Dies widerspricht dem Leben und ist ein Feind der Erde. Es ist das Ergebnis einer wahnsinnigen Irrationalität. Bei solchen pharaonischen Projekten werden Entscheidungen ohne angemessene Informationen in kalten Büros getroffen, abseits der bezaubernden Landschaft, blind für die flehenden Gesichter der Sertanejos und gleichgültig gegenüber den unschuldigen Augen des indigenen Volkes. Dies sind Entscheidungen, die von Menschen ohne Empathie getroffen werden, die weder Respekt vor dem Urwald haben noch menschliche Solidarität verspüren. Das Arbeitsprojekt der Amazonas-Synode ist anders. Dort ist die Stimme, auf die am meisten gehört wird und die die stärkste Präsenz hat, die der Völker des Urwalds. Sie wissen, wie man sie schützt. Sie haben die besten Vorschläge, indem sie den Schutz des Urwaldes mit der Gewinnung und Produktion ihrer natürlichen Vermögenswerte verbinden. Diese “Entwicklung”, die mit den Menschen und für die Menschen gemacht wird, delegitimiert die vorherrschende Idee, insbesondere die des Agrobusiness, dass Wälder und Dschungel ausgerottet werden müssen, weil sonst die Moderne nicht gedeihen könne. Studien haben gezeigt, dass es nicht notwendig ist, den Amazonas-Regenwald zu zerstören, um Wohlstand zu erlangen. Die Gewinnung von Früchten aus Palmen (Açaí, Burití oder Moriche, Bacába oder Milpesillo, Chontaduro usw.), Paranüssen, Kautschuk, pflanzlichen Ölen und Farbstoffen, alkaloiden Substanzen für die Pharmakologie, Substanzen mit herbizidem und fungizidem Wert sind profitabler als alle Entwaldung, die unter der Regierung von Bolsonaro um mehr als 230% angestiegen ist. Nur 10% von Roxas (Land der Indigenen), das bereits als fruchtbar eingestuft wurde, können in große landwirtschaftliche Produktivitätsgebiete umgewandelt werden. Die Ausbeutung von Mineralien und Holz kann mit einer dauerhaften Wiederaufforstung einhergehen, die die grüne Natur der betroffenen Gebiete sichert (vgl. Moran, E., Die menschliche Wirtschaft der Amazonasbevölkerung, Vozes, Petrópolis 1990, 293 und 404-405) Schubart, H., Ökologie und Nutzung der Wälder, in Salati, E., Amazonien, Entwicklung, Integration, Ökologie, aa O. 101-143). Der Amazonas kann ein Testort für eine mögliche Alternative sein, in Übereinstimmung mit dem Rhythmus seiner überschwänglichen Natur die Weisheit der ursprünglichen Völker zu respektieren und zu schätzen. Chico Mendes wird für die Amazonas-Synode, die im Oktober 2019 in Rom stattfindet, ein Paradigmenbeispiel und eine Quelle der Inspiration sein.

 Leonardo Boff Ökologe-Theologe-Philosoph, Erdcharta Kommissioner