A estupidez social e ambiental condena toda a vida: Eduardo Gudynas

Eduardo Gudynas, uruguaio, é um dos grandes ecólogos mundiais. Está entre os primeiros a formular uma ecologia social.Este artigo é um balanço de 2018 sobre os dramas ecologicosocias que se aproximam, se não mudarmos a nossa relação para com a Mãe Terra -tema central da encíclica do Papa Francisco “sobre o cuidado da Casa Comum – e para com a natureza em geral. Bem afirmou um dos maiores cosmólogos vivos e também grande ecogoista Brian Swimme:”Os poderes determinantes de nossas formas culturais manifestam uma preocupação mínima pela situação catastrófica diante de nós.O remédio seria um golpe que significaria a escolha entre a morte ou o abandono de nosso modo  vicioso de viver.O golpe que nos aguarda não é simplesmente do humano; é um golpe dos biossistemas da Terra. O golpe, na verdade, seria da própria Terra”(The universe story,1999,292). Essa advertência De Swimme é grave pois o atual Presidente e alguns ministros dão prova do que Gudynas constata: a estupidez social e ambiental que pode levar não só o Brasil mas a inteira humanidade a uma situação de alto risco e de proporções  imponderáveis. LBoff

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A estupidez social e ambiental condena toda a vida: Eduardo Gudynas

Revista ihu on-line   08/01/2019

No artigo a seguir Eduardo Gudynas faz um balanço de 2018 e também uma reflexão sobre a situação continental e mundial, em parte recordando a teoria crítica de Frankfurt. Gudynas é analista no Centro Latino Americano de Ecologia Social (CLAES), de Montevidéu.

O texto foi publicado por www.ambiental.net, 26-12-2018, e enviado para o IHU pelo autor. A tradução é de Graziela Wolfart.

Eis o artigo.

Há circunstâncias nas quais parece que a esperança some e ficamos presos em uma estagnação onde “tudo o que vive está sob condenação”. Essa foi a dura advertência que há mais de meio século escreveram Max Horkheimer e Theodor Adorno nas últimas linhas de sua “Dialética do Iluminismo” (1). No contexto da segunda guerra mundial e da revelação do holocausto, os dois filósofos alertaram que essa humanidade que abraçou a ciência e a razão, ao contrário de suas aspirações, caminhava até a barbárie e a destruição.

Os aspectos centrais dessa questão persistem na atualidade e merecem ser analisados ao finalizar o ano de 2018. Somos testemunhas de uma crise social e ambiental em todas as escalas, desde a planetária, passando à continental e chegando em cada país. A pobreza está de volta em cada esquina, e pode ser vista claramente nas grandes cidades (2). Estamos atravessados por uma fratura cultural que faz com que aqueles que vivem de um lado muitas vezes não possam compreender o castelhano dos que estão do outro lado. Comemos alimentos cheios de química, bebemos águas muitas vezes contaminadas, e respiramos um ar tóxico.

Estamos imersos em um mar de impactos, uns pequenos outros maiores, mas quase todos persistentes e repetidos. A situação é tão dramática que parece que os que hoje são os mais jovens podem perder anos de esperança de vida devido à contaminação (3). A riqueza ecológica latino-americana desaparece diante de nossos olhos; calcula-se uma perda aproximada de 89% nas populações de espécies na América Latina nas últimas cinco décadas, o que é o pior registro para todo o planeta (4).

Nas comunidades campesinas e indígenas estas degradações são particularmente dolorosas, já que elas estão localizadas no centro da articulação entre a sociedade e a natureza, e sofrem simultaneamente com todos esses problemas.

Nenhuma destas questões são desconhecidas. Tudo foi analisado, medido, experimentado, contabilizado e descrito. Sabemos disso. Está explicado em castelhano, inglês e muitos outros idiomas; em milhares de artigos, livros e vídeos. Cada semana se somam novos relatórios que reafirmam a gravidade da situação social e ambiental. Mas toda essa acumulação de informação científica e os alertas das organizações civis que se especializam nesses temas, continuam sendo insuficientes ou incapazes para uma mudança substantiva nos caminhos de nossa civilização. É difícil sustentar a esperança sob estas circunstâncias.

O congelamento da esperança, na análise de Horkheimer e Adorno, estava enquadrado na estupidez. Recordemos que essa palavra alude, em castelhano, a uma “estupidez notável” em compreender as coisas, e isto é justamente o que acontece. Apesar de ter toda a evidência em mãos sobre as severíssimas consequências do que está acontecendo, os governos, as empresas e boa parte da sociedade parecem não compreender, como se não temessem o que os rodeia, e persistem em manter estilos de vida que reproduzem a deterioração.

Este componente da estupidez já não pode ser negado graças aos delírios que observamos com Donald Trump nos Estados Unidos, dizendo entre outras coisas que a mudança climática não existe ou que é uma invenção dos chineses. Isso continua mais evidente nas declarações de Jair Bolsonaro e membros de sua equipe no Brasil. Mas sendo sinceros, já temos outros exemplos dessas tolices em praticamente todos os países, onde sempre é possível encontrar declarações infelizes de presidentes, ministros, empresários ou acadêmicos que desnudam sua ignorância sobre os problemas ambientais ou a crise social. Neles se mistura a estupidez com a ignorância, mas tampouco é raro que a mentira que busca alguma vantagem seja disfarçada de tolice. De um modo ou outro, a estupidez já não se dissimula.

Navegamos na estranha condição onde são milhões os que se divertem em ver quem é mais estúpido, se os Trumps ou os Bolsonaros em cada um de nossos países. Enquanto isso a crise avança, sem pausa. Denunciamos ou festejamos o estúpido, mas com ele ficamos imóveis e em alguma medida nós também fazemos o papel de bobo. Por mais que se coloquem os vídeos das besteiras no Facebook ou se encaminhem aos amigos no WhatsApp, nada disso garante solucionar os problemas, nem está servindo para evitar votar em outro estúpido na próxima eleição.

Sob essa imobilidade, os problemas sociais e ambientais continuam acumulando. Diferente das avaliações econômicas, o início do próximo ano não implica reiniciar do zero os indicadores ou a contabilidade, mas, por exemplo, o desmatamento deste ano se soma ao dos anos passados, os atrasos educativos são agregados entre si, e desta maneira, cada impacto social ou ambiental se acumula sobre os anteriores. Como são tantos e sua acumulação já se aproxima a dois séculos, a atual discussão científica agora aponta para a possibilidade de um colapso ecológico em escala planetária em um futuro próximo (5). Se justificam então as falas de Horkheimer e Adorno de que tanta estupidez termina em condenar a tudo o que está vivo.

É evidente que o vizinho da esquina não tem que ser um especialista em políticas sociais, nem a vizinha da próxima quadra ser expert em conservação da biodiversidade. Todos eles de uma ou outra maneira esperam, e em muitos casos confiam, que exista uma liderança política para enfrentar estes temas. Nesse esquema ideal são os políticos, como legisladores ou ministros, que devem promover mudanças nas políticas e na gestão, articular-se com os saberes de acadêmicos e atuar sobre o mundo empresarial. Devemos aceitar que essa estrutura não funciona por muitos e diversos fatores, sem deixar de reconhecer que há uma derrota da política em vários países (ainda que de tipo diferente, possivelmente os casos mais extremos ao finalizar 2018 se encontrem sobretudo na Nicarágua e na Venezuela).

A estupidez em entender a problemática socioambiental assola não só os políticos profissionais como também boa parte do empresariado e inclusive a academia. Estamos diante de uma estupidez sistêmica, já que ao estar tão disseminada termina arrastando quase todos. Inclusive quem aparenta ser inteligente e sagaz pode terminar em conflitos políticos que levam a resoluções erradas na gestão governamental, como alertava Rick Lewis, editor da revista “Filosofia Agora” (6). Inclusive onde realmente prevalecem os tolos, serão aproveitados para que sobre eles se enfoque a atenção, enquanto que os que não têm nada de estúpidos controlam a economia e a política escondidos nas penumbras.

A estupidez contribuiu ao giro que converteu a razão em uma antirrazão, para seguir com a lógica de Horkheimer e Adorno, e que em seus tempos descreviam como uma luta no alto pelo poder fascista enquanto que o resto devia se adaptar a qualquer custo à injustiça para sobreviver. Se poderá argumentar que aquele diagnóstico da dupla de filósofos era adequado para um mundo imerso em uma guerra mundial, mas não seria de todo aplicável à atualidade. Mas vale a pena se perguntar se aquele contexto é realmente muito diferente do que aconteceu neste jovem século XXI.

A paralisia da estupidez sistêmica atual também combina com outro significado da palavra “estúpido”, um pouco mais antigo, e que invoca o ficar aturdido, paralisado. 2018 é encerrado em um atordoamento generalizado em múltiplos campos e temas; o último deles ocorreu com o encontro governamental de mudança climática, onde não se conseguiu nenhum acordo concreto e efetivo, e ao contrário, se repetiu todo tipo de bobagens.

Sem dúvida há muitas resistências e conflitos, e eles têm uma enorme importância em salvaguardar comunidades ou naturezas. São, além disso, exemplos de alternativas possíveis. Mas apesar deles, neste ano como nos anteriores, a situação se agravou um pouco mais. Se somam às circunstâncias das quais já não é possível um retorno, como ocorre com o assassinato de jovens em bairros populares, o mercúrio acumulado no corpo das crianças amazônicas, ou a extinção de uma espécie em uma selva tropical. Não existe reparação, compensação ou remediação possível para a morte, seja a da natureza como a dos humanos, não podem ser separadas uma da outra. Quando morre a Natureza também morre parte de nossa essência como humanos. Estamos tão aturdidos ou somos tão tolos que não nos damos conta disso. É tempo de reagir.

Notas:

  1. Dialética do iluminismo, M. Horkheimer y T.W. Adorno, Sudamericana, Buenos Aires, (1944) 1987.
  2. A pobreza em número absoluto de latino-americanos vem crescendo desde um mínimo recente em 2014, com 168 milhões de pessoas, a 187 milhões em 2017; em porcentagem da população passou de 28,5% a 30,7% no mesmo período; Panorama Social da América Latina 2017, CEPAL, Santiago.
  3. Air pollution reduces global life expectancy by nearly two years, 20 de novembro de 2018, Phys.org,
  4. Calculado para 1040 populações de 689 espécies (mamíferos, aves, anfíbios, repteis e peixes); é o pior indicador em todo o mundo; Living planet report 2018: aiming higher, Zoological Society London y WWF, Gland.
  5. Por exemplo Trajectories of the Earth system in the Anthropocene, W. Steffen e colab., Proceedings National Academy Sciences 115 (33): 8252-8259.
  6. The world’s biggest problem is stupidity, R. Lewis, Telegraph, 15 de dezembro de 2011

Ante el nuevo gobierno de ultra derecha que San Jorge nos socorra

Ante el nuevo gobierno de ultraderecha, furioso y perseguidor, que está tocando ya derechos fundamentales de los ciudadanos, especialmente los salarios, y de los de otra condición sexual, necesitamos unir nuestras fuerzas de resistencia y de crítica, por un imperativo ético, de salvaguardia de la democracia y de los commons que pertenecen al pueblo brasileño.

Además de este esfuerzo cívico, necesitamos la ayuda del santo preferido de los cariocas, que es San Jorge. Su historia legendaria nos puede dar ánimo y fortaleza.

Un dragón terrible amenazaba una pequeña ciudad del Norte de África. Exigía vidas humanas escogidas por sorteo. Cierto día, la suerte cayó sobre la hija del rey. Vestida de novia fue al encuentro de la muerte. Y he aquí que aparece San Jorge con su caballo blanco y su larga lanza. Hiere al dragón y lo domina. Le amarra la boca con el cinturón de la princesa y lo conduce, manso como un cordero, hasta el centro de la ciudad.

Necesitamos interpretar esta leyenda pues puede mejorar nuestra conciencia sobre lo que somos realmente. Sigo aquí las reflexiones de la psicología analítica de C. G. Jung y especialmente de su discípulo preferido Erik Neumann (cf. A história da origem da consciência, Cultrix 1990). Según él, el dragón que atemorizaba y el caballero heroico son dos dimensiones del mismo ser humano. El dragón en nosotros es nuestro inconsciente, nuestra ancestralidad oscura, nuestras sombras, nuestras rabias y odios. De este trasfondo irrumpieron hacia la luz la conciencia, la independencia del ego y nuestra capacidad de amar y de convivir humanamente, representados por San Jorge. Por eso en algunas iconografías, especialmente en una de Cataluña (es su patrono), así como en la del brasileiro Rogério Fernandes, el dragón aparece envolviendo todo el cuerpo del caballero San Jorge.

Somos esta contradicción viva: tenemos la parte San Jorge y la parte dragón dentro de nosotros. El desafío de la vida que siempre nos acompaña y nunca tiene un fin definitivo es que San Jorge mantenga sometido al dragón. No se trata de matarlo sino de domesticarlo y quitarle la ferocidad.

El pueblo siente la necesidad de un santo guerrero y vencedor, como se mostró en la novela “Salve Jorge” cuyo script fue hecho por una gran devota del santo, Malga di Paulo. San Jorge salva a las mujeres prostituidas contra el dragón del tráfico internacional de mujeres.

Lo que hemos estado presenciando últimamente en Brasil, especialmente durante la campaña electoral, y ahora, infelizmente, en el actual gobierno es la irrupción del dragón. Él amenazaba a todos y cobraba sacrificios. Aquí él actuó sin ataduras y se expresó mediante todo tipo de violencia verbal e incluso física contra homoafectivos, indígenas, opositores y mujeres. Como ya escribimos en este lugar, es la emergencia de la dimensión perversa de nuestra “cordialidad” que, según Sérgio Buarque de Holanda, puede manifestarse también mediante el odio y la enemistad. Ella estaba y está siempre presente dentro de nosotros. Pero en la condición psico-social-política que se ha creado puede salir de la oscuridad y manifestarse destructivamente.

Delante del dragón que ganó visibilidad ¿qué vamos a hacer? Tenemos que despertar al San Jorge que está dentro de nosotros. Él venció siempre al dragón. Vamos a usar las armas que ellos no pueden usar. A las discriminaciones responderemos con la inclusión de todos indistintamente. Al odio diseminado contra opositores, responderemos con amorosidad y compasión. A la creación de chivos expiatorios, responderemos con la defensa de los inocentemente marginados e injustamente condenados. A las mentiras y a las visones fantasiosas que nos quieren llevar a la Edad Media, responderemos con la fuerza de los hechos y haciendo valer el sentido de la contemporaneidad.

Hay que vencer el mal con el bien. No reenvidar con los métodos e ideologías esdrújulas que se presentan pretendiendo no tener ideología. Lo que en verdad más tienen los miembros del partido y varios ministros es una extraña ideología de hacer sonreír de tan baja, anticuada y ridícula.

En este afán, hacemos nuestra la oración popular: “Andaré vestido y armado con las armas de San Jorge para que mis enemigos, teniendo pies no me alcancen, teniendo manos, no me agarren y teniendo ojos no me vean… Que mis enemigos sean humildes y sumisos a Vos. Amén”.

*Leonardo Boff es teólogo y coordinador de la traducción de la obra completa de C.G.Jung en la editorial Vozes.

Traducción de Mª José Gavito Milano

 

2019: VOLO CIECO VERSO L’IGNOTO?

Gli ultimi anni sono stati tormentati nel nostro paese. E’ successo l’impeachment della Presidenta Dilma Rousseff, accuse serie di corruzione al suo successore, il Presidente Temer, operazione devastante del Lava-Jato con applicazione rigorosa del lawfare e la prigione di Lula il più grande leader popolare per un processo chiaramente senza parzialità e sprovvisto di prove materiali, criticate dai più famosi giuristi nazionali e internazionali.

Clamorosa è stata la campagna presidenziale segnata da utilizzazione massiccia dei media sociali con milioni di false notizie, bugie e calunnie da tutti i lati. In una orchestrazione ancora più marcata è stato eletto Bolsonaro un ex capitano dell’esercito dell’estrema destra fondamentalista religioso e esplicitamente omofobico. I suoi discorsi violenti se concretizzati metteranno a rischio la democrazia e il patto sociale disegnato a fatica dalla Costituzione del 1988. Mai si è visto nel nostro paese irrompere dell’odio della rabbia e delle parole di basso livello, in una parola, dalla dimensione oscura e perversa della cordialità brasiliana secondo Sergio Buarque de Holanda.

In uno stato di diritto democratico, una vittoria elettorale deve essere accettata da tutti, qualunque siano le critiche che dovessimo fare da posizioni politiche assunte.

Il candidato vincitore non ha proposto nessun progetto globale per il Brasile. Subito si è rivelato realmente sprovveduto per assumere la più alta responsabilità sul destino di un paese continentale e complesso come il nostro. Ha scaricato questo fardello passandolo ai suoi ministri molti dei quali sono militari. Alcuni civili rivelano un oscurantismo intellettuale evidente da causare spavento persino all’estero.

Tutto sembra indicare che siamo in un volo cieco verso l’incerto. Tutto può succedere.

Che posizione prendere? prima di tutto fare una opzione di compromesso e patriottica a favore del Brasile. Il Brasile è tutto, i partiti vincitori e vinti sono soltanto delle parti. Dobbiamo tutti costruire il tutto per tutti.

Davanti al Brasile abbiamo bisogno di dimenticare le querele del passato e guardare in avanti e molto lontano. Dobbiamo sentirci come pesci che risalgono il fiume. Anche se nuotiamo contro corrente, avanzeremo come loro per produrre vita. Come diceva J.F. Kennedy in un discorso inaugurale nel 1963 “nessuna sfida va al di là della capacità creatrice dell’essere umano”.

Per essere creatori è importante coltivare la speranza come principio che va oltre la virtù, nel senso che la prigioniera Dilma Rousseff ha dato :”in prigione si spera molto. Aspettare necessariamente significa avere speranza. Se tu perdi la speranza, ti prende la paura. Io ho imparato a sperare”. Per questo è diventata la persona resistente di cui noi diamo testimonianza.

Dobbiamo incorporare una speranza affettiva e effettiva di cui questo governo, con tutte le limitazioni che possiede e non sono poche, sappia del volo ceco e trovi la direzione della diminuzione dell’ingiustizia sociale (le famose diseguaglianze) mediante politiche utili al paese a partire da coloro che più hanno bisogno e che non possono difendere se stessi. Il dovere etico principale di un governo è garantire la vita dei cittadini, e doppo le finanze, il mercato, l’educazione, la cultura e la sicurezza, tutto a servizio della vita.

Una popolazione impoverita e malata mai imboccherà un cammino di sviluppo umano e sociale. In questo contesto è opportuno ricordare le parole del Libro dell’Ecclesiastico: “E’ assassino del prossimo colui che ruba i mezzi di sopravvivenza, sparge sangue chi priva il salariato del suo salario”, (34,26-27). Alcuni governi pretendono toccare i salari e altri diritti.

Caso che avvenga una lesione dei diritti fondamentali al regime democratico occorre la formazione di un fronte ampio interpartitico per resistere e obbligare a una variante nella direzione del giusto e corretto.

Come Teologo mi approprio per il 2019 dell’ideale di un collega pure Teologo laico, Edward Neves di Belo Horizonte: “coltivare le seguenti posizioni del Gesù Storico. (1) nutrirsi dell’intimità amorosa di Dio; (2) dedicarsi al sogno di Gesù, di un regno di amore e di giustizia; (3) Agire mosso da compassione, (4) mettersi al servizio della dignità di ogni persona specialmente degli esclusi (5) liberarsi dalla tentazione di avere il potere e del piacere per amare con più profondità e gratuità”.

A tutti faccio voti di un anno di felicità possibile nel nostro contesto concreto. Speranza al di là della speranza.

*Leonardo Boff è Teologo e Filosofo.

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato.

A REVOLUÇÃO CUBANA COMPLETA 60 ANOS: Frei Betto

Frei Betto é muito conhecido e não preciso apresentá-lo. Publico este seu texto por amor à verdade contra todos os preconceitos imperantes em nosso país, reforçados pelos muitos que elegeram Jair Bolsonaro e pelo governo que montou propondo desmontar o socialismo e a cultura marxista. Seguramente nunca leram nada sério sobre Cuba. Aqui há um relato sumário, poderia ser muito mais detalhado sobre  a situação daquele país. Há um mérito de Frei Betto do qual participei de forma secundária. Quando ele foi convidado por Fidel para visitar Cuba, somente aceitou se pudesse visitar também a Igreja local. Fidel se deu conta de que o marxismo que seguiam era demasiadamente rígido. Aceitou que ele, eu e François Houtart (padre e sociólogo belga) tentássemos uma leitura mais humanística de Karl Marx. Aceitamos sob uma condição: ao mesmo tempo que trabalhávamos com quadros marxistas cubamos deveríamos também trabalhar com os bispos, teólogos e cristão cubanos. Durante vários anos -era tempo da ditadura militar no Brasil- com riscos pessoais cumprimos nossa missão. Houve uma mudança substancial na visão do marxismo desde ministros, altos funcionários e militantes e mudança também no campo da Igreja. Conseguimos, graças ao trabalho especial de Frei Betto e eu como mero auxiliar, um encontro entre a conferência de bispos cubanos e o governo cubano. Ocorreu uma reconciliação entre Igreja e Estado socialista. Foi facilitada porque Frei Betto convenceu a Fidel Castro de abandonar a exigência do ateismo nos membros do partido e do próprio Estado. O Estado cubano, como o nosso, é hoje um Estado laico.Cada militante socialista pode ser cristão ou de qualquer outra denominação. Mas a maior glória foi a reconciliação da Igreja cubana com o Estado socialista. Ela foi tão profunda que os Papas João Paulo II e Bento XVI visitaram Cuba e foram extraordinariamente bem recebidos pelo povo. Comentou o Papa João Paulo II ao perceber o espírito de colaboração e de solidariedade, ŧípico do socialismo e não de competição e concorrência, típico do capitalismo, chegar a dizer:”Parece que aqui em Cuba se  realiza a doutrina social da Igreja”. Publico este texto de Frei Betto por ser um dos que melhor conhece Cuba e por seu relato enxuto e objetivo. Nada melhor que fatos e experiências concretas para superar preconceitos tão difundidos nos últimos tempos aqui  no Brasil especialmente agora sob o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro: LBoff

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1º de janeiro de 2019, 60 anos da Revolução Cubana. Quem diria? Para a soberba dos serviços de inteligência dos EUA a ousadia dos barbudos de Sierra Maestra, ao livrar Cuba da esfera de domínio de Tio Sam, era um “mau exemplo” a ser o quanto antes apagado das páginas da história. A CIA mobilizou e treinou milhares de mercenários e Kennedy mandou-os invadir Cuba (1961). Foram vergonhosamente derrotados por um povo em armas. E, de quebra, a hostilidade da Casa Branca levou Cuba a se alinhar à União Soviética. O tiro saiu pela culatra. Mexer com Cuba passou a significar aquecer a Guerra Fria, como o demonstrou a crise dos mísseis (1962).

Tio Sam não botou as barbas de molho. Transformou cubanos exilados em Miami em terroristas que derrubaram aviões, explodiram bombas, promoveram sabotagens. E investiu uma fortuna para alcançar o mais espetacular objetivo terrorista: eliminar Fidel. Foram mais de 600 atentados. Todos fracassados. Fidel faleceu na cama, cercado pela família, em 25 de novembro de 2016, pouco antes de a Revolução completar 58 anos. Havia sobrevivido a 10 ocupantes da Casa Branca que autorizaram operações terroristas contra Cuba: Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush pai, Clinton e Bush filho.

Fracassada a invasão da Baía dos Porcos, impôs-se o bloqueio a Cuba (1961). Medida criticada por três papas em visita a Havana: João Paulo II (1998), Bento XVI (2012) e Francisco (2015). Porém, a Casa Branca não escuta vozes sensatas. Prefere se isolar, ao lado de Israel, a cada ano em que a Assembleia da ONU vota o tema do bloqueio. Pela 27ª vez, em 2018, 189 países se manifestaram contra o bloqueio a Cuba.

Com a queda do Muro de Berlim e o desaparecimento da União Soviética (1989), os profetas da desgraça prenunciaram o fim do socialismo cubano. Não falharia a teoria do dominó… Equivocaram-se. Cuba resistiu, suportou o Período Especial (1990-1995) e se adaptou aos novos tempos de globalização.

Muitos se perguntam: por que os EUA não invadiram Cuba com tropas convencionais (já que os mercenários foram derrotados), como fez na Somália (1993), Granada (1983), Afeganistão (2001) e Iraque (2003), Líbia (2011), Síria (2017), Níger (2017), e Iêmen (2018)? A resposta é simples: uma potência bélica é capaz de ocupar um país e derrubar-lhe o governo. Mas não derrotar um povo. Esta lição os estadunidenses aprenderam amargamente no Vietnã, onde foram escorraçados por um povo camponês (1955-1975). Atacar Cuba significaria enfrentar uma guerra popular. Após a humilhação sofrida no Sudeste Asiático, a Casa Branca prefere não correr o risco.

Por que Cuba incomoda a tantos que associam, indevidamente, capitalismo e democracia? Porque Cuba convence as pessoas intelectualmente honestas, que não se deixam levar pela propaganda anticomunista fundada em preconceitos, e não em fatos, que, apesar de toda a campanha mundial contra a Revolução, na ilha ninguém morre de fome, anda descalço, é analfabeto com mais de 6 anos de idade, precisa ter dinheiro para ingressar na escola ou cuidar da saúde, seja uma gripe ou uma complexa cirurgia do coração ou do cérebro. No IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da ONU, que abrange 189 países, Cuba ocupa melhor lugar (68º) que a maioria dos países da América Latina, incluído o Brasil (79º lugar).

Enquanto o capitalismo enfatiza, como valor, a competitividade, a Revolução incute no povo cubano a solidariedade. Graças a isso Cuba despachou tropas, nas décadas de 1960 e 1970, para ajudar nações africanas a se libertarem do colonialismo europeu e conquistarem sua independência. Raúl Castro foi o único chefe de Estado estrangeiro a ter direito a discursar nos funerais de Mandela, porque o governo da África do Sul reconheceu a importância da solidariedade cubana para o fim do apartheid.

Graças à solidariedade, professores e médicos cubanos se espalham por mais de 100 países, trabalhando nas áreas mais pobres e remotas. E graças aos princípios éticos da Revolução, em Cuba não se vê famílias debaixo de pontes, crianças de rua, mendigos estirados pelas calçadas, cracolândia, máfias de drogas. Os delatores da Odebrecht denunciaram todos os agentes públicos corrompidos nos países da América Latina nos quais a empresa atuou. Menos Cuba, onde ela construiu o porto de Mariel. Algum delator quis defender Cuba? Óbvio que não. Apenas nenhum cubano se deixou corromper.

O povo cubano chegou ao paraíso? Longe disso. Cuba é uma nação pobre, porém decente. Apesar do bloqueio e de todos os problemas que ele acarreta, seu povo é feliz. Por que então muitos saem de Cuba? Ora, muitos saem de qualquer país que enfrenta dificuldades. Saem da Espanha, da Grécia, da Turquia, do Brasil, da Venezuela e da Argentina. Mas quem sai? De Cuba, aqueles que, contaminados pela propaganda do consumismo capitalista, acreditam que o Eldorado fica acima do Rio Grande. Os mesmos que se regozijam com a emigração de uns poucos cubanos jamais se indagam por que nunca houve em Cuba uma manifestação popular contrária ao governo, como acaba de ocorrer na França (jalecos amarelos) e também recentemente na Tunísia (2011), Egito (2011), Turquia (2016), e anteriormente nos EUA (Seattle, 1999).

Haveria um Cuba soldados ou guardas em cada esquina? João Paulo II declarou que lhe chamou a atenção não ver veículos militares nas ruas ao visitar Havana, como observou em tantos outros países. A maior arma da resistência cubana é a consciência da população.

A Revolução Cubana comemora 60 anos! É muito pouco para um país triplamente ilhado: pela geografia, pelo bloqueio e por ser o único da história do Ocidente a adotar o socialismo. E quando os cubanos comemoram, não olham apenas para o passado de tantas gloriosas conquistas entre muitos desafios e dificuldades. Inspirados por Martí, Che, Fidel e Raúl, os cubanos sabem que a Revolução ainda é um projeto de futuro. Não só para a Cuba, mas para toda a humanidade, até que as diferenças (idioma, cultura, sexo, religião, cor da pele etc.) não sejam mais motivo de divergências, e a desigualdade social figure nos arquivos de pesquisas apenas como uma abominável referência histórica, como é hoje a escravatura.

Longa vida à Revolução Cubana!

Frei Betto é escritor, autor de Paraíso perdido – Viagens pelo mundo socialista (Editora Rocco), entre outros livros.