Como explicar a vitória de Trump e a derrota de Hillary: Naomi Klein

 Se há uma pessoa que se coloca claramente do lado das vítimas do atual sistema financeiro mundial e que tem autoridade e credibilidade esta é seguramente a jornalista e ativista canadense Naomi Klein. Sem complicados argumentos nos oferece as razões pelas quais Donald Trump venceu as eleições presidenciais nos USA e porque Hillary Clinton, por alegadas razões, perdeu apesar de todo o apoio   do establishment norte-americano e mundial. Sua análise confirma aquela que publiquei neste blog sob o título:Hillary e Trump:entre o pior e o ruim. O momento  atual com repercussões mundiais merece reflexão. Por isso é recomendável ler várias interpretações a partir de distintos pontos de vista para termos uma leitura mais adequada da história que nos toca viver nos próximos anos. O artigo de Noemi Klein foi publicado em Outras Palavras de 10/11/2016 e reproduzido por IHU de 11/11/2016:  LBoff
*********************************

Eis o artigo.

Eles irão culpar, pelo derrota de Hillary Clinton, o FBI e seu chefe, James Comey [que reabriu o caso sobre os emails possivelmente criminosos da candidata]. Vão culpar a supressão de eleitores e o racismo. Vão por a culpa na atitude Bernie or bust (ou Bernie Sanders ou nada) e na misoginia. Vão apontar para candidatos independentes e terceiros: a mídia corporativa, por dar a Trump uma tribuna; a mídia social por ser um megafone; e o WikiLeaks por expor a roupa suja em público.

Mas estas avaliações deixam de fora o maior responsável por criar o pesadelo em que agora nos encontramos: o neoliberalismo. Essa visão de mundo – totalmente incorporada por Hillary Clinton e sua máquina – não é páreo para o estilo extremista de Trump. O fato de a disputa ter colocado um contra o outro é o que selou nossa sorte. Se não aprendermos mais nada, podemos por favor aprender com esse erro?

Eis o que precisamos entender: um enorme contingente de pessoas está sofrendo, nos Estados Unidos. Sob políticas neoliberais de desregulação, privatização, austeridade e comércio corporativo, seu padrão de vida despencou. Perderam seus empregos. Perderam suas aposentadorias. Perderam muito da rede de segurança que costumava tornar essas perdas menos apavorantes. Veem para seus filhos um futuro ainda pior do que o seu precário presente.

Ao mesmo tempo, testemunharam a ascensão da classe de Davos — uma rede hiperconectada de bilionários do setor financeiro, que elegeu líderes espantosamente próximos de seus interesses, e celebridades de Hollywood que fazem tudo parecer insuportavelmente glamourosas. O sucesso é uma festa à qual eles não foram convidados, e eles sabem que essa riqueza e poder crescentes está de alguma forma diretamente ligada às suas dívidas e impotência progressivas.

Para as pessoas que viam segurança e status como direitos de nascença – e isso significa homens brancos, principalmente – essas perdas são insuportáveis. Donald Trump fala diretamente para essa dor. A campanha do Brexit falou para essa dor. Também o fazem os partidos de extrema direita que crescem na Europa. Eles respondem a isso com um nacionalismo nostálgico e raiva das remotas burocracias econômicas – seja Washington, o Acordo Norte-americano de Livre Comércio (Nafta), a Organização Mundial de Comércio ou a União Europeia. E claro, respondem a isso batendo nos imigrantes, latinos e negros, vilipendiando muçulmanos e degradando as mulheres. O neoliberalismo de elite não tem nada a oferecer para essa dor, porque o neoliberalismo lançou a classe de Davos. Pessoas como Hillary e Bill Clinton são o brinde da festa de Davos. Eles são, na verdade, a própria festa.

A mensagem de Trump era: “Está tudo um inferno.” Clinton respondeu: “Está tudo bem.” Mas nada está bem – longe disso.

As respostas neofascistas à insegurança e à desigualdade generalizadas não vão desaparecer. Mas o que sabemos dos anos 1930 é que, para lutar contra o fascismo, é preciso uma esquerda de verdade. Uma boa parte do apoio a Trump poderia ser afastada se houvesse sobre a mesa uma agenda redistributiva genuína. Uma agenda para tributar da classe bilionária com mais do que retórica, e usar o dinheiro para um New Deal verde. Esse plano poderia criar uma onda enorme de empregos sindicalizados bem pagos, trazer recursos e oportunidades extremamente necessários para as comunidades negras e insistir em que poluidores deveriam pagar pelas ações de formação necessárias para que os trabalhadores sejam inteiramente incluídos nesse futuro.

Tal plano poderia desenhar políticas que lutassem ao mesmo tempo contra o racismo institucionalizado, a desigualdade econômica e as mudanças climáticas. Ele poderia enfrentar maus acordos de comércio e violência policial, e honrar o povo indígena como os protetores originais da terra, da água e do ar.

As pessoas têm direito de estar com raiva, e uma agenda de esquerda poderosa e multitemática pode dirigir essa raiva para onde ela deve ser dirigida, enquanto luta por soluções globais que unirão uma sociedade desgastada.

Essa articulação é possível. No Canadá, começamos a pavimentar essa união sob a bandeira de uma agenda popular denominada The Leap Manifesto (O Manifesto do Salto), endossado por mais de 220 organizações, do Greenpeace do Canadá ao “Black Lives Matter” de Toronto e alguns dos nossos maiores sindicatos.

A surpreendente campanha de Bernie Sanders percorreu um longo caminho na direção de construir esse tipo de coalizão, e demonstrou que há espaço, nos EUA, para o socialismo democrático. Mas Sanders não foi capaz de se comunicar com os eleitores negros mais velhos e latinos que são, demograficamente, os que sofrem mais abuso do nosso modelo econômico atual. Esse fracasso impediu a campanha de atingir seu potencial. Aqueles erros podem ser corrigidos e uma coalizão forte e transformadora pode ser construída.

Essa é a tarefa que temos à frente. O Partido Democrata precisa ser, ou decididamente arrancado dos neoliberais pró-corporações, ou abandonado. De Elizabeth Warren a Nina Turner aos membros do Occupy que tocaram a campanha inovadora de Bernie, há hoje — mais do que em qualquer outro momento — um campo de líderes progressistas inspiradores para uma coalizão mais forte. Estamos cheios de líderes, como dizem muitos do Movimento pelas Vidas Negras.

Então, vamos sair do estado de choque o mais rápido possível e construir o tipo de movimento radical que tem uma resposta genuína ao ódio e medo representados pelos Trumps neste mundo. Vamos deixar de lado tudo o que está nos mantendo separados e começar já.

Trump e Hillary entre o ruim e o pior

Em todo o mundo estão se fazendo as mais desencontradas análises sobre o significado da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA com os mais diferentes titulares.

O mais significativo para mim foi o do senador chileno Alejandro Navarro: “Triunfo de Donald Trump es un castigo a los gobiernos del establishment”.

O senador faz uma crítica mais geral, válida também para nós, que governos progressista chegando ao poder, acabam, sob pressão da macroeconomia globlizada, fazendo políticas claramente neoliberais com prejuízo para as classes mais vulneráveis.

Parece-me justa a interpretação de Navarro: “o castigo aos governos do establishment, reside no fato de que a população se cansou de entregar-lhe o poder a quem somente oferece mais do mesmo. O eleitores optaram por Donald Trump, que embora represente o pior da cultura yankee, também soube representar o fastio dos setores precarizados com o neoliberalismo, a globalização e os empregos precarizados”( http://www.navarro.cl/sename). Ora, foram estes que maiormente votaram nele e o ajudaram na vitória.

Afirma mais o senador, coisa que poucos acreditam:”não devemos esquecer que nos Estados Unidos, supostamente o país mais rico, poderoso e influente do planeta, vivem 45 milhões de pessoas em situação de pobreza ou próximo a ela, que diariamente comem graças ao ticket de alimentação que o governo entrega aos operarios brancos e aos filhos de imigrantes que tendem a rejeitar a chegada de novos imigrantes por temer que sua posição privlegiada corra risco”.

Se Trump representa o pior, o ruim é revelado por Hillary. Não são poucos os analistas dentro dos EUA que chamavam a atenção para 0 risco da eleição de Hillary Clinton para a Presidência. Cito um entre outros, Jeffrey Sachs, considerado um dos maiores especialistas mundiais sobre a relação entre economia, pobreza e desigualdade social. É professor da Universidade da Columbia e publicou um artigo que reproduzi no meu blog de 8/02/2016. Aí elencou os muitos desastres da política de Hillary quando era Secretária de Estado.

Leva como título:”Hillary is the Candidate of the War Machine”: Traduzindo: “Hillary é a candidata da máquina de guerra”. A primeira frase resume um longo arrazoado:” Não há dúvida de que Hillary é a cadadidata de Wall Street; mais perigoso ainda é que ela é a candidata do complexo militar-industrial; ela apoiou cada guerra solicitada pelo estado de segurança americano, comandado pelos militares e pela CIA”.

Embora democrata ela é, segundo Sachs, uma fervorosa neocon. Incentivou as guerras contra o Iraque, todas as do norte da África e contra a Síria. Achou hilariante declarar sobre Kadafi:”We came, we saw, he died”(viemos, vimos e ele moreu”). Ainda como Secretária de Estado tentou reinaugurar a Guera Fria com a Rússia, a propósito da conquista da Criméia e da guerra na Ucrânia. O balanço final que Sachs faz das ações desastradas de Hillary como Secretária de Estado é devastador:”por qualquer razão que tomarmos, ela bateu o recorde dos desastres” (www.JeffDSachs.com).

Tudo isso não nos admira, como o demonstrou com análises minuciosas Moniz Bandeira em seu recente livro, denunciatório:”A desordem mundial:o espectro da total dominação”(Leya 2016) onde estuda a violência do império norte-americano. Obama, à exceção da relações com Cuba, continuou com a mesma lógica belicosa de Busch. Até foi pior, diria, um verdadeiro criminoso de guerra, pois por sua estrita ordem pessoal mandou atacar com drones e aviões não pilotados as lideranças árabes, exterminando grande parte delas (p.476-477).

Com a vitória de Trump, cujo enigma cabe ainda decifrar, nos libertamos de uma liderança belicosa, a de Hillary, que como política de Estado havia escolhido a violência militar como forma resolver os problemas sociais mundiais.

Não sabemos que mundo teremos daqui por diante sob a presidência de Trump. Oxalá seja menos belicoso e desdiga na prática as medidas duras prometidas contra imigrandes, mexicanos e muçulmanos.

Leonardo Boff é articulista do JB on line e escritor.

Weltweites Chaos: das Gespenst der totalen Herrschaft

„Weltweites Chaos: das Gespenst der totalen Herrschaft“ lautet der Titel des jüngsten Buches von Luiz Alberto Moniz Bandeira (Civilização Brasileira, 2016), unserem angesehensten Analysten für internationale Politik. Der Autor, der in Deutschland lebt, hatte Zugang zu den sichersten Informationsquellen, zu zahlreichen Archiven, denen er sein weit reichendes Wissen über die Geschichte hinzufügt. Das Buch zählt 643 dicht beschriebene Seiten, die mit Flüssigkeit und Eleganz geschrieben sind, sodass es sich an vielen Stellen liest wie ein historischer Roman.

Vor allem aber ist Moniz Bandeira ein akribisch genauer Forscher und gleichzeitig ein Kämpfer gegen den Imperialismus der USA, deren Eingeweide er mit einem chirurgischen Skalpell auseinander nimmt. Nicht ohne Grund sperrte man ihn von 1969 – 1970 ins Gefängnis und auch nochmals 1973 durch den Furcht erregenden Nachrichtendienst der Marine (Centro de Informaciones de la Marina, Cenimar), weil er sich im Kontext des Kalten Krieges kritisch gegenüber dem hauptsächlichen Unterstützer der brasilianischen Diktatur, den USA, geäußert hatte.

Das ihm zur Verfügung stehende Material erlaubt es ihm, die gegenwärtige imperialistische Logik im Untertitel seines Buches anzuprangern: „Stellvertreterkriege, Terror, Chaos und humanitäre Katastrophen“. Diejenigen, die immer noch voll Bewunderung für die nordamerikanische Demokratie sind und sich an ihren imperialistischen Plänen auszurichten suchen (wie die brasilianischen Neoliberalen), finden hier reichhaltiges Material für eine kritische Betrachtung und für ein differenzierteres Verständnis der Welt.

Zwei Themen leiten die Machtzentralen der USA mit ihren zahllosen Organen innerer und äußerer Sicherheit: „eine Welt und nur ein Reich“ oder „nur ein Plan“ und „eine Vision totaler Herrschaft (das ganze Spektrum von Dominanz/Überlegenheit)“. D. h. die US-amerikanische Außenpolitik ist inspiriert vom (illusorischen) „Exzeptionalismus“ der alten „offenkundigen Bestimmung“, eine Variation des „auserwählten Volkes Gottes, der überlegenen Rasse“, die gerufen ist, weltweit Demokratie, Freiheit und Rechte (jeweils gemäß der imperialistischen Interpretation dieser Begriffe) zu verbreiten und sich selbst (anmaßenderweise) als „die unentbehrliche und notwendige Nation“ anzusehen, als „Anker der globalen Sicherheit“ oder „die einzige Macht“.

Bereits im 18. Jahrhundert hatten Edmund Burke (1729-1797) und im 19. Jahrhundert der Franzose Alexis de Tocqueville (1805-1859) die Vorahnung, dass der US-amerikanische Präsident mehr Macht haben würde als ein absolutistischer Monarch und dass dies zu einer militärischen Demokratie (S. 55) degenerieren würde. Tatsächlich wurde mit George W. Bush als Ergebnis des Angriffs auf die „Twin Towers“ eine wahre militärische Demokratie errichtet mit dem Ausrufen des Kriegs gegen den Terror und des Patriot Act, der grundlegende Bürgerrechte außer Kraft setzte, das Habeas Corpus unterminierte und Folter erlaubte. Dies ist gewiss ein terroristischer Zustand

Mehrere US-amerikanische Wissenschaftler, zitiert von Moniz Bandeira (S. 470), bestätigten: „Dies ist keine Demokratie mehr, sondern eine Beherrschung durch die Wirtschaftselite, der sich der Präsident unterwerfen muss. Entscheidungen werden durch den militärisch-industriellen Komplex (der Kriegsmaschinerie) getroffen, durch Wall Street (Financiers), durch machtvolle Business Organisationen und eine kleine Zahl von sehr einflussreichen Nordamerikanern. Um die „Vision totaler Herrschaft“ zu gewährleisten, werden 800 Militärbasen weltweit aufrechterhalten, deren Mehrzahl mit nuklearem Equipment ausgestattet ist, und 16 Sicherheitsbehörden mit 107 035 zivilen und militärischen Kräften. Wie Henry Kissinger sagte: „Die Mission der USA besteht darin, Demokratie zu propagieren, notfalls mithilfe von Gewalt“ (S. 443). Unter dieser Logik gab es von 1776 bis 2015, d. h. in den 239 Jahren der Existenz der USA, 218 Kriegsjahre und lediglich 21 Jahre Frieden (S. 472).

Es bestand die Hoffnung, dass Barack Obama dieser gewalttätigen Geschichte eine neue Richtung verleihen würde. Dies war eine Illusion. Obama änderte lediglich die Namen, doch hielt den Geist des Exzeptionalismus aufrecht sowie die Folterungen in Guantanamo und an anderen Orten außerhalb der USA, wie zu Zeiten von Präsident Bush. Dem Ewigen Krieg gab er den Namen Operation Übersee-Kontingent. Durch die (sträflicherweise) persönliche Entscheidung autorisierte er hunderte von Dronen-Angriffen durch unbemannte Flugzeuge, um die wichtigsten arabischen Oberhäupter zu töten (S. 476).

Mit einiger Enttäuschung sagte Bill Clinton: „Die Vereinigten Staaten haben seit 1945 keinen einzigen Krieg gewonnen“ (S. 312). In der Stille der Nacht flohen sie aus dem Irak (S. 508).

Das Buch von Moniz Bandeira behandelt mit minimalen Details die Kriege in der Ukraine, der Krim und den Islamischen Staat von Syrien und benennt die Namen der Hauptakteure und Daten.

Die Konklusion ist erschütternd: „Wo auch immer die USA mit dem speziellen Ziel, Demokratie zu bringen, intervenieren, beinhaltet dieses spezielle Ziel Bombardierungen, Zerstörung, Terror, Massaker, Chaos und humanitäre Katastrophen … Sie kommen, um ihre eigenen Bedürfnisse zu verteidigen, ihre ökonomischen und geopolitischen Interessen; und ihre imperialistischen Interessen“ (S. 513).

Die Menge an dargestellten Informationen werden diesem Anspruch gerecht, auch nach Abstrich gewisser Einschränkungen, die immer einmal gemacht werden müssen.

Leonardo Boff Theologe und Philosoph  von der Erdcharta Kommission

übersetzt von Bettina Gold-Hartnack

 

 

 

 

 

 

El desorden mundial: el espectro de la dominación total

Es el último título de Luiz Alberto Moniz Bandeira (Civilização Brasileira, 2016), nuestro más respetado analista de política internacional. El autor ha tenido acceso a las fuentes de información más seguras, a múltiples archivos, a lo que se une un vasto conocimiento histórico. Son 643 páginas densas, pero escritas con tal fluidez y elegancia que da la impresión de estar leyendo una novela histórica.

Moniz Bandeira es ante todo un minucioso investigador y, al mismo tiempo, un militante contra el imperialismo estadounidense, cuyas entrañas corta con un bisturí de cirujano. No sin razón fue preso entre 1969 y 1970 , y de nuevo en 1973, por el temible Centro de Informaciones de la Marina (Cenimar), por oponerse críticamente, en el contexto de la guerra-fría, al principal soporte de la dictadura: Estados Unidos.

Los materiales de que dispone le permiten denunciar la lógica imperial presente en el subtítulo: “guerras por procuración, terror, caos y catástrofes humanitarias”. Quien alimenta todavía admiración por la democracia norteamericana y procura alinearse con los designios imperiales (como hacen los neoliberales brasileros), encontrará aquí un vasto material para reflexión crítica y datos para una lectura del mundo más diferenciada.

Dos lemas orientan el centro de poder del estado norteamericano con sus innumerables órganos de seguridad interna y externa: “un mundo y un solo imperio” o “un solo proyecto y el espectro de la dominación total (full-spectrum dominance/superiority)”. Es decir, la política externa norteamericana se inspira en el (ilusorio) “excepcionalismo” del viejo “destino manifiesto”, una variante “del pueblo elegido por Dios, raza superior”, llamada a difundir en todo el mundo la democracia, la libertad y los derechos (siempre según la interpretación imperial que prestan a estos términos) y a considerarse (pretendidamente) “la nación indispensable y necesaria”, “ancla de la seguridad global” o el “único poder” (lonely power).

Ya en el siglo XVIII Edmund Burke (1729-1797) y en el siglo XIX el francés Alexis Tocqueville (1805-1859) presentían que el presidente norteamericano tenía más poderes que un monarca absolutista y que eso degeneraría en una military democracy (p. 55). Efectivamente, con George W. Bush a raíz de los atentados a las Torres Gemelas”, se instauró una verdadera democracia militar, con la declaración de la war on terror y la publicación del patriotic act que suspendió los derechos civiles básicos hasta el habeas corpus y dio permiso para las torturas. Esto, ciertamente, configura un estado terrorista.

Como varios científicos norteamericanos, citados por Moniz Bandeira (p. 470), afirmaron: “ya no hay una democracia sino una economic élite domination a la cual debe someterse el presidente. Las decisiones son tomadas por el complejo industrial-militar (la máquina de guerra), por Wall Street (las finanzas), por poderosas organizaciones de negocios y por un pequeño número de norteamericanos muy influyentes. Para garantizar el “espectro de la dominación total” mantienen 800 instalaciones militares en el mundo, la mayoría con ojivas nucleares y 16 agencias de seguridad con 107.035 agentes civiles y militares. Como afirmó H. Kissinger: “la misión de América es llevar la democracia, si es necesario mediante el uso de la fuerza” (p.443). En esta lógica, de 1776 a 2015, o sea, en los 239 años de existencia de los EUA, 218 han sido años de guerra y sólo 21 años de paz (p. 472).

Se esperaba que Barack Obama diese otro rumbo a esta historia violenta. Ilusiones. Cambió solo los nombres, pero mantuvo todo el espíritu excepcionalista y las torturas en Guantánamo y en otros lugares fuera de Estados Unidos como en tiempos de Bush. A la perpetual war le dio el nombre de Oversee Contingency Operation. Por decisión personal (penal), autorizó cientos de ataques con drones y con aviones no pilotados, matando a los principales líderes árabes (p. 476).

Con cierta decepción, Bill Clinton constató: “Los Estados Unidos no han vencido ninguna guerra desde 1945” (p. 312). De Irak huyeron en silencio en la oscuridad de la noche (p. 508).

El libro de Moniz Bandeira entra en detalles mínimos sobre la Guerra en Ucrania, en Crimea y en el Estado Islámico en Siria, con nombres de los actores principales y fechas.

La conclusión es avasalladora: “Dondequiera que intervienen Estados Unidos con el specific goal of bringing democracy, el objetivo específico de llevar la democracia, esta se compone de bombardeos, destrucción, terror, masacres, caos y catástrofes humanitarias… entran para defender sus necesidades e intereses económicos y geopolíticos, sus intereses imperiales” (p.513).

La cantidad de informaciones presentadas sustentan esta afirmación, no obstante las limitaciones que siempre podrán ser aducidas.