O Annus nefastus de 2015 não invalida a esperança de um annus propicius

O ano que acaba de 2015 merece esta qualificação latina: annus nefastus. Outros o chamam de annus horribilis. Ocorreram tantas calamidades que além de espanto nos causam preocupações.Nâo obstante tudo isso esperamos pelo irromper do annus propicius.

A primeira delas é o Dia da Sobrecarga ou da Ultrapassagem da Terra (Earth Overshoot Day) ocorrido no dia 13 de setembro. Isto significa: neste dia a Terra revelou que seu estoque de suprimentos para manter sistema-vida o sistema-Terra ultrapassou os limites. Ela perdeu sua biocapacidade. A Terra é o pressuposto de todos os nossos projetos. Como a Terra é um Super-ente vivo, os sinais que nos envia de que não aguenta mais, são as secas, as enchentes, os tufões e o aumento da violência no mundo. Tudo está ligado a tudo, como nos repete insistentemente o Papa Francisco em sua encíclica.

Associado a este fato, é ilusório o consenso alcançado no dia 12 de dezembro com a COP21 em Paris: o aquecimento deveria ficar abaixo de 2º Celsius rumando para 1,5º até o fim do século. Isso implica uma troca de paradigma de civilização não mais baseado em combustíveis fósseis, sabendo que todas as energias alternativas juntas não chegam a 30% do que precisamos. Essa conversão, as grandes  petroleiras e os fornecedores de gás e carvão não têm condições de fazer, nem a querem. A ideia é retórica e a promessa vazia.

O terceiro evento nefasto é a violência terrorista na Europa, na África, os milhares de refugiados e a guerra que as potências militaristas, todas juntas, movem contra o Estado Islâmico e contra outros grupos armados na Síria. Os médio-orientais as interpretam como prolongamento das antigas cruzadas. Fontes seguras nos atestam a vitimação de milhares de civis inocentes.

Outro evento nefasto é a transformação dos EUA, depois dos atentados contra as Torres Gêmeas, num estado terrorista. Com suas 800 bases militares distribuídas no mundo inteiro, intervém, direta ou indiretamente, lá onde percebem seus interesses imperiais ameaçados. Internamente, o “ato patriótico”não foi abolido e representa a suspensão de direitos fundamentais. Não é sem razão que a polícia americana matou em 2015 cerca de mil pessoas desarmadas, 60% das quais eram negros ou latinos.

Outro fato horribilis é a corrupção na Petrobrás em altíssimo nível e em conseqüência o surgimento de uma onda de ódio, de raiva e de decepção especialmente depois das eleições presidenciais de 2014. Não é de se admirar, pois o Brasil é cheio de contrastes, como o viu bem Roger Bastide (Brésil, terre des contrastes, Hachette 1957) mas antes dele Gilberto Freyre que escreveu:”considerado em seu conjunto, a formação brasileira foi um processo de equilíbrio entre antagonismos”.

Esse antagonismo, quase sempre mantido sob o manto ideológico do “homem cordial”, saiu do armário agora e se mostra claramente de modo particular pela mídia social. A expressão “homem cordial” que Sergio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil, 21. Ed., 1989,p.101-112) tomou emprestado do escritor Ribeiro Couto, é geralmente muito mal compreendida. Não tem nada a ver com a civilidade e polidez. Tem a ver sim com a nossa aversão aos ritos sociais e aos salameleques; somos pela informalidade e a proximidade.

Trata-se de um comportamento brasileiro que se rege antes pelo coração do que pela razão. Ora, do coração nasce a gentileza e a hospitalidade. Mas como bem acentua Buarque de Holanda:”a inimizade bem pode ser tão cordial como a amizade nisto que uma e outra nascem do coração”(nota de rodapé 157 da p. 106-107).

Esse equilíbrio frágil se perdeu em 2015 e irrompeu a cordialidade negativa como ódio, preconceito e raiva contra militantes do PT, contra nordestinos e negros. Nem as figuras constitucionalmente respeitáveis como a Presidenta Dilma Rousseff foi poupada. A internet abriu as portas do inferno da injúria, do palavrão, da ofensa direta das pessoas, umas contra as outras.

Tais expressões apenas revelam nosso atraso educacional, a ausência de cultura democrática, a intolerância e a luta de classes. Não se pode negar que se verificou, em certos setores, raiva contra os pobres e contra os que ascenderam socialmente, graças às politicas sociais compensatórias (mas pouco emancipatórias) do governo do PT. Os antagonismos brasileiros se mostraram claramente, não harmonizados e agora de rédeas soltas, uns contra os outros, em verdadeira luta (chamem de classes, de interesses, de poder, não importa). Mas há uma ruptura social no Brasil que nos custará muito para costurá-la. No meu entendimento, só a partir de uma real democracia participativa que vá além da atual delegatícia e farsesca, pois representa antes os interesses dos grupos beneficiados do que os do povo como um todo.

O que nos vale é a nossa superabundância de esperança que supera o annus nefastus na direção de um annus propicius. Que Deus nos ouça.

Leonardo Boff é articulista do JB on line e escritor

“No somos Dios”: Pablo Solón comenta a encíclica Laudato Si

“No somos Dios”

Pablo Solón é um dos grandes ecologistas latino-americanos, Boliviano, serviu como embaixador de seu país na ONU e participou ativamente nas várias conferências sobre aquecimento global. Por sua reconhecida competência foi por anos diretor executivo da Focus on the Global South com sede em Bangkok. É um dos mais duros críticos da “economia verde” por causa da  concepção que lhe subjaz que no fundo afirma:”Atualmente a relação com a natureza se faz através do mercado. Você tem que comprar.O capitalismo falhou porque não colocou preço à natureza. Você só cuida daquilo que tem preço. Isso quer fazer a economia verde”. A perversidade desse raciocínio é evidente,Tudo tem valor mas nem tudo tem preço, como a vida, as pessoas que não podem ser traficadas etc. Solón se bata  mundialmente por uma mudança de paradigma que organize a produção e o consumo  dentro dos limites da natureza e no respeito a seus direitos. Foi fundamental para o reconhecimento dos direitos na natureza e de chamar oficialmente  a Tera de Mãe Terra, decisões tomadas pela ONU:Lboff

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De todos los mensajes de la encíclica Laudato Si’ este es el que más me impresiona por su agudeza e ironía. ¿A donde hemos llegado para que el Papa se vea obligado a recordarnos en el párrafo 67 que “No somos Dios”?

IMG_0149Una gran mayoría de los seres humanos miramos a la naturaleza como un simple objeto, como un simple recurso que está allí para ser extraído, explotado, consumido y desechado. En cambio la Carta Encíclica sobre el Cuidado de la Casa Común remarca que todos los seres humanos, las plantas, los animales, los cerros y los bosques somos parte de una comunidad de la Tierra. Todos somos indispensables e interdependientes. El rol de los seres humanos no es dominar a la naturaleza sino cuidar, proteger, vigilar, preservar y custodiar esta comunidad de la Tierra. “Esto implica una relación de reciprocidad responsable entre el ser humano y la naturaleza. Cada comunidad puede tomar de la bondad de la tierra lo que necesita para su supervivencia, pero también tiene el deber de protegerla y de garantizar la continuidad de su fertilidad para las generaciones futuras” [67]. Para el Papa Francisco debemos buscar la armonía entre “todas las criaturas de Dios”.

La encíclica Laudato Si’ es la critica mas fuerte al antropocentrismo que se haya escrito hasta ahora en la Iglesia católica. “La Biblia no da lugar a un antropocentrismo despótico que se desentienda de las demás criaturas” [68]. “El antropocentrismo moderno, paradójicamente, ha terminado colocando la razón técnica sobre la realidad… si el ser humano no redescubre su verdadero lugar, se entiende mal a sí mismo y termina contradiciendo su propia realidad [115]. No asumirse como Dios y reconocer nuestro rol en la comunidad de la Tierra es sin duda el punto de partida para salir de este “comportamiento que a veces parece suicida” [55] y que esta provocando la crisis de todo el sistema de la Tierra.

Los todopoderosos y las lógicas del capital y el poder

Pero la encíclica no se queda en una reflexión filosófica de las causas de la crisis sistémica y hace una radiografía de la realidad económica que vivimos: “La salvación de los bancos a toda costa, haciendo pagar el precio a la población, sin la firme decisión de revisar y reformar el entero sistema, reafirma un dominio absoluto de las finanzas que no tiene futuro y que sólo podrá generar nuevas crisis después de una larga, costosa y aparente curación. La crisis financiera de 2007-2008 era la ocasión para el desarrollo de una nueva economía más atenta a los principios éticos y para una nueva regulación de la actividad financiera especulativa y de la riqueza ficticia. Pero no hubo una reacción que llevara a repensar los criterios obsoletos que siguen rigiendo al mundo”[189]. “Hoy algunos sectores económicos ejercen más poder que los mismos Estados” [196]

El Papa Francisco afirma que “Los poderes económicos continúan justificando el actual sistema mundial, donde priman una especulación y una búsqueda de la renta financiera que tienden a ignorar todo contexto y los efectos sobre la dignidad humana y el medio ambiente” [56].

“No somos Dios” no está dirigido a todos los seres humanos por igual, sino en particular a los que se asumen como todopoderosos y controlan las finanza, la tecnología y las armas. Este sector ha endiosado el mercado y cree que los “problemas se resuelven sólo con el crecimiento de los beneficios de las empresas o de los individuos” [190]. No sólo hay quienes actúan como Dios, sino que la lógica del capital y la ganancia han sido divinizadas. La encíclica no sólo cuestiona a los hombres endiosados sino a la lógica del capital. “¿Es realista esperar que quien se obsesiona por el máximo beneficio se detenga a pensar en los efectos ambientales que dejará a las próximas generaciones? Dentro del esquema del rédito no hay lugar para pensar en los ritmos de la naturaleza, en sus tiempos de degradación y de regeneración, y en la complejidad de los ecosistemas, que pueden ser gravemente alterados por la intervención humana. Además, cuando se habla de biodiversidad, a lo sumo se piensa en ella como un depósito de recursos económicos que podría ser explotado, pero no se considera seriamente el valor real de las cosas, su significado para las personas y las culturas, los intereses y necesidades de los pobres” [190].

Laudato Si’ enfatiza en varias partes que “el cuidado de los ecosistemas supone una mirada que vaya más allá de lo inmediato” [36] y sostiene que cuando se busca la ganancia fácil y rápida a nadie le interesa la preservación de la naturaleza. La encíclica aboga por una economía que no esté dominada por el principio de “maximización de la ganancia” [195] que nos impide ver el valor real de las cosas. En otras palabras, para comprender y respetar los ritmos de la naturaleza hay que salir de la lógica del capital que busca inexorablemente la ganancia fácil e inmediata. Continuar con “la obsesión por un estilo de vida consumista, sobre todo cuando sólo unos pocos puedan sostenerlo, sólo podrá provocar violencia y destrucción recíproca” [204].

Pero la lógica de la ganancia fácil y rápida no actúa sola sino que se combina con la lógica del poder y de los políticos. El inmediatismo del capital se articula con el inmediatismo político. “Respondiendo a intereses electorales, los gobiernos no se exponen fácilmente a irritar a la población con medidas que puedan afectar al nivel de consumo o poner en riesgo inversiones extranjeras. La miopía de la construcción de poder detiene la integración de la agenda ambiental con mirada amplia en la agenda pública de los gobiernos” [179]. Los políticos buscan resultados que puedan ser mostrados en su actual período de gobierno y en ese medida posponen acciones urgentes que tienen costos inmediatos y cuyos resultados requieren mucho tiempo para ser viabilizados. “La grandeza política se muestra cuando, en momentos difíciles, se obra por grandes principios y pensando en el bien común a largo plazo. Al poder político le cuesta mucho asumir este deber en un proyecto de nación” [179].

La Encíclica lanza una advertencia muy profunda al respecto: “siempre somos más fecundos cuando nos preocupamos por generar procesos más que por dominar espacios de poder” [178].

En síntesis, “mientras unos se desesperan sólo por el rédito económico y otros se obsesionan sólo por conservar o acrecentar el poder, lo que tenemos son guerras o acuerdos espurios donde lo que menos interesa a las dos partes es preservar el ambiente y cuidar a los más débiles” [198]. Es esta tenaza de la lógica del capital y la lógica del poder, que al ser endiosados como verdades y prácticas absolutas, no permiten enfrentar la crisis social y ambiental en la que se debate la comunidad de la Madre Tierra.

Democratización y redefinición del progreso

La encíclica apuesta por la democratización desde las bases para subvertir la lógica del poder: “Si los ciudadanos no controlan al poder político –nacional, regional y municipal–, tampoco es posible un control de los daños ambientales” [179]. “Un cambio en los estilos de vida podría llegar a ejercer una sana presión sobre los que tienen poder político, económico y social. Es lo que ocurre cuando los movimientos de consumidores logran que dejen de adquirirse ciertos productos y así se vuelven efectivos para modificar el comportamiento de las empresas, forzándolas a considerar el impacto ambiental y los patrones de producción” [206].

La encíclica aboga por un nuevo tipo de economía y política, y postula que “para que surjan nuevos modelos de progreso, necesitamos ‘cambiar el modelo de desarrollo global’” [194]. Este cambio de modelos de progreso es mucho más que el llamado “desarrollo sostenible” ya que el planteamiento de la encíclica es contrario a las medias tintas. “No basta conciliar, en un término medio, el cuidado de la naturaleza con la renta financiera, o la preservación del ambiente con el progreso. En este tema los términos medios son sólo una pequeña demora en el derrumbe. Simplemente se trata de redefinir el progreso” [194].

La idea de progreso que postula Laudato Si’ está capturada de la siguiente manera: “Tenemos que convencernos de que desacelerar un determinado ritmo de producción y de consumo puede dar lugar a otro modo de progreso y desarrollo. Los esfuerzos para un uso sostenible de los recursos naturales no son un gasto inútil, sino una inversión que podrá ofrecer otros beneficios económicos a medio plazo. Si no tenemos estrechez de miras, podemos descubrir que la diversificación de una producción más innovativa y con menor impacto ambiental, puede ser muy rentable. Se trata de abrir camino a oportunidades diferentes, que no implican detener la creatividad humana y su sueño de progreso, sino orientar esa energía con cauces nuevos” [191]. “Nadie pretende volver a la época de las cavernas, pero sí es indispensable aminorar la marcha para mirar la realidad de otra manera, recoger los avances positivos y sostenibles, y a la vez recuperar los valores y los grandes fines arrasados por un desenfreno megalómano” [114].

Aterrizando en lo concreto

La encíclica aterriza en aspectos muy concretos de la crisis que vivimos como son la contaminación y el cambio climático, la cuestión del agua, la perdida de biodiversidad y el deterioro de la calidad de la vida humana y la degradación social. Es de destacar que en algunas de estas cuestiones asume una postura muy clara y valiente como es el caso de la deuda ecológica, los combustibles fósiles y los mercados de carbono.

“Hay una verdadera « deuda ecológica », particularmente entre el Norte y el Sur, relacionada con desequilibrios comerciales con consecuencias en el ámbito ecológico, así como con el uso desproporcionado de los recursos naturales llevado a cabo históricamente por algunos países” [51].

“Se ha vuelto urgente e imperioso el desarrollo de políticas para que en los próximos años la emisión de dióxido de carbono y de otros gases altamente contaminantes sea reducida drásticamente, por ejemplo, reemplazando la utilización de combustibles fósiles y desarrollando fuentes de energía renovable” [26]. Y remarca: “sabemos que la tecnología basada en combustibles fósiles muy contaminantes –sobre todo el carbón, pero aun el petróleo y, en menor medida, el gas– necesita ser reemplazada progresivamente y sin demora”[165].

“La estrategia de compraventa de « bonos de carbono » puede dar lugar a una nueva forma de especulación, y no servir para reducir la emisión global de gases contaminantes. Este sistema parece ser una solución rápida y fácil, con la apariencia de cierto compromiso con el medio ambiente, pero que de ninguna manera implica un cambio radical a la altura de las circunstancias. Más bien puede convertirse en un recurso diversivo que permita sostener el sobreconsumo de algunos países y sectores” [171].

En relación a diferentes tecnologías la encíclica no emite un juicio de valor claro sobre algunas de ellas, pero si alerta contra la concentración del control de unos pocos sobre las mismas. “No podemos ignorar que la energía nuclear, la biotecnología, la informática, el conocimiento de nuestro propio ADN y otras capacidades que hemos adquirido nos dan un tremendo poder. Mejor dicho, dan a quienes tienen el conocimiento, y sobre todo el poder económico para utilizarlo, un dominio impresionante sobre el conjunto de la humanidad y del mundo entero. Nunca la humanidad tuvo tanto poder sobre sí misma y nada garantiza que vaya a utilizarlo bien, sobre todo si se considera el modo como lo está haciendo… ¿En manos de quiénes está y puede llegar a estar tanto poder? Es tremendamente riesgoso que resida en una pequeña parte de la humanidad” [104].

Y sobre los transgénicos afirma: “Es difícil emitir un juicio general sobre el desarrollo de organismos genéticamente modificados (OMG), vegetales o animales, médicos o agropecuarios, ya que pueden ser muy diversos entre sí y requerir distintas consideraciones. Por otra parte, los riesgos no siempre se atribuyen a la técnica misma sino a su aplicación inadecuada o excesiva” [133]. “Si bien no hay comprobación contundente acerca del daño que podrían causar los cereales transgénicos a los seres humanos… En muchos lugares, tras la introducción de estos cultivos, se constata una concentración de tierras productivas en manos de pocos debido a «la progresiva desaparición de pequeños productores que, como consecuencia de la pérdida de las tierras explotadas, se han visto obligados a retirarse de la producción directa»… En varios países se advierte una tendencia al desarrollo de oligopolios en la producción de granos y de otros productos necesarios para su cultivo, y la dependencia se agrava si se piensa en la producción de granos estériles que terminaría obligando a los campesinos a comprarlos a las empresas productoras” [114].

La encíclica en Bolivia

La encíclica del Papa Francisco es un llamado a la acción concreta en la vida real y no sólo en los discursos. En esta medida plantea una serie de líneas de acción que nos invitan a reflexionar sobre su aplicación concreta en Bolivia. Por ejemplo, sobre como salir progresivamente y sin demora de la tecnología basada en combustibles fósiles. En este marco, es una interpelación a varias políticas nacionales que priorizan la búsqueda de más y nuevos campos petrolíferos a expensas de los bosques y los pueblos indígenas, habiendo otras tecnologías que están a nuestro alcance y en las que Bolivia es privilegiada como es la radiación solar.

¿En qué medidas los políticos del oficialismo y la oposición son consecuentes y coherentes con el llamado de Laudato Si’ que ambos desde diferentes puntos de vista ensalzan? ¿Están apostando a una transición a energías renovables que nos lleve a dejar los combustibles fósiles bajo tierra como aboga el Papa Francisco, ó por el contrario son presas de un pragmatismo inmediatista que busca réditos fáciles en la disputa por el poder?

Bolivia está desperdiciando su gran potencial de radiación solar. En regiones como Potosí esta radiación solar llega a 8,5 kwh/m2. Países con menos radiación solar ya tienen proyectos en operación de energía solar mucho más ambiciosos. Sin ir muy lejos, Chile ya tiene en operación proyectos de energía solar por 600 MW, mientras nosotros recién nos aproximamos a los 5 MW en momentos en que los precios de esta tecnología han caído bastante y bajaran aún mucho más. ¿Por qué en vez de invertir miles de millones de dólares en nuevas exploraciones petrolíferas, mega represas hidroeléctricas o proyectos de energía nuclear no se invierten esos recursos en proyectos de generación eléctrica fotovoltaica?

Lo mismo podemos decir en relación a nuestros bosques que son los pulmones de la Madre Tierra. Entre el 2001 y el 2013 se han deforestado irresponsablemente en Bolivia 8,6 millones de hectáreas de bosques, lo que representa el 14% de los bosques que tenía al principio de este siglo. El 2013, según datos oficiales, perdimos 162.000 hectáreas de bosques nativos. Esta deforestación generó 90 millones de toneladas de dióxido de carbono. Una cantidad que es más de dos veces lo que emite la planta de electricidad a carbón más grande de la Unión Europea. Una actitud acorde con los postulados de la encíclica nos debe llevar a reflexionar que la ampliación de la producción agrícola no debe darse a costa de los bosques. En Bolivia existen millones de hectáreas deforestadas que deben ser recuperadas y en los bosques es posible practicar la agro forestería sin desmontar la selva.

El análisis de la encíclica debe aterrizar en las diferentes realidades que vivimos. La adscripción a muchos de sus planteamientos debe traducirse en acciones mas coherentes y con una mirada que articule la justicia ambiental con la justicia social. En este marco disposiciones legales como la ley de Derechos de la Madre Tierra del 21 de diciembre del 2010 deben ser realmente exigibles, con mecanismo claros y agiles para que las comunidades y ciudadanos puedan demandar que se cumplan y sancionen a los infractores de los derechos de la Madre Tierra.

La encíclica del Papa Francisco nos recuerda que no sólo “no somos Dios”, sino que debemos ser coherentes y consecuentes en la practica con lo postulados del cuidado de la Casa Común.

Publicado en la Revista Cuarto Intermedio Nº 111 no dia 26-12-2015

COP 21: guida di velluto al disastro

In un precedente articolo su questo stesso spazio, l’autore, dopo averne messo in evidenza i punti positivi, dava inizio a una spietata critica all’ingannevole promessa fatta dalla COP 21, riguardo al riscaldamento globale. Non si può negare la buona intenzione di tutti, soltanto che questa intenzione non serve alla vita, all’ umanità e alla Casa Comune: il modo con cui si pretende di rimanere sotto il tetto dei 2C° di riscaldamento e andare avanti fino al 2100 nella fascia dei livelli preindustriali, che erano di 1,5C°. Questo obiettivo andrà raggiunto, senza intralciare i flussi commerciali e finanziari del mondo, come appare nel logo della Convenzione: “Trasformare il nostro mondo: agenda 2030 per uno sviluppo sostenibile”.

Questo è il punto cruciale. Il tipo di sviluppo che predomina nel mondo non è assolutamente sostenibile, perché sinonimo di sviluppo di pura crescita materiale illimitata nell’ambito di un pianeta limitato. Si ottiene questo mediante lo sfruttamento fuori misura, dei beni e servizi naturali, a costo di creare diseguaglianze sociali, devastazione di ecosistemi, erosione della biodiversità, scarsità di acqua potabile, contaminazione dei suoli,degli alimenti e dell’atmosfera.

Dopo decenni di riflessione ecologica, pare che gli addetti al negoziato e i capi si Stato non abbiano imparato niente. In una parola: loro non pensano al destino comune. Solo danno respiro alla frenesia produttivistica, mercantilistica e consumistica. Del resto questo è la corrente globalizzata. Ora, è proprio questo tipo di sviluppo/crescita che produce il caos della Terra e la depredazione della natura. I dati scientifici più seri e recenti registrano questo fatto: abbiamo raggiunto l’Earth Overshoot Day, il giorno del sorpasso della Terra, vale a dire che la Terra ha perso la sua biocapacità di soddisfare le richieste umane. Se prendiamo come punto di riferimento lo spazio di un anno, Essa aveva già consumato tutto lo stock di rifornimento del sistema-vita. E gli altri mesi? Stando così le cose, ha ancora senso parlare correttamente di sviluppo sostenibile per il 2030? Se il benessere dei paesi ricchi fosse universalizzato – cosa che è stata scientificamente calcolata e sta perfino nei manuali di ecologia – noi avremmo bisogno di almeno tre Terre uguali a questa di adesso.

La COP 21 vorrebbe curarci somministrandoci il veleno che ci uccide. Non è senza motivo e questo è vergognoso e umiliante per qualsiasi persona che si preoccupa della natura e della Madre Terra: in nessun passaggio del documento finale troviamo i nomi ‘natura’ e ‘Terra’. I rappresentanti sono ostaggio del paradigma scientifico del secolo XVI, per il quale la Terra non era altro che un che di inerte e senza uno scopo, anzi un baule pieno di risorse a nostra completa disposizione dalla nostra Magna Mater. A nulla sono valse le riflessione dei grandi nomi della scienza della vita e della Terra come Prigogine, Duve, Capra, Wilson, Maturana, Swimme, Lutzenberger e ei loro predecessori Heisenberg, Bohr, Scrodinger e specialmente Lovelock e non dimentichiamo la Carta della Terra e l’enciclica del Papa Francesco “La cura della Casa Comune”, tra tanti altri fondatori del nuovo paradigma. Nel testo predomina la più frusta tecnocrazia (dittatura di tecnologia e scienza), tanto duramente criticata dal papa nella sua enciclica, come se soltanto attraverso di lei ci venissero le soluzioni messianiche per la gradualità dell’adattamento ai climi. Nessuna traccia di etica e di candidati a valori non materiali. Tutto gira intorno alla produzione e allo sviluppo/crescita in un grossolano materialismo.

Secondo il nuovo paradigma, basato in una visione della cosmogenesi che dura da almeno 13,7 miliardi di anni, vediamo tutti gli esseri inter-retrorelazionati, ognuno col suo valore intrinseco, ma aperto a connessioni in qualsiasi direzione, formando un odine sempre più profondo complesso fino a permettere la emergenza della vita umana intelligente e portatrice di creatività.

Sono d’accordo con il maggiore specialista in riscaldamento globale, James Hansen, professore all’Università di Columbia e prima della NASA (cfr. sul The Guardian del 14.12.2015) che è illusorio pretendere che le petroliere che lascino nel sottosuolo petrolio, gas, carbone, energie fossili che emettono CO2,e di sostituirle con energie rinnovabili. Tutte le energie rinnovabili esse insieme non arrivano al 30% del nostro fabbisogno. Le mete della COP21 sono totalmente fuori della realtà, perché le energie fossili sono più buon mercato e continuano a bruciare, specialmente se manterranno l’economia di accumulazione con le conseguenze ecologiche e sociali che porta con sé.

Una chance però ci sarebbe: volendo stabilizzare il clima tra l’1,5°-2C°, il che sarebbe ancora trattabile, bisognerebbe cambiare paradigma: passare da una società industrial-consumistica a una società di sostentamento di tutta la vita, orientata sul bioregionalismo e non sul globalismo uniformizzatore. La centralità sarebbe lasciata più alla vita nella sua diversità e non allo sviluppo. La produzione avverrebbe secondo i ritmi della natura, nel rispetto dei diritti della Made Terra e della diversità delle culture umane. Qui ci ispira più papa Francesco nella sua enciclica che non i tecnocrati specialisti della CP 21”. A seguire i loro consigli, ci ritroveremo a srotolare la guida di velluto che porta allo sfacelo.

*Leonardo Boff, scrittore, ecologo, columnist del JB on line.

Traduzione di Romano Baraglia e Arato Lidia

La COP 21 pavimenta el camino hacia el desastre

En el artículo anterior publicado en este espacio, el autor, tras resaltar los puntos positivos, inició una fuerte crítica acerca de la ilusoria propuesta de la COP 21 sobre el calentamiento global. No puede negarse la buena intención de todos, solo que esa intención no es buena para la vida, para la humanidad y para la Casa Común: la forma como se quiere prevenir el techo de 2ºC de calentamiento y caminar hasta 2100 en dirección a los niveles pre-industriales que eran de 1,5ºC. Todo esto deberá ser alcanzado sin alterar el flujo comercial y financiero del mundo, según se deduce del lema de la Convención: “transformando nuestro mundo: la agenda 2030 para un desarrollo sostenible”.

Aquí reside el nudo del problema. El desarrollo que predomina en el mundo no es en modo alguno sostenible, pues es sinónimo de puro crecimiento material ilimitado dentro de un planeta limitado. Este es conseguido mediante la desmesurada explotación de los bienes y servicios naturales, aunque esto implique una perversa desigualdad social, devastación de ecosistemas, erosión de la biodiversidad, escasez de agua potable, contaminación de los suelos, de los alimentos y de la atmósfera.

Después de decenas de años de reflexión ecológica, parece que los negociadores y jefes de Estado no han aprendido nada. Ellos simplemente no piensan en el destino común. Solo dan alas a la furia productivista, mercantilista y consumista, pues esa es la corriente dominante globalizada. Ahora bien, este es el tipo de desarrollo/crecimiento que produce el caos de la Tierra y la depredación de la naturaleza. Los datos científicos más serios y recientes dicen que hemos alcanzado el Earth Overshoot Day, el día de la sobrecarga de la Tierra, es decir, el día en que la Tierra perdió su biocapacidad de atender las demandas humanas. Si tomamos como referencia un año, en agosto ya había gastado su depósito de abastecimientos para el sistema-vida. ¿Cómo quedan los demás meses? Siendo así, ¿todavía tiene sentido hablar con propiedad de desarrollo sostenible para 2030? Si el bienestar de los países ricos fuese universalizado ―esto ha sido científicamente calculado y está en los manuales de ecología― necesitaríamos por lo menos tres Tierras iguales a la actual.

La COP 21 quiere curarnos dándonos el veneno que nos está matando. No por casualidad, y esto es vergonzoso y humillante para cualquier persona que se preocupa de la naturaleza y la Madre Tierra, en ningún lugar del documento final, aparecen las palabras naturaleza y Tierra. Los representantes son rehenes del paradigma científico del siglo XVI para el cual la Tierra no pasaba de ser una cosa inerte y sin propósito, antes un baúl de recursos colocados a nuestra disposición que la Magna Mater. No han valido de nada las reflexiones de los grandes nombres de la ciencia de la vida y de la Tierra, como Prigogine, de Duve, Capra, Wilson, Maturana, Swimme, Lutzenberger, teniendo como antecesores a Heisenberg, Bohr, Schrödinger y especialmente Lovelock, sin olvidar la Carta de  la Tierra y encíclica del Papa Francisco “cuidando de la Casa Común”, entre tantos otros fundadores del nuevo paradigma. En el texto predomina la más descarada tecnocracia (dictadura de la tecnología y de la ciencia), tan duramente criticada por el Papa en su encíclica, como si solamente a través de ella nos vinieran las soluciones mesiánicas para la adaptación y la mitigación de los climas. No hay ningún sentido de ética y de llamadas a valores no materiales. Todo gira alrededor de la producción y del desarrollo/crecimiento, en un craso materialismo.

Según el nuevo paradigma, basado en una visión de la cosmogénesis que ya dura desde hace por lo menos 13,7 millones de años, vemos a todos los seres inter-retrorelacionados, cada uno con valor intrínseco pero abierto a conexiones en todas las direcciones, formando órdenes cada vez más altos y complejos hasta permitir la emergencia de la vida y de la vida humana inteligente y portadora de creatividad.

Concuerdo con el mayor especialista sobre el calentamiento global, el profesor de la Universidad de Columbia y antes del a NASA, James Hansen (cfr. The Guardian de 14/12/2015), que es ilusorio pedir a las petroleras que dejen bajo el suelo el petróleo, el gas, el carbón, energías fósiles emisoras de CO2, y las sustituyan por energías renovables. Todas las energías renovables juntas no llegan al 30% de lo que necesitamos. Las metas de la COP21 son totalmente irreales, porque las energías fósiles son más baratas y van a seguirse quemando, especialmente si se mantiene la economía de acumulación con las consecuencias ecológicas y sociales que acarrea.

Pero habría una posibilidad si realmente quisiéramos estabilizar el clima entre 1,5º y 2ºC, lo que sería todavía administrable; deberíamos cambiar de paradigma: pasar de una sociedad industrialista/consumista a una sociedad de sostenimiento de toda la vida, orientada por el biorregionalismo y no por el globalismo uniformizador. La centralidad la tendría la vida en su diversidad y no el desarrollo. La producción se haría a los ritmos de la naturaleza, en el respeto de los derechos de la Madre Tierra y de la diversidad de las culturas humanas. Aquí nos inspira más el Papa Francisco en su encíclica que los razonamientos tecnocráticos de la CPO21. De seguir sus consejos, estaremos pavimentando el camino que nos conduce al desastre.

*Leonardo Boff es ecoteólogo, escritor y articulista del JB online.

Traducción de MJ Gavito Milano