A teologia do domínio:refutação de uma falácia

Leonardo Boff

Está sendo discutido entre analistas políticos a passagem, no seio de grupos neopentecostais, em grande parte bolsonaristas, da teologia da prosperidade para a teologia do domínio.Estimo que o atual conflito entre o Estado sionista de Israel e a Faixa de Gaza com características de carnificina e até de genocídio de palestinos tenha reforçado no Brasil esta passagem. Sabe-se já há muito tempo que Benjamin Netanyahu é um sionista radical de extrema direita que expressou seu projeto de restaurar Israel nas dimensões que possuía, no seu auge, no tempo de Davi e de Salomão.Daí seu apoio irrestrito de expulsão e colonização de territórios da Cisjordânia, de população árabe muçulmana.

A teologia do domínio ou o dominionismo nasceu nos EUA por volta dos anos 70 num contexto do reconstrucionismo cristão calvinista. Com é sabido Calvino no século XVI instaurara em Genebra um governo religioso extremamente rigoroso e violento até com pena de morte.Seria um modelo para o mundo todo.

O dominionismo agrupa várias tendências cristãs fundamentalistas, inclusive integralistas católicos que postulam uma política exclusivamente religiosa,de base bíblica, a ser aplicada em toda a humanidade com a exclusão de qualquer outra expressão, tida como falsa e por isso sem direito de existir. É a ideologia totalizadora central para a direita cristã no campo da política e dos costumes.

Vejamos qual é a base bíblica fundamental que sustenta esta teologia.Baseia-se no capítulo primeiro do Gênesis. Na verdade há duas versões no Gênesis da criação. Mas é aproveitada apenas a primeira que se refere diretamente ao domínio. Eis o texto?

“Deus disse: façamos o homem à nossa imagem e semelhança para que domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos e todos os animais selvagens e todos os répteis que se arrastam sobre a terraa.Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus os criou, macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a subjugai a terra, sobre as aves do céu e sobre tudo que vive se move sobre a terra”(Gênesis 1,26-29).

Esse texto assim como está  legitima todo tipo de dominação e serviu aos desenvolvimentistas de argumento para o seu projeto de crescimento ilimitado.

Entretanto, ele foi lido de forma fundamentalista e literalista, sem tomar em conta que entre nós hoje e o relato bíblico distam pelo menos 3-4 mil anos.O sentido das palavras mudam. Esses grupos não  consideram o que elas significavam na época em que foram escritas há milhares de anos. Desvendamos seu significado em hebraico.Veremos que o texto,interpretado hermeneuticamente como deve ser, mostra a falácia da teologia do domínio. Ela represente um delírio paranoico, irrealizável na fase do mundo plural e globalizado no qual nos encontramos.

O texto deve ser interpretado na ótica da afirmação do ser humano criado “à imagem e semelhança de Deus” .Com esta expressão, não se quer em hebraico definir o que é o ser humano (sua natureza); ao contrário, se quer determinar o que ele, operativamente, deve fazer. Assim como Deus extraiu tudo do nada, deve o ser humano, criado criador, levar avante o que Deus criou com benevolência:”Deus viu que tudo era bom”(Gênesis1,25). O significado original em hebraico de “imagem e semelhança”(selem e demût) faz com que o ser humano seja o representante e o lugar tenente do Criador.

As expressões “subjudar” e “dominar”devem ser entendidas, simplesmente, como”cultivar e cuidar”. Mas vamos aos detalhes.Para “dominar`”usa a palavra hebraica radash (Gênesis 1,26) que significa governar bem como o Criador governa sua criação.Para subjugar emprega em hebraico o termo kabash (Gênesis 1,28), que  significa agir como um rei bom, não dominador, que sabiamente olha para os seus súditos. Por isso o salmo 8 louva a Deus por ter criado o ser humano como rei:

Tu o fizeste um pouco inferir a um ser divino, tu o coroaste de glória e honra, deste-lhe o domínio (kabash)sobre as obras de tuas mãos, tudo submeteste (radah)  a seus pés; as ovelhas e todos os bois e até os animais selvagens, as aves do céu e os peixes do mar, tudo o que abre caminho pelo mar”(Salmo 8,6-9).

Aqui, como no Gênesis 1, não há nada de violência e dominação: há que se agir como o Criador que age  com amor a ponto de Ele dizer no livro de Sabedoria que “criou todos os seres com amor e nenhum com ódio senão não os haveria criado…porque Ele é o apaixonado amante da vida” (Sabedoria 1,24.26).Aqui  se esvai a base para qualquer teologia do domínio.

Há a segunda versão do Gênesis (2,4-25) que diverge  da primeira, nunca referida pelos representantes da teologia do domínio. Nesta segunda, Deus tira todos os seres do pó da terra, também o ser humano,estabelecendo com isso um laço de profunda irmandade entre todos. Criou o homem que vivia em solidão.Deu-lhe,então, uma mulher, não para procriar, mas ser sua companheira.(Gênesis 2,23). Colocou-os no Jardim do Éden, não para dominá-lo mas para “cultivá-lo e guardá-lo”(2,15),usando as palavras hebraicas abad para arar-cultivar e shamar para guardar ou cuidar.

Essa compreensão que coloca todos os seres tirados da mesma origem,do pó da terra, e  confiando ao casal humano a missão de cultivar e guardar, forneceria outro tipo de fundamento para a convivência entre todos os seres humanos junto com os demais seres da natureza. Aqui não existe base nenhuma para o domínio, ao contrário, nega-o em favor de uma convivência harmoniosa entre todos.

Essa análise, à base do hebraico, é decisiva para tirar o tapete de uma interpretação, fora do tempo, fundamentalista,a serviço de um sentido político, totalitário e excludente de domínio sobre os povos e a Terra, como sendo o projeto de Deus. Nada mais distorcido e falso. Por mais que o fundamentalismo e a orientação de extrema direita em política esteja crescendo no mundo, esta tendência não oferece as condições objetivas reais para prevalecer e constituir uma única forma religiosa de organizar a política da humanidade una e diversa.

Leonardo Boff,professor de teologia sistemática com acento na teologia bíblica.Vaja algumas fontes entre tantas: Aubrey Rose (org.) Judaism and Ecology.N.York 1992; Ronald A.Simkins,Criador e Criação:a natureza da mundividência do Antigo Israel, Vozes1994 pp.158-160; James B.Martin-Schramm&Robert L.Stivers, Christian environmental Ethics.N.York 2003 esp.pp. 102-104; von Rad. Das erste Buch Mose, Genesis,Göttingen 1967.

Los nuevos bárbaros: la Comunidad Europea y los USA

                                       Leonardo Boff*

La verdadera guerra de exterminio que el Estado de Israel está llevando a cabo contra los más de dos millones de palestinos de la Franja de Gaza, al mando de un criminal de extrema derecha, Benjamín Netanyahu, apoyado por la mayor potencia bélica del mundo, los USA y además por toda la Comunidad Europea (OTAN) nos legitima para llamarlos nuevos bárbaros. Encerraron a más de dos millones de palestinos en esa pequeña franja de tierra junto al mar, para poder eliminarlos mejor. Para agravar su perversidad, les cortaron el agua, el suministros de alimentos, la energía, los medicamentos para los hospitales. Y para colmo, usan contra la población bombas de fósforo blanco que queman a las personas hasta los huesos. 

Ha sido una reacción totalmente desproporcionada tras el ataque terrorista de Hamas (la parte militarizada de la población civil) contra Israel del 7 de octubre de 2023. Esta reacción no conoce límites éticos, humanitarios ni de mínima compasión. Han sido asesinados más de 11.000 niños, miles de madres, cerca de 70 mil civiles y hay cientos y cientos de heridos, además de dejar en escombros 400 mil casas arrasadas con bombas de gran potencia que juntas equivalen la destrucción de la bomba atómica sobre Hiroshima,

Cómo no llamar a esta carnicería barbarie por parte de los USA y de aquellos que orgullosamente consignaron en el Preámbulo de la Constitución de la Unión Europea lo siguiente:

“Europa es un continente portador de civilización, en el que sus habitantes, llegados en sucesivas oleadas desde los tiempos más remotos, han venido desarrollando los valores que sustentan el humanismo: la igualdad de las personas, la libertad y el respeto a la razón…”

Esta visión no es dialética. No incluye ni reconoce las frecuentes violaciones de esos valores, las catástrofes que la cultura europea produjo con ideologías totalitarias, guerras devastadoras, matando a cerca de 200 millones en el continente y en las colonias,   colonialismo, esclavismo, imperialismo, genocidio de pueblos originarios (bajo la acción de los europeos, en un siglo fueron muertos en guerras y por enfermedades y trabajo forzado en América del Sur 61 millones de indígenas), diezmando naciones enteras, en contraste frontal con los valores proclamados. Lo que la Comunidad Europea, como cómplice, está haciendo en la Franja de Gaza muestra su tradicional arrogancia y actitud farisaica. No hablo de Estados Unidos que viven siempre en guerra contra algún país, cometiendo las mayores barbaridades. Me detengo solo en los europeos.

Toda esta dimensión trágica solo ha sido posible porque nunca se reconoció, de hecho, al otro como su semejante y nunca se respetó de forma consecuente al diferente. Esta comprensión todavía no ha sido superada en la conciencia de la mayoría de los países europeos.

Vamos a tomar como ejemplo de la inferiorización del otro, el caso del tratamiento dado a las mujeres.

En la cultura occidental en general (sin considerar otras culturas) ha sido central la visión patriarcal y machista que conjugó y organizó los principales valores de forma masculina. Debido a esta dominación, la mujer fue sometida, marginada y hecha socialmente invisible.

Se creó una justificación ideológica para esta inferiorización. Se la buscó en Aristóteles que acuñó una comprensión prejuiciosa, cuya resonancia llegó a Santo Tomás de Aquino, con ecos en Freud y Lacan. El filósofo afirmó que la mujer es “un hombre que quedó a medias”, “un ser incompleto e inferior” (mas en latín).

Algunos sectores tradicionalistas de la Iglesia comparecen como bastiones culturales que mantienen viva y reproducen todavía esta inferiorización de la mujer. Para esos sectores las mujeres no gozan aun de plena ciudadanía eclesial. Esto acabó prevaleciendo en el Sínodo Amazónico, en el cual se pretendía dar un rostro indígena a la fe cristiana. Predominó el paradigma machista, romano y occidental. Un indio casado no puede ser sacerdote. Se negó a las mujeres el sacerdocio; a una pequeñísima parte se le concedió participar en la administración institucional de la Iglesia. Pero nos les es permitido ejercer su libertad con referencia al derecho reproductivo, entre otros, siendo que más del 50% pertenecen a la comunidad cristiana.

Esta inferiorización de la mujer divide la humanidad de arriba abajo.  Concede demasiado poder al hombre. Este, al no reconocer la alteridad y la igualdad de la mujer, ha perdido al interlocutor que la naturaleza y Dios le habían dado para vivir juntos de forma cooperativa. Cuando el Génesis dice que son imagen de Dios y hechos hombre y mujer, entiende este hecho no como posibilidad de reproducción de la especie, sino para ser compañeros entre sí e interlocutores permanentes.

Ese cara-a-cara entre hombre y mujer impediría una relación de dominación. Y esta, por razones que no cabe exponer aquí, se implantó. Sin la mujer, el hombre proyecta su fuerza física y su capacidad intelectual en la lógica de la competición, en la cual solo uno gana y todos los demás pierden. Impide la cooperación, en la cual todos ganarían. Deja el campo abierto a la aparición de estructuras de poder que implican jerarquización y exclusión. Efectivamente se atribuye al patriarcalismo y al machismo el tipo de Estado centralizado que tenemos, el recurso a la guerra y el establecimiento de costumbres sociales machistas y de leyes discrecionales.

Pero gracias a la lucha histórica de las mujeres se está operando una demolición sistemática de las falsas razones de la sociedad patriarcal. Ellas han elaborado una visión más holística del hombre y de la mujer y de su misión en la historia: crear relaciones de asociación respetando las diferencias teniendo como objetivo una relación más inclusiva y menos conflictiva entre los géneros y en beneficio de la paz política y religiosa entre los pueblos.

Lo que vergonzosamente está ocurriendo a cielo abierto en Gaza, es la prevalancia de la violencia masculina, la falta de piedad hacia los más débiles y la pura y simple eliminación de personas que, para los sionista radicales, no deberían existir. No obstante reitero que, con mucho esfuerzo, creemos que el ser humano puede ser mejor: puede hacer del distante un próximo y del próximo un hermano y una hermana. ¿Pero cuando?

*Leonardo Boff escribió con Rose Marie Muraro el libro Femenino y Masculino: una nueva conciencia para el encuentro de las diferencias, Trotta 2004; El rostro materno de Dios, Ediciones Paulinas 1991, Editorial Santa María 2015.

I nuovi barbari: la Unione Europea e gli USA

Leonardo Boff

La vera guerra di sterminio che lo Stato di Israele, sotto il comando di un mascalzone di estrema destra, Benjamin Netanyahu, sta conducendo contro più di due milioni di palestinesi nella Striscia di Gaza, con il sostegno della più grande potenza militare del mondo, gli Stati Uniti e dell’intera Unione Europea e dei paesi NATO, ci legittima a chiamarli nuovi barbari. Hanno circondato in un porcile milioni di palestinesi sulla piccola striscia di terra, vicino al mare, per eliminarli meglio. Per peggiorare la loro perversità, gli hanno tagliato l’acqua, le scorte di cibo, l’energia e le medicine per gli ospedali. E per finire, hanno usato contro la popolazione bombe al fosforo bianco che bruciano le persone fino alle ossa.

Si è trattato di una reazione del tutto sproporzionata all’attacco terroristico di Hamas (la parte militarizzata della popolazione civile) compiuto contro Israele il 7 ottobre. La reazione non conosce limiti etici, umanitari e di minima compassione. Sono stati assassinati più di 11mila bambini, migliaia di madri, circa 70mila civili e centinaia e centinaia di feriti e anche le macerie di 400mila case distrutte da bombe ad alta potenza.

Come non chiamare barbarie questa carneficina da parte degli Stati Uniti e di coloro che hanno orgogliosamente affermato quanto segue nel Preambolo della Costituzione dell’Unione Europea:

Il continente europeo è portatore di civiltà, i suoi abitanti lo hanno abitato fin dagli albori dellumanità in fasi successive e nel corso dei secoli hanno sviluppato valori, base dellumanesimo: luguaglianza degli esseri umani, la libertà e il valore della ragione…” .

Questa visione non è dialettica. Non include né riconosce le frequenti violazioni di questi valori, le catastrofi che la cultura europea ha prodotto con ideologie totalitarie, guerre devastatrici, con la morte di circa 200 milioni di persone nel continente e nelle colonie, colonialismo, schiavitù, imperialismo, genocidio dei popoli originari (in un secolo morirono in Sud America, sotto l’azione degli europei 61 milioni di indigeni), decimando intere nazioni in netto contrasto con i valori proclamati. Ciò che la Unione Europea, in qualità di complice, sta facendo nella Striscia di Gaza dimostra la sua tradizionale arroganza e il suo atteggiamento ipocrita. Tralascio gli USA, sempre in guerra con qualche paese, commettendo le più grandi barbarie. Mi concentro solo sugli europei.

Tutta questa dimensione tragica è stata possibile solo perché l’altro non è mai stato riconosciuto, di fatto, come suo pari e, di conseguenza, il diverso non è mai stato rispettato. Questa concezione non è ancora stata superata nella coscienza della maggior parte dei paesi europei.

Prendiamo come esempio dell’inferiorizzazione degli altri, il trattamento riservato alle donne.

Nella cultura occidentale in generale (senza considerare le altre culture) aveva centralità la visione patriarcale e sessista che combinava e organizzava i valori principali nella forma maschile. A causa di questa dominazione, la donna fu sottomessa, emarginata e resa socialmente invisibile.

È stata creata una giustificazione ideologica per questa inferiorizzazione. È stata ricercata in Aristotele, che aveva coniato una concezione pregiudiziale, la cui risonanza è arrivata fino a San Tommaso d’Aquino, con echi in Freud e Lacan. Il filosofo affermava che la donna è “un uomo rimasto nel cammino”, “un essere incompiuto e inferiore” (ma in latino).

I settori tradizionalisti della Chiesa appaiono come bastioni culturali che mantengono viva e ancora riproducono questa inferiorizzazione delle donne. Per questi settori le donne non godono ancora della piena cittadinanza ecclesiastica. Ciò ha finito per prevalere nel Sinodo sull’Amazzonia, che intendeva dare un volto indigeno alla fede cristiana. Ha prevalso il paradigma sessista, romano e occidentale. Gli indios sposati non possono essere preti. Alle donne si è negato il sacerdozio; c’è stata una piccolissima concessione, la partecipazione all’amministrazione istituzionale della Chiesa. Ma non è loro consentito esercitare la libertà con riferimento, tra l’altro, al diritto riproduttivo, poiché costituiscono oltre il 50% della comunità cristiana.

Questa riduzione a uno stato di inferiorità delle donne divide l’umanità da cima a fondo. Conferisce troppo potere all’uomo. Questo, non riconoscendo l’alterità e l’uguaglianza delle donne, ha perso l’interlocutore che la natura e Dio gli avevano dato per vivere insieme in modo cooperativo. Quando la Genesi dice che sono immagine di Dio e fatti uomo e donna, intende questo fatto non come possibilità di riproduzione della specie. Ma come compagni tra loro e interlocutori permanenti.

Questo rapporto faccia a faccia tra uomo e donna, impedirebbe una relazione di dominio. E questa, per ragioni che qui non possiamo menzionare, è stata attuata. Senza la donna, l’uomo proietta la sua forza fisica e la sua capacità intellettuale nella logica della competizione, in cui solo uno vince e tutti gli altri perdono. Impedisce la cooperazione in cui tutti vincerebbero. Lascia il campo aperto all’emergere di strutture di potere che implicano gerarchizzazione ed esclusione. Si attribuisce di fatto al patriarcato e al sessismo il tipo di Stato centralizzato che abbiamo, la fabbricazione della guerra e l’istituzione di costumi sociali sessisti e di leggi discriminatorie.

Ma grazie alla lotta storica delle donne è in atto una sistematica demolizione delle false ragioni della società patriarcale. Loro hanno sviluppato una visione più olistica dell’uomo e della donna e della loro missione nella storia: creare relazioni di partenariato nel rispetto delle differenze in vista di una relazione più inclusiva e meno conflittuale tra i generi e a beneficio della pace politica e religiosa tra i popoli.

Ciò che, vergognosamente, sta accadendo a cielo aperto a Gaza è il prevalere della violenza maschilista, la spietatezza verso i più deboli e la pura e semplice eliminazione di persone che, secondo i sionisti radicali, non dovrebbero più esistere. Ma ribadisco che crediamo che, con molto sforzo, l’essere umano possa essere migliore: può fare della persona lontana un vicino e del vicino un fratello e una sorella. Ma quando?

Leonardo Boff ha scritto con Rose Marie Muraro i libri Feminino e Masculino: uma nova consciência para o encontro das diferenças, Record, RJ 2002/2010; O rosto materno de Deus, Vozes 11edições 2012.

(traduzione dal portoghese di Gianni Alioti)

EIN GERECHTER UNTER DEN VÖLKERN

Leonardo Boff

Angesichts der Polemik und der Angriffe, denen er ausgesetzt war, gebe ich einen Artikel wieder, den ich am 3. November 2022 geschrieben habe.  Er hat  die Wahrheit gesagt, die niemand über die Kriegsverbrechen und den Völkermord sagen wollte, die immer noch im Gaza-Streifen stattfinden, der von einem bösen und grausamen rechtsextremen Premierminister Benjamin Netanyahu zerstört wird.

Seit über 40 Jahren. Woher kommt er? Er kommt aus den existenziellen Sklavenquartieren. Er ist ein Nordostler, verachtet von der rückständigen Elite, die in ihrer DNA eine feige Verachtung für die Armen trägt. Er ist ein Kind der Armut. Ein Überlebender des Hungers. Ein Pau de Arara, der mit seiner Mutter und seinen Geschwistern an den Stadtrand von São Paulo gezogen ist.

Die ganze Großfamilie lebte in einer kleinen Bar. Aber es gab eine Mutter, die alle Rollen von Vater, Mutter, Erzieherin, Beraterin und Vorbild erfüllte: Frau LINDU. Sie verstand es, alle ihre Kinder zu erziehen. Sie vermittelte diesem Mann in Kopf und Herz: Gib niemals auf. Stiehl niemals. Niemals lügen.

Dieser ethische Imperativ prägte sein ganzes Leben. Als Junge, der auf einem kleinen Markt arbeitete, wollte er unbedingt einen amerikanischen Cichlete stehlen. Brasilianische gab es nicht. Aber als er seine Hand ausstreckte, erinnerte er sich an Frau Lindu: Er hat das Fahrrad nicht gestohlen, er hat nie etwas gestohlen.

Ich kenne einen Mann, diesen Mann. Lange Zeit war er völlig entpolitisiert. Alles, was ihn interessierte, war Fußball und seine Lieblingsmannschaft, die Corinthinas. Er hat es geschafft, Metallurgie zu studieren. Er lernte aus Erfahrung, ohne etwas über Marx zu wissen, was ein Mehrwert ist. Anfangs, mit wenig Erfahrung, produzierte er eine bestimmte Anzahl von Produkten. Er verbesserte sich so weit, dass er mit größerer Geschicklichkeit und Geschwindigkeit immer mehr von demselben Produkt herstellte. Der Lohn blieb jedoch derselbe. Wem ging der Gewinn aus seiner erhöhten Produktion zu? Nicht an ihn, sondern an seinen Chef. Darin liegt der Mehrwert und der Akkumulationsmechanismus des Unternehmers.

Er wachte auf und erkannte die Ungerechtigkeit gegenüber den Arbeitnehmern. Er wurde ein Gewerkschaftsführer. Er stellte sich gegen die Militärdiktatur. Er wurde verhaftet. Als er freigelassen wird, entfesselt er den Adler, der in ihm schlummert. Sein Charisma als Führer kam zum Vorschein. Er verstand es wirklich, mit den Bossen auf einer Win-Win-Basis zu verhandeln.

Und er dachte: Die Mächtigen haben dieses Land während unserer gesamten Geschichte beherrscht. Sie haben nur für sich selbst regiert. Uns haben sie nie einbezogen. Wir waren Kohle, die für die Produktion ihrer Fabriken verbrannt wurde. Warum können nicht auch wir Arbeiter, die Mehrheit, unser Land regieren und es besser regieren, für alle, angefangen bei den am meisten Ausgebeuteten und Ausgegrenzten?

Zusammen mit anderen gründete er die Partei der Arbeiter (PT). Er kandidierte als Gouverneur und Präsident des Landes. Er hat immer verloren. Aber er gab nie seinen inneren Impuls auf, der von seiner Mutter inspiriert worden war: Niemals aufgeben. In seinen Reden forderte er: Wir müssen dafür sorgen, dass alle Menschen mindestens dreimal am Tag essen können, dass sie ein eigenes Haus mit Stromanschluss haben, dass sie sich selbst weiterbilden und ihre Söhne und Töchter auf gute Schulen schicken können. Eine Rente zu erhalten, um die Herausforderungen des Alters zu meistern. Vor allem aber die Freude am Leben und am sozialen Miteinander.

Und das Mysterium aller Dinge wollte, dass er aus der untersten Etage, aus den existenziellen Sklavenquartieren, aus den Randgruppen, an die zentrale Macht des Landes gelangt. Zum ersten Mal in unserer Geschichte organisierte ein Sträfling von der Erde eine Politik, bei der alle gewannen, auch die Wohlhabenden, aber vor allem diejenigen, die seit Dutzenden von Jahren auf der Hungerkarte standen. Wir hörten nicht mehr die hündischen Schreie von Kindern, die an den Röcken ihrer Mütter zerrten und um die fehlende Nahrung bettelten. Millionen von Menschen wurden in die Gesellschaft integriert, Tausende von Armen, Afroamerikanern und Indigenen konnten durch Quotenregelungen höhere Bildungsgänge besuchen. Ureinwohner, Quilombolas, Frauen und andere mit anderen sexuellen Möglichkeiten haben darin Verständnis und Schutz gefunden. Es hat ihnen nicht nur den Hunger genommen, sondern auch ihre Menschenwürde zurückgegeben.

Der eine steht auf, nicht wenig arrogant, und verkündet: “Gott hat mich auserwählt, das Land zu retten; es steht sogar in meinem Namen, Messias”. Der andere sagt einfach: “Ich danke Gott, dass ich mit der Unterstützung vieler so weit gekommen bin und Millionen von Menschen ernähren kann”. Die Reden haben unterschiedliche Töne: Der eine betont eine angebliche göttliche Berufung, unabhängig von seinen Bemühungen.  Der andere kämpfte zusammen mit anderen und bemühte sich, dieses Ziel zu erreichen. Und er dankt Gott, nach viel Kampf und unermüdlichen Opfern.

Die Welt folgte ihm. Als Präsident waren die Staatsoberhäupter sehr an seinen Erfahrungen und Ratschlägen interessiert. Er entwickelte sich zu einem der größten Führer der Welt. Auf die Frage, ob er den Krieg gegen den Irak unterstütze, antwortete er weise: “Mein Krieg richtet sich nicht gegen ein Volk, sondern gegen den Hunger und das Elend von Millionen in meinem Land und in der Menschheit.

Alles, was gesund ist, kann krank werden. Teile ihrer Regierungen wurden von der Krankheit der Geldgier befallen, die Korruption mit sich bringt. Sie wurden angeprangert und bestraft. Aber es ist nie bewiesen worden, dass dieser Mann aufgrund seiner Position als Präsident persönlich von der Korruption profitiert hat.

Wenn es etwas gibt, das ihn zutiefst verärgert, dann ist es, wenn man ihn einen Dieb nennt. Wo ist seine Villa? Wo sind seine Bankkonten in Brasilien, im Ausland oder in einer Steueroase? Kann jemand auf ihn hinweisen, ohne zu lügen? Als Kandidat wurde sein Leben bis ins kleinste Detail durchleuchtet. Nichts wurde gefunden. Nicht einmal eine Wohnung, die er nie bewohnt hat, oder den Bauernhof eines Freundes, der ihm nie gehörte. Er lebt in einer Wohnung wie jeder andere Bürger, der die Position innehatte, die er innehatte, gut aber bescheiden.

Ich kenne und bezeuge die Transparenz, Ehrlichkeit und Integrität dieses Mannes. Er sagte einige Male zu mir: Sie, die Sie vor zahlreichen Zuhörern sprechen, sagen in meinem Namen: Ich habe nie jemandem fünfzig Cent gegeben, ich habe nie fünfzig Cent von jemandem erhalten. Ich habe nie etwas von jemandem genommen. Und wenn Sie weiterhin behaupten, ich sei ein Dieb, sagen Sie, dass Sie ein Lügner sind. Und wenn Sie weiterhin behaupten, dass ich ein Dieb bin, dann wage ich es, dass Sie vor Gericht gehen und mir die Beweise zeigen, die mich des Diebstahls bezichtigen. Wenn es wahr ist, werde ich die Strenge des Gesetzes akzeptieren. Ich werde alles, was ich angeblich gestohlen habe, doppelt zurückzahlen.  Ich bin bereit, dafür ins Gefängnis gehen.

Ich kenne einen Mann, der alle Arten von Verleumdung, Diffamierung und Demütigung ertragen musste. Seine Frau starb vor Kummer. Sein Enkel, der zu früh starb, machte ihm den Abschied von seinem geliebten Menschen so schwer wie nie zuvor. Als sein älterer Bruder, der ihn als Vater hatte, diese Welt verließ, wurde er zu einer kurzen Totenwache gebracht, umgeben von bewaffneten Soldaten, als ob sie einen gefährlichen Verbrecher führen würden.

Sie brachen ohne Vorwarnung in sein Haus ein. Sie durchsuchten alles, die Matratzen und nahmen sogar die Spielsachen seiner Enkelkinder mit, die bis heute nicht zurückgegeben wurden. Schließlich wurde ein Richter vom Obersten Gerichtshof (STF) als eindeutig befangen anerkannt. Infolgedessen wurden die gegen diesen Mann eingeleiteten Verfahren für ungültig erklärt, und er wurde “wegen eines unbestimmten Vergehens” verurteilt, was in keinem Strafgesetzbuch steht, nicht einmal in dem von Hammurabis Vorfahren, der einige Jahrtausende vor unserer Zeitrechnung lebte. 580 Tage lang wurde er unter strenger Überwachung gehalten. Er hätte Widerstand leisten oder sich in eine Botschaft flüchten können. Im Gefängnis ließ er sein Leben, die Erfolge und Fehler seiner Regierung Revue passieren, studierte eingehend die wichtigsten Aspekte unseres Landes und der Weltgeopolitik. Er verinnerlichte sich und kam voller Humanismus, Hoffnung und Entschlossenheit heraus.

Doch seine Inhaftierung hatte eine perverse Konsequenz: Sie ebnete den Weg für die Präsidentschaft einer finsteren Gestalt, eines Feindes des Lebens und seines Volkes, der von Todessehnsucht und Hass getrieben wurde. Sein Leugnen und sein völliger Mangel an Empathie ließen mindestens 300.000 Menschen an dem Coronavirus sterben.

Die Wahl kam. Sein Gegner, der jeden an Ignoranz, Brutalität und Mordlust übertrifft, setzte alle möglichen und unmöglichen Mittel ein, um ihn zu besiegen, von der Korruption eines milliardenschweren Geheimbudgets bis hin zum gesamten Staatsapparat, in dem “das Kabinett des Hasses” operierte. Es verbreitete Lügen, Fake News, Verleumdungen und Obszönitäten gegen ihn. Sogar der staatliche Polizeiapparat wurde zu Gunsten seiner Kandidatur eingesetzt.

Die Vernunft siegte über die Irrationalität, die Wahrheit über die Lüge, die Liebe über den Hass. Er wurde zum Präsidenten des Landes ausgerufen. Er wurde von den höchsten Autoritäten des Landes und der Welt anerkannt, von XI Jinping bis Biden und Putin. Auch ohne vereidigt worden zu sein, wurde er bereits zur COP27 in Ägypten eingeladen, um über das neue Klimaregime zu diskutieren, und nach Davos, wo sich die Glücksritter versammeln, um zu hören, welche Art von Wirtschaft er ankurbeln will, da die derzeitige sich in einer deutlichen Abwärtsspirale und tiefen Krise befindet.

Ich kenne diesen Mann, charismatisch, herzlich, unfähig, Hass in seinem Herzen zu haben und bereit zum Dialog mit allen. Aus seinem Mund hören wir und von seinem Beispiel lernen wir, dass es immer wichtig ist, die Demokratie zu verteidigen, die Armen in den Mittelpunkt zu stellen, den Amazonas gegen die Gier des wilden Kapitals zu verteidigen und eine Welt anzustreben, die für alle gut ist und sein wird. Wie ein Präsident sagte: “Die Welt vermisst diesen Mann”.

Ihm gebührt die höchste Ehre, die die biblisch-jüdische Tradition einem Weltbürger zuteil werden lässt: ER IST EIN GERECHTIGTER UNTER DEN NATIONEN.

Ich kenne und bezeuge einen Mann, der durch sein Leben, sein Beispiel und seine Fürsorge für sein Volk tatsächlich ein Gerechter unter den Völkern geworden ist.

Sein Name muss nicht erwähnt werden. Das Land kennt ihn. Die Welt erkennt Sie an.Er ist Luis Inácio Lula da Silva, President Brasiliens.

Leonardo Boff, Ökotheologe, Philosoph, ehemaliger Professor für Ethik und Mitglied der Internationalen Erdcharta-Initiative.

Übersetzt von Bettina Goldhartnack