O Movimento dos Sem Terra (MST) chegou ao Vaticano: João Pedro Stedile

Seguramente o Movimento dos Sem Terra (MST) é polêmico, porque aborda uma questão que sempre foi polêmica na história do Brasil: a questão da terra.  Segundo Noam Chomsky, um dos intelectuais norteamericanos mais lúcidos e analista agudo das políticas mundiais, também um dos fundadores do Forum Social Mundial, disse repetidas vezes que considera o MST o movimento social popular mais importante e articulado do mundo junto com a Via Campesina da qual faz parte. No seu seio não se discute apenas a reforma agrária que nunca foi feita, embora esteja na Constituição de 1988, mas o futuro do planeta Terra, a preservação de sua vitalidade e integridade e o destino da Humanidade que está seriamente ameaçado. Seu sonho é grande, do tamanho de nosso mundo. E assim deve ser. Mas fundamentalmente a questão pela qual se originou o MST e  sempre se bate é garantir terra para quem quer nela viver e trabalhar para seu próprio sustento e para o consumo do povo brasileiro (60% de nosssa alimentação não vem do agronegócio mas da agricultura familiar e das pequenas corporativas). Pelo fato de nunca se ter feito reforma agrária, apenas políticas agrárias, temos a favelização de nossas cidades. Sem incentivos, longe de tudo, da escola, do hospital,do serviço  bancário,  da cultura e do lazer, milhões de camponeses deixam, pesarosos, suas terras e vão inchar as periferias das cidades. Como para os pobres quase sempre só se fazem  políticas pobres, dificilmente se consegue organizar e urbanizar as favelas (os que nelas habitam, com razão, as chamam de comunidades). Daí se cria o caldo da violência, do tráfico de drogas, dos milicianos, do rolezinhos e outros epifenômenos. O que caracteriza o MST é sua militância, sua persistência na luta, sua capacidade de unir formação política com vontade de transformação social. Não sem razão possuem um rede de escolas inspiradas no método de Paulo Freire e até um Centro de Estudo e Reflexão, verdadeiro embrião de Universidade, a Escola Florestan Fernandez no Estado de São Paulo. Um de seus coordenadores e animadores é João Pedro Stedile. Pode-se fazer todo tipo de crítica a ele, a grande maioria injustificada, mas não se pode negar sua capacidade analítica, sua lucidez política e a determinação com que defende a visão que o MST desenvolveu sobre o Brasil que queremos e que devemos juntos construir: justo, solidário, ecológico, dialogal, cooperastivo em todas as questões que movem a Humanidade. Publicamos aqui uma de suas muitas entrevistas. Os leitores/as poderão se fazer uma opinião pessoal do teor de seu pensamento, tão distorcido e combatido por um tipo de midia que, ao atacá-lo, está na verdade, recusando reformas sociais includentes que lhes tolherão  privilégios construídos contra os interesses da grande maioria. Eu pessoalmente o considero uma das lideranças mais corajosas, desprendidas e organica e visceralmente ligadas à causa dos mais prejudicados e penalizados pelo tipo de sociedade que temos construído na nossa história.Sua opção mais que ideológica possui um alto teor ético e humanístico:L.Boff

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1.Falando sobre a bandeira símbolo do MST (Movimento dos Sem Terra). Qual a situação da reforma agrária no país hoje?

O Brasil nunca teve um programa de reforma agrária, que de fato se propusesse a democratizar o acesso a terra e garantir terra aos pobres do campo.  Então de acordo com a correlação de forças, as vezes avançamos e conseguimos mais assentamentos e outros períodos o capital avança e impede que tenhamos desaporpirações.  E essa é a situação atual.  Nem temos reforma agrária, e mesmo os processos de conquistas de novos assentamentos estão parados.  E isso se deve a que há uma especulação dos preços das commodities agrícolas que aumentou o lucro dos fazendeiros e jogou o preço das terras nas nuvens.  O capital  está impondo o agronegócio ocmo única forma de se produzir.  E se completa com o governo Dilma, que é hegemonizado pelo agronegócio. Os que defendem a reforma agrária dentro do governo são minoritários.   E pior ainda, há uma incompetência administrativa do Incra impressionante, que não consegue resolver os mínimos problemas, mesmo de quem já esta assentado.

2.- Como as mudanças projetadas pelo MST no campo impactariam as pessoas que vivem nas cidades?

 Diante dessa situação adversa, nós passamos os últimos dois anos debatendo com nossa base, nossa militância e construímos a idéia da necessidade de um programa de reforma agrária popular.   Que representasse mudanças necessárias para todo povo e não apenas para os sem-terra.  E no nosso programa colocamos a necessidade de fazer amplas desarpopriações dos maiores latifúndios, começando pelas empresas estrangeiras.  Precisamos priorizar a produção de alimentos.  Precisamos produdizr sem agrotóxicos para que o povo da cidade tenha saúde.  Precisamos adotar a agroecologia como uma nova matriz de produtção em equilíbrio com a natureza.  Precisamos instalar agroindústrias na forma cooperativa, para dar emprego aos jovens do campo, estancar o êxodo e distribuir renda.  E finalmente precisamos democratizar o acesso a escola em todos os níveis.  Essa é na essência nossa proposta de reforma agrária.  

 3.- Você esteve recentemente na Pontifica academia de ciências, no Vaticano, a convite do Papa Francisco  discutindo a questão da fome no mundo. Que impressões teve desse encontro?

 Causou a todos surpresa, pois pela primeira vez o Vaticano convocou dois movimentos sociais,o MST e o movimento dos Cartoneros (catadores de material reciclavel) da Argentina,  para debater com bispos, intelectuais e cientistas que fazem parte da Academia, qual é a causa dos pobres, dos excluídos e de tantos problemas econômicos.

Colocamos nossa visão sobre a etapa atual do capitalismo financeiro e internacional, que está dominando o mundo, e que são os principais responsáveis.  As 300 maiores empresas do mundo, controlam 60% de toda riqueza.  Um por cento dos ricos controlam metade de toda riqueza da humanidade.  Sem combater a esse sistema, não teremos uma sociedade mais igualitária, mais justa e democrática.

O seminário agora terá certamente outros desdobramentos, com outros encontros promovidos pelo Papa Francisco, que está nos surpreendendo a todos..  .

4. O MST foi o principal movimento social do Brasil nas últimas décadas. Agora, surge como principal ator social a juventude. Qual sua opinião sobre os movimentos de juventude da atualidade?

As mobilizações da juventude, em qualquer sociedade, são sempre uma espécie de termômetro, que indicam a temperatura de indignação de toda sociedade. E aqui não foi diferente. Apesar dos avanços que houve nos últimos dez anos em relação ao neoliberalismo, porem,  os trabalhadores enfrentam ainda graves problemas, que afetam também a juventude.  E a juventude foi para a rua dizer em nome de todos nós, que precisamos de mudanças sociais.  Mudanças no regime político, que não representa a ninguém.  Mudanças na política econômica. E mais estado e poder publico atendendo as necessidades do povo, na saúde, educação e transporte publico de qualidade.

5.- Como o MST está pensando em dialogar ou se articular com essa juventude?

Em todas as mobilizações  nós procuramos participar com nossa militância, apesar de que nossa base social esta longe das capitais.  Seguimos incentivando a que juventude se organize, se mobilize.

E ao mesmo tempo contribuímos na construção de plenárias estaduais e nacionais de todos os movimentos sociais, que envolve todos os setores, desde o movimento sindical ate as pastorais, para discutirmos os rumos do pais, e a necessidade de uma reforma política.

6.- Você acha que as manifestações de junho protagonizadas por esses jovens foram uma surpresa pela proporção e impacto que tomaram?

Foram surpresa pela forma e rapidez como aconteceram.  Mas todos os militantes sociais, sabiam que os problemas que o povo está enfrentando nas grandes cidades  estavam aumentando e latentes.Veja a situação dos transportes públicos: é um caso, perde-se horas no transito e caro.  Enqaunto o governo isenta IPI e incentiva o transporte individual, que as multinacionais automobilísticas agradecem.   O atendimento da saúde publica é uma vergonha. E isso pelo menos destravou o programa Mais médicos, que é uma coisa boa.  E na educação, temos graves problemas, desde elevada taxa de analbetismo, que atinge 18 milhões de trabalhadores adultos até o fato de 88% da juventude em idade universitária, não consegue entrar na universidade.

Por outro lado, a política institucional no Brasil foi seqüestrada pelos financiadores de campanha, que transformam os eleitos em reféns do capital. E o povo a juventude não se sente mais representado nos parlamentares, no sistema político.

Então, dia mais, dia menos, esses problemas apareceriam.  E apareceram no melhor lugar possível:. Nas ruas!  Que o melhor lugar da juventuide praticar a democracia.

7.- Qual o saldo das mobilizações de junho para a luta política no país?

 Em termos de conquistas reais, foi ainda pequeno, porque barraram apenas o aumento das tarifas.  Mas o  saldo político é fantástico.  Recolocou a política nas ruas.  Recolocou o debate das mudanças necessárias.  E  colocou na pauta a reforma política e a necessidade da convocação de uma assembléia constituinte. E o processo está ainda em curso, tende a aumentar.

 8.- No balanço de 2013, os movimentos levantaram alguns retrocessos na política econômica nacional. A que se deveu esse retrocesso?

 A política econômica do governo federal é um dos palcos centrais da luta de classes da sociedade brasileira.  Pois é através dela que as classes dividem a riqueza produzida todos os dias pelos trabalhadores.  E há uma pressão permanente dos bancos, e das grandes empresas, para abocanharem os recursos públicos, na forma de juros.  Na forma de empréstimos favorecidos no BNDES, na forma de emendas parlamentares, na forma de isenção de impostos.  E do lado dos trabalhadores precisamos disputar para que esses recursos, que são públicos, que são de todo povo sejam priorizados nos investimentos da educação, da saúde, da reforma agrária e dos transporte públicos nas grandes cidades.

E nessa luta, acho que em 2013, a classe trabalhadoura saiu perdendo. Os bancos abocanharam 280 bilhões de reais do tesouro em juros.  O banco central dominado pelos bancos aumentou a taxa de juros.  O cidadão comum, o comercio e a industria pagam taxas de juros que variam de 40% a 144% ao ano. Isso é uma afronta.

E o governo ficou administrando, sem coragem e força, para brecar o poder econômico, porque parte do governo está impregnado por esses interesses.

 9. – A direita e a esquerda estão apostando que as mobilizações voltarão no período da Copa do mundo. Há risco de as mobilizações, que são um sinal de desejo de mudança, contribuírem com as forças conservadoras? Isso pode ser usado no jogo eleitoral?

 Mobilizações massivas sempre ajudam a fazer debate político na sociedade.  A direita brasileira, não tem nem base social, nem discurso, nem proposta para mobilizar milhões. Porque seria mobilizar contra os interesses do povo. As mobilizações mais do que bem vindas, são necessárias, para seguirmos mudando o pais, para termos mais  Estado a serviço do povo. Mais recursos para  a educação, saúde. Os que tem medo do povo, é porque já estão longe de seus interesses. 

Nenhuma mudança social ocorreu na historia da humanidade, sem que tenha havido mobilização popular.Nenhuma mudança acontece pela” vontade generosa” de algum governante ou guru.

Em relação ao calendário, torço para que as mobilizações de rua comecem logo,  pois no período da realização da copa, vai confundir a cabeça do povo, que quer ver a copa, e pode reduzir as mobilizações como se fossem apenas protesto pelo dinheiro gasto nas obras.   O dinheiro que foi gasto nos estádios, em torno de 8 bilhões, claro que poderiam ser melhor aplicados, porem eles representam apenas duas semanas do volume de recursos que o governo passa para os bancos.  Entao a cada duas semanas temos uma copa do tesouro nacional para os bancos.  E esses são os nossos inimigos principais, que precisamos denuncia-los e  derrota-los, dentro e fora do governo.

 10.- O que esperar das eleições de 2014?

 Pessoalmente acho que não teremos grandes mudanças.  Nem nos eleitos, nem nas propostas que os eleitos defendem. Então as verdadeiras mudanças, não dependem mais do calendário eleitoral, vão depender  da capacidade da classe trabalhadora  construir um programa unitario de  medidas que a sociedade precisa para poder  resolver os problemas do quotidiano do povo.

 11- O MST e outros movimentos sociais pretendem lançar alguma bandeira política e construir mobilizações neste ano?

Já está posta na rua, desde o segundo semestre do ano passado.  Nós participamos de  uma ampla frente popular, desde a CNBB, OAB, ABI CUT  e movimentos populares,  para juntos lutarmos por uma reforma política.

Uma reforma política que mude as regras do jogo, devolva ao povo o direito de escolher seus verdadeiros representantes, altere a correlação de forças na sociedade e abra portas, para que ocorram as outras reformas necessárias: a reforma urbana, a reforma agrária, a reforma educacional garantindo 10% do PIB para educação, a ampliação dos recursos para saúde, e o controle dos juros e do superávit primário.

12. – Em quais outras reivindicações você apostaria como as principais para 2014?

Esse é o salto político que os movimentos populares vamos precisar dar.  Mais do que pautas especificas de reindivicações, que cada setor social, vai continuar lutando para atender as necessidades de sua base, agora é fundamental consturirmos uma unidade programática, em torno dos temas políticos.   Unidade para fazer um grande mutirão naiconal e fazermos trabalho de base para discutir com o povo, que mudanças políticas queremos?   E a partir desse debate  organizar  um plebiscito popular na semana de sete de setembro, para que o povo vote,  na possibilidade ou não da convocação de uma assembléia constituinte, eleita de forma soberana, sob outras regras, e exclusiva para fazer a reforma política do pais.

Tenho esperanças de que poderemos mobilizar a milhões de brasileiros nessa missão, e com isso aglutinar forças para pressionar os três poderes da republica para convocar a assembléia constituinte em 2015.

                           João Pedro Stedile,

25 de janeiro de 2014, São Paulo, entrevista a Brasil de Fato

La filosofia cinese dell’aver cura: il Feng Shui

Uno dei vantaggi della globalizzazione,  che non è soltanto economico-finanziario, ma anche culturale, è quello di permetterci di cogliere i valori poco sviluppati nella nostra cultura occidentale.

Nel caso, abbiamo che fare con il Feng-Shui cinese. Letteralmente significa vento (feng) e acqua (shui). ll vento porta il Qi, l’energia universale e l’acqua lo trattiene. Personalizzando  significa “Il maestro delle ricette”: il saggio che, a partire dalla sua osservazione della natura e dalla sottile sintonia con il Qi, l’energia universale, indicava come si monta correttamente una casa di abitazione.

Beatrice Bartoly, della quale io sono stato orientatore, nella sua brillante tesi di filosofia all’Università di Rio de Janeiro, scrive: “il Feng Shui ci rimanda a una forma di zelo premuroso” – noi diremmo pieno d’attenzioni e tenero – “verso aspetti banali della nostra esistenza, aspetti che in Occidente, per lungo tempo, sono stati  screditati e disprezzati: aver cura delle piante, degli animali, mettere in ordine la casa, curare la pulizia e la manutenzione delle stanze, preparare i cibi, ornare il quotidiano con la prosaica, e, allo stesso tempo, maestosa bellezza della natura. Tuttavia più che le costruzioni e le opere umane sono il loro comportamento e agire l’obiettivo maggiore di questa filosofia di vita, dato che, più che ai risultati, il Feng-Shui guarda al processo. È l’esercizio di abbellimento che importa, più che i bei scenari che si vuole costruire. Il valore sta nell’agire non nel suo effetto, nella condotta e non nell’opera.”

Come si capisce, la filosofia Feng-Shui mira piuttosto al soggetto che all’oggetto, alla persona prima che all’ambiente e alla casa in sé. La persona deve lasciarsi coinvolgere nel processo, sviluppare la percezione dell’ambiente, captare i flussi energetici e i ritmi della natura. Deve assumere una condotta in armonia con gli altri, con il cosmo e con i processi ritmici della natura. Quando avrà creato questa ecologia interiore, sarà in grado di organizzare con successo la sua ecologia esteriore.

Più che scienza e arte, il Feng Shui è fondamentalmente un’etica ecologico-cosmica su come aver cura della corretta distribuzione del Qi nel nostro intero ambiente.

Nelle sue molteplici sfaccettature il Feng Shui rappresenta una sintesi rifinita della cura della forma, come si organizza il giardino, la casa o l’appartamento, con l’armoniosa integrazione degli elementi presenti. Possiamo perfino dire che i cinesi come i greci classici sono gli instancabili ricercatori dell’equilibrio dinamico in tutte le cose.

Il supremo ideale della tradizione cinese che ha incontrato nel buddismo e nel taoismo la sua migliore espressione, rappresentata da Laozi o Laotse (V-VI sec a.C.) e da Zhuangzi o ChuangTzu (IV-V sec.a.C.),  consiste nel procurare l’unità mediante un processo di integrazione delle differenze, specialmente di quelle conosciute polarità di yin/yang, maschile/femminile, spazio/tempo, celeste/terreno, tra le altre. Il Tao rappresenta questa integrazione, realtà ineffabile con la quale la persona cerca di unirsi.

Tao significa cammino e metodo, ma anche l’Energia  che produce tutti i cammini e progetta tutti i metodi. Lui è inesprimibile a parole, davanti a Lui vale un rispettoso silenzio. Soggiace alla polarità del yin e yang e attraverso questi si manifesta. L’ideale umano è arrivare a una unione così profonda con il Tao che si produca la satori, l’illuminazione. Per i Taoisti il bene supremo non si conquista nell’aldilà come per i cristiani, ma già nel tempo e nella storia, mediante un’esperienza di non-dualità e di integrazione nel Tao.  Alla morte la persona si tuffa nel Tao e si unifica con lui.

Per raggiungere questa unione, è imprescindibile la sintonia con l’energia vitale che sfiora il cielo e la terra: il Qi. Qi è intraducibile ma equivale a alla ruah degli ebrei, al neuma dei greci, allo spirito dei latini e allo axé degli  yoruba/nagô, al vuoto quantico dei cosmologi:
espressioni che designano  l’Energia suprema e cosmica che soggiace e sostenta tutti gli esseri.

E’ in forza del Qi che tutte le cose si trasformano (vedi il libro I Ching, il libro delle mutazioni) e si mantengono permanentemente in processo. Fluisce nell’essere umano attraverso i meridiani dell’agopuntura. Circola nella Terra attraverso le vene telluriche sotterranee, composte dai campi elettromagnetici distribuiti lungo i meridiani dell’ecopuntura che  incrociano la superficie terrestre. Quando il Qi si espande significa vita, quando si rapprende, morte. Quando acquista peso, si presenta come materia, quando diventa sottile, come spirito. La natura è la combinazione saggia dei vari stati del Qi, dai più pesanti ai più leggeri.

Quando il Qi emerge in un determinato luogo, sorge un paesaggio ameno, con brezze soavi e acque cristalline, montagne sinuose e valli verdeggianti. Un invito perché l’essere umano vi si stabilisca. Oppure trova un appartamento nel quale si sente “in casa”.

La visione cinese del mondo privilegia allo spazio, a differenza dell’Occidente che privilegia il tempo. Lo spazio per il Taoismo è il luogo dell’incontro, del convivio, delle interazioni di tutti con tutti, dato che tutti sono portatori di energia, Qi permea lo spazio. La suprema espressione dello spazio si realizza in casa, nel giardino o nell’appartamento ben curato.

Se l’essere umano vuole essere felice, deve sviluppare la topofilia, l’amore alla terra dove abita e dove costruisce la sua casa il suo giardino e ammobilia il suo appartamento. Il Fen Shui è l’arte e la tecnica per costruire bene la casa, il giardino e decorare l’appartamento con senso di armonia e di bellezza.

Di fronte allo smantellamento della cura e alla grave crisi ecologica attuale, la millenaria sapienza del Feng Shui ci aiuta a rifare l’alleanza di simpatia e di amore con la natura. Questa condotta ricostruisce l’abitazione umana (che i greci chiamavano ethos) basata sulla cura e le sue molteplici risonanze come la tenerezza, la carezza e la cordialità.

Leonardo Boff ha scritto: Spiritualità per un altro mondo possibile, Queriniana, Brescia 2009.

Traduzione di Romano Baraglia

La gestación del pueblo brasilero, la universidad y el saber popular

El pueblo brasilero no ha terminado de nacer todavía. Procedentes de 60 países diferentes, aquí se están mezclando representantes de todos estos pueblos en un proceso abierto, contribuyendo a la gestación del nuevo pueblo que acabará de nacer un día.

Lo que heredamos de la Colonia fue un estado altamente selectivo, una élite excluyente y una masa inmensa de desposeídos y descendientes de esclavos. El analista político Luiz Gonzaga de Souza Lima en su original interpretación de Brasil nos dice que nacimos como una Empresa Transnacionalizada, condenada hasta hoy a ser abastecedora de productos in natura para el mercado mundial (cf. A refundação do Brasil, 2011).

Pero a pesar de esta limitación histórico-social, en medio de esta masa enorme fueron madurando lentamente líderes y movimientos que propiciaron el surgimiento de todo tipo de comunidades, asociaciones, grupos de acción y de reflexión que van desde las asociaciones de rompedoras de coco de Marañón a los pueblos de la selva de Acre, a los sin-tierra del sur y del nordeste, a las comunidades de base y los sindicatos del ABC paulista.

Del ejercicio democrático en el interior de estos movimientos nacieron ciudadanos activos; de la articulación entre ellos, manteniendo cada uno su autonomía, está naciendo una energía generadora del pueblo brasilero, que lentamente va tomando conciencia de su historia y proyecta un futuro diferente y mejor para todos.

Ningún proceso de esta magnitud se hace sin aliados, sin una ligazón orgánica con quienes manejan un saber especializado con los movimientos sociales comprometidos. Y aquí la universidad es desafiada a ampliar su horizonte. Es importante que maestros y alumnos frecuenten la escuela viva del pueblo, como practicaba Paulo Freire, y que permitan que la gente del pueblo pueda entrar en las aulas y escuchen a los profesores en materias relevantes para ellos, como yo mismo hacía en mis cursos de la Universidad del Estado de Río de Janeiro.

Esta visión supone la creación de una alianza de la inteligencia académica con la miseria popular. Todas las universidades, especialmente después de la reforma de su estatuto por Humboldt en 1809 en Berlín, que permitió a las ciencias modernas conseguir ciudadanía académica al lado de la reflexión humanística que creó la universidad de antaño, se volvieron el lugar clásico de cuestionamiento de la cultura, de la vida, del hombre, de su destino y de Dios. Las dos culturas –la humanística y la científica– se intercomunican más y más en el sentido de pensar el todo, el destino del propio proyecto científico-técnico frente a las intervenciones que el ser humano hace en la naturaleza y su responsabilidad por el futuro común de la nación y de la Tierra. Tal desafío exige un nuevo modo de pensar que no sigue la lógica de lo simple y lineal sino la de lo complejo y lo dialógico.

Las universidades están siendo impulsadas a buscar un enraizamiento orgánico en las periferias, en las bases populares y en los sectores ligados directamente a la producción. Aquí puede establecerse un intercambio fecundo de saberes entre el saber popular, hecho de experiencias, y el saber académico, fundamentado en el espíritu crítico. De esta alianza surgirán seguramente nuevas temáticas teóricas nacidas de la confrontación con la anti-realidad popular y de la valoración de la riqueza inconmensurable del pueblo en su capacidad de encontrar, por sí solo, salidas para sus problemas. Aquí se da un intercambio de saberes, unos completando a los otros, en el estilo propuesto por el premio Nobel de Química (1977) Ilya Prigogine (cf. A nova aliança, UNB 1984).

Esta unión acelera la génesis de un pueblo; permite un nuevo tipo de ciudadanía, basada en la con-ciudadanía de los representantes de la sociedad civil y académica y de las bases populares, que toman iniciativas por sí mismos y someten a control democrático al Estado, exigiéndole los servicios básicos especialmente para las grandes poblaciones periféricas.

En estas iniciativas populares, con sus distintos frentes (casa, salud, educación, derechos humanos, transporte público etc.), los movimientos sociales sienten la necesidad de un saber profesional. Es donde puede y debe entrar la universidad, socializando el saber, ofreciendo orientaciones para soluciones originales y abriendo perspectivas a veces insospechadas por quien está condenado a luchar solo para sobrevivir.

De este ir-y-venir fecundo entre pensamiento universitario y saber popular puede surgir el biorregionalismo con un desarrollo adecuado al ecosistema y a la cultura local. A partir de esta práctica, la universidad pública recuperará su carácter público, será realmente la servidora de la sociedad. Y la universidad privada realizará su función social, ya que es en gran parte rehén de los intereses privados de las clases e incubadora de su reproducción social.

Este proceso dinámico y contradictorio sólo prosperará si está imbuido de un gran sueño: ser un pueblo nuevo, autónomo libre y orgulloso de su tierra. El antropólogo Roberto da Matta bien enfatizó que el pueblo brasileño ha creado un patrimonio realmente envidiable: «toda nuestra capacidad de sintetizar, relacionar, reconciliar, creando con ello zonas y valores ligados a la alegría, al futuro y a la esperanza» (Porque o brasil é Brasil, 1986,121).

A pesar de todas las tribulaciones históricas, a pesar de haber sido considerado, tantas veces, un don nadie y bueno para nada, el pueblo brasilero nunca perdió su autoestima ni su visión encantada del mundo. Es un pueblo de grandes sueños, de esperanzas invencibles y utopías generosas, un pueblo que se siente tan impregnado de las energías divinas que estima que Dios es brasilero.

Tal vez sea esta visión encantada del mundo una de las mayores contribuciones que nosotros, los brasileiros, podemos dar a la cultura mundial emergente, tan poco mágica y tan poco sensible al juego, al humor y a la convivencia de los contrarios.

Traducción de Mª José Gavito Milano

La gestazione del popolo brasiliano, l’università e il sapere popolare.

Il popolo brasiliano non ha ancora finito di nascere. Venuti da 60 paesi differenti, eccoli qua a rimescolare rappresentanti di questi popoli in un processo aperto, dove tutti contribuiscono alla gestazione di un popolo nuovo che un giorno finirà di nascere.

Quello che abbiamo ereditato dal periodo coloniale è uno Stato altamente selettivo, una élite escludente e un’immensa massa di destituiti e discendenti di schiavi. Lo scienziato politico Luiz Gonzaga de Souza Lima nella sua originale interpretazione del Brasile ci dice che noi siamo nati come un’Impresa Transnazionale, condannata a essere fino ad oggi fornitrice di prodotti in natura per il mercato mondiale (cf.  A refundação do Brasil 2011).

Ma nonostante questo passaggio storico-sociale doloroso, in mezzo a questa massa enorme sono maturate lentamente leadership e movimenti che hanno favorito il sorgere di ogni sorta di comunità, associazioni, gruppi di azione e riflessione, che vanno dalle rompitrici di cocco in Maranhão, ai popoli della foresta dell’Acre, ai senza terra del sud e del Nord est, dalle comunità di base ai sindacati dell’ABC paulista.

Dall’esercizio democratico all’interno di questi movimenti sono nati cittadini attivi; dal loro vicendevole articolarsi, mantenendo ciascuno la propria autonomia, sta nascendo un’energia generatrice del popolo brasiliano che lentamente arriva alla coscienza della sua storia e progetta un futuro differente e migliore per tutti.

Nessun processo di questa grandezza si fa senza alleati, se i movimenti sociali impegnati non hanno l’appoggio organico di coloro che maneggiano un sapere specializzato. È qui che l’università è sfidata ad allargare il suo orizzonte. Bisogna che insegnanti e alunni frequentino scuola del popolo, come faceva Paolo Freire e permettere che gente del popolo possa entrare nelle aule ad ascoltare i professori su temi importanti per loro, come io stesso facevo nei miei corsi alla UERJ.

Questa visione suppone la creazione di un’alleanza tra l’intellighenzia accademica e la miseria popolare. Tutte le università, specialmente dopo la riforma del loro statuto fatta da Humboldt nel 1809 a Berlino che ha permesso alle scienze moderne di conquistare da cittadinanza accademica a fianco della riflessione umanistica che in altri tempi aveva creato l’università, sono diventate il luogo classico della problematizzazione della cultura, della vita, dell’uomo, del suo destino e di Dio. Le due culture – quella umanistica e quella scientifica – si comunicano sempre di più nel senso di pensare globalmente il destino del proprio progetto scientifico-tecnico davanti agli interventi che fa sulla natura e sulla responsabilità per il futuro comune della nazione e della Terra. Una simile sfida esige un nuovo modo di pensare che non segue la logica del semplice e lineare ma del complesso e del dialogico.

Le università sono spinte a cercare radicamento organico nelle periferie, nelle basi popolari e nei settori legati direttamente alla produzione. È qui che si può stabilire uno scambio fecondo di saperi, tra il sapere popolare, fatto di esperienze e il sapere accademico, costruito dallo spirito critico; da questa alleanza sorgeranno sicuramente nuove tematiche teoriche nate dal confronto con la anti-realtà popolare e dalla valorizzazione della ricchezza incommensurabile del popolo nella sua capacità di trovare, da solo, soluzioni per i suoi problemi. Qui avviene uno scambio di saperi, dove gli uni completano gli altri, nello stile proposto dal premio Nobel della chimica (1977) Ilya Prigogine (cf. La nuova Alleanza, Enaudi 1999).

Da questo matrimonio si accelera la genesi di un popolo; permette un nuovo tipo di cittadinanza, basata nella con-cittadinanza dei rappresentanti della società civile e accademica e dalle basi popolari che prendono iniziative da soli, sottomettono lo Stato a un controllo democratico, esigendone i servizi di base specialmente per le grandi popolazioni periferiche.

In queste iniziative popolari, con i suoi vari fronti (casa, salute, educazione, diritti umani, trasporti collettivi ecc,ecc), i movimenti sociali sentono la necessità di un sapere professionale. È lì che l’università può e deve entrare, socializzando il sapere,offrendo tracce per soluzioni originali e spalancando prospettive a volte insospettate da chi è condannato a lottare soltanto per sopravvivere.

Da questo andare e venire fecondo tra pensiero universitario e sapere popolare, può sorgere il bioregionalismo con uno sviluppo adeguato a quell’ecosistema e alla cultura locale. A partire da questa pratica, l’università pubblica riscatterà il suo carattere pubblico, sarà realmente ancella della società. E l’università privata realizzerà la sua funzione sociale, giacché in gran parte è ostaggio di interessi privati delle classi proprietarie e come incubatrice di sua produzione sociale.

Questo processo dinamico e contraddittorio potrà prosperare soltanto se sarà imbevuto da un grande sogno: di essere un popolo nuovo, autonomo libero e orgoglioso della sua terra. L’antropologo Roberto da Matta ha sottolineato che il popolo brasiliano ha creato un patrimonio realmente invidiabile: “Tutta questa nostra capacità di sintetizzare, realizzare, riconciliare, creando questo giorno i valori legati all’allegria, al futuro e alla speranza” (Perché il Brasile è il Brasile, 1986,121).

Nonostante tutte queste tribolazioni storiche, nonostante essere stato considerato molte volte semplice contadino sgobbone e signor nessuno, il popolo brasiliano mai ha perduto la sua auto-stima e l’aspetto magico del mondo. È un popolo di grandi sogni, di speranze non rimandabili e utopie generose, un popolo che si sente così imbevuto da energie divine che pensa che Dio è brasiliano.

Forse è questa visione incantata del mondo uno dei maggiori contributi che noi brasiliani possiamo dare alla cultura mondiale emergente, così poco magica e così poco sensibile al gioco, allo humour e alla convivenza dei contrari.

Traduzione di Romano Baraglia