O dia internacional da mulher nos desafia a pensar

O Dia Internacional da Mulher que no fundo cada dia é o dia da mulher, nos oferece a ocasião de pensar o desafio que o movimento feminista mundial nos lança.

Esse movimento mais que outros fez duas revoluções: colocou em questão o machismo e o patriarcalismo. O machismo como a dominação do homem sobre a vida da mulher que já dura séculos. A luta das mulheres nos despertaram para a questão de gênero que envolve relações de poder. Esse não pode ser só do homem. Deve ser partilhado entre o homem e  a mulher. Evitar a divisão sexual de trabalho e priorizar lógica de partilha e da coparticipação em todo o projeto de vida a dois. Daí surge uma relação mais justa e harmoniosa.

Em segundo lugar, o movimento feminista fez talvez a mais consistente crítica à cultura patriarcal que organizou toda a sociedade e as várias instâncias da vida e também da religião. O homem assumiu o poder através do qual submete os demais, chefia o Estado, cria a burocracia, organiza o exército e faz guerras. Quase todos os heróis e a maioria das divindades são masculinas. Ele ocupa a vida pública e relega à mulher à vida privada e familiar. O patriarcado, pela crítica feminista, foi teoricamente desmantelado, embora na prática, tente sempre de novo a dominar a mulher. Um refúgio especial do patriarcado é a mídia e o marketing que usam a mulher, não só no seu todo mas as partes dela, os seios, as pernas, as partes íntimas. É uma forma de transformar a mulher em objeto e uso.

A grande contribuição do feminismo foi ter mostrado que todas ou quase todos as culturas hoje existentes são patriarcais. Tem como consequência a manutenção da desigualdade na relação homem-mulher em todos os âmbitos. Seja nos USA, na Alemanha e seja no Brasil uma mulher pode fazer o mesmo trabalho, mesmo o mais competente, pelo fato de ser mulher, ganha pelos menos 20-30% a menos que o homem que executa a mesma função. Não basta a consciência da superação teórica do patriarcado, mas a demolição de seus hábitos mantidos nas instituições e comportamentos sociais.

Mas nem sempre foi assim. O ser humano existe já há 7-8 milhões de anos. Na primeira fase que durou milhões de anos as relações homem-mulher eram de harmonia e de equilíbrio com a natureza. Contrariamente do que crê o pensamento patriarcal, a verdadeira convivência humana não foi regida pela violência de uns sobre outros mas pela solidariedade e pela cooperação. A violência é recente no processo da antropogênese. Ela começou com o homo faber há dois milhões de anos que na busca dos alimentos especialmente da caça começou a usar o instrumento e a força. Ai o masculino passa a ser o gênero predominante. Ela ganhou hegemonia ao surgirem há 8 mil anos a agricultura, as vilas, as cidades e os impérios. As relações homem-mulher passam a ser de desigualdade: ele ocupa toda a vida pública, governa sozinho e relega a mulher à função de procriadora e cuidadora do lar.

As mudanças sempre buscadas, culminaram no século XX com a segunda revolução industrial quando a mulher entra no domínio público porque o sistema competitivo faz mais máquinas que machos. Já no final do século XX e hoje as mulheres são a maioria na humanidade e praticamente 50% da força de trabalho mundial. Com isso se cerra, de certa forma, o ciclo patriarcal e se inicia um novo paradigma de valorização das diferenças e a busca da igualdade ainda a ser alcançada.

As mulheres trazem para o sistema produtivo e para o Estado algo radicalmente novo. Não será só competitivo e autoritário. A mulher traz o que viveu no domínio privado: os valores da solidariedade, da partilha e do cuidado. Milenarmente foi educada para o altruísmo. Se um bebê não tiver à sua disposição alguém altruísta que o cuidasse, não duraria uns dias sequer. Desta forma, a entrada da mulher no domínio público masculino é condição essencial de humanização e mais cooperação no mundo do trabalho e, o que é fundamental, ajuda  a reverter o processo de destruição da natureza e da espécie humana.

Isso ficou claro na consciência coletiva no Relatório da ONU para o Fundo para a População (FNUAP) que sustenta: “a raça humana vem saqueando a Terra de forma insustentável e dar às mulheres maior poder de decisão sobre o seu futuro pode salvar o planeta de sua destruição”. Veja que aqui não se fala de “poder de participação”que elas sempre tiveram, mas de “poder de decisão”.

São elas que entendem de vida, pois a geram. Serão elas as principais protagonistas na decisão de uma biocivilização acentada no cuidado, na solidariedade e na lógica do coração, sem as quais a vida não viceja. Elas junto com os homens que desentranharam a sua dimensão de “anima”(cuidado, gentileza e amorosidade) que se articula com a dimensão de “animus” (razão, organização,direção) presentes, em proporções próprias em cada pessoa, poderão dar um rumo novo à nossa existência neste planeta e nos afastar do caminho sem retorno, caminho de perdição.

Leonardo Boff escreveu com Rose Marie Muraro o livro Feminino & Masculino: uma nova consciència para o encontro das diferenças, Record, Rio 2010.

 

 

 

¿PARA QUIENES ES O NO ES QUERIDA LA “QUERIDA AMAZONIA”?

¿PARA QUIENES ES O NO ES QUERIDA LA “QUERIDA AMAZONIA”?

                                  Leonardo Boff*

El Papa Francisco es el campeón mundial en la defensa de la Madre Tierra y de todo lo que sostiene su supervivencia. He leído con atención y gran entusiasmo su Exhortación Apostólica “Querida Amazonia”. En ella considera un verdadero crímen lo que se está haciendo ahora en la Amazonia. Contrapone 4 sueños axiales: el social, el cultural, el ecológico y el eclesial.

Cómo no quedar encantado con afirmaciones como esta, entre otras tantas,  clara expresión de una ecología integral y cósmica:

«Somos agua, aire, tierra y vida del medio ambiente creado por Dios. Por lo tanto, pedimos que cesen los maltratos y el exterminio de la Madre Tierra. La Tierra tiene sangre y se está desangrando, las multinacionales le han cortado las venas a nuestra Madre Tierra».

Estoy plenamente de acuerdo con este tipo de lenguaje y de denuncia y especialmente con los tres primeros sueños y con la primera parte del quarto que van en la línea de la “Laudato Si: sobre el cuidado de la Casa Común”.

Quatro sueños y medio y una pesadilla

Esta primera parte del 4º sueño sigue el estilo de gran belleza de los sueños anteriores. Sin embargo, la segunda parte me parece más bien una pesadilla. El tono antes profético, ético ecológico y poético de los primeros se ha evaporado. ¿Estará ahí la presencia de otra mano?

Me atrevo a pensar que esta parte está bajo el dominio del viejo paradigma cultural latino, clerical y masculinista. Y se niega a los indígenas el derecho divino de recibir el cuerpo y la sangre de Cristo de manos de sus viri probati casados y ordenados. Son impedidos por la aplicación de una ley humana eclesiástica: el celibato. Otros teólogos lo han afirmado y yo lo enfatizo: “no podemos colocar la cuestión del celibato por encima de la celebración de la Eucaristía”.

Esa parte del cuarto sueño, tengo la impresión de que viene de otra mano y de otro espíritu, diferente de aquel al que nos tiene acostumbrados el Papa Francisco. Lo confirma claramente el obispo Erwin Kräutler, de la Amazonia, figura central en el Sínodo panamazónico: “muchas personas, y yo mismo, hallamos esta parte muy extraña porque realmente cambia de estilo, como si el escrito papal hubiera sufrido una intervención en la parte más controvertida de la Exhortación Apostólica”.

En esta parte habla no el pastor sino el doctor. Más la autoridad doctrinaria que impone una lección teológica que um cura que reflexiona a partir de las urgencias de su comunidad. No es aquel que tiene coraje para enfrentarse al sistema anti-vida, sino aquel que se rinde a los temores y a la presión de los grupos conservadores, posiblemente por el riesgo de una escisión dentro de la Iglesia. El temor siempre frena o posterga las innovaciones por excesiva prudencia. Eso me hace recordar las palabras de Dante Alighieri en la Divina Comedia: “nel pensier rinova la paura” (Inferno I, verso 4).

Con referencia al punto importante del ministerio sacerdotal, el “autor” prefiere el eclesiástico tradicional al indígena amazónico actual. Al rosto amazónico de la Iglesia prefiere, en el punto del ministerio sacerdotal, el rosto romano-latino occidental. A semejanza de los que imponen la recolonización económica de América Latina, el “autor” ha preferido la recolonización latino-romana y occidental de la Iglesia amazónica. Frente a aquellos, que, con mayoría de votos en el Sínodo panamazónico, aceptaron la ordenación de “viri probati”, el “autor” optó por la minoría que lo rechazó.

¿Por quienes no es querida la “Querida Amazonia?

Seguramente no es “querida” por el presidente de Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de extrema derecha, anti-amazónico y anti-indígenas. No es “querida” por los madereros, ni por los “garimperos” del oro y las empresas nacionales e internacionales que piensan en las minerías, en las hidroelétricas y en la explotación de las riquezas naturales amazónicas. Pero eso era de esperar.

Pero lo que no era de esperar en lo que atañe a la inculturación del ministerio sacerdotal, era la no aceptación al sacerdocio de los indigenas viri probati. Por eso la “Querida Amazonia” no es “querida” para estos indígenas casados e impedidos de ser ordenados. No es “querida” para las mujeres, a las cuales se les niega el diaconado femenino, y además advirtiendo, de forma infundada a mi juicio, del riesgo de clericalismo. Ni es “querida” especialmente para tantos teólogos y obispos, misioneros y misioneras, agentes de pastoral laicos que están en medio de los indígenas, como lo ha manifestado claramente el ya referido obispo Erwin Kräutler desde el corazón de la Amazonia (Xingú). Todos esperaban verdaderamente la aprobación de los viri probati: indígenas, hombres casados y ordenados con rostro verdaderamente amazónico. El obispo Kräutler postulaba más: la ordenación de personae probatae (personas probadas) para incluyr a las mujeres en el ministerio sacerdotal, ejercido a su manera feminina.

No ha sido así. En sus textos sobre ecología y economía el Papa Francisco ha sabido escuchar a la ciencia. En lo que atañe a este específico ministerio sacerdotal, el “autor” parece que no se permitió consultar a una persona experta en el tema de los ministerios, el cardenal Walter Kasper, amigo y muy cercano al Papa Francisco. En sus escritos expuso las mejores reflexiones sobre la función/misión del presbítero en la Iglesia, basado en el Vaticano II. Su posición va en una dirección muy diferente a la que está representada por el “autor” en la Exhortación “Querida Amazonia”. Con esta visión que mantiene el régimen occidental, clerical y celibatario, no se puede pensar una Iglesia amazónica de rostro verdaderamente indígena.

La especificidad del sacerdote no es concentrar poder sino coordinar y presidir la comunidad.

La visión de ese texto en el cuarto sueño se retrotrae al Concilio IV Lateranse de 1215 bajo Inocencio III que afirma “nemo potest conficere sacramentum nisi sacerdos rite ordinatus” (“nadie puede realizar el sacramento eucarístico a no ser que sea sacerdote, ordenado según el rito”). La eclesiología de este sueño sigue el rigor del Concilio de Trento, que en la sesión XIII del 11 de octubre de 1551, bajo el Papa Julio III, reafirmó la misma doctrina exclusivista.

Según la mejor eclesiología nacida del Concilio Vaticano II, la función/misión específica del presbítero debe ser pensada, no de forma absoluta, sino siempre dentro del Pueblo de Dios y en el contexto de la comunidad.

Su singularidad no es consagrar absolutamente, como si fuera un mago, sino ser en la comunidad principio de cohesión y de unidad de todos los servicios y carismas. No es la de concentrar sino la de coordinar y presidir Por el hecho de presidir la comunidad, preside también la celebración eucarística.

El problema surge cuando, sin culpa, no hay un sacerdote presente y la comunidad, como lo reconoce la Exhortación, “debido en parte a la inmensa extensión territorial, con muchos lugares de difícil acceso” (n.85) no puede tenerla.

En el texto se plantea con gran realismo el problema y aquí aparece la mano del Papa Francisco: “¿será posible evitar pensar en una inculturación del modo como se estructuran y viven los misterios eclesiales?” (n.85). Y añade con sinceridad: “es necesario conseguir que la ministerialidad se configure de tal manera que esté al servicio de una mayor frecuencia de la celebración de la Eucaristía, incluso en las comunidades más remotas y escondidas” (n.86). Esta situación es absolutamente verdadera. Pero el “autor” no la consideró así y no propició la configuración del ministerio como sería necesario.

Es aquí donde la eclesiología de comunión podía haber ayudado mucho al “autor”en su concepción de poder consagrar. Ella predominó en todo el primer milenio como la investigación histórica ha demostrado inequívocamente.

Durante mil años: quien presidía la comunidad, presidía también la eucaristía

La ley básica en aquellos tiempos era: quien preside la comunidad, presida también la Eucaristía. Podía ser un obispo, un presbítero, un profeta o un confesor, incluso un laico, según Tertuliano, que era un eximio teólogo laico.

Si esto es verdad, ¿por qué negarle a un indígena casado presidir su comunidad y presidir también la celebración eucarística?

En esta parte se realiza lo que los eclesiólogos llaman “cefalización” de la Iglesia. Todo poder se concentra en la “cabeza”, en el Papa o en el clero, prescindiendo totalmente de la comunidad.

En esta visión reduccionista el “autor” pensó solo en el sacerdote con el poder de consagrar de forma exclusiva y absoluta, sin conexión con la comunidad. Entonces surge una contradicción: Un sacerdote puede celebrar solo, sin la comunidad, pero la comunidad no puede celebrar sola sin el sacerdote.

En los mil años subsiguientes: sólo consagra quien es ordenado en el Sacramento del Orden.

Esta visión se deriva no de cuestiones teológicas sino de cuestiones políticas: las disputas de poder entre el Imperium y el Sacerdotium, entre los Papas y los Emperadores. ¿Quién tiene, en ultimo término, el poder? Esto aparece claramente bajo Gregorio VII (1077). Con él se desplazó el eje de la comunidad hacia el eje del poder sagrado (sacra potestas). El poder absoluto lo posee el Papa. Recordemos su Dictatus Papae que bien traducido es: La dictadura del Papa. Todo el poder está en la cabeza, es decir, en el Papa y en quien él delega. Los portadores del poder sagrado serán exclusivamente los ordenados en el sacramento del Orden, es decir, los de la jerarquía eclesiástica. Solo celebra la Eucaristia el sacerdote ritualmente ordenado”. La comunidad de los fieles ya no cuenta más.

El padre J. Y. Congar, el más erudito y notable eclesiólogo del siglo XX, denunció esta peligrosa desviación teológica con consecuencias perjudiciales para toda la eclesiología posterior, que perdura hasta hoy día. En la Exhortación “Querida Amazonia” resuena todavía este tipo de eclesiología del poder desgarrada de la comunidad.

Por eso no dejan de causar perplejidad las afirmaciones: “es importante determinar lo que es específico del sacerdote, aquello que no se puede delegar. La respuesta está en el sacramento del Orden sacro, que lo configura a Cristo sacerdote… El carácter exclusivo recibido en el Orden le deja habilitado solo a él para presidir la Eucaristía; esta es su función específica, principal y no delegable” (n.87).

Es en este punto, supongo yo con otros, en donde aparece una “mano exterior”, con su eclesiología del poder específico e indelegable de consagrar, visión sacerdotalista, tardía y desvinculada de la comunidad de fe. Con esta visión en vano se puede realizar una inculturación del ministerio sacerdotal a indígenas viri probati casados que conferirían un rostro verdaderamente amazónico a la Iglesia. Una vez más se prolonga un cristianismo de colonización dentro del paradigma romano-católico, occidental y celibatario.

Para sanar este tipo de recolonización hay que volver a la eclesiología del primer milenio que establecía una conexión íntima entre la comunidad y su presidente. No hay que olvidar el canon 6 del Concilio de Calcedonia (451), válido para la Iglesia oriental hasta hoy y para la occidental solo hasta el siglo XII-XIII. En esta, la occidental, todo cambió por las disputas políticas sobre el poder entre los Papas y los Emperadores. El lugar de la visión comunional del primer milenio se impuso la visión jurídico-canónica de la sacra potestas excluyente, de los inicios del segundo milenio. Dice el canon 6:

Nadie sea ordenado de manera absoluta, ni un sacerdote ni un diácono, si no le fuere asignado de forma precisa una iglesia urbana o rural o un martyrion o monasterio. Aquellos que fueron ordenados de forma absoluta, el santo Concilio decidió que su ordenación será nula y no acaecida… y no podrán en parte alguna ejercer sus funciones”.

Aquí aparece clara la conexión entre la comunidad y el celebrante de la Eucaristía. Ahora emerge un problema teológico que debe ser tomado en serio: existe el derecho divino de todos los fieles de recibir el cuerpo y la sangre de Jesús (Jn 6,35) y de celebrar su memoria (Lc 22,19; 1Cor 11,25).

Este derecho divino no puede ser negado en razón de una ley humana que lo vincula exclusivamente a una persona, al sacerdote célibe, sin el cual este derecho divino no puede realizarse. Lo divino está siempre y sin ninguna excepción por encima de lo humano.

Es Cristo quien bautiza, perdona y consagra y no el sacerdote.

Por otra parte hay que recordar algo con consecuencias fundamentales: después del sumo sacerdocio de Cristo no hay más sacerdotes in se en la Iglesia. Quien lleva este nombre –sacerdote– es solamente un representante del sacerdocio de Cristo. Es Cristo quien bautiza, es Cristo quien perdona, es Cristo quien consagra. El sacerdote no tiene en sí mismo el poder de consagrar. Solamente el de representar y de actuar “in persona Cristi”, en lugar de Cristo, pero sin sustituirlo. El sacerdote hace visible a Cristo-Sacerdote invisible.

¿Por qué en ausencia del sacerdote, por razones que no dependen de la comunidad, otro cristiano laico, “vir probatus” por la comunidad y casado, no puede representar a Cristo, hacerlo visible, una vez que, por el bautismo, también él participa del sacerdocio de Cristo?

Además el Concilio Vaticano II, resumiendo la Tradición dice con acerto: no se edifica ninguna comunidad cristiana si ella no tiene como raíz y centro la celebración de la Santísima Eucaristía” (PO 6).

Negando la ordenación de viri probati indígenas, se les niega la posibilidad de edificar la comunidad cristiana. Este derecho divino no se les puede negar en nombre de una ley humana y cultural como el celibato y por una eclesiología, entre otras, que entiende como exclusivo el poder de consagrar. ¿Aquí entonces no vale la inculturación tan convincentemente desarrollada en la Exhortación “Querida Amazonia”? ¿No se impide esta por razones eclesiológicas extrañas, que terminan por inviabilizar el rostro indigena y amazónico de la Iglesia al negar la ordenación de viri probati indígenas y casados?

 

Las 24 Iglesias también católicas sin la ley del celibato

Es iluminador en este contexto recordar que hay otras 24 Iglesias, que son también católicas pero no romanas, como la copta, la melquita, la maronita, la etíope, la bizantina griega, la armenia, la siríaca, la caldea y otras. En todas ellas hay sacerdotes casados y sacerdotes célibes. No por eso ellas son menos iglesias católicas que la romana.

¿Por qué razón la Iglesia católica romana es tan inflexible con referencia a la ley del celibato, condición para ser ordenado sacerdote? Sabemos que la ley del celibato surgió lentamente en la Iglesia y que en la historia ha sido siempre un problema, siendo violada por papas, cardenales, obispos y presbíteros. Y en los últimos años ha salido a la luz, en los más altos eslabones de la Curia vaticana, la violación del celibato, agravada por los crímenes de pedofilia, que son también una forma de violar el sentido del celibato.

En la Exhortación “Querida Amazonia” el tema de la inculturación en las culturas indígenas y amazónicas, por razones ya aducidas, no ha sido llevado hasta las últimas consecuencias, hasta la raíz. Como se sabe, en la cultura indígena no existe la figura del indígena célibe. Todos viven con su pareja. Y así sería el sacerdote indígena.

Los viri probati indígenas: rehenes de la cultura romana, latina, occidental y celibataria.

Impedir que viri probati indígenas casados sean sacerdotes significa no encarnarse en la totalidad de su cultura. En ella el sacramento eucarístico debería ser celebrado por un sacerdote indígena casado. Al no encarnarse en plenitud, se condena a los indígenas a continuar rehenes, en lo que atañe al sacramento del Orden, de la cultura romana, latina, occidental y celibataria. Esto es no hacerles justicia, pues tienen el derecho divino de recibir, en el modo de su cultura, la presencia eucarística del Señor.

El supplet Eclesia y el ministro extraordinario de la Eucaristía

A pesar de esta limitación en la comprensión de quien preside la eucaristía, la comunidad cristiana puede recurrir a otro expediente eclesiológico asegurado en la tradición, el famoso “supplet ecclesia”. Aclaro: el indígena casado que ya preside la comunidad, puede presidir la celebración de la cena del Señor supliendo al sacerdote célibe ausente a título de “suplencia de la Iglesia”. Él funciona como ministro extraordinario de la Eucaristía y lo hace con la intención de estar con la Iglesia (cum Ecclesia), jamás contra la Iglesia (contra Ecclesiam), y de hacer todo lo que haría el sacerdote si estuviera presente.

Toda situación extraordinaria demanda también una solución extraordinaria: la legitimidad del laico indígena y casado de presidir la celebración de la cena y la memoria del Señor. La necesidad no conoce ley. El ordo caritatis (el orden de la caridad) y la solicitud para la salus animarum (para la salvación de las almas) y la oeconomía salutis (el proceso historico de la salvación) sustentan teológicamente tal práctica.

La misma visión se encuentra en el sistema jurídico-canónico de la Iglesia. El Derecho Canónico dice explícitamente que la ley suprema en la Iglesia es siempre la “salvación del alma” (canon 1752). ¿Esto no implicaría también el acceso sin las limitaciones impuestas por leyes humanas al sacramento del Orden?

Es injusto mantener a las mujeres como cristianas inferiores

Dejemos aparte el tema del diaconado de las mujeres, igualmente negado en la Exhortación. Tal negación no supera, desgraciadamente como se esperaba, la cuestión de género y hace a las mujeres, por más comprometidas que estén en las comunidades, cristianas inferiores, de segunda categoría, como lo afirma además la cultura machista todavía dominante con referencia a ellas. Bien se podría romper en la Iglesia con esta tradición tan injusta. Para las mujeres no valen los 7 sacramentos; para ellas solamente cuentan 6 porque están excluidas del Ordo.

Recordemos que Santo Tomás de Aquino, en su doctrina sobre los sacramentos, afirmaba que el bautismo es el sacramento de iniciación a la vida cristiana y simultáneamente es la iniciación para todos los demás sacramentos y por eso contiene los 7 sacramentos. Según esta comprensión del Doctor Angélico, por el hecho de ser mujer, esta, la mujer, recibe un bautismo menor porque le falta el contenido del sacramento del Ordo.

Pero no queremos olvidar una flagrante paradoja: una mujer puede engendrar un hijo que es el Hijo de Dios. Esta misma mujer, que ha engendrado a este hijo que es el Hijo de Dios, no puede representar a su hijo que es Hijo de Dios. Solo por el hecho de ser mujer. Las Escrituras dicen que esta mujer, María, “es bendita entre todas las mujeres” (Lc 1,41). Pero parece que no es suficientemente bendita para representar a su propio Hijo que es el Hijo de Dios encarnado.

Añado también el hecho de que las mujeres nunca traicionaron a Jesús, como lo hicieron Pedro y los apóstoles, que lo abandonaron. Fueron siempre fieles y fueron ellas las primeras testigas del hecho mayor de la fe, que es la Resurrección. Solamente por tales razones deberían tener un lugar central dentro de la Iglesia si esta no estuviera atada a la cultura latino-occidental masculinista.

Nada es más fuerte que una idea cuando alcanza su punto de maduración

Todo lo que he escrito no significa una falta de lealtad al Papa Francisco, que es inquebrantable en mí. Pero vale el dicho antiguo: Amicus Plato, sed magis amica veritas. Compete al teólogo buscar caminos nuevos para problemas nuevos, siempre al servicio de las comunidades cristianas y de la propia Iglesia universal.

Como ya se dijo: “nada es más fuerte que una idea cuando llega el momento de su realización”. Llegará este momento para los viri probati indígenas y principalmente para las mujeres dentro de la Iglesia romano-católica. Pero cómo se demora…

A pesar de estas limitaciones internas, la “Exhortación Apostólica Querida Amazonia” es, en este momento crucial de la crisis ecológica como emergencia planetaria, la más decidida y valiente defensa de la Amazonia, presente en 9 países, fuente de vida para toda la humanidad, garantía del futuro de la Tierra y esperanza de la salvaguardia de nuestra civilización. Por eso no acabamos de agradecer al Papa Francisco este servicio profético en beneficio de toda la Humanidad y para todos aquellos que aman y cuidan este bello y esplendoroso Planeta, nuestra Casa Común, la grande y generosa Madre Tierra.

*Leonardo Boff es eclesiólogo de Brasil y entre otros libros de eclesiología ha escrito: Die Kirche als Sakrament im Horizont der Welterfahrung, Padeborn 1972; Eclesiogénesis: la reinvención de la Iglesia, Record, Rio de Janeiro 2008 y Dabar, México 2009; Iglesia: carisma y poder, Vozes 1982, Borla 1985; La Iglesia se hizo pueblo, Vozes 1984; Nuevas fronteras de la Iglesia, Verus 1986.

Gracias a María José Gavito Milano que há mejorado mi español.                                   

                                           ANEXO

         Carta do bispo emérito do Xingú Dom Erwin Kräutler

Meu caro irmão,

Li seu artigo com imensa satisfação. Não preciso dizer-lhe que concordo com tudo que escreveu. Você traduziu em palavras claras e diretas o que a grande maioria de nós pensa. Nosso sonho não acabou. Lamentamos apenas que vamos ter que esperar ainda não sei por quanto tempo que ele se torne realidade. Infelizmente, nós já octogenários certamente não teremos mais a graça de entoar o Te Deum laudamos… agradecendo que finalmente a nossa Igreja também tem um rosto indígena.

É simplesmente absurdo pensar que isso aconteça sem que a Eucaristia seja celebrada pelos mesmos indígenas com jeito indígena, na língua indígena, na cultura indígena e nos parâmetros indígenas em relação a quem ocupa função de coordenar/presidir.

Não sei se lhe contei uma vez a minha primeira visita como bispo a uma aldeia Kayapó. À pergunta do cacique: “Aprô“ – “Sua esposa“ – respondi “Iprô kêt“: “sem esposa”. Olhou-me um tanto desconfiando. Outra vez fui lá e veio a mesma indagação. Aí respondi: „Onij“ – tá muito longe! Aí ficou com pena. Deus certamente já me perdoou a mentirinha que certamente me aproximou mais dos indígenas. Mais tarde a mulher do cacique me adotou com „Ikra“ – meu filho. Lindo não é!

Pergunto se não seria importante traduzir seu artigo para o alemão, inglês e italiano para os da extrema-direita tão agressiva dos países desses idiomas se poderem inteirar da caprichada fundamentação de seus argumentos?

Cordial abraços,

Dom Erwin Kräutler

 

 

“Querida Amazonia”: una inculturación truncada

La Exhortación Apostólica “Querida Amazonia” del Papa Francisco es un himno a la magnitud y a la belleza de ese inmenso bioma que se extiende por nueve países de América Latina. El Papa se dio cuenta como pocos de la importancia de la Amazonia para el futuro del equilibrio ecológico y de la supervivencia del sistema-vida en el planeta.

Dividió su exposición, en la cual cita a nuestros autores y poetas, en cuatro sueños: el social, el cultural, el ecológico y el eclesial. Comparto totalmente tres sueños y medio. La segunda mitad del cuarto sueño nos parece, a no pocos, más bien una pesadilla. Y explico por qué.

El estilo antes profético, ético, ecológico y poético desaparece. Parece como si otra mano hubiera escrito el texto y, seguramente bajo presión, consiguió incorporarlo al cuarto sueño, transformándolo en una pesadilla. Aquí no habla el pastor sino el doctor, no el profeta que denuncia el sistema mundial anti-vida sino la autoridad doctrinaria que fija una lección teológica.

¿Cuál es el propósito de toda la Exhortación Apostólica? La inculturación de la fe cristiana en el universo de los indígenas de tal forma que surja una Iglesia de rostro amazónico. Tal iniciativa implica prestigiar la sabiduría ancestral, los valores, las costumbres y la forma de ser indígena. De una Iglesia-espejo de la europea, implantada por la colonización, debería surgir una Iglesia-fuente, con raíces en nuestra realidad, especialmente inculturada en los pueblos originarios de la Amazonia.

El Papa Francisco fue quien más estimuló a los participantes del Sínodo Panamazónico para que tuviesen el valor de enfrentarse a este desafío. Esa inculturación para ser real conllevaba obviamente sacerdotes casados, los “viri probati”. Los indígenas no se imaginan a un indígena célibe. El sacerdote debía ser alguien casado. Esta era una petición de las comunidades amazónicas, apoyadas por la mayoría de sus obispos y aprobada mayoritariamente por el Sínodo Panamazónico. Grande fue la decepción cuando se vio que este tipo de sacerdotes casados era rechazado por el cuarto sueño. ¿La inculturación no debería ser completa?

La argumentación para negar el sacerdocio casado se funda en una eclesiología tradicionalista y superada por el Concilio Vaticano II. Este da centralidad, primero al pueblo de Dios y después a la jerarquía a su servicio. La misión del ministro ordenado no es la de concentrar el poder sagrado, sino la de coordinar todos los servicios, dar cohesión y presidir la comunidad. Por el hecho de presidir la comunidad, preside también la celebración eucarística.

La lección doctrinaria de la Exhortación se presenta aquí: “El carácter exclusivo recibido por el sacramento del Orden, deja solo al sacerdote habilitado para presidir la Eucaristía; esta es su función específica, principal y no delegable (n.87)”. Cabe recordar que se está pensando únicamente en el sacerdote célibe. Esta es la doctrina tradicionalista que hace del sacerdote una especie de mago solitario.

Y aquí surgen dos problemas: los fieles según el mandato de Jesús (Jn 6,35; Lc 22,19; 1Cor 11,25) tienen el derecho divino de participar de su cuerpo y sangre eucarísticos. No se puede negar la Eucaristía a los indígenas por no permitirles tener un sacerdote casado. Un derecho humano no puede estar por encima de un derecho divino.

El segundo problema: un sacerdote puede celebrar la Eucaristía él solo pero la comunidad no puede celebrar sola la misma Eucaristía. Sin el sacerdote célibe no hay Eucaristía.

Es importante rescatar una idea antigua y moderna: no se puede imaginar una ordenación en absoluto, sin conexión con la comunidad. El canon 6 del Concilio más importante de todos, el de Calcedonia (451), consideró inválida toda ordenación absoluta.

Durante los primeros mil años de cristianismo estuvo en vigor la siguiente norma: quien preside la comunidad, preside también la Eucaristía. Podía ser un obispo, un presbítero, un profeta e incluso un laico.

Solamente en el milenio siguiente, por razones políticas de disputa entre los Papas y los Emperadores, se consolidó la doctrina de la “cefalización” según la cual todo el poder está en la “cabeza”, en el Papa y en quien él lo delegue. Sólo el sacerdote ordenado puede presidir la Eucaristía. El poder sagrado queda desligado de la comunidad. Surgió un sacerdocio absoluto y celibatario contrariamente a lo que prescribía el canon 6 del Concilio de Calcedonia.

Tal doctrina ha sido considerada por el mayor estudioso de la Iglesia, J. Y. Congar, como dañina hasta el día de hoy. Ella separa a los curas célibes de la comunidad. Pero en realidad ha sido superada actualmente gracias a la concepción del Vaticano II que religa la Iglesia al Pueblo de Dios y el sacerdote a la comunidad.

Pero lo que propiamente está en cuestión para ser ordenado es la ley del celibato, impuesta históricamente sólo en la Iglesia Católica Romana. No existe en las otras 24 Iglesias también católicas (ortodoxa, armenia, melquita etc), sin ser por eso menos católicas.

En pocas palabras: la llamada inculturación total de la iglesia en las culturas indígenas se ha truncado debido a una ley humana, occidental y sexista (celibato). Se ha frustrado así el sueño de una Iglesia de rostro verdaderamente indígena y amazónico por la imposición de una norma occidental, romana y excluyente.

La ordenación de indígenas casados llegará, pues cuando una idea se hace firme en las conciencias acaba por realizarse.

*Leonardo Boff es eclesiólogo y ha escrito entre otras obras Eclesiogénesis: la reinvención de la Iglesia, Record 2008. Sigue un estudio más detallado sobre el tema en mi blog.

Traducción de Mª José Gavito Milano

 

 

 

Wäre Sokrates heute noch am Leben, würde er aus Traurigkeit sterben

Wäre Sokrates heute noch am Leben, würde er aus Traurigkeit sterben

Wir leben in Zeiten des „Post“: Post-Moderne, Post-Kapitalismus, Post-Neoliberalismus, Post-Kommunismus, Post-Sozialismus, Post-Demokratie, Post-Religiosität, Post-Christentum, Post-Humanismus und, seit kurzem, Post-Wahrheit. Praktisch alles hat seine “Post”. Diese Tatsache zeigt nur, dass wir den Begriff, der unsere Zeit definiert, noch nicht gefunden haben, und wir sind Gefangene des Alten. Hier und da gibt es jedoch Anzeichen dafür, dass ein passender Name kommen wird. Mit anderen Worten, wir wissen noch nicht, wie wir unsere Zeit definieren sollen.

Das begann mit dem Ausdruck Post-Wahrheit. Er wurde 1992 von dem serbo-nordamerikanischen Dramatiker Steve Tesich in einem Artikel von The Nation geprägt und von ihm nochmals verwendet, als er ironisch über den Skandal des Golfkrieges schrieb. Präsident Bush Jr., versammelte sich mit seinem ganzen Kabinett und entschuldigte sich für ein paar Minuten. Als christlicher Fundamentalist fragte Bush Jr. den Herrn im Himmel. Präsident Bush Jr. sagt: “Auf meinen Knien bat ich den Herrn, die Entscheidung, die ich treffen sollte, zu beleuchten; Mir wurde klar, dass wir gegen Saddam Hussein in den Krieg ziehen mussten.” Die besten Spione bestätigten, dass es keine Massenvernichtungswaffen gab. Es war eine Post-Wahrheit. Aber dank des “Herrn” und entgegen aller Geheimdienste bekräftigte Bush Jr.: “Wir ziehen in den Krieg”. Und diese Barbaren gingen und zerstörten eine der ältesten großen Zivilisationen der Welt.

Das Oxford Wörterbuch 2016 wählte es zum Wort des Jahres und definierte es wie folgt: “Was sich auf den Umstand bezieht, in dem objektive Fakten weniger Einfluss auf die öffentliche Meinung haben als persönliche Emotionen und Überzeugungen”. Die Wahrheit ist nicht wichtig, nur meine Wahrheit zählt. Der britische Journalist Matthew D’Ancona widmete dem Begriff “Post-Wahrheit: der neue Krieg gegen Fakten in Zeiten von Fake News” ein ganzes Buch (Faro Editorial 2018). In diesem Buch zeigt er, wie persönlicher Glaube und Überzeugung über die kalten Tatsachen der Realität vorherrschen.

Es ist schmerzlich zu bekräftigen, dass die ganze philosophische Tradition des Westens und des Ostens, die eine erschöpfende Anstrengung auf der Suche nach der Wahrheit der Dinge implizierte, jetzt von einer beispiellosen historischen Bewegung entkräftet wird, welche bestätigt, dass die Wahrheit der Realität und die Stärke der Tatsachen gewissermaßen irrelevant ist. Worauf es ankommt, sind meine Glaubensvorstellungen und Überzeugungen: Nur diejenigen Tatsachen und Versionen, ob wahr oder falsch, die zu meinen Überzeugungen und meine Meinigungen passen, werden berücksichtigt. Für mich sind sie die Wahrheit. Das hat in den Präsidentschaftswahlkämpfen von Donald Trump und Jair Bolsonaro, in Brasilien,  sehr gut funktioniert.

Wenn Sokrates, der unaufhörlich mit seinen Gesprächspartnern über die Wahrheit von Gerechtigkeit, Schönheit und Liebe sprach, die Vorherrschaft der Post-Wahrheit erleben würde, würde er gewiss nicht den Giftbecher sicher nicht trinken. Er würde an Traurigkeit sterben.

Post-Wahrheit offenbart die Tiefe der Krise unserer Zivilisation. Sie steht für die Feigheit des Geistes, der sich weigert zu sehen und zu leben mit dem, was ist. Sie muss deformiert und nach dem subjektiven Geschmack der Menschen und Gruppen geformt werden, und zwar meistens politisch.

Hier finden wir die Worte des spanischen Dichters Antonio Machado, der vor der Verfolgung des faschistischen Diktators Francisco Franco floh: “Deine Wahrheit? Nein, Die Wahrheit. Und komm mit mir, um danach zu suchen. Deine Wahrheit? Behalte sie für dich selbst”.

Beschämenderweise ist es jetzt nicht mehr notwendig, gemeinsam nach der Wahrheit zu suchen. Von der kapitalistischen Kultur als Individualisten bezeichnet, nimmt jeder als Wahrheit das, was ihm selbst dient. Einige wenige stellen sich der “wahren” Wahrheit und lassen sich daran messen. Aber die Realität widersteht und überwindet und erteilt uns harte Lektionen.

Wie Ilya Prigogine, Nobelpreisträger für Thermodynamik, in seinem Buch „The end of certitudes“ (1996) gut beobachtete: Wir leben in Zeiten von Möglichkeiten mehr als Gewissheiten, was die Suche nach der Wahrheit der Naturgesetze nicht behindert. Zygmunt Bauman würde es vorziehen, “von den flüssigen Realitäten” als Charakteristikum für unsere Zeit zu sprechen. Er würde das mit Ironie sagen, denn so wurde die Wahrheit der Dinge (die Wahrheit des Lebens, der Liebe usw.) geopfert. Es wäre das Reich des „alles geht“, des „alles ist gültig“. Aber wir wissen, dass nicht alles gültig ist, wie ein Kind oder eine Frau zu vergewaltigen.

Post-Wahrheit ist nicht dasselbe wie Fake News: Das sind Lügen und Verleumdungen gegen Personen oder politische Parteien, die mit digitalen Mitteln an Millionen von Menschen verbreitet werden. Sie spielten eine entscheidende Rolle beim Sieg von Bolsonaro und auch beim Triumph Trumps. Hier herrschen Schamlosigkeit, Charakterlosigkeit und völliger Mangel an Engagement für Fakten. In der Post-Wahrheit überwiegt die Auswahl dessen, was zu meiner Sicht der Dinge passt, ob wahr oder falsch. Sein Mangel ist sein unkritisches Fehlen von Unterscheidungskraft, um nach dem zu streben, was wirklich wahr oder falsch ist.

Ich glaube nicht, dass wir uns in einer Ära der “Post-Wahrheit” befinden. Das Perverse hat keine Möglichkeit, sich selbst zu erhalten, um eine Geschichte zu schaffen. Die Wahrheit – deren Licht nie erlischt – hat immer das letzte Wort.

Leonardo Boff ist Ökotheologe – Philosoph  und von der Erdcharta-Kommission