Cuidado: estamos sendo vigiados até em nossa intimidade

Ricardo Abramovay da USP-SP é um dos nossos melhores pesquisadores em questões ambientais e crítico aos modelos vigentes. Aqui nos faz um alerta sobre um assunto alarmante: mais e mais as técnicas modernas digitais estão vigiando e controlando nossas vidas, nos mínimos detalhes, especialmente pelos dispositivos do reconhecimento facial. Os USA, em função de seu ímpeto imperial, tem a dianteira nessa criação de um Estado orwelliano. Só o FBI dispõe de 641 milhões de imagens faciais de norte-americanos. A China montou 176 milhões de câmaras de vigilância. O reconhecimento facial está sendo montado celeremente também no Brasil. Essa vigilância não se restringe somente à face e pode fazer de cada um de nós um suspeito. A vida cotidiana,como  a marca de nosso desodorante, com quem nos relacionamos, que médico/a visitamos, em que bar estivemos,o que bebemos e como pagamos, em outras palavras, toda nossa intimidade fica exposta a todo mundo. Tais informações podem ser usadas e manipuladas por órgãos de controle e repressão, particularmente, de regimes totalitários. Cresce uma onda mundial contra esses mecanismos que nos roubam a intimidade. Há que banir esta iniciativa,pelo menos impor rigorosos  limites, pois nossa liberdade corre risco. Com que direito e com que fins nos querem vigiar até nos mínimos detalhes de nossa vida comum e cotidiana, da intimidade de nosso lar, que programas de tv vemos e que comemos em nossas mesas? Devemos tomar consciência deste  fenômeno que não deixa de ser perverso. Por isso replicamos esta texto de Abramovay publicado na FSP no dia 15/12/19. Lboff

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                        A liberdade contra as câmeras

15/12/2019 p. 7 FSP

[RESUMO]  Cresce no mundo todo o movimento por banir ou limitar o uso de reconhecimento facial. Mais do que avanço da biometria, tecnologia é um instrumento de vigilância contínua.

A Cnil (Comissão Nacional de Informática e Liberdades) da França proibiu que um colégio de Nice e outro de Marselha usassem reconhecimento facial para controlar o acesso dos alunos aos estabelecimentos.

Os colégios alegavam a possibilidade de economizar tempo dos funcionários e redução de fraudes com as novas tecnologias. Após análise cuidadosa, a Cnil chegou à conclusão de que tais procedimentos são contrários aos princípios de proporcionalidade e de minimização de dados, uma das bases da legislação europeia que regulamenta a coleta, o armazenamento e a análise de informações pessoais obtidas por meio de dispositivos digitais.

Não se trata de idiossincrasia francesa. A autoridade sueca de proteção de dados pessoais baniu o uso de reconhecimento facial em escolas e multou um estabelecimento que utilizava a técnica, apesar do consentimento dos pais dos alunos.

Exagero? Nos Estados Unidos, as câmaras municipais de Berkeley, San Francisco e Oakland, na Califórnia, e de Summerville, em Massachusetts, baniram o uso por autoridades públicas de imagens coletadas por dispositivos de reconhecimento facial.

No início de outubro, o governador da Califórnia assinou uma lei que institui moratória de três anos no uso de câmeras nos uniformes dos policiais do Estado. Parlamentares de lados opostos do espectro, como a democrata Alexandria Ocasio-Cortez e o republicano Jim Jordan, uniram-se para pedir regulamentação legal dessas câmeras antes que seu uso fique “fora de controle”.

Em 2017, Satya Nadella, CEO da Microsoft, chegou a citar a obra de George Orwell para referir-se ao risco de que câmeras de vigilância contribuam para a emergência de um Estado totalitário. Embora o Google tenha feito da “inteligência artificial em primeiro lugar” (AI first) seu lema, a empresa recusou-se, ano passado, a desenvolver um sistema de reconhecimento facial que seus clientes pudessem adaptar facilmente a seus dispositivos.

Um grupo de acionistas da Amazon manifestou preocupação de que o Rekognition, plataforma de reconhecimento facial da empresa, abrisse caminho à violação de direitos humanos e civis. Em causa estão não só o viés e as distorções do dispositivo (mais preciso na identificação de homens brancos do que de mulheres negras, por exemplo), mas também o perigo de que o Rekognition seja vendido a governos autoritários e se transforme em obstáculo ao avanço da democracia no mundo.

Setenta organizações da sociedade civil obtiveram a assinatura de 150 mil pessoas contra esse dispositivo nos Estados Unidos. Em 2018, o Washington Post publicou editorial alertando contra os riscos de um Estado orwelliano que resultaria da vigilância generalizada a que estes equipamentos abrem caminho.

Essas informações suscitam uma constatação importante: o reconhecimento facial não é um instrumento apenas de Estados ditatoriais como a China. Londres hoje tem mais dispositivos de reconhecimento facial por habitante do que Pequim. Nos Estados Unidos, o FBI dispõe de 641 milhões de imagens de americanos não suspeitos de qualquer crime.

Trata-se de um dos mais prósperos e promissores negócios da economia contemporânea. A China, onde há 176 milhões de câmeras de segurança, detém 46% do faturamento em reconhecimento facial no mundo e tem a ambição de que o setor chegue a US$ 150 bilhões por ano em 2030.

Além de seu emprego sistemático por autoridades policiais, a tecnologia é a base do sistema de pagamentos no varejo e dos empréstimos “peer to peer”, altamente difundidos no país. Nos Estados Unidos esse mercado cresce 20% ao ano desde 2016.

Embora o Brasil não seja protagonista das inovações tecnológicas trazidas pela revolução digital, aqui também o reconhecimento facial avança celeremente.

Esse crescimento deve intensificar-se com o decreto que instituiu o Cadastro Base do Cidadão, que envolve não apenas foto, digitais e CPF, mas também dados biométricos como retina, íris, formato da face, voz e maneira de andar. Todos esses dados poderão ser compartilhados por diferentes órgãos governamentais, e a gestão desse sistema será feita por um comitê formado por sete representantes do governo, sem qualquer participação da academia, do mercado ou da sociedade civil.

Mas, se é um negócio tão próspero e virtualmente tão útil no comércio, na educação e na segurança pública, por que razão vem suscitando tanta apreensão e tantos protestos?

É difícil acreditar que se trate de uma espécie de doença infantil que atingiria tecnologias incipientes, quando alguns dos mais importantes ícones da revolução digital e empresas como a Microsoft e o Google manifestam publicamente o temor de uma expansão não regulamentada dessas tecnologias. Do que é acusado o reconhecimento facial?

O problema central é que ele muda a natureza da biometria pela qual os indivíduos são identificados.

Um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (o ODS 16.9) é que até 2030 todos os habitantes do mundo possuam uma identidade verificável, base para o exercício de sua cidadania não só no voto mas na obtenção de benefícios de políticas sociais. Hoje 502 milhões de pessoas na África Subsaariana e 357 milhões na Ásia do Sul não possuem identificação oficial.

Mas o reconhecimento facial contemporâneo não se limita a baratear e tornar mais rápida a obtenção deste direito universal à identificação. Ele traz ao menos duas mudanças preocupantes na ideia de biometria.

A primeira delas é que, até o início do século 21, a biometria se apoiava no recolhimento de informações individualizadas e cuja obtenção exigia o conhecimento e a cooperação das pessoas. Quando você renova sua carteira de habilitação, você sabe que suas digitais são captadas eletronicamente. É o que Laura Donohue, do Centro de Direito da Universidade de Georgetown, qualifica de “identificação biométrica imediata”. Você está presente fisicamente no ato que o identifica e não tem como ignorá-lo.

O reconhecimento facial inaugura outra modalidade, que Donohue chama de “identificação biométrica remota”. Como as câmeras de identificação são interligadas e conectadas a dispositivos que contêm gigantesca base de dados (big data), elas podem localizar e identificar as pessoas em qualquer situação sem que elas tenham a menor ideia de que estão sob escrutínio.

Hoje, é perfeitamente possível identificar indivíduos numa multidão. Não é por outra razão que tanto em Hong Kong como em Santiago os manifestantes tentavam despistar as imagens das câmeras, apontando raios laser em sua direção.

Sob o ângulo jurídico, essa forma de identificação pervasiva fere um dos mais importantes preceitos constitucionais americanos, a Quarta Emenda, segundo a qual o cidadão só pode ser investigado se houver uma suspeita bem fundamentada de que ele tenha feito algo errado.

A vigilância generalizada coloca o conjunto da sociedade sob observação e, na verdade, sob suspeita. À medida que o indivíduo sabe que, de forma remota, pode ser reconhecido e catalogado como participante de uma manifestação pública, é difícil dizer que sua própria liberdade de expressão não está comprometida.

Mas isso não se refere apenas a manifestações políticas: é a vida cotidiana, a interação social, a sociabilidade humana que se transformam como resultado da identificação biométrica remota.

Uma cidade inteiramente monitorada e cujos dados são permanentemente processados por algoritmos que interpretam as imagens coletadas perde uma das características mais importantes do próprio conceito de cidade: o anonimato, a possibilidade de não ser identificado em locais públicos. Os espaços públicos tornam-se territórios de vigilância.

A entrada numa igreja, num bar, o cruzamento dos dados da entrada no bar com aquilo que o indivíduo consumiu (e que foi pago também por reconhecimento facial), a ida a um psiquiatra, a um ginecologista, em suma toda a movimentação referente à vida privada e à própria intimidade das pessoas ganha uma dimensão pública que, ao longo do tempo, acaba por interferir em seus comportamentos, já que elas sabem que estão sob observação.

O movimento global pelo banimento ou ao menos pela moratória na expansão das tecnologias de reconhecimento facial ganha força.

A possibilidade de que governos com inclinação autoritária usem o argumento da segurança e da economia para reprimir manifestações públicas, constranger indivíduos e impor condutas coerentes com sua visão de mundo é uma ameaça à democracia muito maior que a dos serviços secretos convencionais.

E o emprego dessas técnicas pelo setor privado traz igualmente o risco de impor a toda a sociedade comportamentos em que os indivíduos vão agir como quem sabe que está sendo permanentemente vigiado.

O tema pode parecer distante, mas é uma realidade que está em franca implantação e sobre a qual é essencial uma séria discussão pública que vá além do mantra de que isso é incontornável —como se o rumo tomado pelas tecnologias fosse independente da capacidade de interferência dos indivíduos e das organizações da sociedade civil.

Ricardo Abramovay é professor sênior do Instituto de Energia e Ambiente da USP e autor de ‘Muito Além da Economia Verde’ (Planeta Sustentável/Abril).

 

Si Sócrates viviese hoy moriría de tristeza

Vivimos el tiempo de los pos: pos-moderno, pos-capitalista, pos-neoliberal, pos-comunismo, pos socialismo, pos-democracia, pos-religioso, pos-cristiano, pos-humano y recientemente pos-verdad. Prácticamente todo tiene su pos. Tal hecho denota solamente que no hemos encontrado todavía el nombre que defina a nuestro tiempo, y estamos viviendo rehenes del viejo. Sin embargo, aquí y allá asoman señales de que algún nombre adecuado está por llegar. En otras palabras, no sabemos aún cómo definir la identidad de nuestro tiempo.

Así ocurre con la expresión posverdad. Esta fue acuñada por un dramaturgo serbio-norteamericano, Steve Tesich, en un artículo de la revista The Nation de 1992 y retomada después por él al referirse irónicamente al escándalo de la Guerra del Golfo. El presidente Bush hijo, reunido con todo el Gabinete, pidió permiso para retirarse algunos minutos. Fundamentalista como era, iba a consultar al buen Señor. Dice, “de rodillas pedí al Buen Señor luces para la decisión que iba a tomar; tuve claro que debíamos ir a la guerra contra Saddam Hussein”. Las informaciones más seguras afirmaban que no había armas de destrucción masiva. Era una posverdad. Pero gracias al “Buen Señor”, contra todas las evidencias, reafirmó: “Vamos a la guerra”. Y, bárbaros, fueron y destruyeron una de las civilizaciones más antiguas del mundo.

El diccionario Oxford de 2016 la escogió la posverdad como la palabra del año. La define así: “Lo que es relativo a la circunstancia en la cual los hechos objetivos influyen menos en la opinión pública que las emociones y creencias personales”. No importa la verdad; sólo cuenta la mía. El periodista británico Matthew D’Ancona le dedicó un libro entero titulado “Pos-verdad: la nueva guerra contra los hechos en tiempos de fake news (Faro Editorial 2018). En él muestra como se da el predominio de la creencia y de la convicción personal sobre el hecho bruto de la realidad.

Es doloroso verificar que toda la tradición filosófica de Occidente y de Oriente, que significó un esfuerzo exhaustivo en la búsqueda de la verdad de las cosas, está siendo ahora invalidada por un inaudito movimiento histórico que afirma que la verdad de la realidad y la dureza de los hechos es algo irrelevante. Lo que cuenta son mis creencias y convicciones: sólo serán acogidos aquellos hechos y aquellas versiones, sean verdaderas o falsas, que encajan con estas creencias y convicciones mías. Ellas representarán para mí la verdad. Esto funcionó ampliamente en las campañas presidenciales de Donald Trump y de Jair Bolsonaro.

Si Sócrates, que dialogaba incansablemente con sus interlocutores sobre la verdad de la justicia, de la belleza y del amor, constatase el predominio de la posverdad, seguramente no necesitaría tomar la cicuta: Moriría de tristeza.

La posverdad denota la profundidad de la crisis de nuestra civilización. Representa la cobardía del espíritu que no consigue ver y convivir con aquello que es. Tiene que deformarlo y acomodarlo al gusto subjetivo de las personas y de los grupos, generalmente políticos.

Aquí son oportunas las palabras del poeta español, Antonio Machado, huido de la persecución de Franco: “¿Tu verdad? No, la verdad. Y ven conmigo a buscarla. La tuya, guárdatela”. Ahora vergonzosamente ya no es necesario buscar juntos la verdad. Educados como individualistas por la cultura del capital, cada uno asume como verdad la que le sirve. Pocos se enfrentan con la verdad “verdadera” y se dejan medir por ella. Pero la realidad resiste y se impone y nos da duras lecciones.

Bien observaba Ilya Prigogine, premio Nobel de termodinámica en su libro “El fin de las certidumbres” (1996): vivimos el tiempo de las posibilidades más que de las certidumbres, lo que no impide buscar la verdad de las leyes de la naturaleza. Zygmunt Bauman prefería hablar “de las realidades líquidas” como una de las características de nuestro tiempo. Lo decía más bien con ironía, pues de este modo se sacrificaba la verdad de las cosas (de la vida, del amor etc). Sería el imperio del everything goes: del todo vale. Pero sabemos que no todo vale, como violar a un niño o ser caumniado por alguien.

La posverdad no se identifica con las fake news: estas son mentiras y calumnias difundidas a millones por los medios digitales en contra de personas o partidos. Tuvieron un papel decisivo en la victoria de Bolsonaro así como en la de Trump. Aquí se da por válido el descaro, la falta de carácter y una total falta de compromiso con los hechos. En la posverdad predomina la selección de aquello, verdadero o falso, que se adecúa a mi visión de las cosas o a mis intereses. Su defecto es la falta de crítica y de discernimiento para buscar lo que es realmente verdadero o falso.

No creo que estemos ante una era de la “posverdad”. Lo que es perverso no tiene cómo sustentarse por sí mismo para fundar una nueva era. La palabra decisiva la tiene siempre a la verdad cuya luz nunca se apaga.

*Leonardo Boff es filósofo y ha escrito Tiempo de Transcendencia: el ser humano como proyecto infinito, Mar de Ideias, Rio 2010.

Traducción de Mª José Gavito Milano

 

 

 

 

 

L.Boff:La agonía de una civilización tan globalizada como excluyente

 

Sergio Ferrari é um jornalista argentino, vevendo na Suiça e se notabilizou por entrevistas importantes sobre a realidade latino-americana, política e eclesial. É reconhecido por sua competência e compromisso pelos que são vítimas do sistema imperante.Pertence a organizações de ajuda no Brasil e na Africa. Publicamos aqui uma entrevista que lhe dei recentemente. Lboff

elmercuriodigital.- diciembre 12, 2019

Leonardo Boff, defensor de derechos humanos
* 40 años del Centro de Defensa de Derechos Humanos de Petrópolis
* “Un retorno al Brasil dictatorial”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Leonardo BOff. Foto Sergio Ferrari

 

Sergio Ferrari*.- Las señales que lanza la sociedad planetaria son preocupantes. “Estamos en medio de una crisis fundamental, ingresando en una era de barbarie, donde los derechos esenciales se desvanecen”, reflexiona Leonardo Boff. Militante social, co-iniciador de la Teología de la Liberación, uno de los impulsores de la Carta de la Tierra en el año 2000, premio Nobel alternativo en el 2001, Boff sintetiza las más variadas facetas de hombre de reflexión y acción. Aportando en esta reflexión la impronta del defensor de derechos humanos, una de los más marcantes en su Brasil natal, aunque de las menos conocidas en el exterior. Entrevista exclusiva realizada a los 40 años del nacimiento del Centro de Defensa de los Derechos Humanos de Petrópolis, en el Estado de Río de Janeiro, que Boff contribuyó a fundar en 1979 y del cual, en la actualidad, sigue siendo su presidente.

Pregunta: El Centro de Defensa de los Derechos Humanos de Petrópolis (CDDH) nació durante la última dictadura brasilera. ¿Qué significaba entonces, en concreto, defender los derechos esenciales de los brasileros?

Leonardo Boff: Nació como respuesta a la agresión sistemática de los derechos humanos de parte del gobierno militar, que consideraba como subversivos a todos los que eran opositores. En ese momento fue esencial la lucha por la democracia, ya que constituía una reivindicación esencial, prohibida por los militares. Sin embargo, desde el principio, tuvimos como lema “Servir a la vida”. Que expresaba el deseo de ir más allá de una visión meramente jurídica de los derechos, poniendo en el centro la vida amenazada. Este Centro fue esencial en la ciudad de Petrópolis, donde todavía habito, que, dada su topografía montañosa, era escenario de continuos deslizamientos de tierras que provocaban numerosas víctimas. El CDDH ayudó a mucha gente -con la cooperación entre todos-, a reconstruir sus casas o hacerlas nuevas. Pensábamos, ya entonces, en la vida como concepto integral, incorporando también la vida de la naturaleza. Desde el principio las luchas se centraron en la defensa de los derechos de los más pobres que viven en las periferias. Empezando por crear conciencia sobre sus derechos de tal forma que pudiesen ser protagonistas de sus propias reivindicaciones.

P: Es decir, la defensa de los derechos humanos desde la perspectiva y la centralidad de los actores sociales marginados…

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Leonardo Boff.
Foto Douglas Mansur

LB: En efecto. En estos años se dio una intensa tarea de concientización y educación sobre los derechos, siempre, insisto, en la perspectiva de los pobres. Era para nosotros claro que el primer derecho es a la vida y a los medios de subsistencia. Luego, los demás, como, los de expresión, de ciudadanía etc. Siempre con la preocupación de crear comunidades, en las cuales los pobres pudieran discutir sus problemas y con nuestro apoyo, buscar ellos mismos soluciones viables. Como la ciudad de Petrópolis es política y socialmente muy conservadora – Ndr. fue la sede del Emperador Pedro II, de donde deriva su nombre- casi no existían organizaciones comprometidas con la justicia social. Con encuentros y cursos sobre derechos sociales, logramos promover una visión liberadora más crítica al sistema imperante. Priorizando desde siempre el trabajo con los jóvenes.

P: Nos podría dar un ejemplo de alguno de los proyectos emblemáticos…

LB: Para mí el proyecto más significativo fue el que denominamos “Pan y Belleza”. Se aseguraba el alimento básico de cerca de 300 personas que vivían en la calle.
Podían llegar, ducharse, vestir ropas limpias – recogidas gracias a donaciones- y contar con una comida abundante y muy buena. Después, por la tarde, era el momento de la belleza. Consistía en rescatar su identidad, empezando por el uso de sus nombres, ya que la gran mayoría solo tenía apodos. Se les apoyaba en mantener su salud; se alfabetizó a muchos; se socializaban testimonios; se compartían actividades culturales; y, si era posible, tratábamos de proponerles un trabajo para promover su autonomía.

Bolsonaro se aprovechó de las debilidades del PT

P: 40 años después, Brasil vuelve a vivir una realidad compleja e incierta, incluso de la perspectiva de la defensa de los derechos humanos. ¿Cómo analiza hoy, casi un año después, la victoria de Jair Bolsonaro que reivindica, incluso, a la dictadura militar brasilera? ¿Qué falló en la pedagogía popular como para facilitar este tropezón histórico?

LB: Es una pregunta muy complicada. Hay que comenzar analizando el hecho que las oligarquías dominantes nunca han aceptado que un hijo de la pobreza, sobreviviente del hambre, llegara a ser presidente. Esos grupos de poder solo toleraron a Lula siempre y cuando respetara sus mecanismos de acumulación, la que desde siempre estuvo entre las más altas y concentrada del mundo. Lula, por su parte, en los años de Gobierno del Partido de los Trabajadores (PT), logró sacar de la miseria a cerca de 40 millones de personas. Implementando programas sociales como “Mi casa, mi vida”, que aseguró a millones una vivienda digna, o “Luz para todos”, que iluminó aun los rincones más alejados del país. Permitió, además, a jóvenes negros y empobrecidos, realizar estudios, incluso universitarios. Sin embargo, hubo un problema estratégico del PT de negociar alianzas en el parlamento -donde era minoría- con partidos sin ninguna sensibilidad social. Y perdió una parte del contacto con las bases populares que habían llevado a Lula al gobierno. También hubo corrupción que contaminó a miembros importante del equipo de Lula y de su sucesora Dilma Rousseff. Se les convirtió en chivo expiatorio de la corrupción cuando en realidad, el PT ocupaba solo el décimo lugar en el ranking entre los partidos políticos brasileros corruptos.

Hay que agregar al análisis, además, que, en los últimos años, en muchas partes del mundo, la derecha ha ganado fuerza, especialmente a partir del apoyo explícito del presidente norteamericano Donald Trump.

En Brasil, todos esos elementos, promovieron una atmósfera anti-PT. Y desde los mismos Estados Unidos se promovió una estrategia que instrumentó jueces, parlamentarios y policías, para atacar al Estado acusándole de ineficiente y descalificar a liderazgos populares como al mismo Lula. Incluso enviándole a la cárcel mediante un procedimiento jurídico totalmente irregular, condenado por “una acción indeterminada”, elemento que no existe en ningún código penal en el mundo. Lula fue un prisionero político. En la campaña electoral se difundieron millones de fakes news, de tal forma que Brasil fue contaminado por una ola de odio, rabia y disgregación social. Y en ese contexto, la consigna simplista, fue “hay que cambiar”, abriéndole la puerta a Jair Bolsonaro.

P: Con un programa elitista en lo económico, pero con promesas populistas…

LB: En efecto. Un ex militar, apoyado por los grandes grupos de poder. De extrema derecha, sin ninguna educación, buscando siempre la confrontación, alabando a los torturadores de antaño y las dictaduras militares, tanto de Brasil, como de Chile y Paraguay. Confrontando con palabras ofensivas a la canciller alemana Angela Merkel o al presidente francés Emmanuel Macron y a los candidatos del Frente de Todos de Argentina. Apoyándose en las iglesias neo pentecostales y en sus programas televisivos masivos que manipulan a millones de personas con todo tipo de mensajes mentirosos y distorsionadores. En este ambiente irrumpió Bolsonaro, quien está desmantelando aceleradamente todos los programas de inclusión social de los gobiernos de Lula y Dilma y quitando derechos esenciales a los trabajadores. Hay mucha desesperanza en el país. Incluso hay analistas que piensan que no terminará su mandato ya que las propias oligarquías que lo apoyaron ya no creen en su persona ni en el tipo de economía extremadamente neoliberal, sin ningún crecimiento y restringiendo las inversiones productivas.

“Sociedad posdemocrática, sin leyes”

P: A nivel de derechos humanos: ¿qué representa el Gobierno Bolsonaro?

LB: Es explícitamente homofóbico, se manifiesta contra la población LGBT, contra los negros e indígenas. Tiene un estilo vulgar de comunicación, “a la Trump”, vía Internet, actuando de forma autoritaria por encima de la constitución. Vivimos la realidad de una sociedad posdemocrática y sin leyes. Debido a que defiende la tortura, el acceso de la población a las armas de fuego, y la violencia, ésta ha aumentado considerablemente en el país. Solo el año pasado se registraron más de 65 mil asesinatos.

 

P: ¿Cuáles son las prioridades para los defensores de DDHH y organizaciones sociales?

LB: En esta coyuntura, la lucha es por la defensa de los derechos esenciales de los trabajadores, de las minorías sometidas y de los más pobres, de los cuales Bolsonaro nunca habla y a los que desprecia. En cuanto a derechos humanos, estamos volviendo al tiempo de la dictadura militar, cuando se trataba de salvar vidas secuestradas, torturadas…Ahora, la ola de violencia es animada por un presidente que en tanto candidato alabó la represión y a los torturadores. Los que usan la violencia, en particular contra los pobres y negros, se sienten respaldados por la máxima autoridad del país. Bolsonaro vive una paranoia que le lleva a ver en cualquier oposición la presencia “comunista” y que le lleva a sentirse víctima de una conspiración mundial. Ha estimulado la deforestación de la Amazonía, abierta completamente a las empresas mineras de USA y de China y promueve una visión claramente anti indígena. Los grandes incendios de extensos territorios amazónicos cuentan con el beneplácito del presidente, lo que está provocando un enorme escándalo nacional e internacional.

P: ¿Es decir, es de nuevo el momento de la defensa de los derechos humanos en su sentido más tradicional?

LB: En la etapa precedente muy diversos actores de base habían avanzado mucho en conceptualizar y promover los derechos sociales, los derechos de la naturaleza y de la Madre Tierra. Siento que ahora estos temas han perdido centralidad. Se trata hoy de salvaguardar los derechos humanos básicos, profundamente afectados. Sin embargo, se mantiene abierta la reflexión, especialmente la que se dio previa al Sínodo para la Amazonía, en torno a los derechos de la naturaleza. Brasil puede ofrecer un aporte significativo al conjunto del planeta a través de sus selvas y grandes ríos que sirven como filtros de absorción de CO2.

“Seres humanos que no reconocen a otros como humanos”

P: El repliegue nacionalista que promueve el gobierno brasilero coincide con proyectos xenofóbicos y con los muros antinmigrantes que se refuerzan en otras regiones del mundo, ya sea en Europa o en los mismos Estados Unidos de Norteamérica …

LB: Siento que estamos en medio de una crisis fundamental de civilización e ingresando en una era de barbarie. Donde se debilita la solidaridad entre los seres humanos y aumentan los oídos sordos hacia los gritos de la naturaleza y la Tierra. Nos estamos dando cuenta que no tenemos soluciones para los problemas que nosotros mismos hemos creado. En verdad, hemos convertido el Jardín del Edén en un matadero y el ser un humano en vez de ser su cuidador se transforma en el Satán de la Tierra. Cuando una civilización globalizada como la nuestra no logra incluir a todos, expresa que está agónica y camina rumbo a un desastre ecológico-social sin precedentes. Vivimos en una emergencia humanitaria, en la que seres humanos no reconocen a otros como humanos. Me refiero a seres que merecerían respeto y afirmación de sus derechos. Su negación constituye una especie de condena a muerte. De hecho, muchos mueren diariamente sea en las aguas del Mediterráneo, tratando de llegar a Europa, o en los senderos latinoamericanos rumbo a los Estados Unidos.

*Sergio Ferrari, en colaboración con la Fundación solidaria suiza COOPERAXION, con proyectos de apoyo a los movimientos sociales en Brasil y Liberia

 

Papa Francisco: 6 anos e 9 meses de pontificado: um balanço

O Prof.Dr.Fernando Altemeyer da PUC-SP já é um nosso conhecido neste blog. É o que melhor acompanha a vida da Igreja, especialmente, da atividade dos Papas, maxime, do atual Papa Francisco. Aqui nos fornece os dados de sua incansável atividade, de 6 anos e 9 meses, algo diria miraculoso em alguém que está com 84 anos e com uma incansável vontade de acompanhar o curso do mundo, particularmente, daquelas grandes maiorias pobres e sofridas. O que mais suscita é esperança, alegria de viver, de ter um encontro vivo com Cristo que veio para nos ensinar a viver os bens do Reino como o amor incondicional, a misericórdia e a total entrega confiante do Pai de amor e ternura maternas. Há quem conspire contra ele e querem fazer um sucessor que rompa com a linha de profunda humanidade e simplicidade franciscana que trouxe para dentro do Vaticano e que está seirradiando em todas as Igrejas especialmente na romano-católica. Há 124 cardeais eleitores: 16 do tempo do Papa João  Paulo II, 42 de Bento XVI e 67 do próprio Papa Francisco. Fazendo as contas os cardeais nomeados por ele e que seguramente seguem sua linha são maioria (67 contra 58). Oxalá o Espírito sobre sobre todos os eleitores e especialmente sobre aqueles que ele mesmo criou. Assim teríamos uma Igreja em saída, evangélica e hospital de campanha, aberta a todos e menos uma Igreja-castelo, voltada mais sobre si mesma e temerosa dos avanços civilizatórios do mundo moderno. Deus scit: “Deus sabe” o camino da Igreja de Cristo e dos seguidores de seu caminho. Que continue a ser uma benção para a humanidade e uma grande graça para as comunidades cristãs: Lboff

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Sexênio + 9 meses do papa Francisco (81 meses)– elaborado pelo Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior – Departamento de Ciência da Religião da PUC-SP atualizado em 08/12/2019

Resumo: Pequeno balancete de seis anos e nove meses do governo pastoral do papa Francisco com os dados disponíveis no site www.vatican.va. Busca-se qualificar o horizonte de sentido para compreender o pontificado reformador, limites e potencialidades. Em 19 de março de 2020 completa-se sete anos do papa Francisco como bispo de Roma. Seu foco articulador é cuidar pessoalmente dos migrantes e refugiados, fazendo a sua voz profética ecoar em favor das periferias do planeta. Suas palavras de ordem são: misericórdia, missão, alegria, reforma, colegialidade e diálogo. A motivação primeira é a missão, o cuidado pastoral dos empobrecidos e um rompimento claro do clericalismo doentio e narcisista que fez da Igreja uma instituição autocentrada e distante do Evangelho de Jesus. Ele afirma a tempo e contratempo que é chegada a hora histórica da Igreja em saída, seguindo as intuições e textos do Concílio Vaticano II. Começou a delinear um novo rosto episcopal em todo o mundo. Forjar bispos católicos atentos aos pobres, atuando na pastoral, movidos pela compaixão e em atitude de serviço e diálogo com toda a humanidade. Estes dados de seus seis anos e nove meses de pastoreio universal visualizam seu lugar pastoral, as tensões com as forças reacionárias dentro e fora da Igreja e claro, o sopro do Espírito do Ressuscitado. Em 13/12/2019 o papa celebra 50 anos de ministério presbiteral.

 Circunscrições católicas no mundo todo: 12 patriarcados, 641 arquidioceses, 2.125 dioceses, 44 prelazias territoriais, onze abadias nullius, 42 exarcados dos ritos orientais, 36 ordinariatos militares, 88 vicariatos apostólicos, 39 prefeituras apostólicas, sete administrações apostólicas, oito missões independentes–sui iuris, três ordinariatos pessoais, uma administração de rito extraordinário latino e uma rede de 132.642 centros missionários e 221.740 paróquias.

 Entidades filantrópicas e de ensino da Igreja Católica no planeta: 72.800 creches frequentadas por 7.300.000 crianças; 96.600 escolas de ensino fundamental para 35.100.000 alunos; 47.900 escolas de ensino médio para 20.000.000 alunos e 2.381.337 alunos do ensino superior; e 3.103.072 estudantes participantes das Universidades Católicas. Ainda 5.167 hospitais católicos, 15.699 casas para pessoas idosas, 10.124 orfanatos, 11.596 enfermarias, 14.744 consultórios de orientação familiar e 115.352 institutos beneficentes e assistenciais.

 Número de fieis congregados pela Igreja Católica em seus diferentes ritos latinos e orientais: Em 2017 foram contados 1,313 bilhão de batizados, com a ação ministerial de 3.170.643 catequistas, 362.488 missionários leigos, são 54.229 os irmãos religiosos e 668.729 religiosas com votos perpétuos de vida consagrada. O clero católico é composto de 5.491 bispos (em 08/12/2019), 415.656 presbíteros sendo 281.514 diocesanos e 134.142 do clero religioso, 45.000 diáconos casados permanentes e 116.843 seminaristas maiores.

 Programa reformador: O Papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio assume uma postura evangélica transparente: “Exige-se a toda a Igreja uma conversão missionária: é preciso não se contentar com um anúncio puramente teórico e desligado dos problemas reais das pessoas (AL 201)”. Ele quer uma ação permanente de saída: “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação (EG 27)”. Em 2020 deve vir a luz a Constituição Apostólica “Praedicate Evangelium”, com a reforma da Cúria Romana obedecendo ao espírito da colegialidade e da sinodalidade, paradigmas exemplares do Concílio Vaticano Segundo. Um passo importante é a nomeação do cardeal Luis Antonio Gokim Tagle, em 08/12/2019 para Prefeito da Congregação para a Evangelização dos povos. Enfase na missão com um bispo filipino atento aos novos rumos da Igreja missionária.

 Inscrições no Martiriologium Romanum: Papa Francisco reconheceu publicamente 898 santos (até 10/11/2019) inscrevendo-os no cânon do Martyriologium Romanum e ainda 1.198 beatos (até 23/11/2019). O Papa João Paulo II havia incluído na lista canônica 482 santos e 1.341 beatos. O papa Bento XVI inscreveu no cânon: 45 santos e 371 beatos. Francisco canonizou o papa Paulo VI e o bispo mártir salvadorenho dom Oscar Romero em outubro de 2018. Certamente fará as canonizações dos mártires da América Latina, África e Ásia perseguidos nas cinco últimas décadas do século XX. Proclamou em 2019 a canonização do bispo argentino dom Enrique Angel Angelelli, assassinado pela ditadura em 1977. O Brasil celebrou a canonização de irmã Dulce Lopes Pontes em 13 de outubro de 2019, durante o Sínodo da Amazônia. A próxima canonização anunciada para 13/11/2019 é de Bartolomeu Fernandes dos Mártires, bispo de Braga. Em processo canônico nas dioceses correm as postulações de dom Helder Pessoa Câmara, dom Luciano Mendes de Almeida, irmã Adelaide Molinari, operário Santo Dias da Silva, padre Josimo Moraes Tavares, irmão jesuíta Vicente Cañas, padre Ezequiel Ramin, irmã Creusa Carolina Rody Coelho, padre salesiano Rodolfo Lunkenbein, índio Lorenzo Simão Bororo; Sepé Tiarajú, Dorcelina de Oliveira Folador; Eugenio Lyra Silva; Expedito Ribeiro de Souza; Franz de Castro Holwarth; frei Tito de Alencar Lima, dominicano; indígena pataxó Galdino Jesus dos Santos; Irmã Dorothy Mae Stang; indígena kaigang Marçal de Souza Tupã-i; Margarida Maria Alves; padre Antonio Henrique Pereira Neto; padre francês Gabriel Felix Maire; o jesuíta João Bosco Penido Burnier; padre Leo Comissari; padre Manuel Campo Ruiz; leiga Roseli Correa da Silva; líder sindical Sebastião Rosa Paz; catequista Vilmar José de Castro, e outras testemunhas do Cristo Ressuscitado, somando 130 processos canônicos do Brasil.

(fonte: http://www.causesanti.va/content/causadeisanti/it.html )

Vinte e sete viagens internas na Itália realizadas pelo papa Francisco até 01/12/2019: Lampedusa em 08/07/2013; Cagliari em 22/09/2013; Assis em 04/10/2013; Campobasso e Isernia em 05/07/2014; Caserta em 26/07/2014; Cassiano all´Ionio em 21/06/2014, Redipuglia em 13/09/2014, Prato e Firenze em 10/11/2015, Turim, 21 e 22/06/2015, Pompeia e Nápoles em 21/03/2015, duas vezes em Assis em 04/08/2016 e 20/09/2016, Milão 25/3/2017, Carpi 02/04/2017, Genova 27/5/2017, Bozzolo e Barbiana 20/06/2017; Cesena e Bolonha 01/10/2017; Pietrelcina, diocese de Benevento, e San Giovanni Rotondo, diocese de Manfredonia-Vieste-San Giovanni Rotondo, para celebrar os 50 anos da morte de São Pío de Pietrelcina, em 17/03/2018; em 20/04/2018, região de Puglia, nas cidades de Alessano-Lecce, na diocese de Santa Maria de Leuca, e Molfetta, para celebrar os 25 anos da morte de Dom Tonino Bello; Nomaldelfia, na Toscana em 10/05/2018, para encontrar a comunidade fundada por padre Zeno Saltini; e em seguida Loppiano (Florença) na cidade internacional do Movimento dos Focolares; Bari, 07/07/2018; diocese de Piazza Armerina e Palermo para celebrar o 25° Aniversário de Morte do Beato Pino Puglisi, em 15/09/2018; Santuário de Loreto em 25/03/2019 quando assinou o documento pós-sinodal para a juventude: Cristo vive!; Camerino, 16/06/2019 e Nápoles, em 20/06/2019; Albano em 21/09/2019; e Greccio em 01/12/2019.

Viagens internacionais de Francisco até 26/11/2019: São atualmente 32 viagens internacionais que o levaram a 49 países: Brasil (22 a 29/07/2013), Jerusalém-Israel, Palestina-Cisjordânia e Amã na Jordânia (24 a 26/05/2014), Coreia do Sul (13 a 18/08/2014), Albânia (21/09/2014), França (Estrasburgo, Parlamento Europeu, em 25/11/2014), Turquia (28 a 30/11/2014), Sri Lanka e Filipinas (12 a 19/01/2015), Bósnia-Herzegovina, Sarajevo em 06/06/2015, Equador, Bolívia e Paraguai (05 a 13/07/2015), Cuba e Estados Unidos e sede da ONU (19 a 28/09/2015), Quênia, Uganda e República Centro Africana (25 a 30/11/2015), México (12 a 18/02/2016), Lesbos, na Grécia em 16/04/2016, Armênia em 24-26/06/2016, Polônia, durante a JMJ de 27 a 31/07/2016, Geórgia e Azerbaijão de 30/09 a 2/10/2016, Suécia de 31/10 a 01/11/2016, Egito, 28-29 abril de 2017, Fátima, em Portugal, 12-13 de maio de 2017, Colômbia, 06 a 11 de setembro de 2017; Bangladesh e Myanmar, 27/11a 02/12/2017; Chile e Peru, 15 a 21/01/2018; Conselho Mundial de Igrejas em Genebra, Suíça em 21 de junho de 2018; Irlanda, ao Encontro Mundial das Famílias, 25 a 26 de agosto de 2018; Lituânia, Estônia e Letônia, 22 a 25/09/2018; Panamá de 23 a 28 de janeiro de 2019 para a XXXIV Jornada Mundial da Juventude; Emirados Árabes Unidos, 3 a 5 de fevereiro de 2018; Marrocos 30 e 31 de março de 2019; Bulgária e Macedônia do Norte, de 05 a 07/05/2019; Romênia 31/05 a 02/06/2019; Moçambique, Madagascar e Ilhas Mauricio entre 04 e 10 de setembro; Tailândia e Japão entre 20 a 26 de novembro de 2019. Projetadas viagens para Iraque, Coreia do Norte, Sudão do Sul, Argentina, Uruguai, Índia, Beijing (China) e Moscou (Rússia).

Discursos, homilias e textos importantes: O papa Francisco até 08/12/2019 pronunciou 1.392 discursos e 351 homilias. Escreveu quatro exortações apostólicas pós-sinodais: Evangelium Gaudium (A Alegria do Evangelho) publicada em 24/11/2013; Amoris Laetitia (A alegria do amor) em 08/04/2016; Gaudete et Exsultate em 19/03/2018 sobre a Santidade e Christus Vivit, para a Juventude, em 25/03/2019. Enviou 35 constituições apostólicas, 206 cartas, uma bula, 38 cartas apostólicas, 307 mensagens, 32 motu próprios. Acolheu milhares de peregrinos em 293 audiências gerais, presidiu 562 celebrações na Casa Santa Marta com as meditações cotidianas publicadas, treze bênçãos Urbi et Orbi e rezou 355 Ângelus, das janelas do Vaticano. Realizou um Ano da Misericórdia em 2016. Escreveu duas encíclicas: Lumen Fidei de 29/06/2013 e Laudato Si’ publicada em 18/06/2015. Presidiu quatro sínodos da Igreja universal, celebrados no Vaticano.

Ecumenismo e diálogo inter-religioso: Francisco realizou gestos de grande amor ecumênico junto aos irmãos luteranos, na celebração dos 500 anos da Reforma. Também junto aos ortodoxos russos e ao patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, chamado por ele carinhosamente de “meu irmão André”. Manteve encontros frequentes com o primaz da Igreja Anglicana, Justin Welby. O papa Francisco propôs três chaves para avançar no caminho comum dos cristãos e aprofundar o ecumenismo: oração, testemunho e missão. Houve encontros fecundos com os irmãos menonitas, os pentecostais, os metodistas, os batistas, os reformados. Particularmente fecundo foi o encontro realizado no Vaticano com a atual moderadora do Comitê central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Agnes Abuom, e o secretário geral do mesmo organismo ecumênico, Rev. Olav Fykse, na manhã de 24/08/2017 em que fez uma oração comum pela unidade, pela paz e reconciliação das igrejas e dos povos. As pontes junto aos judeus, islâmicos, hindus e budistas têm sido edificadas com esmero e sabedoria. Francisco sabe que não haverá paz mundial sem paz entre as religiões. Visita como peregrino ao CMI celebrou os 70 anos da entidade ecumênica mundial. Importante encontro inter-religioso em Abu Dhabi, com os irmãos muçulmanos em fevereiro de 2019. Sua visita ao Reino de Marrocos em março de 2019, estabeleceu um salto qualitativo nas relações entre cristãos e islâmicos. Encontro com o patriarca Ortodoxo da Romênia em junho de 2019. Entrega de algumas relíquias dos ossos do Apóstolo Pedro para o patriarcado ecumênico de Constantinopla em 29 de junho de 2019, como um gesto extraordinário de comunhão entre as Igrejas Católicas e os patriarcados Ortodoxos. Assinatura de documentos inéditos com budistas em sua recente visita a Tailândia.

 Medidas internas na Cúria: Alterou inúmeros procedimentos ligados à questão da pedofilia; alterou funções de muitos dos serviços da Cúria Romana; limitou o número de títulos honoríficos na instituição católica; criou a comissão de controle do Instituto para as Obras de Religião (IOR); criou 88 novos cardeais (atuais 67 eleitores); publicou quatro estatutos alterando o formato dos secretariados romanos. Em função de sua firme decisão de reformar a Igreja tem sofrido pressão imensa dos quadros eclesiásticos da Cúria e de alguns episcopados que lhe oferecem resistência e em alguns casos até oposição, entre eles cardeais e alguns poucos bispos dos Estados Unidos da América, na Polônia, Espanha, um cardeal da China, bispos do Cazaquistão e a parcela dos bispos integristas em muitos países. O gesto mais significativo se concentrou na política de tolerância zero com os presbíteros e religiosos acusados de pedofilia em todo o planeta, em especial, nos Estados Unidos, Europa e Austrália. Caso recente de acobertamento de pedófilos por bispos chilenos resultou no pedido de demissão coletivo de todo o episcopado na ativa (34 bispos). Vários foram aceitos e aposentados compulsoriamente. Acontecem em breve as aposentadorias de cardeais como o australiano Pell, o chileno Ezzati, e o francês Barbarin, de Lyon, na França.

 Medidas futuras: Ocorreu em 21 a 24/02/2019 o encontro inédito de todos os 114 presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, junto aos chefes dos dicastérios romanos, chefes das Igrejas de ritos Orientais, Secretária de Estado, alguns Superiores religiosos/as, no Vaticano, que tratou de medidas concretas e ágeis para combater a pedofilia e o acobertamento de crimes no clero católico como tolerância zero. Em outubro de 2019 o Sínodo Extraordinário para a Amazônia, em Roma. Espera-se ainda uma encíclica social sobre o tema dos refugiados e imigrantes. A Reforma da estrutura burocrática da Cúria Romana desenhada pelo grupo de trabalho de cardeais. Provável aprovação das mulheres diaconisas e pequena revisão do código canônico para aprovar homens casados ao ministério presbiteral na igreja católica de rito latino, já presentes nos ritos orientais. Medida particular para regiões sem clero missionário e autóctone. Em breve algumas medidas internas na Cúria Romana devem coroar as tarefas da comissão cardinalícia da Reforma. Resta saber se os seminários de formação de novos padres sofrerão alguma mutação para uma nova geração de presbíteros missionários rompendo o clericalismo hegemônico e o narcisismo doentio que tem sido fonte de escândalos frequentes em todos os países, com destaque para Chile, Austrália e países da antiga Cristandade europeia.

 Papa Francisco e o novo rosto do Episcopado Brasileiro: Em 08/12/2019 dos atuais 481 bispos vivos no Brasil, contamos 310 na ativa e 171 eméritos. O papa Francisco já indicou 106 bispos para a Igreja do Brasil, um pouco mais de 1/3 dos bispos na ativa.

Francisco e a composição do colégio de cardeais em 29/11/2019: Os atuais cardeais eleitores são 124 bispos católicos de 68 países. Os cardeais não eleitores são 100 com mais de oitenta anos. Total de 224 cardeais vivos de 91 países.

Segundo a indicação dos diferentes papas quando da elevação ao cardinalato temos a atual composição no colégio de cardeais:

 Beato Papa Paulo VI – não há mais nenhum cardeal vivo (o papa emérito Bento XVI foi criado cardeal pelo beato papa Paulo VI).

Papa São João Paulo II16 eleitores + 53 não eleitores = 69 cardeais vivos.

Papa emérito Bento XVI42 eleitores + 29 não eleitores = 71 cardeais vivos.

Papa Francisco – 67 eleitores + 17 não eleitores = 84 cardeais vivos.

Do total de 224 cardeais vivos temos 46 advindos de ordens religiosas e congregações (29 eleitores e 17 não eleitores). Há 13 cardeais bispos sendo seis eleitores, 176 cardeais presbíteros sendo 96 eleitores e 37 cardeais diáconos sendo 22 eleitores. Total de 124 eleitores + 100 não eleitores = 224 cardeais vivos.

 Resumo da ação do papa Francisco: Os quase sete anos do pontificado de Francisco são a fonte de oxigênio para os cristãos, aberto aos demais crentes e mesmo uma ponte feliz de diálogo aos ateus que buscam a verdade e a justiça. Francisco não veio repetir fórmulas. Quer o novo, como pastor de esperanças e alegrias, especialmente fala aos jovens, migrantes e refugiados e tem um compromisso junto ao planeta Terra, nossa Casa Comum.

Fonte bibliográfica: www.vatican.va