A gestação do povo brasileiro, a universidade e o saber popular

O povo brasileiro ainda não acabou de nascer. Vindos de 60 países diferentes, aqui estão se mesclando representantes destes povos num processo aberto, todos contribuindo na gestação de um povo novo que um dia acabará de nascer.

O que herdamos da Colônia foi um Estado altamente seletivo, uma elite excludente e uma imensa massa de destituídos e descendentes de escravos. O cientista político Luiz Gonzaga de Souza Lima na sua original interpretação do Brasil nos diz que nascemos como Empresa Tranacionalizada, condenada a ser até hoje fornecedora de produtos in natura para o mercado mundial (cf. A refundação do Brasil, 2011).
Mas apesar deste constrangimento histórico-social, no meio desta massa enorme maduraram lentamente lideranças e movimentos que propiciaram o surgimento de todo tipo de comunidades, associações, grupos de ação e de reflexão que vão das quebradeiras de côco do Maranhão, aos povos da floresta do Acre, dos  sem-terra do sul e do nordeste, das comunidades de base, aos sindicatos do ABC paulista.
Do exercício democrático no interior destes movimentos nasceram cidadãos ativos; da articulação entre eles, cada um mantendo sua autonomia, está nascendo uma energia geradora do povo brasileiro que lentamente chega à consciência de sua história e projeta um futuro diferente e melhor para todos.

Nenhum processo desta magnitude se faz sem aliados, sem a ligação orgânica daqueles que manejam um saber especializado com os movimentos sociais comprometidos. É aqui que a universidade é desafiada a alargar o seu horizonte. Importa que os mestres e alunos  frequentem a escola viva do povo, como praticava Paulo Freire, e permitir que gente do povo possa entrar nas salas de aula e escutar os professores na matérias relevantes para eles como eu mesmo fazia nos meus cursos na UERJ do Rio de Janeiro.

Essa visão supõe a criação de uma aliança entre a inteligência acadêmica com a miséria popular. Todas as universidades, especialmente após a reforma de seu estatuto por Humboldt em 1809 em Berlim que permitiu as ciências modernas ganharem sua cidadania acadêmica ao lado da reflexão humanística que criou outrora a universidade, se tornaram o lugar clássico da problematização da cultura, da vida, do homem, de seu destino e de Deus. As duas culturas – a  humanística e a  científica – mais e mais se intercomunicam no sentido de pensar o todo, o destino do próprio projeto científico-técnico face àss intervenções que faz na natureza e sua responsabilidade pelo futuro comum da nação e da Terra. Tal desafio exige um novo modo de pensar que não segue uma lógica do simples e linear mas do complexo e do dialógico.

As universidades são urgidas a buscar um enraizamento orgânico nas periferias, nas bases populares e nos setores ligados diretamente  à produção. Aqui pode se estabelecer uma fecunda troca de saberes, entre  o saber popular, de experiências feito, e o saber acadêmico, constituído pelo espírito crítico; dessa aliança surgirão seguramente novas temáticas teóricas nascidas do confronto com a anti-realidade popular e da valorização da riqueza incomensurável do povo na sua capacidade de encontrar, sozinho, saídas para os seus problemas. Aqui se dá a troca de saberes, uns completando os outros, no estilo proposto pelo prêmio Nobel de Química (1977) Ilya Prigorine (cf.A nova aliança, UNB 1984).

Deste casamento, se acelera a gênese de um povo; permite um novo tipo de cidadania, baseada na con-cidadania dos representantes da sociedade civil e acadêmica e das bases populares que tomam iniciativas por si mesmos e submetem o Estado a um controle democrático, cobrando-lhe os serviços básicos especialmente para as grande populações periféricas.
Nestas iniciativas populares, com suas várias frentes (casa, saúde, educação, direitos humanos, transporte coletivo etc), os movimentos sociais sentem necessidade de um saber profissional. É onde a universidade pode e deve entrar, socializando o saber, oferencendo encaminhamentos para soluções originais e abrindo perspectivas às vezes insuspeitadas por quem é condenado a lutar só para sobreviver.

Deste ir-e-vir fecundo entre pensamento universitário e saber popular  pode surgir o bioregionalismo com um desenvolvimento adequado àquele ecossistema e à cultura local. A partir desta prática, a universidade pública resgatará seu caráter público, será realmente a servidora da sociedade. E a universidade privada realizará sua função social, já que em grande parte é refém dos interesses privados das classes proprietárias e feita  chocadeira de sua reprodução social.

Esse processo dinâmico e contraditório só prosperará se estiver imbuído de um grande sonho: de ser um povo novo, autônomo livre e orgulhoso de sua terra. O antropólogo Roberto da Matta bem enfatizou que o povo brasileiro criou um patrimônio realmente invejável: “toda essa nossa capacidade de sintetizar, relacionar, reconciliar, criando com isso zonas e valores ligados à  alegria, ao futuro e à esperança” (Porque o brasil é Brasil, 1986,121).

Apesar de todas tribulações históricas, apesar de ter sido considerado, tantas vezes, jeca-tatu e joão-ninguém, o povo brasileiro nunca perdeu sua auto- estima e o encantamento do mundo. É um povo de grandes sonhos, de esperanças inarredáveis e utopias generosas, um povo que se sente tão imbuído pelas energias divinas que estima ser Deus brasileiro.

Talvez seja esta visão encantada do mundo, uma das maiores contribuições que nós brasileiro podemos dar à cultura mundial emergente, tão pouco mágica  e tão pouco sensível ao jogo, ao humor e à convivência dos contrários.

A sabedoria chinesa do cuidado: o Feng Shui

         Uma das vantagens da globalização que não é só econômico-financeira mas também cultural, é permitir-nos colher valores pouco desenvolvidos em nossa cultura ocidental.No caso, temos a ver com o Feng-Schui chinês. Literalmente significa vento (feng) e água (shui). O vento leva o Chi, a energia universal e a água o retem. Personalizado significa “o mestre das receitas”: o sábio que, a partir de sua observação  da natureza e da fina sintonia com o Chi indicava  o rumo dos ventos e o veios d’água e assim como bem montar a moradia.

         Beatriz Bartoly,  em sua brilhante tese em filosofia na UERJ, da qual fui orientador, escreve: “o Feng Shui nos remete para uma forma de zelo  carinhoso” – nós diríamos cuidadoso e terno – “com o banal de nossa existência, que no Ocidente, por longo tempo, tem sido desprestigiado e menosprezado: cuidar das plantas, dos animais, arrumar a casa, cuidar da limpeza, da manutenção dos aposentos, preparar os alimentos, ornamentar o cotidiano com a prosaica, e, ao mesmo tempo, mejestosa beleza da natureza. Porém mais do que as construções e as obras humanas é a sua conduta e a sua ação que é alvo maior desta filosofia de vida,  pois mais do que os resultados, o Feng-Shui visa o processo. É o exercício de embelezamento que importa, mais do que o belo cenário que se quer construir.  O valor está na ação e não no seu efeito, na conduta e não na obra.”     

         Como se depreende, a filosofia Feng-Shui visa antes o sujeito que o objeto,  mais a pessoa do que ambiente e a casa em si.  A pessoa precisa envolver-se no  processo, desenvolver a percepção do ambiente, captar os fluxos energéticos e os ritmos da natureza. Deve assumir uma conduta em harmonia com os outros, com o cosmos e com os processos rítmicos da natureza. Quando tiver criado essa ecologia interior, está capacitado para organizar, com sucesso, sua ecologia exterior.

      Mais que uma ciência e arte, o Feng Shui é fundamentalmente uma sabedoria, uma ética ecológico-cósmica de como cuidar da correta distribuição do Chi em nosso ambiente inteiro.

          Nas suas múltiplas facetas o Feng Shui representa uma síntese acabada do cuidado na forma como se organiza o jardim, a casa ou o apartamento, com harmoniosa integração dos elementos presentes. Podemos até dizer que os chineses como os gregos clássicos são os incansáveis buscadores do equilíbrio dinâmico em todas as coisas.

         O supremo ideal da tradição chinesa que encontrou no   budismo e no taoismo sua melhor expressão,  representada por Laotse (do V-VI século a.C.)  e por  Chuang Tzu (século IV-V a.C.), consiste em procurar a unidade mediante um processo de integração  das diferenças, especialmente das conhecidas polaridades de yin/yang, masculino/feminino, espaço/tempo, celestial/terrenal entre outras. O Tao representa essa integração, realidade inefável com a  qual a pessoa busca se unir.

         Tao significa caminho e método, mas também a Energia misteriosa e secreta que produz todos os caminhos e projeta todos os métodos. Ele é inexprimível em palavras,  diante dele vale o nobre silêncio. Subjaz na polaridade do yin e do yang  e através deles se manifesta. O ideal humano é chegar a uma união tão profunda  com o Tao que se produza o satori, a iluminação. Para os taoistas o bem supremo não se dá no além morte como para os cristãos, mas ainda no tempo e na história, mediante uma experiência de não-dualidade e de integração no Tao. Ao morrer a pessoa mergulha no Tao e se uni-fica  com ele.

        Para se alcançar esta união,  faz-se imprescindível a sintonia  com  a energia vital que perpassa o céu e a terra: o  Chi.  Chi é intraduzível, mas equivale ao ruah  dos judeus, ao pneuma dos gregos,  ao spiritus dos latinos e ao axé  dos yoruba/nagô, ao vácuo quântico dos cosmólogos: expressões  que designam a Energia suprema e cósmica que subjaz e sustenta todos os seres.

         É por força do Chi que todas as coisas se transformam (veja o livro I Ching, o livro das mutações) e se mantém permanentemente em processo. Flui no ser humano através dos meridianos da acupuntura. Circula na Terra  pelas veias telúricas subterrâneas, compostas pelos campos eletro-magnéticos distribuidos ao longo de meridianos da ecopuntura que entrecruzam a superfície terrestre. Quando o Chi se expande significa vida, quando se retrái, morte. Quando ganha peso, apresenta-se como matéria, quando se torna sutil, como espírito. A natureza é a combinação sábia dos vários estados do Chi, desde os mais pesados até os mais leves.

         Quando o Chi emerge num determinado lugar, surge uma paisagem aprazível com brisas suaves e águas cristalinas, montanhas sinuosas e vales verdejantes.  É um convite para o ser humano instalar ai  sua morada. Ou encontra um apartamento no qual se sente “em casa”.

         A visão chinesa  do mundo privilegia o espaço, à diferença do Ocidente que previlegia o tempo. O espaço para o taoismo é o lugar do encontro, do convívio, das interações de todos com todos, pois todos são portadores da energia Chi que empapa o espaço. A suprema expressão do espaço  se realiza na casa, no jardim ou no apartamento bem cuidado.

         Se o ser humano quiser ser feliz deve desenvolver a topofilia, o amor ao lugar onde mora e onde constrói sua casa e seu jardim ou mobilia seu apartamento. O Fen Shui é a arte e  técnica de bem construir a casa, o jardim e decorar o apartamento com sentido de harmonia e beleza.

         Face ao desmantelamento  do cuidado e à grave crise ecológica atual, a milenar sabedoria  do Feng-Shui nos ajuda a refazer a aliança de simpatia e de amor para com a natureza. Essa conduta  reconstrói a morada humana (que os gregos chamavam de ethos), assentada sobre o cuidado e a suas múltiplas ressonâncias como a ternura, a carícia e a cordialidade.

Leonardo Boff escreveu: Virtudes para um outro mundo possivel,3 vol. Vozes 2006.

Zärtlichkeit – das Lebenselixier der Liebe

 

Die Wege, die das Herz eines Mannes mit dem Herzen einer Frau verbinden, sind rätselhaft. Ebenso rätselhaft sind die Wege zwischen den Herzen zweier Männer und genauso zwischen den Herzen zweier Frauen, die einander finden und sich gegenseitig ihre Liebe bekennen. Aus solchen Verbindungen entsteht Verliebtsein, Liebe und schließlich Ehe oder eine dauerhafte Beziehung. Da dies in Freiheit geschieht, sind die Paare unwägbaren Ereignissen ausgesetzt.

Unser Geschick ist nie ein für allemal festgelegt. Es steht in ständigem Dialog mit der Umgebung. Dieser Austausch lässt niemanden unberührt. Jeder ist ihm ausgesetzt. Gegenseitige Treue steht auf dem Prüfstand. In der Ehe folgt auf die Leidenschaft der Alltag mit seiner eintönigen Routine. In ihrem gemeinsamen Leben erfahren die beiden Trennungen, vulkanartige Ausbrüche der Begeisterung für eine andere Person. Nicht selten folgt auf die Ekstase die Enttäuschung. Es kommt zu Komplikationen, Vergebung, Erneuerung von Versprechen und Versöhnung. Doch die Wunden bleiben und hinterlassen auch nach ihrer Heilung noch Narben, die daran erinnern, was einst weh tat.

 

Liebe ist eine flackernde Flamme, die brennt, die aber auch schwinden und allmählich mit Asche bedeckt werden kann, bis sie schließlich erlischt. Es muss nicht einmal soweit kommen, dass die Menschen einander hassen. Vielmehr werden sie einander gleichgültig. Dies ist der Tod der Liebe. Im 11. Vers des spirituellen Liedes des Mystikers Johannes vom Kreuz, der Lieder über die Liebe zwischen der Seele und Gott dichtete, heißt es mit feiner Beobachtungsgabe: „Der Schmerz der Liebe verheilt nur durch Präsenz und Nähe“. Platonische, virtuelle Liebe oder Liebe auf Distanz reicht nicht aus. Liebe verlangt nach Präsenz und Nähe. Liebe braucht die konkrete Nähe, die aus mehr als nur der körperlichen Nähe besteht, sondern des Blicks von Aug in Aug bedarf sowie des Herzens, das den Herzschlag des anderen spürt.

 

Der mystische Poet drückt dies treffend aus: Liebe ist eine Krankheit, die nur durch das geheilt werden kann, was ich als essentielle Zärtlichkeit bezeichnen würde. Zärtlichkeit ist das Lebenselixier der Liebe. Wenn wir unsere Liebe schützen, bestärken und ihr Nachhaltigkeit verleihen wollen, müssen wir zärtlich mit unserem Partner/unserer Partnerin umgehen. Ohne den Balsam der Zärtlichkeit fehlt der heiligen Flamme der Liebe die Nahrung. Sie erlischt.

 

Was ist Zärtlichkeit? Wir wollen gleich zu Beginn psychologische und oberflächliche Konzepte außer acht lassen, die Zärtlichkeit als bloße Emotion und Erregung beim Fühlen der Anwesenheit des anderen identifizieren. Sich nur auf Gefühle zu konzentrieren, schafft Sentimentalität. Sentimentalität ist das Ergebnis unzureichend entwickelter Subjektivität. Solche Personen verschließen sich in sich selbst und zelebrieren die Gefühle, die der andere in ihnen hervorrief. Sie können nicht aus sich herausgehen.

 

Im Gegensatz dazu entsteht Zärtlichkeit dann, wenn jemand nicht nur um sich selbst kreist, sondern sich auf den anderen zu bewegt, den anderen als anderen wahrnimmt, an dessen Leben teilnimmt und es sich gestattet, sich von der Lebensgeschichte des anderen berühren zu lassen. Der andere prägt ihn, indem er im anderen verweilt, nicht wegen der Gefühle, die dadurch in ihm entstehen, sondern aus Liebe, aus Anerkennung für den anderen und für sein Leben und sein Ringen. „Ich liebe dich nicht etwa, weil du schön bist. Du bist schön, denn ich liebe dich.“

 

Zärtlichkeit ist die Zuneigung, die wir für die anderen um ihretwillen hegen. Zärtlichkeit ist Achtsamkeit ohne Besessenheit. Zärtlichkeit ist weder unmännlich noch verweichlicht. Es ist eine Zuneigung, die auf ihre eigene Weise den anderen zugänglich macht. Als Papst Franziskus mit den Bischöfen in Rio de Janeiro sprach, bat er sie um die „Revolution der Zärtlichkeit“ als die Bedingung für wahre pastorale Begegnung.

 

In Wirklichkeit kennen wir einander nur dann gut, wenn wir einander mögen und die Person, mit der wir eine Gemeinschaft gründen wollen, uns etwas bedeutet. Zärtlichkeit kann und sollte mit außerordentlichem Engagement Hand in Hand gehen können, wie es der Revolutionär par excellence, Ernesto Che Guevara, (1928-1968) vormachte. Seine inspirierenden Worte sind uns noch heute wertvoll: „Wir müssen uns abhärten, ohne die Zärtlichkeit zu verlieren“. Zärtlichkeit impliziert Kreativität und Selbstverwirklichung unseres Mitmenschen und durch die von uns geliebte Person.

 

Eine von Zärtlichkeit geprägte Beziehung ist frei von Angst, denn sie strebt nicht nach ihrem Vorteil und nach Beherrschung. Zärtlichkeit ist die dem Herzen eigene Stärke, sie ist der tiefe Wunsch, den Weg mit dem anderen gemeinsam zu gehen. Die Angst des anderen ist meine eigene Angst, sein Erfolg ist auch mein Erfolg, und sein Wohl bzw. seine Not sind auch mein Wohl oder meine Not und im Grunde genommen nicht nur meines sondern das aller.

 

Blaise Pascal (1623-1662), der französische Philosoph und Mathematiker des 17. Jh., traf eine wichtige Unterscheidung, die uns hilft, die Zärtlichkeit besser zu verstehen: Er unterscheidet zwischen dem Esprit de Finesse und dem Esprit de Géométrie. Der Esprit de Finesse ist der Geist der Reinheit, der Sensibilität, der Achtsamkeit und der Zärtlichkeit. Der Geist denkt und räsoniert nicht nur. Er geht darüber hinaus: der Vernunft fügt er die Sensibilität hinzu, die Intuition und die Fähigkeit zu tiefen Gefühlen. Aus dem Geist der Reinheit entstand die Welt der Begabungen, der großen Träume, der Werte und Zugeständnisse, in die Zeit und Energie zu investieren sich lohnt.

 

Der Esprit de Géométrie ist der Geist des Rechnens und der Arbeit, dem es um Effizienz und Macht geht. Doch wo Macht sich konzentriert, gibt es weder Zärtlichkeit noch Liebe. Aus diesem Grund sind autoritäre Personen so hart und ohne Zärtlichkeit und manchmal auch gnadenlos. Doch dies ist die Lebensweise, die unsere Moderne beherrscht. Sie findet alles verdächtig und lässt außer acht, was mit Zuneigung und Zärtlichkeit zu tun hat.

Von hier stammt das furchtbare Vakuum unserer „geometrischen“ Kultur mit ihrem Übermaß an Sensationen und dem Mangel an tief gehenden Erfahrungen; mit fantastischen Anhäufungen von Wissen, doch einem Mangel an Weisheit; mit einem Zuviel an Muskelkraft, aber Mangel an Zärtlichkeit oder Achtsamkeit für den anderen, die Erde und deren Söhne und Töchter, für die gemeinsame Zukunft aller.

 

Die Liebe und das Leben sind zerbrechlich. Ihre unbesiegbare Kraft schöpfen sie aus der Zärtlichkeit, mit der wir sie umgeben und für immer nähren.

 

 übersetzrt von Bettina Gold-Hartnack

 

Der eigentliche Grund für die Umweltkrise: der Bruch in der universellen Beziehun

 

Es gibt viele Gründe, die zur aktuellen Umweltkrise führten. Wir kommen hier jedoch auf die eigentliche Ursache zu sprechen: die beständige Abkehr des Menschen von seiner grundlegenden Verbindung mit dem übrigen Universum und dessen Schöpfer. Diesen Bruch hat der Mensch verursacht und für dessen Dauer und Fortbestand gesorgt.

 

Es gibt eine zutiefst mysteriöse und tragische Dimension in der Geschichte der Menschheit und des Universums. Die jüdisch-christliche Tradition nennt diese fundamentale Frustration die „Sünde der Welt“, und in der Theologie heißt sie, gemäß dem Hl. Augustinus, der diesen Ausdruck prägte, „Erbsünde“ oder „Sündenfall“. Die Vorsilbe „Erb“ hat nichts mit den historischen Wurzeln dieses Anti-Phänomens oder folglich mit der Vergangenheit zu tun. Vielmehr bezieht es sich auf das, was dem Menschen eigen ist, was die fundamentale und radikale Ursache seiner menschlichen Existenz betrifft und damit die aktuelle Conditio Humana.

 

Noch weniger kann Sünde auf eine rein moralische Dimension oder auf menschliches Versagen reduziert werden. Sie bezieht sich auf eine allgemeine Haltung und damit auf eine Unterwanderung aller menschlichen Beziehungen. Es geht um eine ontologische Dimension des Menschen, verstanden als ein Netz von Beziehungen. Dieses Netz ist verzerrt und korrumpiert, was allen Arten von Beziehungen schadet.

 

Es ist wichtig hervorzuheben, dass es sich bei der Erbsünde um die Interpretation einer fundamentalen Erfahrung handelt, einer Antwort auf die Herausforderung eines Rätsels. Beispielsweise kann es in Japan einen wunderschön blühenden Kirschbaum geben, während gleichzeitig ein alles zerstörender Tsunami in Fukushima wütet. Auf der einen Seite haben wir eine Mutter Teresa von Kalkutta, die sich um die gestrandeten Menschen auf der Straße kümmert, und auf der anderen Seite einen Hitler, der sechs Millionen Juden in die Gaskammern schickt. Warum dieser Widerspruch? Philosophen und Theologen haben lange nach einer Antwort gesucht. Bisher jedoch ohne Erfolg.

 

Ohne all die möglichen Interpretationen zu vertiefen, gehen wir von derjenigen aus, die sich unter den religiösen Denkern einer wachsenden Zustimmung erfreut: Sie sieht die Unzulänglichkeit als einen Moment im Evolutionsprozess. Gott schuf kein Universum, das augenblicklich fertiggestellt und gleich perfekt war. Vielmehr löste Gott einen zu vervollkommnenden Prozess aus, dessen Ende noch offen ist und der sich in Richtung immer komplexerer, subtiler und perfekter Formen bewegt. Wir hoffen, dass er einst seinen Omega-Punkt erreichen wird.

 

Unzulänglichkeit ist kein Defekt, sondern ein sich in Entwicklung befindlicher Prozess. In ihr drückt sich nicht Gottes eigentlicher Plan für Seine Schöpfung aus, sondern ein Moment inmitten eines immensen Prozesses. Mit dem irdischen Paradies ist nicht die Nostalgie für ein verlorenes goldenes Zeitalter gemeint, sondern das Versprechen für eine noch vor uns liegende Zukunft. Die erste Seite der Bibel ist tatsächlich ihre letzte. Zu Beginn wird eine Art Miniaturmodell der Zukunft vorgestellt, um die Leser und Leserinnen mit der Hoffnung auf ein gutes Ende für die ganze Schöpfung zu erfüllen.

 

Der Hl. Paulus sah den traurigen Zustand der Schöpfung als eine Unterwerfung unter die Vergänglichkeit (mataiótes) und zwar nicht aufgrund des Menschen, sondern aufgrund Gottes selbst. Die exegetische Bedeutung des Wortes „Vergänglichkeit“ weist auf den Reifungsprozess hin. Die Natur hat ihre Reife noch nicht erreicht. Aus diesem Grund befindet sie sich zurzeit immer noch weit von ihrem letzten Ziel entfernt. Deshalb „seufzt die gesamte Schöpfung bis zum heutigen Tag und liegt in Geburtswehen“ (Röm 8,22). Der Mensch nimmt teil an diesem Reifungsprozess und seufzt ebenfalls (Röm 8,23). Alle Geschöpfe erwarten bangend die volle Ausreifung der Söhne und Töchter Gottes, denn zwischen ihnen und dem Rest der Schöpfung besteht eine tiefe Interdependenz und Verbindung. Ist der Reifezustand erreicht, wird auch die Schöpfung an der glorreichen Freiheit der Kinder Gottes teilhaben (siehe Röm 8,20).

 

Dann wird der letzte Plan Gottes erfüllt sein, und erst dann wird Gott in der Lage sein, die ersehnten Worte auszusprechen: „Und Er sah, alles war gut.“ Noch sind diese Worte Prophezeiungen und Versprechen für die Zukunft, denn nicht alles ist gut. Ernst Bloch, der Philosoph des Prinzips Hoffnung, drückte dies so aus: „Genesis steht am Ende, nicht am Anfang.“ Der Verzug im Reifungsprozess des Menschen impliziert einen Verzug in der Schöpfung. Die Fortschritte des Menschen bedeuten einen Fortschritt für das Ganze. Die Menschheit kann ein Instrument zur Befreiung oder aber ein Hindernis auf dem Evolutionsprozess darstellen.

 

Und hierin befindet sich das Drama: Als die Evolution den Level der Menschheit erreichte, erlangte sie einen Zustand des Bewusstseins und der Freiheit. Der Mensch wurde als ein Schöpfer geschaffen. Menschen können zu einem guten Zweck in die Natur eingreifen und für sie sorgen, oder sie für einen schlechten Zweck zerstören. Es begann vielleicht mit dem Entstehen des Homo habilis vor 2,7 Millionen Jahren, als Werkzeuge geschaffen wurden, mit denen die Menschen in der Lage waren, in die Natur einzugreifen, ohne deren Rhythmus zu berücksichtigen. Zu Beginn kann dies ein simpler Akt gewesen sein. Doch seine Wiederholung schuf eine Haltung von mangelnder Achtsamkeit. Anstatt gemeinsam auf einer Stufe mit allem zu sein und zu leben, stellte der Mensch sich über die Dinge und dominierte sie. Und so ging es stets weiter bis zum heutigen Tag.

 

Damit fielen die Menschen aus der natürlichen Solidarität mit allen Lebewesen heraus. Sie verstießen gegen den Plan des Schöpfers, der den Menschen als Mit-Schöpfer gewollt hat, dessen Genie die unvollkommene Schöpfung hätte vervollkommnen sollen. Doch stattdessen nahm der Mensch den Platz Gottes ein. Die Stärke der menschlichen Intelligenz und seines Willens versetzte ihn in die Lage, sich als ein „kleiner Gott“ zu fühlen und sich so zu verhalten, als wäre er tatsächlich Gott.

 

Dies ist die große Spaltung von der Natur und dem Schöpfer, die der ökologischen Krise zugrunde liegt. Das Problem liegt in der Art des menschlichen Wesens, das im Lauf der Geschichte eher eine „geophysikalische Zerstörungskraft“ (E. Wilson) entwickelte statt eine Kraft der Achtsamkeit und der Bewahrung.

 

Die Lösung dieses Problems besteht darin, sich wieder mit allen Dingen zu verbinden. Es ist nicht notwendig, religiöser zu werden, sondern bescheidener, eher ein Teil der Natur, verantwortlich für deren Nachhaltigkeit, und achtsamer in jeglicher menschlichen Aktivität. Die Menschheit muss zur Erde zurückkehren, von der sie sich selbst exiliert hat, und deren Bewahrer werden. Dann wird der natürliche Vertrag wiederhergestellt. Auch durch die Öffnung hin zum Schöpfer wird der unlöschbare Durst des Menschen gestillt. Die Frucht dafür wird der Friede sein.

 

 Übersetzt von Bettina Gold-Harnack