Que novo Papa  prolongará  o legado do Papa Francisco?

Leonardo Boff

O Papa Francisco escolheu o dia certo para fazer seu encontro com o Senhor: a páscoa que é o começo do novo e é uma pequena antecipação do fim bom da história.

         Reproduzo em parte um artigo que escrevi no dia 1/2//2020 ”Papa Francisco, uma nova genealogia de papas”? Creio que  expressa o desejo de muitos cristãos da América Latina. A nossa perspectiva é que o Papa Francisco emerge como o inaugurador de uma nova genealogia de Papas que vêm fora da velha cristandade europeia.

Na Igreja europeia vivem apenas 25% dos católicos. Nas Américas 65% e o restante nos vários continentes. O cristianismo europeu é agônico. Há igrejas fechadas porque nenhum fiel a frequenta. Nas Américas está se consolidando um cristianismo-fonte e não mais espelho dos europeus. Depois de mais de 500 anos de presença cristã surgiram rostos novos de Igreja, a Igreja na base dos fiéis, bispos despojados não mais morando em palácios e no meio do povo, padres que moram nas periferias,uma série enorme de movimentos leigos, que assumem sua autonomia e muitas religiosas vivendo no interior da Amazônia. Com razão dizemos que aqui está surgindo uma eclesiogênese, vale dizer, a gênese de outro tipo de igreja. Logicamente persiste muito ainda o velho estilo romano de Igreja. Mas não é ela que leva o futuro; ela não caracteriza um outro estilo de Igreja, diverso daquele estritamente tradicional.Vejo as seguintes características do papado de Francisco de Roma.

         Em primeiro lugar Francisco não é apenas um nome mas um projeto de Igreja: pobre e especialmente para os pobres,uma Igreja, anunciadora da paz contra todo tipo de guerras que existem no mundo, denunciadora de um sistema econômico que mata, pois pratica duas injustiças: devasta a natureza e oprime a maioria da humanidade, uma Igreja que cuida da criação como Casa Comum. Escreveu duas belas encícliclas:”sobre cuidado da Casa Comum(2020 e Fratelli tutti (2025). Especialmente nesta última apresenta uma alternativa ao paradigma da modernidade fundado no poder/dominação e do ser huma acima e fora da natureza. Apresenta como alternativa a fraternidade universal e o amor social  sendo o ser humano dentro da natureza e irmão e irmão de todos os demais seres particularmente de seus semelhantes. Nisso vê uma possível salvação da vida na Terra, “pois estamos todos no mesmo barco, ou nos salvamos todos ou ninguém se salva”.

         Francisco de Roma imitando o de Assis não vai morar nos palácios pontifícios. Escolhe uma casa de hóspedes, Santa Marta, mora num quarto simples e outro para receber as pessoas.Está mais próximo da gruta de Belém do que do palácio de Herodes. É um homem entre outros homens. Diz que antes de tudo é bispo de Roma e depois Papa que quer conduzir a Igreja com amor e não com o direito canônico. Pede aos bispos, coisa inaudita, uma pastoral da ternura e da irrestrita acolhida.

         O Papa Francisco “vem do fim do mundo”, da Argentina, com outra imagem de Igreja, diversa daquela de seus predecessores, uma Igreja que não é um castelo, voltada para dentro com sua ortodoxia e disciplina e cercada de inimigos, a cultura da modernidade,mas uma “igreja em saída” na direção dos que estão à margem,que sofrem e se sentem marginalizados. Diz que quer “uma Igreja tenda de campanha” que acolhe a todos os feridos sem perguntar por sua religião, sua moralidade, basta que sejam humanos e necessitados.

         Francisco não é uma Papa centrado na ortodoxia, na vigilância dos dogmas e da reta disciplina. Respeita esta formulação mas abertamente diz que com tais coisas não se chega ao coração humano. Precisamos acercar-nos com bondade, com sentido de compaixão e de ternura. Não se trata de converter os outros mas seduzi-los pela mensagem humanitária de Jesus. Repetiu muitas vezes: Cristo veio para ensinar-nos a viver, o amor  incondicional, a solidariedade, a compaixão,o perdão, valores que compõem seu projeto de Reino de Deus.

         O Papa Francisco se inscreve nos quadros da teologia da libertação de estilo argentino: libertar a cultura silenciada e o povo oprimido. Desde jovem estudante assumiu esta teologia associada a uma promessa que fez a si mesmo: toda semana visitar sozinho uma favela (“vila miseria”), entrar nas casas das pessoas, conversar com elas, animá-las e trazer-lhe a verdade de que Deus ama especialmente os pobres, pois Deus é vivo e prefere aqueles que menos vida têm. Recebe com carinho o fundador da teologia da  libertação, Gustavo Gutiérrez, John Sobrino, Pepa Castillo e queria também muito me ver. Importante: interrompe o sínodo para lembrar a morte de Gustavo Gutiérrez de 96 anos, grande servidor dos pobres. Marcamos pessoalmente por várias vezes um encontro mas problemas internos do Vaticano o impossibilitaram. Mas tenho cartas carinhosas dele além de uma fotografia juntos, quando dávamos palestras em Buenos Aires em 1972.

         Feito Cardeal,vive sozinho num pequeno apartamento, cozinha sua comida, dispensou o palácio e o carro. Vai a pé ou se desloca de metrô ou de ônibus, compra seu próprio jornal.

         Tema central de sua pregação é a misericórdia infinita de Deus. Diz que a condenação é só para esse mundo, pois Deus não pode perder nenhum filho e filha que criou no amor, pois ninguém pode impor limites à sua misericórdia que vai além da justiça. Insiste: não preguem o evangelho com o medo e com a ameaça do inferno. Cristo bem disse no evangelho de São João: “se alguém vem a mim eu ou não mandarei embora”. Acolhe a todos independente de sua condição sexual. A um menino que se revela ao Papa como homoafetivo, ouve a resposta: “Deus te quis assim. Deus te ama e eu também de amo”. Efetivamente torna a mensagem cristã uma realidade libertadora que humaniza e torna alegre e leve a vida e não um pesadelo com medo do fogo do inferno.

         Ouso pensar que pelo fato da maioria os católicos viverem fora da galáxia europeia, a partir do Papa Francisco serão eleitos Papas das Igreja novas, capazes de dialogar com as demais religiões e viver a nova situação da humanidade, habitando a única Casa Comum. Quem sabe se o único Cardeal de toda a Amazônia, Leonardo Ulrich Steiner não seria uma excelente opção? De todas as formas junto com outros caminhos espirituais a Igreja ajudará a manter acesa a chama interior da espiritualidade natural, a alimentará, a cultivará e impedirá que o mais sagrado do ser humano sucumba junto com sua Casa Comum (1/2/2020).

Leonardo Boff escreveu: Francisco de Assis e Francisco de Roma: uma nova primavera na Igreja  Rio de Janeiro 2015 (aquisição com o autor por e-mail: contato@leonardoboff.eco.br).A amorosidade de Deus-Abba e Jesus de Nazaré, Vozes 2023.

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Benedikt XVI. – Ein Papst der alten Christenheit

                          

Der Tod eines Papstes bewegt die gesamte Kirchen- und Weltgemeinschaft, die in ihm die Bestätigung des christlichen Glaubens und das Prinzip der Einheit der verschiedenen Ortskirchen sieht. Viele Interpretationen können über das Leben und die Taten eines Papstes gemacht werden. Ich werde einen aus Brasilien (aus Lateinamerika) machen, sicherlich teilweise und unvollständig.

Es sei darauf hingewiesen, dass nur 23,18 % der Katholiken in Europa und 62 % in Lateinamerika leben, der Rest in Afrika und Asien. Die katholische Kirche ist eine Kirche der Zweiten und Dritten Welt. Zukünftige Päpste werden wahrscheinlich aus diesen Kirchen kommen, voller Vitalität und mit neuen Arten der Inkarnation der christlichen Botschaft in nicht-westlichen Kulturen.

In Bezug auf Benedikt XVI. ist es zweckmäßig, den Theologen Joseph Ratzinger und den Papst Benedikt XVI. zu unterscheiden.

Der Theologe Joseph Alois Ratzinger ist ein typischer mitteleuropäischer Intellektueller und Theologe, brillant und gelehrt. Er ist kein Schöpfer, aber ein hervorragender Vertreter der offiziellen Theologie, was sich deutlich in den verschiedenen öffentlichen Dialogen zeigte, die er mit Atheisten und Agnostikern führte.

Es führte keine neuen Perspektiven ein, sondern gab den bereits traditionellen Visionen, die insbesondere in Saint Augustin und Saint Bonaventure gegründet wurden, eine andere Sprache. Vielleicht etwas Neues ist seine These von der Kirche als einer kleinen, sehr treuen und heiligen Gruppe als „Repräsentation“ des Ganzen. Die Zahl der Gläubigen war ihm nicht wichtig. Die kleine, hochspirituelle Gruppe, die für alle einsteht, war genug. Zufällig gab es in dieser Gruppe der Reinen und Heiligen Pädophile und Menschen, die in Finanzskandale verwickelt waren, was ihr Verständnis von Repräsentation demoralisierte.

Papst Benedikt XVI. hatte einen einzigartigen, ich würde sagen seltsamen Traum: Europa unter der Hegemonie der katholischen Kirche neu zu christianisieren. Er suchte nach einer verlorenen Einheit, der großen mittelalterlichen Synthese. Zufällig ist Europa ein anderes, säkularisiertes, das mehrere Revolutionen durchgemacht hat, die die Neuzeit mit neuen Werten, mit Demokratien, Menschenrechten und der Säkularität des Staates einleiteten. Dieses ganze Projekt wurde als ein Traum ohne Realisierbarkeit angesehen. Es zeigte einfach die restaurative und konservative Sehnsucht von Benedikt XVI. nach einer versöhnten Welt unter dem Bogen des Christentums, das jetzt von verschiedenen Kirchen, Philosophien und neuen Geschichtsvisionen zerrissen, gekennzeichnet ist.

 
Eine andere ungewöhnliche Position, Gegenstand einer endlosen Kontroverse mit mir, die aber in der Kirche Resonanz fand, war die Interpretation, dass die „katholische Kirche die einzige Kirche Christi“ sei. Konziliare Diskussionen und der ökumenische Geist veränderten „ist“ zu „existiert“ (subsistit in). Auf diese Weise wird der Kirche Christi ein Weg eröffnet, in anderen Kirchen zu „existieren“. Ratzinger behauptete immer, diese Veränderung sei nur ein weiterer Ausdruck  des „ist“, was die akribische Recherche der theologischen Akten des Konzils nicht bestätigte. Aber unterstützte er weiterhin seine These. Außerdem stellte er fest, dass die anderen Kirchen nicht Kirche seien, sondern nur kirchliche Elemente hätten.
 
Er ging so weit, mehrmals zu behaupten, dass sich diese meine Position unter Theologen als etwas Gemeines verbreitet habe, was zu neuer Kritik des Papstes gegen mich führte. Er war jedoch isoliert, da er bei anderen christlichen Kirchen wie Lutheranern, Baptisten, Presbyterianern und anderen große Enttäuschungen verursacht hatte, indem er die Türen zum ökumenischen Dialog verschlossen hatte.
 
Er verstand die Kirche als eine Art befestigte Burg gegen die Irrtümer der Moderne und stellte die Orthodoxie des Glaubens, die immer mit der Wahrheit (ihrem tonus firmus) verbunden ist, als Hauptbezugspunkt. Ander ist der Papst Franziskus, für ihn ist die Liebe, besonders der Barmherzlichkeit und die Achsamkeit gegenüber allen, besonders den Armen die Hauptbezieung sein soll.
 
Trotz seines nüchternen und höflichen Charakters zeigte er sich als Präfekt der Kongregation für die Glaubenslehre äußerst hart und unerbittlich. Etwa hundert Theologinnen und Theologen, darunter die prominentesten, wurden entweder mit dem Verlust des Lehrstuhls oder mit dem Zeugnis, Theologie zu lehren und zu schreiben, oder, wie in meinem Fall, mit dem „unterwürfigen Schweigen (silentium obsequiosum)“ verurteilt.“ Hans Küng, Edward Schillebeeck, Jacques Dupuis, B. Haering, J.M. unter anderem. In Lateinamerika der Begründer der Befreiungstheologie der Indiane aus Peru Gustavo Gutiérrez, Jon Sobrino, der Theologe Ivone Gebara zensiert, sowie der Autor dieser Zeilen. Andere wurden in den USA getroffen, wie Charles Curran und R. Haight. Sogar einem verstorbenen Theologen aus Indien, Pater Anthony de Mello, wurden seine Bücher verboten, ebenso wie einem anderen exkommunizierten Inder, Belasurya.
 Benedikt XVI. als Leiter der Kiche ist der,  die „Rückkehr zur großen Disziplin“ mit einer klaren restaurativen und konservativen Tendenz ein, bis hin zur Wiedereinführung der Messe in lateinischer Sprache und mit dem Rücken zum Volk. 
 
In der Kirche selbst sorgte sie für allgemeine Verwunderung, als sie im Jahr 2000 das Dokument „Dominus Jesus“ veröffentlichte, in dem er die alte mittelalterliche und vom Zweiten Vatikanischen Konzil abgelöste Lehre bekräftigte, wonach „außerhalb der katholischen Kirche kein Heil“ sei.  Nichtchristen waren in großer Gefahr. Erneut verweigerte er den anderen Kirchen die Bezeichnung „Kirche, was allgemeine Irritationen hervorrief. Sie seien nur kirchliche Gemeinschaften.
Die enttäuschten lateinamerikanischen Theologen haben nie verstanden, warum die Sammlung „Theologie und Befreiung“ in 53 Bänden, an der Dutzende von Theologen/inen beteiligt waren (etwa 26 Bände wurden veröffentlicht), die dazu gedacht war, Seminare, kirchliche Gemeinschaften und christliche Gruppen zu unterstützen, die sich für Menschenrechte einsetzen. Es war das erste Mal, dass ein großes theologisches Werk außerhalb Europas mit weltweiter Resonanz entstand. Aber es wurde bald abgebrochen. Der Theologe Joseph Ratzinger hat sich als Feind der Freunde der Armen erwiesen. Das wird negativ in die Theologiegeschichte eingehen.
 
Es gibt viele Theologen, die behaupten, er sei vom Relativismus und Marxismus besessen gewesen, obwohl er in der Sowjetunion gescheitert sei. Er veröffentlichte ein Dokument zur Befreiungstheologie, Libertatis nuntius (1984), voller Warnungen, aber ohne ausdrückliche Verurteilung. Ein weiteres späteres Dokument, Libertatis conscientia (1986), hebt seine positiven Elemente hervor, jedoch mit zu vielen Einschränkungen. 
 
Wir wagen zu sagen, dass er die zentrale Bedeutung dieser Theologie nie verstanden hat: die „Option für die Armen gegen die Armut und für die Befreiung“. Es machte die armen Protagonisten ihrer Befreiung und nicht bloße Empfänger von Almosen und Paternalismus. Das war die traditionelle Ansicht und die von Papst Benedikt XVI. Er vermutete, dass es in diesem Protagonismus der historischen Macht der Arme Marxismus gab.

Bei aller Scharfsinnigkeit polemisierte er mit Muslimen, mit Evangelikalen, mit Frauen und mit der fundamentalistischen Gruppe gegen das Zweite Vatikanische Konzil.

 
Seine Art, die Kirche zu führen, war nicht charismatisch wie die von Johannes Paul II. Sie wurde mehr von Orthodoxie und wachem Eifer für die Wahrheiten des Glaubens geleitet als von Weltoffenheit und Zärtlichkeit gegenüber dem christlichen Volk, wie es Papst Franziskus tut.
 
Er war ein legitimer Vertreter des alten europäischen Christenheit mit ihrem Pomp und ihrer politisch-religiösen Macht.In der Perspektive der neuen Phase der Planetisierung schloss sich die auf allen Gebieten reiche europäische Kultur ab. Selten war es so offen für andere Kulturen wie die alten in Lateinamerika, Afrika und Asien. Eine gewisse Arroganz, die Beste zu sein, wurde sie nie los und kolonisierte in deren Namen die ganze Welt, eine Tendenz, die noch nicht ganz überwunden ist.
 
Trotz der Schatten, aber wegen seiner persönlichen Tugenden und der Demut, das päpstliche Amt aufgrund der Grenzen seiner Kräfte niedergelegt zu haben, wird er sicherlich zu den Seligen gezählt werden.
 
Leonnardo Boff, brasilianischer katholischer Theologe.

De la calamidad de las calamidades de Bolsonaro a la esperanza esperante de Lula

Leonardo Boff*

Durante los cuatro años de la administración del presidente Bolsonaro, el país ha vivido afectado por todas las plagas de Egipto. De las muchas opciones posibles para un problema, el presidente generalmente elegía la peor. Psicótico, se mostraba apático ante las desgracias infligidas al pueblo, en particular a los más vulnerables. El punto álgido de su orgasmo psicótico lo alcanzó cuando prohibió agua, vacunas y medicinas a los indígenas, a los que consideraba infrahumanos. Por ello probablemente se enfrentará a un juicio por genocidio, interpuesto ya por los propios indígenas ante el Tribunal Penal para Crímenes contra la Humanidad de La Haya.

De todos es conocida la lista de omisiones, de delitos comunes y contra la humanidad, de violaciones de las leyes y de la Constitución perpetradas por esta figura dia-bólica (que separa, al contrario de la sim-bólica, que une) de forma continuada y sin escrúpulos. Al mismo tiempo, debemos reconocer que nuestra democracia, al ser de baja intensidad, junto con la mayoría de sus instituciones, no ha demostrado estar a la altura del desafío antidemocrático y antinacional para enfrentarse a tales desvaríos. Fué seguramente el presidente más corrupto de nuestra historia, no tanto en sentido momentario sino por haber corrompido la mente y el corazón del pueblo por el odio y lo desprecio de los más vulnerabales.Dejemos a un lado las atrocidades cometidas por este presidente, cuyo nombre debe constar en el libro de los crímenes cometidos contra su propio pueblo.

La gravedad del desastre producido en todos los campos es de tal magnitud que sólo una reflexión histórica y sociológica quizá no sea suficiente para descifrarlo. Requiere una indagación filosófica, que he intentado hacer en algunos artículos anteriores.

Me serví de dos categorías, una occidental, la de la sombra, y otra oriental, la del karma, dialogando entre sí

Tal vez sea necesaria una pequeña referencia a los presupuestos teóricos de esta lectura: a la física cuántica y al pensamiento ecológico moderno, que nos ayuden a entender a este siniestro personaje. 

Hoy sabemos que todos los seres están inter-retro-conectados, todos están envueltos en redes de relaciones. Cada relación deja una marca en los seres relacionados y así surge una historia, la cosmogénesis. Las experiencias dramáticas dejan huellas que a menudo intentamos reprimir, pero que permanecen en el inconsciente colectivo. Jung llama a esto sombra. Algo similar ocurre con el karma. Cada acción deja una marca que provoca una reacción correspondiente. Tanto Jung como el filósofo japonés Daisaku Ikeda convergen en este sentido. En otras palabras, no sólo existe la sombra individual y el karma, sino también el carácter colectivo presente en el sustrato y en el inconsciente de cada pueblo.

Volviendo a nuestro tema: somos herederos de una tormentosa historia de sombras: el genocidio indígena, la colonización que nos impidió tener un proyecto propio, la esclavitud, la más grave, que redujo a los seres humanos a esclavos y a ser utilizados como animales en la producción, sombras de nuestra frágil república y democracia que nunca fueron inclusivas, porque la conciliación de las clases pudientes nunca quiso un proyecto nacional para todos, sino sólo entre ellas con la exclusión de las grandes mayorías de negros, pobres, indígenas y otros. Esas sombras inhumanas actuaban en el inconsciente colectivo, provocando quilombos y revueltas, todas ellas sofocadas a sangre y fuego para mantener las ventajas de la élite del atraso (Jessé Souza). También actuaban en el inconsciente de las minorías pudientes, normalmente en forma de miedo e inseguridad. Cuando se dieron cuenta de que las sombras de las clases humilladas empezaban a ganar fuerza histórica hasta el punto de haber elegido a uno de sus representantes a la presidencia, Lula, pronto fueron por todos los medios debilitadas, reprimidas, combatidas hasta cortarles el camino por medio de un golpe cívico-militar en 1964, repetido de otra forma en 2016 con el impeachment a Dilma Rousseff. Las motivaciones eran las mismas: garantizar su poder y fortunas.

En una persona mediocre, sin proyecto personal y manipulable, estas clases encontraron el representante ideal que buscaban. Eligieron al actual presidente, siempre apoyado por ellas, porque, con su economía ultraneoliberal, unida a una política de extrema derecha, acumularon riqueza, a pesar de la pandemia del Covid-19, como nunca antes en la historia. Hicieron todo lo posible para asegurar su reelección (en sentido figurado, le hicieron comprar el campo de fútbol, comprar el equipo, comprar a los recogepelotas, comprar al árbitro, y aun así perdieron). Hay una fuerza mayor que la maldad organizada. 

La fuerza kármica (haciendo abstracción de las múltiples reencarnaciones) según Ikeda impregna con su sombra la historia y las instituciones, positiva o negativamente. Arnold Toynbee que mantuvo un largo diálogo con Ikeda, prefiere otra categoría y no la kármica, al decir que la historia carga con un peso propio que son los fracasos y los éxitos de un pueblo También genera una sombra en el inconsciente colectivo que se proyecta en las redes sociales y conforma el destino de un pueblo.

Volviendo de nuevo a nuestro tema: con el gobierno actual hemos tenido que vivir bajo el peso de muchas sombras sombrías que se expresaban por el odio, por la mentira, por las fake news, por la deformación de la realidad. Tomó forma en la siniestra figura del presidente, cuya megasombra tenía el poder de despertar y animar la sombra colectiva de un pueblo ya debilitado. Creó un campo kármico o forjó el gabinete del odio y todas las formas de obscenidades políticas y éticas.

El destino quiso esta insensatez, cuyo proyecto era llevarnos al mundo de la pre-Ilustración, ya que ésta promovía la escuela para todos, los derechos humanos y las libertades modernas, avances civilizatorios negados sistemáticamente por el bolsonarismo.

Brasil fue sometido al mayor desafío de nuestra historia. Fue humillado internamente y avergonzado exteriormente. 

Pero nunca se apagó la esperanza, ese motor interior más grande que la virtud que hace que nunca nos rindamos, que nos sostiene en los enfrentamientos y nos hace levantarnos cuando caemos. Este principio-esperanza nunca muere, porque es la fuerza secreta de toda vida que se niega a morir y reafirma siempre la fuerza intrínseca de la vida, obligándonos a abrir nuevos caminos y mundos aún no probados (F. Pessoa). El esperanzar de Paulo Freire y la esperanza esperante, que nunca se rinden, siempre insisten y crean las condiciones históricas para que la utopía viable se haga realidad. Hemos pasado la prueba. La gran calamidad de Bolsonaro ha sido superada por la esperanza esperante de Lula. Tenemos la esperanza de que el nuevo presidente, con el equipo de excelencia que ha articulado, pueda rehacer lo que fue destruido y, mucho más, abrir nuevos caminos, buenos para nosotros y para el mundo, porque por Brasil pasará, seguramente, el futuro ecológico de la vida y de la humanidad.

*Leonardo Boff ha escrito Brasil: concluir la refundación o prolongar la dependencia , Vozes 2018.

Traducción de MªJosé Gavito Milano

Da calamidade das calaminades de Bolsonaro à esperança esperante de Lula

Durante os quatro anos da administração do presidente Bolsonaro, o país viveu afetado por  todas as pragas do Egito. Das muitas opções possíveis para algum problema, o presidente geralmente escolhia a pior. Psicótico,era apático face às desgraças infligidas ao´povo, particularmente aos mais vulneráveis. O auge de seu orgasmo psicótico foi atingido quando proibiu água, vacinas e remédios aos indígenas, tidos por ele como sub-humanos. Por isso, provavelmente, deverá enfrentar um processo de genocídio, já encaminhado pelos próprio indígenas, junto ao Tribunal Penal de Crimes contra a Humanidade em Haia.

É de todos conhecida a lista das omissões, dos crimes comuns e contra a humanidade, das violações das leis e da Constituição perpretadas por esta figura dia-bolica (que separa contrariamente a sim-bólica que une) de forma continuada e sem qualquer escrúpulo. De passo, cabe reconhecer que, a nossa democracia por ser de baixa intensidade junto com a maioria de suas instituições, não se revelou à altura do desafio antidemocrático e antinacionai para enfrentar tais desvarios. Deixemos de lado as atrocidades cometidas por este presidente, cujo nome deve constar no livro dos crimes cometidos contra o seu próprio povo.

 A gravidade do desastre produzido em todos os campos é de tal magnitude que talvez somente uma reflexão histórica e sociológica não sejam suficientes para decifrá-lo. Demanda uma indagação filosofante,coisa que tentei em alguns artigos anteriores.

Utilizei-me de duas categorias, uma ocidental, a da sombra, e outra oriental a do karma, dialogando entre elas.

Talvez se faça necessária uma pequena referência aos pressupostos teóricos desta leitura: à física quântica e ao pensamento ecológico moderno nos ajudem a entender  este sinistro fenômeno.

Sabemos hoje que todos os sere estão inter-retro-conectados,todos estão envolvidos em redes de relações. Cada relação deixa uma marca entre os seres relacionados e assim surge uma história, a cosmogênese. Experiências dramáticas deixam marcas que,não raro, procuramos recalcar,mas que permanecem no inconsciente coletivo. Jung chama a isso de sombra. Algo parecido ocorre com o karma. Cada ação deixa uma marca que provoca uma correspondente reação. Tanto Jung quanto o  filósofo japonês Daisaku Ikeda convegem nesta acepção. Em outras palavras, não há apenas a sombra e o karma indidivual.Eles podem assumir um caráter coletivo presente no substrato e no inconsciente de cada povo.

Voltando ao nosso tema: somos herdeiros de uma tormentosa história de sombras: a do genocídio indígena, a colonização que nos impedia possuir um projeto próprio, a escravidão, a mais grave,que reduziu pessoas humanas a escravos e usados como animais na produção, sombra de nossa república e democracia frágeis que nunca foram includentes,pois a conciliação das classes endinheiradas nunca fizeram um projeto nacional para todos, apenas entre elas com a exclusão das grandes maiorias de negros,pobres,indígenas e outros. Essa sombras desumanas trabalharam no inconsciente coletivo,provocando quilombos e revoltas, todas elas exterminadas a ferro e fogo para manter as vantagens “de elite do atraso”(Jessé Souza). Elas trabalharam também no inconsciente das minorias endinheiradas,geralmente na forma de medo  e insegurança. Ao dar-se conta de que as sombras das classes humilhadas começaram a ganhar força história a ponto de terem eleito um dos seus representantes à presidência, Lula, logo foram por todos os meios rebaixadas, reprimidas,combatidas até cortar-lhe o caminho por um golpe civil-militar em 1964 de,sob outra forma,repetido em 2016 com o impeachement  Dilma Rousseff.As motivações eram as mesmas:garantir seu poder e fortunas.

Na pessoa medíocre,sem projeto pessoal nenhum e manipulável estas classes encontraram o representante ideal que precisavam. Elegeram o atual presidente, sempre sustentado por elas, pois, com sua economia ultra-neoliberal, aliada a uma política de extrema-direita, acumularam,apesar da pandemia do Covid-19, como nunca antes na história. Fizeram de tudo para garantir-lhe a reeeleição (figurativamente, fizeram-lhe comprar a arena de futebol, comprar o time, comprar  os gandulas,comprar o juiz, e ainda assim perderam).Há uma força maior que a maldade arquitetada.

A força kármica (abstraindo as muitas reencarnações) segundo Ikeda impregna com sua sombra a história e as instituições,positiva ou negativamente. Arnold Toynbee que entreve um longo diálogo com Ikeda, prefere outra categoria e não a kármica, ao dizer que a  história carrega um próprio peso que são os fracassos e sucesso de um povo. Ele gera também uma sombra no inconsciente coletivo que se projeta nas redes sociais e conforma o destino de um povo.

Voltando ao tema em tela: com o atual governo tivemos que penar sob o peso de nossas muitas sombras sombrias que se expressavam pelo ódio, pela mentira,pelos fake news,pela distorção da realidade. Ganhou corpo na figura sinistra do presidente,cuja megasomba tinha o poder de  suscitar e animar a sombra coletiva de um povo já fragilizado. Criou um um campo kármico ou forjou o gabinete do ódio e todas as formas de obcenidades políticas e éticas.

O destino quis que essa insensatez,cujo projeto era levar-nos ao mundo do  pre-iluminismo, pois esse promovia a escola para todos,os direitos humanos e as liberdades modernas, avanços civilisatórios, sistematicamente negados pelo bolsonarismo.

O Brasil foi submetido ao seu maior desafio havido em nosso história. Foi humilhado internamente e envergonhado externamente.

Mas nunca esmoreceu esperança, aquele motor interior, maior que a virtude, que nos faz nunca desistir, que nos sustenta nos enfrentamentos e nos faz levantar quando caídos. Esse princípio-esperança nunca morre porque é ele o vigor secreto de toda vida que recusa morrer e sempre reafirma a força intrínseca da vida, nos força a rasgar caminhos novos e mundos “ainda não experimentados”(F.Pessoa). O esperançar de Paulo Freire e a esperança esperante,que nunca desistem,sempre insistem e criam a condições histórica para que a utopia viável se torne realidade. Passamos pela prova. A magna calamidade de Bolsonaro foi vencida pela esperança esperante de Lula. Temos esperança de que o novo presidente com a equipe de excelência que articulou, pode refazer o que foi destruído e, muito mais, abrir rumos novos, bons para nós e para o mundo, pois, pelo Brasil passará,seguramente,  futuro ecológico da vida e da  humanidade.