Levantem-se,mães brasileiras de soldados, contra uma eventual guerra à Venezuela.

Jose Carlos de Assis  é economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe-UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB é um dos nossos melhores analistas das políticas econômicas de nosso país. Faz duras críticas ao tipo de capitalismo selvagem no Brasil (nunca foi educado e civilizado) e sua voracidade de acumulação à custa da marginalização da maioria do povo brasileiro. Aqui nos faz um relato da atual situação de um eventual conflito contra a Venezuela, país disputado pelos USA, China e Rússia devido a suas riquezas em petróleo, gás, ouro e outros materiais estratégicos.  A guerra que Trump pretende mover contra Maduro visa menos instaurar uma democracia e mais se apoderar do petróleo (uma das maiores reservas mundiais) e controlar economicamente o país no interesse das empresas norte-americanas. Pretende envolver os países vizinhos com o a Colômbia e inclusive o Brasil. Nossos militares se opõem pois tal conflito nada tem a ver com nosso país. Trata-se de manifestação vergonhosa de vassalagem que o atual governo brasileiro presta à potência norte-americana, à qual se alinha sem qualquer reserva. O alerta de Carlos José de Assis é importante, pois não queremos que nossas mães chorem a morte de seus filhos enviados à guerra contra um país com o qual sempre temos vivido em paz. Seria triste haver aqui em nosso Continente uma espécie de Síria onde se confrontariam três grandes potências (EEUU,Rússia e China)  por causa de interesses que não são nossos. É no sentido de alerta feito pelo autor que publicamos aqui seu texto de 22 de Fevereiro de 2019.  Lboff

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O Brasil não vai declarar guerra à Venezuela. Se atacar por acidente vai perder. É que não há justificativa moral ou mesmo militar para um ataque a nosso vizinho que nunca nos fez mal. As Forças Armadas da Venezuela estão embaladas por um sentimento nacionalista que tem poucos paralelos numa América Latina que, com raras exceções, presta total vassalagem a Washington. Que dizer de nossas Forças Armadas? Seriam tão nacionalistas ao ponto de atirar seus soldados quase imberbes numa guerra de interesse exclusivo americano?

Os Estados Unidos perderam vergonhosamente a guerra do Vietnã. Do outro lado estava um exército nacionalista disposto a se matar em defesa da pátria. Seus próprios soldados, sem motivação e sem apoio da opinião pública, descontavam sua frustração na maconha e nas deserções. Como conseqüência, o Pentágono mudou as regras do recrutamento. Acabou com alistamento obrigatório e agora paga soldados para matar ou morrer. Assim mesmo as mães dos que foram mortos não tem direito a um funeral público.

Gostaria de saber como, na hipótese de um conflito armado com a Venezuela, nossas Forças Armadas conduzidas por um ministro das Relações Exteriores bufão vão tratar os soldados mortos. Vão escondê-los? Ou vão deixar que as mães os chorem diante da televisão? E os próprios soldados, que motivação terão para lutar? Para defender a democracia na Venezuela? E se descobrirem que a democracia que está realmente em risco é a nossa? E os oficiais, sobretudo aqueles que não estão sob doutrinação cerrada norte-americana?

Lembro-me do que me contava George Cabral, um romântico jornalista comunista que havia se exilado na antiga Checoslováquia nos anos 60, a propósito de uma campanha de mães contra a participação brasileira na guerra da Coréia. Os americanos pressionavam fortemente para isso. Numa grande manifestação de rua, elas gritavam compassadamente: “Os soldados, nossos filhos, não irão para a Coréia!”. Não foram. Naquele tempo, em plena Guerra Fria, havia estadistas no Catete. Agora somos a ralé da diplomacia mundial e só temos bufões no Planalto.

Exclusivamente por culpa norte-americana em sua obsessão de provar hegemonia econômica e militar no mundo, está sendo reconstituído de forma absolutamente imoral o mapa da guerra fria. Lembro-me que, logo após a desestruturação da União Soviética, falava-se em todo mundo nos dividendos da paz. Havia uma esperança geral nesse sentido. Os americanos liquidaram com essas esperanças na medida em que lançaram a OTANC na conquista dos antigos países da esfera soviética para encurralar militarmente a Rússia.

Em poucos anos foram incorporados à OTAN nove países do Leste europeu violando acordos feitos com Gorbachev e Yeltsin. Tentaram também absorver a Geórgia e, com um golpe de Estado financiado pelo Departamento de Estado através de ONGs, a própria Ucrânia, nas costas da Rússia. Nessa altura, a Rússia, uma potência nuclear de primeira linha, havia recuperado também sua capacidade industrial militar convencional. Impediu o cerco ocidental à Geórgia, garantiu os russófilos da Ucrânia e incorporou por plebiscito a Criméia.

Os americanos vociferaram e impuseram boicotes à Rússia mas a situação geopolítica estava configurada: os EUA não mais mandavam no mundo inteiro. Assim mesmo, sob a belicista Hillary Clinton no Departamento de Estado, mataram Kadafi, dividiram a Síria e liquidaram a Líbia – hoje entregue a milícias do petróleo. Agora, aproveitando-se de uma debilidade do governo venezuelano que eles próprios ajudaram a promover com seus boicotes, pretendem trazer a guerra geopolítica do petróleo paras as fronteiras brasileiras.

É surpreendente que a parte mais sensata do atual governo, os militares, não está se dando conta da tragédia que se arma sobre o nosso povo, sem nenhuma razão, fabricada exclusivamente por amadores grotescos que um acidente eleitoral levou ao Planalto. Se não fosse trágico seria simplesmente surrealista. É verdade que ouvi do general Mourão, o vice-presidente, a observação de que o Brasil não entraria em guerra que não fosse para vencer. Se isso representa o pensamento médio dos militares no governo, já é o momento de eles tranqüilizarem a nação de forma mais incisiva.

Levantem-se, pois, mães brasileiras dos soldados que se tornarão bucha de canhão num eventual conflito. Gritem nas ruas, gritem nas igrejas, gritem nas escolas e nas universidades, gritem compassadamente: “Os soldados, nossos filhos, não irão para Caracas!”

¿Cómo no indignarse ante tan cobarde y bárbaro asesinato?

¿Cómo no indignarse ante tan cobarde y bárbaro asesinato?

Publico este texto de un periodista muy competente y ético, conocido mío desde hace muchos años, Fernando Molica, en su Facebook del 15 de febrero. ¿Cómo no indignarse frente a tanta perversión y voluntad de matar? Si un profeta del Antiguo Testamento, como Amós, estuviese en nuestro medio, seguramente lanzaría la maldición divina sobre el cobarde y frío asesino. ¿Hemos perdido la profecía? ¿Somos incapaces de una acción de protesta? Había mucha gente alrededor que presenciaba el crimen. Sólo una mujer, entre tantos presentes, intentó disuadir al asesino. La callaron. Hay que citar el nombre del asesino: DAVI RICARDO MOREIRA AMÂNCIO, guardia de seguridad del supermercado Extra en Río, y de su víctima: PEDRO GONZAGA. Cuando la maldad es demasiado grande nos sentimos impotentes y las palabras se ahogan en nuestra garganta. Pero tenemos que protestar y reaccionar. Según datos  leídos hace días en varios periódicos (es preciso verificarlo con exactitud) cada 23 minutos es asesinado un negro en nuestro país. El ex presidente Pepe Mujica me decía hace dos años en su chacra: “Hay una diferencia muy grande entre Uruguay y Brasil. Aquí la vida vale y en su país la vida no vale nada; aquí los asesinatos son mucho menos y son castigados; en su país se mata por un par de tenis y la cosa queda así”. Es triste y vergonzoso para nosotros escuchar tal consideración de boca de un viejo y sabio político que quiere mucho a Brasil. Y hay gente que hace públicamente apología de la tortura y de la muerte. Y sabemos quién es. No podemos tolerar más tanta matanza para no atraer la ira de Aquel se presentó “como el apasionado amante de la vida” (Libro de la Sabiduría 11,24) y que está del lado de aquellos que son condenados a morir violentamente antes de tiempo. LBoff

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Las imágenes que muestran el asesinato del joven Pedro Gonzaga a manos de Davi Ricardo Moreira Amâncio, seguridad del supermercado Extra, revelan el absurdo grado de perversidad en el que vivimos. “Ya sería imperdonable si el asesino” por miedo excusable, sorpresa o emoción violenta” (reproduzco las palabras usadas en proyecto presentado por el gobierno federal) hubiera matado al muchacho con un tiro o con un puñetazo. Pero no, cometió el homicidio de forma lenta, pensada, brutal, aun estando delante de decenas de personas. Parecía tener placer al echarse sobre el cuerpo de su víctima mientras le apretaba el cuello. Actuaba de manera tan natural que, mientras mataba, llega a discutir con una mujer que intenta impedir el crimen.

Sus compañeros de trabajo, guardias de seguridad como él, no hicieron nada para evitar el crimen, uno de ellos llegó a tratar de impedir la filmación de la escena. El comportamiento de los otros guardias mostró que la perversidad no es sólo del asesino, está generalizada entre nosotros. Pocas veces he visto tanto absurdo, correspondiente a la hoy clásica expresión de la banalidad del mal acuñada por Hannah Arendt. El tipo mata porque se cree en el deber -más que en el derecho- de matar. Mata, mata, mata es lo que oye todos los días, es el grito que viene de las calles y de los palacios. Tienes que matar, tienes que matar, repite él, y es lo que hace.

Él está del lado de la mayoría, de los que gritan, de los que aplauden las masacres, del lado de aquellos que, en lugar de hacer cumplir la ley, registraron su crimen como algo menor, culposo, no intencional. Es posible que ni siquiera fuera acusado si no hubiera imágenes de su crimen.

A fin de cuentas, la víctima era una más  de aquellas que por su color y por su clase social necesitan probar todo el tiempo que son inocentes, muchas veces las matan antes de lograrlo. Poco después del homicidio ya había la versión, contestada por las imágenes de las cámaras del supermercado, de que el chico habría intentado robar el arma del guardia de seguridad (como si eso justificara su asesinato). Nos estamos transformando en una sociedad de asesinos (añado: un país que mata por perversión, que tiene placer en matar). Todos los que gritan pidiendo muerte son cómplices de este guardia seguridad.

Observación: el sitio de O Globo publicó la noche del viernes que Pedro Gonzaga, el joven muerto, vivía en Barra, era de una familia de clase media y sufría de una dependencia química. Esto sólo refuerza que ninguno de nosotros está libre también de la violencia practicada por agentes de seguridad, públicos o privados. El grito de muerte atrae más muertes, es obvio. FM

Como não se indignar face a tão bárbaro e covarde assassinato?

Publico este texto de um jornalista muito competente e ético,conhecido meu de muitos anos, Fernando Molica em seu Facebook de 15 de fevereiro. Como não se indignar face a tanta perversão e vontade de matar? Se um profeta do Antigo Testamento,como um Amós, estivesse em nosso meio,  seguramente lançaria a maldição divina sobre o covarde e frio assassino. Perdemos a profecia? Somos incapazes de protest-ação? Havia muitos ao redor que assistiam o crime. Só uma mulher, entre tantos presentes, tentou dissuadir o assassino. Foi calada. Precisamos citar o nome do assassino: DAVI RICARDO MOREIRA AMÂNCIO, segurança do supermercado Extra no Rio e de sua vítima PEDRO GONZAGA. Quando a maldade é grande demais ficamos impotentes e as palavras se afogam em nossa garganta. Mas temos que protestar e reagir. Segundo dados, lidos há dias, em vários jornais (cabe verificar exatamente) a cada 23 minutos é assassinado um negro em nosso país. O ex-presidente Pepe Mujica me dizia lá sua chácara, há dois anos:”Há uma diferença muito grande entre o Uruguai e o Brasil. Aqui a vida vale e no seu país a vida não vale nada; aqui os assassinatos são muito menos e são punidos; no seu  país se mata por um par de tênis e  a coisa fica por isso mesmo”. É triste e vergonhoso para nós ouvir tal ponderação de um velho e sábio político que muito ama o Brasil. E há gente que fez publicamente apologia da tortura e da morte.E sabemos quem é. Não podemos mais tolerar tanta matança para não atrairmos a ira  dAquele se apresentou “como o apaixonado amante da vida” (Livro da Sabedoria 11,24) e que  está do lado daqueles  que são condenados a morrer violentamente antes do tempo.LBoff

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As imagens que mostram o assassinato do jovem Pedro Gonzaga por Davi Ricardo Moreira Amâncio, segurança do supermercado Extra, revelam o absurdo grau de perversidade em que vivemos. Já seria imperdoável se o assassino “por escusável medo, surpresa ou violenta emoção” (reproduzo as palavras usadas em projeto apresentado pelo governo federal) tivesse matado o rapaz com um tiro, ou com um soco. Mas não, ele cometeu o homicídio de forma lenta, pensada, brutal, mesmo estando diante de dezenas de pessoas. Parece ter prazer ao se deitar sobre o corpo de sua vítima enquanto apertava seu pescoço. Atuava de maneira tão natural que, enquanto matava, chega a discutir com uma mulher que tenta impedir o crime.

Seus colegas de trabalho, seguranças como ele, nada fizeram para evitar o crime – um deles, chegou a tentar impedir a filmagem da cena. O comportamento dos outros seguranças mostrou que perversidade não é apenas do assassino, está generalizada entre nós. Poucas vezes vi tanto absurdo, tão correspondente à hoje clássica expressão banalidade do mal cunhada por Hannah Arendt. O cara mata porque se acha no dever – mais do que no direito – de matar. Mata, mata, mata é o que ouve todos os dias, é o grito que vem das ruas e dos palácios. Tem que matar, tem que matar, é o que ele repete, é o que ele faz.

Ele está do lado da maioria, dos que gritam, dos que aplaudem chacinas, do lado daqueles que, no lugar de fazer cumprir a lei, registraram seu crime como algo menor, culposo, não intencional. É possível que sequer fosse indiciado se não houvesse imagens de seu crime.

Afinal, a vítima era mais uma daquelas que, por sua cor e por sua classe social, precisam provar o tempo todo que são inocentes – muitas vezes, são mortas antes disso. Pouco depois do homicídio já havia a versão, contestada pelas imagens de câmera do supermercado, de que o rapaz teria tentado roubar a arma do segurança (como se isso justificasse seu assassinato). Estamos nos transformando numa sociedade de assassinos (acrescento: um país que mata por perversão, que tem prazer em matar).Todos que gritam pela morte são cúmplices daquele segurança.

Obs: o site de O Globo publicou na noite de sexta-feira  que Pedro Gonzaga, o jovem morto, morava na Barra, era de uma família de classe média e sofria com a dependência química. Isto apenas reforça que nenhum de nós está livre também da violência praticada por agentes de segurança, públicos ou privados. O grito de morte atrai mais mortes, é óbvio. FM

Publicado no Facebook no dia 15/02 na sua página por Fernado Molica.