A Amazônia: nem selvagem nem pulmão nem celeiro do mundo

          A Amazônia: nem selvagem nem pulmão nem celeiro do mundo

                                     Leonardo Boff

O Sínodo pan-amazônico a se celebrar em Roma em outubro deste ano demanda sabermos melhor sobre o ecossistema amazônico. Há que se desfazer mitos.

O primeiro mito: o indígena como selvagem e genuinamente natural e por isso em sintonia perfeita com a natureza. Regular-se-ia por critérios não-culturais, mas naturais. Ele estaria numa espécie de sesta biológica face à natureza, numa perfeita adaptação passiva aos ritmos e à lógica da natureza.

Esta ecologização dos indígenas é fruto do imaginário urbano, fatigado pelo excesso da tecnificação e da artificialização da vida.

O que podemos dizer é que os indígenas amazônicos são humanos como quaisquer outros humanos. E como tais, estão sempre em interação com o meio. Mais e mais a pesquisa comprova o jogo de interação entre os indígenas e a natureza. Eles se condicionaram mutuamente. As relações não são “naturais” mas culturais, como nós, numa teia intrincada de reciprocidades. Talvez nisso os indígenas têm de singular, distintivo do homem moderno: sentem e veem a natureza como parte de sua sociedade e cultura, como prolongamento de seu corpo pessoal e social. Não é como para os modernos, como um objeto mudo e neutro. A natureza fala e o indígena entende a sua voz e mensagem. A natureza pertence à sociedade e a sociedade pertence à natureza. Estão sempre se adequando mutuamente e em processo de adaptação recíproca. Por isso são muito mais integrados que nós.Temos muito a aprender da relação que eles entretém com a natureza.

O segundo mito: a Amazônia é o pulmão do mundo. Os especialistas afirmam que a floresta amazônica se encontra num estado climax. Quer dizer, ela se encontra num estado ótimo de vida, num equilíbrio dinâmico no qual tudo é aproveitado e por isso tudo se equilibra. Assim a energia fixada pelas plantas mediante as interações da cadeia alimentar conhece um aproveitamento total. O oxigênio liberado de dia pela fotossíntese das folhas é consumido pelas próprias plantas de noite e pelos demais organismos vivos. Por isso a Amazônia não é o pulmão do mundo.

Mas ela funciona como um grande filtro do dióxido de carbono. No processo de fotossíntese grande quantidade de carbono é absorvido. Ora o carbono é o principal causador do efeito estufa que aquece a terra (nos últimos 100 anos aumentou em 25%). Caso um dia a Amazônia fosse totalmente desmatada,seriam lançados na atmosfera cerca de 50 bilhões de toneladas de carbono por ano. Haveria uma mortandade em massa de organismos vivos.

O terceiro mito: a Amazônia como o celeiro do mundo. Assim pensavam os primeiros exploradores como von Humbold e Bonpland e os planejadores brasileiros no tempo dos militares no poder (1964-1983). Não é. A pesquisa mostrou que “a floresta vive de si mesma” e.   em grande parte. “para si mesma” (cf. Baum, V., Das Ökosystem der tropischen Regeswälder, Giessen 1986, 39). É luxuriante mas num solo pobre em humus. Parece um paradoxo. Bem o esclareceu o grande especialista em Amazonas Harald Sioli:”a floresta, cresce, de fato, sobre o solo e não do solo” ( A Amazônia, Vozes 1985, 60). E o explica: o solo é somente o suporte físico de uma trama intrincada de raízes. As plantas se entrelaçam pelas raízes e se suportam mutuamente pela base. Forma-se um imenso balanço equilibrado e ritmado. Toda floresta se move e dança. Por causa disso,quando uma é derrubada, carrega várias outras.

A floresta conserva seu caráter luxuriante porque existe uma cadeia fechada de nutrientes. Há os materiais em decomposição no solo – a serapilheira – que são folhas, frutos, pequenas raízes, excrementos de animais silvestres . Eles são enriquecidos pela água que goteja das folhas e da água que escorre dos troncos. Não é o solo que nutre as ávores. São as árvores que nutrem o solo. Estes dois tipos de água lavam e carregam os excrementos dos animais arborícolas e animais de espécies maiores como aves, macacos, coatis, preguiças e outros, bem como a miríade de insetos que têm seu habitat na copa das árvores. Existem ainda uma enorme quantidade de fungos e outro sem-número de micro-organismos que juntamente com os nutrientes reabastecem as raízes. E pelas raizes, a substância alimentar vai às plantas garantindo a exuberância extasiante da Hiléia amazônica. Mas se trata de um sistema fechado, com um equilíbrio complexo e frágil. Qualquer pequeno desvio pode acarretar consequências desastrosas. O humus não atinge, comumente, mais que 30-40 centímetros de espessura. Com as chuvas torrenciais é carregado embora. Em pouco tempo aflora a areia. A Amazônia sem a floresta pode se transformar numa imensa savana ou até num deserto. Por isso que a Amazônia jamais poderá ser o celeiro do mundo. Mas continuará a ser o templo da maior biodiversidade.

Constatava o especialista da Amazônia Shelton A. Davls ainda em 1978 e vale para 2019:”Neste momento está sendo travada uma guerra silenciosa contra povos aborígenes, contra camponeses inocentes e contra o ecossistema da floresta na bacia amazônica” (Vítimas do milagre, Zahar 1978, 202). Até 1968 a floresta estava praticamente intacta. Desde então, com a introdução dos grandes projetos de hidrelétricas e do agronegócio e hoje sob o anti-ecologismo do governo Bolsonaro, continua a brutalização e devastação da Amazônia.

Lenardo Boff escreveu Todos os pecados mortais-ecológicos:a Amazônia, em Ecologia: grito da Terra-grito dos pobres, Vozes 2015,173-211.

 

 

La batalla del lenguaje y la palabra poética-Juan Muchnik

No 29º Festival Internacional de Poesía de Medellín que se realiza de29 de junho ao 6 de julho 2019 em Medellin-Colombia José Muchnik, engenheiro e antropólogo, exilado na França desde 1976 é também um exímio poeta e pensador escreveu a seguinte reflexão que nos ajudará a entender a atual crise da linguagem já que vivemos em tempos de falsidades – fake news – e da pós-verdade. Indica-nos caminhos para resgatar a verdade das palavras e das realidades que nelas se expressam. Lboff

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                La batalla del lenguaje y la palabra poética.

1 Lenguaje comunicación y poder: Humanismo o Barbarie en los comienzos del tercer milenio.

Desde sus orígenes los seres humanos tuvieron necesidad de comunicar con otros seres humanos para organizar su vida en sociedad. Sin lenguajes no hubieran sido posibles leyes, ni códigos, ni mitos que trasmiten los valores y creencias de diferentes culturas. En su comienzo, lenguaje de manos, gritos y gestos acompañando voces que devienen palabras cuando los grupos humanos le acuerdan un sentido común a las mismas. Luego, casi ayer, la escritura, sobre tablas de arcilla, piedras o pergaminos, los hombres trasmitiendo relatos y saberes. Ya comenzado el tercer milenio, en la “era digital”, la informática complejizó aún más los lenguajes y sus formas de transmisión. La batalla por el sentido que se le asignan a palabras y expresiones se presenta en cotidianos espectáculos, las imágenes / logos / emojis… con su fuerza simbólica, se asocian a los lenguajes existentes, confiriendo una nueva dimensión a las formas de comunicación. Las “fake news”, noticias falsas, mejor dicho falseadas, irrumpen, contaminan medios, prensa, redes, blogs… También irrumpe la pos verdad (post truth), se fabrican verdades a pedido. La instrumentalización política de las grandes bases de datos, el célebre big-data, deviene una actividad rentable. Cuando se vuelve difícil distinguir la verdad de la mentira, significa que “algo” muy grave está pasando.

Si la poesía y los poetas desean acercar palabras a la verdad, los comienzos del tercer milenio ofrecen un desafío de envergadura, ya que la función misma del lenguaje se está corrompiendo. Para que los hombres dialoguen, se entiendan y convengan las formas sociales y normas jurídicas que les permitan convivir, necesitan palabras para pronunciar el mundo sin confusiones, necesitan que libertad sea libertad, que justicia sea justicia, que humanidad sea humanidad, palabras para nombrar objetos, seres, sentimientos… El significado atribuido a esas palabas es fundamental, por eso el lenguaje se convierte en un campo de batalla entre diversas concepciones del mundo. Batalla menos visible que otras, pero no menos fundamental para decidir en qué tipo de sociedad queremos vivir, basada en qué tipo de relaciones entre los humanos y con la naturaleza. Batalla que se agudiza en momentos de crisis como el que estamos atravesando.

Cuando afirmo que el momento es grave, no peco de alarmismo, mido mis palabras. Para percibir dicha gravedad propongo leer “La lengua del Tercer Reich” (1947, Viktor Klemperer)[i], luego escuchar algunos discursos de los nuevos bárbaros, como Big Donald, Il duce Salvinissimo, Bolsofacho… (completad la lista). No se trata de establecer fáciles analogías, ya sabemos que todo se repite mas nada se repite, el objetivo es decorticar la manipulación del lenguaje, potencializada por nuevas tecnologías y medios de comunicación. “La lengua nazi […] impregna con su veneno las palabras y las formas de sintaxis, somete la lengua a su terrible sistema, que adquiere con la lengua su medio de propaganda más potente, más público y más secreto” (Viktor Klemperer 1947). La exclusión de la especie humana de judíos, gitanos, discapacitados y otras minorías comenzó por la lengua, una lengua que separaba lo “impuro”, las “escorias”, de la raza aria. Luego la “purificación” fue llevada a cabo a través de matanzas, campos de concentración, hornos crematorios… Expresiones como “pureza de sangre” “extranjero a la especie” “sub-humano” “racialmente inferior” se hicieron de uso cotidiano para designar a los “impuros”, a los que supuestamente profesaban un “odio profundo” de la sociedad alemana y que por la tanto había que exterminar. “El nazismo penetra a través de expresiones aisladas, de modismos, de formas de sintaxis que se encarnan / imponen a millones de personas, que las adoptaron de forma mecánica e inconsciente” (V.K 1947)

Por eso es grave que el presidente de la primera potencia mundial tome un rol activo en la diabolización de los inmigrantes, los “latinos”, sus vecinos, merecen una atención especial. Acusándolos de “invasores” “violadores” “traficantes de droga” “alimañas que nos infestan” en proveniencia de “países de mierda”, los erige en el enemigo número uno de los USA. Miles de gente desamparada, mujeres niños hombres ancianos familias, huyendo de guerras y miseria son calificadas de delincuentes. Repite y no se cansa de repetir, a través de todos los medios a su disposición, que “la existencia del país está en peligro debido a las olas de inmigración descontrolada” Repite y no se cansa de repetir que los estadounidenses son víctimas de los inmigrantes que les quitan sus trabajos, que son violadores, cometen delitos y matan a inocentes ciudadanos. “Make America great again” “America first”. Yo, Big Donald, salvaré los USA de esta horda invasora. Y sus discursos, su lenguaje, se imponen a la sociedad, estéis a favor o en contra de él, es su lenguaje que establece las pautas, y formatea las mentes.

Los nuevos bárbaros también hicieron irrupción en Europa, el duce Salviníssimo criminaliza inmigrantes, los erige en enemigos de los valores de la gran Italia. Su lenguaje construye día a día una división entre italianos con valores tradicionales (familia, costumbres, religión…) y los otros, los gitanos, izquierdistas, sucios che arrivano a fare casino (llegan a hacer kilombo). Infringiendo todas las leyes de navegación en vigor, prohibió a los barcos que socorren náufragos de amarrar en puertos italianos. “La pacchia è finita» (se “terminó la fiesta”), es una de sus expresiones favoritas, dirigida a miles de desesperados que se atreven a cruzar el mediterráneo a riesgo de sus vidas. El cinismo es inmenso, como si esos miles de miles de miserables, estuviesen haciendo la fiesta, pero no importa, los insultos, la estigmatización queda. Entre los enemigos de Italia también sitúa a las ONG, asociaciones, intendentes… que son solidarios de los inmigrantes. Para ellos acuñó la expresión “buonistas”[ii] invirtiendo la significación de “buono” para transformarlo en un calificativo peyorativo, ser bueno no está bien le está diciendo a las personas y organismos dedicados a la asistencia humanitaria. Por supuesto la manipulación del lenguaje va acompañada con la supresión de presupuestos, el arsenal jurídico “necesario” y la represión física de los “buonistas”. El mensaje: si queréis ser “buenitos” mirad lo que os espera.

Lo alarmante es que ese lenguaje, y la xenofobia que transmite, ganan el espíritu de sectores crecientes de la población, que la crisis del capitalismo financiero y el empeoramiento de las condiciones de vida constituyen un terreno fértil para esa ideología. No es inútil subrayar que los nuevos bárbaros subieron al poder por el voto mayoritario de los electores. “El que gana es el que logra imponer su lenguaje a su adversario” (George Lakoff)[iii] Este lingüista americano, insiste sobre el hecho de que la decisión de los electores no es racional y analítica, sino que es el resultado de una asociación de ideas e imágenes articuladas por un marco narrativo (“framing”). De ahí la importancia de imponer al debate sus propias narrativas, metáforas, léxicos y lenguaje, en los cuales los electores puedan reconocerse. Big Donald, duce Salviníssimo, Bolsofacho… los nuevos bárbaros saben cultivar muy bien este terreno.

La disyuntiva “Humanismo o Barbarie” se está desplegando bajo nuestros ojos, hic et nunc (aquí y ahora). O sostenemos que todos los humanos tienen derecho a una vida digna, independientemente de su raza, su religión, su nacionalidad, su sexo… en acuerdo con la declaración universal de los derechos humanos de la ONU de 1948, o sostenemos que estos o aquellos, hombres y mujeres, son sub-humanos, que entonces pueden ahogarse por miles en el Mediterráneo, morirse de sed en un desierto, el de Sonora o el de Sahara poco importa, y construimos lenguajes para fundamentar / justificar las matanzas, y muros para que los “invasores” no los contaminen. El desafío es vital, la batalla del lenguaje se desarrolla en todos los frentes: político, económico, científico, educativo, periodístico…

2 Rapto de palabras, los hackers del lenguaje

El rapto de bellas mujeres fue una constante en la historia de la humanidad, el rapto de bellas palabras pasó más desapercibido. Palabras con una carga simbólica positiva son sometidas / instrumentalizadas, puestas al servicio del paradigma socio-económico dominante. El rapto de la palabra “libertad” es emblemático, se sirvieron de ella para embellecer el “marketing” de un sistema “neo-esclavista”. Así forjaron el libre mercado, uno de los fundamentos de la teoría económica dominante. Nadie vio la “mano invisible” del mercado que debería regular los intercambios, como lo afirma Adam Smith en su tratado hacia fines del siglo XVIII[iv]. Nadie demostró tampoco la ley de la oferta y la demanda[v], que deberían cruzarse en un punto representativo del precio de equilibrio. Esperamos siempre el equilibrio de un “libre mercado” que no es libre, ni el mercado de productos, ni el mercado de capitales, ni el mercado de trabajo. ¿Cuál es la libertad del trabajador? ¿Cambiar su tiempo por un salario fijado por reglas que no controla en absoluto? La expresión “libre mercado” es un viejo engaño que ya dura siglos, hay un mercado, pero no es libre, depende de relaciones de poder económicas y políticas. Mismo análisis podríamos aplicar a expresiones como “libre intercambio” “libre competencia” “libertad de oportunidades”… ¿Y la palabra “neo-liberalismo”? Usada para calificar al pensamiento económico dominante ¿Qué tienen de liberal sus partidarios? El liberalismo fue un movimiento iniciado en el siglo XVII por John Locke[vi] que defendía las libertades individuales frente al poder absolutista de los estados monárquicos, su filosofía inspiró a pensadores franceses como  Voltaire y Rousseau, que influyeron en la fundación de los estados republicanos. Los llamados “neoliberales” en el siglo XXI, defienden por el contrario el poder absolutista de las grandes compañías multinacionales, y atacan el poder de los estados republicanos. El “neoliberalismo” no tiene nada de liberal, salvo la palabra “libertad” que lograron raptar. ¿Quién es libre Libertad?

El hackeo del lenguaje se difunde de manera sutil y permanente. En algunos casos a fuerza de pronunciar una palabra, una expresión, creemos que la realidad coincide con ella, pero a menudo la realidad se sitúa en las antípodas de lo que se dice, para distinguir dicha realidad debemos invertir ciertas formulaciones del lenguaje, como con los viejos negativos de fotos, en la realidad los claros son los obscuros y los obscuros son los claros. Una palabra ejemplar en este sentido es « globalización », a fuerza de pronunciarla creemos que es cierta. Pero en los hechos, lo único que se globaliza son ciertas tecnologías y mercancías. Es cierto que usamos el mismo teléfono Samsung, en Corea, Japón o Colombia, pero si nos detenemos un poco constatamos que lo que caracteriza esta época es la fragmentación, fragmentación social, económica y política que tiende a acentuarse en todas las latitudes. Empobrecimiento, polarización de ingresos, exclusión social creciente, separatismos regionales, crisis de las grandes urbes con desarrollo de “no mans land” al interior de las mismas, barreras crecientes a la circulación de personas… Más que a una “gran globalización” estamos asistiendo a una “gran fragmentación”.

El método de inversión del sentido puede aplicarse a numerosas palabras / expresiones de moda. Si escuchan el vocablo “sostenible” con tanta insistencia, “desarrollo sostenible” “políticas sostenibles”, “tecnologías sostenibles”. Están revelando lo contrario, el carácter insostenible de un mundo, en el que las guerras, las crisis financieras, los cambios climáticos y del medioambiente, muestran nuestra fragilidad, el hecho de que no podremos sostenernos por mucho tiempo si continuamos así. De la misma manera que el coro de voces diversas en defensa de la “seguridad alimentaria” señala que estamos cada vez menos seguros de nuestra alimentación.

En esta batalla, el lenguaje es maquillado, instrumentalizado de numerosas e ingeniosas maneras, según la voluntad de los detentores del poder. ¿Escucharon hablar de “optimización fiscal”? Expresión que tuvo un éxito inusitado, ampliado por la revolución digital que facilita los flujos financieros hacia los “paraísos fiscales”. En realidad se trata de multimillonarias evasiones impositivas, hacia “guaridas fiscales” donde operan bancos y consultoras especializadas en este tipo de fraude, al servicio de sociedades y personas multimillonarias (pobres y clases medias abstenerse). Convengamos que llamarse “Especialistas en optimización fiscal” es mucho más apropiado que llamarse “Especialistas en evasión impositiva” para estos “facilitadores” de estafas. Como es sabido este fraude multimillonario influye en los equilibrios fiscales de los estados, justificando la intervención de los “ajustadores” (otra palabra raptada)… Y todos terminarán “ajustados”, salvo algunos pocos, los que poseen pinzas, bulones y tuercas, para realizar los “ajustes estructurales”, con la asistencia y sabios consejos del FMI, de entidades bancarias y “reguladoras”. Una vez más conviene leer al revés, más que “ajustes estructurales” se trata de “ajustes desestructurantes” de los estados nacionales, desestructuran las industrias locales, la enseñanza, la investigación, los servicios de salud, los servicios de transporte…

El ejercicio sería interminable, el interés es llamar la atención, sobre el nivel al que ha llegado la manipulación del lenguaje. Los invito a seguir descosiendo las falsas formulaciones de moda. Un último ejemplo para estimularlos a continuar este ejercicio. Tomemos la “volatilidad de precios” expresión que se ha puesto de moda para designar las fuertes oscilaciones de ciertas materias primas debido a las especulaciones bursátiles. El trigo, el arroz, el maíz… y otros alimentos básicos figuran entre las víctimas de dicha “volatilidad”. Convengamos que las expresiones “precios especulativos” y “especuladores”, aunque pequen de franqueza, serían mucho más apropiadas para designar a los que con su accionar financiero provocan alzas y bajas inesperadas de las “commoditys”, y con ello la muerte de hambre de cientos de miles de personas. ¡Qué importa! Optimizar los beneficios es el objetivo. “Sefikill”[vii] sería la palabra adecuada para designar a esos especuladores. Volver a dar sentido a las maneras de nombrar los seres y las cosas es una tarea fundamental para que entre humanidad y barbarie, sea la humanidad que prime, la historia muestra que no es fácil, que a menudo es lo contrario que ha sucedido.

¿Tienen los poetas “algo que decir” en esta batalla?

3 La palabra poética

Precisemos en primer lugar que la calificación “poetas sociales” no es correcta, pues todos los poetas son sociales en la medida en que se expresan con una lengua, ella misma producto de la sociedad. Todos los poetas de manera implícita o explícita, reflejan las evoluciones sociales. Víctor Hugo manifestó, en un contexto político social tenso marcado por la lucha entre republicanos y monárquicos, la toma del poder por Napoleón III y la instalación del 2do Imperio: “El poeta en días impíos / Viene a preparar días mejores / Es el hombre de las utopías/ Los pies aquí los ojos más allá / Es él que sobre todas las cabezas / En todos los tiempos, como los profetas / En su mano donde todo puede caber / Debe, que lo insulten o lo alaben / Como una antorcha que sacude / Hacer brillar el futuro[viii].

El poeta puede contribuir a esclarecer, alertar, pronunciar el mundo de otra manera para acercarnos a la verdad, a remover las capas de grasa y humo que recubren el leguaje, que confunden y deforman la realidad. En este sentido la poesía es mucho más que una expresión artística, es una manera de estar en el mundo, es una fuente de supervivencia “un arma cargada de futuro […] como una pulsación que golpea las tinieblas […] poesía necesaria como el pan de cada día / como el aire que exigimos tres veces por minuto” (Gabriel Celaya)[ix].

La poesía no está en los textos, está en la vida, el poeta trata de plasmar la poesía de la vida en el poema, que será siempre una aproximación, un intento de traducir emociones en palabras, como lo expresa Arthur Rimbaud: “poesía fijar vértigos”. El poema trata de dar palabras y silencios, sonidos y ritmos, para transmitir la emoción de una hoja que tiembla, trata al mismo tiempo de condensar el lenguaje y de hacerlo estallar, como una gota de perfume cayendo sobre la superficie de las palabras, produciendo ondas y fragancias inesperadas. Por eso la poesía y el poeta molestan, por eso el lenguaje poético se ve, en general, excluido del lenguaje político, económico, científico…

¿Puede contribuir la poesía al conocimiento de los hombres y de las sociedades humanas? ¿Puede la poesía contribuir al conocimiento de las crisis que atravesamos? Para intentar una respuesta precisemos que la experiencia poética no es sólo literaria, concierne la vida en todas sus dimensiones. La poesía, condensación ritmada del lenguaje, existe mucho antes que la escritura. La poesía también fue una herramienta de memorización, que ha permitido la transmisión oral de mitos, ritos, saberes y conocimientos, en los cantos que han acompañado la labor de los agricultores o de los herreros, en las fórmulas mágicas para curar enfermedades, convocar a los dioses o acompañar a los muertos en su misterioso viaje.

En estos comienzos del siglo XXI diríamos que la poesía molesta, sobre todo cuando se mezcla con lo cotidiano, cuando inyecta sangre y pulsaciones en mensajes que al adquirir vida pueden resultar peligrosos, pueden revelar lo “no dicho”. Por eso la poesía se ve excluida, no sólo del dominio editorial, sino de las grandes consultaciones y decisiones que conciernen el futuro del planeta y la humanidad. ¿Por qué no invitan poetas a las grandes deliberaciones sobre el cambio climático? ¿O a los grandes foros económicos? ¿O las negociaciones de paz en zonas de conflicto? Parecería que el deseo de Platón de “expulsar los poetas de la Ciudad ideal”, se ha satisfecho. Para tratar de cosas que queman prefieren enfriar el lenguaje. La poesía por el contrario, pone las palabras en erupción, descienden las cuestas como lava recién nacida, incinerando la hipocresía a su paso. El enfriamiento del lenguaje lo comprobamos en situaciones extremas como en los centros de tortura de la última dictadura en Argentina (1976-1983), no eran centros de tortura, eran “chupaderos”, “pozos”, no había salas de tortura, había “quirófanos”, “salas de máquina”, no se asesinaba a los secuestrados se los “trasladaba”… Lo comprobamos en el lenguaje de todos los días, en los esfuerzos por neutralizarlo / deshidratarlo, extraerle las partículas emotivas. “Sin domicilio fijo” a fuerza de repetir la expresión se va esfumando la imagen de la gente tirada en la calle, fijo o no fijo el problema de millones de personas en el contexto de crisis actual es la pérdida de la casa, de un techo, deambulan en el metro de Paris o Madrid, en las calles de Calcuta o Rio de Janeiro, en los parkings de Dublín o Filadelfia… De a poco “sin domicilio fijo” es reemplazada por SDF (sigla usada en Francia con este fin), las siglas ayudan a enfriar aún más la denominación de ciertos fenómenos sociales en expansión y al mismo tiempo contribuyen a no sentirlos, a no pensarlos.

Tal vez no sería exagerado afirmar que para entender la crisis y resolver las urgencias sociales, económicas, medioambientales, habría que aceptar que hay también un estado de urgencia poética, los nuevos paradigmas de sociedad, las nuevas formas de producción, de intercambio, de gestión de los recursos naturales, de urbanización, de… no saldrán repentina y únicamente de la investigación científica como del muslo de Júpiter. “En nuestra época una de las más altas perspectivas del espíritu es la recomposición o la recuperación de la unidad del hombre a través de la poesía. Desde este punto de vista, pensar y sentir son una sola y misma cosa, como la inteligencia y el amor, la acción y la contemplación. […] El destino del poeta moderno es reunir el pensamiento, la imaginación, el amor, la creación. […] Porque la poesía es el mayor realismo posible, en su tentativa de unir al hombre dividido y fracturado, fundando los elementos dispersos en un todo”[x]

Sin duda que necesitamos nuevos saberes, pero sobre todo necesitamos un saber nuevo, un saber de una nueva calidad, un saber basado sobre un principio de unificación de las diversas formas de conocimiento, de las diversas experiencias del mundo, la experiencia poética es un componente esencial de este proceso.

Que vuelvan Poesía y poetas a la ciudad real, la ciudad ideal no existe.

[i] La lengua del tercer Reich: Lingua Tertii Imperii (LTI), publicado por primera vez en Alemania en 1947, edición en español, Editorial Minúscula, Barcelona, 2001.

[ii] Buonista, de “buono”, bueno en italiano.

[iii] George Lakoff, , 1990, “Don’t think of an elephant”, Ed. New York Time Bestsellers

[iv] Adam Smith, tratado sobre la Riqueza de las Naciones

[v] Esta ley se formalizó en la segunda mitad del siglo XIX, basada en las ecuaciones de Léon Walras, en la línea de pensamiento de Adam Smith.

[vi] John Locke (16321704) fue un filósofo y médico inglés, considerado como uno de los fundadores del liberalismo

[vii] SEFIKILL : Serial Financial Killers, 2014, José Muchnik, Ed. Ciccus, Buenos Aires.

[viii] Victor Hugo, « Fonction du poète » (1839), en « Les Rayons et les Ombres » (1840)

[ix] Gabriel Celaya, poeta español (Hernani 1911 – Madrid 1991)

[x] Roberto Juarroz, 1987, “Poésie et réalité”, pp 19, 20, ed. Lettres Vives, Francia.

 

 

Os 10 mandamentos para salvar o planeta, a humanidade e a vida: Evo Morales Ayma

O Presidente da Bolívia, Evo Morales Ayma se notabilizou mundialmente por propor os 10 mandamentos para salvar o planeta, a humanidade e a vida. Proclamou estes 10 mandamentos num famoso discurso na ONU no dia 22 de abril de 2002 quando foi aprovado unanimemente que este dia, 22 de abril, não seria simplesmente o Dia da Terra mas o Dia da Mãe Terra. Nestes mandamentos ressoam as vozes dos povos originários como os andinos que muito nos tem a ensinar sobre como tratar a Terra como Máe e como realizar o “bien vivir” entre todos os humanos e também entre todos os seres da natureza. Eu estava presente nesta sessão e ouvi seu discurso como um dos mais comoventes já vividos em minha vida. Começou dizendo:” eu, representante dos povos humildes da Terra, venho de joelhos, pedir a todos que não continuem a maltratar a Mãe Terra que já está doente”. Para romper esta violência prop0os 10 mandamentos de como salvar a Pacha Mama, a humanidade e a vida. Reproduzimos aqui os 10 mandamentos pois podem inspirar a muitos que se preocupam com a Casa Comum e seu futuro. Lboff
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Nosotros, los pueblos indígenas del planeta, hemos sentido y practicado siempre un gran respeto por la Madre Tierra. Para nosotros, la Madre Tierra es la Vida misma, y por eso vivimos durante miles y miles de años en armonía con la naturaleza.

Hoy nuestra Madre Tierra está gravemente enferma. El planeta tiene fiebre. Nunca antes hemos visto cómo desaparecen los nevados y los glaciares. Nunca antes hemos visto cómo desaparecen miles de especies de animales y plantas. Nunca antes hemos sido testigos de tantos desastres sociales y ambientales, cada vez más fuertes y frecuentes.

Estamos en un momento de la historia en el que debemos tomar decisiones, antes que la naturaleza las tome por nosotros. Si la temperatura del planeta sigue subiendo y no hacemos nada, el impacto del cambio climático puede tener consecuencias fatales para el planeta, la humanidad y la vida.

Ya no tenemos mucho tiempo. Debemos actuar rápidamente. Este milenio que apenas ha empezado debe ser el Milenio de la Vida, el Milenio de la Esperanza, el Milenio de la Armonía entre seres humanos y la naturaleza.

Por eso propongo estos 10 Mandamientos para salvar el planeta, la humanidad y la vida.

1.Acabar con el capitalismo

Ya no quedan dudas de que el cambio climático es el resultado de la actividad humana. Miles de científicos de todo el mundo han dicho su palabra. Ya no quedan dudas de los terribles efectos que puede causar un aumento de la temperatura del planeta en las próximas décadas.

Todos sabemos ahora que el calentamiento global del planeta se debe a la emisión de dióxido de carbono. Y todos sabemos que la emisión de dióxido de carbono se debe al uso excesivo del petróleo y otras energías fósiles. Por eso en todo el mundo se realizan campañas para consumir menos petróleo, reducir las emisiones de carbono, reciclar la basura y proteger el medio ambiente.

Ahora ya sabemos que si la temperatura del planeta aumenta entre uno y seis grados centígrados en los próximos 100 años, desparecerían entre un quinto y un tercio de todas las especies de flora y fauna del mundo. Ese aumento provocaría, además, la inundación de islas y costas en las que viven millones de personas.

Los científicos nos han dicho, sin embargo, que esas campañas no han logrado frenar el calentamiento global del planeta.

Nosotros, los pueblos indígenas, sabemos que esas campañas no enfrentan la causa estructural que ha provocado la más grave de todas las enfermedades que sufre la Madre Tierra.

Nosotros sabemos que para curar a la Madre Tierra es necesario tener conciencia de que esa enfermedad tiene nombre y apellido: el sistema capitalista mundial.

No es suficiente ni justo decir que el cambio climático es sólo el resultado de la actividad del ser humano sobre el planeta. Hace falta decir que es un sistema, una manera de pensar y sentir, una manera de producir riqueza y pobreza, un patrón de “desarrollo”, que nos está llevando al borde del abismo.

Es la lógica del sistema capitalista la que está destrozando el planeta, es la ganancia, la obtención de más y más ganancia por sobre todas las cosas. Es la lógica de las empresas transnacionales a las que sólo les importa aumentar las utilidades y bajar los costos. Es la lógica del consumo sinfín, de la guerra como instrumento para adueñarse de mercados y recursos naturales, y no importa si para conseguir más mercados y más ganancia se tiene que destruir los bosques, explotar y despedir trabajadores y privatizar los servicios esenciales para la vida humana.

Es en la competencia y el lucro, el motor del sistema capitalista, donde debemos encontrar el origen, las causas y explicaciones del cambio climático.

Para el capitalismo no hay ningún objeto sagrado ni digno de respeto. En manos del capitalismo todo se convierte en mercancía: el agua, la tierra, el genoma humano, las culturas ancestrales, la justicia, la ética, la muerte… la vida misma. Todo, absolutamente todo, se vende y se compra en el capitalismo. Y hasta es posible que el propio cambio climático termine convirtiéndose en  mercancía.

2. Renunciar a la guerra

No hay peor agresión a la Madre Tierra y a sus hijos que la guerra. La guerra destruye la vida. Nada ni nadie puede excluirse de una guerra. Sufren los que pelean y los que se quedan sin pan por alimentar a la guerra. Sufre la tierra y la biodiversidad. Nunca más el medio ambiente volverá a ser el mismo después de una guerra.

Las guerras son el más grande despilfarro de vida y de recursos naturales. Nosotros los bolivianos sabemos lo que significa una guerra. En la Guerra del Pacífico, en el siglo XVIII, perdimos nuestra salida al mar. Fue una guerra promovida por las empresas inglesas asentadas en Chile que querían el control del guano, el salitre y el cobre. En la Guerra del Chaco, entre los años 1932 y 1936, Bolivia y Paraguay entregaron la vida de más de 90 mil combatientes. Fue una guerra causada por la ambición de dos grandes transnacionales petroleras: la Standard Oil y la Shell. Perdimos también el Acre boliviano porque era una zona rica en goma y caucho.

Esas son las razones históricas que nos han obligado a incluir un artículo en nuestro proyecto de nueva Constitución Política del Estado que expresamente dice:

“Bolivia es un Estado pacifista, que promueve la cultura de la paz y el  derecho a la paz, así como la cooperación entre los pueblos de la región y del mundo, a fin de contribuir al conocimiento mutuo, al desarrollo equitativo y a la promoción de la interculturalidad, con pleno respeto a la soberanía de los estados. Bolivia rechaza toda guerra de agresión como instrumento de solución a los diferendos y conflictos entre estados…” (Art. 10).

No podemos caer en el engaño. Mientras subsista el capitalismo subsistirán los efectos del cambio climático; mientras exista el capitalismo las emisiones de carbono seguirán aumentando, la frontera agrícola se irá ampliando y la basura continuará inundando el planeta. No nos engañemos, los ideales de una vida libre y digna son incompatibles con el modo de vida del capitalismo.

Si queremos iniciar una discusión seria y sincera sobre el cambio climático tenemos que saber que se trata la lucha entre dos formas de vida, entre dos culturas: la cultura de la basura y la muerte, y la cultura de la vida y la paz. Ésta es la esencia de la discusión sobre el cambio climático.

Para preservar el planeta, la vida y la propia especie humana, debemos acabar con el capitalismo.

Hay que reafirmar elderecho a la paz, así como la cooperación entre los pueblos de la región y del mundo, a fin de contribuir al conocimiento mutuo, al desarrollo equitativo y a la promoción de la interculturalidad, con pleno respeto a la soberanía de los estados. Bolivia rechaza toda guerra de agresión como instrumento de solución a los diferendos y conflictos entre estados…” (Art. 10).

Ahora, en pleno siglo XXI, las guerras son más sofisticadas, pero las razones que las promueven siguen siendo las mismas. Hoy, sin embargo, los pueblos del mundo contamos con la información que nos permite denunciar el despilfarro de los recursos destinados a la guerra.

El gasto total de los EE.UU. en la guerra de Iraq podría haber cubierto la totalidad del dinero necesario para cubrir todas las inversiones en energías renovables mundiales de aquí a 2030, para reducir la tendencia al calentamiento global.

La guerra en Irak ha sido responsable de al menos 141 toneladas métricas de dióxido de CO2 equivalente desde marzo de 2003. Esta cantidad emitida de CO2 equivale a las emisiones de 25 millones de coches.

Si las emisiones de la guerra se contasen como si fueran las de un país, este emitiría más CO2 anualmente que el que emiten al año 139 países.

Barack Obama habia prometido invertir 150.000 millones de dólares en los próximos 10 años para la próxima generación en tecnología e infraestructuras de la energía verde. Los EEUU gastaron casi esa cantidad en 10 meses en Irak.

El presupuesto militar de todos los países del mundo supera los 1.100 billones de dólares al año6. Estados Unidos es responsable de casi la mitad de este presupuesto; Japón, Gran Bretaña, Francia y China son responsables del 17 por ciento de ese presupuesto. Varios estudios muestran que con sólo 24 billones de dólares al año -el 2,6 por ciento del presupuesto destinado a la guerra- se podría reducir a la mitad la población que sufre hambre en el planeta. Otro dato: con sólo 12 billones de dólares -el 1,3 por ciento del presupuesto mundial para la guerra- se podría garantizar salud reproductiva a todas las mujeres del mundo.

En base a esas cifras, los pueblos del mundo tenemos derecho a preguntar: ¿cómo se puede entender que con una mano se recauden cientos de millones de dólares destinados a combatir el cambio climático y que, con la otra mano, se gasten miles de millones de dólares en los presupuestos de la muerte y la destrucción?

Hay una sola respuesta a esa pregunta: no hay capitalismo sin guerra, la guerra es una de las grandes industrias del capitalismo, la segunda industria más grande a nivel mundial.

Una vez más, no podemos caer en la trampa del engaño. Si queremos salvar al planeta tenemos que acabar con la industria de la muerte y la destrucción; tenemos que asumir la Cultura de la Paz y la Vida como guía para resolver los problemas y conflictos del mundo; tenemos que renunciar a la carrera armamentista e iniciar el desarme para garantizar la preservación de la vida del planeta.

Nosotros, los pueblos indígenas del planeta, debemos decirle al mundo que creemos que los millones y millones de dólares que hoy se destinan a la industria de la muerte deben destinarse a un gran fondo común para salvar al planeta, la humanidad y la vida.

3.Un mundo sin imperialismos ni colonialismos

El sistema capitalista lleva en sus entrañas al imperialismo y al colonialismo. Dominar al otro, someter al otro, controlar al otro y subordinar al otro, son las formas de “vida” de este modelo de “desarrollo” basado en la competencia y no en la complementariedad.

Nosotros, los pueblos indígenas del mundo, somos los que más hemos padecido las consecuencias del colonialismo y el imperialismo. No solamente nos han despojado de nuestros territorios en nombre de la “civilización”, sino que han pretendido despojarnos de nuestra identidad. Han querido “civilizarnos” como si fuéramos animales sin alma.

El colonialismo y el imperialismo parten de la premisa de que hay un mundo por descubrir, un mundo por conquistar, un mundo por dominar.

Durante siglos, imperialistas y colonialistas han querido imponernos la idea de que el Norte es quien tiene que enseñar y el Sur quien tiene que aprender.

El colonialismo y el imperialismo conciben un mundo dividido y fragmentado. En un lado están ellos y en el otro lado nosotros, el resto del mundo. Durante siglos, han dividido el mundo en dos: un mundo de prosperidad y progreso, y un mundo de atraso y descuido, un mundo “desarrollado” y un mundo “subdesarrollado”.

Sucede que ahora, ante la tragedia del medio ambiente que vive el planeta, somos “todos” responsables, los “desarrollados” y los “subdesarrollados”. Esto no es verdad, esto es una impostura.

Desde 1860, Europa y Norteamérica han contribuido con el 70 por ciento de las emisiones de Dióxido de Carbono que están provocando el efecto invernadero que sobrecalienta el planeta; el principal responsable de la sobreexplotación de los

bosques, la flora, la fauna, el agua, los minerales y el petróleo es el Norte “desarrollado”. Es el Norte “desarrollado” el que ha basado su crecimiento económico en la mayor utilización de los recursos mundiales y en el saqueo de los países del Sur.

No vamos a pisar la trampa: ¡es el Norte “desarrollado” quien tiene una inmensa deuda ecológica con el Sur y con el mundo entero!

En el mundo del “desarrollo” capitalista y en el foro que reúne a todos los países, la Organización de Naciones Unidas (ONU), no todos los países somos iguales. En la ONU hay países de primera y hay países de segunda. Los países de primera son los países que tienen el derecho a veto. De los 189 países de la ONU, un puñado de cinco países vitalicios, en el llamado Consejo de Seguridad, tienen el poder de impedir cualquier acuerdo con un sólo voto, con su propio voto.

Este es otro ejemplo de imperialismo y colonialismo en pleno siglo XXI. Nosotros, los pueblos indígenas del mundo, creemos que es necesario democratizar efectivamente el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas. Ya no deben haber miembros vitalicios con derecho a veto. Todos debemos tener los mismos derechos.

Un mundo de naciones con los mismos derechos debe ser un mundo donde se reconozcan las diferencias y las asimetrías entre países, un mundo donde se tomen en cuenta los desbalances entre regiones y países, un mundo donde se otorgue un trato diferenciado y más favorable a las economías mas pequeñas.

No es posible competir en condiciones de igualdad en un mundo desigual. En vez de competencia debe haber complementariedad. Debemos tomar en cuenta las particularidades, las diferencias, las fortalezas y debilidades de cada país y de cada región. Debemos buscar complementarnos y no competir entre nosotros.

Un mundo multipolar es un mundo sin imperialismos ni colonialismo, un mundo más equilibrado, sin centros hegemónicos de poder, diverso y complementario.

4. El agua como derecho de todos los seres vivos

Sin agua no hay vida. La provisión de agua dulce está disminuyendo a nivel mundial. Una persona de cada cinco ya no tiene acceso al agua potable7. Casi una de cada tres personas no dispone de medios de saneamiento adecuados. De todas las crisis sociales y naturales que afrontamos los seres humanos, la del agua es la que más afecta a nuestra propia supervivencia y la del planeta.

Se prevé que en los próximos 20 años el promedio mundial de abastecimiento de agua por habitante disminuirá en un tercio. Son tres las causas de este desastre: el crecimiento de la población, el crecimiento de la contaminación y el cambio climático.

Según un informe de Naciones Unidas, a mediados de este siglo, y en el mejor de los casos, dos mil millones de personas en 48 países sufrirán de escasez de agua.

No todos tienen el mismo acceso al agua. Los niños nacidos en países “desarrollados” consumen entre 30 y 40 veces más agua que los nacidos en países “en desarrollo”. Los más afectados siguen siendo los pobres, ya que el 50 por ciento de la población de los países “en desarrollo” está expuesta al peligro que representan las fuentes de agua contaminada.

A mediados de este siglo el planeta habrá perdido 18.000 kilómetros cúbicos de agua dulce, una cantidad nueve veces mayor que la se utiliza cada año para el riego9.

Para el año 2020, hasta 250 millones de habitantes de África subsahariana afrontarán escasez de agua, y en algunos países la producción de alimentos podría reducirse a la mitad, según el informe del Panel Intergubernamental en Cambio Climático (IPCC) organizado por Naciones Unidas.

Ciertas regiones de Asia se verán en peligro por el derretimiento de los glaciares en regiones montañosas como el Himalaya. En Bolivia los grandes nevados están perdiendo su poncho blanco. La Comisión Económica para América Latina y el Caribe ha estimado en 517 millones de dólares, un 5.4% del PIB de Bolivia, las pérdidas sufridas por las inundaciones recientes sufridas por el efecto denominado “La Niña”.

Para enfrentar esta crisis mundial del agua debemos empezar por declarar el acceso al agua como un derecho humano y, por lo tanto, como un servicio público que no puede privatizarse.

Si el agua se privatiza y mercantiliza, no podremos garantizar agua para todos. Es fundamental asumir el agua como un derecho humano.

Nosotros, los pueblos indígenas del planeta, le decimos al mundo: el agua, como derecho de todos los seres vivos y de la misma Madre Tierra, tiene que ser preservado y protegido del libre mercado y de los acuerdos comerciales; el agua, como derecho de todos,

debe ser excluida de la Organización Mundial del Comercio; el agua y los servicios de agua potable, como derecho de todos los pueblos, debe estar fuera de las leyes del mercado y el lucro.

Los pueblos indígenas estamos empeñados en organizar y promover una Convención Internacional del Agua para consagrar el agua como derecho humano, para proteger las fuentes de agua y evitar su privatización y acaparamiento por unos pocos.

Garantizar el agua como derecho humano y como derecho de todos los seres vivos, es una tarea impostergable para salvar el planeta, la humanidad y la vida.

En el año 1751 se estima que las emisiones de dióxido de carbono provenientes de la quema de combustibles fósiles era de 3 millones toneladas. En el año 2006 se emitieron a la atmósfera 8.379 millones de toneladas de dióxido de carbono.

5.Energías limpias y amigables con la naturaleza

Unos cuantos datos nos permiten entender qué está pasando en el mundo en cuanto al uso de energías y su relación con la naturaleza.

En la actualidad hay más dióxido de carbono en la atmósfera que en cualquier momento de los 650.000 años anteriores. En el 2007, la concentración atmosférica de dióxido de Carbono era 37 % mas que al comienzo de la revolución industrial.

En sólo dos siglos se ha consumido gran parte de energía fósil creada en millones de años.

¿Y qué se puede decir del petróleo? Estamos viviendo el principio del fin de la era del petróleo. Si el ritmo de la producción de petróleo continúa como hasta ahora, y siempre que no se encuentren nuevos y grandes yacimientos, las actuales reservas mundiales durarían apenas unos 50 años. Las únicas reservas mundiales de petróleo que crecen son las de los países árabes, pero se estima que comenzarán a disminuir a partir del año 2010. Parece acercarse una crisis energética del mundo industrializado nunca antes vista.

Como todos sabemos, el precio del petróleo se ha ido disparando en las dos últimas décadas. Desde el principio del siglo XXI hemos vivido los años más calientes de los últimos 1.000 años.

El llamado Panel Intergubernamental sobre el Cambio Climático, organizado por la ONU, ha aconsejado reducir las emisiones de carbono en un 60 por ciento. Gobiernos como el del Presidente George Bush se niegan a oír ese consejo. Peor aún, ese Gobierno se pasando de 18 dólares el barril en 1988 a 124 dólares por barril en el 200810. A pesar de haberse multiplicado por seis el precio del petróleo, las emisiones de dióxido de carbono no han disminuido. Todo indica que esta situación obligará a los países de Norteamérica a volver a producir carbón. De hecho, la producción de plantas de generación de energía alimentadas por carbón en Estados Unidos ha crecido notablemente en los últimos años. En febrero de 2004 se habían planificado al menos 100 nuevas plantas de generación eléctrica con carbón en más de 36 Estados. Si se llega a poner en funcionamiento la mitad de esas plantas, tendremos un nuevo factor de incremento de las emisiones de carbono.

A este panorama se suma la producción de los llamados biocombustibles, que no es una solución al problema del cambio climático, y que más bien podrían agravarlo.

Un informe de la Organización de Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimentación11, dice que la disponibilidad de alimentos puede verse amenazada por la producción de biocombustibles en el momento en que la tierra, el agua y otros recursos ya no se destinan a la producción de alimentos. Este fenómeno ya lo estamos viviendo en Bolivia.

Como todos sabemos, la demanda de maíz y soja ha aumentado rápidamente en los últimos años, desde que se comenzó a hablar de biocombustibles, poco después del año 2000. Desde esa fecha han subido los precios de esos dos productos y, por tanto, se destina cada vez más hectáreas de tierra para producirlos y menos para el trigo, por ejemplo. Esto ha  producido, como era de esperar, un aumento en el precio del trigo y, por tanto, en el de la harina y el pan. La subida del precio de la soja, a su vez, impactó en el precio de los aceites para cocinar. El pollo, la carne de ganado y los lácteos también subieron, puesto que todos estos animales son grandes consumidores de maíz y soja. Toda esta cadena de efectos negativos en la economía popular la estamos viviendo en este momento en Bolivia.

Hoy, hasta el Banco Mundial y el Fondo Monetario Internacional dicen que el actual alza mundial en el precio de los alimentos se debe en parte a la producción de los biocombustibles.

Y hasta un conocido diario de Estados Unidos, The New York Times, dice que el mundo “desarrollado” está provocando efectos negativos a la crisis económica “al respaldar la producción de biocombustibles”.

A esto hay que añadirle, un informe elaborado por un grupo de científicos relacionados al Premio Nóbel de Química, Paul Crutzen, que dice que la aplicación de fertilizantes en los campos destinados a biocombustibles genera grandes cantidades de óxido nitroso, uno de los gases causantes del llamado “efecto invernadero”.

Por todos estos datos, no nos equivocamos quienes decimos que alimentar de gasolina a los autos es lo mismo que quitarles alimento a los seres humanos.

El planeta necesita controlar el consumo excesivo de energía y desarrollar energías alternativas. La energía solar, la geotérmica, la energía eólica, la hidroeléctrica en pequeña y mediana escala son opciones que debemos impulsar.

El desarrollo de energías limpias y amigables con la naturaleza es otra de las tareas fundamentales para salvar el planeta, la humanidad y la vida.

6. Respeto a la Madre

La tierra no puede entenderse sólo como un recurso natural. La verdad es que detrás de toda la crisis del cambio climático y de la crisis energética está la lucha entre dos maneras de entender el mundo: una que convierte a la tierra en mercancía y otra, la que defendemos nosotros, los pueblos indígenas del planeta, que nos dice que la tierra es el hogar de todos los seres vivos. La tierra es la vida misma.

Hoy, nuestra Madre Tierra está enferma, enferma de capitalismo. Y como toda madre enferma, la Madre Tierra apenas puede dar cobijo y abrigo a sus hijos. Diferentes investigaciones12 nos demuestran que de las poco más de 40 mil especies de animales que existen en el planeta, más de 12 mil están en peligro de extinción. Un pájaro de cada ocho puede desaparecer para siempre. Un mamífero de cada cuatro está amenazado. Tres insectos de cada cuatro están en riesgo de desaparecer definitivamente.

Es increíble saber que estamos viviendo la crisis más grave de extinción de las especies vivas en la historia de la vida en el planeta Tierra. La tasa de extinción de las especie vivas es en la actualidad 100 veces más acelerada que en los tiempos en los que los seres humanos no poblábamos el planeta. Es increíble saber que hoy mismo existe tres veces más agua dulce en las represas que en los ríos del planeta.

No podemos seguir contaminando a nuestra Madre Tierra. En el centro del océano Pacífico, dicen los estudios, hay tres kilogramos de plástico por cada medio kilogramo de plancton, el alimento de los peces.

No podemos aceptar que el sistema capitalista reduzca a la tierra a ser una simple mercancía. La tierra y la biodiversidad no deben ser bienes que pueden ser vendidos y acaparados bajo las leyes del mercado. Nosotros, los pueblos indígenas y campesinos de Bolivia, vivimos  hoy mismo, en carne propia, el peligro de la 7Los servicios mercantilización de la tierra. Sabemos que a concentración de la tierra en pocas manos es la fuente de todas las injusticias sociales y de los más grandes atropellos contra la tierra misma. Especular con la tierra, sobreexplotar la tierra y acumular tierra sólo puede llevar a un mayor desequilibrio social y ambiental.

La tierra tiene que ser manejada con criterios comunitarios, de complementariedad y respeto. Es la sociedad en su conjunto la que tiene que gestionar de manera responsable y armónica la tierra y todos los recursos que ella cobija.

El respeto a la Madre Tierra y su gestión comunitaria es esencial para curar el planeta y salvar la vida.

7. Los servicios básicos como un derecho humano

Nosotros, los pueblos indígenas del planeta, proclamamos que los servicios básicos de educación, salud, agua, comunicación, transporte y acceso a la informática son un derecho humano. Son un derecho humano porque se trata de servicios fundamentales para la vida en sociedad. Por eso, porque se trata de un derecho humano fundamental, estos servicios no pueden convertirse en negocio privado, deben constituirse en la base de los servicios públicos.

¿Cuál es la situación del mundo hoy si hablamos del conocimiento? Lo que vemos,en países y regiones, son pequeños oasis del conocimiento en medio de grandes desiertos de postergación y marginamiento. Éste ha sido, en gran medida, el resultado de la privatización de los sistemas educativos en las últimas décadas. La calidad de la educación pública, con contadas excepciones en el mundo, se ha venido deteriorando. Los Estados han ido disminuyendo sus presupuestos para la educación y se han concentrado en la educación primaría y una formación orientada a la producción. La educación, en general, y el derecho de saber leer y escribir, se han convertido en el patrimonio de los que más tienen y en una esperanza casi inalcanzable para los más pobres, para la mayoría de la población en el planeta.

Y si pensamos en quiénes tienen en sus manos la ciencia y la tecnología en el planeta, nuevamente encontramos pequeñas islas privatizadas en medio de inmensos océanos públicos de exclusión, marginamiento y postergación. Son las grandes empresas transnacionales, a través de un complejo sistema de propiedad intelectual, las que mantienen y pagan los costos de la ciencia y la tecnología en el planeta. La educación y el conocimiento en manos privadas tiene un solo objetivo: perpetuar y reproducir el sistema capitalista que está hiriendo de muerte al planeta. Para romper el monopolio del conocimiento y colocarlo al servicio del conjunto de la humanidad es fundamental garantizar la educación como derecho humano, y por lo tanto, como servicio público, accesible a toda la sociedad y garantizando la democratización del acceso al conocimiento.

La investigación científica no puede ser privatizada. Tienen que desarrollarla los Estados, promoviendo un acceso libre y gratuito a sus logros, a través de patentes libres y abiertas que han demostrado su eficacidad tanto científica como económica.

El derecho humano a la salud bajo el sistema capitalista se está convirtiendo en letra muerta. La salud pública en la gran mayoría de los países del mundo es absolutamente deficiente y abarca a sólo una parte de la población. Sólo quienes tienen dinero pueden acceder a los servicios de salud. La salud es cada vez más un negocio y no un servicio a todo ser humano. Grandes compañías de seguros y sistemas privados de salud tratan a las personas como consumidores, como compradores de una mercancía, y esa mercancía es nada menos que el derecho a la vida. La situación se agrava por el creciente monopolio de las patentes de los medicamentos en manos de un grupo de 8Consumir grandes empresas farmacéuticas. El financiamiento para la investigación de nuevos medicamentos no se dirige a las grandes  enfermedades que aquejan a la humanidad, sino a aquellas que más ganancias generan.

8.Consumir lo necesario y priorizar el consumo de lo que producimos localmente

La salud es un derecho humano y no puede ser tratada como un negocio privado, debe mantenerse y fortalecerse como servicio público universal y de calidad para todos.

El mundo de hoy, es el mundo de las telecomunicaciones, el transporte y el acceso a la informática. Estos servicios no pueden ser vistos como oportunidades de negocios porque una población sin la posibilidad de comunicarse con los demás es una población aislada y marginada. Hoy, y a pesar de la importancia de estos servicios, las estadísticas muestran que las inversiones se concentran especialmente en aquellos sectores que pueden pagar estos servicios y generar jugosas utilidades. El derecho a la comunicación es un derecho humano que no puede estar controlado por grandes transnacionales. La sociedad en su conjunto debe recuperar estos servicios para convertirlos en servicios públicos, universales y de acceso a toda la población.

Para salvar al planeta es fundamental garantizar estos derechos humanos para toda la población. Una población sin derechos es una población incapaz de defender la Madre Tierra. Por eso nuestra tarea es garantizar que estos servicios sean derechos humanos a través de una eficiente gestión pública y social.

Hay hambre en un mundo de abundancia y derroche. Cada día, 100.000 seres humanos mueren de hambre13. El hambre en los países llamados “subdesarrollados” es la causa del 95 por ciento de las muertes. Cada cinco segundos, un niño menor de diez años muere de hambre. Cada cuatro minutos, alguien pierde la vista debido a la falta de Vitamina A. Hay 854 millones de seres humanos gravemente infraalimentados, mutilados por el hambre permanente.

Estudios de la FAO señalan que con las actuales fuerzas de producción agrícola se podría alimentar a 12.000 millones de seres humanos, es decir, casi el doble de la población mundial actual15. Sin embargo, no se produce lo necesario para alimentar a toda la población mundial, sólo se produce lo que ordena el mercado y la ansiedad de ganancias siempre creciente.

Tenemos que acabar con el consumismo, el derroche y el lujo. En la parte más pobre del planeta, mueren millones de seres humanos de hambre cada año; en la parte más rica del planeta, al mismo tiempo, se gastan millones  de dólares para combatir la obesidad. Consumimos en exceso, derrochamos los recursos naturales y producimos la basura que contamina a la Madre Tierra.

A la crisis del cambio climático y a la crisis energética, se suma ahora una crisis alimentaria creciente que está muy vinculada a las otras dos crisis. El precio de los alimentos se ha encarecido en 45 por ciento en los últimos nueve meses16. Los cereales han tenido un alza del 41 por ciento; los aceites vegetales han subido en un 60 por ciento y los productos lácteos en un 83 por ciento. La CEPAL calcula que un incremento del 15 por ciento en el precio de los alimentos eleva la incidencia de la indigencia en casi tres puntos, del 12,7 por ciento al 15,9 por ciento. El alza en el precio del barril del petróleo ha incrementado los costos de producción y transporte de los bienes agrícolas. A ello hay que sumarle el efecto de los desastres naturales ocasionados por el cambio climático en varias regiones agrícolas del planeta. La producción de biocombustibles también contribuye al alza del precio de los alimentos.

Esta crisis alimentaria va a ser profundizada por otro factor: el libre mercado. En 2006 las exportaciones de alimentos subieron en un ocho por ciento con respecto a años anteriores. Sin embargo, la producción de alimentos per cápita apenas creció en un 1,1 por ciento en nueve años. La distribución de alimentos se realiza cada vez más según las presiones del mercado y no por las necesidades de la población. Grandes países exportadores agrícolas tienen poblaciones con hambre crónica. La producción y comercialización de alimentos tiene que estar regulada socialmente y no puede estar librada a las fuerzas del libre mercado.

Los países debemos priorizar el consumo de lo que producimos localmente. Un producto que recorre la mitad del mundo para llegar a su destino no puede ser más barato que aquél que se produce nacionalmente. Pero, si tomamos en cuenta los costos ambientales del transporte de dicha mercadería y el consumo de energía y la cantidad de emisiones de carbono que genera, entonces podemos llegar a la conclusión de que es más sano para el planeta y la humanidad priorizar el consumo de lo que se produce localmente. El modelo neoliberal priorizó la agricultura comercial agro-exportadora. Hoy tenemos que revertir esa tendencia y buscar cada vez más el desarrollo de la producción para el consumo interno, especialmente en relación a los alimentos y a los productos básicos. El comercio exterior debe ser un complemento de la producción local. De ninguna manera podemos privilegiar el mercado externo a costa de la producción nacional. Un informe de la ONU considera que el mercado global de alimentos básicos, como el trigo, es demasiado sensible a variaciones imprevistas de precios, por lo que los países que importan la mayor parte de lo que comen están expuestos a padecer hambrunas.

No podemos permitir que a título de incrementar la productividad se generalicen los alimentos genéticamente modificados. La naturaleza no puede ser sometida a los caprichos de un laboratorio sin que en el futuro se sufran las consecuencias de los llamados productos transgénicos.

Consumir lo necesario y priorizar el consumo de lo que producimos localmente es prioritario para salvar el planeta, la humanidad y la vida.

9.Respeto a la diversidad de culturas y economías

El capitalismo nos ha querido uniformizar a todos para volvernos en simples consumidores. Para el Norte hay un sólo modelo de desarrollo, el suyo. Las recetas neoliberales del Banco Mundial y del Fondo Monetario Internacional han llevado a la crisis a la mayoría de los países. Sin embargo, la Organización Mundial del Comercio insiste con esta receta única para todos los países del planeta. Los modelos únicos a nivel económico vienen acompañados de procesos de aculturación generalizada para imponernos una sola cultura, una sola moda, una sola forma de pensar y ver las cosas: la del capitalismo. La globalización capitalista pasa así a destruir la riqueza de la vida, su diversidad.

Nosotros, los pueblos indígenas del planeta, no creemos en soluciones únicas para todo el mundo. Los seres humanos somos diversos. Vivimos en pueblos con identidad propia, con una cultura particular. Destruir una cultura, atentar contra la identidad de un pueblo, es el más grave daño que se le puede hacer a la humanidad.

Nosotros, los pueblos indígenas del planeta, creemos que no ha habido ni habrá un único modelo de vida que pueda salvar al mundo. Somos conscientes de que vivimos y actuamos en un mundo plural, y un mundo plural debe respetar la diversidad, que es el otro nombre de la vida.

El respeto y la complementariedad pacífica y armónica de las diversas culturas y economías es esencial para salvar al planeta, la humanidad y la vida.

10.Vivir Bien

Construir un socialismo comunitario en armonía con la Madre Tierra. Ésta es nuestra manera de estar en el mundo. Nuestra visión de armonía con la naturaleza y entre los seres humanos es contraria a la visión egoísta, individualista y acumuladora del modelo capitalista.

Nosotros, los pueblos indígenas del planeta, queremos contribuir a la construcción de un mundo justo, diverso, inclusivo, equilibrado y armónico con la naturaleza para el Vivir Bien de todos los pueblos.

Decimos Vivir Bien porque no aspiramos a vivir mejor que los otros. No creemos en la concepción lineal y acumulativa del progreso y el desarrollo ilimitado a costa del otro y de la naturaleza. Tenemos que complementarnos y no competir. Debemos compartir y no aprovecharnos del vecino. Vivir Bien es pensar no sólo en términos de ingreso per-cápita, sino de identidad cultural, de comunidad, de armonía entre nosotros y con nuestra Madre Tierra.

Los pueblos indígenas del planeta creemos en un socialismo comunitario en armonía con la naturaleza. Un socialismo basado en el pueblo, en las comunidades y no en la burocracia estatal que antepone sus privilegios a los del conjunto de la sociedad. En nuestra práctica indígena las autoridades son servidores de la comunidad y no personas que se sirven de la comunidad. El socialismo comunitario es aquel que antepone los intereses de la comunidad a los privilegios de unos cuantos poderosos. El socialismo comunitario es pensar en el bien común antes que en el beneficio individual. El socialismo comunitario es luchar por los derechos humanos, por los derechos económicos, sociales y culturales.

Pero el socialismo comunitario que pregonamos, a diferencia de otros modelos que fracasaron en el pasado, piensa no sólo en el hombre sino en la naturaleza y la diversidad. No se trata de seguir con un modelo desarrollista único, de industrialización a toda costa. Nosotros no creemos en el progreso ilimitado sino en el equilibrio y la complementariedad entre seres humanos, y fundamentalmente con la Madre Tierra.

No tenemos muchas alternativas. O seguimos por el camino del capitalismo y la muerte, o avanzamos por el camino de la armonía con la naturaleza y la vida.

Los pueblos indígenas seguiremos hablando hasta lograr un verdadero cambio. Nuestra voz viene de lejos. Nuestra voz es la voz de los nevados que pierden sus ponchos blancos.

No es fácil el cambio cuando los que han sido siempre poderosos tienen que renunciar a sus privilegios y ganancias. No tenemos muchas alternativas. O se mantienen los privilegios de esos poderosos o se garantiza la sobrevivencia de la vida en la Tierra. Esto que digo viene de mi propia experiencia. Hoy mismo, en mi propio país, tenemos que elegir. O esos privilegios o el Vivir Bien. Sé que el cambio en el mundo es mucho más difícil que en mi país, pero tengo absoluta confianza en el ser humano, en su conciencia, en su capacidad de razonar y aprender de sus errores. Creo que los seres humanos somos capaces de recuperar nuestras raíces. Creo que el ser humano puede construir un mundo más justo, un mundo diverso, inclusivo y equilibrado, un mundo que viva en armonía con la naturaleza, con la Madre Tierra.

Ecologia em fragmentos: as partes no Todo

O discurso ecológico procura ver o Todo nas partes e as partes no Todo numa rede de conexões que liga e re-liga todos os seres. Aqui apresento uns fragmentos do discurso ecológico em tópicos que nos tocam  diretamente.

1.A rracionalidade de nosso estilo de viver
O modelo de sociedade e o sentido de vida que os seres humanos projetaram para si, pelo menos nos últimos 400 anos, estão em crise.
Este modelo nos fazia acreditar que o importante é acumular grande número de meios de vida, de riqueza material, de bens e serviços a fim de poder desfrutar a curta passagem por este planeta.
Para realizar este propósito nos ajudam a ciência que conhece os mecanismos da natureza e a técnica que faz intervenções nela para benefício humano. E procurou-se fazer isso com a máxima velocidade possível.
Portanto, busca-se o máximo de benefício com o mínimo de investimento e no tempo mais breve possível.
O ser humano, nesta prática cultural, se entende como um ser sobre as coisas, dispondo delas a seu bel prazer, jamais como alguém que está junto com as coisas, convivendo com elas como membro de uma comunidade maior, planetária e cósmica.
O efeito final e triste, somente agora visível de forma inegável é este, expresso na frase atribuída a Gandhi: “a Terra é suficiente para todos, mas não para os consumistas”.
Nosso modelo civilizatório é tão absurdo que se os benefícios acumulados pelos países ricos fossem generalizados aos demais paises, precisaríamos outras quatro Terras iguais a essa que temos.
O que mostra a irracionalidade que este modo de viver implica. Por isso pede o Papa Francisco em sua encíclica “sobre o cuidado da Casa Comum”: uma radical conversão ecológica e um consumo sóbrio e solidário.
2. A natureza é mestra
Em momentos de crise civilizacional, como a nossa, é imperioso consultar a fonte originária de tudo: a natureza, a grande mestra. Que ela nos ensina?
Ela nos ensina que a lei básica da natureza, do universo e da vida não é a competição que divide e exclui, mas a cooperação que soma e inclui.
Todas as energias, todos os elementos, todos os seres vivos, desde as bactérias e os virus até os seres mais complexos, somos todos inter-retro-relacionados e, por isso, interdependentes. Um coopera com o outro para viver.
Uma teia de conexões nos envolve por todos os lados, fazendo-nos seres cooperativos e solidários. Quer queiramos ou não, essa é a lei da natureza e do universo. Por causa desta teia de interdependências chegamos até aqui.
É essa soma de energias e de conexões que nos ajuda a sair das crises e a fundar novo ensaio civilizatório. Mas nos perguntamos: somos suficientemente sábios para enfrentar situações críticas e responder aos novos desafios?
3. Tudo está relacionado com tudo
A realidade que nos cerca e da qual somos parte, não deve ser pensada como uma máquina mas como um organismo vivo, não como constituída de partes estanques, mas como sistemas abertos, formando redes de relações.
Vigoram duas tendências básicas em cada ser e no inteiro universo: uma a de se auto-afirmar individualmente e outra a de se integrar num todo maior. Se não se auto-afirma corre o risco de desaparecer. Se não se integra num todo maior, corta a fonte de energia, se enfraquece e pode também desaparecer. Importa equilibrar estas duas tendências. Caso contrário caimos no individualismo mais feroz – a auto-afirmação – ou no coletivismo mais homogeneizador – a integração no todo.
Por isso temos sempre de ir e vir das partes para o todo, dos objetos para as redes, das estruturas para os processos, das posições para as relações.
A natureza é, pois, sempre co-criativa, co-participativa, ligada e re-ligada a tudo e a todos e principalmente à Fonte Originária de onde se originam todos os seres.
4.Desde o começo está presente o fim
O fim já está presente no começo. Quando os primeiros elementos materiais depois do big bang começaram a se constituir e a vibrar juntos aí já se anunciava um fim: o surgimento do universo uno e diverso, ordenado e caótico, o aparecimento da vida e o irromper da consciência.
Tudo se moveu e se interconectou para dar início à gestação de um céu futuro que começou já aqui em baixo, como uma sementinha, foi crescendo, crescendo até acabar de nascer na consumação dos tempos. Esse céu, desde o começo, é o próprio universo e a humanidade chegados à sua plenitude e consumação.
Não há céu sem Terra, nem Terra sem céu.
Se assim é, então, ao invés de falarmos em fim do mundo, deveríamos falar em um futuro do mundo, da Terra e da Humanidade que então serão o céu de todos e de tudo.
Leonardo Boff é ecoteólogo e filsósofo e escreveu: De onde vem ? Mar de Ideias, Rio 2017.