Dentro de um inferno,algo do paraíso não se perdeu

 Se olharmos os cenários mundiais, temos a impressão de que a dimensão de sombra, o impulso de morte e a porção demente tomou conta das mentes e dos corações de muitas pessoas. Particularmente em nosso país, criou-se até o “gabinete do ódio”onde grupos maus maquinam maldades, calúnias, distorções e todo tipo de perversidades contra seus adversários políticos, feitos inimigos que devem ser liquidados senão fisicamente, pelo menos simbolicamente.

Várias janelas do inferno se abriram e  suas labaredas incineraram celebridades, alimentaram as fake news e destroçaram porções do Estado Democrático de Direito e em seu lugar introduziram um Estado sem lei e post-democrático e, no caso do Brasil, em sua cabeça, um chefe de Estado demente, cruel e sem compaixão.

Historiadores nos asseguram que há momentos na história de uma nação ou de um povo nos quais o dia-bólico (o que divide) inunda a consciência coletiva. Tenta afogar o sim-bólico (o que une) no intento de fazer regredir toda uma história aos tempos sombrios, já superados pela civilização. Então surgem ideologias de exclusão, mecanismos de ódio, conflitos e  genocídios de inteiras etnias. Conhecemos a Shoah, fruto do inferno criado pelo nazifascimo de extermínio em massa de judeus e de outros.

Na América Latina por ocasião da invasão/ocupação dos europeus, ocorreu talvez o maior genocídio da história. No México, em  1519 com a chegada de Hernán Cortez,  viviam 22 milhões de aztecas; depois de 70 anos restaram somente 1,2 milhões. Foram católicos anticristãos que perpetraram  extermínios em massa. Os gritos das vítimas clamam ao céu contra a “Destruição das “Índias”(Las Casas)  e têm o direito de reclamar até o juízo final. Nunca se viu algum ato de reconhecimento deste genocídio por parte das potências colonialistas nem se dispuseram a fazer a mínima compensação aos sobreviventes destes massacres.São demasiados desumanos e arrogantes.

Mas dentro deste inferno dantesco, há algo do paraíso que nunca se perdeu e que constitui a permanente saudade do ser humano: saudade da situação paradisíaca na qual tudo se harmoniza, o ser humano trata humanamente outro ser humano, sente-se confraternizado com a natureza e filho e filha das estrelas, como dizem tantos indígenas. Em tempos maus como o nosso, vale ressuscitar esse sonho que dorme no profundo de nosso ser. Ele nos permite projetar outro tipo de mundo que, para além das diferenças, todos se reconhecem como irmãos e irmãs. E se entre-ajudam.

Narro um fato real que mostra a emergência desse pedaço de paraíso, ainda existente entre nós, lá onde a inimizade  e a violência são diárias.

Essa não é uma história inventada mas real, recolhida por um jornalista espanhol do El Pais no dia sete de junho de 2001. Ocorreu no ontem, mas seu espírito vale para o hoje.

Mazen Julani era um farmacêutico palestino de 32 anos, pai de três filhos, que vivia na parte árabe de Jerusalém. No dia 5 de junho de 2001 quando estava tomando café com amigos num bar, foi vítima  de um disparo fatal vindo de um colono judeu. Era a vingança contra o grupo palestinense Hamás que, quarenta e cinco minutos antes, havia matado inúmeras pessoas numa discoteca de Tel Aviv mediante um atentado feito por um homem bomba. O projétil entrou pelo pescoço de Mazen e lhe estourou o cérebro. Levado imediatamente para o hospital israelense Hadassa chegou já morto.

Mas eis que a  porção adormecida do paraíso em nós foi acordada O clã dos Julani decidiu aí mesmo nos corredores do hospital, entregar todos os órgãos do filho morto: o coração, o fígado, os rins e o pâncreas para transplantes a doentes judeus. O chefe do clã esclareceu em nome de todos que este gesto não possuía nenhuma conotação política. Era um gesto estritamente humanitário.

Segundo a religião muçulmana, dizia, todos formamos uma única família humana e somos todos iguais, israelenses e palestinos. Não importa em quem os órgãos vão ser transplantados. Essencial e que ajudem a salvar vidas. Por isso, arrematava ele: os órgãos serão destinados aos nossos vizinhos israelenses.

Com efeito, ocorreu um transplante. No israelense Yigal Cohen bate agora um coração palestino, o de Mazen Julani.

A mulher de Mazen teve dificuldades em explicar à filha de quatro anos  a morte do pai. Ela apenas lhe dizia que o pai fora  viajar para longe e que na volta lhe traria um belo presente.

Aos que estavam próximo, sussurrou com os olhos marejados de lágrimas: daqui a algum tempo eu e meus filhos iremos visitar a Ygal Cohen na parte israelense de Jerusalém.                                                                                                                                   Ele vive com o coração de meu marido e do pai de meus filhos. Será grande consolo para nós, encostar o ouvido ao peito de Ygal e escutar o coração daquele que  tanto nos amou e que, de certa forma, ainda está pulsando por nós.

Este gesto generoso demonstra que o paraíso não se perdeu totalmente. No meio de um ambiente altamente tenso e carregado de ódios, surgiu um Jardim do Éden, de vida e de reconciliação. A convicção de que somos todos membros da mesma família humana, alimenta atitudes de perdão e de incondicional solidariedade. No fundo, aqui irrompe o amor que confere sentido à vida e que move, segundo Dante Alignieri da Divina Comédia, o céu e todas as estrelas. E eu diria, também o coração da esposa de Mazen Julani  e o nosso.

São tais atitudes que nos fazem crer que o ódio reinante do Brasil e no mundo, as fake news e as difamações não terão futuro. É joio que não será recolhido, como o trigo, no celeiro dos homens nem de Deus. Esse tsunami de ódio e seu promotor maior que desgoverna nosso país, irá descobrir, um dia em que só Deu sabe, as lágrimas, os lamentos e o luto que provocaram em milhares de seus compatriotas que por sua falta de amor e de cuidado para com os afetados pelo Covid-19 perderam a quem tanto amavam. Oxalá neles não esteja totalmente perdida a parcela do Jardim do Éden.

Leonardo Boff é ecoteólogo, escritor e escreveu “O doloroso parto da Mãe Terra: uma nova etapa da Terra e da Humanidade”,a sair pela Vozes em 2020.

 

Arthur Saffiati: humanidade e as florestas em vista do Covid-19 (I)

Arthur Soffiati é um eminente ecologista, de Campos-RJ, já conhecido por suas contribuições neste blog. Vamos publicar uma série de três (3) artigos acerca das formas como os seres humanos se relacionaram com as florestas. Esta série é oportuna pois nos ajudará a entender o porquê da intrusão do coronavírus  no planeta inteiro. O foco predominante das análise se concentra ma ciência, na técnica, nos insumos e da desenfreada busca  de uma vacina, o que é necessário e urgente. No entanto, vê-se  o Covid-19 isoladamente sem o seu contexto que é o capitalismo e o neoliberalismo que no afã de acumularem mais e mais riqueza e aumentarem o consumo está depredando a natureza  e pondo em risco a sustentabilidade do planeta Terra, limitado e com bens e serviços também limitados e, por isso, não suporta um projeto ilimitado. Esse ponto da natureza está praticamente ausente nas análises dos epidemiologistas. O vírus é consequência do antropoceno, vale dizer, dos seculares ataques dos seres humanos à natureza que reage como todo ser vivo quando atacado. O Covid-19 como o aquecimento global e toda uma série de vírus já enviados, representa uma represália da natureza contra as agressões da humanidade. A continuar esta dinâmica de super-exploração de todos os ecossistemas poderemos contar com mais vírus e, eventualmente, como alguns afirmam, com “o Big One“, com aquele grande e inexpugnável que afetará grande parte da biosfera e levará também milhões e milhões de seres humanos ao desaparecimento, não excluida a hipótese, de toda a espécie humana. Como nunca antes na história o ser humano é responsável por seu destino junto com a vida caso quiser viver ou aceitar absurdamente seu desaparecimento. Ou mudamos ou contemos com o pior O estudo de Arthur Soffiati nos introduz nas várias  etapas da relação da humanidade para com as florestas até chegarmos ao ponto culminante atual com o contra-ataque da natureza à violência que lhe infligimos. Se quisermos ter futuro como espécie junto com a comunidade de vida, devemos fazer uma radical conversão ecológica, de respeito à natureza, aos seus ritmos e também aos limites que não podem ser ultrapassados. L.Boff

                                                 A humanidade e as florestas (I)

Arthur Soffiati

Sempre e nunca são palavras que não devem ser usadas pelo historiador. O senso comum acredita que o ser humano sempre foi desmatador, caçador e poluidor. Que faz parte da natureza humana destruir a natureza não-humana. Por outro lado, não é raro ouvir que nunca houve um período em que a humanidade tenha se relacionado de forma equilibrada com a natureza. Associo arbitrariamente a origem da cultura ao Homo habilis, ancestral do Homo sapiens, há 1.400.000 anos passados. Supõe-se que os primeiros hominídeos, grupo zoológico do qual fazemos parte, desceram das árvores e se adaptaram às savanas. Sua economia baseava-se na coleta, caça e pesca. É de se perguntar por que o Homo habilis, o Homo erectus, o Ho neaderthalensis e Ho sapiens desmatariam. Uma que outra árvore podia ser cortada ou queimada, mas não toda uma floresta. Não havia necessidade de desmatamento nem tecnologia capaz de tal proeza. No máximo, um incêndio provocado por raios ou por combustão espontânea. Também um incêndio ocasional depois da invenção das técnicas de produzir fogo.

Até 10.000 anos passados, não houve necessidade de desmatar porque a humanidade se organizava em pequenos grupos nômades que não incluíam em sua economia o uso de caules em larga escala. Com o aquecimento climático no início do Holoceno, algumas sociedades nômades inventaram a agricultura e o pastoreio. Comumente, as áreas para plantar e pastorear eram aquelas sem floresta, para facilitar o trabalho. Caso necessário, parte das florestas eram derrubadas para o plantio e o pastoreio. Elas também serviam para o fornecimento de lenha e de madeira. Contudo, o desmatamento era mínimo, já que a economia então vigente visava apenas a subsistência das sociedades.

Com a formação das civilizações, o desmatamento aumentou. Ampliou-se a necessidade de campos de cultivo e de pastagem, bem como a necessidade de lenha e de madeira para construção. Há uma conhecida passagem na “Epopeia de Gilgámesh” em que o herói mitológico, com ajuda de seu amigo Enkídu, mata Humbaba, o protetor da floresta. Eram os primórdios da civilização mesopotâmica. A natureza ainda era protegida por entidades divinas e tinha um caráter sagrado. Gilgámesh é meio deus, meio humano. Depois de matar o protetor, ele destrói a floresta. Progressivamente, o sagrado cede lugar ao profano.

Também na civilização chinesa, houve desmatamentos e caçadas colossais logo em sua fase inicial. Alguns historiadores sustentam que o confucionismo e o taoísmo são respostas culturais aos ataques contra a natureza e contra os humanos. Algo como uma tentativa de ressacralização do mundo. Na civilização Índica, que se desenvolveu no vale do rio Indo, atual Paquistão, a historiografia vem demonstrando que grandes desmatamentos contribuíram para seu fim. Como não havia pedra, os prédios e monumentos eram construídos com tijolos. Para seu cozimento, as matas foram transformadas em lenha. Entre os maias, a explicação mais consistente para explicar seu fim foi um grande desmatamento para ampliar campos de cultivo. Esses desmatamentos foram praticados em encostas de morros, contribuindo para a erosão e o assoreamento das partes baixas, onde havia brejos e lagoas.

No diálogo “Timeu”, Platão narra que o desmatamento da península Ática transformou um corpo carnudo num esqueleto. Sua narrativa sobre os processos de erosão, empobrecimento dos solos e assoreamento do mar nas partes rasas é bastante atual. Na ilha de Páscoa, hoje conhecida com o nome original de Rapa-Nui, a construção de grandes ídolos de pedra exigiu uma base rolante para transportá-los do centro da ilha para a costa. Como não se conhecia a roda, usava-se o tronco da palmeira mais alta do mundo, existente na ilha, como rolamento. Assim, o desmatamento foi deixando a ilha desprotegida de cobertura florestal. Além do mais, cada grupo incendiava a mata de outro(s) como arma de guerra. Quando os europeus chegaram à ilha no século XVIII, Rapa-Nui estava devastada, erodida e assoreada.

O desmatamento foi praticado em várias sociedades, com modos de produção distintos. Cada cultura construiu sua visão sobre as florestas. De sagradas a profanas passando por concepções intermediárias. Nenhuma concepção, porém, transformou as matas em fonte de lucro como a ocidental em sua fase capitalista. Na sua fase de formação, entre o século V ao século XIV, vigorou o sistema feudalista de produção. Nele, as atividades rurais representavam o sustentáculo da economia. Partindo da Itália, os missionários cristãos não eram muito simpáticos às florestas porque elas eram sagradas para os povos ainda não convertidos e motivo de adoração. Depois de convertidos, eles eram instados a derrubar as matas. Mesmo assim, restaram muitas florestas, agora com caráter utilitário. Elas complementavam a economia feudal. Havia florestas comunais, ou seja, florestas que podiam ser usadas por todos, sobretudo pobres, para obtenção de lenha, madeira, água fresca e caça. Essa visão começa a ser mudada a partir do século XI, quando o capitalismo começa a progredir.

 

 

 

Frei Betto: Ein internationaler Aufruf gegen Bolsonaros Verbrechen gegen die Menschlichkeit

Aqui vai a tradução alemã da denúncia internacional de Frei Betto contra os crimes de Bolsonaro contra a Humanidade.

Frei Betto: Ein internationaler Aufruf gegen Bolsonaros Verbrechen gegen die Menschlichkeit

Liebe Freunde,

in Brasilien findet gerade ein Völkermord statt!  Zum Zeitpunkt, an dem ich schreibe, dem 16. Juli 2020, hat COVID-19, das hier im Februar dieses Jahres zum ersten Mal entdeckt wurde, bereits 76.000 Menschen getötet.  Es gibt bereits fast zwei Millionen Betroffene.  Bis Sonntag, 19. Juli, werden wir insgesamt 80.000 auf Todesopfer kommen. Es ist möglich, dass wir, wenn Sie diesen dramatischen Appell lesen, bereits die Zahl 100.000 erreicht haben

Wenn ich bedenke, dass im Vietnamkrieg über zwanzig Jahre hinweg 58.000 Menschenleben von US-amerikanischen Militärangehörigen geopfert wurden, begreife ich das Ausmaß und die Ernsthaftigkeit dessen, was in meinem Land geschieht. Dieser Horror verursacht Wut und Abscheu. Und wir alle wissen, dass vorsorgliche und restriktive Maßnahmen, wie sie in so vielen anderen Ländern ergriffen wurden, ein Abschlachten in einem solchen Ausmaß hätten verhindern können.

 

Dieser Völkermord ist nicht das Ergebnis der Gleichgültigkeit der Regierung Bolsonaros.  Er ist gewollt. Bolsonaro freut sich über den Tod anderer.  Als er Mitglied des Kongresses war, sagte er 1999 in einem Fernsehinterview: “Wahlen werden in diesem Land nichts ändern, nichts, absolut nichts! Veränderungen werden leider nur dann kommen, wenn wir eines Tages hier in Brasilien einen Bürgerkrieg führen und die Arbeit leisten, die das Militärregime nicht getan hat: 30.000 Menschen töten.”

 

Als er für die Amtsenthebung von Präsidentin Dilma Rousseff stimmte, widmete er seine Stimme dem Gedenken an den berüchtigtsten Folterer der brasilianischen Armee, Oberst Brilhante Ustra.

 

Aufgrund dieser großen Todesbesessenheit ist eine seiner wichtigsten Regierungsmaßnahmen die Zulassung des Verkaufs von Waffen und Munition.  Auf die Frage am Eingang des Präsidentenpalastes, ob er nicht betroffen sei wegen der Opfer der Pandemie, antwortete er: “Ich glaube nicht an diese Zahlen (27. März, 92 Tote). Wir werden alle eines Tages sterben” (29. März, 136 Tote). “Also was? Was soll ich tun?’ (28. April, 5.017 Tote).

 

Warum diese nekrophile Politik? Von Anfang an erklärte er, dass es nicht darauf ankomme, Leben zu retten, sondern die Wirtschaft zu retten. Darum weigert er sich, ein Lockdown anzuordnen, den Anweisungen der WHO zu folgen und Atemschutzgeräte und persönliche Schutzausrüstungen zu importieren. Der Oberste Gerichtshof musste diese Verantwortung an die Gouverneure und Bürgermeister der Städte delegieren.

 

Bolsonaro respektierte nicht einmal die Autorität seiner eigenen Gesundheitsminister.  Seit Februar wurden in Brasilien zwei entlassen, weil sie sich weigerten, dieselbe Haltung wie der Präsident einzunehmen.  Jetzt wird das Ministerium von General Pazuello geleitet, der keinerlei Kenntnis von Gesundheitsfragen hat; er hatte versucht, die Daten über die steigende Zahl von Opfern zu verheimlichen; er hat 1.249 Militärangehörige in wichtigen Positionen im Ministerium angestellt, ohne dass sie die erforderlichen Qualifikationen hätten; und er hat die täglichen Interviews abgesagt, von denen die Bevölkerung Orientierung erhalten hatte.

 

Es würde zu lange dauern, alle Maßnahmen zur Freigabe von Mitteln zur Unterstützung von Opfern und Familien mit niedrigem Einkommen (über 100 Millionen Brasilianer) aufzulisten, die nie ergriffen wurden.

 

Die Gründe für die kriminellen Entscheidungen der Regierung Bolsonaros liegen auf der Hand.  Wenn ältere Menschen sterben, verschont dies die Ressourcen des Department of National Insurance.  Wer bereits Erkrankte sterben lässt, schont die Ressourcen des nationalen Gesundheitsdienstes, des SUS.  Die Armen sterben zu lassen, schont die Ressourcen des Programms Familienfürsorge und anderer Sozialprogramme, die sich an die 52,5 Millionen Brasilianer richten, die in Armut leben, und die 13,5 Millionen, die in extremer Armut leben (Zahlen der brasilianischen Bundesregierung).

 

Noch nicht zufrieden mit solch tödlichen Maßnahmen, hat der Präsident jetzt, am 3. Juli, sein Veto gegen den Gesetzesabschnitt eingelegt, der zur Verwendung von Masken in Läden, Kultstätten und Bildungseinrichtungen verpflichtet. Er hat ebenfalls gegen die Verhängung von Geldstrafen gegen diejenigen gestimmt, die die Regeln nicht eingehalten haben, und die Verpflichtung der Regierung, Masken an die ärmsten Bevölkerungsschichten, die Hauptopfer von COVID-19, und an Gefangene (750.000) zu verteilen. Diese Vetos kippen jedoch nicht die lokale Gesetzgebung, die die Verwendung von Masken bereits obligatorisch gemacht hat.

 

Am 8. Juli kippte Bolsonaro drei Abschnitte eines vom Senat verabschiedeten Gesetzes, das die Regierung verpflichtete, Trinkwasser und Gesundheits- und Reinigungsmittel zu liefern, Internetanschlüsse zu installieren und Grundnahrungsmittel, Saatgut und landwirtschaftliche Geräte an indigene Dörfer zu verteilen. Er legte auch sein Veto gegen Soforthilfen ein, die für indigene Gesundheitsdienste bestimmt waren, und um indigenen und Mitgliedern afro-brasilianischer Ex-Sklaven-Quilombola-Gemeinschaften für drei Monate Soforthilfe in Höhe von 600 R’ (120 Euro) zu gewähren. Und er legte ebenfalls sein Veto gegen die Verpflichtung der Regierung ein, indigenen und Ex-Sklaven-Gemeinschaften mehr Krankenhausbetten, Beatmungsgeräte und Sauerstoffgeräte zur Verfügung zu stellen.

 

Indigene und Ex-Sklaven-Gemeinschaften wurden durch die zunehmende sozio-ökologische Verwüstung dezimiert, vor allem im Amazonasgebiet.

 

Bitte machen Sie dieses Verbrechen gegen die Menschlichkeit so publik wie möglich. Die Verurteilung der Geschehnisse in Brasilien muss die Medien Ihres Landes, die sozialen Netzwerke, den UN-Menschenrechtsrat in Genf und die Banken und Unternehmen erreichen, welche die Investoren vertreten, die die Regierung Bolsonaro so gierig will.

 

Lange bevor The Economist dies tat, habe ich in den sozialen Medien den Präsidenten BolsoNero genannt – während Rom brannte, spielte er die Geige und warb für Hydroxychloroquin, ein Medikament, von dem wissenschaftlich erwiesen wurde, dass es keine Wirkung auf das neue Coronavirus hat.  Aber seine Hersteller sind politische Verbündete des Präsidenten…

 

Vielen Dank für Ihre Solidarität bei der Veröffentlichung dieses Schreibens.  Nur der Druck aus dem Ausland kann den Völkermord stoppen, der unser liebes, wunderbares Brasilien zerstört.

Mit brüderlichen Grüßen

Frei Betto
16.07.2020

Frei Betto ist ein Dominikaner-Bruder und Schriftsteller, Berater der FAO (Ernährungs- und Landwirtschaftsorganisation der UN) und sozialer Bewegungen.

 

Frei Betto: a international Call against the Bolsonaro’s humanitarian crimes

                                LETTER TO OUR FRIENDS ABROAD

Frei Betto

Dear Friends,

A genocide is taking place in Brazil!  As I write, on 16 July 2020, COVID-19, first detected here in February this year, has already killed 76,000 people.  There are already almost two million people affected.  By Sunday 19 July we shall reach a total of 80,000 fatalities. It is possible that when you read this dramatic appeal, we shall already have reached 100,000.

When I think that in the Vietnam war, over twenty years, 58,000 lives of US-American military personnel were sacrificed, I grasp the scale and seriousness of what is taking place in my country.  This horror causes anger and revulsion. And we all know that precautionary and restrictive measures that have been adopted in so many other countries could have avoided slaughter on such a scale.

This genocide is not the result of the Bolsonaro government’s indifference.  It is intentional. Bolsonaro delights in the deaths of others.  When he was a member of Congress, he said in a TV interview in 1999: ‘Voting won’t change anything in this country, nothing, absolutely nothing! Change will only come, unfortunately, if one day we engage in a civil war here in Brazil, and do the work the military regime didn’t do:  kill 30,000.’

When he voted for the impeachment of President Dilma Rousseff, he dedicated his vote to the memory of the Brazilian army’s most notorious torturer, Colonel Brilhante Ustra.

Because of this great obsession with death, one of his main government policies is allowing the sale of weapons and ammunition.  When asked at the entrance to the presidential palace if he wasn’t concerned about the victims of the pandemic, he replied, ‘I don’t believe in these figures (27 March, 92 deaths);  ‘We’re all going to die one day’ (29 March, 136 deaths); ‘So what? What do you want me to do?’ (28 April, 5,017 deaths).

Why this necrophiliac policy? From the beginning he stated that the important thing was not to save lives, but to save the economy. That is why he refuses to order a lockdown, follow the guidance of the World Health Organisation and import respirators and personal protection equipment. The Supreme Court had to delegate this responsibility to state governors and city mayors.

Bolsonaro did not even respect the authority of his own ministers of health.  Since February Brazil has had two, both sacked for refusing to take the same attitude as the President.  Now the ministry is headed by General Pazuello, who has no knowledge of health matters; he had tried to hide the data about the increasing numbers of victims; he has employed 1.249 military personnel in important posts in the ministry, without the necessary qualifications; and he has cancelled the daily interviews from which the population received guidance.

It would take too long to list all the measures to release resources to aid low-income victims and families (over 100 million Brazilians) that were never taken.

The reasons behind the criminal decisions of the Bolsonaro government are clear.  Letting the elderly die saves the resources of the Department of National Insurance.  Letting those with pre-existing conditions die saves the resources of the national health service, the SUS.  Letting the poor die saves the resources of the Family Welfare programme and other social programmes targeting the 52.5 million Brazilians who live in poverty and the 13.5 million that live in extreme poverty (Federal government figures).

Not satisfied with such lethal measures, now, on 3 July the President has vetoed the section of a law that made obligatory the use of masks in shops, places of worship and educational institutions. He has also vetoed the imposition of fines on those who failed to keep the rules and the government’s obligation to distribute masks to the poorest sections of the population, the main victims of COVID-19, and prisoners (750,000). These vetoes, however, do not overturn local legislation that has already made the use of masks obligatory.

On 8 July Bolsonaro overturned three sections of a law approved by the Senate, that obliged the government to supply drinking water and health and cleaning materials, to install internet connections and distribute basic food supplies, seeds and agricultural implements to indigenous villages. He also vetoed emergency funds intended for indigenous health services, and to give indigenous and members of Afro-Brazilian ex-slave quilombola communities emergency aid of R$600 (120 Euros or US$120) for three months. He also vetoed the obligation on the government to provide more hospital beds, ventilators and oxygenation machines to indigenous and ex-slave communities.

Indigenous and ex-slave communities have been decimated by the increasing socio-environmental devastation, especially in the Amazon region.

Please give as much publicity as possible to this crime against humanity.  Condemnation of what is happening in Brazil must reach your country’s media, social networks,  the UN Human Rights Council in Geneva, and the banks and companies that represent the investors the Bolsonaro government so greedily wants.

Long before The Economist did so, on social media I have been calling the President BolsoNero – while Rome burned he played the fiddle and promoted hydrochloroquine, a drug scientifically shown to have no effect on the new coronavirus.  But its manufacturers are political allies of the President…

Thank you for your solidarity in publicising this letter.  Only pressure from abroad can halt the genocide that is devastating our dear, wonderful Brazil.

Yours fraternally

Frei Betto

 

Frei Betto is a Dominican brother and writer, an adviser to the FAO and to social movements.