A encíclica Lodato si’ e os pobres da Terra nas palavras do monge Marcelo Barros

Marcelo Barros é um monge beneditino que fundou uma abadia em Goiás Velho, aberta a todos que quissesem vivenciar a espiritualidade, especialmente, gente do povo. Coordenou a Pastoral da Terra do Estado, trabalhou com indígenas e com a população negra, sendo ele mesmo afrodescendente assumido. Foi assesor de Dom Helder em questões ecumênicas. É também exímio teólogo e escritor. Tudo isso nos credita para publicar o texto que segue.

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“Nos Estados Unidos, congressistas republicanos e seus candidatos à presidência tinham feito pressão para que o Papa não a publicasse sua encíclica sobre a ecologia. Há alguns meses, grandes empresários e donos de mineradoras, espalhadas por todos os continentes, fizeram um retiro espiritual no Vaticano para mostrar ao Papa que as mineradoras são ecológicas e só extraem minérios da Terra. Não a destroem.

Mesmo alguns cardeais norte-americanos, mais ligados aos senhores do mundo do que aos pobres, expressaram seus receios. Tentaram impedir que, ao falar de Ecologia Ambiental, o papa pusesse o dedo na chaga e tocasse na Ecologia Social. No entanto, toda pressão, de dentro da própria Igreja e de fora, foi inútil. A encíclica saiu, poética e profética. Começa por retomar o Cântico das Criaturas de São Francisco para confirmar: “a nossa casa comum é como uma irmã, com a qual compartilhamos a existência e é como uma mãe que nos acolhe nos braços” (n. 1). A partir daí, formula o convite insistente a todos para renovar o diálogo sobre o modo como estamos construindo o futuro do planeta” (n. 14).

No método latino-americano do “ver, julgar, agir e celebrar”, o Papa tratou da Ecologia a partir da realidade social do mundo, da injustiça do sistema econômico excludente dos pobres e da cultura da indiferença que infesta a humanidade. Isso mostra que é importante ler a encíclica Lodato Si’ a partir da realidade do mundo dos pobres, da luta pela defesa da terra, vivida pelos lavradores sem terra e pelos índios, maiores vítimas da injustiça eco-social provocada pelsos que oprimem a Terra e a natureza.

O Brasil é um dos países onde as contradições entre um modelo de desenvolvimento predatório e a responsabilidade com a Terra, nossa casa comum, se manifestam de modo mais forte. Conforme dados divulgados pelo jornalista Washington Novaes, no Brasil, mais de 1,26 milhão de quilômetros quadrados de 1.440 municípios de oito Estados nordestinos e do norte de Minas Gerais já mostram algum nível de desertificação. O processo de degradação do solo é muito forte, juntamente com a perda da cobertura vegetal, da biodiversidade e da capacidade de produção da agropecuária.

Como mostra o Papa em sua encíclica, toda vez que a vulnerabilidade da Terra não é respeitada, os que mais sofrem são os pobres. Nas áreas brasileiras que estão em processo de desertificação, a presença de “pobres e indigentes é superior à proporção em outras regiões do país. Na verdade, Caatinga e Cerrado têm 85% dos pobres no País (Cf. Eco 21, abril de 2015).

Essa realidade afeta a segurança alimentar dos pobres da Terra e o abastecimento doméstico de água. No Ceará, pela falta d’água, pequenos agricultores perderam de 80% a 90% das safras de milho e feijão (Cf. Remabrasil, 6/5).

A leitura da encíclica do Papa Francisco deve nos fazer lembrar dos povos indígenas do Brasil, ameaçados em sua existência como os nossos ecossistemas mais preciosos. Atualmente, o Brasil tem 820 mil índios, uma pequena parcela da população brasileira, mas com a qual temos uma imensa dívida histórica, social e ecológica. E assim como a Terra e toda a natureza, em todas as regiões do Brasil, em um ano, os assassinatos de índios cometidos por madeireiros e grilheiros de terra teve o aumento de 42% (138 casos).

No mesmo período e pelo mesmo motivo, os suicídios de índios adolescentes e jovens atingiu 135 registros, um recorde em três décadas. É a partir dessa realidade que, nós, brasileiros, principalmente cristãos/ãs das diversas Igrejas, somos chamados a ler e interpretar a encíclica do bispo de Roma sobre a ecologia. Ele nos propõe aprofundar uma educação e espiritualidade ecológica (n. 202 ss), ou seja, nos formar para a aliança entre o ser humano e o ambiente (n. 209). Isso não se fará sem uma verdadeira “conversão ecológica” (n. 216).

Um documento dos missionários combonianos do Nordeste afirma: “Sabemos quanto o sistema capitalista, ecocida e suicida, herdou da cultura religiosa cristã. Por outro lado, temos a inspiração radicalmente evangélica de São Francisco e o testemunho vivo de muitos e muitas mártires que nos relançam em defesa da vida. Precisamos igualmente de um profundo e humilde processo de conversão e purificação. Uma nova escuta da Revelação, a partir do encontro fecundo entre a Palavra bíblica, o livro da criação e a sabedoria dos povos e das religiões”.

Ler a encíclica a partir dos empobrecidos e da realidade do nossos país nos convoca para o que o Papa chama de “Ecologia integral”. Agora, temos de tirar as consequências: a partir das bases, reelaborar uma maneira de viver e expressar a fé que seja libertadora, pluralista (isso é, aberta à colaboração com outras tradições espirituais) e holística, ou seja, baseada em uma justiça eco-social que una o cuidado com a libertação e com a vida dos oprimidos à comunhão efetiva e espiritual ao universo, sacramento de uma presença da qual somos testemunhas e colaboradores. Como diz o cântico de entrada da Missa de Pentecostes: “O Espírito de Deus, o universo todo encheu, tudo abarca em seu saber, tudo enlaça em seu amor” ( do livro da Sabedoria 1, 7)”.

Leonardo Boff é colunista semanal do Jornal do Brasil on Line e ecoteólogo

Francesco: Chiesa in uscita.Dda dove, per dove

Mentre ancora celebriamo la straordinaria enciclica su «La cura della Casa Comune», torniamo a riflettere su una prospettiva importante di Papa Francesco, il vero logotipo della sua comprensione della Chiesa: “Una Chiesa in uscita”. Questa formulazione racchiude una velata critica al modello anteriore di Chiesa che era una Chiesa “senza uscita” a causa di diversi scandali di ordine morale e finanziario, che avevano forzato papa Benedetto XVI a rinunciare, una Chiesa che aveva perso il suo capitale più importante: la moralità e la credibilità dei cristiani e del mondo secolare.

Ma il logotipo “Chiesa in uscita” possiede un significato più profondo, diventato possibile perché pensato da un papa che non veniva dai quadri istituzionali della vecchia e stanca cristianità europea. Questa aveva fasciato la Chiesa dentro a una comprensione che la rendeva praticamente inaccettabile ai moderni, ostaggio di tradizioni fossilizzate e con un messaggio che non affrontava i problemi dei cristiani e del mondo attuale. La “Chiesa in uscita” vuole segnare una rottura con quello stato di cose. Questa parola “rottura” irrita i rappresentanti dell’establishment ecclesiastico. Ma non è per questo che smette di essere vera. E dunque si pone la domanda: “Uscita”: da dove, per dove? Vediamo alcuni passi:

– Uscita da una Chiesa-fortezza che proteggeva i fedeli contro le libertà moderne verso una Chiesa-ospitale di campagna che ascolta tutte le persone che la cercano, poco importa il loro stato morale o ideologico.

– Uscita da una Chiesa-istituzione assolutistica, concentrata in se stessa,per una Chiesa-movimento aperta al dialogo universale, con altre chiese, religioni e ideologie.

– Uscita di una Chiesa-gerarchica, creatrice di diseguaglianze verso una Chiesa-popolo di Dio, facendo di tutti, fratelli e sorelle, un’immensa comunità fraterna.

– Uscita da una Chiesa-autorità ecclesiastica, distante o perfino di spalle voltate ai fedeli, per una Chiesa-pastore che cammina in mezzo al popolo, “in odore di pecorella”, e misericordiosa.

– Uscita da una Chiesa-Papa di tutti i cristiani e vescovi che governa con il rigido diritto canonico verso una Chiesa-vescovo di Roma, che presiede nella carità e solo a partire da lì diventa Papa della Chiesa universale.

– Uscita da una Chiesa-maestra di dottrine e norme verso una Chiesa di pratiche sorprendenti e dell’incontro affettuoso con le persone al di là della loro appartenenza religiosa, morale o ideologica. Le periferie esistenziali arrivano alla centralità.

– Uscita da una Chiesa-di potere sacro, di pompe e eventi, di palazzi pontifici e titolature degne della nobiltà rinascimentale verso una Chiesa-povera e “per” i poveri, spogliata dei simboli di riconoscimenti, dedita al servizio e portavoce profetica contro il sistema di accumulazione del denaro, l’idolo che produce sofferenza miseria e morte.

– Uscita da una chiesa-che parla dei poveri verso una Chiesa-che va verso i poveri, parla con loro, li abbraccia e li difende.

– Uscita da una Chiesa-equidistante dei sistemi politici e economici verso una Chiesa-schierata a favore delle vittime e che chiama per nome i produttori delle ingiustizie e invita a Roma rappresentanti dei movimenti sociali mondiali per discutere con loro come inventare alternative.
– Uscita da una Chiesa-autoreferenziale e acritica verso una Chiesa-della verità su se stessa contro cardinali, vescovi e teologi gelosi del loro status ma con una faccia “acida, da venerdì Santo”, “tristi come se fossero al proprio funerale”, insomma una Chiesa fatta di persone umane.

– Uscita da una Chiesa-dell’ordine e del rigorismo verso una Chiesa-della rivoluzione della tenerezza, della misericordia e della cura.

– Uscita da una Chiesa-di devoti, come quelli che appaiono nei programmi televisivi, con preti cineasti del mercato religioso, verso una Chiesa impegnata con la giustizia sociale e con la liberazione degli oppressi.

– Uscita da una Chiesa-obbedienza e da rispetto per la Chiesa-allegria del Vangelo e speranza ancora per questo mondo.

– Uscita da una Chiesa senza il mondo che ha permesso l’insorgere di un mondo senza Chiesa per una Chiesa-mondo, sensibile ai problemi dell’ecologia e del futuro della Casa Comune, la madre-Terra.

Queste e altre uscite mostrano che la Chiesa non si riduce soltanto a una missione religiosa, accantonata in una parte privata della realtà. Essa possiede oltre a questo una missione politico-sociale nel senso pregnante della parola, come fonte di ispirazione per le trasformazioni necessarie che riscattino l’umanità per un tipo di civiltà dell’amore della compassione, che sia meno individualistico, materialistico, cinico e privo di solidarietà.
Questa chiesa-in-uscita ha distribuito allegria e speranze fra i cristiani e ha riconquistato il sentimento di essere un focolare spirituale. Ha convinto con la semplicità, con il distacco dalle cose, con l’accoglienza nell’amore e nella tenerezza con la stima di molte persone di altre confessioni, di semplici cittadini del mondo e anche di capi di Stato che ammirano la figura e la pratica sorprendenti di Papa Francesco in favore della pace, del dialogo tra i popoli della rinuncia a qualsiasi violenza e alla guerra.

Più che di dottrine e dogmi è la Tradizione di Gesù, fatta di amore incondizionato, di misericordia e di compassione che in lui si attualizza e rivela la sua inesauribile energia umanizzatrice. Perché, tra le altre cose, questo è il messaggio centrale di Gesù accettabile, da tutte le persone di tutti quadranti del mondo.

* Leonardo Boff è teologo, ecologo e columnist del Jornal do Brasil.

Traduzione di Romano e Lidia Baraglia

The Magna Carta of holistc Ecology: cry of the Earth/ cry of the poor

Before engaging in commentary, is worth noting a few features of Pope Francis’ encyclical letter, Laudato sí’.

This is the first time a Pope had discussed ecology as holistic ecology (because it goes beyond the environment) in such a complete form. Great surprise: he develops the theme within a new ecological paradigm, something that no official document of the UN has yet done. He backs up his discourse with the best data from the life and Earth sciences. He reads the data properly (with sensible or cordial intelligence), because he discerns that beneath them lie human dramas and also much suffering on the part of Mother Earth. The present situation is grave, but Pope Francis always finds reasons for hope and a confidence that humans will find viable solutions. He connects with John Paul II and Benedict XVI, the Popes who preceded him, quoting them frequently. And there is something absolutely new: his text is written collegially, because it values the contributions of scores of Episcopal Conferences from around the world, from the Episcopal Conference of the United States to the those of Germany, Brazil, Patagonia-Comahue, and Paraguay. He also welcomes the contributions of other thinkers, such as the Catholics Pierre Teilhard de Chardin, Romano Guardini, Dante Alighieri, his Argentinean teacher Juan Carlos Scannone, the Protestant Paul Ricoeur and the Moslem Sufi Ali Al-Khawwas. It is addressed to all of humanity, because we all inhabit the same Common Home (a term the Pope often uses), and we all endure the same threats.

Pope Francis writes not as a Teacher and Doctor of the faith, but as a zealous Pastor who cares for the Common Home and for all the beings, not just the human ones, that inhabit her.

One aspect is worth noting, in that it reveals Pope Francis’ forma mentis (the way he organizes his thinking). It derives from the pastoral and theological experience of the Latin American churches, that in light of the documents of the Latin American Bishops (CELAM) of Medellín (1968), Puebla (1979) and Aparecida (2007), undertook an option for the poor; against poverty and for liberation.

The text and tone of the encyclical are typical of Pope Francis and the accumulated ecological culture, but I notice also that many expressions and forms of speech belong to the thinking and writings principally found in Latin America. The «Common Home», «Mother Earth», the «cry of the Earth and the cry of the poor», «caring», the «interdependence among all beings», the «poor and vulnerable», the «change of paradigm», the «human being as Earth» who feels, thinks, loves and venerates, of the «holistic ecology» and others, are recurrent themes among us.

The structure of the encyclical follows the methodology used by our churches and the theological reflection linked to the practice of liberation, now assumed and consecrated by the Pope: see, judge, act and celebrate.

The Pope starts by revealing his primary inspiration: Saint Francis of Assisi, whom he calls an «example par excellence of caring and of holistic ecology, and who gave special attention to the poorest and abandoned.» (nº 10 y 66).

And then he starts with seeing: «What is happening in our home» (17-61). The Pope says: «it is enough to view reality with sincerity to see that there is great damage to our Common Home» (61). In this section he incorporates the most reliable data related to climate change (20-22), the issue of water (27-31), the erosion of biodiversity (32-42), the deterioration of the quality of human life and degradation of social life (43-47). He denounces the extreme global inequality, that affects all aspects of life (48-52), the poor being the principal victims (48).

In this part there is a phrase that refers us to a reflection done in Latin America: «But now we cannot help but recognize that a true ecological plan always becomes a social plan that must incorporate justice into debates about the environment so as to hear the cry of the Earth as well as the cry of the poor» (49). Then he adds: «the moan of sister Earth joins the wail of the abandoned of the world» (53). This is absolutely coherent, because at the beginning he said that «we are Earth» (2; cf. Gn 2,7), very much in line with the great Indigenous Argentinean singer and poet Atahualpa Yupanqui: «the human being is Earth that walks, feels, thinks and loves».

He condemns the proposal to internationalize the Amazon because it «would only serve multinational economic interests» (38). He makes a proclamation of great ethical value: «it is a very grave inequity to obtain important benefits by forcing the rest of humanity, present and future, to bear the cost, through the extremely high level of environmental degradation» (36).

With sadness he recognizes that: «never before had we mistreated and damaged our Common Home as we have done in the last two centuries» (53). In the face of this human offensive against Mother Earth that many scientists have denounced as inaugurating a new geological era –the antrophocene– he laments the weakness of the powers of this world that, mistakenly, «think that everything can continue as it is» as an excise to «maintain their self-destructive habits» (59) with «behavior that appears suicidal» (55).

Prudently, Pope Francis recognizes the diversity of opinions (nn 60-61) and that «there is not just one unique solution» (60). Even so «it is true that the world system is unsustainable from diverse points of view because we no longer think of the consequences of human action» (61) and we get lost in the construction of means directed at unlimited accumulation at the price of ecological injustice (degradation of the ecosystems) and of social injustice (impoverishment of the populations). Humanity, simply, «has betrayed divine expectations» (61).

The urgent challenge, then, consists of «protecting our Common Home» (13); And to that end we need, quoting Pope John Paul II: «a global ecological conversion» (5); «a culture of caring that pervades the whole society» (231).

Having considered the dimension of seeing, is important now to examine the dimension of judging. Judging is addressed from two viewpoints, scientific and theological.

Let’s examine the scientific. The encyclical devotes the entire third chapter to analyzing «the human roots of the ecological crisis» (101-136). Here the Pope proposes to analyze techno-science without prejudice, acknowledging that it has brought «really valuable things to improve humanity’s quality of life» (103). But this is not the problem. Rather, it became independent, subjugating the economy, politics and nature to the accumulation of material goods (cf. 109). Techno-science begins from a mistaken assumption about the «infinite availability of the planet’s resources» (106), when we know that we have already reached the physical limits of the Earth and that a great part of its goods and services are not renewable. Techno-science has become technocracy, a true dictatorship with its iron logic of domination over everything and everyone (108).

The great illusion, now prevalent, lies in believing that with technocracy all the ecological problems can be solved. This is a misleading idea because it «implies isolating things that are always connected» (111). In reality, «all is related» (117) «all is in relationship» (120), an affirmation that runs throughout the text of the encyclical as a ritornello, for it is a key concept of the new contemporary paradigm. The great limit of technocracy lies in the fact that it «fragments knowledge and loses the meaning of the whole» (110). Worse still is «not recognizing the proper value of each being and even denying the special value of the human being» (n.118).

The intrinsic value of each being, no matter how minuscule, is permanently enshrined in the encyclical (69), as in the Earthcharter. Denying that intrinsic value denies the opportunity for «each being to communicate its message and give glory to God» (33).

The main deviation produced by technocracy is anthropocentrism. It falsely supposes that things have value only to the degree that they are useful to humans, forgetting that their existence has value in and of itself (33). If it is true that everything is related, then «we human beings are together as brothers and sisters and are united with tender affection to brother Sun, sister Moon, brother River and Mother Earth» (92). How can we strive to dominate them, and view them through the narrow scope of domination?

All the «ecological virtues» (88) are lost by the desire for power, seen as the domination of the others and of nature. We are experiencing a painful «loss of the meaning of life and the will to live together» (110). He quotes several times Italo-German theologian Romano Guardini (1885-1968), one of the most read thinkers of the mid XX century, who wrote a book critical of the pretensions of modernity (105 note 83: Das Ende der Neuzeit, The End of the Modern World, 1958).

The other type of judging is theological. The encyclical devotes much space to the «Gospel of Creation» (62-100). In part justifying the contribution of the religions and of Christianity, because since the crisis is global, each one, with its religious capital, must contribute to caring for the Earth, (62). He does not concentrate on doctrine, but on the wisdom present in the different spiritual paths. Christianity prefers to talk of creation rather than nature, because «creation has to do with a project of love from God» (76). He quotes, more than once. a beautiful text from the book of Wisdom (11,24) where it clearly appears that «the creation belongs to the order of love» (77) and that God is “the Lord who loves life” (Sab 11,26).

The text is open to an evolutionary vision of the universe, without using the term. It engages in circumlocution when referring to the universe as «composed of open systems that enter into communion, one with another» (79). He uses the principal texts that link the incarnated and resurrected Christ with the world and with all of the universe, making matter and the entire Earth sacred (83). And in this context, Pope Francis quotes Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955; nº 83 note 53), as the precursor of this cosmic vision.

A consequence of the fact that God-Trinity is a relationship of divine Persons is that all things in relationships are resonant of the divine Trinity (240).

Quoting Bartholomew I of Constantinople, Ecumenical Patriarch of the Orthodox Church, he «recognizes that sins against creation are sins against God» (7). Hence the urgency of a collective ecological conversion to restore the lost harmony.

The encyclical concludes this part with certitude: «the analysis showed the need for a change of course… we must get out of the spiral of self-destruction into which we are now sinking» (163). It is not about reform, but, quoting the Earthcharter, about searching for «a new beginning» (207). The interdependency of everything leads us to think «of a single world with a common project» (164).

Since there are multiple aspects to reality, all intimately related, Pope Francis proposes a holistic ecology that goes beyond the environmental ecology to which we are accustomed, (137). Holistic ecology covers all fields, the environment, economy, social, cultural, and daily life (147-148). The encyclical never forgets the poor whose living links of belonging and solidarity with one another are a testament to their form of human and social ecology, (149).

The third methodological step is to act. In this part, the encyclical touches the great themes of international, national and local politics (164-181). He emphasizes the interdependence of the social and educational with the ecological, and with sadness, confirms the difficulties caused by the predominance of technology, impeding the changes that could restrain the voracity of accumulation and consumption, and inaugurate a new paradigm, (141). He retakes the theme that the economy and politics must serve the common good, and create the conditions for a possible human plenitude (189-198). Again he insists on a dialogue between science and religion, as suggested by the great biologist Edward O. Wilson (cf. the book, Creation: how to save life in the Earth, 2008). All religions «must seek to care for nature and to defend the poor» (201).

Also in the aspect of acting he challenges education to create an «ecological citizenry» (211) and a new life style, based on caring, compassion, shared sobriety, an alliance between humanity and the environment, because they are inextricably linked, the joint responsibility for all that exists and lives, and for our common destiny (203-208).

Finally, the moment to celebrate. The celebration is realized in a context of «ecological conversion» (216) that implies an «ecological spirituality» (216). This spirituality derives not so much from theological doctrines as from the motivation elicited by faith to care for the Common Home and «to nourish a passion for caring for the world» (216). This experience precedes a mysticism that mobilizes people to live an ecological equilibrium, «the interior with itself, the solidarian with the others, the natural with all the living beings and the spiritual with God» (210). That «less is more» and that we can be happy with little then appears to be the truth.

In the context of celebration, «the world is something more than a problem to be resolved, it is a delightful mystery we contemplate with joyful praise» (12).

The tender and fraternal spirit of Saint Francis of Assisi runs through the entire text of the encyclical Laudato sí’. The present situation does not call for an announcement of tragedy, but a challenge, that we may care for our Common Home and for others. There is in the text a lightness, poetry and joy in the Spirit and the indestructible hope that if the threat is great, greater still is the opportunity to solve our ecological problems.

He ends poetically “Beyond the sun” with these words: «Let’s walk singing. May our struggles and concern for this planet not deprive us of the joy of hope» (244).

I would like to end with the final words of the Earthcharter that Pope Francis also quotes (207): «May our times be remembered for awaking a new reverence for life, for the firm resolution to reach sustainability, for accelerating the struggle for justice and peace, and for the joyful celebration of life».
Free translation from the Spanish by
Servicios Koinonia, http://www.servicioskoinonia.org.
Done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU..

Leonardo Boff e il suo rapporto a l’enciclica “Cura de la Casa Comune” “

È apparso nel JORNAL DO BRASIL 14/06/2015 questa intervista che forse può interessare a parecchi lettori. Il testo è questo:

“Leonardo Boff, columnist del Jornal do Brasil, è stato uno degli attori che hanno aiutato a montare l’enciclica di Papa Francesco dedicata all’ambiente e divulgata giovedì scorso. In una intervista “e-mail”, ha spiegato come i suoi testi e contributi sono arrivati fino a Bergoglio, «una delle maggiori leadership mondiali, sia in campo religioso, sia in campo politico». Ha commentato inoltre il modo con cui il Papa ha affrontato delicati problemi e anche le risposte di potenze mondiali alle minacce “contro la nostra unica casa comune”.

“Vedo pochi passi avanti, perché gli interessi economici si sovrappongono alla preoccupazione per la salvezza dell’unica casa comune che abbiamo da abitare” – dice Boff in un’intervista al Jornal do Brasil – “c’è una irresponsabilità incosciente e colpevole nei riguardi delle minacce che pesano sul nostro futuro. Se quello che dice la comunità scientifica mondiale fosse ascoltato, ben altri sarebbero i risultati degli incontri organizzati dall’Onu sul riscaldamento globale e sulla crescente erosione della biodiversità”, mette in guardia Boff. “Il mio presentimento oscilla tra la catastrofe e la crisi”, continua.

Il Papa Francesco ha stabilito una “relazione intima tra i poveri e la fragilità del pianeta” nell’enciclica Laudato Si’ sulla cura della casa comune, divulgata giovedì scorso e pubblicata in portoghese dalle Edizioni Paoline. In gennaio, durante la visita alle Filippine, Francesco ha dimostrato preoccupazione per l’ecologia, affermando “la necessità di vedere, con gli occhi della fede, la bellezza del piano di salvezza di Dio, il legame tra l’ambiente naturale e la dignità della persona umana”.

Per Boff, “lo scandalo della povertà mondiale, in un mondo ad altissimo consumo, la devastazione degli ecosistemi e le minacce che pesano sulla nostra casa comune, trascurata e maltrattata,” preoccupano costantemente Papa Francesco.

Legga il testo integrale dell’intervista di LBoff al JB: JORNAL DO BRASIL –

Come sono andate le vostre conversazioni durante l’elaborazione dell’enciclica?

Vi siete incontrati personalmente?

Leonardo Boff – E’ con qualche difficoltà che rispondo alle domande dell’intervista, perché non vorrei creare l’impressione di attribuirmi un’importanza che in realtà non ho. Se voi mi domandate: tu hai aiutato il Papa a scrivere l’enciclica? Devo dire: no. Io ho soltanto messo a disposizione del materiale, dei mattoncini con i quali, volendo, potrebbe costruire qualche cosa. Non ho mai avuto incontri personali con Papa Francesco, soltanto indiretti. Innanzitutto attraverso un’amica comune, Clelia LURO, alla quale lui telefonava da Roma tutte le domeniche verso le 10,00. Attraverso di lei, mi mandava messaggi e mi faceva richieste di testi. All’inizio mi chiese un testo che l’ex-presidente dell’assemblea dell’Onu (gestione 2008-2009), Miguel d’Escoto e io avevamo elaborato per farne il cippo teorico della nuova Onu ancora allo studio: “Declaración Universal del Bien comun de la Madre Tierra y de la Humanidad”. Il testo è ordito all’interno del nuovo paradigma secondo il quale tutte le cose sono interconnesse, formando un incommensurabile sistema in evoluzione. In questo testo noi usavamo molto il termine “casa comune” per riferirci alla terra.

Quando il Papa è venuto in Brasile, l’intermediario è stato dom Demetrio Valentini, vescovo di Jales-SP, al quale ho affidato il libro da me scritto proprio per l’occasione della sua venuta: “Francisco de Assisi – Francisco de Roma: uma nova primavera para a Igreja, Editora Mar de ideias, Rio”.

Inoltre chiesi di consegnargli in spagnolo “Francisco de Assis: ternura e vigor” (Vozes), nel quale io affrontavo largamente la questione ecologica, dato che lui l’aveva sollecitato a Clelia Luro. Pure in spagnolo inviai la “Carta della Terra”, con raccomandazioni mie perché la utilizzasse, perché mi pareva la cosa più importante del documento sull’ecologia nell’inizio del secolo 21º, frutto di una vasta consultazione di più di 200.000 persone di tutti gli orientamenti, sotto la direzione di Michail Gorbaciov; io avevo partecipato alla redazione e avevo ottenuto di includere il tema della cura, “il legame parentale con tutta la vita” e la spiritualità.

Scrissi al Papa che la “Carta da Terra” affermava l’interdipendenza tra tutti gli esseri e il valore intrinseco di ognuno, contro l’antropocentrismo tradizionale. Un’altra volta inviai attraverso il vescovo di Altamira nello Xingu, dom Erwin Kräutler, che nel 2014 aveva vinto il premio Nobel alternativo della pace dal Parlamento svedese e che passando da Roma il Papa invitò a redigere qualche cosa sull’Amazzonia. Attraverso di lui mandai in spagnolo il mio libro più completo sulla ecologia, “Ecologia: grito da Terra-grito dos pobres” espressione che l’enciclica ha fatto sua. Inviato pure un altro libro, sempre in spagnolo “Cuidar la Tierra: Hacia una ética universal”, pubblicato in Messico.

ll più importante è stato un libretto con DVD sulle quattro ecologie, con immagini bellissime, in cui abbordo anche l’ecologia integrale. Altri materiali sono stati inviati all’ambasciatore argentino presso la Santa sede, Eduardo Valdés, amico di Bergoglio, perché inviando le cose direttamente al Vaticano non si ha mai la certezza che le cose arrivino nelle mani del Papa. Attraverso di lui inviai un libro che io consideravo importante “Proteger la Tierra – Cuidar la vida – como evitar la fin del mundo”.

Attraverso lo stesso ambasciatore inviai vari articoli in spagnolo sulle questioni ecologiche che escono in JB on line con cui collaboro da vari anni. Mi ricordo d’aver scritto in un biglietto da consegnare al Papa, nel quale c’era una citazione della Carta da Terra che – secondo me – doveva entrare nell’enciclica e di fatto consta al numero 207: “Come mai prima nella storia il destino comune ci obbliga a cercare un nuovo inizio… possa la nostra epoca essere ricordata per il risveglio di una nuova riverenza per la vita, per la risolutezza nel raggiungere la sostenibilità, per l’accelerazione della lotta per la giustizia e la pace, e per un’allegra celebrazione della vita” (parole finali della Carta della Terra).

Né io né l’ambasciatore abbiamo ricevuto una qualsiasi risposta. Quale non è stata dunque la sorpresa dell’ambasciatore Eduardo Valdés quando il giorno anteriore alla pubblicazione dell’enciclica, cioè il 17 giugno, il Monsignor Fernandez del Vaticano si mise in contatto con lui per ringraziarlo di tutto il materiale che aveva consegnato a Papa Francesco. Per finire: ho fatto quello che il Papa Francesco mi ha chiesto, senza nessuna pretesa di influenzarlo. L’enciclica è sua e lui è l’autore. Comunemente il Papa lavora con un corpo di periti che lo aiutano e con altri specialisti invitati. Quello che posso dire è che io sento molte risonanze dei miei pensieri e modi di dire nell’enciclica che non sono soltanto miei, ma di quanti lavorano a partire dal nuovo paradigma di una ecologia integrale. Ma io sono stato un semplice servo come si dice nel Vangelo.

Cosa ci potrebbe dire lei rispetto al Papa e al modo come lui sta affrontando questioni delicate nella chiesa?

Considero Papa Francesco uno dei più grandi leaders mondiali, sia in campo religioso sia in campo politico. Nel campo religioso ha usato la tenerezza di San Francesco per trattare le persone, particolarmente i più poveri. Ma ha trattato con fermezza di gesuita coloro che hanno macchiato l’immagine della Chiesa cristiana con abusi sessuali e crimini finanziari. In questo punto è stato duro e ha agito come medico. Ha ripulito il Vaticano e forse avrà ancora qualcosa da pulire.

Il fatto più visibile è che lui ha portato una primavera nella chiesa dopo tentativi di ritorno alla grande vecchia disciplina. I cristiani sentono la chiesa come un focolare spirituale e non come un incubo da sopportare scoraggiati. Politicamente lui ha promosso il dialogo tra i popoli, riavvicinato Cuba agli Stati Uniti e viceversa e ha predicato insistentemente l’incontro come forma di superare preconcetti e fondamentalismi e creare spazio per la pace. E lo fa con tanta dolcezza e convinzione che difficilmente qualcuno smette di dargli attenzione.

Lo scandalo della povertà mondiale in un mondo ad altissimo consumo, la devastazione degli ecosistemi e le minacce che pesano sulla casa comune, trascurata e maltrattata, lo preoccupano costantemente, perché presagisce situazioni apocalittiche se non faremo niente di serio per contenere il riscaldamento globale. Credo che l’enciclica andrà a rafforzare una visione più ampia, sistemica, integrale dell’ecologia inserendo specialmente la questione sociale mentale e profonda. Spero che la discussione ora sarà più ricca e non soltanto ridotta a problemi dell’ambiente.

Lei ha visto progressi significativi della questione tra le principali potenze mondiali?

C’è una irresponsabilità incosciente e colpevole a proposito delle minacce che pesano sul nostro futuro.

Vedo pochi passi avanti perché gl’interessi economici si impongono sulla preoccupazione per la salvaguardia dell’unica casa comune che abbiamo per abitarci. C’è un’incoscienza irresponsabile e colpevole intorno alle minacce che pesano sul nostro futuro.

Se si ascoltasse quello che dice la comunità scientifica mondiale, ben altri sarebbero i risultati degli incontri organizzati dall’Onu sul riscaldamento globale e sulla crescente erosione della biodiversità: secondo il noto biologo Edward O. Wilson, il numero delle specie che ogni anno spariscono definitivamente dal ciclo evolutivo oscilla tra le 27.000 e le 100.000.

Viviamo come ai tempi di Noè: le persone mangiavano, bevevano, prendevano moglie o marito e non importava niente dell’arrivo di uno tsunami. Questa volta però sarà diverso. Non ci sarà un’arca di Noè che salvi qualcuno e lasci morire tutti gli altri. Potremo avere lo stesso destino tragico. Il Papa parla di queste questioni, ma come uomo di fede ricorda che Dio è il “Signore amante della vita”, espressione che usa più di una volta e che concede alla speranza e non al disastro l’ultima parola,

Come vede lei il futuro della Terra? Ci sono speranze?

Il mio presentimento oscilla tra la catastrofe e la crisi. Come studioso della questione da più di trent’anni e leggendo gli ultimi dati scientifici ho l’impressione che la nostra ora è già arrivata. Abbiamo fatto tante e così gravi aggressioni contro la madre terra che non meritiamo più di vivere su di essa. Inoltre di anno in anno sono più di 3000 le specie che arrivano al loro climax e naturalmente spariscono dal processo evolutivo. E non sarà per caso arrivato anche il nostro turno? D’altro lato una crisi conserva sempre e purifica e fa crescere.

Come uomo di fede io so che il disegno del creatore, iscritto nelle circonvoluzioni del processo cosmogenetico, può portare alla nostra piccola nave al porto nonostante i venti contrari. Anche se avvenisse una catastrofe che liquidasse la vita visibile del nostro pianeta (solo il 5% è visibile, il resto, il 95% è invisibile: batteri, virus, funghi), credo che l’ultima parola spetterà alla vita. In che modo, non so. Faccio una scommessa positiva: credo e spero.

Traduzione di Romano e Lidia Baraglia