Como enfrentar o novo regime climático da Terra?

Leonardo Boff

Ultimamente muitos me tem perguntado pelas razões de tantos eventos extremos que estão ocorrendo por todo o planeta: por que tantos tufões, ciclones, enchentes, nevascas, secas prolongadas e ondas de calor com cerca de 40C ou mais, seja na Europa e mesmo em grande parte de nosso país? Até alguns anos atrás os grandes centros científicos e mesmo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) não tinham certeza sobre seu caráter, se era algo natural ou consequência da atividade humana. Lentamente a frequência dos eventos extremos  foi crescendo até a ciência reconhecer que se tratava de um fato antropogênico, quer dizer, resultado da ação humana devastadora da natureza.

Alguns cientistas projetaram a hipótese que depois se confirmou como teoria (verdade em ciência enquanto não for refutada) de que uma nova era geológica havia se instaurado. Chamaram-na com razão de antropoceno que seguiu o holoceno de onde vínhamos já há mais de dez mil anos. Significa que o meteoro rasante que destrói a natureza e compromete o equilíbrio do planeta é o ser humano,especialmente, o processo produtivo explorador.Hoje esta compreensão se naturalizou nos discursos científicos e também no meios de comunicação.

Alguns biólogos vendo o extermínio de espécies vivas em razão da mudança climática começaram a falar do necroceno vale dizer, da morte (necro em grego), em grande escala, de vidas; seria um subcapítulo do antropoceno.A situação tornou-se muito mais grave com a irrupção de grandes incêndios em muitas regiões do planeta, inclusive naquelas que se imaginava as mais únidas como a Amazônia e a Sibéria. Para tal evento, extremamente perigoso para a continuidade da vida na Terra, criou-se a expressão piroceno (em grego piros é fogo).

Estaríamos neste momento no interior de várias manifestações de desequilíbrios no sistema-Terra e no sistema-Vida que nos obrigam a a  colocar a pergunta: como será daqui por diante o curso de nossa história? A não se fazer mudanças corajosas e seguir pelo caminho percorrido até o momento, poderemos conhecer  verdadeiras tragédias ecológico-sociais. António Guterrez, secretário geral da ONU tem usado expressões duras, afirmando: “ou reduziremos drasticamente a emisssão de gases de efeito estufa ou iremos ao encontro de um suicídio coletivo. Mais direto foi ainda o Papa Francisco, na encíclica Fratelli tutti: “estamos no mesmo barco,ou nos salvamos todos ou ninguém se salvará”(n.32).

O fato é que a Terra não é mais a mesma. O sistema de sua auto-sustentação em todas as esferas que compõe um planeta vivo, Grande Mãe ou Gaia, corre risco de entrar em colapso Os que anualmente calculam a Sobrecarga da Terra (The Earth Overshoot),  vale dizer, a redução crescente dos elementos mantenedores da vida, ocorreu  neste ano no dia 2 de agosto.Eles nos advertem, que  não podemos chegar a novembro porque aí todo o sistema planetário entraria em colapso.

Se tudo mudou, nós que somos parte  da Terra ou, mais corretamente,aquela porção consciente dela, também teremos que mudar  e incorporar aquelas adaptações que nos permitirão continuar sobre este planeta. Em que se basear para esta adaptação?

Seguramente a tecno-ciência é indispensável. Mas nela não se encontra a solução. Ela se ocupa com os meios. Mas meios para que fins? Estes fins constituem  aquele conjunto de princípios e valores que fundam uma sociedade humana e permitem um convivência minimamente pacífica, pois, largados aos seus próprios impulsos,os seres humanos podem se entre-devorar (superação da barbárie).

A fonte destes valores e princípios não se encontram em utopias conhecidas e superadas, em ideologias ou religiões. Para serem humanos, tais valores e princípios devem ser buscados na própria existência humana,quando observada com atenção e profundidade.

O primeiro dado:pertence ao DNA do ser humano como o mostrou um dos decifradores do genoma humano (J.Watson, DNA:o segredo da vida, 1953) o amor social. Por causa dele nos sentimos parentes com todos os portadores deste código, também nos seres vivos da natureza. Este amor social funda uma fraternidade sem fronteiras,constituindo a comunidade biótica e a sociabilidade humana. O cuidado essencial: desde a mais alta antiguidade  (a fábula 22 de Higino do tempo de César Augusto)  foi visto como a essência do ser humano e de todo e qualquer vivente. Se não for cuidado,garantido-lhe os nutrientes necessários, fenece e morre. A isso pertence manter as florestas em pé e reflorestar as áreas devastadas. Está também em nosso DNA o sentido da interdependência entre todos. Todos estamos dentro de uma rede de relações e nada existe e subsiste fora deste complexo de relações Ele constitui a matriz relacional, perdida no modo de produção capitalista que privilegia a competição e não a cooperação e dá  a centralidade ao indivíduo, apartado de sua relação para com a natureza. Cabe também ao nosso substrato humano, a percepção da corresponsabilidade coletiva e universal, pois, ou todos se unem e se salvam ou se dilacera a realidade com o risco de tragédias ecológico-sociais sem fim. Esse senso de corresponsabilidade coletiva sustenta o projeto social mais promissor, capaz de salvaguardar a vida que ganhou forma no ecosocialismo (cf. Michael Löwy). Seria a humanidade junto com a comunidade de vida vivendo dentro da mesma Casa Comum de forma colaborativa e acolhedora das diferenças. Dentro desta Casa Comum coexistem os vários mundos culturais com seus valores e e tradições, como o mundo cultural chinês, indiano, europeu,americano e dos povos originários  entre outros. A  espiritualidade pertence também à existência humana originária que se compõe pela valorização da vida, pela compaixão pelos mais fracos, pelo cuidado por  tudo o que existe e vive e pela total abertura ao infinito, já que somos um projeto de infinitas possibilidades a serem realizadas.Esta espiritualidade não se identifica com a religião, embora esta nasça da espiritualidade,mas nos valores acima referidos.

Para alcançar essa forma de habitar a Terra, os humanos deverão reunciar a muitas coisas, especialmente ao individualismo, ao consumismo,à busca insaciável de bens materiais e de poder sobre outros. São adaptações obrigatórias, se decidirmos continuar neste pequeno e belo planeta  ou então enfrentaremos o conjunto das crise acima referidas que poderão, no seu termo, liquidar com a espécie humana.

Nesse sentido podemos falar de uma recriação do ser humano que se adaptou à nova fase da Terra aquecida e equilibrada num nível mais alto de aquecimento (entre 38-40C?). Ela colocará a vida em seu centro e tudo o mais a serviço dela. Como já foi dito, será a Terra da Boa Esperança, finalmente, a antecipação do mito dos povos originários: a Terra sem Males.

Leonardo Boff é ecoteólogo e escreveu: Dignitas Terra: ecologa, grito da Terra-grito do pobre 1999; O doloroso parto da Mãe Terra: uma sociedade de fraternidade sem fronteiras e de amizade social, Vozes, 2021: Habitar a Terra:qual o caminho para a fraternidade universal, Vozes 2022.

Cambios climáticos: aprender a hacer las conexiones

Leonardo Boff*

No vamos al encuentro del calentamiento global; estamos ya dentro de él, posiblemente de manera irreversible. En la COP 15 de París en 2015 se firmó el acuerdo de invertir mil millones de dólares anuales para contener el calentamiento y ayudar a los países que no poseen medios suficientes para ello. La perspectiva era evitar que el clima aumentase 1,5°C hasta 2030, teniendo como referencia el comienzo de la era industrial. El hecho es que casi nadie cumplió  lo prometido. Como el calentamiento crece día a día, llegamos al punto en el que el último informe del IPCC del año 2023 y otras fuentes oficiales nos revelan que este calentamiento nos llegará anticipado, entre 2025 y 2027. Podrá aumentar 2 grados Celsius.

En este año de 2023 hemos verificado un aumento del calentamiento angustioso, que ha alcanzado prácticamente a todo el mundo, llegando en muchos sitios por encima de 40°C o más. Ya no podemos hablar simplemente de calentamiento global sino de cambio del régimen climático de la Tierra. Hemos inaugurado una nueva era, con niveles climáticos variables según las regiones, pero posiblemente estabilizándose planetariamente en 38-40°C.

En este año ya se han hecho notar las consecuencias funestas de este cambio de régimen  climático: el gran deshielo de los cascos polares, incendios devastadores en muchas regiones del mundo, como en Canadá y en Filipinas que quemó una isla entera con casas, automóviles y todo lo que compone una ciudad. En el Sur de Brasil ha ocurrido un ciclón devastador e inundaciones en muchas ciudades, algunas de ellas prácticamente destruidas.

Andando por aquellos lugares a finales de septiembre y reflexionando en varios centros con numerosos grupos sobre ese fenómeno, surgía siempre de nuevo la pregunta: ¿por qué está ocurriendo esta devastación con muertes y miles de damnificados?

Me esforcé todo lo que pude para concientizarles de que estos fenómenos no son naturales, incluso con la confluencia de dos factores: el del Niño y el calentamiento global. Estos fenómenos son innaturales. Obedecen a la nueva lógica de los cambios del régimen  climático. Debemos prepararnos todos porque tales devastaciones serán cada vez más frecuentes y más dañinas.

Muchos de los más notables climatólogos afirman que hemos llegado atrasados con nuestra ciencia y nuestra técnica.  En las condiciones actuales de la investigación, ellas poco pueden hacer, solo  avisarnos de la llegada de los ciclones, los huracanes y las   tempestades y  aminorar los efectos dañinos. Pero estos vendrán fatalmente. Lo quieran o no los negacionistas, los dirigentes de grandes corporaciones planetarias y de gobiernos enteros, el hecho innegable es que entramos en un nuevo estadio de la historia de la Tierra. Muchas personas, especialmente niños y personas mayores, tendrán dificultades de adaptación y morirán.  Igual devastación sucederá en la propia naturaleza con la fauna y la flora.

En lo que se refiere a las inundaciones, he explicado que cada río tiene dos lechos: el normal por el cual corre normalmente y un segundo, ampliado, que es el espacio que le pertenece y que acoge las aguas de las crecidas. En este espacio del lecho ampliado no podemos hacer construcciones ni levantar barrios enteros.  Tenemos que respetar lo que  le pertenece y reforzar la mata ciliar que orillea su lecho principal. De lo contrario, enfrentaremos  destrucciones importantes con muchas víctimas de personas y de animales que pertenecen a nuestra comunidad de vida.

Aprendemos por la ecología, no meramente verde y ambiental, sino por la ecología integral (urbana, social, política, cultural y espiritual) aquello que es la tesis fundamental de la física cuántica y de todo discurso ecológico: todos los seres están interligados. Todo es relación y no existe nada fuera de la relación.  Esto nos lleva a una comprensión que identifica las conexiones de todos los fenómenos. El terremoto de Marruecos, las inundaciones en Libia, los incendios en Canadá y la ola casi insoportable de calor que se apoderó de Europa y de casi todo nuestro país, tienen que ver con las inundaciones del Sur de Brasil. Ya que el problema es sistémico, afecta a todo el planeta.

Hay que hacer una  “conversión ecológica fundamental” como dice la encíclica del Papa “como cuidar de la Casa Común”.

Los grandes conglomerados y la pequeñísima porción de personas que controla el sistema de producción y los flujos financieros de donde sacan sus  fabulosos lucros, jamás aceptan tal cambio. Perderían sus ganancias, sus privilegios, su poder económico y político.  Sin embargo,  de seguir por este camino volveremos la Tierra cada vez más inhabitable, con millones de refugiados climáticos y migrantes que ya no pueden vivir en sus lugares queridos. Engrosaremos el cortejo de los que caminan hacia su propia sepultura. Si queremos evitar este destino tragico, tenemos que cambiar.

¿Cuál es la alternativa necesaria? No es aquí  el espacio para detallar esta compleja respuesta. Voy a mencionar solo dos palabras clave: pasar del ser  humano hoy dominante, como “dominus”, amo y señor de la naturaleza, que no se siente parte de ella y la explota sin límites,  al ser humano como “frater”, hermano y hermana entre todos los humanos y también con los demás seres de la naturaleza, de la cual es la parte consciente, porque tenemos con ellos la  misma base biológica y  cuidamos de ella. Somos de hecho hermanos y hermanas por un dato de la ciencia más que por la  mística cósmica de San Francisco.  Pero el hecho es que no nos tratamos como hermanos y hermanas; somos más bien insensibles y crueles.

Sobre estos temas remito a mis escritos que tratan de detallar este nuevo rumbo en la linea de un ecosocialismo planetario y solidario con todos los humenos y con los demás seres de la naturaleza.

*Leonardo Boff ha escrito El doloroso parto de la Madre Tierra: una sociedad de fraternidad sin fronteras y de amistad social, Vozes 2021; Habitar la Tierra: el  camino para la fraternidad universal, Vozes, 2021; Cuidar la Tierra y proteger la vida: cómo escapar del fin del mundo, Record 2014; La búsqueda de la justa medida como factor para el equilibrio de la Tierra, Vozes 2023.

Traducción de María  José Gavito Milano

Mutter Erde birgt böse Überraschungen

Leonardo Boff

Seit dem Altertum wird die Erde als Mutter betrachtet, die uns zusammen mit anderen kosmischen Energien mit allem versorgt, was das Leben auf dem Planeten braucht. Die Griechen nannten sie Gaia oder Demeter, die Römer Magna Mater, die Orientalen Nana, die Andenbewohner Pachamama. Alle Kulturen betrachteten sie als eine lebendige Super-Entität, die, da sie lebendig ist, Leben hervorbringt und fortpflanzt.

Erst in der europäischen Moderne, ab dem 17. Jahrhundert, wurde die Erde als ein “bloßes ausgedehntes Ding” ohne Zweck betrachtet. Die Natur, die sie bedeckt, hat keinen Wert an sich, sondern nur insofern, als sie dem Menschen nützlich ist. Der Mensch betrachtet sich nicht als Teil der Natur, sondern als “ihr Herr und Meister”. Er hat alles mit ihr gemacht, ohne den geringsten Respekt, manches gut, manches tödlich. Diese kühne Moderne hat den Beginn ihrer eigenen Selbstzerstörung mit Waffen geschaffen, die sie, sich selbst und das Leben völlig zerstören können.

Lassen wir diese todbringende, ökozidale und geozidale Art und Weise, die Erde zu bewohnen, hinter uns, so bedrohlich sie auch jeden Moment sein mag. Lassen wir uns von den jüngsten Extremereignissen herausfordern (ohne vorgeben zu wollen, sie zu erklären): große Überschwemmungen im Süden des Landes und in Libyen, ein verheerendes Erdbeben in Marokko, unkontrollierbare Brände in Kanada, auf den Philippinen und anderswo.

In der wissenschaftlichen Gemeinschaft (mit Ausnahme der Politik und der großen dominierenden Wirtschaftsoligopole) besteht ein zunehmender Konsens darüber, dass die Hauptursache dafür, aber nicht die einzige Ursache, in einer Veränderung des Klimaregimes der Erde und den nicht nachhaltigen Grenzen des Planeten liegt. Es ist der so genannte Earth Overshoot Day: Wir verbrauchen mehr, als die Erde uns bieten kann. Und sie kann nicht mehr verkraften.

Da es sich um eine lebende Superentität handelt, reagiert sie, indem sie uns die globale Erwärmung, Wellen von Extremereignissen, Erdbeben, Wirbelstürme, tödliche Viren etc. schickt. Wir sind an einem Punkt angelangt, an dem wir, wenn wir diese Art der Zerstörung von Ökosystemen nicht ändern, auf unsere Auslöschung als menschliche Spezies zusteuern könnten. Die jüngsten Ereignisse sind Vorwarnungen.

Wir müssen aus allem etwas lernen. Heute wissen wir, was früheren Generationen verwehrt war: wie die tektonischen Platten, aus denen der Erdboden besteht, funktionieren. Wir kennen ihre gefährlichen Risse und wissen, welche Platten sich bewegen können. Die Folge ist, dass, wenn wir unsere Städte und Häuser auf diesen Rissen bauen, der Tag kommen kann, an dem sich die Risse verschieben oder zusammenstoßen und ein Erdbeben mit unabsehbaren menschlichen und kulturellen Opfern entsteht. Werke menschlicher Genialität werden auf diese Weise zerstört. Die Konsequenz, die wir heute ziehen müssen, ist, dass wir unsere Häuser und Städte nicht auf solchen Plätzen bauen dürfen. Oder wir müssen, wie die Japaner, Technologien für Gebäude entwickeln, die auf Materialien basieren, die das Ganze so ausbalancieren, dass sie den Bewegungen von Erdbeben standhalten.

 Das Gleiche gilt für große Überschwemmungen von überwältigendem Ausmaß. Wir wissen, dass jeder Fluss ein Flussbett hat, durch das das Wasser fließt. Aber die Natur sorgt dafür, dass es an den Ufern Räume gibt, die breit genug sind, um Überschwemmungen standzuhalten. Diese Räume sind Teil des verbreiterten Flussbettes. Vergeblich werden darauf Gebäude und ganze Städte gebaut. Wenn die Flut kommt, erobert sich das Wasser den Raum zurück, durch den es fließt, und es kommt zu großen Katastrophen. Angesichts dieser Tatsachen ist es notwendig, Maßnahmen zur Eindämmung zu ergreifen oder einfach nicht zuzulassen, dass Häuser, Fabriken und Stadtviertel auf diesen Flächen gebaut werden. Radikaler ausgedrückt: Diese Teile der Stadt müssen einen anderen Platz finden, der vor Beschädigung oder Zerstörung sicher ist.

Dies sind Erkenntnisse, die Regierungen und Behörden berücksichtigen müssen. Andernfalls müssen sie sich aus Unkenntnis, die an Verantwortungslosigkeit grenzt, mit Katastrophen befassen, die von Zeit zu Zeit Menschen töten, Häuser zerstören und eine Region unbewohnbar machen.

Diese Katastrophen sind Teil der Erdgeschichte. Wir haben 15 große Massenaussterben erlebt. Eines der bedeutendsten ereignete sich vor 245 Millionen Jahren während der Bildung der Kontinente (aus dem einzigen Pangäa). Es löschte 90 % des tierischen, marinen und terrestrischen Lebens aus. Es dauerte ein paar Millionen Jahre, bis die Erde ihre Artenvielfalt wieder aufgebaut hatte.

Das zweite große Massenaussterben fand vor 65 Millionen Jahren statt, als ein Asteroid mit einem Durchmesser von fast 10 km in Yucatan in Südmexiko einschlug. Er verursachte eine gewaltige Flutwelle mit einer riesigen Menge giftiger Gase und einem riesigen Nebel, der die Sonne verdunkelte und die Photosynthese verhinderte. 50 % aller Arten starben aus. Die Dinosaurier, die 130 Millionen Jahre lang einen Teil der Erde bevölkert hatten, waren die Hauptopfer.

Merkwürdigerweise erlebte die Erde nach jedem Massenaussterben eine fantastische Blüte neuer Arten. Nach dem letzten Massenaussterben tauchten vor allem Säugetiere auf, von denen wir abstammen. Doch mysteriöserweise begann auch ein drittes Massenaussterben. Das jetzige ist nicht wie die anderen beiden, die auf einmal stattfanden, sondern es vollzieht sich langsam, in mehreren Phasen, beginnend mit der Eiszeit vor 2,5 Millionen Jahren. In jüngster Zeit hat sich dieses Aussterben beschleunigt. Das Klimaregime wird von Tag zu Tag stärker, und die Extremereignisse häufen sich, wie wir bereits beschrieben haben. Wir befinden uns in einem ökologischen Alarmzustand, denn wie der Papst in Fratelli Tutti sehr ernsthaft sagt: “Wir sitzen alle in einem Boot, entweder werden wir alle gerettet oder niemand wird gerettet”.

Wie Peter Ward in seinem Buch O fim da evolução (Campus 1997) schreibt: “Vor 100.000 Jahren schlug ein weiterer großer Asteroid auf der Erde ein, diesmal in Afrika. Dieser Asteroid wird Homo sapiens genannt”. Mit anderen Worten: Es ist der moderne Mensch, der das Anthropozän, das Nekrozän und das Pyrozän eingeleitet hat.

Wenn die Gefahr groß ist, sagte ein deutscher Dichter, ist auch die Möglichkeit der Rettung groß. Darauf hoffe und vertraue ich, trotz des oben beschriebenen Unglücks.

Leonardo Boff Autor von: El doloroso parto de la Madre Tierra, Vozes 2021; Habitar la Tierra 2022.

Mutter Erde birgt böse Überraschungen

Leonardo Boff

Seit dem Altertum wird die Erde als Mutter betrachtet, die uns zusammen mit anderen kosmischen Energien mit allem versorgt, was das Leben auf dem Planeten braucht. Die Griechen nannten sie Gaia oder Demeter, die Römer Magna Mater, die Orientalen Nana, die Andenbewohner Pachamama. Alle Kulturen betrachteten sie als eine lebendige Super-Entität, die, da sie lebendig ist, Leben hervorbringt und fortpflanzt.

Erst in der europäischen Moderne, ab dem 17. Jahrhundert, wurde die Erde als ein “bloßes ausgedehntes Ding” ohne Zweck betrachtet. Die Natur, die sie bedeckt, hat keinen Wert an sich, sondern nur insofern, als sie dem Menschen nützlich ist. Der Mensch betrachtet sich nicht als Teil der Natur, sondern als “ihr Herr und Meister”. Er hat alles mit ihr gemacht, ohne den geringsten Respekt, manches gut, manches tödlich. Diese kühne Moderne hat den Beginn ihrer eigenen Selbstzerstörung mit Waffen geschaffen, die sie, sich selbst und das Leben völlig zerstören können.

Lassen wir diese todbringende, ökozidale und geozidale Art und Weise, die Erde zu bewohnen, hinter uns, so bedrohlich sie auch jeden Moment sein mag. Lassen wir uns von den jüngsten Extremereignissen herausfordern (ohne vorgeben zu wollen, sie zu erklären): große Überschwemmungen im Süden des Landes und in Libyen, ein verheerendes Erdbeben in Marokko, unkontrollierbare Brände in Kanada, auf den Philippinen und anderswo.

In der wissenschaftlichen Gemeinschaft (mit Ausnahme der Politik und der großen dominierenden Wirtschaftsoligopole) besteht ein zunehmender Konsens darüber, dass die Hauptursache dafür, aber nicht die einzige Ursache, in einer Veränderung des Klimaregimes der Erde und den nicht nachhaltigen Grenzen des Planeten liegt. Es ist der so genannte Earth Overshoot Day: Wir verbrauchen mehr, als die Erde uns bieten kann. Und sie kann nicht mehr verkraften.

Da es sich um eine lebende Superentität handelt, reagiert sie, indem sie uns die globale Erwärmung, Wellen von Extremereignissen, Erdbeben, Wirbelstürme, tödliche Viren etc. schickt. Wir sind an einem Punkt angelangt, an dem wir, wenn wir diese Art der Zerstörung von Ökosystemen nicht ändern, auf unsere Auslöschung als menschliche Spezies zusteuern könnten. Die jüngsten Ereignisse sind Vorwarnungen.

Wir müssen aus allem etwas lernen. Heute wissen wir, was früheren Generationen verwehrt war: wie die tektonischen Platten, aus denen der Erdboden besteht, funktionieren. Wir kennen ihre gefährlichen Risse und wissen, welche Platten sich bewegen können. Die Folge ist, dass, wenn wir unsere Städte und Häuser auf diesen Rissen bauen, der Tag kommen kann, an dem sich die Risse verschieben oder zusammenstoßen und ein Erdbeben mit unabsehbaren menschlichen und kulturellen Opfern entsteht. Werke menschlicher Genialität werden auf diese Weise zerstört. Die Konsequenz, die wir heute ziehen müssen, ist, dass wir unsere Häuser und Städte nicht auf solchen Plätzen bauen dürfen. Oder wir müssen, wie die Japaner, Technologien für Gebäude entwickeln, die auf Materialien basieren, die das Ganze so ausbalancieren, dass sie den Bewegungen von Erdbeben standhalten.

 Das Gleiche gilt für große Überschwemmungen von überwältigendem Ausmaß. Wir wissen, dass jeder Fluss ein Flussbett hat, durch das das Wasser fließt. Aber die Natur sorgt dafür, dass es an den Ufern Räume gibt, die breit genug sind, um Überschwemmungen standzuhalten. Diese Räume sind Teil des verbreiterten Flussbettes. Vergeblich werden darauf Gebäude und ganze Städte gebaut. Wenn die Flut kommt, erobert sich das Wasser den Raum zurück, durch den es fließt, und es kommt zu großen Katastrophen. Angesichts dieser Tatsachen ist es notwendig, Maßnahmen zur Eindämmung zu ergreifen oder einfach nicht zuzulassen, dass Häuser, Fabriken und Stadtviertel auf diesen Flächen gebaut werden. Radikaler ausgedrückt: Diese Teile der Stadt müssen einen anderen Platz finden, der vor Beschädigung oder Zerstörung sicher ist.

Dies sind Erkenntnisse, die Regierungen und Behörden berücksichtigen müssen. Andernfalls müssen sie sich aus Unkenntnis, die an Verantwortungslosigkeit grenzt, mit Katastrophen befassen, die von Zeit zu Zeit Menschen töten, Häuser zerstören und eine Region unbewohnbar machen.

Diese Katastrophen sind Teil der Erdgeschichte. Wir haben 15 große Massenaussterben erlebt. Eines der bedeutendsten ereignete sich vor 245 Millionen Jahren während der Bildung der Kontinente (aus dem einzigen Pangäa). Es löschte 90 % des tierischen, marinen und terrestrischen Lebens aus. Es dauerte ein paar Millionen Jahre, bis die Erde ihre Artenvielfalt wieder aufgebaut hatte.

Das zweite große Massenaussterben fand vor 65 Millionen Jahren statt, als ein Asteroid mit einem Durchmesser von fast 10 km in Yucatan in Südmexiko einschlug. Er verursachte eine gewaltige Flutwelle mit einer riesigen Menge giftiger Gase und einem riesigen Nebel, der die Sonne verdunkelte und die Photosynthese verhinderte. 50 % aller Arten starben aus. Die Dinosaurier, die 130 Millionen Jahre lang einen Teil der Erde bevölkert hatten, waren die Hauptopfer.

Merkwürdigerweise erlebte die Erde nach jedem Massenaussterben eine fantastische Blüte neuer Arten. Nach dem letzten Massenaussterben tauchten vor allem Säugetiere auf, von denen wir abstammen. Doch mysteriöserweise begann auch ein drittes Massenaussterben. Das jetzige ist nicht wie die anderen beiden, die auf einmal stattfanden, sondern es vollzieht sich langsam, in mehreren Phasen, beginnend mit der Eiszeit vor 2,5 Millionen Jahren. In jüngster Zeit hat sich dieses Aussterben beschleunigt. Das Klimaregime wird von Tag zu Tag stärker, und die Extremereignisse häufen sich, wie wir bereits beschrieben haben. Wir befinden uns in einem ökologischen Alarmzustand, denn wie der Papst in Fratelli Tutti sehr ernsthaft sagt: “Wir sitzen alle in einem Boot, entweder werden wir alle gerettet oder niemand wird gerettet”.

Wie Peter Ward in seinem Buch O fim da evolução (Campus 1997) schreibt: “Vor 100.000 Jahren schlug ein weiterer großer Asteroid auf der Erde ein, diesmal in Afrika. Dieser Asteroid wird Homo sapiens genannt”. Mit anderen Worten: Es ist der moderne Mensch, der das Anthropozän, das Nekrozän und das Pyrozän eingeleitet hat.

Wenn die Gefahr groß ist, sagte ein deutscher Dichter, ist auch die Möglichkeit der Rettung groß. Darauf hoffe und vertraue ich, trotz des oben beschriebenen Unglücks.

Leonardo Boff Autor von: El doloroso parto de la Madre Tierra, Vozes 2021; Habitar la Tierra 2022.