A morte como invenção da vida

Na vida damos muitas voltas. Na última dela, encontramos a morte. Ela é a única certeza inarredável. Porque somos, por essência, seres mortais. Vamos morrendo lentamente,cada segundo um pouco, em prestações, até acabar de morrer.

O sentido que damos à morte representa também o sentido que damos à vida. Cada povo com sua cultura interpreta, a sua maneira, a morte.

Quero referir algumas visões que mereceram minha consideração. Como cristão começo comigo mesmo, como entendo a morte.

Não considero a morte como o fim da vida. Morrer é um acabar de nascer. A vida vai para além da morte. Por isso meu livro sobre o tema não se intitula: “Vida depois da morte”, mas “Vida para além da morte”. A vida se estrutura dentro de duas linhas:

Numa, a vida começa a nascer e vai nascendo ao longo do tempo, aprendendo a caminhar, a falar, a pensar, a se comunicar e a se autoconstruir  até acabar de nascer. É o momento da morte. Na outra, a vida começa a morrer,no momento mesmo em que nasce, pois lentamente o capital vital vai se consumindo ao longo dos anos até acabar de morrer.

No cruzamento das duas linhas – acabar de nascer e acabar de morrer – se dá a passagem para outro nível de vida que os cristãos chamam de ressurreição: é a vida que chega, na morte, à plena realização de suas potencialidades e irrompe para dentro de Deus. Mas não de qualquer jeito, pois somos imperfeitos e pecadores. Passaremos pela clínica de Deus na qual nos purgamos e amadureceremos até chegar à nossa plenitude. É o juízo purificador. Outros chamam de purgatório, antessala do céu e não do inferno.

Em todos os casos, não vivemos para morrer, como diziam os existencialistas. Morremos para ressuscitar como dizem os cristãos.

Há uma frase inspiradora da grande figura cubana, José Marti, escritor, poeta, filósofo e combatente na libertação de seu país,da dominação de um tirano. Para Marti “morrer é fechar os olhos para ver melhor”.

Quando queremos nos concentrar e ir fundo no pensamento, fechamos naturalmente os olhos. Ao morrer, fechamos os olhos para vermos melhor o coração do universo, nosso lugar dentro dele e a Suprema Realidade que tudo faz existir e persistir.

Tenho um amigo de Uganda que trabalha na rádio vaticana, Filomeno Lopes, que me descreveu assim a concepção da morte  mais vigente entre os africanos:

“Na África, quando morre um idoso, não se chora, mas celebra-se o triunfo da vida sobre a morte, pois a vida percorreu o seu caminho normal e pudemos recolher a herança antes da morte dos nossos pais. Por isso dizemos que “os nossos mortos nunca partiram”. Só deixam de estar conosco na imanência do nosso quotidiano, para “ser, habitar em nós“. Assim estabelece-se entre nós e eles aquela profunda comunhão, que se revela por vezes mais forte do que quando estavam fisicamente entre nós. Isto permite-nos chamá-los na oração e pedir-lhes que intercedam por nós nas nossas circunstâncias vitais quotidianas, pois somos a única razão pela qual ainda estão presentes, como vivos, na face da terra. A vida humana, de fato, não nasce contigo, mas renasce sempre contigo. Nesse sentido, a vida é ela mesma, “filosofia”, enquanto nunca começa apenas uma vez, mas recomeça sempre a qualquer momento, em qualquer espaço, tempo ou circunstância histórica”.”Na África, quando morre um idoso, não se chora, mas celebra-se o triunfo da vida sobre a morte, pois a vida percorreu o seu caminho normal e pudemos recolher a herança antes da morte dos nossos pais. Por isso dizemos que “os nossos mortos nunca partiram”. Só deixam de estar conosco na imanência do nosso quotidiano, para “ser, habitar em nós“. Assim estabelece-se entre nós e eles aquela profunda comunhão, que se revela por vezes mais forte do que quando estavam fisicamente entre nós. Isto permite-nos chamá-los na oração e pedir-lhes que intercedam por nós nas nossas circunstâncias vitais quotidianas, pois somos a única razão pela qual ainda estão presentes, como vivos, na face da terra. A vida humana, de fato, não nasce contigo, mas renasce sempre contigo. Nesse sentido, a vida é ela mesma, “filosofia”, enquanto nunca começa apenas uma vez, mas recomeça sempre a qualquer momento, em qualquer espaço, tempo ou circunstância histórica”.

Para a maioria de nossos povos originários a morte é apenas passar para o outro lado da vida. Os que passaram para o outro lado,especialmente os sábios e os anciãos, acompanham os que ainda estão do lado de cá, visitam-nos nos sonhos e aconselham-nos. São apenas invisíveis mas nunca ausentes.

Contou-me o presidente da Bolívia, Evo Morales Ayma que é indígena e vive a cultura de seu povo: quando se sente pressionado pelos problemas políticos, de noite ou de madrugada, retira-se num canto e com o rosto em terra consulta os sábios e anciãos de sua etnia.Concentra-se. Entra em profunda comunhão com eles. Tempos depois, levanta-se com as inspirações recebidas. A mente se clareou.

Quero honrar  a Sandra Mara Herzer que sendo menina sentia-se menino. Vestia-se como um menino. Assumiu o nome de Anderson Herzer. Sofreu muito na FEBEM.Tinha extrema sensibilidade querendo ajudar a todos os sofredores que encontrava. Com poucas letras, escreveu um livro comovedor, promovido por Suplicy Matarazzo, A Queda para o Alto. Conta toda sua vida e os padecimentos que sua situação provocava. No final do livro publicou alguns poemas. Um é impressionante com o título “Encontrei o que queria”. Nesse pequeno poema fala da morte:”Eu queria que o fogo me cremasse/ para ser as cinzas de quem hoje nasce. Eu queria morrer agora, nesse instante,/ sozinho para novamente ser embrião, e nascer;/ eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver”

Essa beleza e essa generosidade dispensam qualquer comentário.

Por fim, o testemunho daquele que foi um dos maiores seres humanos nascidos no Ocidente e de quem nos podemos orgulhar: Francisco de Assis. Estabeleceu um laço afetivo com todos os seres chamando-os com o doce nome de irmão e de irmã. Em seu cântico a todas as criaturas diz:”Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã a morte corporal, da qual nenhum ser humano vivo pode escapar!” A morte não é uma “bruxa” que nos vem tirar a vida. É a irmã querida que nos abre a porta da eternidade feliz.

A morte não é a última barreira. Ela é uma ponte que nos faz passar do espaço e do  tempo passageiros para a eternidade sem fim. A morte é uma invenção da vida para dar um salto e continuar a viver mais e melhor.

Leonardo Boff escreveu Vida para além da morte, Vozes, muitas edições. A nossa ressurreição na morte, Vozes 2005.

Hat die Ära des globalen Siedens des Planeten begonnen?  

Dieser Satz stammt nicht von mir, sondern von UN-Generalsekretär António Guterrez, der ihn am 27. Juli 2023 sagte, als er von der unerwarteten Beschleunigung der globalen Erwärmung erfuhr. Diese hat den Punkt erreicht, an dem der Planet in einen kochenden Prozess eintritt, angesichts der Sorglosigkeit menschlicher Prozesse, insbesondere des Industrialismus und des kapitalistischen Produktivismus (einschließlich Chinas), die fossile Energie, Kohle und andere Treibhausgas erzeugende Elemente missbrauchen.

Die Durchschnittstemperatur auf der Erde beträgt 15 Grad Celcius. Aber dieser Durchschnitt hat begonnen, so stark zu steigen, dass er im Juli 2023 bereits 17 Grad Celcius übersteigt.

All dies ist auf die Tatsache zurückzuführen, dass jedes Jahr etwa 40 Milliarden Tonnen CO2 in die Atmosphäre freigesetzt werden, die mehr als 100 Jahre lang dort verbleiben, plus salpetrige Säure und Methan, das 28-mal schädlicher ist als CO2, obwohl es etwa 9-10 Jahre lang in der Atmosphäre verbleibt.

Die Folgen dieses Anstiegs zeigen sich in lang anhaltenden Dürren, Überschwemmungen ganzer Regionen und Städte, Wirbelstürmen, außertropischen Wirbelstürmen wie im Süden Brasiliens und Bränden fast überall auf der Erde. Die Auswirkungen auf das Leben der Menschen sind enorm. Die bekannte Fachzeitschrift Nature Medicine schätzt, dass die große Hitze im Jahr 2022 allein in Europa 61.000 Todesfälle verursacht hat. Ganz zu schweigen von Afrika und Asien oder den ärmeren Ländern, in denen Tausende von Kindern und älteren Menschen ums Leben gekommen sind, insbesondere in Zentralindien, wo die Temperaturen in die Höhe schossen.

Wenn man sich ansieht, wie wenig die großen Konzerne und Staaten tun, um diesen langsamen, aber allgegenwärtigen Temperaturanstieg zu stoppen, deutet alles darauf hin, dass wir bereits den Punkt erreicht haben, an dem es kein Zurück mehr gibt. Wissenschaft und Technologie sind zu spät gekommen, sie können den Anstieg nicht aufhalten. Sie helfen nur, die unvermeidlichen schädlichen Auswirkungen abzumildern.

Aber nicht alles ist fatal. Es lohnt sich, daran zu erinnern, dass das Unwahrscheinliche passieren kann: Der Mensch, der sich der Gefahr seines Verschwindens bewusst ist, macht einen Bewusstseinssprung, hin zur Noosphäre, wie Teilhard de Chardin sie 1933 projizierte, das heißt, er vereint Herz und Verstand (noosefera), um die Art und Weise zu ändern, wie er produziert, konsumiert und vor allem mit der Natur umgeht, indem er sich als Teil von ihr fühlt, nicht als ihr Herr, und sich um sie kümmert.

Wenn wir die Biografie der Erde betrachten, sehen wir, dass die Erwärmung zur Evolution unseres Planeten gehört. Als wir noch nicht als Spezies auf der Erde existierten, vor 250 Millionen Jahren, erreichte das Klima 32 Grad Celsius und blieb für Tausende und Abertausende von Jahren auf dieser Temperatur. Es kam zu einem massiven Aussterben von Arten von Lebewesen. Später, vor 50 Millionen Jahren, erreichte die Erde 21 Grad Celsius; Krokodile und Palmen passten sich an diese Erwärmung an, aber auch hier kam es zu einem großen Aussterben von Lebewesen. Vor 130.000 Jahren erreichte die Erde die Temperatur, die wir heute erleben, nämlich 17 Grad Celsius. Viele Lebewesen verschwanden, und das Meer stieg um 6-9 Meter an, was die gesamten Niederlande und die tief liegenden nördlichen Teile der Eurozone bedeckt hätte.

Dieser Anstieg des Erdklimas gehört zur Geoevolution. Aber die gegenwärtige wird von den Menschen selbst verursacht, nicht so sehr von den großen armen Mehrheiten, sondern von den Bevölkerungen der üppigen Länder, die weder bei den Angriffen auf die Natur noch bei den Formen des üppigen und rücksichtslosen Konsums das richtige Maß finden. Man sagt, dass wir ein neues geologisches Zeitalter, das Anthropozän, eingeläutet haben. Dieses Konzept besagt, dass die größte Bedrohung für das Leben auf dem Planeten und für die Zukunft der Natur vom Menschen ausgeht. Nach den Worten des Biologen Edward Wilson hat sich der Mensch wie der Satan der Erde verhalten und den Garten Eden in ein Schlachthaus verwandelt. Manche gehen sogar noch weiter und sprechen angesichts des zunehmenden Sterbens (necro) von Arten von Lebewesen in der Größenordnung von 70-100 Tausend pro Jahr von der Nekrozän. In letzter Zeit spricht man vom Pyrozän also dem Zeitalter des Feuers. Auch das ist vom Menschen verursacht, aber vor allem deshalb, weil die Böden trockener und die Felsen heißer geworden sind; es braucht nur trockenes Laub und Stöcke darauf, um fast überall auf der Erde, selbst im feuchten Sibirien, große und verheerende Brände zu erzeugen.

Welche Szenarien könnten auf uns zukommen? Sie sind alle düster, wenn es keinen Quantensprung gibt, der einen anderen Weg und ein anderes Schicksal für das Lebenssystem und das System Erde definiert. Es lässt sich nicht leugnen, dass der Planet von Tag zu Tag wärmer wird. Die UN-Organisationen, die die Entwicklung dieses katastrophalen Ereignisses überwachen, warnen uns, dass wir zwischen 2025 und 2027 die im Pariser Abkommen von 2015 für 2030 vorhergesagten 1,5 Grad Celsius überschritten haben werden. Alles wurde vorausgesehen, und bis zu diesem Zeitpunkt, zwischen 2025 und 2027, werden wir das erreichen, was heute geschieht: ein Klima, das sich über 35 Grad stabilisieren und in einigen Regionen der Erde 38-40 Grad erreichen könnte. Millionen von Menschen werden auswandern müssen, weil sie in ihrer geliebten Heimat nicht mehr leben können, und die Ernten werden vollständig ausfallen. Brasilien, derzeit einer der größten Exporteure von Nahrungsmitteln, wird seine Produktion stark einschränken müssen. Laut James Lovelock (Veja, Gelbe Seiten, 25. Oktober 2006) wird Brasilien aufgrund seiner großen sonnigen Ausdehnung mit am stärksten von der globalen Erwärmung und dem Klimawandel betroffen sein. Diejenigen, die in der Agrarindustrie tätig sind, sollten diese Warnungen beherzigen, denn wie Papst Franziskus in seiner Enzyklika „Laudato Si: Wie wir für unser gemeinsames Haus sorgen“, die sich an die gesamte Menschheit und nicht nur an Christen richtet, schrieb “Katastrophenvorhersagen können nicht länger mit Spott und Ironie betrachtet werden; wir würden den nächsten Generationen zu viele Ruinen, Wüsten und Müll hinterlassen” (Nr. 161).

Das ist es, was niemand für seine Kinder und Enkelkinder will. Aber dazu müssen wir den Mut und die Kühnheit aufbringen, den Kurs zu ändern. Nur ein radikaler ökologischer Wandel kann die Bedingungen retten, die unseren Fortbestand auf diesem herrlichen Planeten Erde ermöglichen.

Leonardo Boff ist Ökotheologe und Autor von: Die Würde der Erde: der Schrei der Armen und der Schrei der Erde, Vozes, verschiedene Ausgaben; Die Erde bewohnen, Vozes 2022; Mitglied der Internationalen Initiative für die Initiative der Erdcharta; Der Schutz der Erde, Vozes 2022.

¿Ha empezado la era de la ebullición global del planeta?

Esta expresión no es mía, la dijo el Secretario General de la ONU, António Guterrez, el día 27 de julio de 2023, al tener conocimiento de la aceleración del calentamiento global. Este ha llegado a un punto en el que el planeta ha entrado en un proceso de ebullición, dado el descuido de los procesos humanos, especialmente el industrialismo y el productivismo capitalista (incluída China), que usan abusivamente la energía fósil, el carbón y otros elementos que producen el efecto invernadero.

El clima normal medio de la Tierra es de 15 grados centígrados. Pero esta media ha empezado a subir tanto que en julio de 2023 superó los 17 grados Celsius.

Todo esto se debe al hecho de lanzar a la atmósfera cada año cerca de 40 mil millones de toneladas de CO2, que permanece en la atmósfera más de 100 años, además del ácido nitroso y del metano, que es 28 veces más dañino que el CO2, aunque permanezca en la atmósfera menos, unos 9-10 años.

Las consecuencias de este aumento se manifiestan en sequías  prolongadas, en inundaciones de ciudades y regiones enteras,  huracanes, ciclones extratropicales como en el sur del país, incendios en casi todo el planeta. El impacto sobre las vidas humanas es grande. La conocida revista Nature Medicine calculó que el fuerte calor de 2022 provocó solo en Europa 61 mil muertes. No hablemos siquiera de África y Asia o de países más pobres en los que murieron miles de niños y  personas mayores, particularmente en la parte central de la India, donde la temperatura llegó a 50 grados Celsius.

Al observar lo poco que hacen las grandes corporaciones y los estados para detener esa lenta pero permanente elevación de la temperatura, todo indica que ya hemos alcanzado el punto de no retorno. La ciencia y la técnica han llegado atrasadas, no consiguen detener el aumento, apenas ayudan a disminuir los efectos dañinos, que serán inevitables.

Pero no todo es fatal. Cabe recordar que lo improbable puede suceder: que los seres humanos, dándose cuenta del peligro de desaparecer, den un salto de conciencia, rumbo a la noosfera, como proyectaba Teilhard de Chardin ya en 1933, es decir, uniendo corazón y mente (noosfera) para cambiar la forma de producir, de consumir y especialmente de relacionarse con la naturaleza, sintiéndose parte de ella, no sus amos, y cuidándola.

Si observamos la biografía de la Tierra, constatamos que el calentamiento forma parte de la evolución de nuestro planeta. Cuando todavía no existíamos como especie sobre la Tierra, hace 250 millones de años, el clima llegó a 32 grados Celsius y permaneció así miles y miles de años. Hubo una extinción masiva de especies de seres vivos. Más tarde, hace 50 millones de años, la Tierra llegó a 21 grados Celsius; los cocodrilos y las palmeras se adaptaron a ese calentamiento, pero hubo también una gran extinción de organismos vivos. Más cerca de nosotros, hace 130 mil años, la Tierra alcanzó la temperatura de 17 grados Celsius, a la que ahora estamos llegando. Muchos seres desaparecieron y el mar subió entre 6 y 9 metros, lo que habría cubierto toda Holanda y las partes bajas del norte europeo.  

Ese aumento del clima terrestre pertenece a la  geoevolución. Pero el actual está siendo causado por los propios seres humanos, no tanto por las grandes mayorías pobres, sino por las poblaciones de los países opulentos sin  justa medida en sus acciones, sea en el asalto a la naturaleza o en las formas de consumo suntuoso y nada solidario.

Se dice que hemos inaugurado una nueva era geológica, el antropoceno. Con este concepto se quiere expresar que la gran amenaza para la vida del planeta y para el futuro depende de los seres humanos. Estos, según el biólogo de la biodiversidad Edward Wilson, se han comportado como el satán de la Tierra y han trasformado el Jardín  del Edén en un matadero.  Algunos van más lejos todavía y se refieren lal necroceno, dado el creciente proceso de muerte (necro) de especies de seres vivos, del orden de 70-100 mil por año. Últimamente se está hablando del piroceno, es decir, de la era del fuego. Este también está causado por los seres humanos, particularmente porque pequeños trozos de vidreo iradian calor  o  el suelo está más seco y las piedras se calientan y bastan algunas hojas y ramitas sobre ellas para que se produzcan grandes y devastadores incendios en casi todo el planeta, incluso en la húmeda Siberia.

¿Qué escenarios podremos enfrentar? Son todos sombríos si no ocurre un salto en la conciencia colectiva que defina otro camino y otro destino para el sistema-vida y el sistema-Tierra. No se puede negar que el planeta se calienta día tras día. Los órganos de la ONU que siguen la evolución de este evento desastroso nos alertan de que entre 2025 y 2027 habremos superado los 1,5 grados Celsius, previstos para 2030 por el acuerdo de París en 2015. Todo se ha anticipado y en esta fecha, entre 2025 y 2027, llegaremos a lo que está ocurriendo actualmente, un clima que podrá estabilizarse por encima de los 35 grados, llegando a 38-40 grados en algunas regiones del planeta. Millones de personas tendrán que emigrar por no poder ya vivir en sus queridas patrias y se perderán las cosechas totalmente.

Brasil, que es actualmente uno de los mayores exportadores de alimentos, verá su producción profundamente reducida. Según James Lovelock, (Veja, Paginas Amarelas del 25 de octubre de 2006), Brasil, por tener una amplia extensión soleada será uno de los más afectados por el calentamiento global  y  los cambios climáticos.

 La gente del agronegocio deberían estar atentos a estas advertencias, pues como escribió el Papa Francisco en la encíclica “Laudato Si: cómo cuidar de la Casa Común“, dirigida a toda la humanidad y no solo a los cristianos: “Las previsiones catastróficas ya no pueden ser miradas con desprecio e ironía. A las próximas generaciones podríamos dejarles demasiados escombros, desiertos y suciedad” (n.161).

Nadie quiere esto para sus hijos y nietos. Pero para eso debemos llenarnos de valor y audacia para cambiar de rumbo. Sólo un radical cambio ecológico nos podrá garantizar nuestra subsistencia en ese pequeño y bello planeta.

*Leonardo Boff es eco-teólogo y ha escrito: La dignidad de la Tierra: el grito del pobre y el grito de la Tierra, Vozes, varias ediciones; Habitar la Tierra, Vozes 2022; miembro de la Iniciativa Internacional de la Carta de la Tierra.

Traducción de María José Gavito Milano

Has the era of global boiling of the planet begun?

This expression is not mine, but that of the UN Secretary General, António Guterrez, uttered on July 27, 2023, upon learning of the unexpected acceleration of global warming. This has reached the point where the planet is entering a boiling process, given the carelessness of human processes, especially industrialism and capitalist productivism (including China) that misuse fossil energy, coal and other greenhouse-producing elements.

The average normal climate on Earth is 15 degrees Celcius. But this average has started to rise so much that it exceeded more than 17 degrees Celcius in July 2023.

This is all due to the fact that every year about 40 billion tons of CO2 are released into the atmosphere, which remains in the atmosphere for more than 100 years, plus nitrous acid and methane, which is 28 times more harmful than CO2, although it stays in the atmosphere for about 9-10 years.

The consequences of this increase can be seen in prolonged droughts, the flooding of entire regions and cities, hurricanes, extratropical cyclones such as in the south of Brazil, and fires almost everywhere on the planet. The impact on human lives is huge. The well-known journal Nature Medicine estimated that the high heat of 2022 caused 61,000 deaths in Europe alone. Let’s not even talk about Africa and Asia, or poorer countries that have seen thousands of children and elderly people killed, particularly in central India, where temperatures have been soaring.

Looking at how little the big corporations and states are doing to stop this slow but ever present rise in temperature, everything indicates that we have already reached the point of no return. Science and technology have arrived late, they cannot stop the rise, they only help to mitigate the damaging effects that will be inevitable.

But not everything is fatal. It is worth remembering that the improbable can happen: human beings, under the perception of the risk of disappearing, take a leap of consciousness, towards the noosphere as Teilhard de Chardin projected in 1933, that is, uniting heart and mind (noosefera) to change the way of producing, consuming and particularly relating to nature, feeling part of it, not its masters and taking care of it.

If we look at the biography of the Earth, we see that warming belongs to the evolution of our planet. When we did not yet exist as a species on Earth, 250 million years ago, the climate reached and remained for thousands and thousands of years at 32 degrees Celcius. A massive extinction of species of living things occurred. Later, 50 million years ago, the Earth reached 21 degrees Celcius; crocodiles and palm trees adapted to this warming but there was also a major extinction of living organisms. Closer to us, 130,000 years ago, the Earth reached the temperature we are now experiencing, 17 degrees Celcius. Many creatures disappeared and the sea rose by 6-9 meters, which would have covered the whole of the Netherlands and the low-lying northern parts of the eurozone.

This increase in the earth’s climate belongs to geo-evolution. But the current one is caused by human beings themselves, not so much by the great poor majorities, but by the populations of the opulent countries, without the right measure in their actions either in the assault on nature or in the forms of sumptuous and unsympathetic consumption. It is said that we have inaugurated a new geological era, the Anthropocene. This concept means that the greatest threat to life on the planet and to the future of nature depends on human beings. In the words of biodiversity biologist Edward Wilson, humans have behaved like the Satan of the Earth and turned the Garden of Eden into a slaughterhouse. Some go even further and refer to the necrocene, given the increasing process of death (necro) of species of living beings in the order of 70-100 thousand per year. Lately there has been talk of the pyrocene, i.e. the age of fire. This is also caused by humans but particularly because the soil has become drier, the rocks have become hotter; all it takes is dry leaves and sticks on them to produce large and devastating fires almost everywhere on the planet, even in humid Siberia.

What scenarios might we face? They are all gloomy if there is no quantum leap that defines another path and another destiny for the life-system and the Earth-system. There is no denying that the planet is getting warmer day by day. The UN agencies that monitor the evolution of this disastrous event warn us that between the years 2025-2027 we will have exceeded the 1.5 degrees Celcius predicted for 2030 by the Paris agreement in 2015. Everything has been anticipated and by this date, between 2025-2027, we will reach what is happening today, a climate that could stabilize above 35 degrees, reaching 38-40 degrees in some regions of the planet. Millions will have to emigrate because they can no longer live in their beloved homelands and crops will be totally lost. Brazil, currently one of the largest exporters of food, will see its production profoundly reduced. According to James Lovelock, (Veja, Yellow Pages, October 25, 2006) Brazil, because of its vast sunny expanse, will be one of the hardest hit by global warming and climate change. Those in agribusiness should heed these warnings, for as Pope Francis wrote in his encyclical Laudato Si: How to Care for Our Common Home, addressed to all humanity and not just Christians: “Catastrophic predictions can no longer be looked upon with scorn and irony; we would leave for the next generations too many ruins, deserts and garbage” (n.161).

This is what no one wants for their children and grandchildren. But to do so we must summon up the courage and boldness to change course. Only a radical ecological change can save the conditions that will allow our continuity on this splendid planet Earth.

Leonardo Boff is an eco-theologian and has written: The Dignity of the Earth: the cry of the poor and the cry of the Earth, Vozes, various editions; Inhabit the Earth, Vozes 2022; member of the International Initiative for the Initiative of the Earth  Charter; The Protection of the Earth, Vozes 2022.