Brazil,Bolsonaro,Theology of Liberation and the Attacks on the Church:Nathalia Toledo Urban

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Brazil, Bolsonaro, Liberation Theology and the new attacks on the Church

Bolsonaro’s government is becoming well known for their paranoia against “invisible enemies,” one of their traits is to accuse the most unthinkable people/institutions to be leftists. After accusing BBC, The EU and The economist of being communists, Bolsonaro’s government has a new target: The Catholic Church! It might sound surprising and even random to many specially for non-Brazilians to hear that, but the truth is, The Catholic Church had and still has an important impact among social programs in Latin America, mostly thanks to the Theology of Liberation.

The Theology of Liberation is a non-partisan movement that started during the 70’s, their philosophy encompasses several streams of thought interpreting the teachings of Jesus Christ as liberator of unjust social, political, and economic conditions. The movement is not based on the ecclesiastical interpretation of reality, but on the reality of poverty and exclusion. Its proponents have described it as an analytical and anthropological interpretation of the Christian faith.

But, by adding several currents of thought, the movement absorbed beliefs of Umbanda (an Afro-brazilian religion), Spiritism, Islam and even Shamanism.

Leonardo Boff Copyright:© Rafael Stedile

In spite of the internationalization of Liberation Theology, Latin America gathers its greatest representatives, such as the Peruvian priest Gustavo Gutiérrez, the Brazilian Leonardo Boff and the Uruguayan Juan Luis Segundo. According Leonardo Boff, the central point of Theology of Liberation is the concrete of the poor, its oppressions, the degradation of its lives and the sufferings without account that suffers. Without the poor and the oppressed there is no Liberation Theology, “Every oppression calls for a liberation.”

The Catholic Church dedicated two documents to Liberation Theology in the 1980s, considering it heretical and incompatible with Catholic doctrine. Just to give an historical political context the 3 countries were under military dictatorship during the “birth” of those ideas. Even though in Brazil, the majority of Catholics supported the dictatorship, many rebellious priests were very hands on fighting against the military’s authoritarian views and specially interested in protecting the poor workers and peasants that were being massacred by the government.

The oppressive police even monitored churches and masses, especially the ones happening in the biggest cities.  According to the Brazilian government at the time some priests were contaminated by the Marxism ideology and were using their power to spread subversive propaganda. The Ecumenical Documentation and Information Centre produced in 1988 a list of 12 forms of attack suffered by the Church: defamation, invasion, imprisonment, torture, murder, kidnapping, prosecution, subpoena, expulsion, censorship, prohibition and counterfeiting.

Between 1969 and 1981, there were 15 deaths or disappearances of clerics or lay people that were involved in the church’s social movements. People like, Father Antônio Henrique Pereira da Silva Neto, direct auxiliary of Archbishop Dom Hélder Câmara. He was kidnapped, tortured and killed in Recife in May 1969, Santo Dias, leader of the Worker’s Pastoral , killed by a back shot fired by a military police officer during a strike in São Paulo, Alexandre Vanucchi Leme, a student at the University of São Paulo, who died of injuries caused by torture in the premises of the Second Army, in the capital of São Paulo.

And student leader Honestino Guimarães da Silva, a member of The Catholic Student Youth, arrested and tortured in, Rio, his body is still missing. Father João Bosco Burnier, murdered on 1976 the forces of repression in Conceição do Araguaia, he and the bishop D. Pedro Casaldaliga, defended women who were being tortured by militaries.

There were 18 cases of banishment or expulsion. Father James Murray was expelled, for celebrating Mass in black and for reading the Declaration of Human Rights during his homily. And the most famous case Frier Betto, arrested twice, he wrote his experiences during that dark period of the Dictatorship in books, the most famous Baptism of Blood, which tells about the involvement of Dominican Friers at the Ação Libertadora Nacional, a communist guerrilla group, the book was adapted and became a movie in 2006.

Santo Dias: Shot in the back by a soldier.

So, lets talk about present days: Bolsonaro’s government is trying to bring back that whole McCarthyist “communist threat” in 2019. In their vision, the Church is a traditional ally of the Worker’s Party (PT) and is organizing itself to lead debates with the left; the alert to the government came from reports from the Brazilian Intelligence Agency (Abin), headed by General Heleno, and military commandos; the reports are from recent meetings of Brazilian cardinals with Pope Francisco to discuss the Pan Amazonian Synod, which will gather in October in Rome, bishops from all continents.

The debate will address the situation of indigenous peoples, climate change caused by deforestation and quilombo and according to the article in the Estado de São Paulo, based on documents circulating in the Planalto, the Internal security military judged that sectors of the Church allied with social movements and leftist parties, members of the so-called ‘progressive clergy’, wanted to use the Synod to criticize the Bolsonaro’s government and gain international impact.

And of course their fears are being fed by all neopentecostal population that since day one were lining themselves with Bolsonaro.

Many theologists believe that the Theology of Liberation died, because many of their biggest supporters are dead or old, but their legacy is still very much alive.

In 1991, after almost a decade fighting with cardinals from Rome (in special Cardinal Ratzinger, latter the Pope Benedict XVI) Boff, wrote to the Vatican asking for a dispensation of his vows, and nowadays he’s a philosopher and social political activist.

Sources: Leonardo Boff’s blog: https://leonardoboff.wordpress.com
Estado de São Paulo: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2019/02/10/planalto-ve-igreja-catolica-como-potencial-opositora.htm
Baptism of Blood (movie trailer): https://youtu.be/uhBemy_vXCk

By Nathália Toledo Urban

 

 

 

Por que os generais temem o Sínodo Pan-Amazônico: Marcelo Barros

Marcelo Barros é um monge beneditino que foi assessor de Dom Helder, grande conhecedor da Bíblia (exegeta), assessor do MST e um dos conferencistas mais solicitados no Brasil e nos exterior. Aborda de forma original a espiritualidade ligada à lutas populares. É autor de vários livros sobre temas da atualidade, sempre na perspectiva espiritual e da libertação dos oprimidos. Publicamos este material sobre o Sínodo Pan-Amazônico,pelo interesse nacional e mundial que está provocando e pondo em alerta ( por causa de certos preconceitos) dos militares que já puseram em ação os órgãos de informação para vigiarem os bispos e aqueles que se ocupam da problemática amazônica. Esquecem estes militares que a Amazônia não é só brasileira mas cobre parte de 8 países latino-americanos sobre os quais eles não têm jurisdição. Lboff

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O governo brasileiro manifesta preocupações e contrariedades em relação ao próximo Sínodo dos Bispos em Roma sobre a região panamazônica. (Cf. IHU, 10/ 02// 2019). Em artigo esclarecedor e contundente, Roberto Malvezzi, publicado nesse blog, explica o que é um Sínodo (caminhar juntos) e como a Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM), em diálogo com o Vaticano e com os bispos locais dos oito países da região pan-amazônica tem preparado o Sínodo.
De fato, desde que, depois do Concílio Vaticano II, o papa Paulo VI restabeleceu a tradição do Sínodo dos Bispos, vinda do primeiro milênio e a atualizou para a Igreja Católica do século XX, já tivemos mais de 35 sessões do Sínodo. Nessa perspectiva, é importante saber o que se pode esperar do Sínodo sobre a Amazônia.

Não é de forma alguma a primeira vez que, nessas últimas décadas, a Igreja Católica, em Roma, realiza um sínodo sobre uma região particular do mundo. Já tivemos duas assembleias extraordinárias do Sínodo sobre a África (1994 e 2009). Na preparação do Jubileu do ano 2000, o papa João Paulo II convocou e organizou assembleias especiais sobre a Europa (1999), assim como assembleias para a Oceania (1997), Ásia (1998) e América (1997). Além disso, houve uma assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre o Oriente Médio (2010). Assim, além das 25 assembleias ordinárias do Sínodo que aconteceram desde 1969, dez foram extraordinárias e delas, várias sobre regiões específicas.

É possível que o Sínodo da Amazônia traga algumas novidades. Em geral, nas assembleias anteriores aqui citadas, os bispos sempre procuraram se situar na realidade do continente ou da região que é o tema do Sínodo. No entanto, o tema central e o foco de tudo tem sido a Igreja e sua missão. Assim, as exortações pos-sinodais dos papas em geral têm como título: A Igreja na África, a Igreja na Ásia, a Igreja na Oceania, etc… E por causa da herança ou subsistência do que se poderia chamar de “eclesiologia de Cristandade” , (isso é, uma Igreja que se olha como anterior e independente da realidade, com uma missão que vem de fora e entra mais como do alto para baixo), a impressão é que, em geral, a análise da realidade é sempre mais genérica do que contextual, feita em linguagem cuidadosa que diz as coisas sem dizer exatamente (diplomacia necessária a uma Igreja que se coloca a partir de uma posição de poder e de mando).
Dessa vez, o Sínodo tem como tema “A Amazônia, novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.

Há uma mudança no enfoque – o tema é a realidade e dessa realidade se reflete sobre a missão da Igreja e se busca reconstruir uma Ecologia integral. E há ao menos uma tentativa de que a Igreja (bispos, clero e povo) se coloque como serviço e a partir de baixo e não de cima. Isso significa, parta da comunhão com os mais pobres, escute o grito da Terra e dos povos da Amazônia, ameaçados em sua vida e oprimidos pela tragédia que é o agronegócio, as madeireiras e as mineradoras, assim como as formas depredadoras do Capitalismo nas cidades amazonenses e suas periferias.

Nessa visão, a Ecologia Integral não é um tema a parte ou além da missão da Igreja. Se bem compreendida, a Ecologia integral é a própria missão de uma Igreja servidora da libertação da humanidade, da mãe Terra e de cada pessoa em sua integralidade, como já, em 1968, afirmava a Conferência dos bispos latino-americanos em Medellín (Med 5, 15).
Se essa perspectiva ou mudança de ângulo de abordagem for realmente respeitada e desenvolvida, o governo brasileiro pode ter razões de se preocupar. E, embora somente no Brasil essa preocupação tenha sido explicitada, provavelmente outros governos dos países da região devem ter as mesmas preocupações.

Isso significa apenas que eles têm consciência clara de que as políticas que impõem à região panamazônica vão no sentido contrário à perspectiva de uma Ecologia integral, como o papa Francisco desenvolve na encíclica Laudatum sii e como as discussões preparatórias a esse Sínodo, vindas das consultas às bases dos diversos povos e grupos da Amazônia, propõem.

É claro que Bolsonaro e seus ministros não precisam se preocupar se a orientação espiritual do Sínodo fosse na perspectiva que fez com que, em 2018, não poucos bispos, padres e movimentos católicos votassem na extrema-direita. No entanto, a perspectiva não é essa. É de uma Igreja em saída no qual o Sínodo dos Bispos tem sido preparado por ampla consulta de todos os setores e categorias da Amazônia e lá em Roma com os bispos estarão índios, ribeirinhos, missionários populares e mulheres da Amazônia, de tal forma que o Sínodo dos Bispos possa se ampliar cada vez mais como Sínodo de todos os organismos vivos do Povo de Deus.

Na tradição litúrgica católica, na festa da Epifania, o ofício de vésperas contém um hino antigo no qual se canta: “Hostis Herodes impie, Christum venire quid times? Non eripit mortalia, qui regna dat caelestia”. (Na atual Liturgia das Horas está traduzido assim: “Por que, Herodes, temes, chegar o rei que é Deus? Não rouba aos reis da terra, quem reinos dá nos céus”). Provavelmente, quem compôs esse hino não lia muito o cântico de Maria (o Magnificat) ou o cantava pulando os verso que diz: “Derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes”.

O quarto evangelho conta que o sumo-sacerdote Caifaz, inimigo de Jesus, profetizou que ele, Jesus, deveria morrer não só pelo povo, mas para reunir na unidade os filhos e filhas de Deus dispersos pelo mundo” (Jo 11, 52). Quem sabe, hoje, os Caifazes atuais, que se chamem com outros nomes e tenham patentes militares e estão no governo brasileiro estejam profetizando que esse Sínodo retomará o espírito de Medellín e provocará uma virada da nossa Igreja e de outras Igrejas no caminho do serviço libertador da mãe Terra e dos povos da Amazônia?

Do irmão Marcelo Barros

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Os “coletes amarelos”na França: contra o presidente dos ultra ricos: Leneide Duarte-Plon

Lineide Duarte-Plon é uma conhecida jornalista brasileira que vive na França. Continuamente envia análises cuidadosas da situação social da França e também sobre a nossa situação brasileira. Publicamos este seu artigo, pois, nem todos conhecem o que está por detrás no movimento dos “coletes amarelos” (gilets jaunes) que já há meses todos os sábados se manifestam em quase todas as cidades francesas. Ai emerge uma nova consciência acerca da injustiça das desigualdades sociais e contra  a irracional acumulação mundial do capital em nível mundial num pequeníssimo número de pessoas. Mesmo em nosso pais, segundo o especialista nesta área, Márcio Pochmann,”os 10% mais ricos da população impõem, historicamente, a ditadura da concentração, pois chegam a responder por quase 75% de toda riqueza nacional enquanto os 90% mais pobres ficam com apenas 25%.” A desigualdade brasileira (injustiça social) comparece como uma das mais altas do mundo. Quem sabe os pobres, os marginalizados e os feitos invisíveis um dia despertem como na França “os coletes amarelos” e saiam à rua reclamando menos acumulação em poucas mãos e mais igualdade social. A França que, em muitos temas sociais, se antecipou no mundo, pode nos inspirar. O título do artigo de Leneide Duarte-Plon leve este título: “Uma revolta francesa: o povo contra o ‘Presidente dos ultra ricos”: Lboff

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Todos os dias os jornais franceses trazem análises sobre o movimento social que agita o país há quase três meses.

Como os «sans culotte» da Revolução Francesa, os coletes amarelos (gilets jaunes) pretendem mudar o país no sentido de mais igualdade fiscal e mais participação popular nas decisões importantes da République. Além de mais poder aquisitivo, eles pretendem aperfeiçoar a democracia representativa, aumentando a participação do povo na gestão do Estado e do orçamento público. Isso é unanimemente reconhecido.

Dois textos publicados no jornal «Libération» dão algumas chaves de compreensão do movimento, que começou em 17 de novembro.

Publicados com quatro dias de intervalo, no primeiro, dia 25 de janeiro, o decano dos jornalistas políticos, Alain Duhamel, analisava os paradoxos franceses que levaram a essa crise duradoura entre o presidente e o povo, que sai às ruas todo sábado desde novembro. Muitos votaram em Emmanuel Macron.

«A França tem na Europa o primeiro lugar na contestação social. As pesquisas mostram que o país é, entre os europeus, onde se vê mais descontentamento, pessimismo e constestação. Isso é paradoxal pois a França é o país ocidental, juntamente com a Escandinávia, que tem o orçamento social mais elevado, o escudo social mais amplo e a proteção social mais ambiciosa», escreveu Alain Duhamel no «Libération».

Segundo ele, o cidadão francês é um contestador por excelência. E a preocupação com a igualdade, a força como é vivido o sentimento de injustiça, a detestação dos privilégios, o rancor diante das desigualdades, além do ódio que o povo tem dos ricos são sentimentos muito mais acentuados na França.

A História e a Revolução Francesa explicam.

O presidente dos ultra-ricos numa entrevista no mesmo jornal, os respeitados sociólogos de esquerda Monique Pinçon-Charlot e Michel Pinçon, falam do livro que acabam de lançar, «Le Président des ultra-riches». Eles dizem que Macron faz tudo para apressar a agenda neoliberal de reformas. Isso revela, segundo eles, a pressão exercida pelos poderosos, ricos e acionistas, «que utilizam o dinheiro como arma de poder e divisão dos indivíduos».

Monique e Michel Pinçon salientam a unidade que o movimento conseguiu manter até hoje, com núcleos ativos em todas as grandes cidades francesas e representantes de vilarejos de todo o país. Como sociólogos, nunca imaginariam que um movimento social como este pudesse surgir. Foi uma grata surpresa.

«Com Macron, as imposturas vêm em cascatas. Além da supressão do Imposto de Solidariedade sobre a Fortuna (ISF), logo no início do mandato, ele criou depois um imposto único para os lucros do capital (PFU-Prélèvement Forfaitaire Unique ou flat-tax). Ora, os ricos foram dispensados da progressividade do imposto sobre os lucros e dividendos. Impondo uma taxa fixa, Macron iguala o bilionário ao pequeno investidor que possui um pequeno lote de ações», explicam os dois sociólogos.

O jovem presidente, que destilou nos dois anos de mandato pequenas frases de desprezo pelo povo, representa aos olhos desse povo mais humilde a elite dos ricos e privilegiados, aquela que é objeto dos estudos de Monique Pinçon-Charlot e Michel Pinçon.

«A maneira de ser e de governar de Emmanuel Macron é muito ligada ao meio no qual ele evolui : o do poder e do dinheiro», dizem.

Reforma fiscal

Em um artigo no «Le Monde», Thomas Piketty detalhou há alguns meses como a reforma fiscal feita por Macron pode ser comparada à que Trump instituiu : os ricos são os grandes beneficiários.

Os coletes amarelos exigem uma reforma fiscal mais igualitária, além de uma reforma do sistema político e maior participação dos cidadãos nas decisões políticas.

Por isso, é uma grande tolice, senão total ignorância, compará-los aos movimentos da extrema-direita europeia, como o fez o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em recente encontro na Maison de l’Amérique Latine.

Seria também um reducionismo analisar o movimento ao anúncio do aumento do combustível, a «taxe carbone», que iria ser usada para a transição energética ecológica. Depois do início dos protestos, o governo voltou atrás e suspendeu essa taxa, aproveitando para anunciar algumas medidas paliativas.

Mas os coletes amarelos não voltaram para o calor dos seus lares. Enfrentam frio e neve toda semana para expressar a cólera de quem se sente injustiçado num país onde as desigualdades começam a aumentar.

Lei controvertida

Os coletes amarelos têm uma agenda muito ampla, que foi sendo compreendida à medida que as reuniões e manifestações se sucediam. O movimento é um grito popular por mais participação cidadã, que ainda pode ser aperfeiçoado, segundo a maioria dos franceses.

As pesquisas mostram que o movimento tem o apoio da maior parte dos cidadãos, apesar de todos condenaram as degradações materiais contra lojas e bancos, alvos do pequeno grupo de anarquistas militantes muito bem doutrinados em livros contra o Estado e qualquer tipo de poder. Além deles, há membros da extrema-direita, que se infiltram em todas as manifestações dos coletes amarelos para provocar danos materiais. Esses grupos, de extrema-esquerda ou de extrema-direita visam a desestabilizar Macron, «o presidente dos ricos».

Para prevenir quebra-quebra no fim das manifestações, o governo propôs uma lei de controle dos manifestantes. Pessoas suspeitas seriam proibidas de participar das manifestações. Um deputado comparou essa medida às leis reacionárias do regime de Vichy.

Exagero ou não, se for aprovada, será mais uma lei liberticida.

Do Banco Rothschild ao Eliseu

Churchill costumava dizer que «um país que tem mais de 300 tipos de queijos é ingovernável».

O jovem e determinado Emmanuel Macron, eleito aos 39 anos, está se debatendo com uma realidade muito mais difícil do que previra, ao se candidatar em 2017 ao primeiro cargo eletivo de sua vida.

Ao vencer a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, ele empreendeu um aprendizado diário do poder, com o qual já convivera intimamente como um dos conselheiros do presidente Hollande e depois como ministro da Economia.

No livro do ex-presidente «Les leçons du pouvoir», lançado no ano passado, Hollande analisa a «traição» que representou a candidatura do ex-ministro que criou seu próprio movimento «En marche» e depois o partido «La République en marche», inviabilizando a candidatura Hollande.

«Quando ele veio me assessorar no Eliseu, trocou um salário mirabolante no Banco Rothschild por um dez vezes menor. Talvez esse sacrifício fosse um investimento de futuro…», escreve Hollande que deve se sentir vingado com a grande crise política e social enfrentada pelo presidente Macron.

Além de tomar medidas imediatas para melhorar o poder aquisitivo dos franceses mais vulneráveis, Macron convocou o Grand Débat, que vai durar até março e durante o qual o presidente se desloca a pequenas cidades e debate face a face ouvindo reclamações e reivindicações de franceses, que fazem passeatas com os coletes amarelos ou não.

Por outro lado, o presidente fez diversas reuniões com prefeitos de cidades grandes e pequenas de toda a França para ouvir as principais reivindicações e responder a elas. Paralelamente, vem recebendo os chefes de todos os partidos representados no Parlamento.

Desde o início do movimento, as centenas de prefeituras de toda a França abriram os «Cahiers de doléances» (Cadernos de reclamações), tais quais na Revolução Francesa, quando os cidadãos vinham defender suas reivindicações políticas e sociais.

Os coletes amarelos esperam do presidente uma resposta política e não policial. Endurecendo a repressão contra os manifestantes, a polícia confunde os «casseurs» – que aparecem em grupos bem organizados para quebrar agências bancárias e lojas de luxo – com os coletes amarelos que protestam pacificamente.

O jornalista David Dufresne vem fazendo um trabalho minucioso de denúncia das violências policiais. Até meados de janeiro, já havia 94 feridos gravemente e 14 pessoas tinham perdido um olho devido ao uso do Flash Ball, uma arma também chamada LBD (Lanceur de Balle de Défense).

As feridas na cabeça e nos corpos de manifestantes pacíficos feitas por essa arma são impressionantes e cresce o movimento para impedir o flash ball.

A França é o único país da União Europeia em que ele é utilizado.

Mais um paradoxo do «País dos Direitos Humanos», como a França é reconhecida no mundo por estar na origem da redação da primeira Declaração Universal dos Direitos Humanos.

The Age of Unproductive Capital: New Architectures of Power: L.Dowbor

Ladislau Dowbor é um dos nossos melhores economistas, professor de pós-graduação da PUC-SP, com vasta experiência internacional. É crítico do atual sistema do capital, particularmente o especulativo que domina e explora o mundo inteiro. Comparece como  um dos poucos  que associa economia com ecologia e por isso nos dá uma visão ampliada da economia e dos riscos que correm o sistema vida e o sistema Terra. Recebeu um grande elogio do Noam Chomsky, considerado possivelmente o maior intelectual dos USA. Publicamos aqui uma apresentação do livro em inglês pois nos convida a lê-lo e iluminar nossa perspectiva sobre os caminhos do poder econômico que se espraia em todos os países. LBoff

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Ladislau Dowbor – The Age of Unproductive Capital: New Architectures of Power – Cambridge Scholars, UK, 2019

This book offers a very direct and readable analysis of the main challenges facing our societies today, such as reducing inequality, protecting the planet, and in particular mobilizing our financial resources which linger in tax havens and feed speculation, instead of funding the sustainable development we need. It precisely considers the most important factors, including corporate governance, financialization, capturing political power, and the limits to adequate national economic policies in a world dominated by global finance. The Brazilian experience has been highlighted. The book’s presentation of how sensible and productive policies are dismantled will be highly interesting for the international community, whether in the academic, corporate or government spheres.

“Ladislau Dowbor’s work on unproductive capital [is] a revealing and deeply informed study of the enormous power that has accrued to financial institutions and the deleterious impact on the global economy as financial transactions drain the economy and undercut productive investment.  Dowbor’s focus is on the Brazilian experience, analyzed with care and insight, but the implications, as he clearly shows, are global in scope.  A very important contribution.”

Noam Chomsky – Massachusetts Institute of Technology, USA

Cover and back-cover:

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Sample first 30 pages:

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Cambridge Scholars book-shop:

https://www.cambridgescholars.com/search?Q=dowbor&As=true&As=false

Contact Ladislau Dowbor: ldowbor@gmail.com

Ladislau Dowbor web-page : http://dowbor.org