W. Novaes: Continua, célere, o desmatamento da Amazônia

O jornalista Washington Novaes continua,corajosamente, denunciando o desastre ecológico que está ocorrendo na região amazônica. Divulgamos aqui um texto cujo titulo original é “Diálogo com um surdo
no meio da floresta”publicado em “O Estado de São Paulo” no dia 23 de setembro de 2011.

*******************

Há questões muito relevantes no Brasil em que, na aparência, acontece um diálogo entre governo e sociedade; na prática, entretanto, os governantes parecem absolutamente surdos ao que dizem cientistas e cidadãos; só ouve os que estão do lado oposto. E esse é – entre outros – o caso da gestão “sustentável” de florestas públicas por empreendimentos privados.

Ainda há poucos dias, o jornal Folha de S. Paulo (4/9) divulgou estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (SP) mostrando que o manejo de florestas nativas é, ao menos do ponto de vista econômico, “insustentável”, pois não permite a regeneração das árvores mais valiosas e tende à perda da rentabilidade após o primeiro corte para comercialização. Imagine-se então o que acontece em termos de sustentação da biodiversidade e da manutenção da floresta. Uma questão tão grave que, segundo o estudo, “pode fazer fracassar a política federal de concessão de florestas”. O caso estudado é em Paragominas, PA, região onde o autor destas linhas esteve há uma década acompanhando um desses projetos e concluiu que de sustentável nada tinha; algum tempo depois, ele foi embargado pelo Ibama, porque retirava sete vezes mas madeira do que lhe era permitido.

Pois exatamente poucos dias depois de divulgado esse estudo da ESALQ anunciava o Ministério do Meio Ambiente (9/9) que “10 florestas nacionais integram a lista de florestas públicas que poderão ser concedidas em 2012, segundo o Plano Anual de Outorga Florestal”. Ao todo, 4,4 milhões de hectares – ou 44 mil quilômetros quadrados no Pará, Rondônia e Acre, equivalentes a mais de dois Estados de Sergipe. E 2,8 milhões de hectares se destinarão à “produção sustentável”. Da qual se espera retirar 1,8 milhão de metros cúbicos de madeira.

É uma política que vem desde a gestão Marina Silva no Ministério, contestada por uma legião de conceituados cientistas – mas sem que merecesse qualquer discussão. Foi aprovada por proposta do governo ao Congresso em 2006, por escassa maioria – 221 votos a 199. E dava direito a conceder até 50 milhões de hectares, por 40 anos. Imediatamente vieram críticas contundentes, muitas delas já mencionadas em artigos neste espaço. A começar pelas do respeitado professor Aziz Ab´Saber, da USP, para quem se trata de “um crime histórico, uma ameaça de catástrofe”. A seu ver, mais de 40% das terras são públicas e permitiriam “um programa exemplar”. A concessão, no entanto,como seria feita pela proposta aprovada, levaria à exploração intensiva à margem de rodovias e à perda da biodiversidade. Mais ainda: as florestas jamais voltarão ao domínio público após 40 anos. Todos os países que entraram por esse caminho ficaram sem elas.

O professor Rogério Griebel, do Instituto de Pesquisas da Amazônia, e o almirante Ibsen Gusmão Câmara argumentaram na mesma direção: é um sistema que dará início a um processo de evolução às avessas, partindo dos exemplares mais fracos (os que restarem após o corte dos melhores). Outro cientista do INPA, Niso Higuchi, e o escritor Thiago de Mello, perguntaram como seria possível falar em manejo sustentável se em um único hectare de florestas podem ser encontradas árvores com tempo de maturação de 50 anos, ao lado de outras cujo tempo chega a ser de 1400 anos. Como selecionar para o corte ? Os professores Enéas Salati e Antônia M., Ferreira lembraram que existem muitas Amazônias diferentes, é preciso conhecer todas minuciosamente, antes de qualquer decisão. E os professores Deborah Lima (UFMG) e Jorge Pezzobon (Museu Goeldi) acentuaram que os melhores exemplos de sustentabilidade não estão nesses projetos, e sim em áreas indígenas; o manejo “sustentável”, ao contrário, está entre os piores. E o agrônomo Ciro F. Siqueira trouxe argumento muito forte: não se deterá o desmatamento enquanto explorar ilegalmente um hectare invadido ou grilado custe menos da metade do que se gasta com um hectare em que se paguem todos os custos. Principalmente porque, como argumentou o ex-ministro José Goldemberg, no Brasil temos um fiscal para cada 100 mil hectares, 27 vezes menos que a média mundial. Da mesma forma poderia ser dito que o Ministério do Meio Ambiente continua tendo pouco mais de meio por cento do orçamento federal. Como fará para cuidar de milhões de quilômetros quadrados da Amazônia ? “Não temos para onde correr”, limitou-se a dizer na época o diretor do Serviço Florestal Brasileiro (quem quiser conhecer em toda a sua extensão os pareceres dos cientistas pode recorrer aos números 53 e 54 da revista do Instituto de Estudos Avançados da USP).

Nesta mesma hora em que se vai avançar pelos mesmos caminhos – com os cientistas dizendo que todos os países que seguiram essa rota perderam suas florestas – uma notícia deste jornal informa que 60% da madeira amazônica é desperdiçada por ineficiência no beneficiamento – quando o país consome 17 milhões de metros cúbicos anuais, segundo algumas fontes, ou 25 milhões segundo outras (Envolverde, 20/10/10). 46% do desmatamento corre por conta da agricultura (Greenpeace, 31/8). E poderão ser muito problemáticos os caminhos oficiais que permitem regularizar terras pagando até R$2,99 por hectare, com prazo de 20 anos.

E enquanto a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência se esgoela inutilmente pedindo um programa de desmatamento zero e forte investimento em ciência na região – para formar cientistas, investir em pesquisas da biodiversidade – , este jornal traz a advertência do Imazon (15/7): o desmatamento vai aumentar até julho de 2012, com 10,5% mais que no período 2009/10.

Com que cara vamos nos apresentar à Rio +20 no ano que vem, quando a perda de florestas será um dos temais centrais ? Como vamos dizer que temos e cumpriremos metas para a área do clima ? Vamos seguir nessa interminável tentativa de diálogo com um surdo ?

Salo Roth: o 11 de setembro, coisa dos USA e da Mossad israelense?

Observação: Salo Roth é ex-Diretor da Embraer e morou nos USA por 25 anos.Em função de seu trabalho conheceu praticamente todo mundo. A interpretação que oferece se baseia numa argumentação cerrada, embora possa ser vista como expressão do método da conspiração. Mas estimo que vai além desta suspeita. Noam Chomsky, o intelectual mais respeitado e crítico da política exterior norte-americano, numa entrevista no dia 11/09/2011,recolhida no Boletim Carta Maior de 11/09/2011, aceita o testemunho de um conhecido jornalista norte-americano Eric Margolis que comenta: “Washington nunca publicou provas da sua afirmação de que Osama bin Laden esteve por trás dos ataques do 11 de Setembro”, presumivelmente uma razão pela qual “as sondagens mostram que pelo menos um terço dos americanos que responderam acredita que o governo de Estados Unidos e/ou Israel estiveram por trás do 11 de Setembro”.
Não me admiro, pois a lógica imperial de viés capitalista é capaz de tais barbaridades.O imperador romano Nero mandou queimar Roma para culpar os cristãos. Por que o Nero moderno não teria articulado os atentados constra as Torres e o Pentágono para culpar os muçulmanos e mover contra eles “uma guerra infinita”? Mas vale pensar nesta interpretação de uma pessoa gabaritada como Salo Roth: lb
***************************
Apesar de eu respeitar o nobre teólogo Leonardo Boff, creio que ele está bastante equivocado e mal informado ao apontar o dedo de culpa para os árabes como terroristas. A verdade é que não somente as más ações que ele atribui aos americanos são verdadeiras, mas também o próprio episódio das torres. Comentaristas sérios dos EUA como Alex Jones, Ed Griffin, Pat Buchanan e uma enorme lista de outros, já há muito se convenceram e pregam que até o episódio das torres foi planejado, organizado e praticado pelo governo dos EUA ajudado pelo Mossad de Israel para mais uma vez incutir no povo o conceito de que os muçulmanos são o único problema do mundo e que, portanto precisam ser exterminados. A 8 de outubro de 2002 Bin Laden já havia morrido de uma doença incurável que o afligia há anos mas ele foi assassinado de novo agora para não deixar morrer a chama do ódio. Se os americanos o capturaram porque não mostraram o cadáver dele para o mundo ver? Porque fingiram jogá-lo no mar? Logo após a fanfarra sobre sua captura o governo do Paquistão veio a público afirmar que tudo aquilo era mera propaganda e mentira mas a mídia judaica se fez de surda e abafou essas notícias.

O grande pecado do Talibã foi o de se opor ao cultivo da papoula por considerar a atividade imoral. Como acontece com a cocaína na América do Sul, o governo dos EUA, sim, o próprio governo, auferia um lucro de mais ou menos 800 bilhões/ano daquela indústria para cobrir o seu déficit administrativo. Isso não poderia acontecer. Então vamos acabar com o Talibã, pois o que queremos é dinheiro. Moralidade é para os outros e não para nós. Isso está claramente exposto no livro “Crossing the Rubicon” por um ex-oficial da CIA. Tenho um vídeo em casa que documenta a maior operação de tráfico de drogas da história dos EUA conduzida em Arkansas imagina por quem? O Bill Clinton quando era governador daquele estado.

Você seria capaz de encontrar qualquer outro ato de terrorismo do porte das torres gêmeas ou até menor que foi tão bem documentado, não após, mas enquanto acontecia? Isso só é possível quando se planeja tudo com antecedência, se posta toda a parafernália de antenas, transmissores, câmeras etc. com muita estratégia dias antes. Como você explica que um prédio a três quarteirões de distância resolve desabar por si às quatro da tarde? Será que se ofendera? Ou talvez ficou com inveja? Os três prédios desabaram exatamente em cima de sua planta baixa sem qualquer desvio por menor que fosse. Se o impacto dos aviões tivesse algo a ver com o desabamento os seus topos poderiam ter se desintegrado parcialmente, mas jamais afetaria o que se encontra a 40 ou 50 andares por baixo. Querosene de jato não consegue ultrapassar uma temperatura de mais ou menos 850 graus centígrados em condições especiais de laboratório e o aço só começa a se tornar maleável acima de 1.400 graus centígrados. A maior autoridade mundial em estruturas de aço que leciona na Brigham Jung University demonstrou que: 1.. Nunca uma estrutura de aço falhou daquela forma em qualquer incêndio antes; 2. Aquele estilo de desabamento tão uniforme e dentro de alguns segundos só pode ter acontecido com cargas explosivas habilmente posicionadas e comandadas remotamente.. De fato a cobertura, se fosse solta em queda livre de sua altura, levaria exatamente o mesmo tempo para chegar ao solo, ou seja, não houve qualquer resistência de toda aquele estrutura que estava por baixo. Isso só acontece com uma implosão muito bem planejada na qual todos os pavimentos se pulverizam exatamente no mesmo segundo.

Porque você acha que as fitas gravadas com as comunicações aéreas do setor só daquele dia foram jogadas no lixo por “engano” pelo responsável do FAA? Porque será que o entulho dos prédios foi rapidamente “exportado” em navios para a China pela Cia Haliburton do Dick Cheney? Por acaso teria algo a ver com apagar toda e qualquer prova? Porque que o NORAD que é a divisão de caças que defende a costa do Atlântico foi ordenada pelo Dick Cheney a fazer uma missão de treinamento no Alaska dois dias antes e estava visivelmente ausente no seu local natural? Nas torres normalmente trabalhavam uns 6 a 7 mil indivíduos. Na véspera, dia 10, os circuncisos mais chegados foram avisados que no dia seguinte far-se-ia um treinamento de emergência e caso quisessem ficar em casa a sua falta seria abonada, pois a produtividade seria praticamente nula e daí resulta que as vítimas foram só 2.700. Diferença irrisória de aritmética. No dia 13 os maiores jornais como Washington Post,. Los Angeles Times, Wall Street Journal e outros noticiaram ter entrevistado alguns dos terroristas em seus respectivos lugares em várias partes do globo sem qualquer seqüência ao assunto porque essa notícia não seria coerente com a versão do governo. Um comandante da United, ao ouvir a versão oficial de que os terroristas teriam subjugado os comandantes das aeronaves com canivetes de cortar carpete, se esborrachou de rir dizendo que ele conhecia muito bem o comandante desaparecido e que ele jamais se renderia e cederia o comando do seu avião a um indivíduo com tal arma de fogo poderosíssima.

Em novembro de 2011 um site alemão publicou o que realmente havia acontecido nos mínimos detalhes. Você podia escolher o idioma: inglês, alemão, russo e francês. Dias antes um site francês correu mundo com fotos do pentágono, sob o seguinte título: Ache o avião se você for capaz. Você podia correr com o mouse e analisar o prédio sob todos os ângulos e simplesmente não havia qualquer vestígio de pedaços de algum avião. Só os buracos no prédio. Anos depois um filme canadense demonstrou que aquilo só poderia ter sido causado por um UAV com carga explosiva.

Nenhum dos terroristas constava em qualquer uma das listas de passageiros dos três aviões envolvidos. Você já conseguiu embarcar num vôo comercial sem constar da lista de passageiros? Eu não. Só num Paulistinha. Filmagens de amadores no segundo impacto gritavam nas ruas: “These don’t look like normal airplanes!!”. Porque eram teleguiados. Isso foi confirmado anos depois pela ALPA – Air Line Pilots Association. Durante dois dias após o incidente os céus dos EUA ficaram interditados para quaisquer vôos exceto o Air Force One que evacuava parentes da família Bin Laden residentes nos EUA a fim de prevenir qualquer possível represália popular. O filme Fahrenheit 911 elaborou bastante sobre a amizade dos Bin Laden com a família Bush. Ambas são petroleiras aintigas.

Essas táticas americanas já são antigas e muito manjadas. Está bem explicada nos protocolos. Cria-se um incidente no qual se mata uma quantidade de gente, acusa-se o outro lado como o culpado e agora vamos à guerra para nos vingar! O meu sogro que serviu na segunda guerra conta que a todo o momento os aviões americanos bombardeavam áreas civis ou até escolas, hospitais e conventos e acusavam os alemães de te-lo feito na Itália onde ele serviu do lado dos alemães. No Brasil afundaram navios brasileiros para forçar o Getúlio a entrar na guerra mas botando a culpa nos alemães. Então o que realmente houve.

Três aviões foram sorteados para o caso das torres: Um da American, e dois da United. Os dois primeiros que decolaram iam para a Califórnia. Em dado momento, foram avisados de que um ato terrorista está em curso. .Desliguem os seus ttransponders e sigam as instruções que lhes daremos para levá-los a um lugar seguro. Ambos foram guiados por vetoração radar para uma base militar. Cada um transportava cerca de um terço de sua lotação possível. Agora vocês todos embarquem naquele avião da United que os levará aos respectivos destinos sãos e salvos. Esse avião então foi abatido sobre a Pensilvânia sumindo com os passageiros. Ao desligar os transponders, esses primeiros aviões foram substituídos por aviões militares parecidos com os anteriores, teleguiados os quais agora foram comandados para se chocar com as torres. Com o povo de olhos nas torres, agora vamos implodi-las e nada sobrará para identificar pessoas ou aviões. Plano cumprido com sucesso conforme observado do QG do terceiro prédio. Pomos esse abaixo e lá se foi toda e qualquer evidência. O resto a gente agora resolve com mentiras. O Bin Laden é o culpado, Os árabes são demônios, vamos nos vingar começando com o Iraque. La tem petróleo e o Sadam está negociando petróleo com Euros ao invés de dólares. Não pode. E o resto a gente sabe bem. Essa versão foi divulgada pela Alemanha com inúmeros links comprobatórios para cada afirmação. Eu passei vários dias seguindo-os e confirmei os fatos acima. Adivinha porque a Alemanha não quis colaborar na guerra do Iraque?.

W.Novaes: Quando cuidaremos das nossas torres?

Washington Novaes é um dos melhores joranlistas brasileiros na área da ecologia. Semanalmente publica em O Estado de São Paulo um artigo sobre assuntos ligados ao tema. Este foi publicado no dia 9/9/2011 e merece ser meditado.lb

Na manhã de 11 de setembro de 2001, o autor destas linhas estava em Tefé, no Amazonas, preparando-se para embarcar no porto rumo à Reserva de Mamirauá, lá pelas bandas dos rios Japurá e Solimões, onde seriam gravadas cenas para um documentário da TV Cultura de São Paulo chamado “Biodiversidade: Primeiro Mundo É Aqui”. Sentado na calçada em frente a um hotel, olhava enquanto a equipe carregava numa van os equipamentos de gravação. Até que o porteiro do hotel, correndo e batendo uma mão na outra, veio dizer, esbaforido, que “um avião derrubou o maior prédio de Nova York; está lá, na televisão”. De fato, estava, deixando-nos todos perplexos. Mas era preciso partir. As “voadeiras” que nos levariam pararam, entretanto, num posto flutuante de combustíveis e lá havia uma televisão que mostrava um segundo avião derrubando uma segunda torre. Mas não tínhamos como esperar uma explicação, seguimos adiante. Nos cinco dias seguintes, como em Mamirauá não havia televisão nem telefone, ficamos, todos a circundar a reserva, a ver só água e florestas, sem nenhuma notícia, imaginando: será a terceira guerra mundial ? Só no fim do quinto dia, em um posto flutuante do Ibama, pudemos ver um noticiário de TV e entender o que acontecera.

Já se sabia, nesse 2011, que o Brasil detinha entre 15 e 20% da biodiversidade mundial e que essa é a maior riqueza real, concreta, do planeta (medicamentos, alimentos, materiais). Já se lutava, em várias frentes, por uma política de conservação efetiva para o bioma. Passados 10 anos, o cálculo que se faz é de que 18% da floresta já tenham desaparecido e que se chegar a 20% pode haver “uma inflexão”, como tem advertido o conceituado biólogo Thomas Lovejoy (Folha de S. Paulo, 14/8): poderá haver mudanças fortes no regime de chuvas, afetando também Mato Grosso, o Sul do país, até a Argentina. Experiente, Lovejoy diz que não devemos nos preocupar com ameaças do exterior, porque o mais grave já está aqui: “A pior forma de biopirataria é a destruição da floresta”.

Muitas vozes somam-se à dele. O prof. Paulo Moutinho, da Universidade Federal do Pará, lembra que “as florestas tropicais são o ar condicionado do planeta” (Eco 21, julho 2011). O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos alerta que “a miséria está transformando a Amazônia numa das principais rotas do tráfico internacional de armas e drogas” (ESTADO, 1/9). O próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon se diz “muito preocupado” com o desmatamento, que “diz respeito a todos os países, é uma questão global”, até mesmo porque responde por 20% das emissões de gases que intensificam mudanças climáticas. E espera que esse seja um dos temas centrais da Rio +20 (ESTADO, 18/6). Só que o desmatamento voltou a crescer: 1.435 quilômetros quadrados de agosto de 2010 a maio de 2011 (mais 24%) e 6.081 km2 de florestas degradadas no mesmo período (mais 363%) – principalmente ao longo das principais rodovias, 65% em áreas privadas, 24% em assentamentos. Uma progressão que leva o prudente Financial Times (31/8) a dizer que “a Amazônia é um teste político para a presidente Dilma.

Resta saber em que termos. A própria presidente autorizou a redução da área de parques e reservas para permitir discutíveis obras de hidrelétricas na região – que sequer terão como principal mercado os Estados do bioma: só 3,2% da energia de Belo Monte será consumida pelos paraenses e 4,1% pela Amazônia; 70% ficará para concessionárias de São Paulo e Minas, 14% para a Bahia (Diário do Pará, 31/8) – isto é, irá para linhões de transmissão, uma rede que já perde 17% e, segundo o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, precisaria ser praticamente toda trocada; foi implantada para resistir a ventos de até 80 quilômetros por hora e hoje enfrenta o dobro (geodireito, 2/9).

E não é só. As pastagens respondem pela ocupação de 62% das áreas de desmatamento medidas pelo INPE (ESTADO, 3/9). Mas o novo relatório sobre o Código Florestal, em discussão no Congresso, continua a abrir o facilitário para desmatadores, inclusive de reservas legais obrigatórias e áreas de proteção permanente – além de transferir para governos estaduais poder para legislar na área, facilitando as pressões locais de agropecuaristas e políticos.

E tudo isso vai agravar a situação da Amazônia. Exatamente na hora em que um novo estudo sobre a biodiversidade mundial aponta que ela tem mais que o dobro das espécies até agora apontadas (8,7 milhões, pelo menos, quando se contabilizavam 3,1 milhões). Se a Amazônia tem um terço da biodiversidade brasileira e esta corresponde a pelo menos 15% da biodiversidade planetária, a Amazônia terá quase 500 mil espécies. Quanto vale isso, lembrando, segundo Lovejoy, que só o comércio mundial de medicamentos derivados de plantas movimenta pelo menos US$250 bilhões anuais – e o Brasil sequer participa dele, porque não destina verbas suficientes para pesquisas, como recomenda a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência ?

Não bastasse, num momento em que o mundo agoniza com a chamada crise da água, cientistas descobrem a 4 quilômetros de profundidade, sob o rio Amazonas, outro rio que corre de Oeste para Leste em 6 mil quilômetros e desemboca perto da foz do grande rio (ESTADO, 25/8). Seu fluxo, de 3 mil metros cúbicos por segundo, é maior que o do rio São Francisco. Em pouco mais de 20 minutos poderia abastecer com 350 litros (consumo diário) cada um dos 11,4 milhões de paulistanos. E isso num país que já tem quase 13% de toda a água superficial do planeta, fora a dos aqüíferos subterrâneos.Biodiversidade água, energia.

Quando passaremos a dar prioridade em nosso pensamento político e estratégia a fatores como esses, principalmente quando as sucessivas crises financeiras mundiais indicam que o mundo terá de valorizar recursos concretos, em lugar de papéis ?

Muito mais alimentos sem reduzir a pobreza

WASHINGTON NOVAES é um dos melhores jornalistas brasileiros que trata semanalmente questões ecológicas. Reproduzimos aqui artigo recente.

Na reunião em que foi eleito diretor-geral da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da ONU, há poucos dias, o ex-ministro brasileiro José Graziano da Silva assegurou – com sua experiência de gestor do programa de combate à fome entre nós – que esta será sua prioridade: enfrentar esse problema no mundo, para que até 2015 o número de carentes de alimentos no planeta, hoje em torno de um bilhão, se reduza à metade. “É o desafio do nosso tempo”, disse na ocasião o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, lembrando que um dos complicadores dessa questão – “o protecionismo dos ricos” à sua produção de alimentos – só tem aumentado. E isso quando a própria FAO alerta que os preços desses produtos continuarão a subir nos próximos 10 anos. E que a produção precisará crescer 70% até 2050, para alimentar os 9,2 bilhões de pessoas que estarão no mundo nessa época.

Não é a única preocupação de Annan. Ele alertou também para a crescente compra e arrendamento de terras em outros países por especuladores e fundos de alto risco de países industrializados. Só em 2009 foi comprada na África uma área equivalente ao território da França (FAO, 27/6). São movimentos decorrentes das incertezas econômicas do mundo, com investidores buscando garantias reais, no momento em que os papéis financeiros chegam perto de US$600 trilhões, para um produto bruto mundial na casa dos US$60 trilhões anuais. E no momento em que Nouriel Roubini, um dos pouquíssimos economistas a prever a crise de 2008/9, alerta (ESTADO, 23/6) para o forte aumento do “risco de uma parada e um duplo mergulho em economias avançadas”, em seguida a altas pronunciadas nos preços de alimentos, petróleo e commodities, que fazem “ressurgir o espectro da inflação”. Numa reunião do G 20, nos mesmos dias, o presidente da França, Nicolas Sarkozy afirmou que os mercados agrícolas, “os menos transparentes”, vão se transformando, “sem regras, em loteria, na qual a sorte sorri aos mais cínicos”. Por isso mesmo, o Brasil declarou seu apoio a um Sistema de Informações dos Mercados Agrícolas, administrado pela FAO, que possa coibir movimentos indesejáveis nessa área. Mas não aceita um mecanismo de estabilização de preços agrícolas. Para o ministro da Agricultura brasileiro, o único caminho para isso é ”aumentar a produção”.

Tudo acontece num cenário paradoxal. Um relatório da própria FAO – “Perdas globais de alimentos e desperdício de comida” – assegura (11/5) que um terço dos alimentos produzidos no mundo, cerca de 1,3 bilhão de toneladas anuais, se perde ou é desperdiçado. São 670 milhões de toneladas nos países industrializados e 630 milhões nos demais. Os consumidores ricos, diz o documento, desperdiçam 222 milhões de toneladas de frutas e hortaliças – tanto quanto toda a produção de alimentos na África. Isso quer dizer um desperdício per capita de 95 a 115 quilos anuais nos Estados Unidos e Europa. Nessa mesma hora, lembra o Banco Mundial, com a crise no Oriente Médio e África, o preço dos alimentos ali já subiu 36%.

Mas o que se fará ? Estender a todo o mundo o padrão de consumo de alimentos já vigente nos países mais ricos. ? E como ? Há quase duas décadas o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) chama a atenção: para isso seriam necessários mais dois ou três planetas como a Terra. Lester Brown, diretor do Earth Police Institute, acha (New Scientist, 5/2) que a “bolha de alimentos” vai tornando insustentável a situação da água e da terra. Na Índia, 175 milhões de pessoas são alimentadas com grãos produzidos com água retirada em maior quantidade que a reposta. Na China são 130 milhões. Segundo Brown, metade da população mundial já vive em países com escassez de água – “e esta noite mais 219 mil pessoas se terão acrescentado à população mundial” (mais de 80 milhões por ano).

Trazendo para o Brasil a questão do combate à fome, que será preciso fazer ? Segundo o IBGE, 10 milhões de brasileiros vivem com até R$39,00 por mês; 4,8 milhões moram em domicílios sem renda alguma; ao todo, a população de “miseráveis” chega a 16,2 milhões (equivalentes à população total do Chile); abaixo da linha da pobreza – R$70,00 por mês – estão 8,5% dos 190 milhões de habitantes; 5,7 milhões vivem com R$40 a R$70 por mês; só no Estado de São Paulo são 1.084.402 “miseráveis”. O governo federal pretende investir R$20 bilhões para enfrentar o problema, dos quais R$16 bilhões do Bolsa Família (que é a única renda de 88% dos 13 milhões de beneficiários). Mais uma vez, pode-se comparar esse investimento com mais de R$150 bilhões anuais pagos em juros a bancos e investidores em papéis da dívida.

Não há dúvida de que já somos o segundo maior produtor de alimentos no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. E o Ministério da Agricultura espera aumentar a produção em 23% em uma década. Mas, como observa o ex-ministro Rubens Ricupero (Folha de S. Paulo, 26/6), esse desenvolvimento só se sustentará se formos capazes de encontrar soluções para “os desafios do meio ambiente”. Para justificar a preocupação, lembra ele números citados pelo ex-ministro José Carlos Carvalho: “no Vale do Rio Doce, um hectare sustentava 2,8 cabeças de gado; hoje, mal chega a 0,6”.

E assim vamos no mundo dos paradoxos. A produção de alimentos cresce, sobem os preços, “commodities” transformam-se em garantia para investimentos, junto com a compra de terras em países mais pobres. Mas não se consegue sair de perto do número terrível, de um bilhão de famintos no planeta, 40% da humanidade vivendo abaixo da linha da pobreza. A China caminhando para se tornar grande potência, mas Xangai, sua cidade mais populosa (acima de 20 milhões de habitantes), baixando legislação para proibir que cada família tenha mais de um cachorro – a política do “cachorro único” (ainda assim, mais de 5 milhões de cachorros; de quanto se precisará para alimentá-los ?).

Extraído de “O Estado de São Paulo”de 1/7/2011.