“Though I should pass through the valley of the shadow of death”

                                                      Leonardo Boff

In these dark times under the dangerous action of Covid-19 a mantle of fear and anguish extends over our lives. We live existentially weary, because of the loved ones we have lost, because of the threats of being contaminated, and even more because we don’t see when it will all end. What will come next?

A pious Israelite went through the anguish table and left us a picture of his situation in the famous Psalm 23: “The Lord is my shepherd; I shall not want. In it there is a verse that comes in handy exactly for our situation: “Though I should pass through the valley of death, I will fear nothing, for you go with me”.

Biblically, death is to be understood not only as the end of life, but existentially as the experience of profound crises such as severe life-threatening, fierce persecution by enemies, humiliation, exclusion, and devastating loneliness. It speaks then, of descending into the hells of the human condition.

When we say in the Christian creed that Jesus descended into hell, we mean that he experienced extreme loneliness and absolute abandonment, even by his Father (cf. Mk 15:34). He effectively passed through the valley of the shadow of death, the hell of the human condition. It is consoling, then, to hear the words of the Good Shepherd: “Fear not, I am with you”.

Our great novelist João Guimarães Rosa in Grande Sertão:Veredas observed well: “living is dangerous. We feel expelled from the garden of Eden. We are always trying to build a possible paradise. We live in risky crossings. Threats lurk everywhere. And at this moment with the virus, like never before.

No matter how hard we try, and how well societies organize themselves, we can never control all the risk factors. Covid-19 has shown us the unpredictability and our vulnerability That is why the human crossing is dramatic and sometimes tragic. In the end, when it comes to securing our lives, we are forced to entrust ourselves, beyond medicine and technology, to a Greater One who can lead us “to green pastures and quiet springs,” to the Good Shepherd God. This entrustment overcomes hopelessness.

Let’s widen the horizon a little: great drama weighs upon the future of life and the biosphere. Thousands of species are disappearing because of human greed and negligence. The increasing warming of the planet together with the scarcity of drinking water may confront us with a dramatic food crisis. Millions of people may be displaced in search of survival, threatening the already fragile political and social balance of nations.

Here we must invoke once again the Shepherd of the universe, the One who has power over the course of time and climate to create opportune situations and arouse a sense of solidarity and responsibility in the peoples and heads of state.

Today what destroys our joy of living is fear.  It is the consequence of a type of society that has been built in the last centuries based on competition and not on cooperation, on the will to accumulate material goods, on consumerism, and on the use of violence as a way to solve personal and social problems.

What invalidates fear and its sequels is the care for each other, especially now, so as not to be contaminated by the virus and not to contaminate others. Care is fundamental for us to understand life and the relationships between all beings. Without care, life is not born or reproduced. Caring for someone is more than managing their interests, it is getting affectively involved with them, caring for their well-being, and feeling co-responsible for their destiny. For this reason, everything we love we also care for and everything we care for we also love.

Caring is also the anticipator of behaviors so that their effects are good and strengthen coexistence.

A society that is governed by care, for the Common House, the Earth, care for the ecosystems that guarantee the conditions of the biosphere and of our life, care for the food security of every single human being, care for fresh water, nature’s most echosen good, care for people’s health, especially for the most deprived, care, caring for the spiritual environment of culture, so that everyone can live a meaningful life, experience and welcome limitations, aging, and the passing of death without major drama, this caring society will enjoy the peace and harmony necessary for human coexistence.

It is comforting, in the midst of our current tribulations, threatened by Covid-19, to hear the One who whispers to us: “Do not be afraid, I am with you” (Psalm 23) and through Isaiah assures us: “Do not be afraid, for I am your God; I will strengthen you, yes, I will help you, yes, I will support you in the palm of my hand” (Is 41:10).

In this way, our personal life takes on a certain lightness and, even in the midst of risks and threats, it retains a serene youthfulness as we feel that we are never alone. God walks in our own walk as the Good Shepherd who takes care that “we lack nothing”.

Leonardo Boff is a theologian and philosopher: The Lord is my shepherd: divine consolation for human helplessness, Orbis Books, 2013.

“Ainda que devesse passar pelo vale da sombra de morte”

Leonardo Boff

Nestes tempos sombrios sob a ação perigosa do Covid-19 um manto de temor e de angústia se estende sobre nossas vidas. Vivemos cansados existencialmente, pelas pessoas queridas que perdemos,  pelas ameaças de sermos contaminados e ainda mais por não entrevermos quando tudo isso vai acabar. O que virá depois?

taUm israelita piedoso passou pela mesa angústia e nos deixou retrada a sua situação no famoso salmo 23:”O Senhor é meu pastor e nada me falta”. Nele há um verso que vem a calhar exatamente para a nossa  situação:”Ainda que devesse passar pelo vale da morte, nada temerei porque tu vais comigo”.

Morte biblicamente, deve ser entendida não apenas como o fim da vida, mas existencialmente como a experiência de crises profundas como grave risco de vida, perseguição feroz de inimigos, humilhação, exclusão e  solidão devastadora. Fala-se então, de descer aos infernos da condição humana.

Quando se reza no credo cristão que Jesus desceu aos infernos se quer expressar que ele conheceu a solidão extrema e o absoluto abandono, até por parte de seu Pai (cf. Mc 15,34). Ele passou, efetivamente, pelo vale da sombra de morte, pelo inferno da condição humana. É consolador, então, ouvir a palavra do Bom Pastor:”não temas eu estou contigo”.

Nosso grande romancista João Guimarães Rosa em Grande Sertão:Veredas bem observou: “viver é perigoso”. Sentimo-nos expulsos do jardim do Eden. Estamos sempre buscando construir um paraíso possível. Vivemos fazendo travessias arriscadas. Ameaças nos espreitam por todos os lados. E nesse momento com o vírus, como nunca antes.

Por mais que nos esforcemos e as sociedades para isso se organizem, nunca podemos controlar todos os fatores de risco. O Covid-19 nos mostrou a imprevisibilidade e a nossa vulnerabilidade Por isso, é dramática e, por vezes trágica, a travessia humana. No termo, quando se trata de assegurar nossa vida, somos forçados a  nos confiar, além da medicina e da técnica, a um Maior que pode levar-nos”a pastagens verdejantes e à fontes tranqulas”, ao Deus-Bom-Pastor. Essa entrega  supera a desesperança.

Alarguemos um pouco o horiconte: grande dramaticidade pesa sobre o futuro da vida e da biosfera. Milhares de espécies estão desparecendo por causa da  cobiça e da incúria humana. O aquecimento crescente do Planeta unido à escassez de água potável pode nos confrontar com uma crise dramática de alimentação. Milhões poderão  se deslocar em busca da sobrevivência ameaçando o já frágil equilíbrio político e social das nações.

Aqui cabe invocar de novo o Pastor do universo, Aquele que tem poder sobre o curso dos tempos e dos climas para que crie situações oportunas e suscite o sentido da solidariedade e da responsabilidade nos povos e nos chefes de Estado.

Hoje o que destrói nossa alegria de viver é o medo.  É consequência de um tipo de sociedade que se construiu nos últimos séculos assentada sobre a competição e não sobre a cooperação,  sobre a vontade acumulação de bens materiais, o consumismo e sobre o uso da violência como forma de resolver os problemas pessoais e  sociais.

O que invalida o medo e suas sequelas é o cuidado de uns para com os outros, especialmente agora, para não sermos contaminado pelo viírus nem contaminar  os outros. O cuidado é fundamental para entendermos a vida e as relações entre todos os seres. Sem cuidado a vida não nasce nem se reproduz. Cuidar de alguém é mais que administrar seus interesses, é envolver-se afetivamente com ele, importar-se pelo seu bem-estar, é sentir-se corresponsável pelo seu destino. Por isso, tudo o que amamos também cuidamos e tudo o que cuidamos também amamos.

O cuidado é  também o antecipador prévio dos comportamentos para que seus efeitos sejam bons e fortaleçam a convivência.  

Uma sociedade que se rege pelo cuidado, pela Casa Comum, a Terra, cuidado com os ecosistemas que garantem as condições da biosfera e de nossa vida, cuidado com a segurança alimentar de cada um dos seres humanos, cuidado com água doce, o bem mais ecasso da natureza, cuidado com a saúde das pessoas, especialmente das mais desprovidas, cuidado, com  relações sociais mais participativas, equitativas, justas e pacíficas, cuidado com o ambiente espiritual da cultura para que todos possam viver com sentido, vivenciar e acolher, sem maiores dramas, as limitações, o envelhecimento e a travessia da morte, essa sociedade de cuidado gozará de paz e concórdia, necessárias para a convivialidade humana.

É confortador, no meio de nossas tribulações atuais, ameaçados pelo Covid-19, ouvir Aquele que nos sussurra:”Não temas,  eu estou contigo”(Salmo 23) e através de Isaías nos assegura:”não olhes apreensivo, pois eu sou teu Deus, eu te fortaleço sim, eu te ajudo, sim, eu te sustento na palma de minha mão”(Is 41,10).

Desta forma, nossa vida pessoal ganha certa leveza e conserva, mesmo no meio de riscos e ameaças, serena jovialidade ao sentirmos que jamais estamos sós. Deus caminha em nosso próprio caminhar como o  Bom Pastor que cuida para que “nada nos falte”.

Leonardo Boff é teólogo e filósofo e escreveu: O Senhor é meu pastor: consolo divino para o desamparo humano, Vozes 2013.

Haben wir genug Zeit und Verstand, um eine ökologische Katastrophe zu vermeiden?

Leonardo Boff

Am 8. August 2021 veröffentlichte der Weltklimarat (IPCC) den alle zwei Jahre erscheinenden Bericht über den Zustand des Erdklimas, der das Ergebnis der Forschung von mehr als hundert Experten aus 52 Ländern ist. Im Gegensatz zu früheren Berichten war das Dokument noch nie so klar wie jetzt. Zuvor hieß es, es sei zu 95 % sicher, dass die globale Erwärmung anthropogen, d. h. vom Menschen verursacht sei. Jetzt wird uneingeschränkt bestätigt, dass sie eine Auswirkung des Menschen und seiner Art, die Erde zu bewohnen, ist, insbesondere aufgrund der Nutzung fossiler Energien (Öl, Kohle und Gas) und anderer negativer Faktoren.

Das Szenario sieht dramatisch aus. Das Pariser Abkommen sieht vor, dass die Länder “die Erwärmung auf unter 2˚ C begrenzen und sich bemühen, sie auf 1,5 ˚C zu begrenzen”. Der aktuelle Bericht deutet darauf hin, dass es schwierig sein wird, aber dass wir über die wissenschaftlichen Kenntnisse, die technologischen und finanziellen Kapazitäten verfügen, um den Klimawandel zu bewältigen, wenn alle – Länder, Städte, Unternehmen und Einzelpersonen – es jetzt ernsthaft angehen.

Die aktuelle Situation ist besorgniserregend. Im Jahr 2016 beliefen sich die weltweiten Treibhausgasemissionen auf rund 52 Gigatonnen CO2 pro Jahr. Wenn wir unseren derzeitigen Kurs nicht ändern, werden wir bis 2030 52-58 Gigatonnen erreichen. Auf diesem Niveau käme es zu einer enormen Zerstörung der biologischen Vielfalt und zu einer nie dagewesenen Vermehrung von Bakterien und Viren.

Um das Klima bei 1,5 Grad Celsius zu stabilisieren, so die Wissenschaftler, müssten die Emissionen um die Hälfte (25-30 Gigatonnen) sinken. Andernfalls würden wir, wenn die Erde in Flammen steht, erschreckende Extremereignisse erleben.

Ich bin der Meinung, dass Wissenschaft und Technologie allein nicht ausreichen, um die Treibhausgase zu reduzieren. Es ist zu viel, an die Allmacht der Wissenschaft zu glauben, die bis heute nicht in der Lage war, Covid-19 vollständig erfolgreich etwas entgegenzusetzen. Es besteht ein dringender Bedarf an einem anderen Paradigma der Beziehung zur Natur und zur Erde, das nicht zerstörerisch, sondern freundlich und in subtiler Synergie mit den Rhythmen der Natur ist. Dies würde eine radikale Umgestaltung der derzeitigen kapitalistischen Produktionsweise erfordern, die immer noch weitgehend von der Illusion getragen wird, dass die Ressourcen der Erde unbegrenzt sind und daher ein unbegrenztes Wachstums-/Entwicklungsprojekt ermöglichen. Papst Franziskus prangert in seiner Enzyklika “Laudato Sì: Über die Sorge für das gemeinsame Haus (2020)” diese Prämisse als “Lüge” (Nr. 106) an: Ein begrenzter, degradierter und überbevölkerter Planet verträgt kein unbegrenztes Projekt. Covid-19 in seiner tiefsten Bedeutung verlangt von uns, eine paradigmatische Umkehr in die Tat umzusetzen.

In der Enzyklika “Fratelli tutti” (2021) versteht Papst Franziskus diese Warnung vor dem Virus. Er stellt zwei Projekte gegenüber, die wahre Paradigmen sind: das gegenwärtige, das der Moderne, dessen Wesen darin besteht, den Menschen zum Dominus (Herrn und Meister) der Natur zu machen, und das neue, das er vorschlägt, das des Frater (Bruder und Schwester), das alle miteinschließt, den Menschen und die anderen Lebewesen der Natur. Dieses neue Paradigma der planetarischen Geschwisterschaft würde eine grenzenlose Geschwisterlichkeit und eine soziale Liebe schaffen. Wenn wir diese Reise nicht antreten, “sind entweder alle gerettet oder niemand” (Nr. 32).

Die große Frage ist: Zeigt die globalisierte kapitalistische Produktionsweise den politischen Willen, die Fähigkeit und die Vernunft, diesen radikalen Wandel zuzulassen? Sie hat sich zum Dominus (Descartes’ Maître et Possesseur) der Erde und all ihrer Ressourcen gemacht. Seine Mantras lauten: höchstmöglicher Profit, erzielt durch scharfen Wettbewerb, akkumuliert als Einzelperson oder als Unternehmen, durch eine verheerende Ausbeutung von natürlichen Gütern und Dienstleistungen. Aus dieser Produktionsweise ist die Klimakontrolle und, was noch schlimmer ist, eine Kultur des Kapitals entstanden, von der wir alle in gewisser Weise Geiseln sind. Wie können wir uns aus ihr befreien, um uns zu retten?

Wir müssen uns ändern, sonst, so Sygmunt Bauman, “werden wir uns in die Reihe derer einreihen, die auf ihr eigenes Grab zusteuern”.

Logischerweise braucht dieser dringende Paradigmenwechsel Zeit und beinhaltet einen Transformationsprozess, da das gesamte System darauf getrimmt wird, mehr zu produzieren und zu konsumieren. Aber die Zeit für Veränderungen läuft uns davon. Daher die Meinung der großen Köpfe der Welt, deren unbestreitbare Glaubwürdigkeit nicht auf einfachem Pessimismus, sondern auf fundiertem Realismus beruht. Ich zitiere einige von ihnen:

Der erste ist Papst Franziskus, der in Fratelli tutti warnte: “Wir sitzen alle im selben Boot, entweder wir retten uns alle, oder niemand wird gerettet” (Nr. 32).

Der zweite ist der Begründer der Theorie der Erde als lebender Superorganismus, Gaia, James Lovelock, dessen neuester Titel alles sagt: Gaia: Final Warning (Intrinsic, Rio 2010).

Der dritte ist Martin Rees, königlicher Astronom aus UKl: Unsere letzte Stunde: Wird das 21. Jahrhundert das letzte der Menschheit sein? (Companhia das Letras, SP 2005); der Titel spricht für sich selbst.  

Der vierte ist Eric Hobsbawm, einer der renommiertesten Historiker des 20. Jahrhunderts, der am Ende von The Age of Extremes (Companhia das Letras, SP 1995) sagt: “Wir wissen nicht, wohin wir uns bewegen. Eines ist jedoch klar: Wenn die Menschheit eine sinnvolle Zukunft haben will, kann dies nicht durch eine Verlängerung der Vergangenheit oder der Gegenwart geschehen. Wenn wir versuchen, das dritte Jahrtausend auf dieser Grundlage aufzubauen, werden wir scheitern. Und der Preis des Scheiterns, d. h. des gesellschaftlichen Wandels, ist die Dunkelheit” (S.562). Diese Warnung gilt für alle, die die Postpandemie als Rückkehr zur alten, perversen Normalität betrachten.

Der fünfte ist der bekannte französische Genetiker Albert Jacquard mit seinem Buch “Hat der Countdown bereits begonnen?” (Le compte à rebours a-t-il commencé? Stock, Paris 2009). Er erklärt: “Wir haben ein Zeitlimit, und wenn wir gegen uns selbst arbeiten, laufen wir Gefahr, eine Erde zu schaffen, auf der niemand von uns leben möchte. Das Schlimmste ist nicht sicher, aber wir müssen uns beeilen” (vierte Schicht).

Schließlich stellt einer der letzten großen Naturforscher, Théodore Monod, in seinem Buch “Und wenn das menschliche Abenteuer scheitern sollte” (Et si l’aventure humaine devait échouer, Grasset, Paris 2003) fest: “Der Mensch ist durchaus zu wahnsinnigem und irrsinnigem Verhalten fähig; von nun an können wir alles befürchten, absolut alles, sogar die Auslöschung der menschlichen Spezies” (S.246).

Der Prozess der Kosmogenese und Anthropogenese führte auch zur Entstehung von Glaube und Hoffnung. Sie sind Teil der gesamten Realität. Sie entkräften nicht die oben zitierten Warnungen, aber sie öffnen ein weiteres Fenster, das uns versichert, dass “der Schöpfer alles aus Liebe geschaffen hat, weil er der leidenschaftliche Liebhaber des Lebens ist” (Weisheit 11,26).

Dieser Glaube und diese Hoffnung erlauben es Papst Franziskus, “jenseits der Sonne” die folgenden Worte zu sprechen: “Gehen wir singend voran, damit unsere Kämpfe und unsere Sorge um diesen Planeten uns nicht die Freude der Hoffnung rauben” (Laudato Sì Nr. 244).

Das Prinzip der Hoffnung überwindet alle Grenzen und hält die Zukunft immer offen. Wenn wir den Klimawandel auch nicht verhindern können, so können wir doch Vorkehrungen treffen und seine schädlichsten Auswirkungen abmildern. Das ist es, woran wir glauben und worauf wir hoffen.

Leonardo Boff,Philosoph und Ökotheologe und hat das Buch geschrieben:”Zukunft für Mutter Erde:warum wir als Krone der Shöpfung abdanken müssen,Claufiud 2012.

Theoretischer Rahmen zum Verständnis der aktuellen Covid-19-Krise

Jede sozial-historische Realität, egal wie gut sie aussieht oder wie tief sie im Chaos versinkt, erfordert einen theoretischen Rahmen (eine Reihe von Konzepten), um verstanden zu werden, sei es, um den Bedrohungen zu begegnen, die sie darstellen kann, oder um eine neue Ordnung zu gründen, die mit ihren Versprechungen entstehen kann.

Der erste theoretische Rahmen folgt der Wissenschaft, wie sie üblicherweise praktiziert wird, deren Methode im 18. Jahrhundert von den Gründervätern des modernen wissenschaftlichen Paradigmas eingeführt wurde, das seinen deutlichsten Ausdruck in den Ergebnissen des IPCC gefunden hat, die die aktuelle Erwärmung und den Gesundheitszustand der Erde begleiten.Die Achse dieses Paradigmas ist der Wille zur Macht, verstanden als Unterwerfung und als Ausbedutung der Natur und deren Resoursen zugustens des Profits und des Wohlstandes des Menschen.

Die Tatsachen, über die es reflektiert, sind zum Beispiel der Ausbruch von Covid-19, der die Reaktion der Erde auf die Angriffe des Menschen im geologischen Zeitalter des Anthropocene zeigt. Die andere Tatsache ist die Zunahme der globalen Erwärmung, deren C02, wie wir wissen, mehr als hundert Jahre lang in der Atmosphäre verbleibt. Angesichts der Unersättlichkeit der Industrie stößt sie an eine gefährliche Grenze. Sie muss bis 2030 drastisch reduziert werden, da sonst eine dramatische Veränderung des Gleichgewichts der Erde eintritt, die die Biosphäre ernsthaft bedroht und weltweit Millionen von Flüchtlingen hervorbring.

Wenn das derzeitige Konsumniveau, das anderthalb Erden beansprucht, anhält, könnte dies zu einer großen sozialen Ungleichheit führen, insbesondere unter den Armen. Es gibt auch die “9 planetarischen Grenzen für Entwicklung”, die nicht überschritten werden dürfen (Klima, Wasser, Boden, biologische Vielfalt, abnehmende Ozonschicht, Versauerung der Ozeane u. a.). Vier davon sind in hohem Maße von Erosion bedroht. Nach dem fünften kann es zu einem Dominoeffekt kommen, da alle Faktoren systemisch und miteinander verknüpft sind. Dies könnte zu einem Zusammenbruch unserer Zivilisation führen.

Das Resultat: Das Szenario ist dramatisch für das Lebens- und das Erdsystem, was noch dadurch verschlimmert wird, dass die meisten Menschen und Staatsoberhäupter sich der realen Bedrohungen, die auf der Menschheit lasten, gar nicht bewusst sind. Diese Lesart führt zu Pessimismus und Desinteresse der Menschen an der Ökologie

Der zweite Rahmen geht von der neuen Kosmogenese aus, von den Lebens- und Erdwissenschaften. Die zentrale Kategorie ist nicht die Ordnung, sondern das Chaos. Hier nutzen wir die Errungenschaften der Chaostheorie, die uns eine positivere und vielversprechendere Lesart bietet.

Zusammen mit der Relativitätstheorie von Einstein, der Quantenmechanik von Heisenberg/Bohr und der Chaostheorie von Lorenz/Prigogine wurde ein neues wissenschaftliches Paradigma begründet, das die sozialgeschichtliche Wirklichkeit anders interpretiert. Alles im Universum stammt aus einem unermesslichen Chaos (Urknall), dessen Explosion vor 13,7 Milliarden Jahren Materie, Energie und Informationen in alle Richtungen schleuderte.

Die Evolution ist ein Mittel, um Ordnung in dieses Chaos zu bringen. Durch ihre Explosion wurden die in ihr gebildeten Materien in alle Räume geschleudert, wodurch Galaxien, Schwarze Löcher, Sterne, unsere Sonne und die Erde und alles, was sich darin befindet, entstanden sind. Wie Bohm, Lorenz und Prigorine gezeigt haben, bildet sich in diesem Chaos immer eine neue Ordnung, die in dem Maße dominant wird, wie die Zerstörungskraft des Chaos abnimmt (ohne jemals völlig zu verschwinden). Das Chaos bricht in allen Lebewesen aus, auch in uns Menschen, wenn eine gegebene Ordnung die entstandenen Probleme nicht mehr bewältigen kann. So sind wir Menschen chaotisch und geordnet, klug und wahnsinnig, Träger von Liebe und Empathie und gleichzeitig von Hass und Ausgrenzung. Wir sind die Koexistenz dieser Gegensätze.

Mit der dramatischen Präsenz des Coronavirus befinden wir uns in diesem Moment im Zentrum eines gewaltigen Chaos, das den ganzen Planeten und jeden einzelnen Menschen betrifft.

Aber es hat uns dazu gebracht, die Erde als Ganzes zu entdecken, und dass wir auch die Erde sind, ein bewusster Teil von ihr, und nicht ihre Besitzer und Meister. Das Virus hat die traditionelle Souveränität außer Kraft gesetzt, denn das Virus respektiert die Grenzen der Nationen nicht, es hat uns entdecken lassen, dass unser menschliches Wesen aus Zusammenarbeit/Solidarität und der Ethik der Fürsorge füreinander und für die Natur besteht.

Sie hat uns die Dringlichkeit vor Augen geführt, die Erde als gemeinsame Heimat aufzubauen, als das große Haus, in dem wir leben, einschließlich der Natur. Die Pandemie hat die Notwendigkeit eines planetarischen Sozialpakts aufgezeigt, damit wir als Spezies in Frieden und mit einem Minimum an Spannungen leben können.

Es wird eine Zivilisation sein, in deren Mittelpunkt der höchste Wert des Lebens steht, und Wirtschaft und Politik müssen in den Dienst der Erhaltung allen Lebens, insbesondere unseres eigenen, gestellt werden.

Die Schlussfolgerung, die wir aus dieser Art der Interpretation ziehen, ist, dass eine alte Ordnung in ein unumkehrbares Chaos gestürzt ist, dass sich aber darin eine neue Ordnung zusammenbraut (nicht ohne Leiden), wir können sagen, eine neue Art, die Erde in Synergie mit der Natur, mit Brüderlichkeit und sozialer Liebe zu bewohnen. Das geht nicht von heute auf morgen, denn das Chaos hat eine lange Vorgeschichte und einen langsamen Leidensweg. Aber es verspricht keine Hoffnung, sondern nur mehr vom Gleichen, das sich unmöglich wiederholen kann, denn die neue Ordnung wird mehr Überzeugungskraft haben und die Vorherrschaft in der Geschichte übernehmen.

Zusammenfassung der Situation: Wir steuern nicht auf unser eigenes Grab zu, sondern auf eine neue Art von Welt. Der Traum der Weltsozialforen wird nicht nur als mögliche, sondern als notwendige neue Welt verwirklicht werden. Darin werden die verschiedenen kulturellen Welten – die chinesische, die indische, die andine, die afrikanische und die brasilianische – mit ihren Werten und Traditionen zu sehen sein, die die Vielfalt des Menschseins zeigen.

Wo soll man anfangen? Papst Franziskus sagt in der Enzyklika Fratelli tutti: Wir müssen von unten anfangen (denn von oben kommt immer mehr vom Gleichen oder Schlimmeren), bei jedem Einzelnen, bei jeder Ortschaft, bei jedem Land, bis in den letzten Winkel des Planeten.

Alles beginnt im Territorium (Bioregionalismus), nicht wie es künstlich durch die politische Geographie der Gemeinden abgegrenzt wurde, sondern durch die Art und Weise, wie die Natur das Territorium mit seinen Bergen, Flüssen, Wäldern, Böden, Landschaften und vor allem mit den Menschen, die dort seit Jahrzehnten oder Jahrhunderten leben, geprägt hat. Alles wird in kleine und mittlere Produktionsbetriebe integriert, beginnend mit der Agrarökologie, mit einer neuen Art von sozial-ökologischer Demokratie, die die Rechte der Natur und der Mutter Erde anerkennt, mit der Beteiligung aller, mit einer Politik, die die Armut so weit wie möglich reduziert und mit der friedlichen Integration aller. Kulturelle Traditionen, weltliche und religiöse Feste, die Bewunderung von Künstlern, vorbildlichen Politikern, Heiligen und Weisen werden das Terrain bilden, auf dem echte Nachhaltigkeit erreicht werden kann.

Wir könnten die Erde als einen riesigen Teppich darstellen, der aus autonomen und miteinander verbundenen Gebieten gewebt ist, die die neue Ära des gemeinsamen Hauses bilden, der Mutter Erde, der Mutter aller Kämpfe und aller Siege, die von Völkern gepflegt, geliebt und bewohnt wird, die sich als Brüder und Schwestern fühlen, weil sie alle Söhne und Töchter der Magna Mater sind, oder besser gesagt, sie sind die Erde selbst, die fühlt, denkt, liebt, sorgt und verehrt.

Wir werden gemeinsam das Mysterium der Welt und das Wunder unserer eigenen Existenz feiern, das wir mit der ganzen Gemeinschaft des Lebens teilen. Eine Utopie? Ja, aber das ist notwendig, denn dorthin führt der Weg der aufsteigenden Evolution, das ist die Sehnsucht aller Völker, und es entspricht auch dem Plan des Schöpfers.

Leonardo Boff Ökologe und Theologe, Text für die Agrarökologie-Organisationen CAATINGA, SABIÁ und SASOP, basierend auf einem Kalender für 2022 mit dem Thema “Erde, Mutter aller Kämpfe”.