Advertência sobre o documentário “Eles estão no meio de nós” contra a Teologia da Libertação

                                            

Na segunda-feira,dia 24 de outubro, promete-se exibir um documentário extremamente negativo contra a Teologia da Libertação no contexto das eleições,atacando Lula e membros da Igreja e teólogos da Teologia da Libertação. Acusa-os que através  dela quererem destruir a Igreja por dentro e introduzir o comunismo no Brasil.

Tópicos da propaganda já divulgados, com vozes acusatórias, logo no início, mostram que se trata de um documentário,   cheio de falsificações e distorções muito graves.  O organizador é um blogueiro (defensor ferrenho de Bolsonaro). Ele há muito tempo disse estar preparando esta documentação. Por que lançá-la logo agora, na corrida final das eleições presidenciais?

Quem é esse blogueiro? Diz-se jornalista (mas sem curso nenhum),  católico ultra-conservador, que através de seu youtube ataca duramente a Igreja Católica que saiu do Vaticano II, dos documentos oficiais da Conferência Latino Americana de Bispos (CELAM),e da própria CNBB, documentos que reconhecem a validade da Teologia da Libertação.

O documentário acusa a mim de hereje. É falso e mentiroso. A Congregação pela Doutrina da Fé nunca fez esta condenação, nem condenou doutrina minha, apenas um”comportamento” que pode pôr em risco a fé cristã. Afastado o risco, posso seguir adiante. Isso pode ser lido na edição nova do livro em questão naquela época, Igreja: carisma e poder (1982) onde se publica o document oficial do Card. Joseph Ratzinger (Record 2021) e também a minha resposta.

Este blogueiro tem atacado furiosamente o falecido e muito querido pelo Papa Francisco, Card.Cláudio Hummes, igualmente  a CNBB. Esteve presente no Sínodo Panamazônico em Roma. Dia após dia fazia lives acusando de herético ou falso praticamente tudo o que lá se dizia. Penetrou,sem licença, nas Catacumbas onde os bispos do Pacto das Catacumbas renovavam seu voto da opção pelos pobres de Jesus. Filmou  sorrateiramente e publicou depos denunciando como uma barbaridade o que lá se fazia. Foi descoberto e afastado do lugar.

Contra mim em seu youtube disse tantas calúnias e verdadeiras mentiras,negando-se a publicar minha resposta em seu youtube. Fui obrigado a processá-lo. Perdeu o processo em todas as instâncias e teve que pagar pesada multa, por atraso e resistência à justiça. Vale acrescentar que este blogueiro pelos excessivos ataques às autoridades em seu youtube foi acusado pelo STF entre os tantos  que estão sob processo. A polícia retirou-lhe o computador e todos os arquivos. Nem por isso deixou de atuar com suas falsificações em seu youtube utilizando os meios de amigos da mesma corrente ultra-conservadora.

Afirma e reafirma que  Teologia da lIbertação é herética e foi condenada pela Igreja. É outra falsidade. Há dois documentos sobre este tipo de teologia,ambos do Card. Joseph Ratzinger de quem fui amigo e por sua ajuda foi publicada minha tese em alemão,altamente apreciada por ele. No primeiro documento de 1984,“Libertatis Nuntius sobre alguns aspectos da teologia da libertação”chama atenção para riscos da utilização de algumas categorias da análise marxista acerca do capitalismo explorador,mas não condena ninguém. No segundo documento de 1986 Libertatis Conscientia realça os aspectos positivos desta teologia da libertação. Este quase nunca é citado, apenas o primeiro.

Isso ficou mais claro num encontro do Papa João Paulo II em 1986 com bispos brasileiros em Roma que afirma: “esta teologia da libertação não é só ortodoxa mas necessária”. Neste mesmo ano de 1986 numa carta aos bispos do Brasil reitera que “esta teologia da libertação não é só oportuna,mas útil e necessária” num contexcto de opressão.

Em suas  encíclicas João Paulo II falou também de “uma nova e autêntica teoria e práxis de libertação”, de “uma autêntica teologia da libertação humana integral” (Centesimus Annus, n. 26) e dos “valores positivos” de “uma nova maneira de enfrentar os problemas da miséria e do subdesenvolvimento que faz da libertação a categoria fundamental e o primeiro princípio de ação (Sollicitudo Rei Socialis, n. 46). Mais ainda, segundo o Papa João Paulo II, “desse modo se poderia romper a pretensa fatalidade dos sistemas – incapazes, um e outro de assegurar a libertação trazida por Jesus Cristo – o capitalismo desenfreado e o coletivismo ou capitalismo de Estado”.

Face a esta vigorosa manifestação oficial do Vaticano sobre a teologia da libertação resultam falsas, mentirosas e caluniosas as afirmações desse blogueiro. Ela não é herética, é otodoxa, é oportuna, útil e necesária, portanto, faz bem à Igreja que se põe ao lado dos pobres, como Jesus. Ela sustenta a busca da justiça social e a libertação das opressões materiais,psicológicas e espirituais que sofrem,libertação  a partir deles mesmos com o apoio da mensagem de Jesus Cristo Libertador.

Quem ver a documentação falsificadora, mantenha seu espírito crítico e considere tal fato, no contexto das eleições, como uma manipulação para influenciar os eleitores a votarem naquele que nos seus quatro anos de seu governo  oprimiu o povo brasileiro, especialmente, os pobres, as famílias que perderam cerca de 300 mil pessoas por causa de sua  omissão e sua temosia: o atual presidente do Brasil.

Somos pela liberdade de expressão mas dentro de parâmetros éticos mínimos. Mas somos muito mais amigos da verdade: Amicus Plato sed magis amica veritas.

Leonardo Boff, teólogo católico, filósofo e assessor de muitos movimentos cristãos e de comunidades eclesiais de base, membro da Comissão internacional da Carta da Terra.

Ent-Teufeln des Satans

In Zeiten politischer und präsidialer Kampagnen ist es nicht ungewöhnlich, dass ein Kandidat seinen Gegner dämonisiert. Es wird sogar fälschlicherweise unterschieden, wer auf der Seite Gottes und wer auf der Seite des Teufels oder Satans steht.

Der Begriff “Satan” (hebräisch) oder “Teufel” (lateinisch) hat im Laufe der Geschichte viele positive und negative Bedeutungen erhalten. Dies geschieht in vielen Religionen, insbesondere in den abrahamitischen Religionen (Judentum, Christentum und Islam).

Wir müssen jedoch sagen, dass niemand so viele Ungerechtigkeiten erlitten hat und so “dämonisiert” wurde wie Satan selbst. Zu Beginn war das nicht so. Aus diesem Grund ist es wichtig, kurz die Geschichte des Satans oder des Teufels in Erinnerung zu rufen.

Er wird zu den “Söhnen Gottes” gezählt, wie auch die anderen Engel, wie es im Buch Hiob (1,6) heißt. Er ist im himmlischen Hof; deshalb ist er ein Wesen der Güte. Er ist nicht die böse Figur, die er später sein wird. Aber er hat von Gott eine ungewöhnliche und undankbare Aufgabe erhalten: Er soll gute Menschen wie Hiob prüfen, der “ein rechtschaffener, aufrechter, gottesfürchtiger Mann und weit entfernt vom Bösen” ist (Hiob 1,8). Er muss ihn auf die Probe stellen, um herauszufinden, ob er wirklich das ist, was alle über ihn sagen: “Es gibt keinen wie ihn auf Erden” (Hiob 1,8). Als eine von Satan geförderte Prüfung verliert Hiob alles, Familie, Besitz und Freunde. Aber er verliert seinen Glauben nicht.

Ab dem 6. Jahrhundert v. Chr. kam es zu einer großen Veränderung, als die Juden die babylonische Gefangenschaft (587 v. Chr.) in Persien erlebten. Dort wurden sie mit der zoroastrischen Lehre vom Kampf zwischen dem “Fürsten des Lichts” und dem “Fürsten der Finsternis” konfrontiert. Sie übernahmen diese dualistische und manichäische Lehre, aus der Satan als Teil des Reiches der Finsternis, der “große Ankläger” oder der “Widersacher”, der die Menschen zu bösen Taten verleitet, hervorging. Danach kommt es zu einer Konfrontation zwischen Gott und Satan. In den spätjüdischen Texten ab dem 2. Jahrhundert, insbesondere im Buch Henoch, wird die Sage vom Aufstand der Engel unter der Führung Satans, der heute Luzifer heißt, gegen Gott ausgearbeitet. Sie erzählt vom Fall Luzifers und etwa einem Drittel der Engel, die ihm folgten und schließlich aus dem Himmel vertrieben wurden.

Dann stellt sich die Frage: Wenn sie ausgewiesen wurden, wohin sollen sie dann? Hier wurde die Kategorie der Hölle verwendet: das brennende Feuer und all die Schrecken, die von Dante Alighieri im zweiten Teil seiner Göttlichen Komödie, der der Hölle gewidmet ist, gut beschrieben wurden.
 
Im Ersten Testament (Altes Testament) wird der Teufel so gut wie gar nicht erwähnt (vgl. Chron 21,1; Samuel 24,1). Im Zweiten Testament (Neues Testament) erscheint er in einigen Berichten "... sie werden in den Feuerofen geworfen werden; dort werden sie weinen und mit den Zähnen knirschen" (Mt 8,12;13,42-50;Lk 13,27) oder im Gleichnis vom reichen Epulon und dem armen Lazarus (Lk 16,23-24) oder in der Apokalypse (16,10-11).
 
Dieses Verständnis wurde von den antiken Theologen, insbesondere von Augustinus, aufgegriffen. Er beeinflusste die gesamte Tradition der Kirche und die Lehre der Päpste und hat bis heute überlebt.
 
Die Kategorie der Hölle und der ewigen Verdammnis war ein entscheidender Faktor bei der Bekehrung der Eingeborenen in Lateinamerika und anderen Missionsgebieten und erzeugte Angst und Panik. Ihre Vorfahren, so sagte man ihnen, seien in der Hölle, weil sie keine Christen gewesen seien. Und es wurde argumentiert, dass sie das gleiche Schicksal ereilen würde, wenn sie sich nicht bekehrten und sich nicht taufen ließen. Dies zeigt sich in allen Katechismen, die kurz nach der Eroberung erstellt wurden und die Azteken, Inkas, Mayas und andere bekehren sollten. Es war die Angst, die zur Bekehrung vieler Menschen führte und immer noch führt, wie der große französische Historiker Jean Delumeau gezeigt hat. Indem man sich auf den Teufel, auf Satan beruft, versucht man heute in Zeiten des Zorns und des sozialen Hasses, den Gegner zu disqualifizieren, der oft zu einem Feind gemacht wird, der demoralisiert und schließlich liquidiert werden muss.
 
Hier müssen wir jeden Fundamentalismus des biblischen Textes überwinden. Es reicht nicht aus, Texte über die Hölle zu zitieren, auch nicht aus dem Munde Jesu. Wir müssen wissen, wie sie zu interpretieren sind, um nicht dem Gottesbild zu widersprechen und sogar die frohe Botschaft Jesu zu zerstören, die von einem Vater voller Barmherzigkeit handelt, wie der Vater des verlorenen Sohnes, der den verlorenen Sohn aufnimmt (Lk 15,11-23).
Zunächst einmal sucht der Mensch nach einem Grund für das Böse in der Welt. Er hat große Schwierigkeiten, seine eigene Verantwortung zu übernehmen. Dann überträgt er sie auf den Teufel oder die Dämonen.
Zweitens stellt die Bedeutung der Dämonen und der Hölle des Schreckens eine Pädagogik der Angst dar, um die Menschen durch Angst auf den Weg des Guten zu bringen. Dämon und Hölle sind also menschliche Schöpfungen, eine Art unheimliche Pädagogik, denn es gibt immer noch Mütter, die ihren Kindern sagen: "Wenn du nicht brav bist, kommt nachts der böse Wolf und beißt dich in den Fuß". Der Mensch kann der Satan der Erde und der Gesellschaft sein. Er kann durch Hass, Unterdrückung und Todesmechanismen die "Hölle" für andere schaffen, wie es leider in unserer Gesellschaft geschieht.
Drittens: Satan oder der Teufel ist ein Geschöpf Gottes. Zu sagen, dass er ein Geschöpf Gottes ist, bedeutet, dass Gott in jedem Augenblick dieses Geschöpf erschafft und neu erschafft, sogar im Höllenfeuer. Kann Gott, der Liebe und unendliche Güte ist, das vorschlagen? So heißt es im Buch der Weisheit: "Ja, du liebst alle Wesen und hasst nichts, was du geschaffen hast; wenn du etwas hassen würdest, hättest du es nicht erschaffen; und wie könnte etwas überleben, wenn du es nicht lieben würdest ... du bewahrst sie alle, weil sie dir gehören, du Herrscher und Liebhaber des Lebens" (Weisheit 11,24-26). Papst Franziskus hat es klar gesagt: "Es gibt keine ewige Verdammnis, sie ist nur für diese Welt".
Viertens: Die große Botschaft Jesu ist die unendliche Barmherzigkeit Gottes-Abba (Papa), der alle liebt, auch die "Undankbaren und Bösen" (Lk 6,35). Die Behauptung einer ewigen Bestrafung in der Hölle macht die gute Nachricht von Jesus direkt zunichte. Ein strafender Gott ist unvereinbar mit dem historischen Jesus, der die unendliche Liebe Gottes zu allen, auch zu den Sündern, verkündet hat. Psalm 103 deutet dies bereits an: "Der Herr ist barmherzig und gnädig, langsam zum Zorn und reich an Barmherzigkeit. Er ist nicht immer anklagend und hegt keinen ewigen Groll. Er behandelt uns nicht nach unseren Sünden... wie ein Vater sich über seine Söhne und Töchter erbarmt, so wird der Herr sich über die erbarmen, die ihn lieben; denn er kennt unser Wesen und denkt daran, dass wir Staub sind... die Barmherzigkeit des Herrn währt von Ewigkeit zu Ewigkeit" (103,8-17). Gott kann niemals ein Geschöpf verlieren, ganz gleich wie böse es ist. Wenn er auch nur einen verlieren würde, hätte er in seiner Liebe versagt. Und das darf nicht passieren.
Papst Franziskus, der unermüdlich Barmherzigkeit predigt, hat es gut ausgedrückt: "Die Barmherzigkeit wird immer größer sein als jede Sünde, und niemand kann der vergebenden Liebe Gottes Grenzen setzen" (Misericordiae vultus, 2).
Das heißt aber nicht, dass wir automatisch in den Himmel kommen werden. Wir alle werden durch das Gericht und die Klinik Gottes gehen, um uns zu reinigen, unsere Sünden zu bekennen, zu lernen zu lieben und schließlich in das Reich der Dreifaltigkeit einzugehen. Das Fegefeuer ist nicht das Vorzimmer zur Hölle, sondern das Vorzimmer zum Himmel. Wer sich im Fegefeuer befindet und geläutert wird, hat bereits Anteil an der Welt der Erlösten.
Die Hölle und die Dämonen und ihr Oberhaupt, Satan, sind unsere Projektionen des Bösen, das es in der Geschichte gibt oder das wir selbst produzieren und für das wir keine Verantwortung übernehmen wollen und es auf diese finsteren Gestalten projizieren.
Wir müssen uns endlich von solchen Projektionen befreien, um die Freude an der universellen Heilsbotschaft Jesu Christi zu leben. Dies delegitimiert jede Dämonisierung in jeder Situation, insbesondere in der Politik und in den Pfingstkirchen, die die Figur des Teufels und der Hölle in einer völlig überzogenen Weise verwenden. Das macht den Gläubigen Angst, anstatt sie mit der Liebe und unendlichen Barmherzigkeit Gottes zu trösten.
Leonardo Boff,Theologe, Philosoph und Schriftsteller und schrieb Was kommt nachher? über di Hölle,Topos 2009,84-98.
 

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Desatanizar a Satán o Diablo

En estos tiempos de campaña política y presidencial no es raro que un candidato satanice a su adversario. Se hace inclusive una división esdrújula entre quién está de parte de Dios y quién de parte del Diablo o de Satán.

Ese término Satán (en hebraico) o Diablo (en latín) ha ido adquiriendo muchos significados, positivos y negativos, a lo largo de la historia. Esto ocurre en muchas religiones especialmente en las abrahámicas (judaísmo, cristianismo e islamismo).

No obstante, debemos decir que nadie ha sufrido tantas injusticias y ha sido tan “satanizado” como el mismo Satán. Al principio no fue así. Por esta razón es importante recordar brevemente la historia de Satán o del Diablo.

Él se cuenta entre los “hijos de Dios” al igual que los demás ángeles, como se dice en el libro de Job (1,6). Está en la corte celestial; por lo tanto, es un ser de bondad. No es la figura mala que adquirirá más tarde. Pero recibió de Dios una tarea inusitada e ingrata: debe poner a prueba a las personas buenas como Job que es “un hombre íntegro, recto, temeroso de Dios y alejado del mal” (Job 1,8). Debe someterlo a todo tipo de pruebas para ver si, en realidad, es aquello que todos dicen de él: “no hay otro igual en la tierra” (Job 1,8). Como prueba promovida por Satán, Job pierde todo, la familia, los bienes y los amigos. Pero no pierde la fe.

A partir de siglo VI aC se produjo una gran mutación, cuando los judíos vivieron el cautiverio babilónico (587a.C.) en Persia. Allí se confrontaron con la doctrina de Zoroastro que establecía un combate entre el “príncipe de la luz” y el “príncipe de las tinieblas”. Ellos incorporaron esta doctrina dualista y maniquea que dio origen a Satán como parte del reino de las tinieblas, el “gran acusador” o el “adversario” que induce a los seres humanos a actos de maldad. Después se produce un enfrentamiento entre Dios y Satán. En los textos judaicos tardíos, a partir del siglo II, especialmente en el libro de Henoc se elabora la saga de la revuelta de los ángeles dirigida por Satán, ahora llamado Lucifer, contra Dios. Se narra la caída de Lucifer y cerca de un tercio de los ángeles que le siguieron y acabaron siendo expulsados del cielo.

Surge entonces la pregunta: si fueron expulsados, ¿dónde los ponemos? Ahí se hizo uso de la categoría del infierno: del fuego ardiente y de todos los horrores, bien descritos por Dante Alighieri en la segunda parte de su Divina Comedia dedicada al infierno. 

En el Primer Testamento (el Antiguo) casi no se habla del diablo (cf.Cron 21,1;Samuel 24,1). En el Segundo Testamento (Nuevo), aparece en algunos relatos “… serán lanzados en el horno de fuego; ahí será el llanto y el crujir de dientes” (Mt 8,12;13,42-50;Lc 13,27) o en la parábola del rico Epulón y el pobre Lázaro (Lc 16,23-24) o en el Apocalipsis (16,10-11).

Esta comprensión fue asumida por los teólogos antiguos, de modo especial por san Agustín. Él influenció toda la tradición de las Iglesias, la doctrina de los papas y ha llegado hasta hoy.

La categoría del infierno y de la condenación eterna fue determinante en la conversión de los pueblos originarios de América Latina y de otros lugares de misión, produciendo miedo y pánico. Sus antepasados, se les decía, por el hecho de no haber sido cristianos, están en el infierno. Y se argumentaba que si ellos no se convertían y no se dejaban bautizar conocerían el mismo destino. Esto se puede ver en todos los catecismos que se elaboraron poco después de la conquista, con los que se pretendía convertir a aztecas, incas, mayas y otros. Fue el miedo lo que condujo y sigue conduciendo a la conversión de multitudes, como ha demostrado el gran historiador francés Jean Delumeau. Es apelando al Diablo, a Satanás, como hoy en día, en tiempos de ira y de odio social, se busca descalificar al adversario, a menudo convertido en un enemigo al que hay que desmoralizar y eventualmente liquidar.

Aquí debemos superar todo el fundamentalismo del texto bíblico. No basta citar textos sobre el infierno, incluso en boca de Jesús. Debemos saber interpretarlos para no caer en contradicción con el concepto de Dios y destruir incluso la buena nueva de Jesús, del Padre lleno de misericordia, como el padre del hijo pródigo que acoge al hijo perdido (Lc 15,11-23).

En primer lugar el ser humano busca una razón para el mal en el mundo. Tiene gran dificultad para asumir su propia responsabilidad. Entonces la trasfiere al Demonio o a los demonios.

En segundo lugar, el significado de los demonios y del infierno de los horrores representa una pedagogía del miedo para, por medio del miedo, hacer que las personas busquen el camino del bien. Demonio e infierno son por lo tanto creaciones humanas, una especie de pedagogía siniestra, como todavía hay madres que dicen a los niños: “Si no te portas bien, por la noche viene el lobo malo a morderte el pie”. El ser humano puede ser el Satán de la tierra y de la sociedad. Él puede crear el “infierno” para los otros por medio del odio, la opresión y los mecanismos de muerte, como infelizmente está ocurriendo en nuestra sociedad.

En tercer lugar, Satán o el Diablo es una criatura de Dios. Decir que es una criatura de Dios, significa que, en cada momento, Dios está creando y recreando esta criatura, incluso en el fuego del infierno. ¿Puede Dios que es amor y bondad infinita proponerse hacer eso? Bien dice el libro de la Sabiduría: “Sí, tu amas a todos los seres y no detestas nada de lo que hiciste; si odiases alguna cosa no la habrías creado; y cómo podría subsistir alguna cosa si no la quisieses… salvas a todos porque te pertenecen, oh Soberano amante de la vida” (Sab 11,24-26). El Papa Francisco lo dijo claramente: “no existe condenación eterna; ella es sólo para este mundo”.

En cuarto lugar, el gran mensaje de Jesús es la infinita misericordia de Dios-Abba (papá) que ama a todos, también a los “ingratos y malos” (Lc 6,35). La afirmación del castigo eterno en el infierno destruye directamente la buena-nueva de Jesús. Un Dios castigador es incompatible con el Jesús histórico que anunció la infinita amorosidad de Dios para con todos, también para con los pecadores. El salmo 103 ya había intuido eso: “El Señor es compasivo y clemente, lento para la cólera y rico en misericordia. No está siempre acusando ni guarda rencor para siempre. No nos trata según nuestros pecados… como un padre siente compasión por sus hijos e hijas, así el Señor se compadecerá de los que le aman, porque conoce nuestra naturaleza y se acuerda de que somos polvo… la misericordia del Señor es desde siempre para siempre”(103,8-17). Dios no puede perder nunca a ninguna criatura, por más perversa que sea. Si la perdiese, aunque fuera una sola, habría fracasado en su amor. Y eso no puede suceder.

Bien dijo el Papa Francisco que predica incansablemente la misericordia: La misericordia siempre será mayor que cualquier pecado y nadie puede poner límites al amor de Dios que perdona” (Misericordiae vultus, 2).

Esto no significa que se entrará en el cielo de cualquier manera. Todos pasaremos por el juicio y por la clínica de Dios, para purificarnos, reconocer nuestros pecados, aprender a amar y finalmente entrar en el Reino de la Trinidad. El purgatorio no es la antesala del infierno, sino la antesala del cielo. Quien está en él purificándose participa ya del mundo de los redimidos.

El infierno y los demonios y el principal de ellos, Satán, son proyecciones nuestras de la maldad que existe en la historia o que nosotros mismos producimos y de la cual no queremos responsabilizarnos y la proyectamos en estas figuras siniestras.

Tenemos que liberarnos, finalmente, de tales proyecciones, para vivir la alegría del mensaje de salvación universal de Jesucristo. Eso deslegitima toda satanización en cualquier situación, especialmente en política y en las iglesias pentecostales que usan de forma totalmente exorbitante la figura del demonio y del infierno. Esto asusta a los fieles en lugar de consolarlos con el amor y la infinita misericordia de Dios.

*Leonardo Boff es teólogo, filósofo y ha escrito: Vida para além da morte, Vozes, 2021, muchas ediciones. En español, Hablemos de la otra Vida, publicado por Sal Terrae.

DESATANIZAR A SATÃ OU O DIABO

Nestes tempos de campanha política e presidencial não é raro um candidato  satanizar seu adversário. Faz-se inclusive uma divisão  esdrúxula entre quem é da parte de Deus e quem é da parte do Diabo ou de Satã.

Esse termo Satã (em hebraico) ou Diabo (em latim) ganhou muitos significados, positivos e negativos, ao longo da história. Isso ocorre em muitas religiões especialmente nas abraâmicas (judaísmo, cristianismo e islamismo.

No entanto, devemos dizer que ninguém sofreu tantas injustiças e foi tão “satanizado” como o próprio Satã. No inicio não foi assim. Por esta razão é importante fazer brevemente a história de Satã ou do Diabo.

Ele é contado entre os “filhos de Deus” como os demais anjos, como se diz no livro de Jó (1,6). Está na corte celeste. Portanto, é um ser de bondade. Não é a figura má que ganhará mais tarde. Mas recebeu de Deus uma tarefa inusitada e ingrata: deve pôr à prova as pessoas boas como Jó que é “um homem íntegro, reto, temente a Deus e afastado mal”(Jó 1,8). Deve submetê-lo a todo o tipo de provas para ver se, de fato, é aquilo que todos dizem dele:”não há outro igual na terra”(Jo 1,8). Como prova promovida por Satã, ele perde tudo, a família, os bens e os amigos.Mas não perde a fé.

Houve uma grande mutação a partir do século VI aC, quando os judeus viveram no cativeiro babilônico (587aC) na Pérsia. Lá se confrontaram com a doutrina de Zoroastro que estabelecia o confronto entre o “príncipe da luz”com o “príncipe das trevas”. Eles incorporaram esta visão dualista e maniqueísta. Deu-se origem ao Satã como da parte reino das trevas, o “grande acusador” ou “adversário” que induz os seres humanos a atos de maldade. Em seguida, produz-se o confronto entre Deus e Satã. Nos textos judaicos tardios, do século II as, especialmente no livro  de Honoch, elabora-se a saga da revolta de anjos chefiados por Satã, agora chamado de Lúcifer, contra Deus. Narra-se a queda de Lucifer e cerca de um terço dos anjos que aderiram e acabaram expulsos do céu.

Surge então a questão: onde colocá-los se foram expulsos? Ai valeu-se da categoria do inferno: do fogo ardente e de todos os horrores,bem descritos por Dante Alighieri na segunda parte de sua Divina Comédia dedicada ao inferno.

No Primeiro Testamento (o Antigo) quase não se fala do diabo (cf.Cron 21,1;Samuel 24,1). No Segundo Testamento (Novo) aparece em alguns relatos”…serão lançados no fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes”(Mt 8,12;13,42-50;Lc 13,27) ou na parábola do rico epulão e o pobre Lázaro (Lc 16,23-24) ou no Apocalipse (16,10-11).

Essa compreensão foi assumida pelos teólogos antigos, de modo especial por Santo Agostinho. Ele influenciou toda a tradição das Igrejas, a doutrina dos Papas e chegou até hoje.

A categoria do inferno e da condenação eterna foi determinante na conversão dos povos originários na América Latina e de outros lugares de missão, produzindo medo e pânico. Seus antepassados, dizia-se, pelo fato de não terem sido cristãos, estão no inferno. E argumentava-se que se eles não se convertessem e não se deixassem batizar conheceriam o mesmo destino.Isso está em todos os catecismos que foram logo após a conquista elaborados com os quais se pretendia converter astecas, incas, mais e outros. Foi o medo, outrora levou e ainda hoje,leva à conversão de multidões como o mostrou o grande historiador francês Jean Delumeau. É apelando ao Diabo, a Satã que hoje em tempos de ira e ódio social, se procura desqualificar o adversário, não raro, feito inimigo a ser desmoralizado e,eventualmente,liquidado.

Aqui devemos superar todo o fundamentalismo do texto bíblico. Não basta citar textos sobre o inferno, mesmo na boca de Jesus. Devemos saber interpretá-los para não cairmos em contradição com o conceito de Deus e mesmo destruir a boa-nova de Jesus,do Pai cheio de misericórdia, como o pai do filho pródigo que acolhe o filho perdido(Lc 15,11-23).

Em primeiro lugar o ser humano busca uma razão pelo mal no mundo. Tem grande dificuldade de assumir a sua própria responsabilidade. Então transfere-a ao Demônio ou aos demônios.

Em segunfo lugar, o significado dos demônios e do inferno dos horrores representam uma pedagogia do medo para, pelo medo, fazer as pessoas buscarem o caminho do bem. Demônio e inferno, portanto, são criações humanas, um espécie de pedagogia sinistra, como ainda mães fazem às crianças:”Se não se comportar direito, de noite,vem o lobo mau morder seu pé”. O ser humano pode ser o Satã da terra e da sociedade. Ele pode criar o “inferno”aos outros pelo ódio, pela opressão e pelos mecanismos de morte, como infelizmente está ocorrendo em nossa sociedade.

Em terceiro lugar, Satã ou o Diabo é uma criatura de Deus. Dizer que é uma criatura de Deus, significa que, em cada momento, Deus está criando e recriando esta criatura, mesmo no fogo do inferno.Pode Deus que é amor e bondade infinita se propor a isso? Bem diz o livro da Sabedoria:”Sim, tu amas todos os seres e nada detestas do que fizeste; se odiasses alguma coisa não a terias criado; e como poderia subsistir alguma coisa se não a quisesses…a todos poupas porque te pertencem, oh soberano amante da vida”(Sab 11,24-26). O Papa Francisco o disse claramente:”não existe condenação eterna; ela é só para este mundo”.

Em quarto lugar, a grande mensagem de Jesus é a infinita misericórdia de Deus-Abba (paizinho querido) que ama a todos, também os “ingratos e maus” (Lc 6,35). A afirmação do castigo eterno no inferno destrói diretamente a boa-nova de Jesus.Um Deus castigador é incompatível com o Jesus histórico que anunciou a infinita amorosidade de Deus para com todos,também para com os pecadores. O salmo 103 já havia intuído isso:”O  Senhor é compassivo e clemente, lento para a cólera e rico em misericórdia. Não está sempre acusando nem guarda rancor para sempre.Não nos trata segundo nossos pecados…como pai sente compaixão pelos seus filhos e filhas, assim o Senhor se compadecerá com os que o amam,porque ele conhece nossa natureza e se lembra de que somos pó…A misericórdia do Senhor é desde sempre para sempre”(103,8-17). Deus não pode nunca perder nenhuma criatura, por mais perversa que seja. Se ele a perdesse,  mesmo que seja uma só, ele teria fracassado em seu amor. Ora, isso não pode acontecer.

Bem  disse o Papa Francisco que incansavelmente prega a misericórdia:”A misericórdia sempre será maior que qualquer pecado e ninguém poderá pôr limites ao amor do Deus que perdoa”(Misericordiae vultus, 2)

Isso não significa que se entrará no céu de qualquer maneira. Todos passarão pelo juízo e pela clínica de Deus, para lá purificar-se, reconhecer seus pecados, aprender a amar e finalmente entrar no Reino da Trindade. É o purgatório que não é a ante-sala do inferno, mas a ante-sala do céu. Quem está lá se purificando já participa do mundo dos redimidos.

O inferno e os demônios e o principal deles, Satã, são projeções nossas da maldade que existe na história ou que nós mesmos produzimos e das quais não queremos nos resonsabilizar e as projetamos nestas figuras sinistras.

Temos que libertar-nos, finalmente, de tais projeções, para vivermos a alegria da mensagem de salvação universal de Jesus Cristo. Isso deslegitima toda satanização em qualquer situação,especialmente, em política  e nas igrejas pentecostais que usam de forma totalmente exorbitante a figura do demônio e do inferno. Antes assusta os fiéis do que os conforta com o amor e a infinita misericórdia de Deus.

Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escreveu: Vida para além da morte, Vozes,muitas edições 2021.