Natal: a humanização de Deus

Leonardo Boff

A tradição teológica acentuou sobremaneira o significado na encarnação do Filho de Deus, celebrada no Natal, como a divinização do ser humano. Na verdade, teologicamente quer-se enfatizar um fato ainda maior: a encarnação é a humanização de Deus. Todas as Escrituras afirmam como São João: “A Deus ninguém jamais viu. Foi o Filho unigênito do Pai quem no-lo deu a conhecer”(1,18). Deus, por Jesus de Nazaré, fez sua a nossa humanidade, coisa realmente inaudita. Então há algo de Divino dentro de nosso ser humano, homem e mulher, que jamais pode ser destruído.É a nossa suprema dignidade: portadores e portadoras de Deus. Por isso,não pode haver tristeza quando nasce a vida divina em nós.

O Natal é a celebração desse evento bem-aventurado. Os evangelhos chamam Jesus de Sol da Justiça. O nascimento de Jesus coincidia exatamente com a festa romana do Dia do Sol Invencível. Este dia, para o hemisfério norte, é o mais curto do ano e com a noite mais longa. O medo dos povos antigos era de que o sol não voltasse a nascer. Quando nascia novamente celebrava-se sua vitória sobre a escuridão. Jesus é apresentado como o Sol invencível que vencerá todas as escuridões da vida.      

Se Jesus é o Deus que se fez homem, poderíamos pensar que tivesse nascido num lugar bem preparado, como num palácio, numa mansão com muito conforto ou numa maternidade famosa. Finalmente seria  prestar homenagem a alguém que é Deus, como fazemos com pessoas importantes que nos visitam como os presidentes, famosas celebridades e o próprio Papa.

Deus não quis nada disso. Devemos respeitar e amar o modo como Deus quis entrar neste mundo: escondido, participando do destino daqueles que batem à porta, de noite, no frio, com uma mulher grávida, segurando na barriga o filho que está para nascer e que tem que ouvir estas duras palavras: “não tem lugar para vocês”.

Então José e Maria vão embora e ocupam, na urgência, uma estrebaria vizinha. Lá havia palha, uma manjedoura, um boi e um burrinho que com seu bafo esquentaram o corpinho frágil e tiritante do recém nascido.

Deus, portanto, entrou silenciosamente, nesse mundo, pelas portas do fundo. Os que habitavam na capital, em Roma ou em Jerusalém e outras pessoas importantes nem ficaram sabendo.

Nisso há uma lição a tirar: Deus quando quer se manifestar não usa o espetáculo grandioso, mas o silêncio singelo das pequenas coisas. Assim devemos compreender que ele veio para  todos, mas  de maneira especial a começar pelos pobres e simples porque ele foi pobre e pobre ficou por toda a sua vida na simplicidade e no despojamento.. Se tivesse nascido entre os ricos, deixaria os pobres de fora. Nascendo entre os pobres, está sempre perto deles e a partir deles pode alcançar também os melhor situados na sociedade. Desta forma ninguém fica excluído de ser tocado pela presença de Deus.

 Por ocasião do nascimento do menino Jesus não havia somente gente do povo como os pastores, considerados desprezíveis por terem contacto contínuo com animais. Os evangelhos falam que vieram do Oriente  os reis magos.Os cristãos antigos concluíram que os magos eram sábios, cujos nomes foram conservados: Baltazar, Belquior e Gaspar. Belquior era da raça branca,  Gaspar, da raça amarela e Baltazar, da raça negra. Assim eles representavam toda a humanidade.

         Os presentes oferecidos por eles são simbólicos. O ouro significa que reconheciam  Jesus como rei. O incenso significa que  Jesus é divino.  A mirra  expressa a dor e o sofrimento. O sentido é o seguinte: Jesus é rei de verdade, mas não como os reis deste mundo que dominam as pessoas. Jesus, ao contrário cuida delas. Jesus é uma pessoa divina não para ser exaltada e proclamada a ponto de ser afastada do nosso meio. Ao contrário, é um Deus conosco -Emanuel – que quer conviver e caminhar junto a cada ser humano.

A mirra amarga expressa a forma como Jesus foi rei, dando sua vida pelo povo e como viveu sua divindade assumindo morrer na cruz por amor a todos os seres humanos.

O grande poeta Manuel Bandeira expressou bem esta lógica do Natal em sua poesia

Conto de Natal:

O nosso Menino

Nasceu em Belém

Nasceu tão-somente

Para querer o bem.

Nasceu sobre os palhas

O nosso Menino

Mas a Mãe sabia

Que Ele era divino

Vem para sofrer

A morte da Cruz.

O nosso Menino

Seu nome é Jesus.

Por nós Ele aceita

O humano destino:

Louvemos a glória

De Jesus-Menino.

No Natal temos o direito de nos encher de alegria, pois não estamos mais sós. Deus anda conosco, sofre conosco e se alegra conosco. Ele é o maior presente que Deus Pai nos poderia ter dado. Por isso trocamos presentes entre nós para sempre lembrar este presente que o Pai celestial nos deu, dando-nos Jesus, seu filho querido.

Leonardo Boff é teólogo e escreveu:O Sol da Esperança:Natal, Histórias, Poesias e Símbolos, Rio 2007; Natal:a humanidade e a jovialidade de nosso Deus, Petrópolis 1976.

COP30: Adattamento o Prevenzione?

di Michael Löwy

Michael Löwy, direttore di ricerca in sociologia presso il Centre Nationale de la Recherche Scientifique (CNRS). Brasiliano di origine francese residente a Parigi, è un grande amico del Brasile e partecipa attivamente alla nostra realtà politica e sociale. Di origine ebraica, è un serio studioso di sociologia della religione, di quanto di meglio hanno scritto Marx e Max Weber e ha dedicato parte del suo lavoro allo studio della teologia della liberazione. Mantengo un dialogo proficuo con lui, quasi settimanale. Mi ha inviato l’articolo in francese, ora pubblicato su A Terra é Redonda (26-10-2025). Questo articolo è illuminante e allo stesso tempo un monito sulle possibili minacce al futuro dell’umanità, ma apre lo spazio a una speranza che nasce dal basso. LBoff

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Il futuro non sarà conquistato con la rassegnazione nell’adattarsi al collasso, ma con il coraggio di prevenirne le sue cause.

1.

Come sappiamo, la COP30, la Conferenza delle Nazioni Unite sui cambiamenti climatici, si tiene in questi giorni a Belém del Pará.

Ciò suscita speranza, poiché si terrà in un paese governato dalla sinistra, sotto l’egida del presidente Lula. Ma bisogna constatare che il più grande inquinatore del pianeta, gli Stati Uniti, sarà assente, poiché Donald Trump – fanatico negazionista del cambiamento climatico – ha ritirato il suo paese da questo forum internazionale.

Infelicemente, una recente decisione delle autorità brasiliane getta un’ombra su questo incontro: l’autorizzazione all’esplorazione petrolifera nei fondali marini vicino alla foce del Rio delle Amazzoni. Gli ambientalisti brasiliani denunciano questa decisione, in quanto rappresenta un enorme rischio – in caso di incidente con trivellazioni offshore – che una “onda nera” possa distruggere i fragili ecosistemi della foresta pluviale amazzonica.

Inoltre, se le enormi quantità di petrolio depositate sui fondali marini di questa regione venissero estratte, commercializzate e bruciate, ciò sarebbe un contributo decisivo al cambiamento climatico.

In queste condizioni, cosa ci si può aspettare da questa COP30? Va detto che il bilancio delle precedenti 29 non è glorioso: è vero che alcune risoluzioni sono state adottate, ma… non sono mai state messe in pratica. Le emissioni non hanno mai smesso di crescere, l’accumulo di gas serra ha raggiunto proporzioni senza precedenti e il limite pericoloso di 1,5°C (superiore all’era preindustriale) è già stato raggiunto.

Quali sono le ambizioni degli organizzatori della nuova COP? Possiamo farci un’idea leggendo una recente intervista ad André Correa do Lago, nominato da Lula a presiedere la COP30. Diplomatico con una vasta esperienza nello sviluppo sostenibile, è attualmente Segretario per il Clima, l’Energia e lo Sviluppo presso il Ministero degli Affari Esteri brasiliano. In questa intervista, Correa do Lago afferma: “Vorrei molto che le persone ricordassero la COP30 come una COP di adattamento“.

2.

Cosa significa ciò? Certamente, adattarsi alle conseguenze dei cambiamenti climatici – incendi boschivi, tornado, inondazioni catastrofiche, temperature insopportabili, siccità, desertificazione, mancanza di acqua dolce, innalzamento del livello del mare, ecc. (l’elenco è immenso) – è necessario, soprattutto nei paesi del Sud del mondo, le prime vittime di questi danni.

Ma dare priorità all'”adattamento” anziché alla “prevenzione” è un modo indiretto di rassegnarsi all’inevitabilità dei cambiamenti climatici. È un discorso che risuona sempre più tra i leader di diversi paesi in tutto il mondo.

La logica di questo ragionamento è semplice: poiché è impossibile fare a meno dei combustibili fossili, del trasporto globalizzato di merci, dell’agricoltura industriale e di altre molteplici attività economiche responsabili dei cambiamenti climatici, ma necessarie per il corretto funzionamento dell’economia capitalista, ci rimane solo la possibilità di adattarci.

Se, in un primo momento, l’adattamento è ancora possibile, a partire da un certo aumento della temperatura – due gradi? tre gradi? nessuno può dirlo – diventerà impossibile. Come adattarsi se la temperatura supera i 50 gradi? E se l’acqua potabile diventasse una risorsa scarsa? Potremmo moltiplicare gli esempi.

Non ci resta molto tempo per prevenire una catastrofe che metterebbe a repentaglio la sopravvivenza umana su questo pianeta. E, contrariamente a quanto pensano gli abitanti di Marte come Elon Musk, non esiste un pianeta B. Se la COP30 darà priorità all’adattamento rispetto alla prevenzione, sarà ricordata come la COP della capitolazione.

Felicemente, in contemporanea alla COP, si terrà a Belém do Pará un Vertice dei Popoli, a cui parteciperanno movimenti ecologisti, contadini, indigeni, femministi, ecosocialisti e altri, che discuteranno le vere soluzioni alla crisi ecologica e scenderanno in piazza a Belém do Pará per protestare contro l’inerzia dei governi e affermare la necessità di rompere con il sistema. Sono seminatori di futuro, che rifiutano la rassegnazione e il conformismo.

COP30: Anpassung oder Prävention?

Michael Löwy

Michael Löwy, Leiter der soziologischen Forschung am Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), ist ein Brasilianer französischer Herkunft, der in Paris lebt. Er ist ein großer Freund Brasiliens und engagiert sich aktiv in unserem politischen und sozialen Leben. Als Sohn jüdischer Eltern ist er ein anerkannter Religionswissenschaftler, der sich auf die besten Arbeiten von Marx und Max Weber stützt und einen Teil seiner Forschung der Befreiungstheologie widmet. Ich pflege einen fruchtbaren, fast wöchentlichen Austausch mit ihm. Er hat mir den Artikel auf Französisch zukommen lassen, und er ist nun in „A Terra é Redonda“ vom 26. Oktober 2025 erschienen. Der Artikel ist aufschlussreich und zugleich eine Warnung vor potenziellen Bedrohungen für die Zukunft der Menschheit, bietet aber auch Raum für eine Hoffnung, die von unten kommt.

L. Boff

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Die Zukunft erreichen wir nicht dadurch, dass wir uns damit abfinden, uns dem Zusammenbruch anzupassen, sondern dadurch, dass wir den Mut haben, seine Ursachen zu verhindern.

1.

Wie wir wissen, findet die COP30, die Klimakonferenz der Vereinten Nationen, dieses Jahr im November in Belém do Pará statt.

Sie weckt Hoffnung, da sie in einem links regierten Land unter der Ägide von Präsident Lula stattfinden wird. Es muss jedoch festgestellt werden, dass der größte Umweltverschmutzer der Welt, die Vereinigten Staaten, nicht dabei sein wird, da Donald Trump – ein fanatischer Leugner des Klimawandels – sein Land aus diesem internationalen Gremium zurückgezogen hat.

Leider wirft eine kürzlich getroffene Entscheidung der brasilianischen Behörden einen Schatten auf dieses Treffen: die Genehmigung zur Ausbeutung der Ölvorkommen auf dem Meeresgrund nahe der Mündung des Amazonas. Brasilianische Umweltschützer kritisieren diese Entscheidung, die im Falle eines Unfalls bei den Bohrungen auf See ein enormes Risiko für eine „schwarze Welle” darstellt, die die empfindlichen Ökosysteme des Amazonas-Regenwaldes zerstören könnte.

Wenn darüber hinaus die riesigen Ölvorkommen, die sich auf dem Meeresgrund dieser Region befinden, gefördert, vermarktet und verbrannt werden, wird dies entscheidend zum Klimawandel beitragen.

Was kann man unter diesen Umständen von dieser COP30 erwarten? Man muss sagen, dass die Bilanz der 29 vorherigen Konferenzen nicht gerade glorreich ist: Es wurden zwar einige Beschlüsse gefasst, aber… sie wurden nie umgesetzt. Die Emissionen sind weiter gestiegen, die Anreicherung von Treibhausgasen hat beispiellose Ausmaße erreicht und die gefährliche Grenze von 1,5 °C (über dem vorindustriellen Niveau) wurde bereits überschritten.

Was sind die Ziele der Organisatoren der neuen COP30? Einen Eindruck davon vermittelt ein aktuelles Interview mit André Correa do Lago, der von Lula zum Vorsitzenden der COP30 ernannt wurde. Der Diplomat mit langjähriger Erfahrung im Bereich der nachhaltigen Entwicklung ist derzeit Staatssekretär für Klima, Energie und Entwicklung im brasilianischen Außenministerium. In diesem Interview erklärt Corrêa do Lago: „Ich würde mich sehr freuen, wenn die Menschen sich an die COP30 als eine COP der Anpassung erinnern würden.“

2.

Was bedeutet das? Sicherlich ist die Anpassung an die Folgen des Klimawandels – Waldbrände, Tornados, katastrophale Überschwemmungen, unerträgliche Temperaturen, Dürren, Wüstenbildung, Süßwassermangel, Anstieg des Meeresspiegels usw. (die Liste ist endlos) – notwendig, insbesondere in den Ländern des Südens, die als erste von diesen Schäden betroffen sind.

Aber der Vorrang der „Anpassung” gegenüber der „Prävention” ist eine indirekte Form der Resignation gegenüber der Unvermeidbarkeit des Klimawandels. Diese Argumentation hört man immer häufiger von Regierungsvertretern verschiedener Länder weltweit.

Die Logik dieses Arguments ist einfach: Da es unmöglich ist, auf fossile Brennstoffe, den globalisierten Warentransport, die industrielle Landwirtschaft und andere vielfältige wirtschaftliche Aktivitäten zu verzichten, die für den Klimawandel verantwortlich sind, aber für das reibungslose Funktionieren der kapitalistischen Wirtschaft notwendig sind, bleibt uns nur die Möglichkeit, uns anzupassen.

Wenn eine Anpassung zunächst noch möglich ist, wird sie ab einem bestimmten Temperaturanstieg – zwei Grad? Drei Grad? Niemand kann das sagen – unmöglich werden. Wie soll man sich anpassen, wenn die Temperatur 50 Grad überschreitet? Wenn Trinkwasser zu einem knappen Gut wird? Wir könnten noch viele weitere Beispiele nennen.

Wir haben nicht mehr viel Zeit, um eine Katastrophe zu verhindern, die das Überleben der Menschheit auf diesem Planeten gefährden würde. Und entgegen der Meinung von Marsbewohnern wie Elon Musk gibt es keinen Planeten B. Wenn die COP30 der Anpassung Vorrang vor der Prävention einräumt, wird sie den Menschen als die COP der Kapitulation in Erinnerung bleiben.

Glücklicherweise findet zeitgleich mit der COP ein Volksgipfel in Belém do Pará statt, an dem ökologische, bäuerliche, indigene, feministische, ökosozialistische und andere Bewegungen teilnehmen werden. Dort werden sie über wirksame Lösungen für die ökologische Krise diskutieren und in den Straßen von Belém do Pará gegen die Untätigkeit der Regierung protestieren und die Notwendigkeit eines Systembruchs bekräftigen. Sie sind die Gestalter der Zukunft, die sich Resignation und Konformismus verweigern.

L’erosione dell’arroganza americana ed europea

Leonardo Boff

In questo momento stiamo assistendo a una feroce competizione tra una visione unipolare del mondo, sostenuta a ferro e fuoco, con guerre commerciali e ibride da parte degli Stati Uniti di Donald Trump e dall’Unione Europea, e un’altra visione multipolare richiesta dalle due grandi potenze, Russia e Cina, insieme a gran parte dei paesi del Sud Globale.

Ciò che si nasconde, alla base di questa disputa, tra molte altre ragioni, è l’immensa arroganza degli Stati Uniti e dei paesi europei. L’arroganza è la famosa hybris dei Greci, ovvero la perdita della giusta misura, l’affermazione di un’estrema auto-importanza, l’esaltazione sovrastimata delle proprie qualità, il disprezzo per gli altri che non siano come loro o sottomessi a loro. Questo si rivela nel considerarsi i migliori al mondo, dotati della migliore forma di governo, la democrazia, di aver introdotto i diritti umani, la migliore tecnologia, l’economia più potente, la forza militare più distruttiva (ora di nuovo in fase di riarmo), la religione (o fede) rivelata, il Cristianesimo. Secondo i Greci, l’hybris era punita dagli dei. E cosa succede oggi?

Questa arroganza ha portato conflitti e guerre contro tutti gli altri, a livello mondiale, a causa del processo di colonizzazione forzata del mondo a partire dall’Europa del XVI secolo fino alle grandi guerre del XX secolo. Ha giustamente affermato Samuel P. Huntington nel suo controverso libro “The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order” (Simon and Schuster, New York 1993): “È importante riconoscere che l’intervento occidentale negli affari di altre civiltà ha costituito probabilmente la più pericolosa fonte di instabilità e di possibile conflitto globale in un mondo multi-civilizzato” (p. 397). Vale la pena menzionare anche lo storico Arnold Toynbee, nel suo “A Study of History” in dodici volumi, in cui studia la nascita, l’ascesa e il declino delle civiltà e dove sottolinea l’arroganza come segno del declino di intere civiltà.

Di recente, il noto economista ed ecologista Jeffrey Sachs della Columbia University ha dichiarato a un giornalista brasiliano (Leonardo Sobreira: Brasil 247, 9/6/25): “Gli Stati Uniti hanno sofferto dell’illusione di poter guidare il mondo da soli. Anche l’Europa soffre della stessa arroganza… Non solo gli Stati Uniti sono soli, ma non comandano più. Stiamo assistendo alla fine di un lungo processo storico. E l’arroganza non è solo negli Stati Uniti, ma anche in Europa… La mentalità è di un’arroganza persistente”.

Trump si considera “l’imperatore del mondo” (Lula), fa e disfa come preferisce. Distrugge le tradizionali abitudini democratiche degli Stati Uniti e, con la sua guerra commerciale (minacciando con una vera e propria guerra definitiva), si è inimicato quasi tutto il mondo, persino i suoi alleati più fedeli, come gli europei e i sudcoreani. Arrogante, non negozia né discute, limitandosi a imporre le sue misure, come ha fatto con il Brasile.

Il fatto, come constatato dai migliori analisti della geopolitica mondiale, è che il tempo del dominio americano è in forte erosione. Peggio ancora, questo fatto è evidente nell’Unione Europea, che dovrebbe vergognarsi di agire contro tutta la sua tradizione civilizzatrice e umanistica, sostenendo la guerra implacabile che Israele di Netanyahu sta conducendo contro la Striscia di Gaza. Sono decine di migliaia di morti tra cui bambini innocenti, uccisi in un vero e proprio genocidio a cielo aperto. Gli europei sono messi all’angolo perché Trump si rende conto dell’accelerata erosione di quella invecchiata e arrogante civiltà.

La principale potenza emergente che, probabilmente, definirà il prossimo futuro è la Cina, con una proposta – non arrogante ma sensata – per un mondo con un destino comune condiviso, rispettoso dell’ordine delle Nazioni Unite, basato sull’apertura commerciale e sul non intervento negli affari interni di altri paesi.

In due libri ho affrontato il tema dell’arroganza, che rientra nel termine più generico di “mancanza della giusta misura“, un valore presente in tutte le etiche delle civiltà di cui abbiamo notizia. L’eccesso e la violazione della giusta misura sono la miccia che innesca il processo di decadenza di una cultura, di un progetto sociale o di un comportamento personale.

Ciò che predomina nel mondo, chiamiamolo così, è il sistema del capitale, o come preferite, l’economia di mercato (quasi interamente finanziarizzata), che tradisce una totale mancanza di misura, esemplificata dalle arroganti Big Tech, una delle quali sogna già, arrogantemente, un’accumulo personale di mille miliardi di dollari.

In questo cammino di sconfinata arroganza, associata a un’abissale disumanità e a una totale mancanza di sensibilità verso gli altri, ci avvicineremo a un abisso. Come aveva avvertito Sigmunt Bauman, poco prima della sua morte: “Ci uniremo al corteo di coloro che si dirigono verso la propria sepoltura”. Questo non può accadere.

La nostra fiducia e la nostra speranza ci incoraggiano ad affermare la supremazia dello spirito (con la sua naturale spiritualità) contro la barbarie. Esso prenderà coscienza delle sue deviazioni e dei suoi vagabondaggi. Sarà in grado di definire un cammino che ci mantenga ancora su questo meraviglioso pianeta. E ci garantisca un futuro in cui l’arroganza sia meno diffusa, ma in cui fiorisca la cura per la Casa Comune e l’amorevolezza tra tutti gli esseri umani.

Leonardo Boff ha scritto “A busca da justa medida: como equilibrar o planeta Terra” (2 voll.), Vozes 2023. (Traduzione dal portoghese di Gia