Um marxista valoriza a encíclica ecológica do Papa Francisco: Michael Löwy

Michel Löwy é mundialmente um dos principais intelectuais do marxismo atual e um destacado impulsionador do ecossocialismo anticapitalista. Diretor de pesquisa emérito do Centre National da Recherche Scientifique e professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. Nascido no Brasil, viveu como professor e pesquisador na França.  Como poucos conhece a Teologia da Libertação. Notável é seu livro “A guerra dos deuses: religião e política na América Latina (Vozes 2000). Ultimamente nos brindou com outro brilhante livro: O que é Cristianismo de Libertação (Fundação Perseu Abramo 2016).  Junto com outros fundou a corrente  do Ecosocialismo, sendo autor do Manifesto do movimento. É de um marxismo ético e libertário, mostrando os laços da tradição judaica com a cristã no sentido de uma libertação integral.

“A encíclica Laudato Si’ é uma contribuição de extraordinária importância para o desenvolvimento, em escala planetária, de uma consciência ecológica. Para o Papa Francisco, os desastres ecológicos e a mudança climática não são simplesmente o resultado de comportamentos individuais, mas dos atuais modelos de produção e de consumo”, afirma Michael Löwy   na entrevista que reproduzimos, dada  a  entrevista a Juanjo Sánchez e Evaristo Villar, publicada pela revista Éxodo e reproduzida por Rebelión, 13-06-2019. e agora por IHU on line de 14 de junho de 2019. Por sua clareza e entusiasmo pela mensagem ecológica do Papa Francisco que revela neste escrito e em outros, publicamo-la aqui no blog: Lboff

Eis a entrevista.

Michael, estávamos preparando um novo número da revista ÉXODO, quando chegou em nossas mãos seu esplêndido livro sobre o Cristianismo de libertação. O tema que escolhemos é a profunda crise em que a política está submergida e a necessidade de uma mudança radical da mesma. Esta crise não existe somente na Europa. Como se vive no Brasil?

A principal força da esquerda no Brasil, o Partido dos Trabalhadores, não conseguiu uma conscientização efetiva das classes populares. Tomou algumas medidas importantes para melhorar a condição dos pobres, mas não enfrentou a estrutura oligárquica do país, o poder dos latifundiários e do capital financeiro. Além disso, foi contagiado com a tradicional corrupção dos políticos brasileiros. Mas, a vitória da extrema direita fascista (Jair Bolsonaro) não pode ser explicada só pelos erros dos dirigentes do PT. É parte de um processo planetário de ascensão da extrema direita.

No Brasil, a utilização massiva de fake news, o apoio de igrejas neopentecostais reacionárias e a demagogia anticorrupção permitiram que um partidário da ditadura militar (1964-1985) vencesse as eleições. Bolsonaro é homofóbico, sexista, partidário do extermínio da esquerda e um grande admirador de alguns dos piores torturadores do regime militar: o coronel Brilhante Ustra. Entre suas vítimas, morto sob tortura em 1971, está meu amigo Luis Eduardo Merlino, jovem militante marxista.

A resistência a seu governo já começou a se organizar. Tem em sua liderança jovens mulheres. Seu símbolo é Marielle Franco, jovem vereadora municipal do Rio de Janeiro, socialista, negra, lésbica, assassinada por bandidos há um ano. Apesar de tudo, não podemos esquecer que 45% dos eleitores votaram em Fernando Haddad (PT), o candidato comum de toda a esquerda. Muitos dos que votaram em Bolsonaro já começaram a mudar de opinião. Ficaram conhecidos os escândalos de corrupção que afetam ele e sua família.

Em seu livro, escreve sobre a radicalização introduzida pelo cristianismo de libertação. Acredita que nossa situação atual precisa de uma radicalização anticapitalista? Que mudanças seriam necessárias para uma nova política?

A atual situação na América Latina está marcada por uma terrível ofensiva da ultradireita que tomou o poder na maioria dos países, mediante eleições ou golpes de estado pseudoparlamentares. Existe alinhamento com Trump e o imperialismo estadunidense, neoliberalismo sem freios, destruição do meio ambiente, repressão dos movimentos sociais.

Na resistência que começa a se desenvolver, os cristãos de libertação estão tendo um papel essencial. O objetivo imediato é a defesa das liberdades democráticas e as conquistas populares. Também a oposição às medidas antissociais e antiecológicas de corte neoliberal. Neste movimento de resistência, há correntes que se dão conta que é necessário combater a raiz destes males: o sistema capitalista. O capitalismo é um sistema intrinsecamente perverso que exige sacrifícios humanos para o ídolo “Mercado”.

Precisamos de alternativas antissistêmicas e ecossocialistas. Os cristãos da libertação estão e estarão sem dúvidas no coração desta luta, inspirados pelos escritos de Leonardo Boff, de Frei Betto e da encíclica Laudato Si’, do papa Francisco.

Há condições para esta radicalização social e política? Que obstáculos e que possibilidades enxerga?

O principal obstáculo é o poder ideológico do sistema. Este se difunde através de seu controle dos meios de comunicação, do papel nefasto de muitas igrejas neopentecostais, da influência social da religião do mercado, da alienação consumista e da passividade resignada de amplos setores populares.

É preciso acrescentar como obstáculo as opções de amplos setores da esquerda por políticas de conciliação de classes, de compromissos com a oligarquia, de concessões aos latifundiários e ao capital financeiro em prol da “governabilidade”.

As possibilidades vêm das lutas das organizações populares que desenvolvem formas de conscientização e radicalização sociopolítica. Isto é muito visível em amplos setores da juventude.

Na relação do cristianismo de libertação com a Modernidade europeia se constata uma diferença. Em seu livro, você afirma que o decisivo para este cristianismo não é a modernização, mas a mudança de sociedade e a libertação dos empobrecidos. É “o ponto de vista dos vencidos” que Walter Benjamin reivindicava. Pode expressar o significado desta diferença?

A modernização é concebida como desenvolvimento industrial e crescimento do PIB. Este é o pensamento sobre a modernização imperante nas classes dominantes na América Latina, mas também em setores da esquerda tradicional. Desde seu início, o cristianismo da libertação se posiciona criticamente frente a esta ideologia da modernização, apresentando uma visão muito mais radical do ponto de vista dos explorados e oprimidos, dos pobres, dos negros e indígenas, dos trabalhadores do campo e da cidade. Sua perspectiva não é o desenvolvimento, mas, sim, a libertação, rompendo com as estruturas opressivas do sistema dominante. Para esses cristãos, os pobres são o sujeito histórico desta transformação, os atores de sua própria libertação.

O cristianismo da libertação não conhecia os escritos de Walter Benjamin, mas existe uma evidente “afinidade eletiva” entre a obra dos teólogos da libertação e a concepção benjaminiana da história, a partir da perspectiva dos vencidos e sua proposta de uma aliança da teologia com o marxismo. Sem esquecer seu texto sobre O capitalismo como religião (1921), que tem muito em comum com a denúncia da idolatria do mercado, realizada pelos teólogos da libertação.

A crítica ao capitalismo e a necessidade de superá-lo é um elemento central no cristianismo de libertação. Essa crítica perdeu ou ganhou vigência? Não se tornou também infinitamente mais complexa esta tarefa?

A crítica do capitalismo como sistema intrinsecamente perverso, realizada pelo cristianismo da libertação, me parece mais atual que nunca. Entre outras razões, pela crise ecológica e a mudança climática que ameaçam diretamente a sobrevivência da humanidade neste planeta.

Do ponto de vista ecossocialista, o capitalismo não é só um sistema de exploração, conforme concebe tradicionalmente o pensamento marxista, mas também de destruição do meio ambiente e dos equilíbrios ecológicos. Superar o capitalismo é um imperativo categórico por razões de justiça elementar. É um sistema absurdo no qual algumas dezenas de multimilionários possuem mais riqueza que a metade da humanidade.

Também precisa ser superado porque se trata de uma questão de sobrevivência para a humanidade: o capitalismo não pode existir sem expansão, sem limites. Por isso, a destruição das condições de vida no planeta pertence a sua lógica interna.

Acabar com o capitalismo é uma tarefa complexa e difícil, mas não temos outra saída a não ser levar adiante esta luta antissistêmica. Como dizia Brecht, quem luta pode perder, mas quem não luta, já perdeu.

A crítica ao capitalismo no cristianismo de libertação também se realiza como crítica à idolatria. Essa crítica foi assumida nas igrejas de diversos continentes?

A crítica do cristianismo da libertação à idolatria do capital e do mercado é profundamente radical. Acopla a crítica dos profetas do Antigo Testamento aos cultos idólatras, com suas exigências de sacrifícios humanos, e a crítica marxista ao fetichismo da mercadoria. Marx denuncia o Capital como Baal ou Moloch, ídolos para os quais são realizados sacrifícios de vidas humanas. Enrique Dussel, filósofo e teólogo da libertação, analisou este tema de forma muito interessante em seu livro As metáforas teológicas de Marx.

Nos anos setenta do século XX, esta crítica esteve presente nos documentos e no ensino de importantes setores das igrejas latino-americanas, em especial no Brasil. Aparece também, mas de forma mais limitada, em outros países do Sul (Filipinas, Coreia do Sul) e da Europa (França). Mas, com o pontificado de João Paulo II esta vertente anticapitalista nas igrejas latino-americanas foi condenada, marginalizada e reprimida pelo Vaticano. Não se pode esquecer a tentativa de silenciar Leonardo Boff e a denúncia pelo Santo Ofício (Ratzinger) da teologia da libertação como perigoso erro. Com a eleição de um Papa latino-americano, Bergoglio, esta situação está começando a mudar.

Chama a atenção que você tenha um interesse tão grande na análise da religião, dada sua trajetória marxista e trotskista. Você considera que o cristianismo de libertação é uma fonte importante de inspiração e impulso para a esquerda transformadora? Distancia-se de outros intelectuais, dirigentes e militantes das esquerdas que não lhe concedem relevância?

Tenho muito respeito pela figura de Trotsky, mas minha principal referência política, desde minha juventude no Brasil até hoje, tem sido Rosa Luxemburgo. Esta grande pensadora e lutadora marxista, mártir do socialismo, assassinada há cem anos por paramilitares alemães, é autora do ensaio Igreja e socialismo. Nele apresenta um argumento original: nós, os socialistas, somos os verdadeiros herdeiros dos primeiros cristãos, dos Padres da Igreja, críticos implacáveis da injustiça social e do poder corruptor do dinheiro. As Igrejas que se alinharam com a burguesia contra o movimento operário traíram esta mensagem inicial do cristianismo.

O que ocorreu na América Latina a partir dos anos sessenta do século XX é algo novo: o cristianismo da libertação – do qual também participam setores do clero, das ordens religiosas e até bispos – se situou abertamente no campo dos oprimidos e suas lutas de emancipação. Sem o cristianismo da libertação não é possível explicar o surgimento de um novo movimento operário e campesino no Brasil, a partir dos anos setenta do século XX, as revoluções centro-americanas, dos anos oitenta, e o levante zapatista em Chiapas, em 1994.

Com algum atraso, a esquerda latino-americana percebeu a importância desse fenômeno, ainda que sejam mantidas resistências em certos setores mais dogmáticos, em nome do ateísmo científico.

A esquerda deve tratar com respeito as convicções religiosas e considerar os militantes cristãos de esquerda como parte essencial do movimento de emancipação dos oprimidos. A teologia da libertação também nos ensina a importância da ética no processo de conscientização e a prioridade do trabalho de base com as classes populares, em seus bairros, igrejas, comunidades rurais e escolas.

Além disso, os cristãos radicais são um componente essencial dos movimentos sociais do Sul e das associações europeias de solidariedade com as lutas nos países empobrecidos. Estes cristãos trazem uma contribuição importante para a elaboração de uma nova cultura internacionalista.

Chamou a nossa atenção a valorização muito positiva que você faz em seu livro de personagens que deram grande importância à religião como, por exemplo, os marxistas Walter Benjamin e José Carlos Mariátegui. Que aspectos dos escritos destes dois autores sobre esta questão têm maior atualidade?

Walter Benjamin, judeu de cultura alemã, e José Carlos Mariátegui, peruano, representam duas visões dissidentes no campo do marxismo tradicional. Ambos pertencem a universos geográficos, culturais e históricos muito diferentes, e cada um ignorava os escritos do outro. Walter Benjamin não conhecia nada sobre o marxismo latino-americano e Mariátegui conhecia bem a cultura marxista europeia, mas não lia alemão. Apesar desta distância, têm muitos elementos comuns. Ambos compartilham uma crítica romântica da civilização ocidental moderna e uma rejeição do dogma do progresso na história.

Há também outras convergências: uma adesão pouco ortodoxa às ideias comunistas, simpatia por Trotsky, grande interesse pela obra de Georges Sorel, verdadeira fascinação pelo surrealismo e uma visão “religiosa” do socialismo. Esta afinidade é ainda mais assombrosa porque, como destacamos, não há nenhuma influência de um sobre o outro. Eles contribuíram para repensar em novos termos o curso da história, a relação entre passado, presente e futuro, as lutas emancipadoras dos oprimidos e a revolução.

Uma de suas heresias mais notáveis em relação ao marxismo clássico é efetivamente a reflexão sobre a dimensão “religiosa” do socialismo. Walter Benjamin em suas Teses Sobre o conceito de história (1940) propõe uma aliança entre a teologia messiânica e o materialismo histórico: só juntos poderão vencer a seu adversário, o fascismo. Por sua parte, José Mariátegui, em seu ensaio O homem e o mito, escrevia o seguinte: “A emoção revolucionária (…) é uma emoção religiosa. Os motivos religiosos se deslocaram do céu para a terra. Não são divinos, são humanos, são sociáveis”. Penso que Mariátegui e Walter Benjamin nos ajudam a entender o cristianismo da libertação, tanto no passado como em seu possível futuro.

Uma parte de seu livro aborda as relações entre cristianismo de libertação, ecossocialismo e anticapitalismo. O que pensa da posição do Papa Francisco no âmbito da ecologia?

A encíclica Laudato Si’ é uma contribuição de extraordinária importância para o desenvolvimento, em escala planetária, de uma consciência ecológica. Para o Papa Francisco, os desastres ecológicos e a mudança climática não são simplesmente o resultado de comportamentos individuais, mas dos atuais modelos de produção e de consumo.

Bergoglio não é um marxista e a palavra capitalismo não aparece na encíclica. Mas, fica muito claro que para ele os dramáticos problemas ecológicos de nossa época são o resultado das “engrenagens da atual economia globalizada”, engrenagens que constituem um sistema global. É, segundo suas palavras, “um sistema de relações comerciais e de propriedade estruturalmente perverso”.

Quais são, segundo o papa Francisco, estas características “estruturalmente perversas”?. Antes de tudo, é um sistema no qual predominam “os interesses limitados das empresas” e “uma questionável racionalidade econômica”, uma racionalidade instrumental que tem por único objetivo maximizar o lucro. Afirma este Papa: “o princípio de maximização do lucro, que tende a se isolar de qualquer outra consideração, é uma distorção conceitual da economia: se aumenta a produção, interessa pouco que se produza à custa dos recursos futuros ou da saúde do meio ambiente”.

Esta distorção, esta perversidade ética e social, não é própria de um ou outro país, mas, sim, de um “sistema mundial, onde primam uma especulação e uma busca da renda financeira que tendem a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e o meio ambiente. Assim se manifesta que a degradação ambiental e a degradação humana e ética estão intimamente unidas”. São citações textuais. Penso que fica claro seu pensamento quando relaciona capitalismo, destruição ambiental e ecologia.

Demokratie und Liebe in Zeiten von Wut und Hass

Wir leben in einer Zeit der Wut und des Hasses in Bolsonaros Brasilien und in der ganzen Welt. Wut und Hass sind die Früchte des Fundamentalismus und der Intoleranz, wie wir in Sri Lanka gesehen haben, wo mehrere Hundert Christen ermordet wurden, als sie den Sieg der Liebe über den Tod im Auferstehungsfest feierten.

Diese makabre Szene verlangt von uns, unseren Glauben zu erneuern, dass trotz allem Liebe stärker ist als Hass und die Demokratie ist auch stärker als die Diktatur.

Das Wort Liebe wurde trivialisiert. Alles Mögliche wird als Liebe bezeichnet. Liebe in der Werbung spricht mehr den Geldbeutel der Menschen an als ihre Herzen. Wir müssen die heilige Natur der Liebe befreien. Wir haben kein besseres oder größeres Wort, um die Letzte Wirklichkeit, Gott, anders zu bezeichnen denn als Liebe.

Wir müssen anders über die Liebe sprechen, sodass ihre Natur und ihre Amplitude durchscheinen und uns wärmen kann. Dafür müssen wir verinnerlichen, was die diversen Geo-Wissenschaften (Fritjof Capra) beitragen, insbesondere die Biologie (Humberto Maturana) und die Studien über den kosmogenetischen Prozess (Brian Swimme). Immer mehr wird klar, dass Liebe ein objektives Faktum der globalen Realität ist, ein erfreulicher Aspekt von Mutter Natur selbst, deren Teil wir sind.

Unter anderen sind es zwei Aspekte, die den kosmogenetischen und den biogenetischen Prozess vorantreiben: Notwendigkeit und Spontaneität. Notwendigkeit zielt auf das Überleben jedes Wesens ab. Es ist der Grund, aus welchem innerhalb eines Netzwerks inklusiver Beziehungen ein Wesen dem anderen hilft. Die Synergie und Kooperation miteinander stellen die fundamentalsten Kräfte des Universums dar, insbesondere unter allen Lebewesen. Dies ist die objektive Dynamik des Kosmos selbst.

Zusammen mit der Kraft der Notwendigkeit existiert die Spontaneität. Lebewesen verknüpfen sich und interagieren miteinander zum puren Zweck der Erfüllung und Freude an der Koexistenz. Solche Beziehungen entstehen nicht aus einem Bedürfnis heraus. Sie treten in Erscheinung, um neue Bande zu knüpfen, abhängig von einer gewissen Affinität, die spontan entsteht und Freude verschafft. Es ist das Universum der Überraschung, des Faszinierenden, des Unberechenbaren. Es ist die Ankunft der Liebe.

Diese Liebe tritt zusammen mit dem allerersten Grundbaustein auf, den Quarks, die über das Notwendige hinaus Verbindungen schaffen, und zwar spontan und durch gegenseitige Anziehungskraft. Ganz grundlos entstand eine Welt, nicht notwendig, aber möglich, spontan und real.

Daher entstand die Kraft der Liebe, die sich durch alle Stadien der Evolution zieht und alle Wesen miteinander verbindet, ihnen eine ganz eigene Natur und Schönheit verleiht. Es gibt keinen einzigen Grund, aus dem sich ein Wesen mit einem anderen verbindet durch Bande der Spontaneität und der Freiheit. Sie tun es aus reinem Vergnügen und aus Freude am Zusammensein.

Es ist diese kosmische Liebe, die realisiert, was die Mystik schon immer intuitiv wusste: die Existenz reiner Freiwilligkeit. Der Mystiker Angelus Silesius sagt: „Die Rose hat keinen Grund. Sie blüht einfach nur, weil sie blüht. Der Rose ist es egal, ob sie bewundert wird oder nicht. Sie blüht einfach nur, weil sie blüht.“

Sagen wir nicht, dass der tiefe Sinn des Lebens darin besteht, einfach nur zu leben? Ebenso blüht die Liebe in uns als Frucht einer freien Beziehung zwischen freien Lebewesen miteinander. Der wahre Grund der demokratischen Idee ist gerade die Beziehung aller mit allen und die Zusammenarbeit mit allen zugusten des gemeinsamen Wohles.

Doch als Menschen mit einem Bewusstsein können wir die Liebe, die zur Natur der Dinge gehört, zu einem persönlichen und zivilisatorischen Projekt machen: bewusst Liebe leben, die Bedingungen für das Entstehen von Liebe zwischen trägen und lebenden Wesen schaffen. Wir können uns in einen fernen Stern verlieben und eine Geschichte der Zuneigung zu ihm aufbauen.

Liebe ist dringend nötig in der heutigen Zeit, wo die Stärke des Negativen, der Anti-Liebe vorzuherrschen scheint. Mehr als zu fragen, wer Terrorakte ausübt, muss man sich fragen, warum sie ausgeübt wurden. Sicherlich entstand Terror, weil die Liebe als eine Beziehung fehlte, die die menschen in der glückseligen Erfahrung verbindet, sich zu öffnen und sich gegenseitig erfreut zu umarmen.

Um es offen und klar zu sagen: Das vorherrschende Weltsystem liebt die Menschen nicht. Es liebt materielle Güter, die Arbeitskraft des Arbeiters, seine Muskeln, sein Wissen, seine künstlerische Produktion und seine Konsumfähigkeit. Aber es liebt die Menschen nicht frei als Menschen. Dieses System mag die Demokratie nicht, weil sie Kooperation, Solidarität und Grosszïgkeit voraussetzt, welche Erscheinungen der Liebe sind. Statt Solidarität stellt sie viemehr Konkurrenz aller mit allen oder gegen alle dar.

Liebe zu predigen und aufzurufen: „Lasst uns einander lieben, wie wir uns selbst lieben“ heißt, revolutionär zu sein. Das geht völlig gegen die vorherrschende Kultur.

Lasst uns Liebe so verstehen, wie der große Florentiner Dante Alighieri sie bezeugte: „Die Liebe, die den Himmel und alle Sterne bewegt“, und wie fügen hinzu: die Liebe, die unser Leben bewegt, die Liebe, die der sakrosankte Name der Ursprünglichen Quelle aller Wesen ist, Gott.

Leonardo Boff ist Ökologe – Theologe – Philosoph  von der Erdcharta-Kommission

 

 

 

Alignment with the U.S.of the President Bolsonaro would not resolve the brazilian crisis

In my understanding, two basic tendencies can be seen in the current globalization process: monopolar globalization, with the supremacy of the United States, backed by the large economic-financial corporations, and marked by how everything is homogenized. In pedestrian language, it would be the hamburgerization of the world: the same hamburger, made from the same recipe, and consumed in the U.S., Russia, Japan, China; and Brazil.

The other tendency is multipolar. It foresees several poles of power, with different decision centers, but all within the same Common Home, unique, complex, and threatened with ruin. China leads this tendency..

The monopolar tendency predominates. Trump’s “America first” means “only America”. The claim is that only the U.S. has global interests. It abrogates to itself the right to intervene where ever those interests are threatened or could be extended, either through direct war or delegated, as Trump attempted with Brazil during the crisis in Venezuela, ignoring treaties and international law.

The Northamerican strategy, radicalized after the attack on the Twin Towers, is to guarantee its world hegemony: first, through weapons of mass destruction, (the U.S. could kill the whole world), the capitalist economy and ideology (Hollywood plays a principal role in that), that is a form of soft war (hybrid War), but effective in conquering hearts and minds through symbolism and imaginary, with a facade of democracy and human rights.

But the primary means of domination is the neoliberal capitalist economy. It must be imposed on the whole world (China adopted it to fortify herself economically). This is accomplished through the huge global corporations and their internal national allies. It is a great weapon, because the alternative, war, functions as a deterrent, like a scarecrow, because it can destroy everyone, including those who invoke it.

Those who win the race for technological innovation, especially the military but also the economic, will acquire world hegemony.

What does this have to do with Brazil’s current political and economic situation? Everything. President Jair Bolsonaro accepted, with no compensation, an unconditional alignment with the strategies for world hegemony of the United States.

In the highest military levels and moneyed elites one hears the following argument: we have no possibility of becoming a great nation, even though we have all the necessary objective conditions. We arrived late and do not participate in the small group that decides the world’s path. We were a colony and recolonization has been imposed on us, in order to supply raw materials (commodities) to the developed countries. It is inevitable that the strongest, in this case the United States, offers economic advantages in order to incorporate as aggregated members the select transnational group that sustains this option. Missing was the wisdom to seek their own paths, in a dialectic relationship with the current powers.

The huge destitute majorities do not count. They are economic zeros. They produce less and consume almost nothing. From dependency they sink into non-participation.

What change has occurred in Brazil in the last years? The highest leading members of the army, the generals who have troops under their command (they are those who really matter) may have embraced this thesis. They may have left in second place a project of an autonomous nation. The security for which they are responsible may be now guaranteed by the United Sates with its military apparatus and more than 800 military bases spread all over the world. This adhesion also implies incorporation into the liberal economy (among us, ultra-liberal economy) and representative democracy, even though this democracy will be a low intensity one.

With the current President, Brazil has been taken over by the military. The former captain, made chief of State, is the visible head of this project, abruptly adopted in Brazil. Diligence is required to weaken everything that makes us a country-nation: industry must be diminished and replaced by imports; institutions with a democratic and nationalist taint, will be maintained, but rendered inefficient, public universities, undermined, will give way to private universities associated with large enterprises, because these enterprises need educated teams to function.

The minor internal fights between the astrologer from Virginia, Olavo de Carvalho, the extreme right Brazilian intellectual who lives in the United States and is the ideological mentor of President Bolsonaro, and the military, are irrelevant. Both accept the basic principle of adhesion to the United States and neo-liberalism, but with a difference. The Olavistas are crude, rough, with vulgar language. The military displays airs of education and civility in hopes of inspiring trust, but both have the same basic goal. And the same adhesion to the United States. Resigned, they admit that in the new cold war between the United States and China we must either opt for the United States or be devoured by China, thus renouncing a sovereign path through the tensions between the great powers.

I see two paths of confrontation, among others:

The ecological path: we are within the anthropocene, the age when human beings are rapidly destabilizing all the life-systems and the Earth-system. Wise people and scientists warn that if we do not change, we could experience a socio-ecological disaster that could destroy a great part of the biosphere and our civilization. This way, the very capitalist system and its culture would lose their base of support. The survivors would have to devise a global Marshall Plan to rescue what remained of civilization and restore the vitality of Mother Earth.

The political path: a massive popular uprising, a human tsunami in the streets, protesting and rejecting the anti-people, anti-life model. The generals would feel trapped by accusations of being unpatriotic, causing a divide between those who supported the streets and those who resisted. Politicians would slowly come around, because they would see no alternative. This way an alternative movement, opposing the current order,could arise.

There could be great violence on both sides. A Northamerican intervention could not be ruled out, because her interests are global, especially since control of the Amazon is an objective. But would Russia and China tolerate such intervention? The worst case could be if a sort of Syria were created in our territory. The scene is somber but not impossible. It is known there are hawks in the security organs who do not discard that possibility.

We are called to follow the political path, with all the risks it entails. We must not forego the opportunity to trust in our capabilities, especially with respect to our ecological wealth, and our role in determining the future of humanity and the living planet, the Earth.

The most important thing is to present a viable alternative, for a different type of Brazil: sovereign, with a representative democracy, just, open to the world and ready, with our natural resources, to set the table for the hungry human beings of the whole world.

Leonardo Boff Eco-Theologian-Philosopher, of the Earthcharter Commission

Free translation from the Spanish sent by
Melina Alfaro, alfaro_melina@yahoo.com.ar.
Done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

La Tierra como baúl de recursos infinitos o como Casa Común viva?

En el mundo entero y también entre nosotros se celebra con eventos y discusiones ecológicas la Semana del Medio-Ambiente. Lógicamente, el medio-ambiente no nos satisface, pues queremos el ambiente entero.

El Papa en su encíclica “Sobre el cuidado de la Casa Común” (2015) superó este reduccionismo y propuso una ecología integral que abarca lo ambiental, lo social, lo político, lo mental, lo cotidiano y lo espiritual. Como han dicho grandes exponentes del discurso ecológico: con este documento, dirigido a la humanidad y no solo a los cristianos, el Papa Francisco se coloca a la cabeza de la discusión ecológica mundial. En su detallada exposición sigue el guión metodológico de la Iglesia de la Liberación y de su teología: ver, juzgar, actuar y celebrar.

Fundamenta sus afirmaciones (el ver) con los datos más seguros de las ciencias de la Tierra y de la vida; somete a un riguroso análisis crítico (juzgar) lo que él llama “paradigma tecnocrático” (n.101), productivista, mecanicista, racionalista, consumista e individualista cuyo “estilo de vida sólo puede desembocar en catástrofes” (n.161). El juzgar implica una lectura teológica donde el ser humano emerge como cuidador y guardador de la Casa Común (todo el capítulo II). Coloca como hilo conductor la tesis básica de la cosmología, de la física cuántica y de la ecología: el hecho de que “todo está relacionado y, todos nosotros, seres humanos, caminamos juntos como hermanos y hermanas en una peregrinación maravillosa… que nos une también con tierno afecto al hermano Sol, a la hermana luna, al hermano río y a la Madre Tierra” (n.92). Propone prácticas alternativas (actuar) pidiendo con urgencia una “radical conversión ecológica” (n.5) en nuestro modo de producir y de consumir, “alegrándonos con poco” (n.222) “con sobriedad consciente” (n.223), “en la convicción de que cuanto menos, tanto más” (n.222). Destaca la importancia de “una pasión por el cuidado del mundo”, “una verdadera mística que nos anima” (el celebrar) para asumir nuestras responsabilidades ante el futuro de la vida.

Actualmente se libra una batalla fuerte entre dos visiones con respecto a la Tierra y a la naturaleza que afectan nuestra comprensión y nuestras prácticas. Esas visiones están presentes en casi todos los debates.

La visión predominante, considera la Tierra como un baúl de “recursos infinitos”. Constituye el núcleo del paradigma de la modernidad, ve la naturaleza como algo que ha sido destinado para nosotros, cuyos bienes y servicios (el sistema prefiere llamarlos “recursos”, los andinos “bondades de la naturaleza”) están disponibles para nuestro uso y bienestar. El ser humano está en la posición adánica de quien se considera “maestro y señor” (Descartes) de la naturaleza, fuera y por encima de ella. Considera a la Tierra una realidad sin propósito (res extensa), una especie de baúl lleno de bienes y servicios infinitos que sostienen un ilusorio proyecto de desarrollo/crecimiento también infinito. De esta actitud de “dominus” (dueño) surgió el mundo científico-técnico que tantos beneficios nos ha traído, pero que al mismo tiempo ha creado una máquina de muerte que, con armas químicas, biológicas y nucleares, nos puede destruir a todos y poner en peligro la biosfera.

La otra visión, contemporánea,ve la Tierra como Casa Común y viva. Ella tiene más de un siglo de vigencia pero que nunca logró hacerse hegemónica, entiende que somos parte de la naturaleza y que la Tierra está viva y se comporta como un superorganismo vivo, auto-regulado, combinando los factores físico-químicos y ecológicos de forma tan sutil y articulada que siempre mantiene y reproduce la vida.

El ser humano es parte de la naturaleza y aquella porción de la Tierra que en un proceso de altísima complejidad comenzó a sentir, a pensar, a amar y a venerar. Nuestra misión es cuidar de este gran “Ethos” (en griego significa casa) que es la Casa Común. Somos el “frater” (hermano) de todos. Debemos producir para atender las demandas humanas pero en consonancia con los ritmos de cada ecosistema, su alcnce y sus limites, cuidando siempre de que los bienes y servicios puedan ser usados con una sobriedad compartida, con vistas a las futuras generaciones.

He participado de una mesa redonda con representantes de varios saberes, en la cual se discutían formas de protección de la naturaleza. Había un cacique pataxó del sur de Bahía que habló por último y dijo: “no entiendo el discurso de ustedes, todos quieren proteger a la naturaleza; yo soy la naturaleza y me protejo”. Aquí está la diferencia: todos hablaban sobre la naturaleza como quien está fuera de ella, nadie sintiéndose parte de ella. El indígena se sentía naturaleza. Protegerla es protegerse a sí mismo que es naturaleza.

Este debate todavía está en curso. El futuro apunta a la segunda visión, la de mirar a la Tierra como Casa Común,  Gaia, Pachamama y Gran Madre.. Lentamente vamos tomando conciencia de que somos naturaleza y defenderla significa defendernos a nosotros mismos y a nuestra propia vida. De lo contrario, la primera visión, la de la Tierra y la naturaleza como un baúl de “recursos infinitos”, nos puede llevar, a raíz de su voracidad sin límites, a un camino sin retorno.

*Leonardo Boff ha escrito:”Cómo cuidar de la Casa Común”, Vozes 2018.

Traducción de Mª José Gavito Milano