Advertência sobre o documentário “Eles estão no meio de nós” contra a Teologia da Libertação

                                            

Na segunda-feira,dia 24 de outubro, promete-se exibir um documentário extremamente negativo contra a Teologia da Libertação no contexto das eleições,atacando Lula e membros da Igreja e teólogos da Teologia da Libertação. Acusa-os que através  dela quererem destruir a Igreja por dentro e introduzir o comunismo no Brasil.

Tópicos da propaganda já divulgados, com vozes acusatórias, logo no início, mostram que se trata de um documentário,   cheio de falsificações e distorções muito graves.  O organizador é um blogueiro (defensor ferrenho de Bolsonaro). Ele há muito tempo disse estar preparando esta documentação. Por que lançá-la logo agora, na corrida final das eleições presidenciais?

Quem é esse blogueiro? Diz-se jornalista (mas sem curso nenhum),  católico ultra-conservador, que através de seu youtube ataca duramente a Igreja Católica que saiu do Vaticano II, dos documentos oficiais da Conferência Latino Americana de Bispos (CELAM),e da própria CNBB, documentos que reconhecem a validade da Teologia da Libertação.

O documentário acusa a mim de hereje. É falso e mentiroso. A Congregação pela Doutrina da Fé nunca fez esta condenação, nem condenou doutrina minha, apenas um”comportamento” que pode pôr em risco a fé cristã. Afastado o risco, posso seguir adiante. Isso pode ser lido na edição nova do livro em questão naquela época, Igreja: carisma e poder (1982) onde se publica o document oficial do Card. Joseph Ratzinger (Record 2021) e também a minha resposta.

Este blogueiro tem atacado furiosamente o falecido e muito querido pelo Papa Francisco, Card.Cláudio Hummes, igualmente  a CNBB. Esteve presente no Sínodo Panamazônico em Roma. Dia após dia fazia lives acusando de herético ou falso praticamente tudo o que lá se dizia. Penetrou,sem licença, nas Catacumbas onde os bispos do Pacto das Catacumbas renovavam seu voto da opção pelos pobres de Jesus. Filmou  sorrateiramente e publicou depos denunciando como uma barbaridade o que lá se fazia. Foi descoberto e afastado do lugar.

Contra mim em seu youtube disse tantas calúnias e verdadeiras mentiras,negando-se a publicar minha resposta em seu youtube. Fui obrigado a processá-lo. Perdeu o processo em todas as instâncias e teve que pagar pesada multa, por atraso e resistência à justiça. Vale acrescentar que este blogueiro pelos excessivos ataques às autoridades em seu youtube foi acusado pelo STF entre os tantos  que estão sob processo. A polícia retirou-lhe o computador e todos os arquivos. Nem por isso deixou de atuar com suas falsificações em seu youtube utilizando os meios de amigos da mesma corrente ultra-conservadora.

Afirma e reafirma que  Teologia da lIbertação é herética e foi condenada pela Igreja. É outra falsidade. Há dois documentos sobre este tipo de teologia,ambos do Card. Joseph Ratzinger de quem fui amigo e por sua ajuda foi publicada minha tese em alemão,altamente apreciada por ele. No primeiro documento de 1984,“Libertatis Nuntius sobre alguns aspectos da teologia da libertação”chama atenção para riscos da utilização de algumas categorias da análise marxista acerca do capitalismo explorador,mas não condena ninguém. No segundo documento de 1986 Libertatis Conscientia realça os aspectos positivos desta teologia da libertação. Este quase nunca é citado, apenas o primeiro.

Isso ficou mais claro num encontro do Papa João Paulo II em 1986 com bispos brasileiros em Roma que afirma: “esta teologia da libertação não é só ortodoxa mas necessária”. Neste mesmo ano de 1986 numa carta aos bispos do Brasil reitera que “esta teologia da libertação não é só oportuna,mas útil e necessária” num contexcto de opressão.

Em suas  encíclicas João Paulo II falou também de “uma nova e autêntica teoria e práxis de libertação”, de “uma autêntica teologia da libertação humana integral” (Centesimus Annus, n. 26) e dos “valores positivos” de “uma nova maneira de enfrentar os problemas da miséria e do subdesenvolvimento que faz da libertação a categoria fundamental e o primeiro princípio de ação (Sollicitudo Rei Socialis, n. 46). Mais ainda, segundo o Papa João Paulo II, “desse modo se poderia romper a pretensa fatalidade dos sistemas – incapazes, um e outro de assegurar a libertação trazida por Jesus Cristo – o capitalismo desenfreado e o coletivismo ou capitalismo de Estado”.

Face a esta vigorosa manifestação oficial do Vaticano sobre a teologia da libertação resultam falsas, mentirosas e caluniosas as afirmações desse blogueiro. Ela não é herética, é otodoxa, é oportuna, útil e necesária, portanto, faz bem à Igreja que se põe ao lado dos pobres, como Jesus. Ela sustenta a busca da justiça social e a libertação das opressões materiais,psicológicas e espirituais que sofrem,libertação  a partir deles mesmos com o apoio da mensagem de Jesus Cristo Libertador.

Quem ver a documentação falsificadora, mantenha seu espírito crítico e considere tal fato, no contexto das eleições, como uma manipulação para influenciar os eleitores a votarem naquele que nos seus quatro anos de seu governo  oprimiu o povo brasileiro, especialmente, os pobres, as famílias que perderam cerca de 300 mil pessoas por causa de sua  omissão e sua temosia: o atual presidente do Brasil.

Somos pela liberdade de expressão mas dentro de parâmetros éticos mínimos. Mas somos muito mais amigos da verdade: Amicus Plato sed magis amica veritas.

Leonardo Boff, teólogo católico, filósofo e assessor de muitos movimentos cristãos e de comunidades eclesiais de base, membro da Comissão internacional da Carta da Terra.

Desatanizar a Satán o Diablo

En estos tiempos de campaña política y presidencial no es raro que un candidato satanice a su adversario. Se hace inclusive una división esdrújula entre quién está de parte de Dios y quién de parte del Diablo o de Satán.

Ese término Satán (en hebraico) o Diablo (en latín) ha ido adquiriendo muchos significados, positivos y negativos, a lo largo de la historia. Esto ocurre en muchas religiones especialmente en las abrahámicas (judaísmo, cristianismo e islamismo).

No obstante, debemos decir que nadie ha sufrido tantas injusticias y ha sido tan “satanizado” como el mismo Satán. Al principio no fue así. Por esta razón es importante recordar brevemente la historia de Satán o del Diablo.

Él se cuenta entre los “hijos de Dios” al igual que los demás ángeles, como se dice en el libro de Job (1,6). Está en la corte celestial; por lo tanto, es un ser de bondad. No es la figura mala que adquirirá más tarde. Pero recibió de Dios una tarea inusitada e ingrata: debe poner a prueba a las personas buenas como Job que es “un hombre íntegro, recto, temeroso de Dios y alejado del mal” (Job 1,8). Debe someterlo a todo tipo de pruebas para ver si, en realidad, es aquello que todos dicen de él: “no hay otro igual en la tierra” (Job 1,8). Como prueba promovida por Satán, Job pierde todo, la familia, los bienes y los amigos. Pero no pierde la fe.

A partir de siglo VI aC se produjo una gran mutación, cuando los judíos vivieron el cautiverio babilónico (587a.C.) en Persia. Allí se confrontaron con la doctrina de Zoroastro que establecía un combate entre el “príncipe de la luz” y el “príncipe de las tinieblas”. Ellos incorporaron esta doctrina dualista y maniquea que dio origen a Satán como parte del reino de las tinieblas, el “gran acusador” o el “adversario” que induce a los seres humanos a actos de maldad. Después se produce un enfrentamiento entre Dios y Satán. En los textos judaicos tardíos, a partir del siglo II, especialmente en el libro de Henoc se elabora la saga de la revuelta de los ángeles dirigida por Satán, ahora llamado Lucifer, contra Dios. Se narra la caída de Lucifer y cerca de un tercio de los ángeles que le siguieron y acabaron siendo expulsados del cielo.

Surge entonces la pregunta: si fueron expulsados, ¿dónde los ponemos? Ahí se hizo uso de la categoría del infierno: del fuego ardiente y de todos los horrores, bien descritos por Dante Alighieri en la segunda parte de su Divina Comedia dedicada al infierno. 

En el Primer Testamento (el Antiguo) casi no se habla del diablo (cf.Cron 21,1;Samuel 24,1). En el Segundo Testamento (Nuevo), aparece en algunos relatos “… serán lanzados en el horno de fuego; ahí será el llanto y el crujir de dientes” (Mt 8,12;13,42-50;Lc 13,27) o en la parábola del rico Epulón y el pobre Lázaro (Lc 16,23-24) o en el Apocalipsis (16,10-11).

Esta comprensión fue asumida por los teólogos antiguos, de modo especial por san Agustín. Él influenció toda la tradición de las Iglesias, la doctrina de los papas y ha llegado hasta hoy.

La categoría del infierno y de la condenación eterna fue determinante en la conversión de los pueblos originarios de América Latina y de otros lugares de misión, produciendo miedo y pánico. Sus antepasados, se les decía, por el hecho de no haber sido cristianos, están en el infierno. Y se argumentaba que si ellos no se convertían y no se dejaban bautizar conocerían el mismo destino. Esto se puede ver en todos los catecismos que se elaboraron poco después de la conquista, con los que se pretendía convertir a aztecas, incas, mayas y otros. Fue el miedo lo que condujo y sigue conduciendo a la conversión de multitudes, como ha demostrado el gran historiador francés Jean Delumeau. Es apelando al Diablo, a Satanás, como hoy en día, en tiempos de ira y de odio social, se busca descalificar al adversario, a menudo convertido en un enemigo al que hay que desmoralizar y eventualmente liquidar.

Aquí debemos superar todo el fundamentalismo del texto bíblico. No basta citar textos sobre el infierno, incluso en boca de Jesús. Debemos saber interpretarlos para no caer en contradicción con el concepto de Dios y destruir incluso la buena nueva de Jesús, del Padre lleno de misericordia, como el padre del hijo pródigo que acoge al hijo perdido (Lc 15,11-23).

En primer lugar el ser humano busca una razón para el mal en el mundo. Tiene gran dificultad para asumir su propia responsabilidad. Entonces la trasfiere al Demonio o a los demonios.

En segundo lugar, el significado de los demonios y del infierno de los horrores representa una pedagogía del miedo para, por medio del miedo, hacer que las personas busquen el camino del bien. Demonio e infierno son por lo tanto creaciones humanas, una especie de pedagogía siniestra, como todavía hay madres que dicen a los niños: “Si no te portas bien, por la noche viene el lobo malo a morderte el pie”. El ser humano puede ser el Satán de la tierra y de la sociedad. Él puede crear el “infierno” para los otros por medio del odio, la opresión y los mecanismos de muerte, como infelizmente está ocurriendo en nuestra sociedad.

En tercer lugar, Satán o el Diablo es una criatura de Dios. Decir que es una criatura de Dios, significa que, en cada momento, Dios está creando y recreando esta criatura, incluso en el fuego del infierno. ¿Puede Dios que es amor y bondad infinita proponerse hacer eso? Bien dice el libro de la Sabiduría: “Sí, tu amas a todos los seres y no detestas nada de lo que hiciste; si odiases alguna cosa no la habrías creado; y cómo podría subsistir alguna cosa si no la quisieses… salvas a todos porque te pertenecen, oh Soberano amante de la vida” (Sab 11,24-26). El Papa Francisco lo dijo claramente: “no existe condenación eterna; ella es sólo para este mundo”.

En cuarto lugar, el gran mensaje de Jesús es la infinita misericordia de Dios-Abba (papá) que ama a todos, también a los “ingratos y malos” (Lc 6,35). La afirmación del castigo eterno en el infierno destruye directamente la buena-nueva de Jesús. Un Dios castigador es incompatible con el Jesús histórico que anunció la infinita amorosidad de Dios para con todos, también para con los pecadores. El salmo 103 ya había intuido eso: “El Señor es compasivo y clemente, lento para la cólera y rico en misericordia. No está siempre acusando ni guarda rencor para siempre. No nos trata según nuestros pecados… como un padre siente compasión por sus hijos e hijas, así el Señor se compadecerá de los que le aman, porque conoce nuestra naturaleza y se acuerda de que somos polvo… la misericordia del Señor es desde siempre para siempre”(103,8-17). Dios no puede perder nunca a ninguna criatura, por más perversa que sea. Si la perdiese, aunque fuera una sola, habría fracasado en su amor. Y eso no puede suceder.

Bien dijo el Papa Francisco que predica incansablemente la misericordia: La misericordia siempre será mayor que cualquier pecado y nadie puede poner límites al amor de Dios que perdona” (Misericordiae vultus, 2).

Esto no significa que se entrará en el cielo de cualquier manera. Todos pasaremos por el juicio y por la clínica de Dios, para purificarnos, reconocer nuestros pecados, aprender a amar y finalmente entrar en el Reino de la Trinidad. El purgatorio no es la antesala del infierno, sino la antesala del cielo. Quien está en él purificándose participa ya del mundo de los redimidos.

El infierno y los demonios y el principal de ellos, Satán, son proyecciones nuestras de la maldad que existe en la historia o que nosotros mismos producimos y de la cual no queremos responsabilizarnos y la proyectamos en estas figuras siniestras.

Tenemos que liberarnos, finalmente, de tales proyecciones, para vivir la alegría del mensaje de salvación universal de Jesucristo. Eso deslegitima toda satanización en cualquier situación, especialmente en política y en las iglesias pentecostales que usan de forma totalmente exorbitante la figura del demonio y del infierno. Esto asusta a los fieles en lugar de consolarlos con el amor y la infinita misericordia de Dios.

*Leonardo Boff es teólogo, filósofo y ha escrito: Vida para além da morte, Vozes, 2021, muchas ediciones. En español, Hablemos de la otra Vida, publicado por Sal Terrae.

Brasil: proyecto autoritario versus proyecto democrático

Nunca en nuestra historia hemos corrido un peligro tan amenazador como el que estamos corriendo ahora con ocasión de las elecciones del 30 de octubre. Hay un proyecto de Brasil autoritario, de sesgo fascista, que puede desmantelar nuestros bienes más preciosos, los culturales y los naturales como la selva amazónica y nuestra biodiversidad.

Es propio del fascismo manipular y distorsionar la religión, la familia y la moral de tal forma que contradicen directamente los valores predicados por Jesús y queridos por Dios, citado siempre por estas personas fanatizadas que lo tienen en los labios pero no en el corazón. En ese proyecto nefasto predomina el odio, la mentira y la división, producida dentro de las familias y en el círculo de amigos. Permitió la compra de muchos miles de armas, exalta la tortura y se propone eliminar opositores.

También se presenta otro proyecto, el proyecto de un Brasil democrático, asumido por un frente amplio y democrático, que a la vista del peligro inminente, unió partidos antes opuestos, celebridades de la ciencia, las artes, la religión y líderes populares. Este proyecto de Brasil está fundado en la democracia, en las libertades, en el respeto de los derechos humanos y de la naturaleza. Da centralidad a la vida, comenzando con los 33 millones de hambrientos y otros cerca de 100 millones con insuficiencia alimentaria. A pesar de una economía neoliberal concentradora y fracasada, procura crear oportunidades de trabajo, cuidar de la salud, la educación, la cultura, la seguridad y el ocio para todos. 

Nadie puede permanecer neutral e indiferente ante esta amenaza, pues se volvería cómplice de la tragedia socioecológica que puede ocurrir. Es un asunto de supervivencia del país como nación, evitando retroceder a la pura y simple barbarie.

Confiamos en el sentido común de los electores y de las electoras para optar por el proyecto más esperanzador. Contamos también con Dios, el “apasionado amante de la vida” como dicen las Escrituras y con la patrona de Brasil, la negra Nuestra Señora Aparecida.

Nada supera la fuerza intrínseca del amor y del cuidado de unos a otros y para con la Madre Tierra. La capacidad de discernimiento y el buen sentido de nuestro pueblo le harán escoger el mejor proyecto de Brasil y garantizar un futuro prometedor para todos, en el que estarán el compromiso por la justicia social y por la paz, y la alegre celebración de la vida. 

Leonardo Boff, ecoteólogo, filósofo y escritor, miembro de la Comisión Internacional de la Carta de la Tierra.

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Publico este texto pues es aclaratorio y puede iluminar a aquellos que aún no han decidido de qué lado de la historia quieren estar con su voto.

                                              CARTA A LOS HERMANOS PRESBÍTEROS DE LA IGLESIA CATÓLICA

Mis queridos hermanos presbíteros,

Hemos visto el fantasma del hambre, de la violencia, del autoritarismo, del prejuicio y de la exclusión social rondando nuestro país de forma preocupante. Más grave es ver como la política que exalta la tortura, desprecia al pobre y se burla de la muerte se ha mezclado con el fundamentalismo religioso que se dice cristiano.

Estamos envueltos en un clima que preanuncia una mezcla de los regímenes totalitarios del siglo pasado con el moderno régimen teocrático y fundamentalista de los talibanes. No debemos minimizar los peligros del contexto político actual, pues los que se abstuvieron antes de que se concretasen hechos históricos semejantes, se arrepintieron amargamente por no haber dimensionado correctamente las consecuencias.

Tenemos la oportunidad de evitar que se repitan eventos lamentables de nuestra historia. Todos los actos ya practicados, gestos, discursos y promesas del actual presidente y su grupo apuntan hacia un régimen autoritario y de desprecio de la vida humana y de la naturaleza. No se trata de especulación. Si no fuese por los pocos frenos jurídicos e institucionales que aún están funcionando en la República, ya viviríamos sin el poco de democracia y libertad que todavía nos queda.

Una victoria en la elección que se aproxima significaría refrendar al Gobierno de la Muerte y le daría respaldo para seguir en su proyecto de entrega del país a la rapiña de garimpeiros, explotadores ilegales de la naturaleza, crimen organizado y empresarios sin ética. Además de esto, sellaría el destino del pueblo más pobre y oprimido, amargado por el hambre y la miseria; de los pueblos originarios que están abandonados a su suerte y corren peligro de exterminio; de nuestros biomas sin la protección de los órganos de fiscalización; de los estudiantes y profesores sometidos a persecución del pensamiento libre y crítico como resultado de la ideologización de la educación por el MEC; de las minorías que apenas han comenzado a asegurar sus derechos en la sociedad y que son perseguidas y vilipendiadas públicamente a la luz del día.

Desgraciadamente, algunos sacerdotes y obispos, que tienen poder real y/o simbólico en el catolicismo, se están pronunciando a favor de ese proyecto de muerte en las redes sociales, inclusive revestidos con sus ornamentos o en celebraciones litúrgicas. Sabemos que nuestra Iglesia es santa y pecadora y que se ha puesto del lado de los opresores demasiado tiempo.

Por parte de los que realmente se entregaron al proyecto de “vida en abundancia” (Jn 10,10), de “liberación de los oprimidos” (Lc 4, 18) y de amparo a los hambrientos y abandonados (Mt 25, 35-46) hemos visto sin embargo pocas manifestaciones explícitas contra el proyecto de muerte representado por el gobierno actual. Mucho de ese silencio está justificado por el miedo a “partidizar” la misión eclesial aceptada por los ministros ordenados.

Ahora bien, esta segunda vuelta de las elecciones de 2022 va mucho más allá de las cuestiones partidarias tradicionales de Brasil. Tanto es así que tenemos un frente amplio en torno a la candidatura de Lula que incluye a representantes de todos los gobiernos anteriores y de partidos que hicieron oposición a su gobierno. Ya no se trata de la disputa entre Lula y Bolsonaro, sino de un frente por la democracia contra los signos de barbarie, autoritarismo y fundamentalismo religioso ya demostrados por este gobierno que busca la reelección.

Por lo tanto, no se trata de escoger entre uno u otro candidato, sino en qué lado de la historia queremos quedar. Quedarse al margen, en este caso, es reforzar el lado opuesto.

Por estas razones, pido humildemente a los hermanos sacerdotes que se manifiesten en vídeos, homilías, pronunciamientos y publicaciones para hacer el contrapunto a los que se presentan como representantes de la Iglesia y hacen apología del actual presidente, mostrando su contradicción con el mensaje de los evangelios y la Doctrina Social de la Iglesia.

El silencio en situaciones límite de nuestra historia puede acabar volviéndose omisión. Que el Señor nos libre del Mal (Mt 6, 13).

Saludos en Cristo

Maurício Abdalla 

Profesor de filosofía de la UFES y miembro de la Red Nacional de Asesores del Centro de Fe y Política Dom Helder Câmara (CEFEP), organismo de la Conferencia Nacional de Obispos de Brasil (CNBB) y Coordinador Pedagógico de la Escuela de Fe y Política de la Arquidiócesis de Vitória.

Brasil: projeto autoritário  versus projeto democrático

Nunca em nossa história corremos um risco tão ameaçador como este que estamos correndo por ocasião das eleições no dia 30 de outubro. Há um projeto de Brasil autoritário, de viés fascista que pode desmantelar nossos bens mais preciosos, os culturais e os naturais como a floresta amazônica e a nossa biodiversidade. É próprio do fascismo manipular e distorcer a religião, a família e a moral, de tal forma que contradizem diretamente os valores pregados por Jesus e queridos por Deus, sempre citado por estas pessoas fanatizadas que o tem nos lábios mas não no coração. Nesse projeto nefasto predomina o ódio,a mentira e a divisão, produzida dentro das famílias e no círculo de amigos. Permitiu a compra de milhares de armas, exalta a tortura e se propõe eliminar opositores.

Apresenta-se um outro, o projeto de Brasil democrático, assumido por uma frente ampla e democrática, que sabendo do risco iminente,uniu partidos, antes opostos, celebridades da ciência, das artes, da religião e lideranças populares. Este projeto de Brasil vem fundado na democracia, nas liberdades,no respeito dos direitos humanos e da natureza. Confere centralidade à vida,começando com os 33 milhões de famintos e cerca de 100 milhões com insuficiência alimentar. Apesar de uma economia neoliberal concentradora e falida, procura criar oportunidades de trabalho, cuidar da saúde, da educação, da cultura, da segurança e do lazer para todos.

Ninguém pode ficar neutro e indiferente à essa ameaça, pois se tornaria cúmplice da tragédia socio-ecológica que pode ocorrer. É uma questão de sobrevivência do país como nação, evitando regredir à pura e simples barbárie.

Confiamos no bom senso dos eleitores e das eleitoras na decisão pelo projeto mais esperançoso.Contamos também com Deus, o “apaixonado amante da vida”como dizem as Escrituras e com a padroeira do Brasil, a negra Nossa Senhora Aparecida.

Nada supera a força intrínseca do amor e do ocuidado de uns para com os outros e para com a Mãe Terra. A capacidade de discernimento e o bom senso de nosso povo os fará  escolher o melhor projeto de Brasil e garantir um futuro promissor para todos, no compromisso pela justiça social, pela paz  e na alegre celebração da vida.

Leonardo Boff, ecoteólogo, filósofo e escritor, membro da Comissão Internacional da Carta da Terra.

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Publico este texto pois é esclarecedor e pode iluminar aqueles que ainda não decidiram de que lado da história querem estar por seu voto. 

      CARTA AOS IRMÃOS PRESBÍTEROS DA IGRJA CATÓLICA

         Meus queridos irmãos presbíteros,

Temos visto o fantasma da fome, violência, autoritarismo, preconceito e exclusão social rondando nosso país de forma preocupante. Mais grave é ver como a política que exalta a tortura, despreza o pobre e zomba da morte tem se mesclado com o fundamentalismo religioso que se diz cristão.

Estamos envoltos em um clima que prenuncia uma mistura dos regimes totalitários do século passado com o moderno regime teocrático e fundamentalista do Talibã. Não devemos minimizar os riscos do atual contexto político, pois os que se omitiram antes de que fatos históricos semelhantes se concretizassem arrependeram-se amargamente por não terem dimensionado corretamente as consequências.

Temos oportunidade de evitar que eventos lamentáveis de nossa história se repitam. Todos os atos já praticados, gestos, discursos e promessas do atual presidente e seu grupo apontam para um regime autoritário e de desprezo com a vida humana e a natureza. Não se trata de especulação. Não fossem os poucos freios jurídicos e institucionais que ainda funcionam na República, já viveríamos sem o pouco de democracia e liberdade que ainda nos resta.

Uma vitória na eleição que se aproxima significaria o referendo ao Governo da Morte e lhe daria o respaldo para seguir em seu projeto de entrega do país à rapina de garimpeiros, exploradores ilegais da natureza, crime organizado e empresários sem ética. Além disso, selaria o destino do povo mais pobre e oprimido, que amarga a fome e a miséria; dos povos originários que estão jogados à sua própria sorte e sob risco de extermínio; de nossos biomas sem a proteção dos órgãos de fiscalização; dos estudantes e professores submetidos à perseguição ao pensamento livre e crítico resultante da ideologização da educação pelo MEC; das minorias que mal começaram a garantir seus direitos na sociedade e que são perseguidas e vilipendiadas publicamente e à luz do dia.

Infelizmente, alguns padres e bispos, que têm poder real e/ou simbólico no catolicismo, estão se pronunciando a favor desse projeto de morte nas redes sociais, inclusive paramentados ou em celebrações litúrgicas. Sabemos que nossa Igreja é santa e pecadora e que já ficou ao lado dos opressores por muito tempo.

Porém, do lado dos que realmente se entregaram ao projeto de “vida em abundância” (Jo 10,10) e de “libertação dos oprimidos” (Lc 4, 18) e de amparo aos famintos e abandonados (Mt 25, 35-46), temos visto poucas manifestações explícitas contra o projeto de morte representado pelo atual Governo. Muito desse silêncio é justificado pelo medo de se “partidarizar” a missão eclesial aceita pelos ministros ordenados.

No entanto, o segundo turno das eleições de 2022 ultrapassou as questões partidárias tradicionais do Brasil. Tanto que temos uma frente ampla ao redor da candidatura do Lula que inclui representantes de todos os governos anteriores e de partidos que fizeram oposição ao seu Governo. Não se trata mais da disputa entre Lula e Bolsonaro, mas de uma frente pela democracia contra os sinais da barbárie, autoritarismo e fundamentalismo religioso já demonstrados pelo Governo que tenta reeleição.

Portanto, não se trata da escolha entre um ou outro candidato, mas sobre o lado da história no qual queremos ficar. A omissão, neste caso, é reforço do lado oposto.

Por essas razões, peço humildemente aos irmãos padres que se manifestem em vídeos, homilias, pronunciamentos e postagens mostrando a contradição entre a mensagem dos evangelhos e a Doutrina Social da Igreja, para fazer contraponto àqueles que se apresentam como representantes da Igreja e fazem apologia ao atual presidente.

O silêncio em situações limites de nossa história pode acabar se tornando omissão. Que o Senhor nos livre do Mal (Mt 6, 13).

Saudações em Cristo,

Maurício Abdalla Professor de filosofia da UFES e membro da Rede Nacional de Assessores do Centro de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP), organismo da CNBB e Coordenador Pedagógico da Escola de Fé e Política da Arquidiocese de Vitória.