O caso Bolsonaro: a nós cabe a justiça, a Deus a vingança

Leonardo Boff

De meu saudoso pai, mestre de escola, com um método semelhante ao de Paulo Freire, educava os alunos e alunas de Planalto-Concórdia-SC, sempre com esse conselho: “nunca se vinguem; a vingança pertence a Deus; e confiem sempre na divina Providência”. Esse ensinamando permance como  legado imorredouro de seus alunos,suas alunas e de seus onze filhos. As Escrituras sempre afirmam: “A Deus cabe a vingança”. É o juízo derradeiro de quem, de fato, definitivamente julga o nosso projeto de vida. Não nos cabe julgar as pessoas, pois possuem algo do mistério que só Deus penetra. A nós cabe julgar os atos concretos pois estes têm objetividade e  podem ser ajuizados. Isso se aplica ao caso rumoroso do julgamento da organização criminosa que tramou um golpe de Estado tendo como cabeça o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Foram processados e julgados. Não houve espírito de vingança por parte dos magistrados, mas a aplicação estrita  das leis e da Constituição: 27 anos e três meses de prisão em regime fechado. Fora condenado apenas por 5 crimes,objetivamente comprovados, entre tantos que cometeu.

Por mais que procuremos, não deixou legado positivo nenhum. Em seu governo irrompeu o império da maldade oficializada e popularizada.Seu lema foi claramente expresso num reunião com o grupo ultra-conservador dos EUA, o Tea-Party: “não pretendo construir nada,mas destruir tudo para recomeçar outra história”. E de fato assim fez, destruiu tudo o que pôde sem nada construir de positivo em favor do povo.

Diria que as várias sombras que maculam nossa história ganharam com suas práticas malévolas, plena densidade: (1) a mácula do genocídio indígena: deixou morrer centenas de yanomami entre outros;(2) a nódoa do escravismo de 350 anos: suas palavras foram:”pessoas negras foram legalmente escravizadas em função de sua massa corporal”;os quilombolas “não servem para nada, nem para procriador servem”; (3) a mancha do colonialialismo:o Brasil que Bolsonaro venera é o Brasil colônia, subserviente e submisso, que bate continência para a bandeira americana, que exalta a tortura e o fuzilamento de inimigos, que descuidou totalmente de nosso maior patrimônio natural, a Amazônia e o Pantanal;(4) o estigma da ocupação do Estado pela classe dominante: Bolsonaro,não sabendo administrar nada, entregou à Câmara Legislativa funções que seriam do Executivo,como a gestão do Orçamento; não apenas deu rédeas à acumulação das classes abastadas no campo e na cidade como militarizou grande parte dos aparatos de Estado;(5) ignominiosos foram os atos  de  negacionismo da vacina contra o Covid-19, tornando-se responsável por 430 mil mortos evitáveis dos 716.626 vítimados; ofendeu as vítimas imitando a morte de uma delas, com boca aberta em busca, desesperada, de oxigênio; considerou a pandemia “uma gripezinha” e tratava a dor dos que perdiam entes queridos como “mero mimimi”; debochou dos familiares que não podiam acompanhar seus mortos aos cemitérios improvisados; (6) teve um desprezo soberano dos pobres,”só têm uma utilidade, a de ter o título de eleitor e o  diploma de burro…não prestam para nada, na sua grande maioria não servem para  futuro de nosso país”; (7) mostrou-se inimigo da ciência, da educação,dos direitos humanos, da pesquisa científica, regredindo o país aos tempos anteriores ao iluminismo;(8) atos  dos mais perversos foram aqueles que deseducaram o povo, com palavrões de baixo calão, com manifesto ódio aos LGBTQ+1 e com clara misoginia, a ponto de se envergonhar por ter tido uma filha, “fruto de uma fraquejada”; difundiu fake news e uma onda de ódio que dividiu famílias e tornou tóxicas as relações sociais; (9) cometeu explícita manipulação do discurso religioso, contradizendo a mensagem religiosa por suas atitudes verdadeiramente farisaicas e  para fins diretamente eleitoreiros, o que contradiz a natureza laica do Estado; (10) por fim, algo inaudito e de suma atrocidade em nossa história de 135 de república, foi o propósito de assassinar o ministro do STF Alexandre de Moraes, de envenenar o presidente Lula e de seu vice, Geraldo Alckmin.  

Estes atos merecem a repulsa de uma mente minimamente humana e sensível. É aqui que entra a justiça que julga consoante o Contrato Social firmado pela Constituição de 1988 e pela leis do Código Penal. Sei que o conceito de justiça, desde os clássicos gregos com Sócrates, Platão e Aristóteles até aos modernos John Rowls e MacIntyre, é carregado de discussões. Não cabe neste lugar assumir uma de suas versões ou definições. Para o caso de Bolsonaro basta-nos a aplicação da Constituição e do Código Penal que definem como crimes os atos que por ele e pela organização criminosa perpetraram. Cabe enfatizar que não se trata de uma questão de cálculo mas de princípio, de pura e simples aplicação das penas penais.

         A Constitução de 1988 é límpida quando define a

Abolição violenta do Estado Democrático de Direito

         Art. 359-L. Tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais:

         Golpe de Estado

          Art. 359-M. Tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído”.

         O veredito da Primeira Turma do STF foi clara face aos atos praticados por Jair Messias Bolsonaro e pela organização criminosa.

         Tudo isso foi organizado e planejado como tentativa frustrada que,de por si, já constitui crime. A sentença foi adequada aos crimes e por isso justa:

         “Condeno o réu JAIR MESSIAS BOLSONARO pelos crimes de  organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado às penas de 27 e 3 meses de reclusão“(Supremo Tribunal Federal, 11/09/2025).

         Pela primeira vez em nossa história de golpes e contragolpes que se levou às barras dos tribunais,um ex-presidente, vários militares de alta patente e outros da organização criminosa.

         Como foi comentado por jornais estrangeiros especialmente dos EUA:a democracia brasileira e suas instituições se mostraram mais sólidas daquela norte-americana, sempre tida como realidade de referência.

         Ficou claro para a comunidade jurídica e pela mais alta corte:”Não pode ter indulto, não pode ter anistia, não pode ter perdão judicial para alguém que tentou derrubar a democracia”. O país deu um salto de qualidade rumo à sua solidez e à sua maturidade. A grande maioria da população deu um profundo suspiro de alívio. Em fim fez-se justiça!

Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor e publicou:Brasil: concluir a refundação ou prolongar a dependência, Vozes 2018.

Der Niedergang der amerikanischen und europäischen Arroganz

                        Leonardo Boff                                     

 Derzeit erleben wir einen erbitterten Wettstreit zwischen einer unipolaren Weltanschauung, die mit aller Härte durchgesetzt wird, mit Handels- und Hybridkriegen seitens der Vereinigten Staaten unter Donald Trump und der Europäischen Union, und einer multipolaren Weltanschauung, die von den beiden Großmächten Russland und China sowie einem Großteil der Länder des Globalen Südens gefordert wird.

 Was sich hinter diesem Streit verbirgt, ist unter anderem die immense Arroganz der USA und der europäischen Länder. Diese Arroganz ist die berühmte Hybris der Griechen, also der Verlust des Augenmaßes, die Behauptung extremer Selbstherrlichkeit, die übertriebene Überhöhung ihrer eigenen Qualitäten und die Verachtung aller, die nicht so sind wie sie oder sich ihnen unterwerfen. Dies zeigt sich darin, dass sie sich für die Besten der Welt halten, dass sie die beste Regierungsform, die Demokratie, haben, dass sie die Menschenrechte eingeführt haben, die beste Technologie, die mächtigste Wirtschaft, die zerstörerischste Militärmacht, die sich jetzt wieder aufrüstet, die offenbarten Heilswahrheiten, das Christentum. Nach Ansicht der Griechen wurde die Hybris von den Göttern bestraft. Und wie sieht es heute aus?

 Diese Arroganz führte weltweit zu Konflikten und Kriegen gegen alle anderen, angefangen bei der gewaltsamen Kolonialisierung der Welt durch Europa im 16. Jahrhundert bis hin zu den großen Kriegen des 20. Jahrhunderts. Zu Recht stellte Samuel P. Huntington in seinem umstrittenen Buch Der Kampf der Kulturen und die Neugestaltung der Weltordnung  (Objetiva 1997) fest: „Es ist wichtig zu erkennen, dass die Einmischung des Westens in die Angelegenheiten anderer Zivilisationen wahrscheinlich die gefährlichste Quelle für Instabilität und einen möglichen globalen Konflikt in einer multikulturellen Welt darstellt” (S. 397). Erwähnenswert ist auch der Historiker Arnold Toynbee, der in seinem zwölfbändigen Werk A Study of History die Entstehung, das Wachstum und den Untergang von Zivilisationen untersucht und dabei der Arroganz als Anzeichen für den Niedergang ganzer Zivilisationen eine zentrale Bedeutung beimisst.

 Kürzlich erklärte der bekannte Ökonom und Ökologe Jeffrey Sachs von der Columbia University gegenüber einem brasilianischen Journalisten (Leonardo Sobreira: Brasil 247 vom 6.9.25): „Die USA litten unter der Illusion, dass sie die Welt alleine anführen würden. Europa leidet unter derselben Arroganz… Nicht nur sind die USA allein, sondern sie haben auch nicht mehr das Sagen. Wir beobachten das Ende eines langen historischen Prozesses. Und diese Arroganz gibt es nicht nur in den USA, sondern auch in Europa… Die Mentalität ist von anhaltender Arroganz geprägt.”

Trump sieht sich selbst als „Kaiser der Welt“ (Lula) und tut, was ihm gefällt. Er zerstört traditionelle demokratische Gewohnheiten in den Vereinigten Staaten und hat mit seinem Handelskrieg (der einen echten, endgültigen Krieg ankündigt) fast die ganze Welt vor den Kopf gestoßen, selbst seine treuesten Verbündeten wie die Europäer und Südkoreaner. Arrogant verhandelt und diskutiert er nicht, sondern setzt seine Politik einfach durch, wie er es gegenüber Brasilien getan hat.

Fakt ist, wie die besten Analysten der globalen Geopolitik feststellen, dass die Ära der amerikanischen Dominanz rapide zu Ende geht. Schlimmer noch: Diese Tatsache zeigt sich in der Europäischen Union, die sich schämen sollte, gegen ihre gesamte zivilisatorische und humanistische Tradition zu handeln, indem sie den unerbittlichen Krieg unterstützt, den Netanjahus Israel gegen den Gazastreifen führt. Tausende sind tot, und Dutzende unschuldiger Kinder werden in einem regelrechten Völkermord unter freiem Himmel getötet. Die Europäer werden an den Rand gedrängt, weil Trump den beschleunigten Erosionsprozess dieser alternden und arroganten Zivilisation erkennt.

Die aufstrebende Macht, die wahrscheinlich die nahe Zukunft bestimmen wird, ist China mit einem keineswegs arroganten, sondern vernünftigen Vorschlag für eine Welt mit einem gemeinsamen Schicksal, die die Ordnung der Vereinten Nationen respektiert und auf Handelsöffnung und Nichteinmischung in die inneren Angelegenheiten anderer Länder basiert.

 In zwei Büchern habe ich mich mit diesem Thema der Arroganz befasst, das unter dem allgemeineren Begriff „Mangel an Augenmaß” zusammengefasst wird, einem Wert, der in allen uns bekannten Ethiken der Zivilisationen vorhanden ist. Maßlosigkeit und die Abkehr vom Augenmaß sind der Auslöser, der den Verfallsprozess einer Kultur, eines sozialen Projekts oder eines persönlichen Verhaltens in Gang setzt.

 Was in der Welt vorherrscht, nennen wir es beim Namen, ist das System des Kapitals – oder, wie manche es lieber nennen -, die Marktwirtschaft (die fast vollständig finanzialisiert ist), einen völligen Mangel an Maß zeigt, wie es die arroganten Big Techs exemplarisch zeigen, von denen einer bereits arrogant von einer persönlichen Anhäufung von einer Billion Dollar träumt.

 Auf diesem Weg der grenzenlosen Arroganz, verbunden mit einer abgrundtiefen Unmenschlichkeit und einem völligen Mangel an Sensibilität gegenüber anderen, nähern wir uns einem Abgrund. Wie Sigmunt Bauman kurz vor seinem Tod warnte: „Wir werden den Zug derer verstärken, die auf ihr eigenes Grab zusteuern.“ Das darf nicht passieren.

 Unser Vertrauen und unsere Hoffnung ermutigen uns, die Vorherrschaft des Geistes (mit seiner natürlichen Spiritualität) gegenüber der Barbarei zu bekräftigen. Er wird sich seiner Abwege und Irrwege bewusst werden. Er wird einen Weg finden können, der uns auf diesem schönen Planeten erhalten bleibt. Und uns eine Zukunft garantieren, in der Arroganz nicht mehr so häufig vorkommt, sondern die Sorge um unser gemeinsames Zuhause und die Liebe unter allen Menschen gedeihen.

Leonardo Boff Autor von:  Die Suche nach dem rechten Maß: Wie der Planet Erde wieder ins Gleichgewicht kommt, LIT Verlag 2023.

(Deutsche Übersetzung: Bettina Gold-Hartnack)

Meine Heimat ist die Erde und die aktuellen Landesgrenzen

         Leonardo Boff               

Wir erleben derzeit einen Konflikt verschiedener Bewusstseinszustände, der die Tiefe der Widersprüche offenbart, die unsere Existenz auf der Erde prägen. Niemand kann leugnen, dass wir Zeugen einer neuen Phase für die Menschheit und die Erde sind: des unaufhaltsamen Prozesses der Planetarisierung. Alle Völker verlassen ihr jahrtausendelanges Exil, angefangen in Afrika, und treffen sich an einem einzigen Ort, in unserem gemeinsamen Zuhause, der Erde. Es ist eine feststehende Tatsache, dass wir auf einem Planeten leben und keinen anderen haben.

Diese Tatsache geht jedoch nicht mit dem notwendigen und notwendigen Bewusstsein einher. Dieses Bewusstsein wäre global. Viele haben sich ihm bereits angeschlossen, aber es ist nicht signifikant. Die große Mehrheit ist sich ihrer Nationalität noch immer bewusst. Die Europäische Union könnte als Beispiel dienen, da sie eine einheitliche Währung und einen für alle Länder gültigen Reisepass geschaffen hat. Nationale Grenzen bilden jedoch nach wie vor den wichtigsten Bezugspunkt. Der Einzige, der vielleicht ein globales Bewusstsein zeigte, war Xi Jinping, als er eine „einheitliche globale Schicksalsgemeinschaft“ vorschlug.

Zwischen den beiden Bewusstseinszuständen besteht ein Spannungsverhältnis: das zeitgenössische Bewusstsein, das behauptet: „Meine Heimat ist die Erde; die Seele kennt keine Grenzen; kein Leben ist fremd.“ Und das andere Bewusstsein, das sich im Prozess der Überwindung befindet und aus dem Westfälischen Frieden von 1648 hervorgeht, der die Grenzen und die Souveränität der Nationen festlegte.

Es ist eine unbestreitbare Tatsache: Das Coronavirus hat die Souveränität der Nationen missachtet. Es überschritt alle Grenzen und betraf den gesamten Planeten. Ähnliches geschah mit der Finanzkrise von 2008, die die Weltwirtschaft über alle Landesgrenzen hinaus betraf.

Wir bewegen uns auf die Schaffung einer globalen Governance zu, ausgehend von der Annahme, dass globale Probleme globale Lösungen erfordern und dass die Erde tatsächlich unser gemeinsames Zuhause darstellt, wie es in der Erd-Charta (2003) und in Papst Franziskus‘ Laudato si: Über die Sorge für unser gemeinsames Zuhause (2015) heißt.

Trotzdem dauern zahllose Territorialkonflikte zwischen Israel und den Palästinensern, zwischen Russland und der Ukraine sowie die Konflikte im Jemen, in Syrien, Myanmar und afrikanischen Ländern wie Nigeria, Sudan, Somalia und Burkina Faso an. All diese tödlichen Konflikte zeugen von einem fehlenden oder eingeschränkten Bewusstsein für die Erde als gemeinsame Heimat. Ausgehend von diesem Bewusstseinsniveau erscheint die ausgrenzende Nationalitätsbehauptung lächerlich und überholt. Heute ist es die extreme Rechte mit ihrem Populismus, die nationale Identitäten gegen den Multikulturalismus verteidigt.

Aufgrund dieses fehlenden globalen Bewusstseins konnte der Generalsekretär der Vereinten Nationen, António Gutérres, im Februar 2023 feststellen: „Die Regierungen tun nicht genug, um das Katastrophenrisikomanagement zu verbessern, wodurch die Menschheit weitgehend unvorbereitet auf das ist, was kommen wird. Der Anstieg des Meeresspiegels droht einen Exodus biblischen Ausmaßes auszulösen.“

Die Aussagen der Astronauten aus ihren Raumschiffen bestätigten einstimmig: Aus unserer Perspektive gibt es keinen Unterschied zwischen der Erde und der Menschheit. Beide bilden eine Einheit. Zu Recht konnten große Kosmologen wie Brian Swimme und Thomas Berry behaupten: Der Mensch ist der Teil der Erde, der in einem fortgeschrittenen Prozess der Komplexität und Verinnerlichung begonnen hat, zu fühlen, zu denken, zu wollen, zu pflegen und zu verehren. In diesem Moment brachen Mann und Frau, Wesen, die all diese Eigenschaften in sich trugen, in den kosmogonen Prozess ein.

Es ist an der Zeit, unser Bewusstsein auf die Erde, unser gemeinsames Zuhause, auszurichten und uns nicht nur als Teil der Erde zu fühlen, sondern auch als Teil, der fühlt, denkt, liebt und sich sorgt. Auf diese Weise hätten wir ein planetarisches Bewusstsein erreicht, das zu einer regenerativen Ethik für die verwundete Erde und einem lang ersehnten Friedensabkommen zwischen allen Völkern fähig ist, innerhalb des einen gemeinsamen Zuhauses, wo die Gesamtheit der Natur und die verschiedenen Kulturen zusammenkommen und sich durch Dialog und Austausch gegenseitig bereichern. Möge Gott es gewähren.

Leonardo Boff Autor von: Como cuidar da Casa comum: como protelar  fim do mundo, Vozes 2024.

Übersetzt von Bettina Gold Harnackt

Globale ethische Bewertung für COP30

                     Leonardo Boff

Die COP30-Präsidentschaft und der Global Ethical Stocktake Circle haben gemeinsam mit der Earth Charter Global Movement eine offene Einladung an alle interessierten Parteien gerichtet, zum Global Ethical Stocktake (GES) beizutragen.

Daher möchte ich als Mitglied der Earth Charter International auf die Fragen der COP30-Präsidentschaft antworten. Ich betrachte die Earth Charter und die Enzyklika von Papst Franziskus „Wie wir für unser gemeinsames Zuhause sorgen“ als inspirierende Quellen für ein globales Ethos in unseren turbulenten Zeiten.

Fragen / Antworten:

1. Warum leugnen oder ignorieren wir so oft, was die Wissenschaft und das traditionelle Wissen über die Klimakrise sagen, und verbreiten oder dulden Fehlinformationen, obwohl wir wissen, dass Leben in Gefahr sind?

Desinformation ist freiwillig. Viele Staatsoberhäupter und Vorstandsvorsitzende großer Unternehmen sind sich der Risiken bewusst, denn sie sind präsent und unbestreitbar, wie die globale Erwärmung, die zerstörerischen Überschwemmungen ganzer Städte, die riesigen Brände in Kalifornien, im Amazonasgebiet und in Spanien sowie das Auftreten verschiedener Viren, insbesondere des Coronavirus, von dem die gesamte Menschheit betroffen ist.

Sie leugnen diese eindeutigen Daten, weil sie antisystemisch sind. Das System des heutigen globalisierten Kapitals ist zunehmend konzentriert (1 % gegenüber 99 %). Würde man diese Daten ernst nehmen, müsste das Kapital seine Logik ändern, die Natur schützen, anstatt sie auszubeuten, und soziale und ökologische Gerechtigkeit fördern. Es reicht nicht aus, zu dekarbonisieren und gleichzeitig die Gier nach Akkumulation aufrechtzuerhalten. Wie die Erd-Charta feststellt: „Schaffen Sie Produktions- und Konsummuster, die die Regenerationsfähigkeit der Erde, die Menschenrechte und das Wohlergehen der Gemeinschaft schützen“ (§ II, 7). Dieses unmenschliche und unsolidarische System wird seine Vorteile und Privilegien niemals aufgeben. Wenn wir der Logik des Kapitals folgen, werden wir früher oder später auf eine große ökologisch-soziale Tragödie stoßen, die die Biosphäre und letztlich das Überleben der Menschheit auf diesem Planeten gefährden könnte, der, so begrenzt er auch ist, kein Projekt unbegrenzten Wachstums und unbegrenzter Entwicklung unterstützen kann.

2. Warum halten wir an Produktions- und Konsummodellen fest, die den Schwächsten schaden und nicht mit der 1,5-°C-Mission im Einklang stehen?

Es liegt nicht im Interesse des vorherrschenden Produktionssystems, Natur und Arbeiter übermäßig auszubeuten, da dies einen Paradigmenwechsel vom Akkumulationsparadigma hin zu einem Paradigma bedeuten würde, das alles Leben, sowohl menschliches als auch natürliches, erhält (CT § I). Vertreter dieses Systems stellen Profit über Leben, Gewalt gegen Natur und Menschen und Wettbewerb über Frieden und Zusammenarbeit. Sie sind sich der wissenschaftlich bewiesenen Tatsache der „Geistesverwandtschaft mit allem Leben“ (CT § Präambel c) nicht bewusst. Dieses System verhindert „soziale und wirtschaftliche Gerechtigkeit und die Beseitigung der Armut als ethisches, soziales und ökologisches Gebot“ (CT III § 9). Es leugnet seinen Platz im Ganzen der Lebewesen, da alle wichtig sind, um das Ganze zu bilden. Das Akkumulationssystem, ob kapitalistisch oder nicht, widerspricht der Logik der Natur und dem Prozess der Kosmogenese, da „alle Lebewesen mit Respekt und Rücksicht behandelt werden müssen“ (CT § III, 15), was es jedoch nicht tut. Darin liegt Ihre ethische Lücke.

3. Was können wir tun, um sicherzustellen, dass die reichen Länder, die große Produzenten und Verbraucher fossiler Brennstoffe sind, ihren Wandel beschleunigen und zur Finanzierung dieser Maßnahmen in den am stärksten gefährdeten Ländern beitragen?

Wir müssen die Empörung über dieses System, das so viele Opfer fordert, fördern. Wir müssen den Mut haben, jede Form von Druck auf dieses tödliche System auszuüben und uns für dessen Veränderung einsetzen. Wir müssen Bewegungen nutzen, die „sich mit Verständnis, Mitgefühl und Liebe um die Lebensgemeinschaft kümmern“ (CT § I, 2), und Druck auf Staaten und Unternehmen ausüben. Wir müssen wissen, wie wir bestehende Gesetze nutzen können, um die Umwelt zu schützen und die Konzentration von Reichtum zu begrenzen. All dies wurde dank des Drucks von unten erreicht. Aber Empörung und Druck reichen nicht aus. Wir müssen mit etwas Neuem und Alternativem beginnen. Der direkteste und erfolgreichste Weg ist, Bioregionalismus zu leben und zu fördern. Wir müssen die Region und das Territorium wertschätzen. Nicht solche, die durch willkürlich von Staaten gezogene Grenzen geschaffen wurden, wie etwa Gemeinden. Wir müssen die Region so annehmen, wie die Natur sie geschaffen hat, mit ihren Wäldern, ihren Flüssen, ihren Bergen – kurz gesagt, ihrer Natur und den Menschen, die dort leben. Es hat seine eigene einzigartige Kultur, seine Feste und seine bemerkenswerten Persönlichkeiten, die dort lebten: „Es geht um den Schutz und die Wiederherstellung der ökologischen Strukturen der Erde unter besonderer Berücksichtigung der biologischen Vielfalt und der lebenserhaltenden Prozesse“ (GK § II, 5). Eine Produktionsweise kann mit lokalen natürlichen Gütern und Dienstleistungen erreicht werden, ohne dass große Fabriken oder umfangreiche Transportwege erforderlich sind. Man nimmt der Natur, was benötigt wird, respektiert ihre Rhythmen und gibt ihr Zeit zur Erholung (§ 2 Nummer II: Ökologische Integrität). Es ist möglich und machbar, „demokratische Gesellschaften aufzubauen, die gerecht, partizipativ und friedlich sind“ (GK § I, 3), wodurch die Armut deutlich reduziert und sogar überwunden wird. Im Mittelpunkt steht die menschliche Lebensgemeinschaft, und alles andere dient diesem Zentrum. Das Ergebnis ist die Verwirklichung einer nachhaltigen Lebensweise, wie sie in der Erd-Charta (§ Der Weg nach vorn) festgelegt ist, und deren nachhaltige Entwicklung, die der jeweiligen Region angemessen ist. Heute leben unzählige Regionen der Welt dieses Projekt mit großer Integration aller. Die gesamte Erde könnte wie ein Teppich aus Bioregionen sein, die miteinander in Beziehung stehen und sich gegenseitig helfen, wodurch die Nachhaltigkeit des gesamten Planeten Erde gesichert würde.

4. Welche Traditionen, Geschichten oder Praktiken (kulturell, spirituell) in Ihrer Gemeinde lehren uns, in größerem Einklang mit der Natur zu leben?

Viele Städte forsten ihre Straßen und Plätze mit einheimischen Pflanzen auf. Andere führen Kampagnen durch, um degradierte Gebiete aufzuforsten oder um Flüsse von Abfällen, insbesondere von Plastik- und anderen Abfällen, zu befreien, um sicherzustellen, dass alle Flüsse und Bäche eine Ufervegetation haben, um die agrarökologische Landwirtschaft auf dem Lande und den Anbau von Gemüse und anderen Naturprodukten auf den Flächen zwischen den Gebäuden oder auf den Dächern zu fördern. Außerdem wird ein freundschaftliches Verhältnis zwischen den Verbrauchern in der Stadt und den Erzeugern auf dem Lande geschaffen, die sich gegenseitig besuchen und ihr Wissen austauschen. So entsteht eine echte Demokratie der Produktion und des Konsums.

5. Wie können wir in Anbetracht der Tatsache, dass wir die Vielfalt im Kollektiv garantieren müssen, mehr Menschen, Führungspersönlichkeiten, Unternehmen, Firmen und Nationen mobilisieren, um faire und ethische Veränderungen im Kampf gegen die Klimakrise zu unterstützen? Welche Ideen und Werte könnten uns bei dieser Aufgabe inspirieren?

Erstens ist es wichtig, alle Informationen über den Zustand der Erde und die drohenden Bedrohungen, die die Biosphäre und die menschliche Existenz gefährden könnten, zu teilen. Dabei ist es wichtig, Daten zum Earth Overshoot bereitzustellen – also wie viel Land und Meer wir benötigen, um den Lebensunterhalt der Menschheit zu sichern. Es wurde festgestellt, dass die Erde ins Minus geraten ist. In den ersten sieben Monaten des Jahres 2024 werden wir alle erneuerbaren Güter und Dienstleistungen der Erde, die das Leben erhalten, verbraucht haben. Wir benötigen derzeit fast zwei Erden, um den menschlichen Konsum zu decken, insbesondere den verschwenderischen Konsum der reichen Länder, zum Nachteil eines großen Teils der Menschheit, dem es an ausreichender Nahrung, Trinkwasser und sanitärer Infrastruktur mangelt (CT § III, 10). Allein im Jahr 2024 haben wir 40 Milliarden Tonnen CO² in die Atmosphäre freigesetzt, die dort hundert Jahre lang verbleiben, sowie 20 Milliarden Tonnen Methan, das 28-mal schädlicher ist als CO², obwohl es etwa 10 Jahre in der Atmosphäre verbleibt. All diese Verschmutzung erzeugt einen Treibhauseffekt, der den Planeten immer weiter aufheizt. Mittlerweile hat er die tolerierbare Marke von 1,5 °C überschritten. Im Jahr 2025 liegt er bei 1,7 °C und damit über dem im Pariser Abkommen von 2015 festgelegten Ziel. Dieses Abkommen sah vor, diesen Wert erst bis 20230 zu erreichen. Die Hitze war vorhersehbar und hatte schwerwiegende Folgen für die Menschheit: In europäischen Ländern stiegen die Temperaturen auf über 40–45 °C, in den Ländern des globalen Südens auf bittere Kälte. Die Wissenschaft kam zu spät und kann diese Erwärmung weder aufhalten noch umkehren, sondern nur vor ihrem Eintreffen warnen und ihre schädlichen Auswirkungen mildern. Wann wird sich die Erde auf ihrem neuen Klimaniveau stabilisieren? Bei 38–40 °C werden sich viele Lebewesen nicht anpassen können und verschwinden, sowohl in der Natur als auch in der Menschheit. Einen möglichen Atomkrieg mit „gegenseitig zugesicherter Zerstörung“, der das menschliche Leben beenden würde, denken wir noch nicht einmal daran. Oder eine andere Art von Krieg mit künstlicher Intelligenz, mit der eine Macht die andere so lahmlegen kann, dass nichts mehr funktioniert: Energie, Autos, Flugzeuge, Raketen und Kommunikationsmittel, bis hin zur völligen Auslöschung der anderen Nation. Dieser Krieg ist nicht unmöglich. Er zerstört nichts, aber er unterwirft eine ganze Nation oder die gesamte Menschheit – ein kybernetischer Despotismus, der alles kontrollieren würde, sogar die Privatsphäre. Autonome KI könnte entscheiden, dass die menschliche Spezies ihr nicht mehr nützlich ist, und beschließen, das Leben auf der Erde auszulöschen.

Dieses düstere Szenario veranlasst uns, ein neues Paradigma zu postulieren, das von der Erd-Charta und den beiden Enzykliken von Papst Franziskus vorgeschlagen wird: Laudato Si: über die Sorge für unser gemeinsames Haus (2015) und Fratelli tutti (2020). Dies wird in der Erd-Charta klar zum Ausdruck gebracht:

„Wir befinden uns in einem kritischen Moment in der Geschichte der Erde, in einer Zeit, in der die Menschheit über ihre Zukunft entscheiden muss… Unsere Wahl ist, entweder eine globale Allianz zu bilden, um für die Erde und für einander zu sorgen, oder unsere Zerstörung und die Zerstörung der Vielfalt des Lebens zu riskieren“ (2003, Präambel), Oder Papst Franziskus:

„Wir sitzen alle im selben Boot: Keiner wird allein gerettet, entweder wir retten uns alle oder wir gehen alle zugrunde“ (Fratelli, Nr. 34)

Die Erd-Charta ruft zu Respekt und Fürsorge für alles, was existiert und lebt, und zu universeller Verantwortung auf (§I,1). Der Papst weist auf den Wechsel vom dominus – dem Paradigma der Moderne und in der Welt vorherrschend – des Menschen als Besitzer und Herr der Natur, ohne sich als Teil von ihr zu fühlen, zum frater – dem Menschen als Bruder und Schwester mit allen Wesen. Da alle aus dem gleichen Staub der Erde stammen, alle den gleichen biologischen Grundcode haben (die 20 Aminosäuren und die 4 Stickstoffbasen), fühlt sich der Mensch als Teil der Natur, nicht als ihr Herr und Meister, und seine Aufgabe ist es, den Garten Eden (die Erde) zu hüten und zu bewahren. Die universale Geschwisterlichkeit muss vor allem zwischen allen Menschen bestehen und die große menschliche und irdische Gemeinschaft bilden” (Fratelli tutti, Nr. 6).

Dies wäre das neue Paradigma. Im Mittelpunkt stünde das Leben in seiner ganzen Vielfalt. Die Wirtschaft, die Politik und die Kultur im Dienste des Lebens.

Es ist wichtig zu betonen, dass eine Ethik der Fürsorge, der allgemeinen Verantwortung und der universellen Geschwisterlichkeit ohne natürliche Spiritualität nicht gewährleistet werden kann. Diese leitet sich nicht direkt aus der Religion ab, auch wenn sie diese verstärken kann, sondern aus der menschlichen Natur selbst. Diese natürliche Spiritualität ist ebenso Teil der menschlichen Natur wie Intelligenz, Wille und Sensibilität. Sie offenbart sich durch bedingungslose Liebe, Solidarität, Einfühlungsvermögen, Mitgefühl, Fürsorge und Ehrfurcht vor der Gesamtheit der Natur und des Universums und dem Schöpfer aller Dinge. Es ist die Erfahrung der natürlichen Spiritualität mit ihren Werten, die das ethische Verhalten unterstützen, das zum Schutz des Lebens auf der Erde notwendig ist.

Nur dieses neue Paradigma kann die Zukunft des Lebens im Allgemeinen, des menschlichen Lebens und seiner Zivilisation garantieren. Aber wie die Erd-Charta sagt: „Unsere ökologischen, wirtschaftlichen, politischen, sozialen und spirituellen Herausforderungen sind miteinander verbunden, und gemeinsam können wir umfassende Lösungen erarbeiten“ (CT§ Präambel c). Darin liegt die Lösung für unsere planetarische Krise. Deshalb besteht die Hoffnung, dass die Menschen ihren Kurs ändern und eine neue Etappe des menschlichen Abenteuers auf dem Planeten Erde einläuten können.

Leonardo Boff

(übersetzt von Bettina Gold-Hartnack)