Para quem é querida ou não a Exortação “Querida Amazônia”

Para ser sincero, o presente texto foi escrito e enviado ao Papa Francisco em forma de carta, como fiz de outras vezes. Como não respondeu, o que é de seu direito, resolvi transformar o formato de carta, numa reflexão teológica, fundada, creio eu, na melhor tradição e nos estudos mais sérios sobre o tema, que não cabe aqui referir. Concordando fortemente com a bela Exortação Apostólica “Querida Amazônia” me permiti fazer estas reflexões no sentido de reafirmar a intenção originária do Sínodo Panamazônico de uma verdadeira inculturação da Igreja na cultura dos diversos povos indígenas. Isso implicava a ordenação ao sacerdócio de indígenas casados, “viri probati“. Isso foi aprovado neste Sínodo pela maioria dos votantes. O Papa mesmo incentivava esta plena inculturação. Por surpresa geral, tal ideia não foi assumida pela Exortação Apostólica”Querida Amazônia”. Não são poucos até entre bispos que supõem que aqui agiu outra mão, usou outro estilo e reafirmou a doutrina comum de viés tradicionalista, superada pelo eclesiologia de comunhão do Concílio Vaticano II. Meu texto procura resgatar o valor desta eclesiologia de comunhão, nova e tradicional por cerca de mil anos, segundo a qual quem preside a comunidade (um bispo, um presbítero,um agente de pastoral e um leigo casado e vir probatus) preside também a celebração da Eucaristia. Tempos virão em que essa possibilidade será realizada para que a Igreja de rosto amazônico e indígena seja realmente expressão de uma inculturação legítima da fé cristã, como foi a inculturação desta fé – na sua origem judaica – na cultura grega, romana e germânica. Lboff.

O Papa Francisco é o defensor mundial da Mãe Terra e de tudo o que sustenta a sua sobrevivência. Li com atenção e grande entusiasmo a sua exortação apostólica “Querida Amazônia”. Nela, ele considera um crime verdadeiro o que está sendo feito agora na Amazônia. Ele contrapõe quatro sonhos axiais: social, cultural, ecológico e eclesial.

Como não ficar encantado com afirmações como esta, entre outras tantas, clara expressão de uma ecologia integral e cósmica:

“Somos água, ar, terra e vida do meio ambiente criado por Deus. Por conseguinte, pedimos que cessem os maus-tratos e o extermínio da ‘Mãe Terra’. A terra tem sangue e está sangrando, as multinacionais cortaram as veias da nossa ‘Mãe Terra’” [n. 42].

Estou plenamente de acordo com esse tipo de linguagem e de denúncia e, especialmente, com os três primeiros sonhos e com a primeira parte do quarto, que vão na linha da Laudato si’ sobre o cuidado da casa comum.

Três sonhos e meio e um pesadelo

Essa primeira parte do quarto sonho segue o estilo de grande beleza dos sonhos anteriores. No entanto, a segunda parte me parece mais um pesadelo. O tom antes profético, ético, ecológico e poético dos primeiros se evaporou. Estará aí a presença de outra mão?

Atrevo-me a pensar que essa parte está sob o domínio do velho paradigma cultural latino, clerical e machista. E se nega aos indígenas o direito divino de receber o corpo e o sangue de Cristo pelas mãos dos seus viri probati casados e ordenados. Eles são impedidos pela aplicação de uma lei humana eclesiástica: o celibato. Outros teólogos afirmaram, e eu enfatizo: “Não podemos colocar a questão do celibato acima da celebração da Eucaristia”.

Tenho a impressão de que essa parte do quarto sonho vem de outra mão e de outro espírito, diferente daquele a que o Papa Francisco nos acostumou. Quem confirma isso claramente é o bispo Erwin Kräutler, da Amazônia, figura central no Sínodo Pan-Amazônico: “Muitas pessoas, e eu mesmo, achamos essa parte muito estranha, porque realmente muda de estilo, como se o escrito papal tivesse sofrido uma intervenção na parte mais controversa da Exortação Apostólica”.

Nessa parte, fala não o pastor, mas sim o doutor. Mais a autoridade doutrinal que impõe uma lição teológica do que um padre que reflete a partir das urgências da sua comunidade. Não é aquele que tem a coragem de enfrentar o sistema antivida, mas sim aquele que se rende aos temores e à pressão dos grupos conservadores, possivelmente pelo risco de uma cisão dentro da Igreja. O temor sempre freia ou posterga as inovações devido a uma excessiva prudência. Isso me faz lembrar das palavras de Dante Alighieri na “Divina Comédia“: “Nel pensier rinova la paura” (Inferno I, verso 4).

Com relação ao ponto importante do ministério sacerdotal, o “autor” prefere o eclesiástico tradicional ao indígena amazônico atual. Ao rosto amazônico da Igreja, ele prefere, no ponto do ministério sacerdotal, o rosto romano-latino ocidental. À semelhança daqueles que impõem a recolonização econômica da América Latina, o “autor” preferiu a recolonização latino-romana e ocidental da Igreja amazônica. Diante daqueles que, com maioria de votos no Sínodo Pan-Amazônico, aceitaram a ordenação dos viri probati, o “autor” optou pela minoria que o rejeitou.

Para quem a “Querida Amazônia” não é querida?

Certamente, ela não é “querida” pelo presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, da extrema direita, antiamazônico e anti-indígena. Ela não é “querida” pelos madeireiros, nem pelos “garimpeiros” do ouro e pelas empresas nacionais e internacionais que pensam nas minas, nas hidrelétricas e na exploração das riquezas naturais amazônicas. Mas isso era de se esperar.

Mas o que não era de se esperar em relação à inculturação do ministério sacerdotal era a não aceitação do sacerdócio dos indígenas viri probati. Por isso, a “Querida Amazônia” não é “querida” para esses indígenas casados e impedidos de serem ordenados. Ela não é “querida” para as mulheres, às quais se nega o diaconato feminino, advertindo, além disso, de forma infundada na minha opinião, o risco de clericalismo. Ela também não é “querida” especialmente para tantos teólogos e bispos, missionários e missionárias, agentes de pastoral leigos e leigas que estão no meio dos indígenas, como manifestou claramente o já referido bispo Erwin Kräutler desde o coração da Amazônia (Xingu). Todos esperavam verdadeiramente a aprovação dos viri probati: indígenas, homens casados e ordenados com rosto verdadeiramente amazônico. O bispo Kräutler postulava mais: a ordenação de personae probatae (pessoas comprovadas) para incluir as mulheres no ministério sacerdotal, exercido à sua maneira feminina.

Não foi assim. Nos seus textos sobre ecologia e economia, o Papa Francisco soube escutar a ciência. No que se refere a esse ministério sacerdotal específico, o “autor” parece não ter se permitido consultar uma pessoa especialista no tema dos ministérios, o cardeal Walter Kasper, amigo e muito próximo do Papa Francisco. Em seus escritos, ele expôs as melhores reflexões sobre a função/missão do presbítero na Igreja, baseado no Vaticano II. Sua posição vai em uma direção muito diferente da que está representada pelo “autor” na exortação “Querida Amazônia”. Com essa visão que mantém o regime ocidental, clerical e celibatário, não se pode pensar uma Igreja amazônica de rosto verdadeiramente indígena.

A especificidade do sacerdote não é concentrar poder, mas sim coordenar e presidir a comunidade

A visão desse texto no quarto sonho remonta ao Concílio Lateranense IV, de 1215, sob Inocêncio III, que afirma “nemo potest conficere sacramentum nisi sacerdos rite ordinatus” (“ninguém pode realizar o sacramento eucarístico a menos que seja sacerdote, ordenado segundo o rito”). A eclesiologia desse sonho segue o rigor do Concílio de Trento, que, na sessão XIII de 11 de outubro de 1551, sob o Papa Júlio III, reafirmou a mesma doutrina exclusivista.

De acordo com a melhor eclesiologia nascida do Concílio Vaticano II, a função/missão específica do presbítero deve ser pensada não de forma absoluta, mas sempre dentro do Povo de Deus e no contexto da comunidade.

Sua singularidade não é consagrar absolutamente, como se fosse um mágico, mas ser na comunidade princípio de coesão e de unidade de todos os serviços e carismas. Não é concentrar, mas sim coordenar e presidir. Pelo fato de presidir a comunidade, ele também preside a celebração eucarística.

O problema surge quando, sem culpa, não há um sacerdote presente, e a comunidade, como reconhece a exortação, “devido em parte à imensa extensão territorial, com muitos lugares de difícil acesso” (n. 85) não pode tê-la.

No texto, levanta-se com grande realismo o problema, e aqui aparece a mão do Papa Francisco: “Será possível evitar de pensar numa inculturação do modo como se estruturam e vivem os ministérios eclesiais?” (n. 85). E acrescenta com sinceridade: “É necessário conseguir que o ministério se configure de tal maneira que esteja ao serviço duma maior frequência da celebração da Eucaristia, mesmo nas comunidades mais remotas e escondidas” (n. 86). Essa situação é absolutamente verdadeira. Mas o “autor” não a considerou assim e não propiciou a configuração do ministério como seria necessário.

É aqui que a eclesiologia de comunhão podia ter ajudado muito o “autor” na sua concepção do poder de consagrar. Ela predominou em todo o primeiro milênio, como a pesquisa histórica demonstrou inequivocamente.

Durante mil anos, quem presidia a comunidade presidia também a Eucaristia

A lei básica naqueles tempos era: quem preside a comunidade presida também a Eucaristia. Podia ser um bispo, um presbítero, um profeta ou um confessor, até um leigo, segundo Tertuliano, que era um exímio teólogo leigo.

Se isso é verdade, por que negar a um indígena casado que presida a sua comunidade e presida também a celebração eucarística?

Nessa parte, realiza-se aquilo que os eclesiologistas chamam de “cefalização” da Igreja. Todo poder se concentra na “cabeça”(cefalização) no papa ou no clero, dispensando totalmente a comunidade.

Nessa visão reducionista, o “autor” pensou apenas no sacerdote com o poder de consagrar de forma exclusiva e absoluta, sem conexão com a comunidade. Então, surge uma contradição:

Um sacerdote pode celebrar sozinho, sem a comunidade, mas a comunidade não pode celebrar sozinha sem o sacerdote.

Nos mil anos seguintes, só consagra quem é ordenado no Sacramento da Ordem

Essa visão deriva não de questões teológicas, mas sim de questões políticas: as disputas de poder entre o Imperium e o Sacerdotium, entre os papas e os imperadores. Quem tem, em última instância, o poder? Isso aparece claramente sob Gregório VII (1077). Com ele, deslocou-se o eixo da comunidade para o eixo do poder sagrado (sacra potestas). O poder absoluto é detido pelo papa. Lembremos o seu Dictatus Papae que, bem traduzido, é: “A ditadura do papa”. Todo poder está na cabeça, isto é, no papa e a quem ele delega. Os portadores do poder sagrado serão exclusivamente os ordenados no sacramento da Ordem, isto é, os da hierarquia eclesiástica. Só o sacerdote ritualmente ordenado celebra a Eucaristia. A comunidade dos fiéis já não conta mais.

O padre J. Y. Congar, o mais erudito e notável eclesiologista do século XX, denunciou esse perigoso desvio teológico com consequências prejudiciais para toda a eclesiologia subsequente, que perdura até hoje em dia. Na exortação “Querida Amazônia”, ainda ressoa esse tipo de eclesiologia do poder desgarrada da comunidade.

Por isso, não deixam de causar perplexidade as afirmações: “Por isso, é importante determinar o que é mais específico do sacerdote, aquilo que não se pode delegar. A resposta está no sacramento da Ordem sacra, que o configura a Cristo sacerdote. (…) este caráter exclusivo recebido na Ordem deixa só ele habilitado para presidir à Eucaristia. Esta é a sua função específica, principal e não delegável” (n. 87).

É neste ponto, suponho eu com outros, em que aparece uma “mão externa”, com sua eclesiologia do poder específico e indelével de consagrar, visão sacerdotalista, tardia e desvinculada da comunidade de fé. Com essa visão, em vão se pode realizar uma inculturação do ministério sacerdotal a indígenas viri probati casados que confeririam um rosto verdadeiramente amazônico à Igreja. Mais uma vez, prolonga-se um cristianismo de colonização dentro do paradigma romano-católico, ocidental e celibatário.

Para sanar esse tipo de recolonização, é preciso voltar à eclesiologia do primeiro milênio, que estabelecia uma conexão íntima entre a comunidade e seu presidente. Não se deve esquecer o cânone 6 do Concílio de Calcedônia (451), válido para a Igreja oriental até hoje e para a ocidental apenas até o século XII-XIII. Nesta, a ocidental, tudo mudou por causa das disputas políticas pelo poder entre os papas e os imperadores. No lugar da visão comunional do primeiro milênio, impôs-se a visão jurídico-canônica da sacra potestas excludente, do início do segundo milênio. Diz o cânone 6:

“Ninguém seja ordenado de maneira absoluta, nem presbítero, nem diácono, se não lhe for designada de forma precisa uma Igreja urbana ou rural, ou um martyrion, ou mosteiro. Aqueles que foram ordenados de maneira absoluta, o Santo Concílio decidiu que sua ordenação será nula e sem valor… e não poderão exercer suas funções em parte alguma.”

Aqui aparece claramente a conexão entre a comunidade e o celebrante da Eucaristia. Agora, surge um problema teológico que deve ser levado a sério: existe o direito divino de todos os fiéis de receber o corpo e o sangue de Jesus (Jo 6,35) e de celebrar sua memória (Lc 22,19; 1Cor 11,25). Esse direito divino não pode ser negado em razão de uma lei humana que o vincula exclusivamente a uma pessoa, ao sacerdote celibatário, sem o qual esse direito divino não pode ser realizado. O divino está sempre e sem exceção alguma acima do humano.

É Cristo quem batiza, perdoa e consagra, não o sacerdote

Por outro lado, é preciso lembrar algo com consequências fundamentais: depois do sumo sacerdócio de Cristo, não há mais sacerdotes em si na Igreja. Quem leva esse nome – sacerdote – é apenas um representante do sacerdócio de Cristo. É Cristo quem batiza, é Cristo quem perdoa, é Cristo quem consagra. O sacerdote não tem em si mesmo o poder de consagrar. Somente o de representar e de agir “in persona Cristi”, no lugar de Cristo, mas sem substituí-lo. O sacerdote torna visível o Cristo Sacerdote invisível.

Por que, na ausência do sacerdote, por razões que não dependem da comunidade, outro cristão leigo, “vir probatus” pela comunidade e casado, não pode representar a Cristo, torná-lo visível, uma vez que, pelo batismo, ele também participa do sacerdócio de Cristo?

Além disso, o Concílio Vaticano II, resumindo a Tradição, diz acertadamente: “Nenhuma comunidade cristã se edifica sem ter a sua raiz e o seu centro na celebração da santíssima Eucaristia” (Presbyterorum Ordinis, n. 6).

Negando a ordenação dos viri probati indígenas, também lhes é negada a possibilidade de edificar a comunidade cristã. Esse direito divino não lhes pode ser negado em nome de uma lei humana e cultural como o celibato e por uma eclesiologia, entre outras, que entende como exclusivo o poder de consagrar.

Aqui, então, não vale a inculturação tão convincentemente desenvolvida na exortação “Querida Amazônia”? Ela não fica impedida por razões eclesiológicas estranhas, que acabam inviabilizando o rosto indígena e amazônico da Igreja ao negar a ordenação de viri probati indígenas e casados?

As 24 Igrejas também católicas sem a lei do celibato

É esclarecedor, nesse contexto, lembrar que existem outras 24 Igrejas que também são católicas, mas não romanas, como a copta, a melquita, a maronita, a etíope, a bizantina grega, a armênia, a siríaca, a caldeia e outras. Em todas elas, há sacerdotes casados e sacerdotes celibatários. Nem por isso elas são menos Igrejas Católicas do que a romana.

Por que razão a Igreja Católica Romana é tão inflexível com relação à lei do celibato, condição para ser ordenado sacerdote? Sabemos que a lei do celibato surgiu lentamente na Igreja e que, na história, ela sempre foi um problema, sendo violada por papas, cardeais, bispos e presbíteros. E, nos últimos anos, veio à tona, nos mais altos escalões da Cúria vaticana, a violação do celibato agravada pelos crimes de pedofilia, que também são uma forma de violar o sentido do celibato.

Na exortação “Querida Amazônia”, o tema da inculturação nas culturas indígenas e amazônicas, por razões já mencionadas, não foi levado até as últimas consequências, até a raiz. Como se sabe, na cultura indígena, não existe a figura do indígena celibatário. Todos vivem com seu/sua parceiro/a. E assim seria o sacerdote indígena.

Viri probati indígenas: reféns da cultura romana, latina, ocidental e celibatária

Impedir que os viri probati índios casados sejam sacerdotes significa não se encarnar na totalidade da sua cultura. Nela, o sacramento eucarístico deveria ser celebrado por um sacerdote indígena casado. Ao não se encarnar plenamente, condenam-se os indígenas a continuar reféns, no que diz respeito ao sacramento da Ordem, da cultura romana, latina, ocidental e celibatária. Isso não é lhes fazer justiça, pois eles têm o direito divino de receber, no modo da sua cultura, a presença eucarística do Senhor.

O supplet ecclesia e o ministro extraordinário da Eucaristia: uma saída possível

Apesar dessa limitação na compreensão de quem preside a Eucaristia, a comunidade cristã pode recorrer a outro expediente eclesiológico assegurado na tradição, o famoso “supplet ecclesia”.

Esclareço: o indígena casado que já preside a comunidade pode presidir a celebração da ceia do Senhor, suprindo o sacerdote celibatário ausente, a título de “suplência da Igreja”. Ele funciona como um ministro extraordinário da Eucaristia e o faz com a intenção de estar com a Igreja (cum Ecclesia), jamais contra a Igreja (contra Ecclesiam), e de fazer tudo o que faria o sacerdote, se estivesse presente.

Toda situação extraordinária também demanda uma solução extraordinária: a legitimidade do leigo indígena e casado de presidir a celebração da ceia e a memória do Senhor. A necessidade não conhece lei. O ordo caritatis (a ordem da caridade) e a solicitude para com a salus animarum (a salvação das almas) e a oeconomia salutis (o processo histórico da salvação) sustentam teologicamente tal prática. E ela pode legitimamente ser praticada.

A mesma visão é encontrada no sistema jurídico-canônico da Igreja. O Direito Canônico diz explicitamente que a lei suprema na Igreja é sempre a “salvação da alma” (cânone 1.752). Isso não implicaria também o acesso, sem as limitações impostas por leis humanas, ao sacramento da Ordem?

É injusto manter as mulheres como cristãs inferiores

Deixemos de lado o tema do diaconato das mulheres, igualmente negado na exortação. Infelizmente, tal negação não supera, como se esperava, a questão de gênero e torna as mulheres, por mais comprometidas que sejam nas comunidades, cristãs inferiores, de segunda categoria, como, aliás, afirma a cultura machista ainda dominante em relação a elas.

A Igreja poderia muito bem romper com essa tradição tão injusta seguindo a prática de Jesus. Para as mulheres, não valem os sete sacramentos; para elas, só importam seis, porque estão excluídas do Ordo.

Recordemos que São Tomás de Aquino, em sua doutrina sobre os sacramentos, afirmava que o batismo é o sacramento de iniciação à vida cristã e, simultaneamente, é a iniciação para todos os outros sacramentos e, por isso, contém os sete sacramentos. De acordo com essa compreensão do Doutor Angélico, pelo fato de ser mulher, ela, a mulher, recebe um batismo menor, porque lhe falta o conteúdo do sacramento do Ordo.

Mas não queremos esquecer um flagrante paradoxo:

Uma mulher, Miriam de Nazaré, pode gerar um filho que é o Filho de Deus. Essa mesma mulher, que gerou esse filho que é o Filho de Deus, não pode representar seu filho que é o Filho de Deus. Só pelo fato de ser mulher.

As Escrituras dizem que essa mulher, Maria, “é bendita entre todas as mulheres” (Lc 1,41). Mas parece que ela não é suficientemente bendita para representar seu próprio Filho, que é o Filho de Deus encarnado.

Acrescento também o fato de que as mulheres nunca traíram Jesus, como fizeram Pedro e os apóstolos, que o abandonaram. Elas sempre foram fiéis e foram as primeiras testemunhas do maior fato da fé, que é a Ressurreição. Somente por tais razões, elas deveriam ter um lugar central dentro da Igreja, se esta não estivesse atada à cultura latino-ocidental machista.

Nada é mais forte do que uma ideia quando alcança seu ponto de maturação

Tudo o que eu escrevi não significa uma falta de lealdade ao Papa Francisco, que é inabalável em mim. Mas vale o velho ditado: “Amicus Plato, sed magis amica veritas”. Compete ao teólogo buscar caminhos novos para problemas novos, sempre a serviço das comunidades cristãs e da própria Igreja universal.

Como já se disse, “nada é mais forte do que uma ideia quando chega o momento da sua realização”. Chegará esse momento para os viri probati indígenas e, principalmente, para as mulheres dentro da Igreja Romano-Católica. Mas como demora…

Apesar dessas limitações internas, a Exortação Apostólica “Querida Amazônia” é, neste momento crucial da crise ecológica como emergência planetária, a defesa mais decidida e valente da Amazônia, presente em nove países, fonte de vida para toda a humanidade, garantia do futuro da Terra e esperança da salvaguarda da nossa civilização.

Por isso, não deixamos de agradecer ao Papa Francisco por esse serviço profético em benefício de toda a Humanidade e por todos aqueles que amam e cuidam deste belo e esplêndido Planeta, nossa Casa Comum, a grande e generosa Mãe Terra.

                                        Anexo

              Carta do bispo emérito do Xingu, Dom Erwin Kräutler

Meu caro irmão,

Li seu artigo com imensa satisfação. Não preciso dizer-lhe que concordo com tudo que escreveu. Você traduziu em palavras claras e diretas o que a grande maioria de nós pensa. Nosso sonho não acabou. Lamentamos apenas que vamos ter que esperar ainda não sei por quanto tempo que ele se torne realidade. Infelizmente, nós já octogenários certamente não teremos mais a graça de entoar o Te Deum laudamos… agradecendo que finalmente a nossa Igreja também tem um rosto indígena.

É simplesmente absurdo pensar que isso aconteça sem que a Eucaristia seja celebrada pelos mesmos indígenas com jeito indígena, na língua indígena, na cultura indígena e nos parâmetros indígenas em relação a quem ocupa função de coordenar/presidir.

Não sei se lhe contei uma vez a minha primeira visita como bispo a uma aldeia Kayapó. À pergunta do cacique: “Aprô” – “Sua esposa” – respondi “Iprô kêt”: “sem esposa”. Olhou-me um tanto desconfiando. Outra vez fui lá e veio a mesma indagação. Aí respondi: “Onij” – tá muito longe! Aí ficou com pena. Deus certamente já me perdoou a mentirinha que certamente me aproximou mais dos indígenas. Mais tarde a mulher do cacique me adotou com “Ikra” – meu filho. Lindo não é!

Pergunto se não seria importante traduzir seu artigo para o alemão, inglês e italiano para os da extrema-direita tão agressiva dos países desses idiomas se poderem inteirar da caprichada fundamentação de seus argumentos?

Cordiais abraços,

Dom Erwin Kräutler

 

 

El día internacional de la mujer nos desafía a pensar

El Día Internacional de la Mujer, aunque en el fondo cada día es el día de la mujer, nos ofrece la oportunidad de pensar en el desafío que nos plantea el movimiento feminista mundial.

Ese movimiento más que otros ha hecho tres revoluciones: puso en cuestión el machismo, el patriarcalismo y el control de la natalidad. El machismo como la dominación del hombre sobre la vida de la mujer, que dura ya siglos. La lucha de las mujeres nos despertó hacia la cuestión de género, que envuelve relaciones de poder. Este no puede ser sólo del hombre. Debe ser compartido entre el hombre y la mujer. Evitar la división sexual del trabajo y priorizar la lógica de compartir y de coparticipar en todo el proyecto de vida a dos. De aquí surge una relación más justa y armoniosa.

En segundo lugar, el movimiento feminista ha hecho tal vez la crítica más consistente a la cultura patriarcal, que organizó toda la sociedad y las distintas instancias de la vida y también de la religión y de modo especial en la Iglesia romano-católica. El hombre asumió el poder a través del cual somete a los demás, dirige el Estado, crea la burocracia, organiza el ejército y hace guerras. Casi todos los héroes y la mayoría de las divinidades son masculinas. Él ocupa la vida pública y relega a la mujer a la vida privada y familiar. El patriarcado ha sido desmantelado teóricamente por la crítica feminista, si bien en la práctica intente siempre de nuevo dominar a la mujer. Un refugio especial del patriarcado son los medios de comunicación y el marketing, que usan a la mujer, no sólo su todo, sino las partes de ella, sus pechos, sus piernas, sus partes íntimas. Es una forma de transformar a la mujer en objeto y uso.

La gran contribución del feminismo ha sido haber mostrado que todas o casi todas las culturas que existen hoy son patriarcales. Como consecuencia mantienen la desigualdad en la relación hombre-mujer en todos los ámbitos. Sea en los USA, en Alemania o en Brasil una mujer en el mismo trabajo, incluso siendo más competente, por el hecho de ser mujer gana un 20-30% menos que el hombre que ejecuta la misma función. No basta tener conciencia de la superación teórica del patriarcado, hay que demoler sus hábitos mantenidos en las instituciones y en los comportamientos sociales.

La tercera revolución ocurrió cuando se inventó la pildora anticonceptiva y la mujer assumió el control de su cuerpo, de su sexualidad y de su maternidad. Ella no se hace fatalmente madre cuando se relaciona en tiempos fértiles. Con su compañero decide cuando quiere hacerse encinta. Eso le propició gran libertad y una forma de vivir la sexualidad sin miedos y recelos, como expresión de ternura, cariño y amor.

Pero no siempre ha sido así. El ser humano existe desde hace ya 7-8 millones de años. En la primera fase, que duró millones de años, las relaciones hombre-mujer eran de armonía y de equilibrio con la naturaleza. Contrariamente a lo que cree el pensamiento patriarcal, la verdadera convivencia humana no fue regida por la violencia de unos sobre otros sino por la solidaridad y por la cooperación. La violencia es reciente en el proceso de la antropogénesis. Comenzó con el homo faber hace dos millones de años, que en su búsqueda de alimentos, especialmente en la caza, empezó a usar el instrumento y la fuerza. Ahí el masculino pasó a ser el género predominante. Adquirió hegemonía al surgir hace 8 mil años la agricultura, los pueblos, las ciudades y los imperios. Las relaciones hombre-mujer pasaron a ser de desigualdad: él ha ocupado toda la vida pública, gobierna solo y relega a la mujer a la función de procreadora y cuidadora del hogar.

Los cambios siempre buscados culminan en el siglo XX con la segunda revolución industrial cuando la mujer entra en el dominio público porque el sistema competitivo fabrica más máquinas que machos. Desde finales del siglo XX hasta hoy, las mujeres son la mayoría en la humanidad y casi el 50% de la fuerza laboral mundial. Con esto se cierra, en cierto modo, el ciclo patriarcal y comienza un nuevo paradigma de valoración de las diferencias y de búsqueda de la igualdad, que aún debe ser alcanzada.

Las mujeres aportan algo radicalmente nuevo al sistema productivo y al Estado. No será solo competitivo y autoritario. La mujer aporta lo que vive en el dominio privado: los valores de solidaridad, de compartir y de cuidado. Milenariamente ha sido educada para el altruismo. Si un bebé no tiene a su disposición a alguien desinteresado que lo cuide, no durará ni unos días. De esta manera, la entrada de las mujeres en el dominio público masculino es condición esencial para la humanización y una mayor cooperación en el mundo del trabajo y, lo que es fundamental, ayuda a revertir el proceso de destrucción de la naturaleza y de la especie humana.

Esto quedó claro para la conciencia colectiva en el Informe de las Naciones Unidas para el Fondo de Población (UNFPA) que sostiene: “la raza humana ha estado saqueando la Tierra de manera insostenible y dar a las mujeres un mayor poder de decisión sobre su futuro puede salvar al planeta de su destrucción”. Véase que aquí no se habla de “poder de participación”, que ellas siempre han tenido, sino de “poder de decisión”.

Ellas son las que entienden de vida puesto que la generan. Serán las principales protagonistas en la decisión de una biocivilización asentada en el cuidado, la solidaridad y la lógica del corazón, sin la cual la vida no germina. Ellas, junto con los hombres que desentrañaron su dimensión de “anima” (cuidado, gentileza y amor) que se articula con la dimensión “animus” (razón, organización, dirección), presentes en proporciones propias en cada persona, pueden dar un nuevo rumbo a nuestra existencia en este planeta y alejarnos del camino sin retorno, camino de perdición.

*Leonardo Boff escribió con Rose Marie Muraro Femenino & Masculino: una nueva conciencia para el encuentro de las diferencias, Trotta, Madrid, 2013.

Traducción de Mª José Gavito Milano

Coronavirus: uma represália de Gaia,da Mãe Terra?

Hoje é um dado da consciência coletiva dos que cultivam uma ecologia integral, como tantos cientistas como Brian Swimme e o Papa Francisco em sua encíclica “Sobre o cuidado da Casa Comum” que tudo está relacionado com tudo. Todos os seres do universo e da Terra, também nós, seres humanos, somos envolvidos por redes intrincadas de relações em todas as direções de sorte que nada existe fora da relação. Esta é também a tese básica da física quântica de Werner Heisenberg e de Niels Bohr.

Isso o sabiam os povos originários como vem expresso nas palavras sábias do cacique Seattle de 1856:”De uma coisa sabemos:a Terra não pertence ao homem. É o homem que pertence à Terra. Todas as coisas estão interligadas como o sangue que une uma família; tudo está relacionado entre si. O que fere a Terra fere também os filhos e filhas da Terra. Não foi o homem que teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma.Tudo o que fizer à trama, a si mesmo fará”. Vale dizer, há uma íntima conexão entre a Terra e ser humano. Se agredimos a Terra, nos agredimos também a nós mesmos e vice-versa.

A mesma percepção tiveram os astronautas de suas naves espaciais e da Lua: Terra e humanidade constituem uma mesma e única entidade. Bem o testemunhou Isaac Asimov em 1982, a pedido do New York Times, fazendo um balanço dos 25 anos da era espacial:”O legado é a percepção de que, na perspectiva das naves espaciais, a Terra e a Humanidade formam uma única entidade (New York Times,9 de outubro de 1982). Nós somos Terra. Homem vem de húmus, terra fértil, ou o Adam bíblico significa o filho e a filha da Terra fecunda. Depois desta constatação, nunca mais sairá de nossa consciência de que o destino da Terra e da humanidade é indissociavelmente comum.

Infelizmente ocorre aquilo que o Papa em sua encíclica ecológica lamenta:”nunca maltratamos e ferimos nossa Casa Comum como nos últimos dois séculos”(n.53). A voracidade do modo de acumulação de riqueza é tão devastadora que inauguramos,dizem alguns cientistas, uma nova era geológica: a do antropoceno. Quer dizer, quem ameaça a vida e acelera a sexta extinção em massa, dentro da qual já estamos, é o próprio ser humano. A agressão é tão violenta que por ano mais de mil espécies de seres vivos desaparecem, inaugurando algo pior que o antropoceno, o necroceno: a era da produção em massa da morte. Como Terra e Humanidde estão interligadas, a produção de morte em massa se produz não só na natureza mas no interior da própria humanidade. Milhões morrem de fome, de sede, vítimas da violência bélica ou social em todas as partes do mundo. E insensíveis, nada fazemos.

Não sem razão James Lovelock, o formulador da teoria da Terra como um superorganismo vivo que se autoregula, Gaia, escreveu um livro “A vingança de Gaia”(Intrínseca 2006). Estimo que as atuais doenças como a dengue, a chikungunya, a zica virus, sars, ebola, sarampo, o atual coronavirus e a generalizada degradação nas relações humanas, marcadas pela profunda desigualdade/injustiça social e pela falta de solidariedade mínima sejam uma represália de Gaia pelas ofensas que ininterruptamente lhe infligimos. Não diria como J.Lovelock ser “a vingança de Gaia”, pois ela, como Grande Mãe não se vinga, mas nos dá severos sinais de que está doente (tufões, derretimento das calotas polares, secas e inundações etc) e, no limite, pelo fato de não aprendermos a lição, nos faz uma represália como as doenças referidas.

Evoco o livro-testamento de Théodore Monod, talvez o único grande naturalista contemporâneo, já falecido, em seu livro “E se aventura humana vier a falhar”(Paris, Grasset 2000):”Somos capazes de uma conduta insensata e demente; pode-se a partir de agora temer tudo, tudo mesmo, inclusive a aniquilação da raça humana; seria o justo preço de nossas loucuras e de nossas crueldades”(p.246).

Isso não significa que os governos do mundo inteiro, resignados, deixem de combater o coronavirus, proteger as populações e buscar urgentemente uma vacina para enfrentá-lo, não obstante suas constantes mutações. Além de um desastre econômico-financeiro pode significar uma tragédia humana, com um incalculável número de vítimas.

Mas a Terra não se contentará com estes pequenos presentes. Ela suplica uma atitude diferente face a ela: de respeito a seus ritmos e limites, de cuidado por sua sustentabilidade e de sentirmo-nos mais que filhos e filhas da Mãe Terra, mas a própria Terra que sente, pensa, ama, venera e cuida. Assim como nos cuidamos, devemos cuidar dela. Ela não precisa de nós. Nós precisamos dela. Ela pode não nos querer mais sobre sua face. E continuará a girar pela espaço sideral mas sem nós porque fomos ecocidas e geocidas.

Como somos seres de inteligência e amantes da vida, podemos mudar o rumo de nosso destino. Que o Espírito Criador nos fortaleça nesse propósito.

Leonardo Boff escreveu Cuidar da Terra- proteger a vida: como evitar o fim do mundo, Record, Rio de Janeiro 2010.

 

 

¿PARA QUIENES ES O NO ES QUERIDA LA “QUERIDA AMAZONIA”?

¿PARA QUIENES ES O NO ES QUERIDA LA “QUERIDA AMAZONIA”?

                                  Leonardo Boff*

El Papa Francisco es el campeón mundial en la defensa de la Madre Tierra y de todo lo que sostiene su supervivencia. He leído con atención y gran entusiasmo su Exhortación Apostólica “Querida Amazonia”. En ella considera un verdadero crímen lo que se está haciendo ahora en la Amazonia. Contrapone 4 sueños axiales: el social, el cultural, el ecológico y el eclesial.

Cómo no quedar encantado con afirmaciones como esta, entre otras tantas,  clara expresión de una ecología integral y cósmica:

«Somos agua, aire, tierra y vida del medio ambiente creado por Dios. Por lo tanto, pedimos que cesen los maltratos y el exterminio de la Madre Tierra. La Tierra tiene sangre y se está desangrando, las multinacionales le han cortado las venas a nuestra Madre Tierra».

Estoy plenamente de acuerdo con este tipo de lenguaje y de denuncia y especialmente con los tres primeros sueños y con la primera parte del quarto que van en la línea de la “Laudato Si: sobre el cuidado de la Casa Común”.

Quatro sueños y medio y una pesadilla

Esta primera parte del 4º sueño sigue el estilo de gran belleza de los sueños anteriores. Sin embargo, la segunda parte me parece más bien una pesadilla. El tono antes profético, ético ecológico y poético de los primeros se ha evaporado. ¿Estará ahí la presencia de otra mano?

Me atrevo a pensar que esta parte está bajo el dominio del viejo paradigma cultural latino, clerical y masculinista. Y se niega a los indígenas el derecho divino de recibir el cuerpo y la sangre de Cristo de manos de sus viri probati casados y ordenados. Son impedidos por la aplicación de una ley humana eclesiástica: el celibato. Otros teólogos lo han afirmado y yo lo enfatizo: “no podemos colocar la cuestión del celibato por encima de la celebración de la Eucaristía”.

Esa parte del cuarto sueño, tengo la impresión de que viene de otra mano y de otro espíritu, diferente de aquel al que nos tiene acostumbrados el Papa Francisco. Lo confirma claramente el obispo Erwin Kräutler, de la Amazonia, figura central en el Sínodo panamazónico: “muchas personas, y yo mismo, hallamos esta parte muy extraña porque realmente cambia de estilo, como si el escrito papal hubiera sufrido una intervención en la parte más controvertida de la Exhortación Apostólica”.

En esta parte habla no el pastor sino el doctor. Más la autoridad doctrinaria que impone una lección teológica que um cura que reflexiona a partir de las urgencias de su comunidad. No es aquel que tiene coraje para enfrentarse al sistema anti-vida, sino aquel que se rinde a los temores y a la presión de los grupos conservadores, posiblemente por el riesgo de una escisión dentro de la Iglesia. El temor siempre frena o posterga las innovaciones por excesiva prudencia. Eso me hace recordar las palabras de Dante Alighieri en la Divina Comedia: “nel pensier rinova la paura” (Inferno I, verso 4).

Con referencia al punto importante del ministerio sacerdotal, el “autor” prefiere el eclesiástico tradicional al indígena amazónico actual. Al rosto amazónico de la Iglesia prefiere, en el punto del ministerio sacerdotal, el rosto romano-latino occidental. A semejanza de los que imponen la recolonización económica de América Latina, el “autor” ha preferido la recolonización latino-romana y occidental de la Iglesia amazónica. Frente a aquellos, que, con mayoría de votos en el Sínodo panamazónico, aceptaron la ordenación de “viri probati”, el “autor” optó por la minoría que lo rechazó.

¿Por quienes no es querida la “Querida Amazonia?

Seguramente no es “querida” por el presidente de Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de extrema derecha, anti-amazónico y anti-indígenas. No es “querida” por los madereros, ni por los “garimperos” del oro y las empresas nacionales e internacionales que piensan en las minerías, en las hidroelétricas y en la explotación de las riquezas naturales amazónicas. Pero eso era de esperar.

Pero lo que no era de esperar en lo que atañe a la inculturación del ministerio sacerdotal, era la no aceptación al sacerdocio de los indigenas viri probati. Por eso la “Querida Amazonia” no es “querida” para estos indígenas casados e impedidos de ser ordenados. No es “querida” para las mujeres, a las cuales se les niega el diaconado femenino, y además advirtiendo, de forma infundada a mi juicio, del riesgo de clericalismo. Ni es “querida” especialmente para tantos teólogos y obispos, misioneros y misioneras, agentes de pastoral laicos que están en medio de los indígenas, como lo ha manifestado claramente el ya referido obispo Erwin Kräutler desde el corazón de la Amazonia (Xingú). Todos esperaban verdaderamente la aprobación de los viri probati: indígenas, hombres casados y ordenados con rostro verdaderamente amazónico. El obispo Kräutler postulaba más: la ordenación de personae probatae (personas probadas) para incluyr a las mujeres en el ministerio sacerdotal, ejercido a su manera feminina.

No ha sido así. En sus textos sobre ecología y economía el Papa Francisco ha sabido escuchar a la ciencia. En lo que atañe a este específico ministerio sacerdotal, el “autor” parece que no se permitió consultar a una persona experta en el tema de los ministerios, el cardenal Walter Kasper, amigo y muy cercano al Papa Francisco. En sus escritos expuso las mejores reflexiones sobre la función/misión del presbítero en la Iglesia, basado en el Vaticano II. Su posición va en una dirección muy diferente a la que está representada por el “autor” en la Exhortación “Querida Amazonia”. Con esta visión que mantiene el régimen occidental, clerical y celibatario, no se puede pensar una Iglesia amazónica de rostro verdaderamente indígena.

La especificidad del sacerdote no es concentrar poder sino coordinar y presidir la comunidad.

La visión de ese texto en el cuarto sueño se retrotrae al Concilio IV Lateranse de 1215 bajo Inocencio III que afirma “nemo potest conficere sacramentum nisi sacerdos rite ordinatus” (“nadie puede realizar el sacramento eucarístico a no ser que sea sacerdote, ordenado según el rito”). La eclesiología de este sueño sigue el rigor del Concilio de Trento, que en la sesión XIII del 11 de octubre de 1551, bajo el Papa Julio III, reafirmó la misma doctrina exclusivista.

Según la mejor eclesiología nacida del Concilio Vaticano II, la función/misión específica del presbítero debe ser pensada, no de forma absoluta, sino siempre dentro del Pueblo de Dios y en el contexto de la comunidad.

Su singularidad no es consagrar absolutamente, como si fuera un mago, sino ser en la comunidad principio de cohesión y de unidad de todos los servicios y carismas. No es la de concentrar sino la de coordinar y presidir Por el hecho de presidir la comunidad, preside también la celebración eucarística.

El problema surge cuando, sin culpa, no hay un sacerdote presente y la comunidad, como lo reconoce la Exhortación, “debido en parte a la inmensa extensión territorial, con muchos lugares de difícil acceso” (n.85) no puede tenerla.

En el texto se plantea con gran realismo el problema y aquí aparece la mano del Papa Francisco: “¿será posible evitar pensar en una inculturación del modo como se estructuran y viven los misterios eclesiales?” (n.85). Y añade con sinceridad: “es necesario conseguir que la ministerialidad se configure de tal manera que esté al servicio de una mayor frecuencia de la celebración de la Eucaristía, incluso en las comunidades más remotas y escondidas” (n.86). Esta situación es absolutamente verdadera. Pero el “autor” no la consideró así y no propició la configuración del ministerio como sería necesario.

Es aquí donde la eclesiología de comunión podía haber ayudado mucho al “autor”en su concepción de poder consagrar. Ella predominó en todo el primer milenio como la investigación histórica ha demostrado inequívocamente.

Durante mil años: quien presidía la comunidad, presidía también la eucaristía

La ley básica en aquellos tiempos era: quien preside la comunidad, presida también la Eucaristía. Podía ser un obispo, un presbítero, un profeta o un confesor, incluso un laico, según Tertuliano, que era un eximio teólogo laico.

Si esto es verdad, ¿por qué negarle a un indígena casado presidir su comunidad y presidir también la celebración eucarística?

En esta parte se realiza lo que los eclesiólogos llaman “cefalización” de la Iglesia. Todo poder se concentra en la “cabeza”, en el Papa o en el clero, prescindiendo totalmente de la comunidad.

En esta visión reduccionista el “autor” pensó solo en el sacerdote con el poder de consagrar de forma exclusiva y absoluta, sin conexión con la comunidad. Entonces surge una contradicción: Un sacerdote puede celebrar solo, sin la comunidad, pero la comunidad no puede celebrar sola sin el sacerdote.

En los mil años subsiguientes: sólo consagra quien es ordenado en el Sacramento del Orden.

Esta visión se deriva no de cuestiones teológicas sino de cuestiones políticas: las disputas de poder entre el Imperium y el Sacerdotium, entre los Papas y los Emperadores. ¿Quién tiene, en ultimo término, el poder? Esto aparece claramente bajo Gregorio VII (1077). Con él se desplazó el eje de la comunidad hacia el eje del poder sagrado (sacra potestas). El poder absoluto lo posee el Papa. Recordemos su Dictatus Papae que bien traducido es: La dictadura del Papa. Todo el poder está en la cabeza, es decir, en el Papa y en quien él delega. Los portadores del poder sagrado serán exclusivamente los ordenados en el sacramento del Orden, es decir, los de la jerarquía eclesiástica. Solo celebra la Eucaristia el sacerdote ritualmente ordenado”. La comunidad de los fieles ya no cuenta más.

El padre J. Y. Congar, el más erudito y notable eclesiólogo del siglo XX, denunció esta peligrosa desviación teológica con consecuencias perjudiciales para toda la eclesiología posterior, que perdura hasta hoy día. En la Exhortación “Querida Amazonia” resuena todavía este tipo de eclesiología del poder desgarrada de la comunidad.

Por eso no dejan de causar perplejidad las afirmaciones: “es importante determinar lo que es específico del sacerdote, aquello que no se puede delegar. La respuesta está en el sacramento del Orden sacro, que lo configura a Cristo sacerdote… El carácter exclusivo recibido en el Orden le deja habilitado solo a él para presidir la Eucaristía; esta es su función específica, principal y no delegable” (n.87).

Es en este punto, supongo yo con otros, en donde aparece una “mano exterior”, con su eclesiología del poder específico e indelegable de consagrar, visión sacerdotalista, tardía y desvinculada de la comunidad de fe. Con esta visión en vano se puede realizar una inculturación del ministerio sacerdotal a indígenas viri probati casados que conferirían un rostro verdaderamente amazónico a la Iglesia. Una vez más se prolonga un cristianismo de colonización dentro del paradigma romano-católico, occidental y celibatario.

Para sanar este tipo de recolonización hay que volver a la eclesiología del primer milenio que establecía una conexión íntima entre la comunidad y su presidente. No hay que olvidar el canon 6 del Concilio de Calcedonia (451), válido para la Iglesia oriental hasta hoy y para la occidental solo hasta el siglo XII-XIII. En esta, la occidental, todo cambió por las disputas políticas sobre el poder entre los Papas y los Emperadores. El lugar de la visión comunional del primer milenio se impuso la visión jurídico-canónica de la sacra potestas excluyente, de los inicios del segundo milenio. Dice el canon 6:

Nadie sea ordenado de manera absoluta, ni un sacerdote ni un diácono, si no le fuere asignado de forma precisa una iglesia urbana o rural o un martyrion o monasterio. Aquellos que fueron ordenados de forma absoluta, el santo Concilio decidió que su ordenación será nula y no acaecida… y no podrán en parte alguna ejercer sus funciones”.

Aquí aparece clara la conexión entre la comunidad y el celebrante de la Eucaristía. Ahora emerge un problema teológico que debe ser tomado en serio: existe el derecho divino de todos los fieles de recibir el cuerpo y la sangre de Jesús (Jn 6,35) y de celebrar su memoria (Lc 22,19; 1Cor 11,25).

Este derecho divino no puede ser negado en razón de una ley humana que lo vincula exclusivamente a una persona, al sacerdote célibe, sin el cual este derecho divino no puede realizarse. Lo divino está siempre y sin ninguna excepción por encima de lo humano.

Es Cristo quien bautiza, perdona y consagra y no el sacerdote.

Por otra parte hay que recordar algo con consecuencias fundamentales: después del sumo sacerdocio de Cristo no hay más sacerdotes in se en la Iglesia. Quien lleva este nombre –sacerdote– es solamente un representante del sacerdocio de Cristo. Es Cristo quien bautiza, es Cristo quien perdona, es Cristo quien consagra. El sacerdote no tiene en sí mismo el poder de consagrar. Solamente el de representar y de actuar “in persona Cristi”, en lugar de Cristo, pero sin sustituirlo. El sacerdote hace visible a Cristo-Sacerdote invisible.

¿Por qué en ausencia del sacerdote, por razones que no dependen de la comunidad, otro cristiano laico, “vir probatus” por la comunidad y casado, no puede representar a Cristo, hacerlo visible, una vez que, por el bautismo, también él participa del sacerdocio de Cristo?

Además el Concilio Vaticano II, resumiendo la Tradición dice con acerto: no se edifica ninguna comunidad cristiana si ella no tiene como raíz y centro la celebración de la Santísima Eucaristía” (PO 6).

Negando la ordenación de viri probati indígenas, se les niega la posibilidad de edificar la comunidad cristiana. Este derecho divino no se les puede negar en nombre de una ley humana y cultural como el celibato y por una eclesiología, entre otras, que entiende como exclusivo el poder de consagrar. ¿Aquí entonces no vale la inculturación tan convincentemente desarrollada en la Exhortación “Querida Amazonia”? ¿No se impide esta por razones eclesiológicas extrañas, que terminan por inviabilizar el rostro indigena y amazónico de la Iglesia al negar la ordenación de viri probati indígenas y casados?

 

Las 24 Iglesias también católicas sin la ley del celibato

Es iluminador en este contexto recordar que hay otras 24 Iglesias, que son también católicas pero no romanas, como la copta, la melquita, la maronita, la etíope, la bizantina griega, la armenia, la siríaca, la caldea y otras. En todas ellas hay sacerdotes casados y sacerdotes célibes. No por eso ellas son menos iglesias católicas que la romana.

¿Por qué razón la Iglesia católica romana es tan inflexible con referencia a la ley del celibato, condición para ser ordenado sacerdote? Sabemos que la ley del celibato surgió lentamente en la Iglesia y que en la historia ha sido siempre un problema, siendo violada por papas, cardenales, obispos y presbíteros. Y en los últimos años ha salido a la luz, en los más altos eslabones de la Curia vaticana, la violación del celibato, agravada por los crímenes de pedofilia, que son también una forma de violar el sentido del celibato.

En la Exhortación “Querida Amazonia” el tema de la inculturación en las culturas indígenas y amazónicas, por razones ya aducidas, no ha sido llevado hasta las últimas consecuencias, hasta la raíz. Como se sabe, en la cultura indígena no existe la figura del indígena célibe. Todos viven con su pareja. Y así sería el sacerdote indígena.

Los viri probati indígenas: rehenes de la cultura romana, latina, occidental y celibataria.

Impedir que viri probati indígenas casados sean sacerdotes significa no encarnarse en la totalidad de su cultura. En ella el sacramento eucarístico debería ser celebrado por un sacerdote indígena casado. Al no encarnarse en plenitud, se condena a los indígenas a continuar rehenes, en lo que atañe al sacramento del Orden, de la cultura romana, latina, occidental y celibataria. Esto es no hacerles justicia, pues tienen el derecho divino de recibir, en el modo de su cultura, la presencia eucarística del Señor.

El supplet Eclesia y el ministro extraordinario de la Eucaristía

A pesar de esta limitación en la comprensión de quien preside la eucaristía, la comunidad cristiana puede recurrir a otro expediente eclesiológico asegurado en la tradición, el famoso “supplet ecclesia”. Aclaro: el indígena casado que ya preside la comunidad, puede presidir la celebración de la cena del Señor supliendo al sacerdote célibe ausente a título de “suplencia de la Iglesia”. Él funciona como ministro extraordinario de la Eucaristía y lo hace con la intención de estar con la Iglesia (cum Ecclesia), jamás contra la Iglesia (contra Ecclesiam), y de hacer todo lo que haría el sacerdote si estuviera presente.

Toda situación extraordinaria demanda también una solución extraordinaria: la legitimidad del laico indígena y casado de presidir la celebración de la cena y la memoria del Señor. La necesidad no conoce ley. El ordo caritatis (el orden de la caridad) y la solicitud para la salus animarum (para la salvación de las almas) y la oeconomía salutis (el proceso historico de la salvación) sustentan teológicamente tal práctica.

La misma visión se encuentra en el sistema jurídico-canónico de la Iglesia. El Derecho Canónico dice explícitamente que la ley suprema en la Iglesia es siempre la “salvación del alma” (canon 1752). ¿Esto no implicaría también el acceso sin las limitaciones impuestas por leyes humanas al sacramento del Orden?

Es injusto mantener a las mujeres como cristianas inferiores

Dejemos aparte el tema del diaconado de las mujeres, igualmente negado en la Exhortación. Tal negación no supera, desgraciadamente como se esperaba, la cuestión de género y hace a las mujeres, por más comprometidas que estén en las comunidades, cristianas inferiores, de segunda categoría, como lo afirma además la cultura machista todavía dominante con referencia a ellas. Bien se podría romper en la Iglesia con esta tradición tan injusta. Para las mujeres no valen los 7 sacramentos; para ellas solamente cuentan 6 porque están excluidas del Ordo.

Recordemos que Santo Tomás de Aquino, en su doctrina sobre los sacramentos, afirmaba que el bautismo es el sacramento de iniciación a la vida cristiana y simultáneamente es la iniciación para todos los demás sacramentos y por eso contiene los 7 sacramentos. Según esta comprensión del Doctor Angélico, por el hecho de ser mujer, esta, la mujer, recibe un bautismo menor porque le falta el contenido del sacramento del Ordo.

Pero no queremos olvidar una flagrante paradoja: una mujer puede engendrar un hijo que es el Hijo de Dios. Esta misma mujer, que ha engendrado a este hijo que es el Hijo de Dios, no puede representar a su hijo que es Hijo de Dios. Solo por el hecho de ser mujer. Las Escrituras dicen que esta mujer, María, “es bendita entre todas las mujeres” (Lc 1,41). Pero parece que no es suficientemente bendita para representar a su propio Hijo que es el Hijo de Dios encarnado.

Añado también el hecho de que las mujeres nunca traicionaron a Jesús, como lo hicieron Pedro y los apóstoles, que lo abandonaron. Fueron siempre fieles y fueron ellas las primeras testigas del hecho mayor de la fe, que es la Resurrección. Solamente por tales razones deberían tener un lugar central dentro de la Iglesia si esta no estuviera atada a la cultura latino-occidental masculinista.

Nada es más fuerte que una idea cuando alcanza su punto de maduración

Todo lo que he escrito no significa una falta de lealtad al Papa Francisco, que es inquebrantable en mí. Pero vale el dicho antiguo: Amicus Plato, sed magis amica veritas. Compete al teólogo buscar caminos nuevos para problemas nuevos, siempre al servicio de las comunidades cristianas y de la propia Iglesia universal.

Como ya se dijo: “nada es más fuerte que una idea cuando llega el momento de su realización”. Llegará este momento para los viri probati indígenas y principalmente para las mujeres dentro de la Iglesia romano-católica. Pero cómo se demora…

A pesar de estas limitaciones internas, la “Exhortación Apostólica Querida Amazonia” es, en este momento crucial de la crisis ecológica como emergencia planetaria, la más decidida y valiente defensa de la Amazonia, presente en 9 países, fuente de vida para toda la humanidad, garantía del futuro de la Tierra y esperanza de la salvaguardia de nuestra civilización. Por eso no acabamos de agradecer al Papa Francisco este servicio profético en beneficio de toda la Humanidad y para todos aquellos que aman y cuidan este bello y esplendoroso Planeta, nuestra Casa Común, la grande y generosa Madre Tierra.

*Leonardo Boff es eclesiólogo de Brasil y entre otros libros de eclesiología ha escrito: Die Kirche als Sakrament im Horizont der Welterfahrung, Padeborn 1972; Eclesiogénesis: la reinvención de la Iglesia, Record, Rio de Janeiro 2008 y Dabar, México 2009; Iglesia: carisma y poder, Vozes 1982, Borla 1985; La Iglesia se hizo pueblo, Vozes 1984; Nuevas fronteras de la Iglesia, Verus 1986.

Gracias a María José Gavito Milano que há mejorado mi español.                                   

                                           ANEXO

         Carta do bispo emérito do Xingú Dom Erwin Kräutler

Meu caro irmão,

Li seu artigo com imensa satisfação. Não preciso dizer-lhe que concordo com tudo que escreveu. Você traduziu em palavras claras e diretas o que a grande maioria de nós pensa. Nosso sonho não acabou. Lamentamos apenas que vamos ter que esperar ainda não sei por quanto tempo que ele se torne realidade. Infelizmente, nós já octogenários certamente não teremos mais a graça de entoar o Te Deum laudamos… agradecendo que finalmente a nossa Igreja também tem um rosto indígena.

É simplesmente absurdo pensar que isso aconteça sem que a Eucaristia seja celebrada pelos mesmos indígenas com jeito indígena, na língua indígena, na cultura indígena e nos parâmetros indígenas em relação a quem ocupa função de coordenar/presidir.

Não sei se lhe contei uma vez a minha primeira visita como bispo a uma aldeia Kayapó. À pergunta do cacique: “Aprô“ – “Sua esposa“ – respondi “Iprô kêt“: “sem esposa”. Olhou-me um tanto desconfiando. Outra vez fui lá e veio a mesma indagação. Aí respondi: „Onij“ – tá muito longe! Aí ficou com pena. Deus certamente já me perdoou a mentirinha que certamente me aproximou mais dos indígenas. Mais tarde a mulher do cacique me adotou com „Ikra“ – meu filho. Lindo não é!

Pergunto se não seria importante traduzir seu artigo para o alemão, inglês e italiano para os da extrema-direita tão agressiva dos países desses idiomas se poderem inteirar da caprichada fundamentação de seus argumentos?

Cordial abraços,

Dom Erwin Kräutler