Leão XIV:o grande desafio, a desociedentalização e a despatriarcalização da Igreja.

Leonardo Boff

Confesso que fiquei surpreso com a nomeação do Cardeal norte-americano-peruano Provost ao surpremo pontificado da Igreja. Isso por ignorância minha.Depois ao informar-me melhor, vendo youtubes e falas dele no meio do povo, de pé em plena inundação de uma cidade peruana e seu cuidado especial para com os indígenas (a maioria dos peruanos) me dei conta de que ele realmente pode ser a garantia da continuidade do legado do Papa Francisco. Não terá o carisma dele, mas será ele mesmo, mais contido e tímido mas muito coerente com suas posições sociais, inclusive críticas face ao presidente Trump e ao seu vice. Não sem razão que o Papa Francisco o chamou de sua diocese de pobres no Peru e o convocou para uma função importante na administração do Vaticano. Leão XIV viveu grande parte de sua vida fora dos EUA, por muitos anos como missionário e depois como bispo no Peru, onde certamente colheu farta experiência de outra cultura e da situação social pobre da maioria da população. Explicitamente confessou que se identificou com aquele povo a ponto de naturalizar-se peruano.

Sua primeira fala ao público foi contra minhas expectativas iniciais. Foi um discurso piedoso e feito para o interno da Igreja. Nunca ocorreu a palavra pobre, menos ainda libertação, ameaças à vida e o clamor ecológico. O tema forte foi a paz especialmente “desarmada e desarmante”, suave crítica ao que está ocorrendo nos dias de hoje de forma dramática como a guerra na Ucrânia e o genocídio, a céu aberto, de milhares de inocentes crianças e civis na Faixa de Gaza. Pareceria que tudo isso não estivesse na consciência do novo Papa. Mas estimo que tudo isso voltará em breve, pois tais tragédias foram  tão fortes nos discursos do Papa Francisco, seu grande amigo, que ainda devem ressoar nos ouvidos do  novo Papa.

O Papa Francisco como jesuíta possuía um raro senso de política e do exercício do poder, pelo famoso “discernimento do espírito”, categoria central da espiritualidade inaciana. Minha pressuposição é que ele viu no Cardeal Provost um possível sucessor seu. Não pertencia à velha e já decadente cristandade europeia, vinha do Grande Sul, com a experiência pastoral e teológica madurada na periferia da Igreja, no caso do Peru, onde com Gustavo Gutiérrez, nasceu e se desenvolveu a teologia da libertação.

Seguramente, com sua maneira suave e seu caráter afeito a escutar e a dialogar, levará avante os desafios assumidos  e as inovações enfrentadas pelo Papa Francisco, o que não é o caso de aqui enumerá-las.

Mas terá outros desafios, no meu ponto de vista, nunca tomados a sério  pelas intervenções dos papas anteriores: como desocidentalizar e despatriarcalizar a Igreja Católica face à nova fase da humanidade. Ela se caracteriza pela planetização da humanidade (não só em sentido econômico, agora perturbada por Trump) que, de fato está ocorrendo a passos cada vez mais rápidos em termos políticos, sociais, tecnológicos, filosóficos e espirituais. Nesse processo acelerado, a Igreja Católica em sua institucionalidade e na forma como se estruturou hierarquicamente, comparece como uma criação do Ocidente. Isso é inegável. Por detrás de tudo, está o clássico direito romano, o poder dos imperadores com seus símbolos, ritos e forma de exercício do poder centralizado num autoridade máxima, o Papa,”com o poder ordinário, máximo, pleno, imediato e universal”(cânon 331), atributos que, na verdade, caberiam somente a Deus. Acresce ainda sua infalibilidade em assuntos de fé e moral. Mais longe não se poderia ir. O Papa Francisco conscientemente se afastou deste paradigma e começou a inaugurar outro modelo de Igreja simples e pobre e em saída para o mundo.

Isso não tem nada a ver com o Jesus histórico,pobre, pregador de um sonho absoluto, o Reino de Deus e severo crítico a todo o poder. Mas foi o que ocorreu: com a erosão do império romano,os cristãos, feitos Igreja, com alto senso de moralidade, assumiram a reordenação do império romano que atravessou séculos. Mas isso é criação da cultura ocidental. A mensagem originária de Jesus, seu evangelho, não se exaure nem se identifica com esse tipo de encarnação, pois a mensagem de Jesus é de abertura total a Deus como Abba (paizinho querido), ilimitada misericórdia, o amor incondicional até aos inimigos, a compaixão pelos caídos nas estradas da vida e a vida como serviço aos demais. O atual Papa Leão XIV não ficará imune a este desafio. Queremos ver e apoiar a sua coragem e fortaleza para enfrentar os tradicionalistas e dar passos na referida direção.

Um grande, imenso desafio para qualquer Papa, é relativizar essa forma de organizar o cristianismo para que possa ganhar novos rostos nas várias culturas humanas. O Papa Francisco deu largos passos nesta direção. O atual novo Papa acenou para este diálogo em sua fala inaugural. Enquanto não se caminhe firmemente nesta desocidentalização, para muitos países o Cristianismo será sempre coisa do Ocidente. Foi cúmplice da colonização de África, das Américas e da Ásia e assim ainda é visto assim pelas inteligências dos países que foram colonizados.

Outro desafio não menor consiste na despatriarcalização da Igreja.Ele já foi referido acima. Na direção da Igreja só existem homens e estes celibatários e ordenados no sacramento da Ordem (padre a Papa). O fator patriarcal é visível na negação às mulheres ao sacramento da Ordem. Elas compõe, de longe,  a maioria dos fiéis e são as mães e as irmãs da outra metade, dos homens da Igreja e da humanidade. Essa exclusão machista fere o corpo eclesial e coloca em xeque a universalidade da Igreja. Enquanto não se abre  a possibilidade às mulheres, como ocorreu em quase todas as igrejas, de acenderem ao sacerdócio ela mostra seu arraigado patriarcalismo e sua marca de um Ocidente cada vez mais um Acidente na história universal.

Junto a isso a manutenção obrigatória do celibato (feito lei) faz com que o caráter patriarcal ainda se radizalize mais e favoreça o antifeminismo que se nota em estratos da hierarquia eclesiástica. Como é apenas uma lei humana e histórica e não divina, nada obsta que seja abolida e se permita o celibato opcional.

Estes e muitos outros desafios deverá o novo Papa enfrentar, pois cresce mais e mais na consciência dos fiéis o sentido evangélico de participação (a sinodalidade) e da igualdade em dignidade e direitos de todos os seres humanos,homens e mulheres. Por que na Igreja Católica deveria ser diferente?

Estas reflexões pretendem ser um desafio permanente a ser enfrentado por quem foi escolhido para o mais alto serviço de animação da fé e de direção dos caminhos da comunidade cristã como a figura do Papa. Chegará o tempo em que a força destas mudanças se fará tão exigente que ela ocorrerá. Então será uma nova primavera da Igreja que se tornará tanto mais universal quanto mais assumirá questões universais e dará a sua contribuição para respostas humanizadoras.

Leonardo Boff é teólogo e escreveu:Eclesiogênese:a reinvenção da Igreja, Record 2008.

Con Trump nos esperan tiempos dramáticos

Leonardo Boff*

No tengo facultades de adivinación o de augurio, pero siempre me he preguntado qué proyecto se oculta detrás de las políticas visibles de un jefe de estado. Así, el día 28/6/2018 escribí un texto sobre Trump (gobernó de 2017-2021) y los tiempos dramáticos que podríamos esperar. Ahora con su reelección me doy cuenta de que si lo que escribí entonces era dramático, ahora se ha vuelto trágico para toda la humanidad.

            Estamos todos bajo varias amenazas: la nuclear, la escasez de agua potable en vastas regiones del mundo, el calentamiento global creciente, las dramáticas consecuencias de la sobrecarga de los bienes y servicios naturales indispensables para la vida (Earth Overshoot Day).

            A estas amenazas se añade otra no menos peligrosa, ya señalada por varios analistas mundiales como los premios Nobel Paul Krugman y Joseph Stiglizt y reforzadas ahora en 2025 por Noam Chomsky y Jeffrey Sachs. Nadie sabe en qué va a parar la guerra comercial entre USA y China. Según Noam Chomsky normalmente culmina en una guerra real que ahora sería letal y final.

            Recientemente un economista ítalo-argentino, Roberto Savio, cofundador y director general del Inter Press Service (IPS), ahora emérito, escribió un artículo que nos debe hacer pensar, con el título: Trump vino para quedarse y cambiar el mundo (ALAI-América Latina en Movimiento del 20 de junio de 2018). Efectivamente ha puesto el mundo patas arriba. Savio afirma que Trump no es la causa del nuevo desorden mundial. Es más bien un síntoma. El síntoma de los tiempos en que los valores civilizatorios que daban cohesión a un pueblo y a las relaciones internacionales han sido simplemente anulados. Lo que cuenta es el voluntarismo narcisista de un poderoso jefe de Estado, Trump, que en el lugar de estos valores colocó, pura y simplemente, el dinero y los negocios. Son éstos los que definitivamente cuentan. Lo demás son cosas irrelevantes para el dominio del mundo.

            America first debe ser interpretado como sólo América y sus intereses mundiales cuentan. En nombre de este propósito, ya preanunciado en su campaña, Trump ha roto tratados comerciales con viejos aliados europeos, la Alianza del Transpacífico, y ha abierto una arriesgada guerra comercial con su mayor rival, China, imponiendo aranceles de importación a productos que suman miles de millones de dólares, además de cobrar impuestos sobre el acero y otros productos a otros países como Brasil.

            Es propio de figuras autoritarias y narcisistas hacer de menos a las legislaciones. Cuando les conviene pasan por encima de ellas, sin dar mayores razones. Para Trump vale más la invención de «una verdad» que la verdad factual misma. Las fakenews son un recurso presente en sus twitters. Según Fact Checker, desde que asumió la presidencia, ha dicho unas 3.000 mentiras. La verdad y la mentira valen para él en la medida que respaldan sus intereses. Curiosamente en 2024 ganó los principales pleitos, y tiene la aprobación de parte de la opinión pública del Partido Republicano.

            No tolera críticas, y se ha rodeado de asesores serviles que le dicen «sí» a todo, bajo riesgo de ser despedidos sumariamente. Y de la persona más rica del mundo, Elon Musk, de las más arrogantes y vacías de pensamiento y de sentimiento.

            Reelegido, su estilo de gobierno y la negación de toda ética pueden tornarse irreversibles. No olvidemos que Hitler y Mussolini también fueron elegidos y crearon sus mentiras, vendidas como «verdades» a todo un pueblo. Frente a un mundo marcado por la xenofobia, por la exclusión de miles y miles de inmigrantes y refugiados, por la afirmación exacerbada de los valores nacionales en desprecio de los valores de los otros.

            Tales actitudes, transformadas en políticas oficiales, pueden ser fuente de graves conflictos, cuyo «crescendo» puede incluso amenazar a la especie humana. Cerca de 1300 psicoanalistas y psiquiatras norteamericanos han denunciado desvíos psicológicos graves en la personalidad de Trump.

            Cómo será el destino de la humanidad en manos de un narcisista de este tipo, cuyo paralelo sólo se encuentra en Nerón, que se divertía presenciando el incendio de Roma, con la diferencia de que ahora no se trata de un incendio cualquiera, sino del incendio de toda la Casa Común. Como es imprevisible y en cualquier momento puede cambiar de posición, nos preguntamos, entre asustados y horrorizados, cuáles serán sus próximos pasos.

Que Dios, que se anunció como “el apasionado amante de la vida” (Sabiduría 11,26) nos libre de las tragedias que pueden ocurrir, dada la irracionalidad de alguien que anuncia “un solo mundo y un solo imperio y América en primer lugar” (el imperio norteamericano).

*Leonardo Boff es teólogo filósofo y escritor, y ha escrito  Salvar la Tierra-proteger la vida: cómo escapar del fin del mundo, Record, RJ 2010.

Traducción de Mª José Gavito Milano

Konflikte im Konklave: Spiegel der Weltkonflikte

Leonardo Boff

Wir leben in einem Wirbelsturm von Konflikten und Bedrohungen, wie es ihn in der Geschichte der Menschheit selten gegeben hat. Zwei skandalöse Tatsachen erfüllen uns mit Empörung und Scham: der Völkermord unter freiem Himmel, der in Netanjahus grausamem Krieg gegen das palästinensische Volk im Gazastreifen weitergeht. Dieses Verbrechen gegen die Menschlichkeit wird von einer Koalition von Kräften verübt, deren Wurzeln im Christentum liegen: die europäische Gemeinschaft und ein ehemaliger katholischer Präsident, Joe Biden, und ein anderer, der sich ebenfalls als Katholik präsentiert, von der perversesten Art, Donald Trump. Künftige Geschichtsbücher (wenn es überhaupt noch Geschichte geben wird) werden diese unsägliche Grausamkeit schonungslos anprangern.

Wir wissen nicht, ob die andere Tatsache lächerlicher ist als ein unlustiger Scherz oder ob es sich um eine wahre Aussage handelt: Donald Trump hat sich zum Präsidenten der USA und der Welt, ich wiederhole, zum Präsidenten der Welt, ausgerufen. Wir haben den Eindruck, dass wir uns in den dekadenten Zeiten der römischen Kaiser befinden, von denen die meisten verrückt waren und zu solchen Dummheiten fähig.

Trump führt einen Krieg gegen die gesamte Menschheit, denn er hat mit allen gebrochen, mit Freund und Feind gleichermaßen, und will sich als Herr der Welt aufspielen, ohne jede Chance auf Erfolg, denn die Menschheit ist weise und wird sich gegen eine solche Arroganz zu wehren wissen.

Ich erwähne diese unheilvollen Ereignisse, weil wir uns im Kontext eines Konklaves der Kardinäle befinden, die zusammengekommen sind, um den Nachfolger von Papst Franziskus zu wählen. Seien wir nicht naiv: Trotz der geheimnisvollen Gegenwart des Heiligen Geistes brechen auch im Inneren, verschlossen, Konflikte auf. Sie sind in gewisser Weise natürlich, denn die katholische Kirche als religiöse Institution ist nicht um das Buch der Evangelien herum organisiert, sondern um die sacra potestas (heilige Macht). Seit dem 3. Jahrhundert ist die Macht, ein Erbe der römischen Kaiser, die zentrale Kategorie, die die kirchliche Institutionalität prägt. Und dieser Zustand hält bis heute an, und zwar so sehr, dass der kleine Vatikanstaat die einzige noch existierende absolute Monarchie ist. Sehen Sie, was das Kirchenrecht in Kanon 331 über das Oberhaupt der Kirche sagt: „Der Hirte der Universalkirche (der Papst) hat die ordentliche, höchste, volle, unmittelbare und universelle Macht in der Kirche.“ Diese Macht wird später noch durch die Eigenschaft verstärkt, dass der Papst in Fragen der Lehre und Moral unfehlbar sei. Kann ein sterblicher und sündiger Mensch wie jeder andere alle diese Eigenschaften in sich tragen, die in Wahrheit nur Gott zustehen?

Diejenigen, die sich von der Macht leiten lassen, ganz gleich, wie sie bezeichnet wird, ob politisch, wirtschaftlich oder religiös, gehorchen dieser Logik, die der große Machttheoretiker Hobbes so gut formuliert hat:

„Ich stelle als allgemeine Tendenz aller Menschen ein immerwährendes und rastloses Verlangen nach Macht und mehr Macht fest, das erst mit dem Tod aufhört. Der Grund dafür liegt nicht in einem intensiveren Vergnügen, das man sich erhofft, sondern in der Tatsache, dass die Macht nur durch das Streben nach noch mehr Macht gesichert werden kann.“ Ich stelle fest: Das alles hat nichts mit Papst Franziskus zu tun, der in seiner ersten Verkündigung klar gesagt hat, dass er die Kirche nicht durch das kanonische Recht (can. 331), sondern durch die Liebe und das Evangelium führen wird.

Das Thema der Macht findet auch im Konklave seinen Widerhall. Da sind die Ultrakonservativen wie Kardinal Robert Sarah aus Guinea, Kard. Leo Burke aus den USA und Kardinal Gerhad Müller aus Deutschland, die eine extrem konservative Kirche postulieren, eine regelrechte Zisterne mit totem Wasser. Sie sind gegen alle Reformen, die bereits durchgeführt wurden und offiziell sind. Es gibt eine ganze Reihe von Konservativen, die sich dafür einsetzen, dass die Strukturen der Kirche so bleiben, wie sie sind, mit der Ausgrenzung der Frauen und dem Gehorsam der anderen Christen. Sie würden gerne zur lateinischen Messe und dem Priester mit dem Rücken zum Volk zurückkehren. Zum Erstaunen aller gibt es auch eine verschwörerische Organisation namens Red Hat Report, die von konservativen US-Katholiken, von Tycoons, die mit Trump und dem ultrakonservativen Bennan in Verbindung stehen, finanziert wird und die die Dienste der CIA und des FBI in Anspruch nimmt, um Daten über das Privatleben progressiver Kardinäle zu sammeln, mit der Absicht, sie zu manipulieren und das Konklave zu stören. Ihr Interesse besteht darin, die Wahl eines progressiven Papstes zu verhindern, der mit der Ausrichtung der Regierung unzufrieden ist, und einen Konservativen zu bevorzugen, der mit der autoritären Politik der derzeitigen Regierung im Einklang steht.

Und es gibt eine ganze Reihe von Orientierungen: Einige Kardinäle sind fortschrittlicher in dem Sinne, dass sie mit der modernen Welt gehen, andere sind fortschrittlich, aber kritisch gegenüber der Moderne, weil sie befürchten, die Gläubigen mit Gedanken zu kontaminieren, die nicht mit dem offiziellen Christentum übereinstimmen. Wieder andere sind offen franziskanisch, setzen sich für die Armen ein, verteidigen eine flexiblere Moral in Bezug auf Geschiedene, heißen Menschen mit anderen sexuellen Optionen willkommen und sind offen für den Dialog mit allen, so wie Papst Franziskus es war. Es ist von allem ein bisschen dabei.

Wie werden sich die Kardinäle aus so vielen verschiedenen Ländern und Kulturen kennen lernen? In der ersten Woche des Konklaves werden die internen Probleme der Kirche und der Welt erörtert: Es werden die wichtigsten Herausforderungen identifiziert und die grundlegende Frage aufgeworfen: Welcher der Kardinäle wäre am besten geeignet, diese enorme Aufgabe zu übernehmen? Da ist Kardinal Tagle aus Manila, der ganz im Sinne von Papst Franziskus für eine arme Kirche und vor allem für die Armen eintritt. Da ist Kardinal Zuppi aus Bologna, der in einer christlichen Gemeinschaft lebt, mit dem Fahrrad zum Palast fährt und der sich eindeutig für alle Randgruppen der Gesellschaft einsetzt und eine Kirche für alle ohne jegliche Diskriminierung befürwortet. Da ist Kardinal Pietro Parolin, Staatsoberhaupt und enger Freund von Papst Franziskus, ein wenig konservativ in der Doktrin, aber völlig offen für eine Kirche, die sich den Herausforderungen der neuen planetarischen Phase stellt.

Wohin wird die Wahl von so vielen Kardinälen mit so vielen theologischen und pastoralen Linien führen? Niemand weiß es. Die Hypothese ist jedoch bekannt: Wenn selbst unter den „papabili“ ein gewisser Konsens nicht erreicht wird, wird jemand gesucht, der diskreter ist, der fähig ist, einen Dialog mit den verschiedenen Parteien zu führen und einen Konsens herzustellen. Ich schlage den Namen von Kardinal Leonardo Ulrich Steiner von Manaus vor, einem Franziskaner und Verwandten von Kard. Paulo Evaristo Arns. Er hat eine gute Welterfahrung, spricht fließend Portugiesisch, Italienisch und Deutsch und verfügt über eine gesicherte theologische und geistliche Ausbildung. Und das Entscheidende: Er ist der einzige Kardinal aus dem riesigen Amazonas-Biom. Der Amazonas wird angesichts der ökologischen Unruhen und der globalen Erwärmung sicherlich eines der zentralen Themen in den Debatten zwischen den Kardinälen sein. Kardinal Leonardo hat sich einen Namen gemacht, indem er die Ureinwohner, die Fluss- und Waldbewohner verteidigt hat. Er war hart gegen den früheren Präsidenten Bolsonaro, weil er viele Covid-19-Opfer sterben ließ, vor allem weil er Krankenhäuser ohne Sauerstoff beließ. Vom Temperament her ist er heiter und sanft, und sein Blick ist tief auf die Menschen gerichtet, vor allem auf die, die am meisten leiden. Wer weiß, vielleicht ist er die Konsensfigur? Wenn dem so ist, würde es mich nicht wundern, wenn er folgenden Namen annimmt: Papst Franziskus II.

Möge der Geist in diese Richtung wehen und auf diesem Kardinal ruhen.

Leonardo Boff Ökotheologe und Schriftsteller

Übersetzt von Bettina Goldharnack

En el Cónclave hay conflictos: traslucen los conflictos del mundo

Leonardo Boff*

Vivimos en un torbellino de conflictos y amenazas como raramente ha habido en la historia humana. Dos hechos escandalosos nos llenan de indignación y de vergüenza: el genocidio a cielo abierto que continúa en la feroz guerra que Netanyahu está llevando a cabo  contra el pueblo palestino en la Franja de Gaza. Tal crimen contra la humanidad es perpetrado por una coalición de fuerzas cuyas raíces se encuentran en el cristianismo: la comunidad europea, un expresidente católico, Joe Biden, y otro que se presenta también como católico, de la más perversa especie, Donald Trump. Los futuros manuales de historia (si hubiera todavía historia) serán implacables contra esta innombrable crueldad.

El otro hecho no se sabe si es más ridículo que un chiste sin gracia o si es una afirmación verdadera: Donald Trump se proclama presidente electo de los USA y del mundo, repito, presidente del mundo. Da la impresión de que estamos en los tiempos de la decadencia de los emperadores romanos, la mayoría perturbados, que eran capaces de tales estupideces.

Trump está haciendo una guerra contra toda la humanidad, pues ha roto con todos, amigos y enemigos, y quiere imponerse como señor del mundo, sin ninguna posibilidad de conseguirlo, pues la humanidad es sabia y sabrá cómo defenderse de tanta arrogancia.

Refiero tales eventos siniestros porque estamos en el contexto de un Cónclave de Cardenales, reunidos para escoger al sucesor del Papa Francisco. No seamos ingenuos: allí dentro, encerrados con llave, pese a la presencia misteriosa del Espíritu Santo, emergen también conflictos.La pelicula Conclave lo muestra muy bien. En cierta manera son naturales, porque la Iglesia Católica como institución religiosa no se organiza en torno al libro de los Evangelios, sino en torno a la sacra potestas (poder sagrado). Desde el siglo III la categoría central que sustenta la institucionalidad eclesial es el poder, heredado de los emperadores romanos. Y así continúa hasta hoy, hasta el punto de que el pequeño Estado del Vaticano es la única monarquía absoluta que aún existe. Veamos lo que el derecho canónico dice del Cabeza de la Iglesia, en el canon 331: «El Pastor de la Iglesia Universal (el Papa) tiene en la Iglesia el poder ordinario, supremo, pleno, inmediato y universal». Ese poder  fue todavía aumentado, más tarde, con la característica de ser el Papa infalible en cuestiones de doctrina y moral. ¿Puede un ser humano mortal y pecador como todos portar todos esos atributos que, a decir verdad, solo caben a Dios?

Quien se orienta por el poder, poco importa su calificativo, sea político, económico o religioso, obedece a esta lógica tan bien formulada por el gran teórico del poder que fue Hobbes:

«Señalo, como tendencia general de todos los hombres, un deseo continuo e incansable de poder y más poder, que cesa solo con la muerte. La razón de ello no reside en el placer más intenso que se espera, sino en el hecho de que el poder sólo puede asegurarse buscando todavía más poder».

Observo: todo esto no tiene nada que ver con el Papa Francisco que en su primer pronunciamiento dijo claramente que iba a conducir a la Iglesia no con el derecho canónico (canon 331) sino con el amor y el evangelio.

En el Cónclave reverbera también el tema del poder. Hay ultra-conservadores como los cardenales Robert Sarah de Guinea, el cardenal Leo Burke de USA y el cardenal Gerhard Müller de Alemania que postula una Iglesia extremadamente conservadora, una verdadera cisterna de aguas muertas. Están en contra de todas las reformas hechas y oficiales. Hay un buen número de conservadores que se empeñan en mantener las estructuras de la Iglesia como están, con la marginación de las mujeres y la obediencia de los demás cristianos. Les gustaría volver a la misa en latín con el sacerdote de espaldas al pueblo. Para asombro general, hay también una organización conspiratoria Red Hat Report financiada por católicos conservadores norteamericanos, por magnates ligados a Trump y al ultraconservador Brennan, que utiliza los servicios de la CIA y del FBI para recoger datos de la vida privada de cardenales progresistas con la intención de manipularlos y viciar el Cónclave. Su interés es evitar la elección de un Papa progresista, incómodo a la orientación del gobierno y preferir un conservador que esté afinado con las políticas autoritarias de la actual administración.

Hay toda una gama de orientaciones: algunos cardenales son más progresistas, en el sentido de caminar con el mundo moderno; otros progresistas más críticos con las modernidades recelan contaminar a los fieles con pensamientos poco alineados al cristianismo oficial. Hay otros francamente francisquistas, que optan por los pobres, defienden una moral más flexible con referencia a los divorciados, acogen a las personas de otra opción sexual, abiertos al diálogo con todos como hacía el Papa Francisco. Hay un poco de todo.

¿Como se conocerán los cardenales venidos de tantos países lejanos y con culturas diferentes? En la primera semana del Cónclave se discuten los problemas internos de la Iglesia y del mundo: identificar los desafíos más relevantes y suscitar la pregunta fundamental: ¿qué cardenal sería el más apto para asumir esa tarea ingente? Está el cardenal Tagle de Manila, totalmente en la línea del Papa Francisco de una Iglesia pobre y especialmente de los pobres. Está el cardenal Zuppi de Bologna que vive en una comunidad de cristianos, va a palacio en bicicleta, defiende claramente a todos los marginados de la sociedad y una Iglesia de todos sin discriminaciones. Está el cardenal Pietro Parolin, Jefe de Estado y muy amigo del Papa Francisco, un poco conservador en doctrina pero totalmente abierto a una Iglesia con los desafíos de la nueva fase planetaria.

¿Por dónde irá la opción de tantos cardenales con tantas líneas teológicas y pastorales? Nadie lo puede saber. Sin embargo, es conocida la hipótesis: cuando no se logra un cierto consenso ni siquiera entre los “papabili” se busca a alguien más discreto que sea capaz de dialogar con las distintas partes, apto para crear un consenso.

Sugiero el nombre del Cardenal de Manaus Leonardo Ulrich Steiner, franciscano y pariente del cardenal Don Paulo Evaristo Arns. Tiene buena experiencia mundial, habla con fluidez portugués, italiano y alemán, goza de una segura formación teológico-espiritual. Y lo más decisivo: es el único cardenal del inmenso bioma amazónico. La Amazonia, debido al clamor ecológico y al calentamiento global será con seguridad uno de los temas centrales en los debates de los cardenales. El cardenal Leonardo destacó por la defensa de los pueblos originarios, los ribereños y pueblos de la selva, fue duro contra el expresidente Bolsonaro por dejar morir a mucha gente de Covid-19, en especial por dejar los hospitales sin oxígeno.

Es de temperamento sereno y tierno, con una mirada profunda hacia las personas, especialmente a las que más sufren. ¿Podría ser tal vez la figura de consenso? Si lo fuera, no me admiraría si asumiese este nombre: Papa Francisco II.

Traducción de María José Gavito Milano