Só um Nordestino resistiu ao fogo no Museu Nacional: Roberto Malvezzi

Roberto Malvezzi (Gogó) é sempre surpreendente. Trabalha no sertão junto ao rio São Francico como assessor de movimentos sociais. Fez filosofia, teologia e é leigo, um excelente analista de nossa realidade na ótica das vítimas. Em El Salvador, San Salvador, nos inícios de setembro de 2018 fez diante de 600 participantes do III.Congresso de Teologia Continental, uma das mais brilhantes palestras: como conviver com o semi-árido, como as mais de um milhão de cisternas de captação de água têm salvo a vida dos nordestinos daquela região. Aqui vai um pequeno relato simbólico do que seja o Brasil em seu naufrágio mas também em sua capacidade de resistência. Vamos ser como o meteorito de 5 toneladas que resistiu ao fogo, como resistirá o povo brasileiro ao assalto que as oligarquias e os endinheirados continuam fazendo contra os milhões de irmãos e irmãs nossos, pobres e expoliados de direitos. LBoff

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Quem vem ao sertão da Bahia, região de Canudos, vai encontrar Bendegó. Ali caiu um meteorito de ferro maciço. Em Bendegó, num espaço muito pequeno está o meteorito que caiu do céu, vindo do espaço, como um ET. Pesando mais de 5 toneladas, foi encontrado ainda no século XVIII.

Entretanto, em Bendegó está apenas uma réplica do verdadeiro meteorito, esse levado para o Rio de Janeiro, ao Museu Nacional, A réplica do meteorito está num pequeno museu em Monte Santo, na esquina da matriz, onde começa a via-sacra construída por Conselheiro, subindo o Monte Santo por uns 2 km. Antigamente tudo era Monte Santo na região, inclusive como sede do Exército que atacou Canudos. Canudos era fazenda de Monte Santo. Bendengó era também território de Monte Santo, mas hoje, pelos desmembramentos, está em território de Uauá.

No incêndio que torrou o Museu nem Luzia, nossa matriarca, resistiu. Mas o meteorito de Bendegó escapou ileso.

Esse país está sendo torrado por um golpe de Estado. Rompeu não somente com nossos direitos básicos, mas com todas as regras civilizadas de convivência de um povo.

É bom lembrar que 360 deputados, 60 senadores, 11 juízes do Supremo Tribunal Federal, um juiz de primeira instância, com seus compadres de um tribunal superior, o empresariado nacional e internacional, banqueiros e uma velha mídia, todos secundados por generais, estabeleceram essa aberração que é o Brasil contemporâneo.

Entretanto, um Nordestino resistiu. Quiseram torra-lo de todas as formas, mas os incendiários viraram cinzas e ele continua cada vez mais forte, como se fosse de ferro, imune ao fogo, como se fosse um ET.

E ele não se chama Bendegó.

Os 10 mandamentos da relação Fé e Política – Frei Betto

Frei Betto é um nome internacional por ser um dos iniciadores do projeto do governo Lula da Fome Zero que foi adotado em muitos países. É um dos mais solicitados assessores de movimentos sociais no Brasil e no exterior. Homem de profunda espiritualidade prega muitos retiros para leigos e leigas e é, entre os teólogos da libertação, quem melhor comprende a política, dando-lhe um caráter evangélico. O evangelho inspira políticas e constitui uma ferramenta para realizar os bens do Reino que são justiça para todos, amor, solidariedade, compaixão e busca da paz além de uma abertura ao mundo espiritual do Divino e do Sagrado. Ademais é um exímio escritor e jornalista com vasta obra reconhecida pelos vários prêmios Jabutis que a que foi galardoado. Nestes tempos sombrios onde as opiniões políticas vem carregadas de elementos emocionais destrutivos que não enobrecem nem as pessoas nem o ofício da política, valem as seguintes recomendações que aqui publicamos. Vale ressaltar seu caráter didático, com perguntas aos grupos, para aprofundarem esta tensa mas libertadora relação entre fé e política: LBoff

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Os 10 mandamentos da relação Fé e Política

1º – Sem respirar ninguém vive, pois necessitamos do oxigênio contido no ar. Também não se pode viver sem beber água. A maior parte de nosso corpo é formada por água, como no planeta Terra no qual habitamos. Como o ar, a água contém oxigênio. Ela é uma mistura de dois gases: o oxigênio e o hidrogênio. Por isso é líquida e não gasosa como o ar.

Assim são a Fé e a Política.

As duas contêm o mesmo “oxigênio”: o Espírito de Deus que tudo anima na direção do Reino. E assim como as duas visam a libertar, também podem servir para dominar, como a fé dos fariseus ou a política dos opressores. Fé e política não são a mesma coisa. A fé é o oxigênio que o Senhor nos dá. Como diz o apóstolo Paulo, por ela captamos a presença de Deus no qual “somos, existimos e nos movemos”. Assim como o ar nos dá vida, a fé nos faz participantes da vida de Deus. Por ela somos integrados à comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

A política é uma ferramenta de construção do Reino, diferente da fé. Ela tem algo que não é próprio da fé: o “hidrogênio” das análises da realidade e das estratégias de luta.

Este é o 1º mandamento: A fé e a política se destinam ao mesmo objetivo de realizar o projeto de Deus na história. Mas não são a mesma coisa, são diferentes.

Para reflexão em grupo: 1 – Qual o projeto de Deus na história?

2 – Como a fé e a política podem ajudar a construir um mundo melhor?

2º – Não há água sem oxigênio. Se alguém tirar o oxigênio da água ela deixa de ser matéria líquida, vira gás de oxigênio e gás de hidrogênio. Assim, não há fé sem política.

A fé é um dom encarnado. No céu não teremos fé, pois veremos o Pai face a face. Toda vivência de fé é vivência de uma comunidade politicamente situada. Quando a comunidade cristã afirma que só faz religião, e que não se mistura fé com política, é porque não sabe o que diz, ou mente para encobrir com a fé os seus reais interesses políticos. Toda comunidade cristã aparentemente apolítica só favorece a política dominante. Passa cheque em branco aos políticos que se encontram no poder.

Jesus, em razão da sua fé, morreu assassinado como prisioneiro político. Como Jesus, o cristão deve viver sua fé no compromisso libertador com os oprimidos. Seja qual for o modo de o cristão viver este compromisso evangélico, ele sempre terá consequências políticas.

Este é o 2º mandamento: A vivência da fé é necessariamente política. Ela pode sacralizar a opressão ou iluminar a libertação.

Para reflexão em grupo: Você conhece algum fato que sirva de exemplo para as duas realidades?

3º – O ar que respiramos não custa nada. É de graça. Assim é a fé: dom de Deus. Para respirar, basta ter as narinas abertas. Para acolher a fé, basta ter ouvidos e coração abertos a Deus, ao próximo, ao amor. Pela fé participamos do projeto de Deus na história humana.

A água não é de graça. Custa dinheiro, exigem-se técnicos e ciência para obtê-la. Assim é a política, não é dom de Deus, é um aprendizado. Exige conhecimento de suas regras, de sua história, de seu programa, de seus objetivos. Pela política, participamos do projeto humano de construção de uma sociedade melhor.

Este é o 3º mandamento: A fé é um dom que nos vem de Deus através da Igreja, da comunidade dos que creem. A política é uma ferramenta que exige aprendizado. É arriscado improvisar na política.

Para reflexão em grupo: Como aprender a atuar na política?

4º – O ar que respiramos e a água que bebemos podem ficar poluídos. Perdem a pureza se contaminados por micróbios e bactérias quando não são bem tratados.

Uma política voltada contra o povo pode poluir a fé. E uma fé desencarnada, legalista, contrária aos direitos dos empobrecidos, contamina a política.

Assim acontece com a fé e a política.

Este é o 4º mandamento: Uma política contrária aos direitos do povo faz da fé expressão de uma religião “ópio do povo”. Esta religião só ajuda os interesses dos opressores.

Para reflexão em grupo: 1 – Como a religião tem ajudado os opressores?

2 – Como tem ajudado os oprimidos, excluídos?

5º – A água não pode existir sem união do oxigênio com o hidrogênio. Mas o ar que respiramos não necessita e não contém quase nenhum hidrogênio. Porém, o que seria da nossa vida se não houvesse o sol?

Assim a política pode ser bem feita por quem não tem fé. E nem sempre os que têm fé fazem política bem feita. O Concílio Vaticano II reconheceu a autonomia da política. Autônomo é o que tem movimento próprio. Um ateu pode fazer uma política justa, favorável aos oprimidos.

O sol é um imenso balão de hidrogênio em combustão, isto é, uma bola de fogo, mais de um milhão de vezes maior do que a Terra.

Porém, a fé é o sol que desponta no horizonte da política. Isso não significa que deve haver “política cristã”. Deve haver uma política justa, democrática, voltada para a maioria. Uma política assim inevitavelmente deverá se encontrar com as verdades da fé. Aliás, isso já acontece cada vez que a política realiza na sociedade os valores evangélicos: libertação dos pobres e construção da sociedade fraterna, sem desigualdades.

Este é o 5º mandamento: A política é autônoma, não depende da fé. Mas uma política popular caminha necessariamente na direção do horizonte apontado pela fé.

Para reflexão em grupo: 1 – Você participa de algum movimento que não seja da Igreja? Qual?

2 – Como a fé ajuda nesta participação?
6º – O ar enche os pulmões e envia oxigênio para alimentar o nosso organismo. Mas o ar não serve para lavar as mãos.

A água limpa o corpo mas não serve para se respirar. Sem balão de oxigênio, o mergulhador morre afogado no fundo do mar.

Assim, a fé não tem receitas para resolver administrativamente problemas como a dívida externa, a reforma agrária, a moradia ou a saúde pública. Isso é tarefa da política. A fé mostra o sentido da política: dar vida a todos. Mas o jeito de dar vida depende da linha da política. Se for uma política injusta, poucos terão vida à custa da morte de muitos, como ocorre no capitalismo.

A política é a estrada e a fé, o mapa da estrada. Sem mapa fica difícil construir uma estrada que conduza ao Reino. Sem estrada, o mapa fica no papel.

Este é o 6º mandamento: Fé e política são instâncias diferentes que se completam na prática da vida.

Para reflexão em grupo: Contar fatos que ilustrem este mandamento.

7º – Para ser puros e saudáveis, o ar e a água precisam ser tratados. Por isso, os hospitais oferecem oxigênio puro aos pacientes. E nas casas a água deve ser fervida ou filtrada antes de ser tomada. Do mesmo jeito, a fé exige participação na comunidade para ser evangélica. E a política exige participação nas lutas populares e o estudo dos problemas sociais para ser consequente.

Este é o 7º mandamento: A fé é “tratada” na Igreja, onde é celebrada, anunciada e refletida. A política é melhor “tratada” nos movimentos populares, sindicais e nos partidos que assumem os direitos dos oprimidos e excluídos.

Para refletir em grupo: 1 – Qual a importância da participação na Igreja e na política?

2 – Porque há conflitos quando uma pessoa quer participar de ambos?

8º – Todo mundo respira o ar, mas nem todos tomam banho diariamente e do mesmo jeito. Assim, na Igreja os cristãos têm na fé o ar comum que todos respiram. Mas na hora de levar para a prática os valores da fé, nem todos agem do mesmo jeito e na mesma direção.

A água é sempre a mesma, o jeito de usá-la é que varia. Assim, é preciso não exigir na política o mesmo consenso que há na Igreja em torno da fé. Quando o cristão ingressa na esfera da política, não deve esperar que todos estejam mais ou menos de acordo, como parece acontecer na comunidade eclesial. Assim como a água pode conter vermes, sal ou cloro, a política tem ideologias, tendências, grupos de pressão e ambições pessoais ou de grupos.

Na política, cada uma de suas esferas – a dos movimentos populares, a sindical ou a partidária – tem seu jeito próprio, sua especificidade, seus critérios, sua linguagem própria. Quem passa de uma esfera a outra sem estar atento a essas diferenças, acaba quebrando a cara.

Este é o 8º mandamento: Não devemos confundir a esfera da explicitação religiosa da fé, a Igreja, com as esferas políticas. Mas embora diferentes, são complementares.

Para reflexão em grupo: Como, na sua participação, fé e política se complementam?

9º – Se o rio fica sujo, poluído, o oxigênio da água diminui e os peixes morrem asfixiados. A água do rio necessita da pureza do oxigênio para preservar a vida. Assim acontece com a política: ela precisa dos valores evangélicos para não ficar poluída.

Valores como direitos dos necessitados, vida para todos, partilha de bens, poder como serviço e outros. Sem esses valores a política vira politicagem, e a corrupção mata o projeto da vida. Isso não significa que a política deva ser feita em nome da fé. Ela deve ser feita em nome do amor, da verdade e da justiça aos oprimidos e excluídos.

Este é o 9º mandamento: A fé cristã contém valores que criticam e norteiam a atividade política.

Para reflexão em grupo: – 1 – Quais são esses valores?

2 – Eles conseguem, de fato, atingir e nortear a atividade política?

10º – Para ser pura, a água exige cuidados ou tratamento. Assim, para ser popular a política exige mediações (meios): vinculação com a luta popular, reflexão e análise dos problemas, teoria política, conhecimento da história das forças políticas etc.

O ar é à vontade. Mas se a pessoa não faz exercícios, não anda, o pulmão começa a diminuir e fica atrofiado. A pessoa fica sem resistência. O mesmo acontece com a vida de fé: se não participamos da comunidade, dos sacramentos, da leitura da Bíblia, das celebrações e orações, a nossa fé vai ficando fraca, atrofiada.

Este é o 10º mandamento: A política é tanto mais popular quanto mais a gente se encontra ligado à luta do povo. A fé é tanto mais evangélica quanto mais a gente se liga ao Deus da vida através da comunidade cristã.

Para reflexão em grupo: Vamos participar no grupo e dizer como cada um se sente ligado à luta do povo e à construção do projeto do Deus da vida.

Sem essas amarras ao grande navio da libertação, o nosso bote fica à deriva, solto entre as ondas do imprevisto e acaba perdendo o rumo.

Em resumo:

1º – A fé e a política se destinam ao mesmo objetivo de realizar o projeto de Deus na história. Mas não são a mesma coisa.

2º – A vivência da fé é necessariamente política.

3º – A fé é um dom que nos vem de Deus através da Igreja, da comunidade dos que creem. A política é uma ferramenta que exige aprendizado.

4º – Uma política contrária aos direitos do povo faz da fé expressão de uma religião “ópio do povo”.

5º – A política é autônoma, não depende da fé.

6º – A fé e a política são instâncias diferentes que se completam na prática da vida.

7º – A fé é “tratada” na Igreja, onde é celebrada, anunciada e refletida. A política é melhor “tratada” nos movimentos populares, sindicais e nos partidos que assumem os direitos dos oprimidos.

8º – Não devemos confundir a esfera da explicitação religiosa da fé, a Igreja, com as esferas da política. Mas embora diferentes, são complementares.

9º – A fé cristã contém valores que criticam e norteiam a atividade política.

10º – A política é tanto mais popular quanto mais a gente se encontra ligado à luta do povo. A fé é tanto mais evangélica quanto mais a gente se liga ao Deus da vida através da comunidade cristã.

Frei Betto é escritor, autor de “Parábolas de Jesus – ética e valores universais” (Vozes), entre outros livros. Site: http://www.freibetto.org

The current demise of ethics

Between July 10 and 13, 2018, an international congress organized by the Society of Theology and Sciences of Religion, (Sociedad de Teología y Ciencias de la Religión, SOTER) on the subjects, Religion, Ethics and Politics was celebrated in Belo Horizonte, Brazil,. The expositions were very timely, and of superior quality. I will only deal with the debate on the Demise of Ethics, that I introduced.

In my understanding two factors have touched the heart of ethics: the process of globalization and the commercialiization of society.

Globalization has revealed the different types of ethics, based on cultural differences. Western ethics, one of many, has been relativized. The great Oriental cultures and the cultures of the original Nations have shown that we can be ethical in very different forms.

For example, the Maya culture centers everything in the heart, because everything was born from the love of the two great hearts: those of the Heavens and of the Earth. The ethical ideal is to create in all persons hearts that are sensible, just, transparent and true: the ethics of “good living and coexisting” of the nations of the Andes, centered in the equilibrium of all things, among human beings, with Nature and with the Universe.
A consequence of this variety of ethical paths has been generalized relativity. We know that law and order, values of basic practical ethics, are prerequisites for any civilization anywhere in the world. The ethical disaster that we now foresee is because humanity is yielding ground to barbarity, towards a true worldwide age of darkness.

Shortly before his death in 2017, thinker Sigmund Bauman warned: “either humanity joins hands to save all of us together; or together we will swell the funeral procession of those who walk towards the abyss”. What kind of ethics could guide us as humanity living in the same

Common Home? The second great obstacle to ethics is the commercialization of society, that already in 1944, Karl Polanyi called “The Great Transformation”. That is the phenomenon of transitioning from a market economy to a society of pure commerce. Everything is transformed into merchandise, which Karl Marx already foresaw in his 1848 text The Poverty of Philosophy, where he noted that the most sacred things, such as truth and consciousness, would be commercialized; and this would be the “time of great corruption and universal venality”. We are now living in that time. The economy, especially the speculative sector, dictates the path of politics and of society as a whole. Competition is its trademark and solidarity has practically disappeared.

Which is the ideal ethics of this type of society? The capacity for unlimited accumulation and limitless consumption, that creates a great gap between a very small group that controls most of the world economy and the great majorities, who are excluded and drowning in hunger and misery. Here are revealed traits of barbarity and cruelty as rarely have been seen in history.
We must go back to create an ethics rooted in that which is specifically ours as human beings and which, for that reason, is universal and can be adopted by all.

I believe that in the very first place, is the ethics of caring. According to the fable 220 of the slave Higinio, well interpreted by Martin Heidegger in Being and Time, it consists of the ontological substratum of the human being, that group of factors without which the human being and other living beings never could have arisen. Because caring pertains to the human essence, we all can live and give in concrete ways, according to our cultures. Caring presupposes a friendly and loving relationship with reality, an extended hand for solidarity and not a clenched fist for domination. Life is at the center of caring. The civilization must be bio-centered.

Another part of our human essence is solidarity and the ethics that derives from solidarity. We now know from bio-anthropology that it was solidarity among our anthropoid ancestors that allowed them to hone their animal state into humanity. They searched for food and consumed it together, in solidarity. We all live because there existed, and still exists, a minimum of solidarity, starting with the family. What was foundational yesterday, continues to be so today..
Another aspect closely tied to our humanity is the ethics of universal responsibility. Either we together undertake responsibility for the destiny of our Common Home, or together we will walk a path of no return. We are responsible for the sustainability of Gaia and the ability of her ecosystems to flourish within the whole community of life.

Philosopher Hans Jonas, who first elaborated “The Principle of Responsibility”, added the importance of collective fear. When collective fear arises and humans start to realize that they may come to a tragic end and even disappear as a species, a primordial fear erupts that puts them into survival mode ethics. The unconscious presupposition is that the value of life is greater than any other value: cultural, religious or economic.

Finally, it is important to resurrect the ethics of justice for all. Justice is the minimum right that we must guarantee the other to be able to continue coexisting and receiving what we as people deserve. In particular, the institutions must be just and equitable, to avoid class privilege and the social exclusions that produce so many victims, particularly in our country, which is one of the most unequal and most unjust in the world. This explains the hatred and discrimination that tear society apart. They come not from the people but from the moneyed elites that have always lived a privileged life, and who do not allow the poor to move even one rung up on the social ladder.

We presently live under an exceptional regime in, where the Constitution and the laws of the country are trampled by the Lawfare (the distorted interpretation of the law practiced by a judge, so as to hurt the accused).

Justice has value not only among humans but also with nature and the Earth, which are.the carriers of rights and for that reason they must be included in our concept of socio-ecological democracy.

These are some minimum parameters for an ethics to be valid for each individual, and for all of humanity, gathered in our Common Home. We must incorporate an ethics of a shared sobriety to accomplish what Xi Jinping, supreme leader of China, used to call “a moderately supplied society”. This is a minimum and reachable ideal. Otherwise, we may experience a socio-ecological Armagedon.

Leonardo Boff Eco-Theologian-Philosopher and of  TheEarthcharter Commission

Free translation from the Spanish sent by
Melina Alfaro, alfaro_melina@yahoo.com.ar.
Done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

III. Congreso Continental de Teología Latinoamericana y Caribeña:“el clamor de los pobres y de la Tierra nos interpelan”

Del 30 de agosto al 2 de septiembre se celebró en El Salvador, tierra de mártires, especialmente de Don Arnulfo Oscar Romero, el III. Encuentro Continental de Teología Latinoamericana y caribeña con ocasión de los 50 años de Medellín (1968), reunión de los obispos latinoamericanos y caribeños que sellaron el gran viraje de la Iglesia en dirección a los pobres y a su liberación. Fue el bautismo de la Iglesia en esta nueva fase de la historia. Acudieron más de 600 personas de todo el Continente y del extranjero, lo que demuestra el interés general por ese evento y sus consecuencias posteriores. Damos aquí parte del documento final que nos ofrece un bello resumen del evento promovido por la Red Amerindia en la Universidad UCA de San Salvador: LBoff.

Mensaje a los pueblos de América Latina y del Caribe

1. Estuvieron presentes jóvenes teólogos y teólogas, así como algunos hermanos y hermanas de Iglesias evangélicas y pentecostales.

2. En estos días hemos reaprendido a leer nuestra fe ya vivirla a partir de los principios que nos enseñaron Mons. Oscar Romero, el sacerdote asesinado Ellacuría y tantos otros hermanos y hermanas que se hicieron nuestros maestros y maestras en el seguimiento de Jesús. Ellos y ellas nos revelan que tenemos que vivir la fe dando atención e importancia a la realidad social, política y cultural, vista a partir de la causa de los empobrecidos.

3. En Medellín, la Iglesia se insertó en los procesos de transformación social y política vigentes en el continente. No descansaremos mientras no podamos vivir una economía al servicio del bien común y del cuidado hacia la Tierra, el Agua y toda la naturaleza a la que pertenecemos como hijos e hijas.

4. En todo el continente nos continúa interpelando lo que en Medellín se llamó “violencia institucionalizada”. Hasta hoy, la sociedad dominante no respeta ni valora a las comunidades indígenas de diversas etnias ni sus culturas ancestrales.

5. Nos unimos a las luchas de las mujeres que, en todos los países, son víctimas de distintos tipos de violencia. En estos 50 años reconocemos la contribución de las teologías negras, las de los pueblos originarios y, de manera especial, la propuesta hecha por la teología feminista de pensar una Iglesia fundamentada de hecho en el discipulado de iguales. Asumimos la causa de las víctimas de abusos sexuales cometidos contra niños, adolescentes, contra mujeres y contra hermanos y hermanas LGBT. Es urgente cambiar la estructura patriarcal y clerical de nuestras Iglesias.

6. Sabemos de las masacres de jóvenes, especialmente pobres y, en algunos países, en su mayoría negros, víctimas del deterioro de las condiciones de vida y de la violencia urbana. Algunos de nuestros teólogos y teólogas jóvenes están acompañando de forma creativa esas luchas.

7. Las conquistas de nuevos procesos sociales y políticos pertenecen al pueblo y merecen ser defendidas a partir de las bases.

8. Denunciamos la responsabilidad del imperio norteamericano, que prosigue con su política de desestabilización de los gobiernos que no se dobleguen a sus exigencias colonialistas.

9. Seguiremos luchando contra las políticas xenófobas, racistas e inhumanas del presidente de Estados Unidos contra los migrantes, especialmente nuestros hermanos y hermanas pobres que intentan pasar la frontera norteamericana.

10. La conferencia de Medellín propuso una Iglesia profética al servicio de la liberación de nuestros pueblos a partir de la opción por los pobres. Hoy queremos comprometernos con el proyecto de una Iglesia más sinodal y valiente, en permanente diálogo con la humanidad y especialmente con los movimientos sociales, organizados para cambiar el mundo.

11. Reconocemos como señal del Espíritu la propuesta del “Bien Vivir”, que recibimos de los pueblos originarios del continente. Comprendemos que el “bien vivir” es camino de una sociedad de comunión que privilegia el bien común sobre lo particular y toma en serio los derechos de la hermana Madre Tierra y de la Vida.

Los zapatistas del sur de México nos enseñaron: Somos un ejército de soñadores/as. Por eso, somos invencibles. Como dijo San Oscar Romero “sigamos haciendo lo que podamos hacer, pero lo importante es hacer”. En esa esperanza firme e inquebrantable, la fuerza del Espíritu que se expresa en la fuerza de los pobres nos ilumine y nos guíe a todos/as por los caminos del Reino.

Nota: Todos los presentes suscribieron un texto de apoyo al Papa Francisco ante las oposiciones y resistencias que viene sufriendo últimamente por parte de los grupos conservadores que no quieren cambios en el estilo de vivir la fe cristiana en los conturbados días actuales.

Traducción de Mª José Gavito Milano