A erosão da arrogância norte-americana e europeia

Leonardo Boff

       No  momento atual estamos verificando uma feroz competição entre uma visão unipolar  do mundo,sustentada a ferro e fogo, com guerras comerciais e híbridas pelos Estados Unidos sob Donald Trump e pela União Europeia, e outra visão multipolar requerida pelas duas grandes potências, a Rússia e a China, junto com grande parte dos países do Sul Global.

       O que se esconde, subjacente a esta disputa, entre outras tantas razões, é uma imensa arrogância dos EUA e dos países europeus. A arrogância é a famosa hybris dos gregos, vale dizer, a perda da justa medida, a afirmação da extrema autoimportância, a exaltação superestimada de suas qualidades, o desprezo de outros que não sejam como eles ou submetidos a eles. Isso se revela por se considerarem os melhores do mundo, de terem a melhor forma de governo, a democracia, de terem a introduzidos os direitos humanos, a melhor tecnologia, a economia mais poderosa, a força militar mais destrutiva,agora se rearmando de novo, a religião (ou fé) revelada,o cristianismo.Segundo os gregos, a hybris era castigada pelos deuses. E hoje como fica?

       Essa arrogância trouxe conflitos e guerras contra todos os demais, a nível mundial, haja vista o processo de colonização forçada do mundo a partir da Europa do século XVI até as grandes guerras do século XX. Com razão afirmou Samuel P. Huntington em seu discutido livro O Choque de Civilizações e a recomposição da Ordem Mundial  (Objetiva 1997):”É importante reconhecer que a intervenção ocidental nos assuntos de outras civilizações provavelmente constitui a mais perigosa fonte de instabilidade e de um possível conflito global num mundo multi-civilizacional”(p.397). Cabe citar também o historiador Arnold Toynbee, em seus doze volumes Um Estudo da História, nos quais estuda o  nascimento, o crescimento e a queda das civilizações e onde confere centralidade à arrogância  como indício do ocaso de inteiras civilizações.

       Ultimamente o conhecido economista e ecólogo Jeffrey Sachs da Universidade de Columbia tem afirmado a um jornalista brasileiro (Leonardo Sobreira:Brasil 247 de 6/9/25):”Os EUA sofreram de uma ilusão de que liderariam o mundo sozinhos. A Europa também sofre da mesma arrogância…Não apenas os EUA estão sozinhos, mas eles não mandam mais. Estamos observando o fim de um longo processo histórico. E a arrogância não é apenas nos EUA, como também na Europa… A mentalidade é de arrogância continuada”.

       Trump se julga o “imperador do mundo” (Lula), põe e dispõe como lhe dá na veneta. Destrói  hábitos democráticos tradicionais dos EUA e com sua guerra comercial (ameaçando com outra real que seria final) tem se inimizando com quase todo o mundo, até com seus aliados mais fiéis como os europeus e sul-coreanos. Arrogante, não negocia, não discute, simplesmente impõe suas medidas, como o fez com o Brasil.

       O fato, constatado pelos melhores analistas da geopolítica mundial, é que o tempo da dominação norte-americana está em franca erosão. Pior ainda, tal fato comparece na União Europeia que deveria se envergonhar por se portar contra toda a sua tradição civilizatória e humanística, ao apoiar a guerra implacável que o Israel de Netanyhau está levando contra a Faixa de Gaza. São milhares de mortos e dezenas de crianças inocentes, num verdadeiro genocídio a céu aberto. Os europeus são colocados de escanteio porque Trump se dá conta da erosão acelerada daquela envelhecida e arrogante civilização.

       A potência mais emergente que, provavelmente, definirá o futuro próximo, é a China com uma proposta, nada arrogante  mas sensata, de um mundo com um destino comum partilhado, respeitando a ordenação das Nações Unidas, fundada na abertura comercial e na não intervenção nos assuntos internos de outros países.

       Em dois livros tratei desta questão da arrogância que vem sob o nome mais genérico de “falta da justa medida”, valor presente em todas as éticas das civilizações de que temos notícia. A desmesura e o rompimento da justa medida é o estopim que incendeia o processo de decadência de uma cultura, de um projeto social ou de um comportamento pessoal.

       O que predomina no mundo, digamos o nome, é o sistema do capital ou como preferem, a economia de mercado, (quase toda financeirizada) que denuncia completa falta de medida, exemplificada pelos arrogantes das Big Techs, um dos quais já sonha, arrogantemente, com uma acumulação pessoal de um trilhão de dólares.

       Por este caminho de ilimitada arrogância, associada à uma abissal desumanidade e falta  completa de sensibilidade para com os outros, nos acercaremos de um abismo. Como advertia Sigmunt Bauman, pouco antes de falecer: “Engrossaremos o cortejo daqueles que rumam na direção de sua própria sepultura”. Isso não pode acontecer.

       Nossa confiança e nosso esperançar nos alentam a afirmar a supremacia do espírito (com sua espiritualidade natural) contra a barbárie. Ele se dará conta de seus desvios e de suas errâncias. Poderá definir um caminho que nos conserve ainda sobre este belo planeta. E nos garanta ainda um futuro no qual não seja tão frequente a arrogância, mas floresça o cuidado pela Casa Comum e a amorosidade entre todos os humanos.

Leonardo Boff escreveu A busca da justa medida: como equilibrar o planeta Terra (2 vol), Vozes 2023.

Globale ethische Bewertung für COP30

                     Leonardo Boff

Die COP30-Präsidentschaft und der Global Ethical Stocktake Circle haben gemeinsam mit der Earth Charter Global Movement eine offene Einladung an alle interessierten Parteien gerichtet, zum Global Ethical Stocktake (GES) beizutragen.

Daher möchte ich als Mitglied der Earth Charter International auf die Fragen der COP30-Präsidentschaft antworten. Ich betrachte die Earth Charter und die Enzyklika von Papst Franziskus „Wie wir für unser gemeinsames Zuhause sorgen“ als inspirierende Quellen für ein globales Ethos in unseren turbulenten Zeiten.

Fragen / Antworten:

1. Warum leugnen oder ignorieren wir so oft, was die Wissenschaft und das traditionelle Wissen über die Klimakrise sagen, und verbreiten oder dulden Fehlinformationen, obwohl wir wissen, dass Leben in Gefahr sind?

Desinformation ist freiwillig. Viele Staatsoberhäupter und Vorstandsvorsitzende großer Unternehmen sind sich der Risiken bewusst, denn sie sind präsent und unbestreitbar, wie die globale Erwärmung, die zerstörerischen Überschwemmungen ganzer Städte, die riesigen Brände in Kalifornien, im Amazonasgebiet und in Spanien sowie das Auftreten verschiedener Viren, insbesondere des Coronavirus, von dem die gesamte Menschheit betroffen ist.

Sie leugnen diese eindeutigen Daten, weil sie antisystemisch sind. Das System des heutigen globalisierten Kapitals ist zunehmend konzentriert (1 % gegenüber 99 %). Würde man diese Daten ernst nehmen, müsste das Kapital seine Logik ändern, die Natur schützen, anstatt sie auszubeuten, und soziale und ökologische Gerechtigkeit fördern. Es reicht nicht aus, zu dekarbonisieren und gleichzeitig die Gier nach Akkumulation aufrechtzuerhalten. Wie die Erd-Charta feststellt: „Schaffen Sie Produktions- und Konsummuster, die die Regenerationsfähigkeit der Erde, die Menschenrechte und das Wohlergehen der Gemeinschaft schützen“ (§ II, 7). Dieses unmenschliche und unsolidarische System wird seine Vorteile und Privilegien niemals aufgeben. Wenn wir der Logik des Kapitals folgen, werden wir früher oder später auf eine große ökologisch-soziale Tragödie stoßen, die die Biosphäre und letztlich das Überleben der Menschheit auf diesem Planeten gefährden könnte, der, so begrenzt er auch ist, kein Projekt unbegrenzten Wachstums und unbegrenzter Entwicklung unterstützen kann.

2. Warum halten wir an Produktions- und Konsummodellen fest, die den Schwächsten schaden und nicht mit der 1,5-°C-Mission im Einklang stehen?

Es liegt nicht im Interesse des vorherrschenden Produktionssystems, Natur und Arbeiter übermäßig auszubeuten, da dies einen Paradigmenwechsel vom Akkumulationsparadigma hin zu einem Paradigma bedeuten würde, das alles Leben, sowohl menschliches als auch natürliches, erhält (CT § I). Vertreter dieses Systems stellen Profit über Leben, Gewalt gegen Natur und Menschen und Wettbewerb über Frieden und Zusammenarbeit. Sie sind sich der wissenschaftlich bewiesenen Tatsache der „Geistesverwandtschaft mit allem Leben“ (CT § Präambel c) nicht bewusst. Dieses System verhindert „soziale und wirtschaftliche Gerechtigkeit und die Beseitigung der Armut als ethisches, soziales und ökologisches Gebot“ (CT III § 9). Es leugnet seinen Platz im Ganzen der Lebewesen, da alle wichtig sind, um das Ganze zu bilden. Das Akkumulationssystem, ob kapitalistisch oder nicht, widerspricht der Logik der Natur und dem Prozess der Kosmogenese, da „alle Lebewesen mit Respekt und Rücksicht behandelt werden müssen“ (CT § III, 15), was es jedoch nicht tut. Darin liegt Ihre ethische Lücke.

3. Was können wir tun, um sicherzustellen, dass die reichen Länder, die große Produzenten und Verbraucher fossiler Brennstoffe sind, ihren Wandel beschleunigen und zur Finanzierung dieser Maßnahmen in den am stärksten gefährdeten Ländern beitragen?

Wir müssen die Empörung über dieses System, das so viele Opfer fordert, fördern. Wir müssen den Mut haben, jede Form von Druck auf dieses tödliche System auszuüben und uns für dessen Veränderung einsetzen. Wir müssen Bewegungen nutzen, die „sich mit Verständnis, Mitgefühl und Liebe um die Lebensgemeinschaft kümmern“ (CT § I, 2), und Druck auf Staaten und Unternehmen ausüben. Wir müssen wissen, wie wir bestehende Gesetze nutzen können, um die Umwelt zu schützen und die Konzentration von Reichtum zu begrenzen. All dies wurde dank des Drucks von unten erreicht. Aber Empörung und Druck reichen nicht aus. Wir müssen mit etwas Neuem und Alternativem beginnen. Der direkteste und erfolgreichste Weg ist, Bioregionalismus zu leben und zu fördern. Wir müssen die Region und das Territorium wertschätzen. Nicht solche, die durch willkürlich von Staaten gezogene Grenzen geschaffen wurden, wie etwa Gemeinden. Wir müssen die Region so annehmen, wie die Natur sie geschaffen hat, mit ihren Wäldern, ihren Flüssen, ihren Bergen – kurz gesagt, ihrer Natur und den Menschen, die dort leben. Es hat seine eigene einzigartige Kultur, seine Feste und seine bemerkenswerten Persönlichkeiten, die dort lebten: „Es geht um den Schutz und die Wiederherstellung der ökologischen Strukturen der Erde unter besonderer Berücksichtigung der biologischen Vielfalt und der lebenserhaltenden Prozesse“ (GK § II, 5). Eine Produktionsweise kann mit lokalen natürlichen Gütern und Dienstleistungen erreicht werden, ohne dass große Fabriken oder umfangreiche Transportwege erforderlich sind. Man nimmt der Natur, was benötigt wird, respektiert ihre Rhythmen und gibt ihr Zeit zur Erholung (§ 2 Nummer II: Ökologische Integrität). Es ist möglich und machbar, „demokratische Gesellschaften aufzubauen, die gerecht, partizipativ und friedlich sind“ (GK § I, 3), wodurch die Armut deutlich reduziert und sogar überwunden wird. Im Mittelpunkt steht die menschliche Lebensgemeinschaft, und alles andere dient diesem Zentrum. Das Ergebnis ist die Verwirklichung einer nachhaltigen Lebensweise, wie sie in der Erd-Charta (§ Der Weg nach vorn) festgelegt ist, und deren nachhaltige Entwicklung, die der jeweiligen Region angemessen ist. Heute leben unzählige Regionen der Welt dieses Projekt mit großer Integration aller. Die gesamte Erde könnte wie ein Teppich aus Bioregionen sein, die miteinander in Beziehung stehen und sich gegenseitig helfen, wodurch die Nachhaltigkeit des gesamten Planeten Erde gesichert würde.

4. Welche Traditionen, Geschichten oder Praktiken (kulturell, spirituell) in Ihrer Gemeinde lehren uns, in größerem Einklang mit der Natur zu leben?

Viele Städte forsten ihre Straßen und Plätze mit einheimischen Pflanzen auf. Andere führen Kampagnen durch, um degradierte Gebiete aufzuforsten oder um Flüsse von Abfällen, insbesondere von Plastik- und anderen Abfällen, zu befreien, um sicherzustellen, dass alle Flüsse und Bäche eine Ufervegetation haben, um die agrarökologische Landwirtschaft auf dem Lande und den Anbau von Gemüse und anderen Naturprodukten auf den Flächen zwischen den Gebäuden oder auf den Dächern zu fördern. Außerdem wird ein freundschaftliches Verhältnis zwischen den Verbrauchern in der Stadt und den Erzeugern auf dem Lande geschaffen, die sich gegenseitig besuchen und ihr Wissen austauschen. So entsteht eine echte Demokratie der Produktion und des Konsums.

5. Wie können wir in Anbetracht der Tatsache, dass wir die Vielfalt im Kollektiv garantieren müssen, mehr Menschen, Führungspersönlichkeiten, Unternehmen, Firmen und Nationen mobilisieren, um faire und ethische Veränderungen im Kampf gegen die Klimakrise zu unterstützen? Welche Ideen und Werte könnten uns bei dieser Aufgabe inspirieren?

Erstens ist es wichtig, alle Informationen über den Zustand der Erde und die drohenden Bedrohungen, die die Biosphäre und die menschliche Existenz gefährden könnten, zu teilen. Dabei ist es wichtig, Daten zum Earth Overshoot bereitzustellen – also wie viel Land und Meer wir benötigen, um den Lebensunterhalt der Menschheit zu sichern. Es wurde festgestellt, dass die Erde ins Minus geraten ist. In den ersten sieben Monaten des Jahres 2024 werden wir alle erneuerbaren Güter und Dienstleistungen der Erde, die das Leben erhalten, verbraucht haben. Wir benötigen derzeit fast zwei Erden, um den menschlichen Konsum zu decken, insbesondere den verschwenderischen Konsum der reichen Länder, zum Nachteil eines großen Teils der Menschheit, dem es an ausreichender Nahrung, Trinkwasser und sanitärer Infrastruktur mangelt (CT § III, 10). Allein im Jahr 2024 haben wir 40 Milliarden Tonnen CO² in die Atmosphäre freigesetzt, die dort hundert Jahre lang verbleiben, sowie 20 Milliarden Tonnen Methan, das 28-mal schädlicher ist als CO², obwohl es etwa 10 Jahre in der Atmosphäre verbleibt. All diese Verschmutzung erzeugt einen Treibhauseffekt, der den Planeten immer weiter aufheizt. Mittlerweile hat er die tolerierbare Marke von 1,5 °C überschritten. Im Jahr 2025 liegt er bei 1,7 °C und damit über dem im Pariser Abkommen von 2015 festgelegten Ziel. Dieses Abkommen sah vor, diesen Wert erst bis 20230 zu erreichen. Die Hitze war vorhersehbar und hatte schwerwiegende Folgen für die Menschheit: In europäischen Ländern stiegen die Temperaturen auf über 40–45 °C, in den Ländern des globalen Südens auf bittere Kälte. Die Wissenschaft kam zu spät und kann diese Erwärmung weder aufhalten noch umkehren, sondern nur vor ihrem Eintreffen warnen und ihre schädlichen Auswirkungen mildern. Wann wird sich die Erde auf ihrem neuen Klimaniveau stabilisieren? Bei 38–40 °C werden sich viele Lebewesen nicht anpassen können und verschwinden, sowohl in der Natur als auch in der Menschheit. Einen möglichen Atomkrieg mit „gegenseitig zugesicherter Zerstörung“, der das menschliche Leben beenden würde, denken wir noch nicht einmal daran. Oder eine andere Art von Krieg mit künstlicher Intelligenz, mit der eine Macht die andere so lahmlegen kann, dass nichts mehr funktioniert: Energie, Autos, Flugzeuge, Raketen und Kommunikationsmittel, bis hin zur völligen Auslöschung der anderen Nation. Dieser Krieg ist nicht unmöglich. Er zerstört nichts, aber er unterwirft eine ganze Nation oder die gesamte Menschheit – ein kybernetischer Despotismus, der alles kontrollieren würde, sogar die Privatsphäre. Autonome KI könnte entscheiden, dass die menschliche Spezies ihr nicht mehr nützlich ist, und beschließen, das Leben auf der Erde auszulöschen.

Dieses düstere Szenario veranlasst uns, ein neues Paradigma zu postulieren, das von der Erd-Charta und den beiden Enzykliken von Papst Franziskus vorgeschlagen wird: Laudato Si: über die Sorge für unser gemeinsames Haus (2015) und Fratelli tutti (2020). Dies wird in der Erd-Charta klar zum Ausdruck gebracht:

„Wir befinden uns in einem kritischen Moment in der Geschichte der Erde, in einer Zeit, in der die Menschheit über ihre Zukunft entscheiden muss… Unsere Wahl ist, entweder eine globale Allianz zu bilden, um für die Erde und für einander zu sorgen, oder unsere Zerstörung und die Zerstörung der Vielfalt des Lebens zu riskieren“ (2003, Präambel), Oder Papst Franziskus:

„Wir sitzen alle im selben Boot: Keiner wird allein gerettet, entweder wir retten uns alle oder wir gehen alle zugrunde“ (Fratelli, Nr. 34)

Die Erd-Charta ruft zu Respekt und Fürsorge für alles, was existiert und lebt, und zu universeller Verantwortung auf (§I,1). Der Papst weist auf den Wechsel vom dominus – dem Paradigma der Moderne und in der Welt vorherrschend – des Menschen als Besitzer und Herr der Natur, ohne sich als Teil von ihr zu fühlen, zum frater – dem Menschen als Bruder und Schwester mit allen Wesen. Da alle aus dem gleichen Staub der Erde stammen, alle den gleichen biologischen Grundcode haben (die 20 Aminosäuren und die 4 Stickstoffbasen), fühlt sich der Mensch als Teil der Natur, nicht als ihr Herr und Meister, und seine Aufgabe ist es, den Garten Eden (die Erde) zu hüten und zu bewahren. Die universale Geschwisterlichkeit muss vor allem zwischen allen Menschen bestehen und die große menschliche und irdische Gemeinschaft bilden” (Fratelli tutti, Nr. 6).

Dies wäre das neue Paradigma. Im Mittelpunkt stünde das Leben in seiner ganzen Vielfalt. Die Wirtschaft, die Politik und die Kultur im Dienste des Lebens.

Es ist wichtig zu betonen, dass eine Ethik der Fürsorge, der allgemeinen Verantwortung und der universellen Geschwisterlichkeit ohne natürliche Spiritualität nicht gewährleistet werden kann. Diese leitet sich nicht direkt aus der Religion ab, auch wenn sie diese verstärken kann, sondern aus der menschlichen Natur selbst. Diese natürliche Spiritualität ist ebenso Teil der menschlichen Natur wie Intelligenz, Wille und Sensibilität. Sie offenbart sich durch bedingungslose Liebe, Solidarität, Einfühlungsvermögen, Mitgefühl, Fürsorge und Ehrfurcht vor der Gesamtheit der Natur und des Universums und dem Schöpfer aller Dinge. Es ist die Erfahrung der natürlichen Spiritualität mit ihren Werten, die das ethische Verhalten unterstützen, das zum Schutz des Lebens auf der Erde notwendig ist.

Nur dieses neue Paradigma kann die Zukunft des Lebens im Allgemeinen, des menschlichen Lebens und seiner Zivilisation garantieren. Aber wie die Erd-Charta sagt: „Unsere ökologischen, wirtschaftlichen, politischen, sozialen und spirituellen Herausforderungen sind miteinander verbunden, und gemeinsam können wir umfassende Lösungen erarbeiten“ (CT§ Präambel c). Darin liegt die Lösung für unsere planetarische Krise. Deshalb besteht die Hoffnung, dass die Menschen ihren Kurs ändern und eine neue Etappe des menschlichen Abenteuers auf dem Planeten Erde einläuten können.

Leonardo Boff

(übersetzt von Bettina Gold-Hartnack)

Valutazione Etica Globale per la COP30

Leonardo Boff

La Presidenza della COP30 e il Global Ethical Assessment Circle, insieme al Movimento Globale della Carta della Terra, hanno lanciato un invito aperto a tutte le parti interessate a contribuire alla Valutazione Etica Globale (GES).

Pertanto, in qualità di membro della Earth Charter International, mi propongo di rispondere alle domande poste dalla Presidenza della COP30. Considero la Carta della Terra e l’enciclica di Papa Francesco, “Come prenderci cura della nostra casa comune“, le fonti ispiratrici per un’etica globale nei nostri tempi turbolenti.

Domande/Risposte:

1. Perché così spesso neghiamo o ignoriamo ciò che la scienza e i saperi tradizionali dicono sulla crisi climatica e condividiamo o tolleriamo la disinformazione, pur sapendo che le vite umane sono a rischio?

R/ La disinformazione è volontaria. Molti ricchi capi di stato e CEO di grandi aziende sono consapevoli dei rischi, poiché sono presenti e innegabili, come il riscaldamento globale, le inondazioni distruttive che hanno colpito intere città, gli immensi [e recenti] incendi in California, in Amazzonia e in Spagna, e persino la presenza di vari virus, in particolare il Coronavirus, che ha colpito l’umanità intera.

Negano questi dati chiari perché sono anti-sistemici. Il sistema del capitale oggi globalizzato è sempre più concentrato (1% contro il 99%). Prendere sul serio questi dati costringerebbe questo capitale a cambiare la sua logica, a prendersi cura della natura invece di sfruttarla eccessivamente, a coltivare la giustizia sociale ed ecologica. Non è sufficiente de-carbonizzare mantenendo la voracità dell’accumulazione. Come afferma la Carta della Terra: “Adottare modelli di produzione e consumo che proteggano le capacità rigenerative della Terra, i diritti umani e il benessere delle comunità” (§II, 7). Questo sistema disumano e privo di solidarietà non rinuncerà mai ai suoi vantaggi e privilegi. Seguendo la logica del capitale, prima o poi, ci troveremo di fronte a una grande tragedia ecologico-sociale che potrebbe avere ripercussioni sulla biosfera e, in ultima analisi, sulla sopravvivenza degli esseri umani su questo pianeta, che, essendo limitato, non può sostenere un progetto di crescita/sviluppo illimitato.

2. Perché continuiamo con modelli di produzione e consumo che pregiudicano i più vulnerabili e non sono in linea con la Missione 1,5°C?

R/ Non è nell’interesse del sistema dominante di produzione, che sfrutta eccessivamente la natura e i lavoratori, poiché ciò implicherebbe un passaggio da un paradigma di accumulazione a uno di sostegno a ogni forma di vita, sia umana che naturale (CT § I). I rappresentanti di questo sistema antepongono il profitto alla vita, la violenza contro la natura e gli esseri umani, la competizione al di sopra della pace e della collaborazione di tutti con tutti. Non sono consapevoli del fatto scientificamente provato dello “spirito di parentela con ogni forma di vita” (CT § Preambolo c). Questo sistema impedisce “la giustizia sociale ed economica e l’eliminazione della povertà come imperativo etico, sociale e ambientale” (CT III § 9). Nega il suo posto tra tutti gli esseri, poiché tutti sono importanti per comporre il Tutto. Il sistema di accumulazione, sia capitalista o in altro modo denominato, va contro la logica della natura e del processo di cosmo-genesi, poiché “tutti gli esseri devono essere trattati con rispetto e considerazione” (CT § III, 15), cosa che non fa. Qui risiede il suo vuoto etico.

3. Cosa possiamo fare per garantire che i paesi ricchi, i principali produttori e consumatori di combustibili fossili, accelerino le loro transizioni e contribuiscano a finanziare queste misure nei paesi più vulnerabili?

R/ Dobbiamo alimentare l’indignazione contro questo sistema che miete così tante vittime. Dobbiamo avere il coraggio di esercitare ogni tipo di pressione contro questo sistema che uccide e impegnarci a cambiarlo. Utilizzare i movimenti che “si prendono cura della comunità della vita con comprensione, compassione e amore” (CT § I, 2) e fare pressione su Stati e aziende. Saper usare le legislazioni esistenti che proteggono l’ambiente e limitano la concentrazione della ricchezza. Tutto questo è stato ottenuto grazie alla pressione dal basso. Ma l’indignazione e la pressione non bastano. Dobbiamo iniziare con qualcosa di nuovo e alternativo. La via più diretta e con buoni risultati è vivere e promuovere il bio-regionalismo. Valorizzare la regione e il territorio. Non quello stabilito con confini tracciati arbitrariamente dagli Stati, come i comuni. Dobbiamo abbracciare la regione così come la natura l’ha disegnata, con le sue foreste, i suoi fiumi, le sue montagne – in breve, la sua natura e le persone che abitano lì. Essa possiede la sua cultura unica, le sue feste e le sue personalità illustri: “si tratta di proteggere e ripristinare i disequilibri ecologici della Terra, con particolare attenzione alla diversità biologica e ai processi che sostengono la vita” (CT § II, 5). Un modo di produzione può essere realizzato con beni e servizi naturali locali, senza la necessità di grandi fabbriche o di trasporti estesi. Prendendo dalla natura ciò di cui abbiamo bisogno e rispettandone i ritmi e dandole il tempo di riprendersi (§ tutto il capitolo II: Integrità ecologica). È possibile e praticabile “costruire società democratiche che che siano eque, partecipative e pacifiche” (CT ​​§ I, 3), riducendo significativamente la povertà e persino superandola. Il centro è la comunità umana e di vita, e tutto il resto è al servizio di questo centro. Il risultato è il raggiungimento di uno stile di vita sostenibile, come affermato nella Carta della Terra (§ La Via da Seguire), e con il suo sviluppo sostenibile, appropriato a quella regione. Oggi, ci sono innumerevoli regioni nel mondo che vivono questo progetto con grande integrazione di tutti. L’intera Terra potrebbe essere come un arazzo di bio-regioni che interagiscono tra loro e si aiutano a vicenda, preservando così la sostenibilità dell’intero pianeta Terra.

4. Quali tradizioni, storie o pratiche (culturali, spirituali) della sua comunità ci insegnano a vivere in maggiore equilibrio con la natura?

R/ Molte città ripiantano alberi autoctoni in strade e piazze. Altre conducono campagne per riforestare spazi degradati o pulire i fiumi dai rifiuti, specialmente plastica e altri, garantire foreste ripariali lungo tutti i fiumi e i torrenti, incoraggiare l’agricoltura agro-ecologica nei campi e la coltivazione di ortaggi e altri prodotti naturali negli spazi tra gli edifici o sui tetti. Stabilire anche un rapporto amichevole tra consumatori urbani e produttori rurali. Visitandosi mutuamente e scambiandosi saperi. Questo crea una vera democrazia di produzione e consumo.

5. Considerando che dobbiamo garantire la diversità nella collettività, come possiamo mobilitare più persone, leader, corporazioni, imprese e nazioni per sostenere cambiamenti giusti ed etici nella lotta alla crisi climatica? Quali idee e valori potrebbero ispirarci in questa missione?

R/ In primo luogo, dobbiamo condividere ogni tipo di informazione sullo stato della Terra e sulle minacce che gravano su di essa, al punto da mettere in pericolo la biosfera e l’esistenza umana. Qui, è importante fornire dati sull’Earth Overshoot, ovvero la quantità di suolo e di mare di cui abbiamo bisogno per garantire la sussistenza dell’umanità. Si è verificato che la Terra è in rosso. Nel 2024, nei primi sette mesi dell’anno, abbiamo consumato tutti i beni e i servizi rinnovabili della Terra che garantiscono la vita. Attualmente abbiamo bisogno di quasi due Terre per soddisfare il consumo umano, in particolare il consumo opulento dei paesi ricchi, a scapito di gran parte dell’umanità che non possiede cibo a sufficienza e soffre la mancanza di acqua potabile e infrastrutture igienico-sanitarie (CT § III, 10). Solo nel 2024, abbiamo rilasciato nell’atmosfera 40 miliardi di tonnellate di CO², che vi rimangono per cento anni, insieme a 20 miliardi di tonnellate di metano, che è 28 volte più dannoso della CO², sebbene rimanga nell’atmosfera per circa 10 anni. Tutto questo inquinamento produce un effetto serra che riscalda sempre di più il pianeta. Si è ormai superato il livello sopportabile di +1,5 °C. Nel 2025, è a +1,7 °C, al di sopra dell’obiettivo dell’Accordo di Parigi del 2015, che mirava a raggiungere questo livello solo entro il 2030. Il riscaldamento globale è stato anticipato e ha avuto gravi conseguenze umane, con temperature superiori a 40-45 °C nei paesi europei e freddo intenso nel Sud del mondo. La scienza è arrivata in ritardo e non può né arrestare né invertire questo riscaldamento, ma solo avvertire del suo arrivo e mitigarne gli effetti dannosi. Quando la Terra si stabilizzerà al suo nuovo livello climatico? Se le temperature fossero intorno ai 38-40 °C, molte vite non saranno in grado di adattarsi e scompariranno, sia nella natura che nell’umanità. Non abbiamo nemmeno menzionato una possibile guerra nucleare con “distruzione reciproca assicurata” che porrebbe fine alla vita umana. O un altro tipo di guerra utilizzando l’Intelligenza Artificiale Generale, attraverso la quale una potenza può immobilizzarne un’altra in modo tale che nulla possa funzionare: energia, automobili, aerei, razzi, mezzi di comunicazione, fino al punto di mettere in ginocchio l’altra nazione. Questa guerra non è impossibile. Non distrugge nulla, ma soggioga un’intera nazione o l’intera umanità, un dispotismo cibernetico che controllerebbe tutto, persino la vita privata. Un’IA autonoma potrebbe decidere che la specie umana non è più conveniente e stabilire di sterminare la vita sulla Terra.

Tutto questo desolante scenario ci porta a postulare un nuovo paradigma, suggerito dalla Carta della Terra e dalle due encicliche di Papa Francesco: Laudato Si’: sulla cura della nostra casa comune (2015) e la Fratelli Tutti (2020).

La Carta della Terra afferma chiaramente:

Siamo in un momento critico nella storia della Terra, un’epoca in cui l’umanità deve scegliere il suo futuro… La nostra scelta è: o formiamo un’alleanza globale per prenderci cura della Terra e gli uni degli altri, o rischiamo la nostra distruzione e la distruzione della diversità della vita” (2003, Preambolo).

Oppure Papa Francesco:

Siamo tutti sulla stessa barca: nessuno si salva da solo; o ci salviamo tutti, o periamo tutti” (Fratelli Tutti n. 34).

La ​​Carta della Terra invoca il rispetto e la cura per tutto ciò che esiste e vive, e per la responsabilità universale (§ I, 1). Il Papa sottolinea il passaggio dal dominus – paradigma della modernità e prevalente nel mondo – l’essere umano come padrone e signore della natura senza sentirsi parte di essa, al frater, l’essere umano fratello e sorella di tutti gli esseri. Poiché tutti provengono dalla stessa polvere della Terra; tutti hanno lo stesso codice biologico di base (i 20 amminoacidi e le 4 basi azotate); l’essere umano si sente parte della natura, non suo padrone e signore, essendo la sua missione quella di prendersi cura e custodire il Giardino dell’Eden (la Terra). La fraternità universale deve essere, innanzitutto, tra tutti gli esseri umani, formando la grande comunità umana e terrena” (Fratelli tutti, n. 6).

Questo sarebbe il nuovo paradigma. Il centro sarebbe la vita in tutta la sua diversità. L’economia, la politica e la cultura al servizio della vita.

È importante sottolineare che un’etica della cura, della responsabilità generale e della fraternità/sorellanza universale non può essere garantita da sola senza la spiritualità naturale. Questa non deriva direttamente dalla religione, anche se può rafforzarla, ma dalla propria natura umana. Questa spiritualità naturale è parte della natura umana tanto quanto l’intelligenza, la volontà e la sensibilità. Essa si rivela attraverso l’amore incondizionato, la solidarietà, l’empatia, la compassione, la cura e la riverenza per la totalità della natura e dell’universo e per il Creatore di tutte le cose. È l’esperienza della spiritualità naturale con i suoi valori che sostiene i comportamenti etici, necessari per salvaguardare la vita sulla Terra.

Solo questo nuovo paradigma può garantire il futuro della vita in generale, della vita umana e della sua civiltà. Altrimenti, potremmo unirci alla processione di coloro che si dirigono verso il loro fossa comune. Ma come afferma la Carta della Terra: “Le nostre sfide ambientali, economiche, politiche, sociali e spirituali sono interconnesse e insieme possiamo forgiare soluzioni inclusive” (CT § Preambolo c). È qui che risiede la soluzione alla nostra crisi planetaria. Pertanto, prevale la speranza che l’essere umano possa cambiare rotta e inaugurare una nuova fase nell’avventura umana sul pianeta Terra.

(Traduzione dal portoghese di Gianni Alioti)

         Pace e guerra sotto Trump

     Leonardo Boff*

Jamil Chade, giornalista brasiliano e internazionale, ha espresso molto bene il progetto geopolitico di Donald Trump: “Egli ha già chiarito: non si impegnerà nella diplomazia. Agirà con la forza, sia militare che economica e commerciale. La sua costruzione di un nuovo ordine non implica la pace. Ma piuttosto la capitolazione dell’avversario”. Gli accordi tariffari con quasi tutti i paesi sono più imposizioni sue che il frutto di una negoziazione. Questa si chiama capitolazione. È merito del governo brasiliano, riconosciuto da figure di spicco dell’economia e della politica mondiale, non essersi piegato, ma di aver respinto sovranamente l’imposizione di dazi del 50% sui nostri prodotti, per ragioni ingiustificabili. Trump è un militarista e un imperialista.

Pertanto, dobbiamo ricercare le cause nascoste dietro questo imperialismo e la negazione della diplomazia, con la minaccia di guerra e capitolazione. È la sua volontà di dominio, secondo il mantra “un mondo – un solo impero” (quello degli USA). È importante riconoscere che esiste un grave conflitto di interessi geopolitici, etnici ed economici, nonché l’esistenza di profonde disuguaglianze, soprattutto nel Sud globale, rispetto al Nord globale, che potrebbero minacciare l’impero costituito.

È essenziale identificare queste connessioni occulte, come condizione per comprendere la geopolitica di Trump e anche per raggiungere una pace vera e duratura. La risposta non è un’altra guerra. M una pace disarmata e disarmante, secondo l’attuale Papa. Questa pace disarmata utilizza mezzi politici, diplomatici e la partnership con altri governi che a loro volta vogliono la pace, con i movimenti sociali, con la mobilitazione delle religioni e chiese e il coinvolgimento con gruppi che praticono alternative.

Chico Mendes in Amazzonia era un sostenitore di questo tipo di pace disarmata. Ha mobilitato le popolazioni della foresta, i raccoglitori di caucciù e i popoli indigeni per contrastare gli avamposti della deforestazione, organizzando i famosi “empates” (sit-in di persone di ogni tipo – bambini, donne, anziani e lavoratori con i loro attrezzi di lavoro – che si schieravano davanti ai trattori che distruggevano la foresta).

Questo tipo di pace, che si oppone alla violenza, è allo stesso tempo una geopolitica con la sua strategia e tattica, ma anche uno spirito di pace profonda che rinuncia all’uso della violenza come mezzo per risolvere e gestire i conflitti, impegnandosi a renderli il più possibile non distruttivi. Così è antimperialista ed esclude la guerra come mezzo per creare un nuovo ordine tra le nazioni, come vuole Trump. La guerra è perversa perché decima vite, soprattutto, innocenti come nella Striscia di Gaza. Essa si oppone frontalmente al comandamento transculturale: “non uccidere”.

La pace armata non mira alla pace, ma è una pacificazione imposta da Trump. Essa presuppone che la realtà sia un’arena in cui si combattono costantemente conflitti e guerre. La coesistenza tra individui, comunità e popoli è possibile, ma minacciata da continue rotture. Gli stati-nazione e i paesi centrali che egemonizzano la condotta della storia sono campi di battaglia per il potere, per determinare chi è il più forte, con l’eventuale “distruzione reciproca assicurata”.

Il grande giurista e politologo Carl Schmitt (1888-1986), nel suo libro Le categorie del ‘politico’ (il Mulino, 2014), sostiene la tesi che l’identità di un popolo si definisce e si riafferma nella misura in cui è in grado di identificare un nemico e di impegnarsi in un combattimento permanente, attraverso il pregiudizio, la diffamazione e la demonizzazione dell’altro. Non a caso, fu l’ideologo di Adolf Hitler. Carl von Clausewitz (1780-1831: Sulla guerra, 1976) attribuisce centralità alla guerra nella condotta della storia e vede la politica come una guerra condotta con altri mezzi.

Furono proprio queste visioni di violenza a dare origine all’omicidio amministrativo praticato dal colonialismo europeo in Africa, in America Latina e in Asia, decimando milioni di indigeni in pochi anni, come accadde in Messico e nei Caraibi nel XVI secolo.

Con la guerra totale, inaugurata da Hitler nella Seconda Guerra Mondiale, si somma la “fabbricazione sistematica di cadaveri nei campi di sterminio nazisti” (Hannah Arendt). Queste “fabbriche di sterminio” non avevano alcuna necessità militare. Lì prevaleva l’esecuzione banale, burocratica e tecnica della morte, senza alcun scrupolo e senza qualsiasi sentimento morale. Era la pura espressione del razzismo e dell’odio. Solo nel XX secolo, sono state uccise 200 milioni di persone nelle numerose guerre che si verificarono. Ciò rappresenta un alto livello di barbarie e negazione di qualsiasi principio di civiltà.

Infine, negli ultimi anni sono emerse armi di distruzione di massa, in particolare quelle che utilizzano l’Intelligenza Artificiale Generale con i suoi miliardi di algoritmi, in grado di spazzare via la specie umana e gran parte della biosfera.

Questa modalità di guerra ha profondamente alterato la percezione che l’essere umano ha di sé stesso. Egli può autodistruggersi. La sua fine non deriva da un cataclisma naturale o dalla volontà divina, ma dalle proprie decisioni umane o dalla delega a un’intelligenza artificiale autonoma, le cui decisioni sfuggono al controllo umano. Dopo essersi appropriato dell’alfabeto genetico della vita, l’essere umano finisce per appropriarsi della propria morte.

Questo fatto assume dimensioni metafisiche che ci fanno pensare su chi sia l’essere umano e sul suo posto nell’universo. Lui è stato l’ultimo degli esseri superiori a entrare nel processo evolutivo: sarà che non lo sia stato per porre fine a questo processo, diventando il grande killer del nostro sistema solare e colpendo l’intero processo della cosmogenesi?

Sono queste constatazioni altamente perverse che affollano la mente di Trump. È stato scoperto che gli USA, sin dalla loro fondazione, sono sempre stati coinvolti in qualche tipo di guerra, avendo conosciuto solo 17 anni di pace tra le guerre.

Questo non significa che non abbiamo più fiducia nell’essere umano, capace di creare relazioni pacifiche e lasciando così spazio a una pace disarmata e non alla guerra.

Leonardo Boff è un ex professore presso l’Università Statale di Rio de Janeiro (UERJ), professore ospite in diverse università straniere e autore di oltre cento libri su vari argomenti.

(Traduzione dal portoghese di Gianni Alioti)