Sei em quem NÃO vou votar em 2018: R. Malvezzi – L.Boff

Aqui publico um texto que vai ao encontro ao que  penso e também vou fazer com referência às eleições gerais de 2018. Roberto Malvezzi (Gogó) é um dos melhores conhecedores das questões do semi-árido e das águas no mundo e em nosso país. Vive na região das secas ajudando o povo a subsistir, a manter viva a esperança, a adaptar-se àquele eco-sistema e encontrar tecnologias sociais que favorecem à essa adaptação e formas de aproveitamento de toda biodiversidade existenten na região. Une luta com estudo, compromisso apaixonado pelos sofredores com uma visão espiritual do mundo. Apenas acrescento algo ao texto dele que surgiu depois que tinha sido elaborado: a reintrodução da permissividade com relação ao trabalho escravo, conseguida nas negocições espúrias do Presidente Temer com o agro-negócio para garantir votos na Câmara  dos Deputados a fim  de sustar o processo contra Temer junto ao STF. Vale divulgar  esse texto corajoso e comprometido com a democracia e contra todo tipo de corrupção. LBoff

*************************

Não sei em quem votarei em 2018, mas já sei em quem não vou votar.
Não voto em nenhum deputado que votou pelo golpe no país. Eles são mais de 360. Não voto também em nenhum senador que confirmou o golpe. Eles são mais de 60. Eles destruíram o fiapo da democracia que tínhamos e implantaram no Brasil uma ditadura civil.

Não votarei em nenhum deputado ou senador que pertença à bancada do boi porque depredam nossas matas e nossas águas; da bala porque estão convictos que violência só se resolve com mais violência; e nem da Bíblia, porque manipulam a palavra de Deus para seus interesses pessoais, corporativos e mesquinhos numa verdadeira perversão da Bíblia.
Não votarei em nenhum presidenciável que apoiou o golpe.

Não votarei em nenhum deputado, ou senador, ou governador, ou presidenciável, que votou ou apoiou a reforma trabalhista, a reforma da previdência, da educação e a PEC que congelou gastos em saúde e educação por mais de 20 anos, condenando nosso povo à miséria e ao desamparo na velhice e na doença.

Não votarei em nenhum deputado ou senador que votou pelas mudanças na legislação ambiental, sacrificando as matas, os rios, os povos indígenas, os quilombolas e todas as nossas gerações futuras.
Não votarei em nenhum candidato do empresariado brasileiro, particularmente da FIESP, que promoveu a reforma trabalhista e o encolhimento do salário mínimo. Esses empresários não querem trabalhadores, querem escravos, sem ao menos assumir a responsabilidade de manter vivos os seus escravos, como era norma no tempo da escravidão.
Não votarei em nenhum entreguista da Petrobrás, do Pré-sal, dos territórios brasileiros, da base de Alcântara, da privatização da Eletrobrás, assim por diante.

Também não votarei em candidatos a qualquer cargo envolvidos comprovadamente com corrupção. Ela leva 200 bilhões de reais dos cofres públicos todos os anos e isso ajuda matar o povo brasileiro.

Não votarei jamais naqueles deputados e senadores e eventuais cadidatos vindos do agro-negócio que pressionaram o presidente Temer e ele cedeu para acabar com o rigor no cambate ao trabalho escravo ou semelhante ao trabalho escravo, reintroduzindo a possibilidade da escravatura no  trabalho de campo no Brasil. Fomos os últimos a proclamr  a abolição da escravatura e estamos sendo os primeiros no mundo a reintroduzi-lo contra as decisões da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e das opiniões de notáveis como o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, da Procuradoria Geral da República e de grandes jurista e das organizações sociais e da maioria do povo.

Vou aguardar para ver se algum presidenciável propõe a revogação de todas essas perversidades políticas, econômicas, sociais e ambientais impostas ao povo brasileiro.
Vou aguardar por algum presidenciável que se comprometa efetivamente com a democracia, não com golpes de qualquer espécie.

Vou tentar achar algum candidato que pense em inclusão social pela educação e trabalho, em respeito aos trabalhadores, às crianças, aos idosos, aos indígenas, aos quilombolas e ao meio ambiente ao qual pertencemos e do qual dependemos.
Pode ser que haja poucos, pouquíssimos com esse perfil, como achar agulha em palheiro, mas eles existem.
Se esses excluídos de minha lista vão ganhar ou não, não sei. Só sei que não será com meu voto.

Roberto Malvezzi : http://www.robertomalvezzi.com.br

Leonardo Boff

A força dos pequenos: a Teologia da Libertação

 Sempre que se celebra um Foro Social Mundial, três dias antes, acontece também um Foro Mundial da Teologia da Libertação. Participam mais de duas mil pessoas de todos os Continentes (Coreia do Sul, vários países de Africa, dos EUA, da Europa e de toda a América Latina) que praticam em seus trabalhos este tipo de teologia. Ela implica sempre ter um pé na realidade da pobreza e da miséria e outro pé na reflexão teológica e pastoral. Sem esse casamento não existe Teologia da Libertação que mereça esse nome.

De tempos em tempos, fazemos nossas avaliações. A pergunta primeira é: como está o Reino de Deus  aqui em nossa realidade contraditória? Onde estão os sinais do Reino em nosso Continente, mas também na China, na África crucificada, especialmente no meio dos pequenos de nossos países? Perguntar pelo Reino não é perguntar como está a Igreja, mas como vai o sonho de Jesus, feito de amor incondicional, de solidariedade, de compaixão, de justiça social, de abertura ao Sagrado e que centralidade se confere aos oprimidos? Esses e outros valores constituem o conteúdo do que chamamos Reino de Deus, a mensagem central de Jesus. O nome é religioso mas seu conteúdo é humanístico e universal.  Ele veio nos ensinar a viver esses valores e não simplesmente transmitir-nos doutrinas sobre eles.

Igualmente, quando se pergunta como está a Teologia da Libertação a resposta está contida nesta pergunta:  como estão sendo tratados os pobres e os oprimidos, as mulheres, os desempregados, os povos originários, os afro-descendentes e outros excluidos? Como  entram na prática libertadora dos cristãos? Releva enfatizar que o importante não é a Teologia da Libertação mas o fato da libertação concreta dos oprimidos. Esta é uma presença do Reino e não a reflexão que se faz.

Entre os dias 12-14 de outubro, em Puebla no México, ocorreu um encontro de uns 50 teólogos e teólogas, vindos de toda a América Latina. Foi organizado por Ameríndia que é uma rede de organizações e de pessoas comprometidas com os processos de transformação e de libertação de nossos povos. Esta diligência, feita em chave cristã e crítica, analisa o momento histórico em que vivemos, numa perspectiva holística, enfatizando  os conteúdos místicos/proféticos e metodológicos da Teologia da Libertação, feita a partir dessa realidade.

Aí estavam alguns dos “pais fundadores” deste tipo de teologia (começos dos anos  de 1970), todos entre 75-85 anos que se encontravam com a nova geração de jovens teólogos (indígenas entre eles) e teólogas  (algumas negras e indígenas). Numa atmosfera profundamente igualitária e fraterna, queríamos identificar novas sensibilidades, novos enfoques e maneiras de processar esse tipo de teologia que dignidade atribuímos aos que não contam e são feitos invisíveis em nossa sociedade de cunho neoliberal e capitalista.

Ao invés de palestras – houve apenas duas introdutórias na abertura – preferiu-se trabalhar em mesas redondas, em pequenos grupos e trocas em mutirão. Depois se faziam resumos para o plenário e em seguida discutiam-se os pontos relevantes. Desta forma todos podiam participar num enriquecimento fecundo. Havia teólogos/as que trabalham no meio de indígenas, outros nas periferias pobres das cidades, outros a questão de gênero (como superar relações de poder desigual entre homens e mulheres) em toda uma região, outros eram professores e pesquisadores universitários mas organicamente vinculados aos movimentos sociais. Todos vinham de experiências fortes e até perigosas, especialmente na América Central com os cartéis do narcotráfico, os desaparecimentos, os “marras”(crime organizado de jovens violentos) e a violência policial. Todos os trabalhos foram transmitidos pela internet e havia milhares de seguidores em todo o Continente.

Não se pode resumir a densidade reflexiva de  três dias de trabalho intenso Mas ficou claro que há varias formas de entender arealidade (epistemologias), seja dos povos originários, seja dos afro-descendentes seja de homens e de mulheres, seja de marginalizados e de integrados. Para todos era evidente que não se pode resolver o problema dos pobres sem a participação dos próprios pobres. Eles devem ser os sujeitos e protagonistas de sua libertação. Nós  nos dispomos a ser aliados e força secundária.

A Teologia da Libertação dos “velhos”  e dos novos é como uma semente que representa a “força dos pequenos”, lema do encontro. Essa semente, não morreu. Continuará viva enquanto houver um único ser humano oprimido que grita por libertação.

Recordamos  o poema de Pablo Neruda:”Como sabem as raízes que devem subir à luz e saudar o ar com flores e cores”? Com Dostoievsky e com o Papa Francisco também cremos que, no fundo, é a beleza que salvará o mundo, fruto do amor à vida e àqueles que injustamente menos vida têm.

Leonardo Boff é articulista do JB on line, teólogo e escritor.

 

El pueblo de México dio ejemplo al mundo

Los días 19 y 23 de septiembre, México fue sacudido por dos terremotos, uno de magnitud 7,1 y otro de 6,1 en la escala Richter, que alcanzaron a 5 Estados, decenas de municipios, incluida la capital, Ciudad de México, colapsando centenares de casas y produciendo grietas en otros cientos de edificios. Iglesias bellísimas, como la de san Francisco de Asís en Puebla, vieron sus torres derribadas.

Todavía se acuerdan todos del terrible terremoto de 1985 que produjo más de diez mil víctimas. Este, aunque ha sido muy fuerte, mató a 360 personas. He estado posteriormente en México y en Puebla, invitado para dar conferencias, y he podido verificar in situ los estragos y el trauma ocasionado en la gente.

Pero lo que ha llamado la atención general ha sido el espíritu de solidaridad y de cooperación del pueblo mexicano. Sin que nadie las convocase, miles de personas, especialmente los jóvenes, se pusieron a remover escombros para salvar a las víctimas enterradas. Se organizaban grupos espontáneamente y este espíritu de solidaridad pudo salvar muchas vidas.

Inmediatamente se crearon centros de recogida de ayuda a las víctimas, ya fuera con mucha agua, víveres, ropa, mantas y todo tipo de utensilios importantes para una casa. En el momento en que escribo este artículo (13/10/17) todavía se ven muchos lugares de acopio. La cooperación no conoce límites.

Narro solamente dos hechos que son conmovedores. El primero: el edificio de una escuela se derrumbó lentamente con muchos niños dentro. Un joven, viendo que en medio de las ruinas se había formado una especie de canal, penetró rápidamente por el agujero y sacó a varios niños de 5-7 años. Apenas había sacado al último cuando detrás de él cayó otra parte de la escuela, salvándose por segundos.

Segundo hecho: una joven señora, de unos 30 años de edad, estuvo 34 horas debajo de los escombros. Concedió una conmovedora entrevista por la televisión, narrando las distintas fases de su tragedia. Aprisionada entre los escombros, una plancha de concreto quedó fijada a un palmo de su rostro. Durante 30 horas no oía ninguna voz, ni pasos, ni ningún ruido que significara la aproximación de alguien que pudiese rescatarla.

Entonces narró los distintos estadios psicológicos, semejantes a los que conocemos cuando un enfermo recibe la noticia del carácter incurable de su enfermedad y de la proximidad de la muerte.

En un primer momento, esta señora se preguntaba: ¿por qué precisamente yo debo pasar por esta desgracia? Después, casi desesperada, se puso a llorar hasta quedarse sin lágrimas. En el momento siguiente, se puso a rezar y a suplicar a Dios y a todos los santos y santas, especialmente a la Virgen de Guadalupe, la de mayor devoción de los mexicanos. Finalmente, se resignó y confiadamente se entregó a la voluntad misteriosa de Dios. Pero no perdió la esperanza.

Por fin, oyó pasos y después voces. La esperanza se fortaleció. Después de 34 horas, literalmente sepultada bajo una montaña de escombros, pudo ser rescatada. Y he aquí que, alegre y entera, acompañada por una psicoanalista especializada en tratar traumas psicológicos como los causados por un repentino terremoto, allí estaba ella dando testimonio de su terrible experiencia.

México es una región marcada geológicamente por terremotos, dada la configuración de las placas tectónicas de su subsuelo. El ser humano no tiene poder sobre estas fuerzas telúricas. Lo que puede hacer es precaverse, aprender a construir sus edificaciones, resistentes a terremotos al modo de los japoneses y, sobre todo, acostumbrarse a convivir con esta realidad indomable. De manera semejante lo hace la población de nuestro semiárido nordestino, que debe adaptarse y aprender a convivir con la sequía que puede durar largos años, como ocurre actualmente.

En el debate tras una conferencia en la Universidad Iberoamericana, en la ciudad de México, una señora declaró: “si nuestro país y si la humanidad entera viviesen ese espíritu de solidaridad y de cooperación, no habría pobres en el mundo y habríamos rescatado una parte del paraíso perdido”.

Yo reforcé esta desiderata suya y le dije que fue la cooperación y la solidaridad de nuestros antepasados antropoides, que comenzaron a comer juntos, lo que les permitió dar el salto de la animalidad a la humanidad. Lo que fue verdad ayer, debe ser verdad todavía hoy. Sí, la solidaridad y en general la cooperación de todos con todos podrá rescatar nuestra esencia y hacernos plenamente humanos.

En estos días recientes el pueblo mexicano nos ha dado un espléndido ejemplo de esta verdad fundamental.

*Leonardo Boff es articulista del JB online, conferencista y escritor.

Traducción de Mª José Gavito Milano

 

Il popolo messicano ha dato una lezione al mondo

Il 19 e il 23 settembre, il Messico è stato scosso da due terremoti, uno di magnitudine 7,1 e l’altro di 6,1, secondo la scala Richter. Hanno interessato cinque Stati, decine di municipi compresa la capitale, Città del Messico, facendo collassare centinaia di case e producendo crepe in altre centinaia di edifici. Bellissime chiese come quelle di S. Francesco d’Assisi a Puebla hanno avuto le torri abbattute. Tutti ricordano ancora il terribile terremoto del 1985 che fece più di diecimila vittime. Questo, anche se forte, ha fatto circa 360 vittime.

Qualche tempo dopo, invitato a tenere alcune conferenze, mi sono recato in Messico e a Puebla, e ho potuto verificare in loco i danni e i traumi causati alle persone.

Ma ciò che più ha attirato l’attenzione generale è stato lo spirito di solidarietà, di cooperazione del popolo messicano. Senza che nessuno facesse appelli, migliaia di persone, specialmente giovani, si sono messi a rimuovere le macerie per salvare le vittime bloccate sotto terra. Si organizzavano spontaneamente e questo spirito di solidarietà ha potuto salvare molte vite.

A tempo, di record furono allestiti centri di raccolta di aiuti per le vittime, ossia: acqua,viveri, vestiti, coperte, ogni tipo di utensile ritenuto importante per una casa. Ancora in questo momento in cui scrivo questa cronaca (13. 10. 17) si vedono molti centri di “acopio”, ricevimento e smistamento di aiuti. La cooperazione non conosce limiti.

Vi racconterò soltanto due fatti commoventi. Il primo: l’edificio di una scuola stava crollando lentamente bloccando all’interno molti bambini. Un giovane, vedendo che in mezzo alle rovine si è formato una specie di corridoio, penetra rapidamente in quello spazio liberando parecchi bambini di 6 e 7 anni. Non appena ritirato l’ultimo bambino, alle sue spalle cade l’altra parte della scuola: salvi per una questione di secondi.

Secondo fatto: una giovane signora,di circa trent’anni, rimane 34 ore sotto le macerie. Commovente l’intervista alla TV che descrive le varie fasi della sua tragedia. Prigioniera delle macerie, una trave di calcestruzzo si ferma a un palmo del suo viso. Per 30 ore non sente nessuna voce, né passi né un rumore qualsiasi come segno che qualcuno si avvicinava e avrebbe potuto salvarla. Nell’intervista si narrano i vari stadi psicologici, somiglianti a quelli che conosciamo, quando un malato riceve la notizia che la sua malattia è incurabile e la morte si sta avvicinando.

In un primo momento la signora si domanda “perché proprio a me deve capitare questa disgrazia?” E così, quasi, disperata, si mette a piangere fino all’ultima lacrima. Subito dopo, incomincia a pregare e a supplicare Dio e tutti i Santi e le Sante, specialmente la Vergine di Guadalupe, che gode della massima devozione dei messicani. Alla fine, rassegnata, si abbandona con fiducia alla misteriosa volontà di Dio. Ma senza perdere la speranza.

Infine sente dei passi, poi delle voci. La speranza si rafforza Dopo 34 ore letteralmente sepolta sotto una montagna di detriti, può essere liberata. Eccola, allegra e illesa in compagnia di una psicanalista, specializzata nel trattare traumi psicologici come quelli causati da un terremoto improvviso, eccola qui a testimoniare la sua terribile esperienza.

Il Messico è una regione geologicamente marcata da terremoti, a, causa della configurazione delle placche tettoniche del suo sottosuolo. L’essere umano non ha potere su queste forze telluriche. Quel che può fare è giocare d’anticipo, imparando a costruire edifici resistenti al terremoto come hanno fatto i giapponesi e soprattutto può abituarsi a convivere con questa realtà indomabile.

Allo stesso modo fanno le popolazioni del semi-arido del nord est che si devono adattare e imparare a convivere con la siccità che può durare per lunghi anni, come sta accadendo attualmente.

Nel dibattito, dopo una conferenza all’Università Ibero-americana, a Città del Messico, una signora ha dichiarato : “Se il nostro paese e l’umanità intera vivessero questo spirito di solidarietà, di cooperazione, non ci sarebbero poveri al mondo e avremmo riscattato una parte del paradiso perduto”.

Io ho rinforzato i desiderata della signora e le ho detto che era stata la cooperazione e la solidarietà dei nostri antenati antropoidi quando cominciarono a mangiare insieme, il che a loro permesso il salto dalla animalità all’umanità. Ciò che era vero ieri è vero anche oggi. Sì, la solidarietà e la cooperazione generale di tutti potrà riscattare l’essenza umana e farsi pienamente umana.

Al giorno d’oggi è stato il popolo messicano che ci ha dato uno splendido esempio di questa verità fondamentale.

Leonardo Boff é ecoteologo della liberazione, filosofo e scritore.

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato.