O “não” do Papa Francisco ao sacerdócio das mulheres: resquícios do patriarcado                                       

Ultimamente o Papa Francisco surpreendeu os teólogos com uma entrevista dada à revista jesuita America de 22 de novembro, dizendo um “não”ao sacerdócio das mulheres. Utilizou uma argumentação inusitada,tomada de um teólogo ex-jesuíta Hans Urs von Balthazar, muito erudito mas metido numa relação singular com uma  médica e mística suiça  Adrienne von Speyer. Dele o Papa toma uma distinção que lhe permitiu negar ao sacerdócio à mulher: o princípio-mariano e o princípio-petrino. Curiosa e inusitada é esta distinção do Papa Francisco. Maria seria  a esposa da Igreja, enquanto Pedro é seu condutor.

Observemos que dizer Maria como esposa da Igreja é uma metáfora e não um definição real como afirmar “a Igreja é a comunidade dos fiéis”. Será correta e justa esta distinção metafórica rara na tradição  mas retomada por num teólogo erudito, mas tido como estravagante?*

Vale sublinhar a seguinte lógica: sem o Espírito Santo não haveria Maria.Sem Maria não haveria Jesus. Sem Jesus não haveria Pedro,feito  o principal dos Apóstolos. Sem Pedro não haveriam sucessores, chamados Papas.

Temos apoiado em quase tudo o que o Papa Francisco tem escrito e ensinado. Mas neste ponto me permito afastar-me criticamente (pois este é também o ofício da teologia razonada).Sinto-me apoiado na argumentação dos melhores teólogos da atualidade,somente para citar o maior deles, meu antigo professor em Munique, Karl Raher (+1980). É praticamente unânime a opinião desses teólogos de que não há nenhum empecilho doutrinário que impeça o acesso das mulheres ao sacerdócio,como o tem feito outras igrejas cristãs não católicas. Somente uma visão masculinista da fé cristã e certa interpretação dos evangelhos, contaminada pela visão patriarcal  sustentam  o “não”.

A argumentação a favor do sacerdócio para as mulheres  é abundantissima e minuciosa, coisa que o fiz no meu livro Eclesiogênese de 1982/2021.

Em certos pontos, a argumentação papal, não evita certa contradição, como por exemplo: Maria pode gerar Jesus, seu filho, mas não pode representá-lo na comunidade. Isso soa até ofensivo à grandeza de Maria, portadora permanente do Espírito. Pedro que chegou a trair Jesus e este chegou a chamá-lo até  de “satanás”por não admitir que  padecesse e morresse, pode representar Jesus.Aqui há uma inegável desproporção, culturalmente explicável.

Quem possui maior excelência? Logicamente é Maria,sobre a qual veio o Espírito Santo e estabeleceu sua morada permanente nela (“episkiásei soi”:Lc 1,35) a ponto de elevá-la à altura do Divino. Somene  a alguém elevado  à altura do Divino (Maria)  vale afirmar: “o Santo gerado (por ti) será chamado   Filho de Deus”.

A função de Maria e de Pedro são de natureza totalmente distinta.Pedro não é pai de Jesus, enquanto Maria é verdadeiramente sua mãe biológica. Somente alguém,ainda refém do secular patriarcalismo, pode colocá-los no mesmo patamar. Não sem razão, a mulher nunca teve, até hoje, sua cidadania eclesial reconhecida. O evangelho se encarnou na cultura da época que entendia a mulher como um “mas”, quer dizer, “um ser humano deficiente ainda a caminho de sua humanidade”.Não diz outra coisa Santo Tomás de Aquino (depois repetido por Freud?) e, no fundo, é o que se ae pass na mente das mais altas autoridades eclesiásticas, cardeais e papas. As mulheres são menos, pelo fato de serem mulheres, embora mulheres e homens são igualmente imagem e semelhança de Deus (Gn 1,28). Mais ainda: a maioria da Igreja são mulheres  e, mais, as mães e as irmãs de todos os demais homens. Portanto, têm uma proeminência inegável.

O único que escapou desta visão reducionista foi o Papa Bento XVI ao dizer numa entrevista de rádio em 2005:”Creio que as próprias mulheres com seu impulso e sua força, sua superioridade e com seu potencial espiritual saberão criar o seu espaço. Nós devemos procurar a por-nos na escuta de Deus, para que não sejamos nós que as impediremos (Bento XVI,5,VIII,2006)”.

Há eminentes razões para sustentar a conveniência e até a necessidade das mulheres que quiserem, aceder ao ministério sacerdotal.Diz uma eminente teóloga e feminista holandesa, A.van Eyde:”A Igreja mesma ficaria ferida em seu corpo orgânico se não desse lugar à mulher dentro de suas instituições eclesiais”(Die Frau im Kirchenamt, 1967, p. 360).

A Igreja hierárquica não pode, dado o avanço da consciência da igualdade dos gêneros, se transformar num reduto de conservadorismo e de machismo. Há aqui uma concepção estéril e engessada no passado, da positividade da fé. Esta não é um recipiente de águas mortas,mas uma fonte de águas vivas, capaz de vivificar novas iniciativas em razão da mudança das mentalidades e dos tempos. Elas, em sua fina sensibilidade, captam o sentido claro dos sinais dos tempos e o expressam com uma linguagem mais adequada aos nossos dias. Vejamos os principais argumentos.

Primeiramente, foi uma mulher a testemunhar o fato maior do cristianismo, a ressurreição de Jesus, Maria Madalena, chamada por isso de “apostolada dos apóstolos”.  Sem o evento da ressurreição não haveria Igreja.

Foram elas que seguiam Jesus e garantiam-lhe a infra-estrutura material de sua missão.

Elas nunca traíram Jesus, enquanto o principal deles, Pedro,o traiu por ocasião da paixão. Após a sua crucificação, acabrunhados, os apóstolos  o abandonaram e se dirigiram para suas casas, enquanto elas velavam ao pé da cruz  acompanhando a sua agonia.

Foram elas que cuidaram, dois dias após seu sepultamento, da conclusão do ritual sagrado da unção do corpo com óleos sagrados.

Portanto, elas mereceriam e merecem uma centralidade inigualável na comunidade cristã. E até hoje, o patriarcalismo cultural internalizado na mente dos que detém a direção da Igreja, mas também no mundo, as mantém subalternas. Na Amazônia profunda e e outros lugares distantes, são elas que levam a fé, fazem tudo o que um padre faz, sem, no  entanto, poder celebrar a eucaristia, por não serem mulhes ordenadas no sacramento da Ordem.

No entanto, há mulheres, líderes de comunidades, conscientes da maturidade de sua fé, que assumem a totalidade dos sacramentos. Não celebram a missa (que é um conceito litúrgico e canônico), mas a ceia do Senhor como vem descrita na Epístola de São Paulo aos Coríntios. Não o fazem num espírito de ruptura com a instituição, mas num sentido de serviço a toda a comunidade, sempre em comunhão teológica com toda a Igreja. A comunidade, segundo o Concílio Vaticano II, tem o direito de receber a sagrada Eucaristia que lhes é negada pelo simples fato de não haver um sacerdote ordenado e celibatário.

Teologicamente importa enfatizar, o que é na prática totalmente esquecido, que há somente um único  sacerdócio na Igreja, aquele de Cristo. Os que vêm sob o nome de “sacerdote”, são apenas figurações e representantes do único sacerdócio de Cristo.É Ele quem batiza, é Cristo quem consagra, é Ele quem confirma. O sacerdote age apenas “in persona Christi” “no lugar de Cristo”. Vale dizer, torna visível o que ocorre invisivelmente.

Sua função não pode ser reduzida, como sustenta a argumentação oficial, ao poder de consagrar,(coisa que predominou somente a partir do segundo milênio), uma expressão de poder do clero que se assenhoreou de todas estas funções. Tal concentração de poder sagrado constituiu o clericalismo, em tantas ocasiões, fortemente criticado pelo Papa Francisco.  No caso, entretanto, concernente ao acesso das mulheres ao sacerdócio tenha ele também decaído em certo clericalismo, melhor, forçado a manter a praxe tradicional para não criar um verdadeiro cisma na Igreja por parte dos grupos aferrados à tradição e mais que tudo, aos privilégios agregados ao clericalismo.

A função do sacerdote ministerial não é acumular todos os serviços, mas coordená-los para que todos sirvam à comunidade. Pelo fato de presidir a comunidade, preside também a eucaristia. Mas se esta, sem culpa, estiver privada dela, ela mesma pode organizar a celebração da ceia do Senhor. Todos os serviços (que São Paulo chama de “carisma” que são muitos) podem muito bem ser exercidos pelas mulheres como se mostra nas igrejas não romano-católicas e nas comunidades eclesiais de base.

Daí compreende-se que mulheres,conscientes de sua maturidade na fé, na ausência do ministro ordenado,elas mesmas assumem tal ministério, fazendo-o em seu estilo próprio de mulher. Não devem solicitar licença à autoridade eclesiástica, porque esta, canonicamente, dirá “não”. Mas elas o fazem em perfeita comunhão teológica com a totalidade da Igreja. E assim é plausível, justo e teologicamente fundado  presidirem a Ceia do Senhor.

Logicamente, o sacerdócio feminino não pode ser a reprodução daquele masculino. Seria uma aberração se assim fosse. Deve ser um sacerdócio singular, com o modo de ser da mulher com tudo o que denota sua feminilidade no plano ontológico, psicológico, sociológico e biológico. Não será a substituta do padre. Mas verdadeira representante sacramental do Cristo invisível que por elas se torna visível.

Natural e lógico seria se o Papa reconhecesse oficialmente o que elas já fazem na prática e assim tornaria a Igreja, realmente, de irmãos e irmãs, sem exclusões e hierarquizações ontológicas injustificadas. Podemos dizer sem medo de errar: essa divisão entre ordenados e não ordenados (leigos e padres) não se encontra na tradição do Jesus histórico que queria uma comunidade de iguais e todo poder com mero serviço à comunidade e não como fotor de privilégios, de títulos e vantagens sociais e até financeiras.

Tempos virão em que a Igreja romano-católica acertará seu passo com o movimento feminista mundial e com o próprio mundo, rumo a uma integração do “animus” e da “anima”(do masculino e do feminino) para o enriquecimento do humano e da própria comunidade cristã. Os tempos já estão maduros para este salto de qualidade. Só falta a coragem de dar esse passo necessário e inevitável.

*Hans Urs von Balthazar ao tempo em que eu estava submetido ao “silêncio obsequioso” publicamente, em Roma, me denunciou como alguém que negava a dividade de Cristo, coisa que jamais o fiz. Respondeu-lhe um teólogo-jornalista, na primeira página de um diário de Roma com estas palavras:”Covarde, acusas caluniosamente a alguém que não pode se defender por estar sob o silêncio obsequiso”.Sua obra principal é A glória do Senhor(em sete volume sobre a fé como estética e contemplação). Foi feito Cardeal pelo Papa João Paulo II, mas morreu antes quando se dirigia para Roma. 

Leonardo Boff, escreveu Eclesiogênese: a Igreja que nasce do povo pelo Espírito de Deus, Vozes 1984/2021.

     O improvável acontece e aconteceu

Os fatos são sempre feitos. São feitos a partir de virtualidades presentes na realidade que surpreendentemente ou por  causas previsíveis, acabam vindo à existência.

Nas eleições presidenciais deste ano o improvável aconteceu. Alguém que as Escrituras chamam de o “inimicus homo”, o homem do mal, no afã de se perpetuar no poder usou todos os meios legítimos e principalmente os  ilegítimos para conseguir seu objetivo. Ele possui as características do “anti-cristo” que para o Novo Testamento o  “anti-cristo” é mais um espírito do que uma pessoa concreta. Pode ganhar corpo num movimento e no seu líder, mas é, fundamentalmente, uma realidade inimiga de tudo que é vida e de tudo o que é sagrado.

A característica do “anti-cristo” é arrogar-se o lugar de Deus. É sentir-se para além do bem e do mal. E então usa a ambos,mas principalmente o mal: promove a mentira, difunde fake news, estimula a calúnia, incentiva a violência real, assassinando, ou simbólica, propalando difamações: tudo o que provém do transfundo mais ancestral de nossas sombras irrompe com toda a desfaçatez.

O nosso país viveu durante todo um governo sob o espírito do “anti-cristo”.Nunca se viu em nossa história tanta maldade, tanta mentira estabelecida como método de governo, tanta insensibilidade exaltada como virtude, tanta proclamação da maledicência como forma de comunicação oficial. E com disse São Paulo em sua Epístola aos Romanos, “aprisionaram a verdade sob a injustiça”(1,18).

É próprio do espírito do “anti-cristo” ocultar-se no mundo do obscuro, das zonas inimigas da luz  e destroçar todos os traços de transparência. É próprio também deste tipo de espírito arrebanhar pessoas que se deixam fascinar pela brutalidade dos comportamentos, pela insensatez das decisões e pela violência infligida aos mais fracos, aos covardemente postos à margem como os pobres, as mulheres, os negros, os indígenas e aqueles que, por si só,não conseguem se defender. Dizem exultantes: “é isso mesmo;, tem que se usar de violência; é bom ser grosso e grotesco”; “é isso que tem que ser”. E proclamam aquele com quem se sentem representados como “mito” ou o “nosso herói”.

Mas a experiência secular humana tem mostrado que a noite nunca perdura por todo o tempo, que não há tempestade que, num dado momento, não cesse e dê lugar a alegria do brilho do sol. Pois assim ocorreu em nosso país.Quem tinha a absoluta certeza de triunfar, até por pretensa promessa divina, se viu, no último momento, derrotado. O “mito” se desfez com a  rapidez de um pequeno bloco de gelo, simplesmente se sentiu um morto-vivo, como que escondido em sua própria sepultura. As palavras morreram-lhe na garganta. As lágrimas nunca antes choradas, quando era digno chorá-las, não paravam de escorrer pelo rosto entumecido.

Comprova-se o que  história irreversivelmente tem revelado: o improvável acontece. Por isso temos que contar com o improvável e com o inconcebível. Eles pertencem à história. Quem usou de tudo, mas de tudo mesmo, até do mais sagrado que é o espaço do Religioso, não impediu que o improvável irrompesse e o derrotasse surpreendentemente.

Demos uns exemplos. O mais improvável dos USA era que um negro chegasse, um dia, à presidência da república. E Obama  chegou. Que  um prisioneiro político, com anos de prisão sob trabalhos forçados, também negro, chegasse a ser o presidente da África do Sul, Mandela. Seria totalmente improvável que alguém vindo “do fim do mundo” praticamente desconhecido, fosse eleito ao supremo pontificado, como o Papa Francisco. Era absolutamente improvável que uma jovem camponesa de 17 anos chefiasse um exército, como Joana d’Arc, vencendo parte do exército inglês na guerra dos cem anos.

Portanto,o improvável existe e pode acontecer. Nenhum fato realiza todas as possibilidades escondidas dentro dele.Inúmeras virtualidades estão lá dentro e quando a história madura ou o mal chegou ao seu paroxismo e tem que ser vencido. Então o improvável irrompe vitorioso. Contra todas as expectativas o “inimicus homo” perdeu. O improvável o derrotou.

A Brasil voltou a respirar um pouco de ar menos contaminado pelo veneno da injustiça, da covardia e da mentira.

O improvável realizado nos leva a sonhar com os olhos acordados.Quem tem fome pode ter a certeza que vai comer, quem está desempregado sabe que vai poder trabalhar. Quem suportou todo tipo de injúria e de humilhação se sente protegido pela lei que vai valer para todos. E a esperança esperante,finalmente, voltou para nos possibilitar um destino mais auspicioso que nos propicie viver com a paz possível, concedida aos filhos e filhas dos bíblicos Adão e Eva.

Leonardo Boff escreveu A busca da justa medida: o pescador ambicioso e o peixe encantado, Vozes 2022.

Stadien der tragischen ökologischen Aggressivität des Menschen

Reduziert man die 13,7 Milliarden Jahre der Existenz des Universums auf ein Jahr, so ist der heutige Mensch, sapiens sapiens, nach Berechnungen mehrerer Kosmologen am 31. Dezember um 23 Stunden, 58 Minuten und 10 Sekunden im Prozess der Evolution erschienen. Wir erscheinen also weniger als zwei Minuten nach Beginn des letzten kosmischen Jahres. Welchen Sinn hat es, so spät im kosmogenen Prozess angekommen zu sein? Um einen solchen Prozess zu krönen oder um ihn zu zerstören? Das ist eine offene Frage. Was wir sehen können, ist unsere wachsende Zerstörungswut gegenüber der Umwelt, in der wir leben, der Natur und unserem gemeinsamen Haus. Schauen wir uns einige Stufen unserer Aggressivität an. Das wirft beunruhigende Fragen auf.

1. Interaktion mit der Natur

Am Anfang hatten unsere Vorfahren, verloren in den Schatten der Urzeit, eine harmonische Beziehung zur Natur. Sie unterhielten eine nicht destruktive Interaktion: Sie nahmen, was die Natur ihnen reichlich bot. Diese Zeit dauerte einige Jahrtausende und begann in Afrika, wo der Mensch vor 8-9 Millionen Jahren auftauchte. Daher sind wir alle in gewisser Weise Afrikaner. Dort haben sich unsere körperlichen, psychischen, intellektuellen und geistigen Strukturen herausgebildet, die im Unbewussten aller Menschen bis heute präsent sind.

2. Eingriffe in die Natur

Vor mehr als zwei Millionen Jahren brach der geschickte Mensch (homo habilis) in den Prozess der Anthropogenese (der Entstehung des Menschen in der Evolution) ein. Hier fand ein erster Wendepunkt statt. Es begann, was heute in extremer Weise kulminiert.

Der geschickte Mensch erfand Instrumente, mit denen er in die Natur eingriff: einen spitzen Stock, einen scharfen Stein und andere ähnliche Mittel. Was die Natur ihm spontan bot, war nicht genug. Mit einem Eingriff konnte er ein Tier mit dem scharfen Ende eines Stocks verwunden und töten oder Pflanzen mit scharfen Steinwerkzeugen schneiden.

Dieser Eingriff dauerte Jahrtausende. Aber mit der Einführung von Landwirtschaft und Bewässerung entwickelte er sich noch viel intensiver. Dies geschah vor etwa 10-12 Tausend Jahren (je nach Region unterschiedlich), in der so genannten Jungsteinzeit. Man leitete das Wasser von Flüssen wie dem Tigris und dem Euphrat im Nahen Osten, dem Nil in Ägypten, dem Indus und dem Ganges in Indien und dem Gelben Fluss in China ab. Sie verbesserten den Ackerbau, züchteten Schlachttiere und Vögel, insbesondere Hühner, Schweine, Rinder und Schafe. Die menschliche Bevölkerung wuchs schnell. Zu dieser Zeit hörten die Menschen auf, Nomaden zu sein, und wurden sesshaft. Sie gründeten Dörfer und Städte, im Allgemeinen entlang der oben erwähnten Flüsse oder um den riesigen Binnensee, den Amazonas, der vor Tausenden von Jahren in den Pazifik mündete.

3. Aggression gegen die Natur

Von der Intervention ging es weiter zur Aggression der Natur. Sie entstand, als Metallinstrumente, Speere, Äxte und Waffen verwendet wurden, um Tiere und Menschen zu töten. Die Aggression spezialisierte sich, bis sie im Industriezeitalter des 18. Jahrhunderts in Europa, angefangen in England, ihren Höhepunkt erreichte. Es wurden riesige Maschinen erfunden, mit denen man der Natur enorme Reichtümer entlocken konnte. Ein entscheidender Schritt in der Aggression wurde in der Neuzeit vollzogen, als die Technowissenschaft mit ihrer immensen Kapazität zur Erforschung der Natur auf allen Ebenen und an allen Fronten aufkam.

Sie beruhte auf der Annahme, dass der Mensch sich als “Herr und Besitzer” der Natur und nicht als Teil von ihr fühlte. Die treibende Idee, die sie leitete, war der Wille zur Macht, verstanden als die Fähigkeit, alles zu beherrschen: andere Menschen, soziale Gruppen, Völker, Kontinente, die Natur, die Materie, das Leben und die Erde selbst als Ganzes.

Der Engländer Francis Bacon drückte dieses Ziel mit den Worten aus: “Man muss die Natur quälen, wie der Folterer sein Opfer quält, bis sie alle ihre Geheimnisse preisgibt”. Damit erhielt die Aggression einen offiziellen Status. Sie wurde und wird bis zum heutigen Tag angewandt.

Der Ausgangspunkt war die (falsche) Annahme, dass die natürlichen Ressourcen unbegrenzt seien. So konnte ein Entwicklungsprojekt geschmiedet werden, das ebenfalls unbegrenzt war. Heute wissen wir, dass die Erde begrenzt und endlich ist und dass sie kein Projekt für unbegrenztes Wachstum zulässt. Dennoch ist dieser Glaube immer noch vorherrschend.

4. Die Zerstörung der Natur

In den letzten Jahrzehnten, vor allem nach dem Zweiten Weltkrieg (1939-1945), nahm die systematische Aggression ein Ausmaß an, das einer echten Zerstörung der Ökosysteme und der biologischen Vielfalt gleichkam. Mutter Erde selbst wurde nun an allen Fronten angegriffen. Um den gegenwärtigen Verbrauch der Menschheit zu decken, brauchen wir anderthalb Erden, was zum “Earth Overshoot” führt, der dieses Jahr am 22. Juli stattfand.

Namhaften Wissenschaftlern zufolge haben wir ein neues geologisches Zeitalter, das Anthropozän, eingeläutet, in dem der Mensch die größte Bedrohung für die Natur und das Leben darstellt. Wir sind an einem Punkt angelangt, an dem unser industrieller Prozess und unser konsumorientierter Lebensstil jährlich etwa 100 000 lebende Organismen dezimieren. Aufgrund dieser wahren biologischen Tragödie sprechen wir vom Nekrozän, d. h. dem Zeitalter des Massensterbens (necro) von natürlichem Leben und auch von menschlichem Leben. Auch im Amazonasgebiet werden ganze Ökosysteme in Mitleidenschaft gezogen. Schließlich sprechen einige bereits vom Pyrozän (Pyros ist griechisch für Feuer). Die Veränderung des Klimaregimes und die unaufhaltsame Erwärmung trocknen den Boden aus und erhitzen auch die Steine so, dass Stöcke und trockene Blätter Feuer fangen, das sich ausbreitet und riesige Brände verursacht, die bereits in Europa, Australien, dem Amazonas und anderen Orten zu beobachten sind.

Wer wird den zerstörerischen Impetus und die Wut des Menschen stoppen, der mit chemischen, biologischen und nuklearen Waffen bereits die Mittel zu seiner eigenen Selbstzerstörung geschaffen hat? Nur göttliches Eingreifen? Gott, so heißt es in der Heiligen Schrift, ist der Herr des Lebens und der “leidenschaftliche Liebhaber des Lebens”. Wirst du intervenieren? Die Fragen bleiben offen.

Leonardo Boff Befreiungstheologe aus Brasulien, Auchtor mit Mark Hathaway, The Tao of liberatioin, N.Yorl 2010.

Stages of the tragic ecological aggressiveness of human beings

If we reduce the 13.7 billion years of the existence of the universe, to just one year, the current human being, sapiens sapiens, appeared in the process of evolution on December 31, at 23 hours, 58 minutes and 10 seconds, according to calculations by several cosmologists. So we appear less than two minutes into the final cosmic year. What is the point of having arrived so late in the cosmogenic process? To crown such a process or to destroy it? This is an open question. What we can see is our growing destructiveness of the environment in which we live, nature and our Common Home. Let’s see some stages of our aggressiveness. It leaves us with disturbing questions.

1. Interaction with nature

In the beginning, our ancestors, lost in the shadows of time immemorial, had a harmonious relationship with nature. They entertained a non-destructive interaction: they took what nature plentifully offered them. That time lasted a few millennia, starting in Africa, where human beings appeared 8-9 million years ago. Therefore, we are all, in some way, Africans. Our bodily, psychic, intellectual and spiritual structures were formed there, which are present in the unconscious of all humans until the present day.

2. Intervention in nature

More than two million years ago, skilled man (homo habilis) erupted in the process of anthropogenesis (the genesis of the human being in evolution). Here a first turning point occurred. It began what culminated in an extreme way today.

The skillful man invented instruments with which he operated an intervention in nature: a pointed stick, a sharp stone and other similar resources. What nature spontaneously offered him was not enough. With intervention, he could wound and kill an animal with the sharp end of a stick or he could cut plants with sharp stone tools.

This intervention lasted millennia. But with the introduction of agriculture and irrigation it developed much more intensely. This occurred around 10-12 thousand ago (different in different regions), in the so-called Neolithic era. Waters were diverted from rivers, such as the Tigris and Euphrates in the Middle East, the Nile in Egypt, the Indus and Ganges in India and the Yellow in China. They improved crops, raised animals and birds to be slaughtered, especially chickens, pigs, oxen and sheep. The human population grew rapidly. It is the time when humans stopped being nomads and became sedentary. They created towns and cities, generally, along the rivers mentioned above or around the immense internal lake, the Amazon, which thousands of years ago flowed into the Pacific.

3.Aggression to nature

From intervention we moved on to the aggression of nature. It occurred when metal instruments, spears, axes, and weapons were used to kill animals and people. Aggression specialized until it culminated in the industrial age of the 18th century in Europe, starting in England. Vast machinery was invented that allowed extracting enormous riches from nature. A decisive step in aggression was taken in modern times, when techno-science emerged with an immense capacity for exploring nature on all levels and fronts.

It was based on the premise that human beings felt themselves to be “masters and owners” of nature and not part of it. The driving idea that guided them was the will to power, understood as the ability to dominate everything: other people, social groups, peoples, continents, nature, matter, life and the Earth itself as a whole.

The Englishman Francis Bacon expressed this purpose by saying: “One must torture nature as the torturer tortures his victim, until she gives up all her secrets”. Here aggression gained official status. It was and continues to be applied to the present day.

The starting point was the (false) assumption that natural resources were unlimited. This allowed forging a development project that was also unlimited. Today we know that the Earth is limited and finite and that it does not support a project of unlimited growth. But this belief is still dominant.

4. The destruccion od the nature

In recent decades, especially after the Second World War (1939-1945), systematic aggression gained dimensions of true destruction of ecosystems and biodiversity. Mother Earth itself began to be attacked on all its fronts. To meet current human consumption, we need an Earth and a half, which produces the Earth Overshoot, which this year occurred on July 22nd.

According to notable scientists, we have inaugurated a new geological era, the Anthropocene, in which human beings emerge as the greatest threat to nature and life. It has reached the point where our industrialist process and consumerist lifestyle decimate around 100,000 living organisms annually. Based on this true biological tragedy, we speak of the necrocene, that is, the era of mass death (necro) of natural lives and also of human lives. Entire ecosystems are also being affected in the Amazon. Finally, some already refer to the pyrocene (Pyros in Greek is fire). The change in the climate regime and the unstoppable warming dry out the soil and also heat up the stones in such a way that sticks and dry leaves catch fire that spreads, generating huge fires already experienced throughout Europe, Australia, the Amazon and other places. .

Who will stop the destructive impetus and fury of the human being who has already built the means of his own self-destruction with chemical, biological and nuclear weapons? Just divine intervention? God, according to the Scriptures, is the Lord of life and the “passionate lover of life.” Will you intervene? Questions remain open.

Leonardo Boff, wrote The satan man or good angel? Record, Rio de Janeiro 20