Este Brasil faz mal à saúde

Publicamos este interessante artigo da Dra.Inez Padula Anderson “Esse Brasil faz mal à saúde”. Ela mostra como a saúde não é uma questão meramente individual. O ser humano vive dentro de uma teia de relações. A saúde depende em muito da qualidade destas relações. Atualmente nosso país vem atravessado por uma onda de ódio, de mentiras, de calúnias e ofensas a pessoas e a instituições. Tais atitudes são doentias em si mesmas e irradiam doenças que atingem o corpo, a mente, o espírito  e atmosfera social dentro da qual todos vivemos. Infelizmente somos (des)governados por uma autoridade suprema que revela forte pulsão de morte. Faz apologia das torturas e dos ditadores mais cruéis. Não elaborou nenhum projeto governamental de enfrentamento ao terrível Covid-19 que já fez mais de 400 mil vítimas. Antes, por palavras e atos fez-se aliado ao vírus.Raramente e de forma meramente  formal mostrou empatia para com as famílias enlutadas. A alma do Brasil está doente e adoece todo seu corpo social. Eu mesmo escrevi no meu blog/site um artigo na mesma linha da Dra.Inez: ”A lição do Covid-19: adoecemos a Terra e a Terra nos adoece”. A Mãe Terra inteira toda está doente porque lhe fizemos tantas agressões que acabou adoecendo. E como somos filhos e filhas da Mãe Terra ou melhor, somos a própria Terra que sente, pensa, ama e cuida, ela acabou nos adoecendo também. A demonstração disso é a intrusão do Covid-19. Só restabelecendo o pacto natural de amor e de cuidado para com ela e entre todos nós, poderemos vencer esta doença que nos ameaça a todos.

Leonardo Boff


Este Brasil Faz Mal à Saúde

Todas e todos sabemos que, além dos aspectos biológicos, fatores sociais, ambientais, psicológicos têm alto impacto nas condições de saúde das pessoas, das famílias e das comunidades.

Muitas vezes, ou talvez grande parte das vezes, não refletimos sobre isso na nossa vida em sociedade e seguimos, no ritmo frenético do cotidiano, sem questionar como estamos vivendo, o que acontece e o que está sendo feito relativamente a estes aspectos.

Naturalmente, cada pessoa, sua família, têm ou deveriam ter responsabilidade e condições de cuidar da sua saúde da melhor maneira possível.

Mas, quando falamos da saúde da população, dos grandes, dos macro-fatores que afetam a saúde de todos nós, ao fim e ao cabo, quem seriam os maiores responsáveis para cuidar destes aspectos?

As políticas públicas, os governos, os políticos, os empresários da saúde e da educação, os grandes empresários da comunicação e marketing, os grandes produtores de alimentos, os que detém maior poder de compra (não importa de que ramo) são os maiores e centrais atores que podem transformar as condições que nos circundam a todos e todas, em meio de cultivo de saúde ou de doença.

Estamos acostumados a pensar que a saúde é um bem, uma característica individual, que depende somente de a pessoa cuidar bem ou mal da sua saúde, e há quem ganhe (muito) com esta falsa premissa.

Infelizmente, a saúde não tem e nunca terá uma origem individual, uma vez que, apesar de se manifestar no individuo, a saúde e a doença serão sempre o resultado de aspectos de cunho individual, familiar, mas, fortemente, simultaneamente, de fatores sócio-ambientais e culturais. Sabemos que ela depende da água que bebemos, da comida que comemos, do ar que respiramos. Mas muitos se esquecem de alguns aspectos fundamentais que têm igual ou maior força na capacidade de nos adoecer ou nos manter saudáveis: a carga de estresse que vivemos, as condições de trabalho, as condições do tráfego, a presença ou ausência de espaço e tempo para o ócio, para o contato com a natureza, para a prática de atividades físicas, para o lazer e para a arte, para o tempo que temos para amar e ser amados, para dar e receber afeto, para cuidar do outro (o cuidado é essencial para nos concebermos como humanos), do reconhecimento e pertencimento a uma coletividade, de podermos nos identificar com uma cultura que nos orgulhe, enfim do tempo que passamos vivendo, ou simplesmente sobrevivendo.

O Brasil, esta bela e rica terra abençoada, que nos têm dado tantas possibilidades de ter saúde, nunca foi uma nação onde, de modo geral, os governantes, os políticos e detentores do poder, cuidaram bem do seu povo, ao contrário. Ao longo dos seus mais de 500 anos de história, salvo períodos espasmódicos, temos sido governados, direta e indiretamente, por representantes que mantém políticas que, cada vez mais, cuidam dos seus interesses individuais e corporativos, e que fazem e continuarão fazendo isso, sem remorso, sem quaisquer questionamentos de ordem ética. Estamos uma nação sem educação, sem amor-próprio; aporofóbica, racista e preconceituosa. Talvez o símbolo mais nefasto desta trajetória, e para o qual precisamos ter plena consciência – é que somos um povo que – em pleno século XXI – escolheu para presidente um homem que faz a apologia da morte, da tortura, do extermínio e age em conformidade com estes princípios.

Estou aqui me perguntando por que estou escrevendo tudo isso? Para quem? Quem sou eu? Penso que sou uma pessoa que tem sofrido, como tantos e tantas brasileiras e brasileiros, a tristeza de ver, especialmente nos últimos 3 anos, um país sendo despedaçado, de forma consciente e determinada por políticas públicas que não interessam ao povo brasileiro, exceto aquela parcela de sempre, que detém o poder e os benefícios deste modo de produção.

Sei que para enfrentar estes desafios não há solução mágica. Tenho somente convicção que não dependerá somente de uma pessoa, de um político… Dependerá de todas e todos, cada um de nós assumirmos alguma atitude que contribua para a reversão deste quadro.

Se o que escrevi contribuir para a reflexão, e quem sabe para alguma ação no sentido contrário a esta tragédia que estamos mergulhados, terá compensado.

Maria Inez Padula Anderson, mãe, avó, médica de família e comunidade, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestrado e doutorado em saúde coletiva e, atualmente, diretora cientifica da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade

It is not enough to be good, one must be merciful

The golden law, present in all religions and spiritual ways is: “love your neighbor as yourself”. Or to put it in other words: “don’t do to others what you don’t want them to do to you.

Christianity incorporates this minimal ethic and thus inscribes itself within this ancestral tradition. However, it abolishes all limits to love so that it is truly universal and unconditional. It states: “love your enemies and pray for those who persecute you, that you may be children of your Father. For He makes the sun rise on the evil and the good and rains on the just and the unjust. If you love those who love you, what advantage will you have? Do not the tax collectors do it too? If you greet only your brothers, what extraordinary thing is there in that? Don’t the pagans do it too? (Mt 5:44-47).

The version that St. Luke gives in his Gospel is instructive: “Love your enemies. In this way you will be sons and daughters of the Holy Father, for he is kind to the ungrateful and wicked; be merciful as the Father is merciful” (6:35-36).

This statement is deeply consoling. Who doesn’t sometimes feel “ungrateful and wicked”? It is then that we are comforted by these encouraging words: the Father is kind, in spite of our wickedness.And so we are relieved of the burden of our conscience that haunts us wherever we go. Here resound the consoling words of St. John’s first Epistle: “If our heart accuses us, know that God is greater than our heart” (1 John 3:20). These words should be whispered in the ear of every dying person with faith.

Such divine understanding brings us back to the words of one of the most encouraging psalms in the Bible, Psalm 103: “The Lord is rich in mercy. He is not always accusing, nor does he hold a grudge forever. The higher the heavens are above the earth, the more his mercy prevails. As a father has compassion on his sons and daughters, so the Lord has compassion on those who love him, because he knows our nature and what we are dust (9-14).

One of the characteristics of the biblical God is his mercy, because he knows that we are fragile and fleeting “like the flowers of the field; the breath of the wind is enough for us to be no more” (103:15). Even so, he never ceases to love us as beloved sons and daughters, and to pity our moral weaknesses.

One of the fundamental qualities of the image of God that the Master communicated to us was precisely his unlimited mercy.  For him it is not enough to be good. He has to be merciful.

The parable of the prodigal son illustrates this with rare human tenderness. The son had left home, squandered all his inheritance in a dissolute life, and suddenly, nostalgic, decided to return home. The father stayed a long time, waiting for him, looking at the corner of the road to see if he would show up. Behold, “while he was still a long way off”, as the text says, “the father saw his son and, moved with pity, ran to him and kissed him on the neck” (15:20). It is enough to be back in the father’s house. And he prepared for him, full of joy, a great feast.

This merciful father represents the heavenly Father who loves the ungrateful and the wicked. He welcomed with infinite mercy the son who had lost his way in life. The only son who is criticized is the good son. He served his father in everything, worked, kept all the commandments. He was good, very good. But for Jesus it was not enough to be good. He had to be merciful. And he was not. That is why he is the only one to receive a rebuke for not understanding his brother who returned.

But it is important to emphasize a point that shows the uniqueness of the message of the Nazarene. He wants to go beyond simply loving our neighbor as we love ourselves. Who is the neighbor for Jesus? It is not my friend, nor the one who is next to me. A neighbor for Jesus is anyone I approach, regardless of his or her origin or moral condition. It is enough to be a human being.

The parable of the Good Samaritan is emblematic (Lk 10:30-37). A nobody is lying by the roadside, “half-dead”, the victim of a robbery. A priest passes by, perhaps late in his service in the temple; a Levite also passes by, hurrying to prepare the altar. They both saw him and “passed by”. A Samaritan passes by, a heretic to the Jews; “he took care of him and showed mercy to him,” healing his wounds and taking him to an inn, and also leaving everything paid for and more that was needed. “Who of the three was next?” asks the Master. It was the heretic who approached the robbers’ victim. Love does not discriminate, every human being is worthy of love and mercy. Surely the priest and the Levite were good people, but they lacked the main thing: mercy, a heart that is moved by the pain of others.

In short, when Jesus tells us to love our neighbor, he means to love those who are unknown and discriminated against; he implies loving the invisible ones, the social zeros, those who nobody looks at and pass by, to love those who, at the supreme moment of history, when everything will be wiped out, he calls them “my little brothers”. “When you loved one of these, you did it to me” (Mt 25:40). Saint Francis was the one who best understood this unique “more” of Jesus’ message. That is why in his prayer he asks: “that I seek to console more than to be consoled, to understand more than to be understood, and to love more than to be loved.

Covid-19 is showing, especially in the peripheries, among the criticized members of the Landless and Homeless Movement and others, that the message of merciful love, lived by the Son of God is not extinguished and is still alive and burning.

Leonardo Boff is a theologian and wrote Jesus Christ Liberator, Orbis Books 1972, various editions.

Não basta ser bom, há que ser misericordioso

A lei áurea, presente em todas as religiões e caminhos espirituais é:”ame o próximo como a ti mesmo”. Ou dito de outra forma: “não faças ao outro o que não queres que te façam a ti”.

O Cristianismo incorpora essa ética mínima e assim se inscreve dentro desta tradição ancestral. Entretanto, ele abole todos os limites ao amor para que seja realmente universal e incondicional. Afirma:”amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem para serdes filhos de vosso Pai. Pois Ele faz nascer o sol para bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes a quem vos ama, que vantagem tereis? Não o fazem também os cobradores de impostos? Se saudardes apenas vossos irmãos, que extraordinário há nisso? Não fazem também os pagãos?(Mt 5,44-47).

Instrutiva é a versão que São Lucas dá em seu evangelho:”Amai vossos inimigos. Assim sereis filhos e filhas do Altíssimo porque é bondoso para com os ingratos e maus; sede misericordiosos como o Pai é misericordioso”(6,35-36).

Essa afirmação é profundamente consoladora. Quem não se sente, por vezes, “ingrato e mau”? É então que nos conforta estas animadoras palavras: o Pai é bondoso, apesar de nossas maldades.E assim aliviamos o fardo de nossa consciência que nos persegue por onde quer que vamos. Aqui ressoam as consoladoras palavras da primeira epístola de São João:”se nosso coração nos acusa, saiba que Deus é maior do que seu coração”(1Jo 3,20). Estas palavras deveriam ser sopradas ao ouvido de todo o moribundo com fé.

Tanta compreensão divina nos reporta às palavras de um dos mais alentadores salmos da Bíblia, o salmo 103:”O Senhor  é rico em misericórdia. Não está sempre acusando nem guarda rancor para sempre. Quanto se elevam os céus sobre a terra, tanto prevalece sua misericórdia. Como um pai sente compaixão pelos filhos e filhas, assim o Senhor se compadece dos que o amam, porque conhece a nossa natureza e sabe de que somos pó (9-14).

Uma das características do Deus bíblico é sua misericórdia, porque sabe que somos frágeis e fugazes “como as  flores do campo; basta o bafejar do vento para não existirmos mais”(103,15). Mesmo assim nunca deixa de nos amar como filhos e filhas queridos e de se compadecer de nossas debilidades morais.

Uma das qualidades fundamentais da imagem do Deus que o Mestre nos comunicou foi exatamente sua misericórdia ilimitada.  Para ele não basta ser bom. Tem que ser misericordioso. A parábola do filho pródigo o ilustra com rara ternura humana. O filho saíra de casa, malbaratou toda a herança numa vida dissoluta e, de repente, saudoso, resolveu voltar para casa. O pai ficava longo tempo, esperando-o, olhando para a esquina da estrada para ver se ele aparecesse. Eis  que:”ainda longe” como diz o texto, “o pai  viu o filho e, comovido, lhe correu ao encontro e se lançou ao pescoço cobrindo-o de beijos”(15,20). Eis o supremo amor que se faz misericórdia.Nada lhe cobra. Basta com estar de volta à casa paterna. E preparou-lhe, cheio de alegria, uma grande festa.

Esse pai misericordioso representa o Pai celeste que ama os ingratos e maus. Acolheu com infinita misericórdia o filho que se havia perdido na vida. O único filho que é criticado é o filho bom. Serviu o pai em tudo, trabalhou, observou todos os mandamentos. Era bom, muito bom. Mas para Jesus não bastava ser bom. Tinha que ser misericordioso. E não o foi. Por isso é o único a receber uma reprimenda por não compreender o irmão que regressou.

Mas releva enfatizar um ponto que mostra a singularidade da mensagem do Nazareno. Ele quer ir além de simplesmente amar o próximo como nos amamos a nós mesmos. Quem é o próximo para Jesus? Não  é o meu amigo, nem aquele que está próximo, ao meu lado. Próximo para Jesus é todo aquele de quem eu me aproximo.Pouco importa sua origem ou sua condição moral. Basta ser um humano.

A parábola do bom samaritano é emblemática (Lc 10,30-37). Jaz à beira da estrada, ”semi-morto” um joão-ninguém, vítima de um assalto. Passa um sacerdote, talvez atrasado no seu serviço no templo; passa também um levita, apressado, na preparação do altar. Ambos o viram e “passaram ao largo”. Passa um samaritano, um hereje para os judeus; “teve cuidado dele e teve misericórdia para com ele”, curando-lhe as feridas e levando-o a uma hospedaria e ainda deixando tudo pago e mais que fosse preciso. “Quem dos três foi o próximo”? pergunta o Mestre. Foi o hereje que se aproximou da vítima dos assaltantes. O amor não discrimina, cada ser humano é digno de amor e de misericórdia. Seguramente o sacerdote e o levita eram gente boa, mas lhes faltava o principal: a misericórdia, o coração que se comove diante da dor do outro.

Resumindo,quando Jesus manda amar o próximo, significa amar esse desconhecido e discriminado; implica amar os invisíveis, os zeros sociais, aqueles que ninguém olha e passam ao largo, amar aqueles que no momento supremo da história, quando tudo será tirado a limpo, ele os chama de “os meus irmãozinhos menores”.”Quando amastes a um desses, foi a mim que o fizestes”(Mt 25,40).

A Covid-19 está mostrando,especialmente, nas periferias, junto aos criticados membros do Movimento dos Sem Terra e dos Sem Teto e de outros,que a mensagem do amor misericordioso, vivida pelo Filho do Homem não se apagou e está ainda viva e acesa.

Leonardo Boff é teólogo e escreveu Jesus Cristo Libertador,Vozes 1971, várias edições.

Die schmerzhafte Geburt von Mutter Erde: eine Biozivilisation

Leonardo Boff

Der von Präsident Joe Biden einberufene Klimagipfel ist ein Alarmsignal. Wenn wir die Erwärmung nicht bis zur Grenze von 1,5 Grad stoppen, werden wir eine gefährliche Ausrottung der Artenvielfalt und Millionen von Klima-Migranten erleben, die, da sie sich nicht an die Veränderungen anpassen können und ihre Lebensgrundlage verlieren, sich gezwungen sehen, ihre geliebte Heimat zu verlassen und die Grenzen anderer Länder zu durchbrechen, was zu ernsthaften gesellschaftspolitischen Problemen führt.

CO2 verbleibt etwa 120 Jahre in der Atmosphäre. Wir sind uns seiner toxischen Wirkung auf  lebende Systeme erst spät bewusst geworden. In den letzten Jahren hat sich etwas Beängstigendes ereignet: das schnelle Auftauen des Permafrosts – jenes gefrorenen Teils, der sich von Kanada über Russland erstreckt. Hinzu kommt das schnelle Schmelzen der Polkappen und Grönlands. Dieses Phänomen verschärft die globale Erwärmung, denn Methan ist 25 mal so schädlich wie CO2. Jedes Rind gibt durch Wiederkäuen und Blähungen jährlich zwischen 80-100 kg Methan an die Atmosphäre ab. Stellen Sie sich vor, was eine solche Menge bei allen Rinderherden der Welt bedeutet. Allein in Brasilien ist die Zahl der Rinder größer als unsere Bevölkerung.

Egal was wir tun, aufgrund der übermäßigen Anhäufung von Treibhausgasen in der Atmosphäre werden wir keine Möglichkeit haben, extreme Auswirkungen zu vermeiden. Sie werden kommen: Taifune, lang anhaltende Dürren, extrem heiße Sommer und übermäßiger Schneefall, Erosion der Artenvielfalt und Verlust der Bodenfruchtbarkeit u. a.  Was wir tun können und müssen, ist, uns auf ihren Einbruch vorzubereiten und so die katastrophalen Auswirkungen abzumildern.

Niemand auf dem Klimagipfel hatte den Mut, auf die eigentlichen Ursachen unserer Erderwärmung hinzuweisen: unsere kapitalistische Produktionsweise, in deren DNA das unbegrenzte Wachstum steckt, das den unbegrenzten Abbau natürlicher Ressourcen bis zu dem Punkt fordert, an dem die Nachhaltigkeit des Planeten stark geschwächt wird. Eine endliche Erde kann kein unendliches Projekt vertragen. Hier liegt die Ursache, neben anderen kleineren, der globalen Erwärmung. Jeder weiß, dass hier die eigentliche Frage liegt. Warum prangert sie niemand an? Weil sie direkt antisystemisch ist, weil sie den Kern des modernen techno-wissenschaftlichen Paradigmas der unbegrenzten Entwicklung/des unbegrenzten Wachstums trifft, dem Staaten und Konzerne sich verpflichtet fühlen.

Sie wären gezwungen, etwas zu ändern, was ihrer Logik widersprechen würde. Aber das wollen sie nicht, denn der Profit steht über dem Leben. Nur der argentinische Präsident Alberto Fernández hatte den Mut, anzuprangern: “Umweltverschmutzung ist der Weg zum Selbstmord.“ Seine Aussage deckt sich mit der Aussage der amerikanischen Akademie der Wissenschaften, die vor einigen Jahren eine Erklärung abgab, die mehr oder weniger in diese Richtung ging: Wenn wir nicht aufpassen, kann die Erwärmung einen “abrupten Sprung” (ein so verwendeter Ausdruck) machen, bis sie in kurzer Zeit etwa 4 Grad Celsius erreicht; bei dieser Hitze, so heißt es, werden sich die Arten kaum anpassen und Millionen werden verschwinden, darunter Millionen und Abermillionen von Menschen.

Praktisch alle bedauern, dass die “Entscheidungsträger” in Politik und Wirtschaft einen gravierenden Mangel an Bewusstsein für die Risiken zeigen, die auf unserem Gemeinsamen Haus lasten. Es ist nicht ausgeschlossen, dass etwas Ähnliches wie bei Covid-19 passieren wird.

Trotz der Warnung von Virenexperten, dass wir kurz vor dem Eindringen eines schweren Virus stehen, bereiten sich nur sehr wenige auf diese Eventualität vor. Deshalb ist ein Sprung auf eine neue Ebene des kollektiven Bewusstseins, die es uns erlauben würde, eine neue Normalität einzuweihen, die sich von der bisherigen, für die Menschheit und die Natur perversen, unterscheidet, nicht absehbar. Wir fragen uns: Haben wir die Lektionen gelernt, die Mutter Erde durch den Gegenangriff auf die Menschheit durch Covid-19 geschickt hat? In Anbetracht der weit verbreiteten Sorglosigkeit scheint es, dass wir in der Illusion einer Rückkehr zur alten, ungerechten Normalität verharren.

Die Rede unseres Präsidenten Jair Bolsonaro auf dem Gipfel im Weißen Haus war eine reine Gefälligkeit. Er gab eine klare Demonstration, dass er ein legitimer Vertreter der Post-Wahrheit sei, weil er die alte chinesische Weisheit ausführte: “Schau nicht auf den sprechenden Mund eines Politikers, sondern auf seine handelnden Hände.“ Der Mund widersprach völlig dem, was die Hände tun. Der Mund spricht Versprechungen aus, die praktisch nicht realisierbar sind, und die Hände praktizieren durch ihren Anti-Umweltminister die systematische Verwüstung der Wälder und die Demontage der Einrichtungen, die die Ökosysteme erhalten.

So wie der “Ungenannte” Bolsonaro mit Covid-19 verbündet ist, so ist der Umweltminister mit den Holzfällern verbündet, die illegal und kriminell als die Hauptschuldigen für die 357,61 km2 abgeholzten Waldes erscheinen, die schlimmsten der letzten Jahre. Die Hände leugnen, was der Mund sagt.

Trotz aller Sorgen glauben und hoffen wir, dass die Menschheit aus dem Leid und hoffentlich auch aus der Liebe lernen wird: Entweder werden wir uns ändern, oder, um es mit den Worten Sigmunt Baumans zu sagen, die er eine Woche vor seinem Tod sprach, wir werden uns der Prozession derer anschließen, die sich auf dem Weg in ihr eigenes Grab befindet.

Die Menschheits- und Naturgeschichte ist nie linear; sie kennt Brüche und Sprünge nach oben. Sie lädt uns dazu ein, uns neu zu erfinden. Bloße Verbesserungen und das Anlegen von Verbänden über die Wunden des verwundeten Körpers von Mutter Erde sind nicht genug. Wir sind zu einem Neuanfang gezwungen. Nach der Erd-Charta und der Enzyklika von Papst Franziskus “Über die Sorge für unser Gemeinsames Haus” (Laudato Si’ e a Fratelli tutti) “sitzen wir alle in einem Boot: entweder wir retten uns alle oder niemand wird gerettet” (Nr. 35; 54; 137).

Die Erde ist durch 15 große Dezimierungen gegangen, aber das Leben hat immer überlebt. Es wird sich auch jetzt nicht selbst zerstören. Wir stehen vor einer schwierigen Lehre für die gesamte Menschheit, denn wir haben keine andere Wahl als diese: entweder zu leben oder unterzugehen. Freud selbst sehnte sich, obwohl skeptisch, nach dem Triumph des Lebenstriebes über den Todestrieb. Das Leben ist zu mehr Leben und sogar zu ewigem Leben berufen.

In dieser Hoffnung habe ich gerade ein Buch veröffentlicht, mehr optimistisch als pessimistisch, aber von einem machbaren Realismus, der einen vielversprechenden Horizont garantieren soll: “Die schmerzhafte Geburt der Mutter Erde: eine Gesellschaft der Geschwisterlichkeit ohne Grenzen und der sozialen Freundschaft“.

Es ist eine Utopie? Ja, aber eine notwendige, damit wir gehen können. Es ist wichtig, sich daran zu erinnern, dass das Utopische zum Realen gehört, das nicht nur aus Daten besteht, die schon immer gemacht wurden, sondern auch aus verborgenen Potenzialen, die darauf warten, zum Ausbruch gebracht zu werden und einen neuen Fußabdruck auf dem Boden der Geschichte zu ermöglichen. Es ist nicht gut, auf Fußabdrücke zu treten, die von anderen gemacht wurden. Wir müssen unsere eigenen Fußabdrücke schaffen. Neue Musik, neue Ohren. Neue Krisen, neue Antworten. Wir haben immer noch eine Zukunft, gestärkt durch den Einen, der angekündigt hat, dass er “der leidenschaftliche Liebhaber des Lebens” ist (Weisheit 11,26). Er wird uns helfen, eine schmerzhafte, aber wahre und glückliche Überfahrt zu machen. So glauben wir und so hoffen wir.

Leonardo Boff, Ökotheologe und Schriftsteller.