Como não se indignar face a tão bárbaro e covarde assassinato?

Publico este texto de um jornalista muito competente e ético,conhecido meu de muitos anos, Fernando Molica em seu Facebook de 15 de fevereiro. Como não se indignar face a tanta perversão e vontade de matar? Se um profeta do Antigo Testamento,como um Amós, estivesse em nosso meio,  seguramente lançaria a maldição divina sobre o covarde e frio assassino. Perdemos a profecia? Somos incapazes de protest-ação? Havia muitos ao redor que assistiam o crime. Só uma mulher, entre tantos presentes, tentou dissuadir o assassino. Foi calada. Precisamos citar o nome do assassino: DAVI RICARDO MOREIRA AMÂNCIO, segurança do supermercado Extra no Rio e de sua vítima PEDRO GONZAGA. Quando a maldade é grande demais ficamos impotentes e as palavras se afogam em nossa garganta. Mas temos que protestar e reagir. Segundo dados, lidos há dias, em vários jornais (cabe verificar exatamente) a cada 23 minutos é assassinado um negro em nosso país. O ex-presidente Pepe Mujica me dizia lá sua chácara, há dois anos:”Há uma diferença muito grande entre o Uruguai e o Brasil. Aqui a vida vale e no seu país a vida não vale nada; aqui os assassinatos são muito menos e são punidos; no seu  país se mata por um par de tênis e  a coisa fica por isso mesmo”. É triste e vergonhoso para nós ouvir tal ponderação de um velho e sábio político que muito ama o Brasil. E há gente que fez publicamente apologia da tortura e da morte.E sabemos quem é. Não podemos mais tolerar tanta matança para não atrairmos a ira  dAquele se apresentou “como o apaixonado amante da vida” (Livro da Sabedoria 11,24) e que  está do lado daqueles  que são condenados a morrer violentamente antes do tempo.LBoff

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As imagens que mostram o assassinato do jovem Pedro Gonzaga por Davi Ricardo Moreira Amâncio, segurança do supermercado Extra, revelam o absurdo grau de perversidade em que vivemos. Já seria imperdoável se o assassino “por escusável medo, surpresa ou violenta emoção” (reproduzo as palavras usadas em projeto apresentado pelo governo federal) tivesse matado o rapaz com um tiro, ou com um soco. Mas não, ele cometeu o homicídio de forma lenta, pensada, brutal, mesmo estando diante de dezenas de pessoas. Parece ter prazer ao se deitar sobre o corpo de sua vítima enquanto apertava seu pescoço. Atuava de maneira tão natural que, enquanto matava, chega a discutir com uma mulher que tenta impedir o crime.

Seus colegas de trabalho, seguranças como ele, nada fizeram para evitar o crime – um deles, chegou a tentar impedir a filmagem da cena. O comportamento dos outros seguranças mostrou que perversidade não é apenas do assassino, está generalizada entre nós. Poucas vezes vi tanto absurdo, tão correspondente à hoje clássica expressão banalidade do mal cunhada por Hannah Arendt. O cara mata porque se acha no dever – mais do que no direito – de matar. Mata, mata, mata é o que ouve todos os dias, é o grito que vem das ruas e dos palácios. Tem que matar, tem que matar, é o que ele repete, é o que ele faz.

Ele está do lado da maioria, dos que gritam, dos que aplaudem chacinas, do lado daqueles que, no lugar de fazer cumprir a lei, registraram seu crime como algo menor, culposo, não intencional. É possível que sequer fosse indiciado se não houvesse imagens de seu crime.

Afinal, a vítima era mais uma daquelas que, por sua cor e por sua classe social, precisam provar o tempo todo que são inocentes – muitas vezes, são mortas antes disso. Pouco depois do homicídio já havia a versão, contestada pelas imagens de câmera do supermercado, de que o rapaz teria tentado roubar a arma do segurança (como se isso justificasse seu assassinato). Estamos nos transformando numa sociedade de assassinos (acrescento: um país que mata por perversão, que tem prazer em matar).Todos que gritam pela morte são cúmplices daquele segurança.

Obs: o site de O Globo publicou na noite de sexta-feira  que Pedro Gonzaga, o jovem morto, morava na Barra, era de uma família de classe média e sofria com a dependência química. Isto apenas reforça que nenhum de nós está livre também da violência praticada por agentes de segurança, públicos ou privados. O grito de morte atrai mais mortes, é óbvio. FM

Publicado no Facebook no dia 15/02 na sua página por Fernado Molica.

Brazil,Bolsonaro,Theology of Liberation and the Attacks on the Church:Nathalia Toledo Urban

Brazil Fascism Human Rights International Left Politics Liberation Theology

Brazil, Bolsonaro, Liberation Theology and the new attacks on the Church

Bolsonaro’s government is becoming well known for their paranoia against “invisible enemies,” one of their traits is to accuse the most unthinkable people/institutions to be leftists. After accusing BBC, The EU and The economist of being communists, Bolsonaro’s government has a new target: The Catholic Church! It might sound surprising and even random to many specially for non-Brazilians to hear that, but the truth is, The Catholic Church had and still has an important impact among social programs in Latin America, mostly thanks to the Theology of Liberation.

The Theology of Liberation is a non-partisan movement that started during the 70’s, their philosophy encompasses several streams of thought interpreting the teachings of Jesus Christ as liberator of unjust social, political, and economic conditions. The movement is not based on the ecclesiastical interpretation of reality, but on the reality of poverty and exclusion. Its proponents have described it as an analytical and anthropological interpretation of the Christian faith.

But, by adding several currents of thought, the movement absorbed beliefs of Umbanda (an Afro-brazilian religion), Spiritism, Islam and even Shamanism.

Leonardo Boff Copyright:© Rafael Stedile

In spite of the internationalization of Liberation Theology, Latin America gathers its greatest representatives, such as the Peruvian priest Gustavo Gutiérrez, the Brazilian Leonardo Boff and the Uruguayan Juan Luis Segundo. According Leonardo Boff, the central point of Theology of Liberation is the concrete of the poor, its oppressions, the degradation of its lives and the sufferings without account that suffers. Without the poor and the oppressed there is no Liberation Theology, “Every oppression calls for a liberation.”

The Catholic Church dedicated two documents to Liberation Theology in the 1980s, considering it heretical and incompatible with Catholic doctrine. Just to give an historical political context the 3 countries were under military dictatorship during the “birth” of those ideas. Even though in Brazil, the majority of Catholics supported the dictatorship, many rebellious priests were very hands on fighting against the military’s authoritarian views and specially interested in protecting the poor workers and peasants that were being massacred by the government.

The oppressive police even monitored churches and masses, especially the ones happening in the biggest cities.  According to the Brazilian government at the time some priests were contaminated by the Marxism ideology and were using their power to spread subversive propaganda. The Ecumenical Documentation and Information Centre produced in 1988 a list of 12 forms of attack suffered by the Church: defamation, invasion, imprisonment, torture, murder, kidnapping, prosecution, subpoena, expulsion, censorship, prohibition and counterfeiting.

Between 1969 and 1981, there were 15 deaths or disappearances of clerics or lay people that were involved in the church’s social movements. People like, Father Antônio Henrique Pereira da Silva Neto, direct auxiliary of Archbishop Dom Hélder Câmara. He was kidnapped, tortured and killed in Recife in May 1969, Santo Dias, leader of the Worker’s Pastoral , killed by a back shot fired by a military police officer during a strike in São Paulo, Alexandre Vanucchi Leme, a student at the University of São Paulo, who died of injuries caused by torture in the premises of the Second Army, in the capital of São Paulo.

And student leader Honestino Guimarães da Silva, a member of The Catholic Student Youth, arrested and tortured in, Rio, his body is still missing. Father João Bosco Burnier, murdered on 1976 the forces of repression in Conceição do Araguaia, he and the bishop D. Pedro Casaldaliga, defended women who were being tortured by militaries.

There were 18 cases of banishment or expulsion. Father James Murray was expelled, for celebrating Mass in black and for reading the Declaration of Human Rights during his homily. And the most famous case Frier Betto, arrested twice, he wrote his experiences during that dark period of the Dictatorship in books, the most famous Baptism of Blood, which tells about the involvement of Dominican Friers at the Ação Libertadora Nacional, a communist guerrilla group, the book was adapted and became a movie in 2006.

Santo Dias: Shot in the back by a soldier.

So, lets talk about present days: Bolsonaro’s government is trying to bring back that whole McCarthyist “communist threat” in 2019. In their vision, the Church is a traditional ally of the Worker’s Party (PT) and is organizing itself to lead debates with the left; the alert to the government came from reports from the Brazilian Intelligence Agency (Abin), headed by General Heleno, and military commandos; the reports are from recent meetings of Brazilian cardinals with Pope Francisco to discuss the Pan Amazonian Synod, which will gather in October in Rome, bishops from all continents.

The debate will address the situation of indigenous peoples, climate change caused by deforestation and quilombo and according to the article in the Estado de São Paulo, based on documents circulating in the Planalto, the Internal security military judged that sectors of the Church allied with social movements and leftist parties, members of the so-called ‘progressive clergy’, wanted to use the Synod to criticize the Bolsonaro’s government and gain international impact.

And of course their fears are being fed by all neopentecostal population that since day one were lining themselves with Bolsonaro.

Many theologists believe that the Theology of Liberation died, because many of their biggest supporters are dead or old, but their legacy is still very much alive.

In 1991, after almost a decade fighting with cardinals from Rome (in special Cardinal Ratzinger, latter the Pope Benedict XVI) Boff, wrote to the Vatican asking for a dispensation of his vows, and nowadays he’s a philosopher and social political activist.

Sources: Leonardo Boff’s blog: https://leonardoboff.wordpress.com
Estado de São Paulo: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2019/02/10/planalto-ve-igreja-catolica-como-potencial-opositora.htm
Baptism of Blood (movie trailer): https://youtu.be/uhBemy_vXCk

By Nathália Toledo Urban

 

 

 

la victoire de Bolsonaro légitime une culture de la violence

 Entrevista dada à revista belga Démocratie n.2 13 de fevereiro de 2019

Alors qu’au Brésil, la situation politique s’enfonce chaque jour davantage dans le chaos et que se dessinent des perspectives sombres et incertaines, Leonardo Boff, éminent théologien et penseur brésilien, nous propose une vision du futur de son pays qui n’est pas dénuée d’espoir. Cet homme de gauche, proche de Lula1, nous rappelle l’impor- tance de la théologie de la libération dans la mise en place des mouvements sociaux et de leurs combats en faveur des catégories les plus pauvres et marginalisées.

Comment expliquez-vous la victoire
du candidat d’extrême droite Jair Bolsonaro, le 28 octobre dernier?

Tout d’abord, bien qu’elle paraisse joviale et hospi- talière, la société brésilienne est conservatrice. Les questions qui touchent à la famille traditionnelle comme l’homosexualité, le mariage entre personnes de même sexe, mais aussi celles liées aux Noirs2, ainsi qu’aux Quilombolas3 et aux peuples autoch- tones, sont généralement rejetées ou débattues de manière négative. Tous ces groupes ont souffert et souffrent encore beaucoup de préjugés et de discri- mination. Ensuite, les classes dominantes 4 n’ont ja- mais accepté qu’un travailleur du Nordeste accède à la présidence du pays. Ils ont toujours cherché à le piéger. Ils ont réussi l’impeachment de Dilma Roussef et finalement via le Lava-Jato 5 et en utilisant la Lawfare 6, Lula a été condamné et emprisonné, sans preuve claire, sans matérialité criminelle. Ces élites, riches et très riches, ont toujours contrôlé l’État pour obtenir leurs privilèges. Elles ont réussi à désigner un candidat d’extrême droite, Jair Bolsonaro, qui, élu, ferait le jeu de ces élites et de ses stratégies qui consistent à réduire le pouvoir de l’État, à privatiser autant que possible les communs (les biens naturels) comme le pré-sel7, les centrales électriques, les terres amazoniennes. Pour y arriver, elles ont désigné un bouc émissaire: le PT comme parti le plus corrompu de l’histoire et Lula comme voleur. Ainsi, un anti-PTisme généralisé a été créé, ce qui a totalement empêché la formation d’une discussion sérieuse sur un projet de société pour le Brésil.

Deplus, Jair Bolsonaro, impréparé à son futur rôle et véritable ignorant, a évité tous les débats et utilisé des milliers de fausses nouvelles (fake news) en provenance de l’Irlande et du Portugal, discréditant le candidat du PT à la présidence, Fernando Haddad, une personne honorable. Près de 70 % des personnes interrogées sur ces mensonges ont dit leur accorder du crédit. L’élection de Bolsonaro repose donc sur une fraude qui a trompé, avec l’aide des marchés et des oligarchies économiques, des millions de Brési- liens fanatisés.

Après un mois de gouvernement,
quelle est la situation ?

C’est déjà un chaos indescriptible. Les postes-clés du gouvernement sont occupés par des généraux à la retraite, de sorte que nous sommes gouvernés, pratiquement, par l’armée qui contrôle tout… La victoire frauduleuse de Bolsonaro a légitimé une culture de la violence. Elle existait déjà dans le pays à des niveaux insupportables comme l’attestent les plus de 62.000 meurtres par an. Mais maintenant elle se sent légitimée par le discours de haine qu’il a nourri pendant la campagne. Une réalité aussi sinistre débouche sur une forte impuissance et un vide d’espoir.

Dans ce contexte sombre et incertain, voyez-vous malgré tout de l’espoir ?

Je pars de l’hypothèse que le Brésil, pays complexe et aux dimensions continentales, est plus grand que sa crise. Je crois vraiment que cette crise a son côté positif.

1. Leonardo Boff est un des seuls proches de Lula à être autorisé à lui rendre visite en prison.

2. 55,4 % de la population se déclarent noirs ou bruns de peau.

3. Villages composés de fugitifs noirs. Il y en a plus de mille au Brésil.

4. 1.173 de super riches, soit 0,05 % de la population qui contrôle 45 % de la richesse nationale.

On retrouve dans les élites brésiliennes de grands propriétaires terriens, des militaires, des lobbys pro-armement et les puissantes églises évangéliques.

5. Lava-Jato (lavage express) est une vaste opération menée depuis 2014 d’enquête sur une affaire de corruption et de blanchiment d’argent impliquant notamment la société pétrolière publique Petrobras.

6. À interpréter comme la loi pour préjudicier l’accusé.

7. Les gisements de pré-sel (champ de pétrole) se situent dans la croûte terrestre, sous des couches de sel, à environ 7.000 mètres de profondeur. On en trouve au large des côtes brésiliennes.

8. Environs 8 postes importants. Des cinq ministères qui composent l’équipe économique du gouvernement,quatre sont sous le commandement de l’armée, ce qui représente la plus grande représentation vert olive dans l’administration publique fédérale depuis la dictature (https://www. brasildefato.com.br/2019/01/17/ para-luiz-gonzaga-belluzzo-visao- dos-militares-que-estao-no-poder-e- antiquada/).

9. Voir à ce sujet, L. BOFF, Brasil: concluir a refundação ou prolongar a dependência, Éd. Vozes, 2018.

10. En plus de leur dimension pécifiquement religieuse, les communautés de base étaient des centres de prise de conscience, de résistance contre la dictature et de construction de la citoyenneté. L’articulation de ces communautés est l’un des points de départ de la fondation du Parti du Travail en 1980.

Si L’union européenne et la Chine rompent leurs relations avec le Brésil ou que ce dernier décide de se séparer de ces nations, une grande partie de nos entreprises exportatrices de viande et de soja pourraient faire faillite. De mon point de vue, l’alternative consiste à rompre avec nos dépendances historiques et à refonder la patrie sur d’autres bases et d’autres valeurs 9.

De quelle manière ?

J’identifie trois piliers, proprement brésiliens, qui pourraient soutenir un projet alternatif. Tout d’abord, celui de la nature. Le Brésil possède la plus grande biodiversité de la planète, la plus grande forêt tropicale du monde – l’Amazonie – 13 % des réserves mondiales d’eau douce, et une immense richesse en minerais et matériaux rares. Comme le dit Paul Krugman, prix Nobel d’économie, dans quelques années, toute l’économie passera par l’écologie. Les pays qui possèderont plus de biens et de services naturels (la bonté de la nature comme disent les Andins) auront un rôle décisif à jouer pour l’avenir de la vie et de la civilisation. Le deuxième pilier est le peuple brésilien lui-même, composé de représentants de 60 peuples différents qui vivent re- lativement sans préjugés raciaux et qui constituent un grand métissage (japonais, espagnol, allemand, italien, coréen, russe, ukrainien et autres). Ce peuple est très créatif, ouvert au dialogue et aux différences (malgré le traditionalisme des coutumes) et est ac- cueillant. Le troisième élément est la culture brésilienne, riche et diversifiée, de par l’extension du pays et les différents écosystèmes, que ce soit en musique, architecture, artisanat ou dans son carnaval la plus grande fête populaire du monde où se manifeste une incroyable créativité des populations des favelas dont sont issues les écoles de samba. J’estime que ces quelques éléments, qui peuvent être enrichis, ont la capacité de fonder un nouvel essai civilisationnel, important pour le processus mondial de globalisation, conférant légèreté, joie de vivre et aura mystico-religieuse (typique du peuple brésilien) opposé au processus actuel trop rigide et dont l’hégémonie est fondée sur la compétition et non sur la coopération.

Comme voyes-vous la “cordialité” brésilienne?

La cordialité, typique du peuple brésilien est très ambigue. Elle a montré le côté sombre de la «cordialité» brésilienne. Que derrière celle-ci peut aussi se cacher de l’hostilité et de la haine. En ce moment de grande colère et de haine dans la société, le côté pervers de la « cordialité » se manifeste. Elle est sortie du placard. Le fait est que ni les élites, ni le gouvernement de Jair Bolsonaro ne veulent un Brésil pour tous. Ils se sont simplement alignés sur Donald Trump, avec le risque que le Brésil ne perde ses relations avec la Chine, son plus grand partenaire commercial. Ni les élites, ni le gouvernement de Bolsonaro ne veulent un Brésil pour tous. Ils se sont simplement alignés sur Donald Trump.

De votre point de vue de théologien, comment peut-on comprendre les évolutions
des dynamiques théologiques catholique et évangélique ?

L’Église catholique brésilienne a perdu ses grands prophètes qui dénonçaient la violation des droits de l’homme et l’oppression des marginalisés. La plupart des évêques ont été nommés par le Pape Jean-Paul II et Benoît XVI ouvertement conserva- teurs, plus endoctrinés que pasteurs. La plupart des évêques brésiliens ont peu de choses à dire sur la situation sociale brésilienne. Au contraire, l’affaiblis- sement de l’Église catholique a ouvert la voie aux Églises pentecôtistes et néo-pentecôtistes. Celles-ci rassemblent des milliers de fidèles, pour la plupart pauvres et nécessiteux. Il leur prêche l’évangile de la prospérité et non de la bienveillance. On n’y parle jamais de justice sociale et de transformation de la société. Ce sont des usines pour l’enrichissement de leurs bergers, de vrais loups, trompant les fidèles par des promesses et des miracles préconstruits. Le plus grand groupe néo-pentecôtiste, l’Église universelle du Royaume de Dieu, à la tête de laquelle se trouve l’évêque Macedo, a joué un rôle déterminant dans la victoire de M. Bolsonaro. Cette Église est devenue le centre de millions de fausses nouvelles, sans au- cun sens éthique ou religieux.

Et qu’en est-il de l’Église du peuple
et de ses communautés de base 10 ?

Nous devons différencier l’Église catholique comme grande institution qui, à mon sens est dans une crise grave, de l’Église du peuple. Il y a près de cent mille communautés de base ici; plus d’un million de cercles bibliques qui lisent la Bible et en tirent des conclusions en termes de militance et d’engagement pour la justice sociale. Il y a le mouvement national Foi et Politique, national et régional, qui rassemble des laïcs qui voient dans l’Évangile une source d’inspiration pour une politique éthique et libéra- trice et voient dans la politique un lieu privilégié pour réaliser les biens du Royaume de Dieu que sont solidarité, justice sociale et esprit communautaire. En outre, il existe des mouvements de Sans-Terre et de Sans-Toit, fortement influencés par la théologie

Démocratie n° 2 • Février 2019 • 15

Réflexion d’un vieux théologien et penseur 1

L’importance de la dimension utopique

Dans un contexte de délabrement politique au Brésil, et ont produit un océan de pauvreté, d’injustice sociale et avant de parler d’espérance, il faut retrouver la dimendion de souffrances évitables en lieu et place de bénéfices pour tous. L’utopie ne s’oppose pas à la réalité, mais elle lui appartient, parce que celle-ci n’est pas seulement faite de ce qui est fait et donné, de ce qui y est palpable. Mais elle est également faite de ce qui peut encore être fait et donné, donc de ce qui est potentiel et faisable, de ce qui n’est pas encore visible. L’utopie naît de ces tréfonds de po- tentialités présentes dans l’histoire, dans chaque peuple et dans chaque personne. Le philosophe allemand Ernst Bloch a introduit l’expression principe-espérance. Celui-ci est plus que la vertu de l’espérance, il apparaît comme une source génératrice de rêves et d’actions. Le principe de l’espé- rance représente le potentiel inépuisable de l’existence et de l’histoire humaine qui nous permet de dire non à toute réalité concrète, aux limites de notre condition humaine, aux modèles politiques et aux barrières qui limitent la vie, la connaissance, la volonté et l’amour. Et dire oui à des formes nouvelles ou alternatives d’organisation sociale ou de formation de tout projet.

Les utopies maximalistes et les utopies minimalistes

Aujourd’hui, nous pouvons affirmer que les grandes utopies, les utopies maximalistes, celles des Lumières (alphabétisation de tous), du socialisme (faire prévaloir le nous sur le moi) et aussi du capitalisme (le moi sur le nous) sont entrés dans une crise profonde. Elles n’ont jamais réalisé ce qu’elles avaient promis : tout le monde ne participe pas à la culture alphabétisée, la majorité ne voit pas la distribution équitable et juste des biens et la richesse n’est le fait que de petits groupes et non de la majorité. De plus, toutes ces uto- pies ont dégradé la Maison commune par la surexploitation de tous.

Nous sommes donc obligés de nous tourner vers des utopies minimalistes, celles qui, ne pouvant pas changer le monde, mais qui peuvent cependant l’améliorer : recevoir un salaire qui réponde aux besoins de la famille, avoir ac- cès aux soins de santé, envoyer les enfants à l’école, obtenir des transports publics qui ne font pas perdre tant de temps, avoir des services de santé de base, avoir des lieux de loisirs et culturels, et avoir une pension suffisante pour affronter les maladies du troisième âge.

La réalisation de ces utopies minimalistes crée la base des utopies supérieures: aspirer à ce que la nation sur- monte les relations de haine et d’exclusion, à ce que les peuples embrassent la fraternité, à ce qu’ils ne fassent pas la guerre, à ce que tous s’unissent pour préserver cette pe- tite et belle planète Terre, sans laquelle aucune autre utopie ne serait possible.

Restaurer la force politique de l’espoir

Nous devons renverser la vapeur, ne pas considérer la situa- tion actuelle comme une tragédie sans espoir, mais comme une crise fondamentale qui nous force à résister, à tirer les leçons des contradictions et à sortir plus mûrs, plus expé- rimentés et plus sûrs pour ouvrir une nouvelle voie, plus juste, démocratique, populaire et inclusive pour le Brésil. #

1. Extrait de Reflexões de um velho teólogo e pensador, https://leonardoboff.wordpress. com/2018/12/03/esperanca-indignacao-e-coragem/

de la libération, dont les dirigeants viennent pour la plupart des cadres de l’Église de base. A ce niveau fondamental, l’Église est vivante, elle élabore sa li- turgie, sa propre théologie et une interprétation in- novante de la Bible. Ici est vivante la vraie théologie de la libération dans laquelle les théologiens entrent par la porte de derrière et ne sont que des compa- gnons des autres, sur le chemin de la libération.

Quelle est la plus grande réussite politique
de la théologie de libération ?

Ce que Lula dit et répète toujours, c’est qu’elle est la force principale qui a constitué le PT, le parti des travailleurs. Sans l’Église de la libération, les mou- vements sociaux chrétiens, le PT n’aurait jamais surgi comme le plus grand parti de masse de notre histoire. C’est l’une des raisons pour lesquelles les élites traditionnelles sont contre le PT, parce c’est un parti qui vient d’en bas, des pauvres, des noirs, de ceux qu’ils méprisent et humilient et qui s’élèventdans la société et questionnent leur projet d’exclu- sion et de privilèges.

Lula a laissé un mouvement ouvrier autonome et vigoureux. Il est celui qui résiste le plus aux me- sures anti-populaires, mesures qui nient les droits conquis par les travailleurs, et aux restrictions des politiques à destinations des populations pauvres. J’espère que le Brésil, la plus grande nation latine et dans l’Atlantique Sud, jouera, pour les raisons évoquées précédemment, un rôle important dans la formation d’un type d’humanité, enfin unifiée dans la même Maison commune, dans le cadre d’une vé- ritable démocratie écologique et sociale, intégrant tous les peuples avec leurs spécificités, mais préser- vant et prenant soin de la seule planète qui nous fait vivre. #

Leonardo Boff est un théologien brésilien, écologiste et écriteur

Propos recueillis par Stéphanie Baudot et Thomas Miessen.

https://www.autresbresils.net/

Por que os generais temem o Sínodo Pan-Amazônico: Marcelo Barros

Marcelo Barros é um monge beneditino que foi assessor de Dom Helder, grande conhecedor da Bíblia (exegeta), assessor do MST e um dos conferencistas mais solicitados no Brasil e nos exterior. Aborda de forma original a espiritualidade ligada à lutas populares. É autor de vários livros sobre temas da atualidade, sempre na perspectiva espiritual e da libertação dos oprimidos. Publicamos este material sobre o Sínodo Pan-Amazônico,pelo interesse nacional e mundial que está provocando e pondo em alerta ( por causa de certos preconceitos) dos militares que já puseram em ação os órgãos de informação para vigiarem os bispos e aqueles que se ocupam da problemática amazônica. Esquecem estes militares que a Amazônia não é só brasileira mas cobre parte de 8 países latino-americanos sobre os quais eles não têm jurisdição. Lboff

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O governo brasileiro manifesta preocupações e contrariedades em relação ao próximo Sínodo dos Bispos em Roma sobre a região panamazônica. (Cf. IHU, 10/ 02// 2019). Em artigo esclarecedor e contundente, Roberto Malvezzi, publicado nesse blog, explica o que é um Sínodo (caminhar juntos) e como a Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM), em diálogo com o Vaticano e com os bispos locais dos oito países da região pan-amazônica tem preparado o Sínodo.
De fato, desde que, depois do Concílio Vaticano II, o papa Paulo VI restabeleceu a tradição do Sínodo dos Bispos, vinda do primeiro milênio e a atualizou para a Igreja Católica do século XX, já tivemos mais de 35 sessões do Sínodo. Nessa perspectiva, é importante saber o que se pode esperar do Sínodo sobre a Amazônia.

Não é de forma alguma a primeira vez que, nessas últimas décadas, a Igreja Católica, em Roma, realiza um sínodo sobre uma região particular do mundo. Já tivemos duas assembleias extraordinárias do Sínodo sobre a África (1994 e 2009). Na preparação do Jubileu do ano 2000, o papa João Paulo II convocou e organizou assembleias especiais sobre a Europa (1999), assim como assembleias para a Oceania (1997), Ásia (1998) e América (1997). Além disso, houve uma assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre o Oriente Médio (2010). Assim, além das 25 assembleias ordinárias do Sínodo que aconteceram desde 1969, dez foram extraordinárias e delas, várias sobre regiões específicas.

É possível que o Sínodo da Amazônia traga algumas novidades. Em geral, nas assembleias anteriores aqui citadas, os bispos sempre procuraram se situar na realidade do continente ou da região que é o tema do Sínodo. No entanto, o tema central e o foco de tudo tem sido a Igreja e sua missão. Assim, as exortações pos-sinodais dos papas em geral têm como título: A Igreja na África, a Igreja na Ásia, a Igreja na Oceania, etc… E por causa da herança ou subsistência do que se poderia chamar de “eclesiologia de Cristandade” , (isso é, uma Igreja que se olha como anterior e independente da realidade, com uma missão que vem de fora e entra mais como do alto para baixo), a impressão é que, em geral, a análise da realidade é sempre mais genérica do que contextual, feita em linguagem cuidadosa que diz as coisas sem dizer exatamente (diplomacia necessária a uma Igreja que se coloca a partir de uma posição de poder e de mando).
Dessa vez, o Sínodo tem como tema “A Amazônia, novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.

Há uma mudança no enfoque – o tema é a realidade e dessa realidade se reflete sobre a missão da Igreja e se busca reconstruir uma Ecologia integral. E há ao menos uma tentativa de que a Igreja (bispos, clero e povo) se coloque como serviço e a partir de baixo e não de cima. Isso significa, parta da comunhão com os mais pobres, escute o grito da Terra e dos povos da Amazônia, ameaçados em sua vida e oprimidos pela tragédia que é o agronegócio, as madeireiras e as mineradoras, assim como as formas depredadoras do Capitalismo nas cidades amazonenses e suas periferias.

Nessa visão, a Ecologia Integral não é um tema a parte ou além da missão da Igreja. Se bem compreendida, a Ecologia integral é a própria missão de uma Igreja servidora da libertação da humanidade, da mãe Terra e de cada pessoa em sua integralidade, como já, em 1968, afirmava a Conferência dos bispos latino-americanos em Medellín (Med 5, 15).
Se essa perspectiva ou mudança de ângulo de abordagem for realmente respeitada e desenvolvida, o governo brasileiro pode ter razões de se preocupar. E, embora somente no Brasil essa preocupação tenha sido explicitada, provavelmente outros governos dos países da região devem ter as mesmas preocupações.

Isso significa apenas que eles têm consciência clara de que as políticas que impõem à região panamazônica vão no sentido contrário à perspectiva de uma Ecologia integral, como o papa Francisco desenvolve na encíclica Laudatum sii e como as discussões preparatórias a esse Sínodo, vindas das consultas às bases dos diversos povos e grupos da Amazônia, propõem.

É claro que Bolsonaro e seus ministros não precisam se preocupar se a orientação espiritual do Sínodo fosse na perspectiva que fez com que, em 2018, não poucos bispos, padres e movimentos católicos votassem na extrema-direita. No entanto, a perspectiva não é essa. É de uma Igreja em saída no qual o Sínodo dos Bispos tem sido preparado por ampla consulta de todos os setores e categorias da Amazônia e lá em Roma com os bispos estarão índios, ribeirinhos, missionários populares e mulheres da Amazônia, de tal forma que o Sínodo dos Bispos possa se ampliar cada vez mais como Sínodo de todos os organismos vivos do Povo de Deus.

Na tradição litúrgica católica, na festa da Epifania, o ofício de vésperas contém um hino antigo no qual se canta: “Hostis Herodes impie, Christum venire quid times? Non eripit mortalia, qui regna dat caelestia”. (Na atual Liturgia das Horas está traduzido assim: “Por que, Herodes, temes, chegar o rei que é Deus? Não rouba aos reis da terra, quem reinos dá nos céus”). Provavelmente, quem compôs esse hino não lia muito o cântico de Maria (o Magnificat) ou o cantava pulando os verso que diz: “Derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes”.

O quarto evangelho conta que o sumo-sacerdote Caifaz, inimigo de Jesus, profetizou que ele, Jesus, deveria morrer não só pelo povo, mas para reunir na unidade os filhos e filhas de Deus dispersos pelo mundo” (Jo 11, 52). Quem sabe, hoje, os Caifazes atuais, que se chamem com outros nomes e tenham patentes militares e estão no governo brasileiro estejam profetizando que esse Sínodo retomará o espírito de Medellín e provocará uma virada da nossa Igreja e de outras Igrejas no caminho do serviço libertador da mãe Terra e dos povos da Amazônia?

Do irmão Marcelo Barros

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