Quantos Papas renunciaram: relato de um historiador

Uma história de renúncias papais. Artigo de John W. O’Malley

Nos dias atuais em que muito se discute sobre o significado da renúncia de Bento XVI é bom que os cristãos conheçam um pouco melhor a tumultuada história dos Papas e de quantos renunciaram na história. Isso ajuda a aceitar a dimensão humana e até demasiadamente humana do Papado, evitar a papolatria e ter uma visão menos ideológica e mistificadora de como ocorrem od processos de escolha de um novo Papa pelo Conclave dos Cardeais. O texto é de um sério historiador jesuita nortemericano. LBoff

Quantos papas renunciaram? Essas questões não são tão fáceis de responder como parecem.

A opinião é do jesuíta norte-americano John W. O’Malley, professor de teologia da Georgetown University e autor de What Happened at Vatican II [O que aconteceu no Vaticano II]. O artigo foi publicado na revista America, dos jesuítas dos EUA, 11-03-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

renúncia do Papa Bento XVI no dia 28 de fevereiro levantou muitas perguntas sobre esse ato histórico. Quem foi o último papa a abandonar o seu ofício? Quantos papas renunciaram? Essas questões não são tão fáceis de responder como parecem.

O cânone 332 especifica que, para ser válida, uma renúncia deve ser “livre” – não coagido. Convencionalmente, descrevem-se nove ou dez papas como renunciatários. Esse número seria maior se incluíssemos os chamados antipapas, alguns dos quais, como o primeiro João XXIII (1410-1415), podem muito bem ter sido os legítimos requerentes. Não importa quão longa ou quão curta seja a lista, poucos renunciaram “livremente” no total. No entanto, quer livres ou forçadas, as renúncias parecem ter funcionado pelo bem da Igreja.

Papa Celestino V (1294) é o melhor candidato e também o mais famoso papa que renunciou livremente. Dante o colocou no inferno por essa “grande recusa”, isto é, por se esquivar da responsabilidade à qual Deus o escolhera (Inferno 3, 61), mas a maioria das pessoas pensa que, ao renunciar, Celestino V “fez bem”, como afirmou um cronista da época.

A sua eleição foi incomum, para dizer o mínimo. Depois de um conclave que durou mais de dois anos, os cardeais, em um compromisso desesperado, escolheram Celestino V, um eremita piedoso. Se o papa não podia vir dos seus próprios números, os cardeais pareciam pensar, a melhor coisa era eleger uma pessoa santa que seria guiada pelo Espírito.Celestino V, que tinha seus 80 anos quando foi eleito, também era mal alfabetizado em latim e estava completamente esmagado pelos seus deveres. Em sua ingenuidade, ele se tornou uma peça involuntária nas mãos do rei Carlos II deAnjou. Eleito no dia 5 de julho, renunciou no dia 13 de dezembro. Ele foi papa, portanto, por cerca de cinco meses.

Será que ele renunciou livremente? Não há provas concretas em contrário. Ele explicou a sua ação dizendo que estava doente, que não tinha o conhecimento e a experiência necessários e que queria se retirar para a sua ermida. Contudo, espalharam-se rumores de que o homem que o sucedeu como Papa Bonifácio VIII usara uma influência indevida sobreCelestino V para persuadi-lo a renunciar, de modo que o caminho ficasse aberto à sua própria eleição. Quer esses rumores sejam verdadeiros ou falsos, os inimigos de Bonifácio VIII lançaram dúvidas incessantemente sobre a legitimidade do seu pontificado por causa do evento incomum e supostamente sem precedentes da renúncia. Como disse o arqui-inimigo de Bonifácio VIII, o rei Filipe IV da França, em uma mordaz nota de acusação, que incluía quase todos pecados e heresias imagináveis, “ele é acusado publicamente de tratar desumanamente o seu antecessor Celestino V – um homem de santa memória e de santa vida que talvez não soubesse que não poderia renunciar e que, portanto, de acordo com Bonifácio VIII, não poderia entrar legitimamente em sua Sé”.

Ponciano (230-235) é talvez o melhor candidato, em seguida, para um papa que renunciou livremente. Na perseguição do imperador Maximus Thrax, Ponciano foi deportado para as minas da Sardenha. Como tal deportação era o equivalente a uma sentença de morte no trabalho duro, ele abriu mão do papado no dia 28 de setembro de 235, a primeira data precisamente registrada da história papal. Ele fez isso a fim de que a Igreja de Roma pudesse escolher um sucessor e, assim, não ficaria sem um líder. Foi um ato nobre dele e, tecnicamente falando, livre, mas Ponciano não teria renunciado se a sua capacidade de governar não tivesse sido tirada dele à força.

O caso de Martinho I (649-653) é semelhante – e diferente. Ele se opôs fortemente à heresia monotelita (Cristo tem apenas uma vontade), que, por razões políticas, o imperador Constâncio II estava promovendo. Seguidores do imperador aproveitaram que o papa estava em Roma e levaram-no, doente e indefeso, a Constantinopla, para ser julgado por traição. Martinho foi condenado, açoitado publicamente e condenado à morte, embora a sentença fora trocada pelo banimento. Martinho queixou-se amargamente por ter sido abandonado pela Igreja romana, que não só não fez nada para ajudá-lo em seus problemas, mas, contra o seu desejo expresso, também elegeu um sucessor enquanto ele ainda estava vivo. Martinho, no entanto, concordou com o que havia sido feito e rezou a Deus para que protegesse o novo pastor da Igreja de Roma das heresia e dos inimigos.

Outras renúncias? Clemente I (92?-101), uma vez na lista, foi retirado por falta de provas convincentes. Para Marcelino(296-304), a prova, embora talvez não totalmente confiável, é melhor. Na perseguição do imperador Diocleciano, Marcelino supostamente fez sacrifícios aos ídolos, a fim de salvar a sua vida. De acordo com alguns relatos, ele foi formalmente deposto, mas, em todo caso, ao cometer esse ato de apostasia, ele foi automaticamente desqualificado do sacerdócio, o que deixou a Igreja romana sem um chefe. O que quer que tenha acontecido, certamente não foi uma renúncia “livre”. Bento V (964), que talvez deveria ser considerado mais como um antipapa do que o genuíno, reinou por apenas um mês antes de ser deposto por um sínodo instigado pelo imperador Otto I. Dificilmente livre.

Bento IX (1032-1045) é um caso curioso. Ele era sobrinho tanto do Papa Bento VIII quanto do Papa João XIX. Para manter o papado dentro da família, seu pai subornou os eleitores em favor do futuro Bento IX, um leigo ainda na casa dos seus 20 anos. Nos próximos 13 anos, Bento IX despertou hostilidade pelas suas maquinações políticas e provocou escândalo pela sua vida abertamente dissoluta. Por volta de 1045, a sua situação não só se tornou instável, mas, segundo alguns, ele também queria se casar. Naquele ano, ele renunciou em favor do seu padrinho, mas não antes de se assegurar por parte dele uma grande soma de dinheiro. Decisão livre ou não, ela certamente foi sórdida. A simonia que isso envolveu lançou dúvidas sobre a legitimidade do novo papa, Gregório VI. No ano seguinte, o imperador Henrique IIIdesceu até a Itália, vindo da Alemanha, e fez com que Bento IX e Gregório VI fossem depostos em um sínodo em Sutri, nos arredores de Roma.

Um terceiro requerente ao papado, Silvestre III, também foi condenado no sínodo. O imperador, revoltado com a situação romana, nomeou um alemão honesto como papa, Clemente II, um ato que acabou sendo o primeiro passo para resgatar o papado do atoleiro moral em que havia caído e que, portanto, foi o prelúdio imediato à Reforma Gregoriana.

O último papa na lista é Gregório XII (1406-1415). Sua renúncia efetivamente marcou o fim do Grande Cisma do Ocidente, aquele período da história da Igreja entre 1378 e 1415, quando dois, e depois três, homens alegavam ser o legítimo papa. Diante da insistência do rei alemão (mais tarde imperador) Sigismundo, o primeiro Papa João XXIII, um dos demandantes, com grande relutância, convocou um concílio em Constança para resolver o cisma. Uma vez que o concílio começou suas sessões, ficou claro para todo mundo que, para salvar o papado, a lista de candidatos devia ser limpada, o que significava a renúncia ou a deposição de todos os três requerentes. Com isso, João XXIII fugiu do concílio, na esperança de interrompê-lo. Ele teve a infelicidade, no entanto, de ser capturado e levado de volta para o concílio como um prisioneiro. Julgado e deposto, João XXIII, agora dividido em espírito, admitiu os erros que havia feito, confirmou a autoridade do concílio e renunciou formalmente a qualquer direito que ele poderia ter ao papado.

O segundo requerente, Bento XIII, recusou-se a reconhecer ou lidar com o concílio e, consequentemente, foi deposto por ele. Após a sua deposição e a eleição bem sucedida do novo papa, Martinho V, o apoio a Bento XIII evaporou, exceto por alguns cabeças-duras.

Restava o terceiro demandante, Gregório XII. Uma vez que João havia sido deposto, o concílio entrou em negociações com Gregório XII para tentar persuadi-lo a renunciar. A essa altura, Gregório XII tinha apenas um pequeno séquito, provavelmente viu os maus presságios e, para dar-lhe o benefício da dúvida, estava finalmente pronto para fazer o que podia para acabar com o cisma. Ele concordou em renunciar sob a condição de ser autorizado a convocar o concílio de novo, de modo a não conceder nenhuma legitimidade à convocação original do seu rival. No dia 4 de julho de 1415, o concílio ouviu a sua bula solenemente convocando-o e, depois, ouviu o anúncio da sua renúncia. Desde essa data, nenhum outro papa “renunciou” – até o dia 28 de fevereiro de 2013.

El activo más importante de Brasil: su pueblo

 

Nuestra historia nacional ha estado marcada por un legado de exclusión que estructuró nuestras matrices sociales. Aquí se creó un software social caracterizado por el más reciente analista de nuestra formación histórica, Luiz Gonzaga de Souza Lima, como un Estado Económico internacionalizado, en una palabra, la Gran Empresa Brasil, productora de bienes para las principales potencias coloniales y mundiales (Refundación de Brasil, 2011). Esto ha influido fuertemente  en la invención de una nación soberana. Mirándolo bien, fuimos víctimas de cuatro  invasiones sucesivas que hicieron imposible, hasta hace poco, un proyecto nacional autónomo, abierto a las dimensiones del mundo.

La primera invasión, fundacional, se produjo en el siglo XVI con la colonización portuguesa. Los indios fueron sometidos o eliminados y millones de esclavos fueron traídos de África como  carbón para la máquina productiva.

La segunda invasión ocurrió en el siglo XIX. Miles de emigrantes europeos vinieron aquí, aliviando la presión que pesaba sobre las clases industriales. Fueron vistos por aquellos que ya estaban aquí como los nuevos invasores. Sus descendientes, pronto incorporados al proyecto de las clases señoriales, crearon zonas prósperas, especialmente en el Sur.

La tercera invasión ocurrió en los años treinta del siglo pasado y se consolidó en los años sesenta con la dictadura militar.  Se introdujo una modernización conservadora a través de la industrialización de sustitución. Se dio en estrecha relación con el capital transnacional y las tecnologías importadas. Por ella se afirmó la lógica de nuestro desarrollo dependiente, enfocado hacia fuera, produciendo lo que otros querían y no lo que el pueblo necesitaba. Pero se creó un Estado nacional fuerte que hegemonizó este proceso.

En tensión dialéctica con este esfuerzo, se elaboró también otro proyecto, representado por las masas emergentes de la ciudad y del campo. Buscaban otro tipo de democracia que debería hacer posible el desarrollo con inclusión y justicia social. Para derrotar esta propuesta, las clases propietarias dieron en 1964 un golpe de clase, utilizando el brazo militar. Como resultado de ello, Brasil se sumergió decisivamente en la lógica excluyente del capitalismo transnacionalizado.

La cuarta invasión se dio con la globalización económica y el neoliberalismo político a partir de la innovación tecnológica de los años 70 del siglo XX y de la implosión del socialismo, con la consecuente homogeneización del espacio político-económico ocupado por el neoliberalismo. Fuimos invadidos por la racionalidad de la globalización económica y por la política neoliberal del Estado mínimo y de las privatizaciones.

Las tesis neoliberales, sin embargo, han sido refutadas por la devastadora crisis económico-financiera de 2008, alcanzando el corazón del sistema mundial y poniendo las economías nacionales en grandes dificultades. Nosotros, gracias a las reformas, algunas de antes pero consolidadas por el Gobierno Lula / Dilma Rousseff, hemos sido capaces de resistir. Estamos consiguiendo un hecho sin precedentes: mantener el nivel de empleo y garantizar un crecimiento sostenible, aunque pequeño.

Sin embargo, en la nueva distribución internacional de poder, Brasil y el resto de América Latina están siendo neocolonizados. Reservan para nosotros un lugar de exportadores de materias primas y productos básicos en el mercado mundial, creando obstáculos a la innovación tecnológica que aporta un valor añadido a nuestros productos. Nos obligan a ser la mesa puesta para la hambrunas del mundo entero y a permanecer “eternamente recostado en espléndida cuna”.

La nueva conciencia social, sin embargo, desde mediados del siglo pasado, logró crear una vasta red de movimientos sociales. Se canalizó en una fuerza política con la creación del PT y otros partidos con raíces populares. Con la victoria de Lula y después de Dilma Rousseff se instauró como sujeto de poder y se propició el mayor evento de inclusión social de los destituidos de nuestra historia.

Este hecho crea los cimientos para reactivar la idea de una reinvención de Brasil sobre otras bases que no sean las de las élites propietarias. En el centro está el pueblo.

A pesar de haber sido considerado, muchas veces, bueno para nada, carbón de nuestro proceso de producción, un don nadie, el pueblo brasileño nunca perdió su auto-estima ni su visión encantada del mundo. Tal vez sea ésta una de las mayores contribuciones que los brasileños podemos dar a la cultura mundial emergente, tan poco mágica y tan poco sensible al juego, al humor y a la coexistencia de los contrarios.

El antropólogo Roberto da Matta resalta el hecho de que el pueblo brasileño ha creado un patrimonio realmente envidiable: «toda nuestra capacidad de sintetizar, relacionar, conciliar, creando con eso zonas y valores asociados a la alegría, al futuro y a la esperanza». (Por qué Brasil es Brasil, 1986,121).

Alimentamos siempre un horizonte utópico prometedor: vivir en este mundo no significa ser prisioneros de las necesidades, sino hijos e hijas de la alegría.

Leonardo Boff escribió: Después de 500 años, ¿qué Brasil queremos?, Sal Terrae 2000.

Traducción de María José Gavito Milano

Il maggior patrimonio del Brasile: il sua popolo

La nostra storia patria è marcata da un’eredità di esclusione che ha strutturato le nostre matrici sociali. Si è creato qui un software sociale caratterizzato dal più recente analista della nostra formazione storica, Luiz Gonzaga de Souza Lima, come uno Stato economico internazionalizzato, in una parola, la Grande Impresa Brasile, produttrice di beni per le grandi potenze coloniali e oggi globali, (La rifondazione del Brasile, 2011). Un simile fatto ha influito poderosamente sull’invenzione di una nazione sovrana. A guardar bene, siamo vittime di quattro invasioni successive che hanno reso non viabile, fino a poco tempo fa, un progetto nazionale autonomo, aperto alle dimensioni del mondo.

La prima invasione, fondante, è avvenuta nel secolo XVI con la colonizzazione portoghese. Gli indios furono soggiogati o eliminati, milioni di schiavi furono strappati all’Africa come carbone per la macchina produttiva.

La seconda invasione è avvenuta nel secolo 19º. Migliaia di emigranti europei venivano qua, alleggerendo la pressione rivoluzionaria che pesava sulle classi industriali. Essi furono considerati da quelli che già stavano qui come nuovi invasori. I loro discendenti, subito inseriti nei progetti delle case padronali, crearono zone prospere, specialmente nel sud.

La terza invasione avvenuta negli anni 30 del secolo passato fu consolidata negli anni 60 con la dittatura militare. Si è introdotta una modernizzazione conservatrice mediante l’industrializzazione di sostituzione. Essa è avvenuta in stretta associazione con il capitale transnazionale e con le tecnologie importate. Con la stessa si ribadiva la logica del nostro sviluppo dipendente, volto verso l’esterno, per produrre quello che gli altri volevano e non verso quello di cui il nostro popolo aveva bisogno. Ma si è creato uno stato nazionale forte che ha egemonizzato questo processo.

In tensione dialettica con questo sforzo, è stata elaborato pure un altro progetto rappresentato dalle masse emergenti della città e della campagna. Avevano in mente un altro tipo di democrazia che doveva rendere possibile lo sviluppo con l’inclusione e la giustizia sociale. Per sconfiggere questa proposta, le classi proprietarie hanno dato nel 1964 un golpe di classe, scatenando il braccio militare. Come conseguenza, il Brasile venne tuffato decisamente nella logica escludente del capitalismo transnazionalizzato.

La quarta invasione è avvenuta con la globalizzazione economica e con il neoliberismo politico a partire dall’innovazione tecnologica degli anni 70 del secolo 20º e dall’implosione del socialismo con conseguente omogeneizzazione dello spazio politico economico, occupato dal neoliberalismo. Siamo stati invasi dalla razionalità della globalizzazione economica e della politica neoliberale dello Stato minimo e delle privatizzazioni.

Le tesi neoliberali, nel frattempo, rifiutate dalla devastante crisi economico-finanziaria del 2008, raggiungono il cuore del sistema mondiale, mettendo tutte le economie nazionali in grandi difficoltà. Noi, grazie alle riforme alcune fatte in precedenza ma consolidate dal governo Lula/Dilma Roussef, abbiamo potuto resistere. Stiamo riuscendo a produrre un fatto inedito: mantenere il livello di impiego e garantire una crescita sostenuta anche se piccola.

Pertanto, nella nuova distribuzione internazionale del potere, il Brasile e del resto, l’America Latina sono neocolonizzati. Ci riservano il posto di esportatori di materia prima e di commodities per il mercato mondiale, creando ostacoli all’innovazione tecnologica che conferisce valore aggiunto ai nostri prodotti. Ci obbligano a essere una tavola preparata per le  fami  del mondo intero e a rimanere “sdraiato eternamente in una culla splendida”.

La nostra coscienza sociale, nel frattempo, a partire dalla metà del secolo passato, è riuscita a creare una vasta rete di movimenti sociali. Essa si è lasciata imbrigliare in una  forza politica con la creazione del PT e di altri partiti con radici popolari. Con la vittoria di Lula, prima e di Dilma Youssef poi,  si è instaurato un altro soggetto di potere che favorisce   il più vasto evento che è l’inclusione sociale dei espulsi della nostra storia.

Questo fatto crea le basi per rilanciare l’idea di una reinvenzione del Brasile sopra altre basi che non siano le élites  proprietarie. Al centro sta il popolo.

Nonostante sia stato considerato, tante volte, rozzo contadinotto, carbone per il nostro processo produttivo, un signor nessuno, il popolo brasiliano mai ha perso l’autostima e l’ incantamento del mondo. Forse è questa,  la visione incantata del mondo,  uno dei maggiori contributi che noi brasiliani possiamo dare alla cultura mondiale emergente, così poco magica e così poco sensibile al gioco, al buonumore e alla convivenza  dei contrari.

L’antropologo Roberto de Matta ha enfatizzato il fatto che il popolo brasiliano abbia creato un patrimonio realmente  invidiabile: “tutta questa nostra capacità di sintetizzare, relazionare, riconciliare, creando con ciò luoghi e valori  legati all’allegria, al futuro e  alla speranza” (perché il Brasile è Brasile, 1986,121).

Alimentiamo sempre un orizzonte utopico promettente: vivere in questo mondo non significa essere prigionieri dei bisogni, ma essere figlie e figli dell’allegria.

Leonardo Boff ha scritto: Dopo cinquecento anni: che Brasile vogliamo? (Vozes, 2000)

Traduzione: Romano Baraglia – romanobaraglia@gmail.com

Entfesselung der Kategorie “Geist”

In der heutigen Kultur ist der Begriff „Geist“ auf zwei Fronten abgewertet  worden: von der „Bildungs“-Kultur und von der „Volks“-Kultur.

In der vorherrschenden Bildungskultur steht der Begriff „Geist“ für das Gegenteil von Materie. Wir wissen mehr oder weniger, was Materie ist, denn man kann sie messen, wiegen, manipulieren und transformieren, während „Geist“ ist den Bereich des Immateriellen, Undefinierbaren und sogar Nebulösen fällt. Materie ist die Wort-Quelle der zentralen Werte menschlicher Erfahrungen der letzten Jahrhunderte. Die moderne Wissenschaft basiert auf der Erforschung und Beherrschung von Materie. Sie hat die Elementarteilchen bis zu deren letzten Dimensionen durchdrungen, dem Higgs-Teilchen, wodurch die Kondensation der ursprünglichen Energie zu Materie erst möglich wird: nach den Bosonen und Hadronen das langerersehnte sogenannte „Gottesteilchen“. Einstein belegte, dass Materie und Energie äquivalent sind. Materie ist nicht real. Sie ist hoch kondensierte Energie und ein Feld voller Interaktionen.

Im modernen konventionellen Sinn passen die spirituellen Werte, die sich in der Super-Struktur befinden, nicht in wissenschaftliche Schemata. Sie haben ihren Platz in der Welt des Subjektiven und sind der Intimität des Einzelnen oder religiöser Gruppierungen überlassen. Wir können übereinstimmend mit Jose Comblin sagen, der es etwas grotesk, aber nicht zu harsch, folgendermaßen ausdrückte: „Wenn es um „spirituelle Werte“ geht, denkt jeder daran, wie eine gutbürgerliche Person in einem Treffen der Rotary oder der Lions Clubs spricht, nachdem es ein reichhaltiges Abendessen mit feinen Weinen und köstlichen Speisen gab. Denn im allgemeinen sind die „spirituellen Werte“ für die Leute nichts anderes als schöne, aber leere Worthülsen. Oder es gehört zum Repertoire kirchlicher Sprache: moralisierend, vergeistigt und in Feindschaft zur modernen Welt.“

Daher hört man den Begriff „spirituelle Werte“ häufiger aus den Mündern von Priestern und Bischöfen aus dem konservativen Lager. Von ihnen hört man oft, dass die Krise der heutigen Welt auf die Abkehr von der geistigen Welt zurückzuführen ist, d. h. im Fernbleiben vom Gottesdienst oder im Fehlen einer ausdrücklichen Beziehung zu einer hierarchischen Kirche.

Doch angesichts der kürzlichen Skandale, der pädophilen Priester und der Finanzskandale in Verbindung mit der Vatikanbank haben öffentliche Reden über „geistige Werte“ viel an Wirksamkeit eingebüßt. Sie haben nicht ihren Wert verloren, doch die offiziellen Stellen, die sie verkünden, erreichen nur noch wenige.

In der Volkskultur hat der Begriff „Geist“ eine große Bedeutung. Im Gegensatz zur in der Schule erlernten Rationalität knüpft er an ein gewisses magisches Weltbild an. Vor allem für das durch die afro-brasilianische und indigene Kultur geprägte Volk ist die Welt von guten und bösen Geistern bewohnt, welche Einfluss auf bestimmte Lebenssituationen haben wie Gesundheit und Krankheit, Gefühlsleben, Erfolg und Misserfolg, Glück und Unglück. Der Spiritismus hat diese Sicht der Welt mit der Reinkarnation kodifiziert. Er hat mehr Anhänger, als wir ahnen.

Allerdings haben wir in den vergangenen Jahrzehnten beobachtet, dass eine exzessive Rationalität und eine übertriebene Konsumhaltung zu einer existenziellen Sättigung und zu tiefer Enttäuschung führen. Das Glück findet sich nicht in materiellen Dingen, sondern in Dimensionen, die mit dem Herzen zu tun haben, mit Zuneigung, Liebesbeziehungen, Solidarität und Mitgefühl.

Überall ist man auf der Suche nach neuen spirituellen Erfahrungen, d. h. nach einem Sinn des Lebens, der über die Erfüllung der unmittelbaren Bedürfnisse und dem täglichen Überlebenskampf hinaus geht. Diese Erfahrungen eröffnen eine Perspektive für Hoffnung und Licht inmitten des Marktplatzes der konventionellen Ideen und Vorschlägen, die von den Massenmedien und den sogenannten „Institutionen für den Lebenssinn“ propagiert werden, wie den Religionen, Kirchen und Lebensphilosophien. Durch Fernsehprogramme gewannen sie an Einfluss sowie durch die großen religiösen Shows, die der Logik der Massenveranstaltungen folgen und die sich aus diesem Grund von dem ehrfürchtigen und heiligen Charakter alles Religiösen entfernt haben. In einer Gesellschaft des Marktes wurden Religion und Spiritualität zur Ware degradiert, die für den allgemeinen Konsum  zur Verfügung steht. Und sie bringen viel Geld ein.

Trotz dieser Kommerzialisierung des Religiösen wächst die Faszination an der spirituellen Welt, wenn auch vor allem in Form von esoterischer und Selbsthilfe-Literatur. Doch auch so wurde in der Welt des Profanen und in der grauen Massengesellschaft ein Weg gebahnt. In christlichen Kreisen entstanden die Pfingstkirchen, die charismatischen Bewegungen, und der Figur des Heiligen Geistes kam eine zentrale Bedeutung zu.

Diese Phänomene verweisen auf die Entfesselung der „Geist“-Kategorie in einem positiven und sogar anti-systemischen Sinn. Der „Geist“ ist ein gültiges Bezugssystem und wird nicht mehr von der Moderne kritisch beäugt, die nur das akzeptiert, was vor der Vernunft bestehen kann. Doch ist die Vernunft nicht alles, noch kann sie alles erklären. Es gibt auch das Irrationale und das nicht Rationale. Im Menschen gibt es ein Universum von Leidenschaft, Zuneigung und Gefühlen, das sich durch die emotionale Intelligenz und die Intelligenz des Herzens ausdrückt. Der Geist lehnt den Verstand nicht ab, vielmehr braucht er den Verstand. Und darüber hinaus verallgemeinert er diesen auf einer höheren Ebene, die mit Intelligenz, Kontemplation sowie einem höheren Sinn des Lebens und der Geschichte zu tun hat. In der Sprache der neuen Kosmologie ließe sich sagen: Der Geist ist so ursprünglich wie das Universum, das ja auch den Geist in sich trägt. Befinden wir uns nun im Zeitalter des Geistes?

Vom selben Autor: Feuer vom Himmel: Der Heilige Geist in Universum, Menschheit, Kirchen und Religionen. (Fogo do céu: o Espirito Santo no universo, na humanidade, nas Igrejas e religiões 2013), erscheint demnächst im Verlag Vozes, Petropolis, RJ, Brasilien.

Übersetzt von Bettina Gold-Hartnachk