The Christmas of today’s Herods

Christmas always has its idilio. There can be no sadness when life is born, especially when Jesus, the puer aeternus, the Divine Child, comes into the world. There are angels singing, the star of Bethlehem shining, the shepherds watching their flock overnight. But principally there are Mary, the good Joseph and the Child lying in the manger, “because there was no room for them in the inn”. And behold there also appeared, coming from the Orient, wise men called magi, who opened their coffers and offered Him gold, incense and myrrh, mysterious symbols. But there was also a bad king, Herod, very cruel, so cruel that he even executed his whole family. Herod heard that in Bethlehem, the city of David, a child had been born who would be the Savior. Afraid of loosing his throne, he ordered that all the boys under two years old in Bethlehem and surrounding area be killed. The sacred texts preserve one of the most painful wails of all the New Testament: ”In Ra’má a voice was heard, lamentation, crying, and great mourning, Rachel wept for her children, and would not be comforted, because they are not” (Matthew 2,18).

Christmas this year brings to mind the present day Herods who are destroying our children and youth. Between 2007 and 2019, 57 children and youth under 14 years of age have died in Brazil due to stray bullets in police actions. Just this year, 2019, the Platform of Cross Fire reports that 6 children and 19 teenagers lost their lives in Rio de Janeiro in police actions. In Rio’s metropolitan region there have been 6,058 shootouts, with 2,301 persons shot, of which 1,213 were killed and 1,088 gravely wounded. Causing more clamor was the case of Agatha Félix, an 8 year old girl killed by a stray riffle bullet to the back when she was inside a kombi van going home with her mother. Their names deserve mention. Just a few years older, they shared the destiny of the innocent children killed by Herod: Jenifer Gomes,11; Kauan Peixoto, 12; Kauã Rozário, 11; Kauê dos Santos, 12; Agatha Félix, 8; and Ketellen Gomes, 5 years old. The Governor of Rio de Janeiro and his ferocious police are accused of crimes against humanity, because he orders attacks on communities with helicopters and drones, terrorizing the people. Mayor Marcelo Crivella confessed that in the communities’ 436 schools, the children lost 7000 hours of classes due to police operations.

Together with Vanessa Francisco Sales, the mother of Agatha Félix, who carried her little daughter’s doll in the funeral, let there be heard the voices of the Biblical Rachel: the mothers of the Morro do Alemão, of Jacarezinho, of the Chatuba de Mesquita, of the Vila Moretti de Bangu, of the Complejo de Chapadão, of Duque de Caxias, of Vila Cruzeiro in the Complexo de Penha, of Maricá. Let’s hear their lamentations:

“Many voices are heard, many cries and many wails. The mothers cry for their beloved sons and daughters, killed by stray bullets. They do not want to be consoled , because they have lost their beloved children forever. They ask for an answer that does not come from anywhere. With tears and many lamentations we plead that the killing of our children stop. For the love of God stop the killing. We want our children alive. We demand justice”.

This is the context of this 2019 Christmas, worsened by an official policy that uses the perverse means of lies, fake news, anger and visceral hatred. Jesus was born poor and lived poor all his life. And there comes a President who often has the name of Jesus on his lips, but not in his heart, because he throws insults to the LGBT, the Blacks, the Indigenous, the quilombolas (Afro-Brazilians who live in the quilombos) and the women.

The President openly says that he does not like the poor, that is, he does like those of whom Jesus said: “Blessed are the poor” and called them, “my younger brothers and sisters”, and that “in the end of life they will be our judges“ (Matthew 25,40). That he does not like the poor means that he does not want to govern for the majority of Brazilians, who are poor and even miserable; for whom he would primarily govern and care.

In spite of all that, Christmas must be celebrated. It is dark, but we celebrate the humanity and joyfulness of our God. God made himself into a helpless child. What happiness it is to know that we will be judged by a child that only wants to play and to accept and give love.

May Christmas gives us a little of the light that comes from the Star that filled the shepherds of the fields of Bethlehem with joy and that guided the wise magi to the grotto. “Its light illuminates all the persons who come to this world” (John 1,9), to you and to me, to all, not only to those who have been baptized. Merry Christmas.

Leonardo BoffEco-Theologian-Philosopher,Earthcharter Commissioner

Free translation from the Spanish sent by
Melina Alfaro, alfaro_melina@yahoo.com.ar.
Done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

Oração de agradecimento de um chefe indígena

Ao participar de encontros internacionais sobre questões ecológicas, me dei conta de que  sempre estão presentes os povos originários, pois são os protagonistas na manutenção e na proteção da vida. No começo de cada intervenção, naturalmente, fazem uma oração evocativa ao Grande Espírito, como se fosse a coisa mais natural do mundo. São palavras sábias, nascidas da observação da natureza, das estrelas e da vida. Nós, ocidentais, perdemos o sentido sagrado de todas as coisas, pois não nos sentimos parte do Todo. Da falta deste pertencimento se deriva, em grande parte, nossa crise ecológica. Temos uma relação de uso da natureza e esquecemos que cada um de nós está ligado a outro e que cada ser possui um valor em si mesmo.Por isso deve ser respeitado e agradecer por sua existência. Todos estamos dentro do Círculo da Vida. Cada indígena sente em seu próprio corpo a natureza, na vida, nos ossos, na carne, no espírito. Face à emergência ecológica atual, precisamos revisitar os portadores do Sagrado da Natureza, de seu Respeito e do sentimento de Pertença. Eles detém a chave que pode nos fazer sair da crise e resgatar a Sagrada Unidade de todas as Coisas e nosso lugar dentro dela. Para iniciar a nova década, nada melhor que unirmo-nos à esta expressiva oração que o Grande Chefe Aho da nação Lakota, dos EEUU fez pensando em todos também em  nós, seus parentes.   LBoff

 

Oração dos indígenas da nação Lakota que vive nos USA.

Até hoje continuam rezando a seguinte oração.

O Chefe Aho MITAKUYE OYASIN 

a todos os meus Parentes: 

 

Eu honro a todos vocês que hoje estão aqui conosco, neste círculo da vida.

Estou grato pela oportunidade de dar-lhes meu reconhecimento e agradecimento, a vocês, nesta oração….

 

Para o Criador, pelo dom supremo da vida,

eu agradeço.

 

Para ao “Povo Mineral” que tem construído e mantido meus ossos e todo o projeto de minhas experiências de vida,

eu agradeço.

 

Para ao “Povo Vegetal” que sustenta meus órgãos, mantém meu corpo sadio e me dá ervas curativas em caso de doença,

eu agradeço.

 

Para ao “Povo Animal” que me alimenta de sua própria carne e oferece sua companhia leal nesta caminhada da vida,

eu agradeço.

 

Para ao “Povo Humano” que compartilha comigo o mesmo caminhar como se fôssemos uma só alma dentro da roda sagrada da vida terrena,

eu agradeço.

 

Para o “Povo Espiritual” que, invisível, me guia através dos altos e baixos da vida e por carregar a tocha de luz através dos tempos,

eu agradeço.

 

Aos “Quatro Ventos” de mudança e de crescimento,

eu agradeço.

 

Vocês todos são meus Parentes, sem os quais eu não viveria.

 

Estamos todos no Círculo da Vida, juntos e dependentes uns dos outros, tecendo o nosso destino comum. Um não é menos importante que o outro.

 

Um Povo vivo e em crescimento está interligado com todos os outros Povos, um relacionado com o com o outro e dependente com aquele que está acima e com aquele que está abaixo.

 

Todos nós somos uma parte do Grande de Mistério. 

 

Obrigado por esta vida.

O Grande Chefe Aho

 

 

Resgatar a atmosfera do Natal de sempre

O Natal virou uma grande festa profana. A figura do menino Jesus foi substituída pelo Papai Noel que por sua vez substituíu o santo bispo Nicolau (século III) que os alemães e holandeses chamam de Santa Klaus.Ele vinha de uma família rica,se vestia de bispo,colocava um saco às costas e distribuía presentes às crianças,especialmente às mais pobres.Mesmo com estas mudanças, algo de perene se conservou: o amor às crianças, o encontro de todos ao redor da mesa,a alegria de conviver (embora nunca devemos esquecer aqueles que não podem ter nada disso e são milhões). Repasso um video que nos traz à mente o Natal da infância de muitos de nós, com seu idílio e sacralidade.Lboff

Natal-esp    cliquem na indicação que aparece em cima

La Navidad de los Herodes de hoy

La Navidad tiene siempre su idilio.No puede haber tristeza cuando nace la vida, especialmente cuando viene al mundo el puer aeternus, el Niño Divino, Jesús. Hay ángeles que cantan, la estrella de Belén que brilla, los pastores que velan por la noche su rebaño.Pero allí están principalmente María, el buen José y el Niño acostado en un pesebre, “porque no había sitio para ellos en la posada”. Y he aquí que aparecieron, también venidos de Oriente, unos sabios, llamados magos, que abrieron sus cofres y le ofrecieron oro, incienso y mirra, símbolos misteriosos.

Pero había también un rey malo, Herodes, cruelísimo hasta el punto de ejecutar a toda su familia. Oyó que había nacido en la ciudad de David, Belén, un niño que sería el Salvador. Temiendo perder el trono, mandó matar en Belén y sus alrededores a todos los niños menores de dos años.

Los textos sagrados conservan un lamento de los más lacerantes de todo el Nuevo Testamento: ”En Ramá se oyó una voz, muchos llantos y muchos gemidos. Es Raquel que llora a sus hijos y no quiere ser consolada porque ya no existen” (Evangelista Mateo 2,18).

La Navidad de este año nos trae a la mente a los Herodes actuales que están diezmando a nuestros niños y jóvenes. Entre 2007-2019, 57 niños y jóvenes menores de 14 años murieron en Brasil por balas perdidas en acciones policiales. Solo en este año de 2019 en Rio de Janeiro, perdieron la vida 6 niños y 19 adolescentes en acciones policiales, informa la Plataforma Fuego Cruzado. En la región metropolitana de Rio ha habido 6.058 tiroteos con arma de fuego, con 2.301 personas baleadas, de las cuales 1.213 fueron muertas y 1.088 gravemente heridas. El caso más clamoroso fue el de la niña de 8 años Agatha Félix muerta por un disparo de fusil en la espalda cuando se encontraba dentro de una furgoneta kombi yendo para casa con su madre.

Sus nombres merecen ser mencionados. Con pocos años más, tuvieron el mismo destino de los muertos por Herodes: Jenifer Gomes,11 años; Kauan Peixoto 12 años; Kauã Rozário 11 años; Kauê dos Santos 12 años; Agatha Félix 8 años; Ketellen Gomes 5 años.

El gobernador de Río de Janeiro, con su policía feroz, está siendo acusado de crímenes contra la humanidad, pues manda atacar a las comunidades con helicópteros y drones, aterrorizando a la población. El alcalde Marcelo Crivella confesó que en las 436 escuelas instaladas en las comunidades, debido a los operativos policiales, los niños perdieron 7000 horas de aula.

Junto con la madre de Agatha Félix, Vanessa Francisco Sales, que llevaba en el entierro la muñeca de su hijita, se hacen oír las mismas voces que las de la Raquel bíblica: las madres del Morro do Alemão, de Jacarezinho, de la Chatuba de Mesquita, de la Vila Moretti de Bangu, del Complejo de Chapadão, de Duque de Caxias, de Vila Cruzeiro en el Complexo de Penha, de Maricá. Escuchemos sus lamentos:

Se oyen muchas voces, muchos llantos y muchos gemidos. Las madres lloran a sus hijos queridos, muertos por balas perdidas; no quieren consolarse porque han perdido a sus niños para siempre. Piden una respuesta que no viene de ninguna parte. Entre lágrimas y muchas lamentaciones suplican: paren de matar a nuestros niños. Paren, por el amor de Dios. Queremos a nuestros hijos vivos. Queremos justicia”.

Este es el contexto de esta Navidad de 2019, agravado por una política oficial que usa los medios perversos de la mentira, de las fake news, de mucha rabia y odio visceral. Jesús nació pobre y vivió pobre toda su vida. Y surge un presidente que tiene frecuentemente a Jesús en sus labios pero no en su corazón, porque difunde ofensas a homoafectivos, a negros, a indígenas, a quilombolas y a mujeres.

Dice abiertamente que no le gustan los pobres, es decir, no le gustan aquellos de los cuales Jesús dijo: “bienaventurados los pobres” y los llamó “mis hermanos y hermanas menores”, y que en el ocaso de la vida serán nuestros jueces (Mt 25,40). Que no le gusten los pobres significa que no quiere gobernar para la mayoría de los brasileros que son pobres y hasta miserables, para los cuales debería gobernar primeramente y cuidarlos.

A pesar de todo eso, hay que celebrar la Navidad. Está oscuro, pero festejamos la humanidad y la jovialidad de nuestro Dios. Él se se hizo niño indefenso. Qué felicidad saber que seremos juzgados por un niño que solo quiere jugar, recibir y dar cariño.

Que la Navidad nos conceda un poco de aquella luz que viene de la Estrella que llenó de alegría a los pastores de los campos de Belén y que orientó a los sabios-magos hacia la gruta. “Su luz ilumina a todas las personas que vienen a este mundo” (Jn 1,9), a ti y a mí, a todos, no solo a los bautizados”. Feliz Navidad.

*Leonardo Boff es teólogo y ha escrito Navidad, sol de la esperanza, historias, poesías y símbolos, Mar de Ideias, Rio de Janeiro 2007.