Apoio ao Jornal Voz das Comunidades

Mais e mais as comunidades entendem que precisam de um órgão de comunicação entre si, onde podem aprofundar temas próprios das comunidades e das várias conjunturas nacionais. Acolhem textos de reflexão que ajudam na compreensão das questões da sociedade e das Igrejas.

Todas lutam com muito esforço para se manterem pois os custos não diminuem. É nesse sentido que venho fazer um apelo de apoio ao jornal  VOZ DAS COMUNIDADES. Se vc leitor e leitora fizer uma assinatura anual por R$ 30,00 (trinta reais) está seguro de receber um bom material e se informar como andam as comunidades pelo Brasil afora.

Possui sua sede no Sítio Matias, Tomba-Feira de Santana-BA CEP 44091=-004. O e-mail è <jvc-jvj@gmail.com>

O depósito da assinatura pode ser feito para o titular:

ANACOP

BRADESCO

Conta poupança nº 100.7768-0

Agencia 0236-4

Informem por e-mail, data e valor do depósito.

A Redação agradece profundamente.

Com todo o meu apoio

Leonardo Boff

 

A religião como fonte de utopias salvadoras

Hoje predomina o convencimento de que o fator religioso é um dado do fundo utópico do ser humano. Depois que a maré crítica da religião feita por Marx, Nietzsche, Freud  Popper e Dawkins retrocedeu, podemos dizer que os críticos não foram suficientemente críticos.

No fundo, todos eles laboraram num equívoco: quiseram colocar a religião dentro da razão, o que fez surgir todo tipo de incompreensões. Estes críticos não se deram conta de que o lugar da religião não está na razão, embora possua uma dimensão racional, mas na inteligência cordial, no sentimento oceânico, naquela esfera do humano onde emergem as utopias.

Bem dizia Blaise Pascal, matemático e filósofo no famoso fragmento 277 de seus “Pensées: ”É o coração que sente Deus, não a razão”. Crer em Deus não é pensar Deus mas sentir Deus a partir da totalidade de nosso ser. A religião é a voz de um consciência que se recusa a aceitar o mundo tal qual é, sim-bólico e dia-bólico, sombrio e luminoso. Ela se propõe transcendê-lo, projetando visões de um novo céu e uma nova Terra e de utopias que rasgam horizontes ainda não vislumbrados.

A antropologia em geral e especialmente a escola psicanalítica de C. G. Jung veem a experiência religiosa, emergindo das camadas mais profundas da psiqué. Hoje sabemos que a estrutura em grau zero do ser humano não é razão (logos, ratio) mas é a emoção e o mundo dos afetos (pathos, eros e ethos).

A pesquisa empírica de David Golemann com sua Inteligência emocional (1984) veio confirmar uma larga tradição filosófica que culmina em M. Meffessoli, Adela Cortina, Muniz Sodré e em mim mesmo (Direitos do coração, Paulus 2016). Afirmamos ser a inteligência saturada de emoções e de afetos. É nas emoções e nos afetos que se elabora o universo dos valores, da ética, das utopias e da religião.

É deste transfundo que emerge a experiência religiosa que subjaz a toda religião institucionalizada. Segundo L. Wittgenstein, o fator místico e religioso nasce da capacidade de extasiar-se do ser humano. “Extasiar-se não pode ser expresso por uma pergunta. Por isso não existe também nenhuma resposta”(Schriften 3, 1969,68). O fato de que o mundo exista, é totalmente inexprimível. Para este fato “não há linguagem; mas esse inexprimível se mostra; é o místico”(Tractatus logico-philosophicus, 1962, 6, 52). E continua Wittgenstein:”o místico não reside no como o mundo é mas no fato de que o mundo é”(Tractatus, 6,44). “Mesmo que tenhamos respondido a todas as possíveis questões científicas, nos damos conta de que nossos problemas vitais nem sequer foram tocados” (Tractatus, 5,52).

“Crer em Deus”, prossegue Wittgenstein, “é comprender a questão do sentido da vida. Crer em Deus é afirmar que a vida tem sentido. Sobre Deus que está para alem deste mundo, não podemos falar. E sobre o que não podemos falar, devemos calar”(Tractatus,7).

A limitação do espírito científico é não ter nada sobre o que calar. As religiões quando falam é sempre de forma simbólica, evocativa e auto-implicativa. No fim terminam no nobre silêncio de Buda ou então no uso da linguagem da arte, da música, da dança e do rito.

Hoje, cansados pelo excesso de racionalidade, de materialismo e consumismo, estamos assistindo a volta do religioso e do místico. Pois nele se esconde o invisível que é parte do visível e que pode conferir uma nova esperança aos seres humanos.

Cabe recordar uma frase do grande sociólogo e pensador, no termo de sua monumental obra “Formas elementares da vida religiosa”(em português 1996): “Há algo de eterno na religião, destinado a sobreviver a todos os símbolos particulares” Porque sobrevive aos tempos, vale a afirmação de Ernst Bloch em seus famosos três volumes “O princípio esperança”: ”onde há religião, aí há esperança”.

O essencial do Cristianismo não reside em afirmar a encarnação de Deus. Outras religiões também o fizeram. Mas é afirmar que a utopia (aquilo que não tem lugar) virou eutopia (um lugar bom). Em alguém, não apenas a morte foi vencida, o que seria muito, mas ocorreu algo maior: todas virtualidades escondidas no ser humano, pela ressurreição, explodiram e implodiram numa surpreendente realização. Jesus de Nazaré é o “Adão novissimo” na expressão de São Paulo (1Cor 15,45), o homem abscôndito agora revelado.

Mas ele é apenas o primeiro dentre muitos irmãos e irmãs; também a humanidade, a Terra e o próprio universo serão transfigurados para serem o corpo de Deus.

Portanto, o nosso futuro é a transfiguração do universo e tudo o que ele contem, especialmente a vida humana e não o pó cósmico. Talvez essa seja a nossa grande esperança, o nosso futuro absoluto.

Leonardo Boff e articulista do JB on line e escreveu A nossa ressurreição na morte, Vozes 2002.

La tolerancia necesaria y urgente

Hoy en el mundo y también en Brasil impera mucha intolerancia frente a algunos partidos como el PT o los de base socialista y comunista. Intolerancia severa, a veces criminal, que algunas iglesias neopentecostales alimentan y propagan contra las religiones afrobrasileras, satanizándolas e incluso invadiendo y damnificando “terreiros”, como ocurrió en Bahía hace algunos años. Hay intolerancia que lleva a crímenes especialmente contra el grupo LGBT. Víctima de intolerancia es también el Papa Francisco, atacado y calumniado hasta con carteles pegados en los muros de Roma, porque se muestra misericordioso y acoge a todos, especialmente a los más marginalizados, cosa que los conservadores no están acostumbrados a ver en las figuras tradicionales de los papas.

El cristianismo de los orígenes, de la Tradición de Jesús histórico –contrariamente a la intolerancia de la Inquisición y de una visión meramente doctrinaria de la fe– era extremadamente tolerante. Jesús enseñó que debemos tolerar que la cizaña crezca junto con el trigo. Solo en la cosecha se hará la separación. San Pedro, ya apóstol, seguía las costumbres judías: no podía entrar en casa de paganos ni comer ciertos alimentos, pues eso lo haría impuro. Pero, al ser convidado por un oficial romano de nombre Cornelio, acabó visitándolo y constató su profunda piedad y su cuidado por los pobres. Entonces concluyó: “Dios me mostró que ningún hombre debe ser considerado profano e impuro; ahora reconozco verdaderamente que en Dios no hay discriminación de personas, le agrada quien en cualquier nación reverencia a Dios y practica la justicia” (Hechos 10,28-35).

De ese relato se deduce que el diálogo y el encuentro entre las personas que buscan una orientación religiosa, como en el caso del oficial romano, invalidan el prejuicio y el tabu de cohibir algún contacto con el diferente.

Del hecho resulta también que Dios es encontrado infaliblemente allí donde “en cualquier nación haya reverencia ante lo Sagrado y se practique la justicia”, poco importa su pertenencia religiosa.

Además Jesús enseñó que la adoración a Dios va más allá de los templos, porque “los verdaderos adoradores han de adorar al Padre en espíritu y en verdad. Estos son los que el Padre desea” (Jn,4,23). Existe, por lo tanto, la religión del Espíritu, es decir, todos los que viven valores no materiales y son fieles a la verdad están seguramente en el camino que conduce a Dios. Cada uno, en su cultura y tradición, vive a su manera la vida espiritual y se orienta por la verdad. Este merece ser respetado y positivamente tolerado.

Sospecho que no hay mayor tolerancia que esta actitud de Jesús, abandonada a lo largo de la historia por la Iglesia-poder institucional (parte de la Iglesia-pueblo- de-Dios) que discriminó a judíos, paganos, herejes y a tantos que llevó a la hoguera de la Inquisición.

En Brasil tenemos el caso clamoroso del padre.Gabriel Malagrida (1689-1761) que misionó el norte de Brasil pero por razones políticas fue muerto por la Inquisición en Lisboa por “garrote, y después de muerto, sea su cuerpo quemado y reducido a polvo y ceniza, para que de él y de su sepultura no haya memoria alguna”.

Este es un ejemplo de completa intolerancia, hoy actualizada por el Estado Islámico (EI) que degolla a quien no se convierte al islam fundamentalista praticado por él.

En fin, ¿qué es la tolerancia tan violada hoy?

Hay, fundamentalmente, dos tipos de tolerancia, una pasiva y otra activa.

La tolerancia pasiva representa la actitud de quien permite la coexistencia con el otro no porque lo desee y vea algún valor en eso, sino porque no lo puede evitar. Los diferentes se hacen entonces indiferentes entre sí.

La tolerancia activa es la actitud de quien convive positivamente con el otro porque le respeta y consigue ver sus riquezas, que sin el diferente jamás vería. Entrevé la posibilidad de compartir y hacerse compañero y así se enriquece en contacto y en la convivencia con el otro.

Hay un hecho innegable: nadie es igual a otro, todos tenemos algo que nos diferencia. Por eso existe la biodiversidad, los millones de formas de vida. Lo mismo y más profundamente vale para el nivel humano. Aquí las diferencias muestran la riqueza de la única y misma humanidad. Podemos ser humanos de muchas formas.

El ser humano debe ser tolerante como toda la realidad lo es. La intolerancia será siempre un desvío y una patología y así debe ser considerada. Produce efectos destructivos por no acoger las diferencias.

La tolerancia es fundamentalmente la virtud que subyace a la democracia. Esta sólo funciona cuando hay tolerancia con las diferencias partidarias, ideológicas u otras, todas ellas reconocidas como tales. Junto con la tolerancia está la voluntad de buscar convergencias a través del debate y de la disposición al compromiso que constituye la forma civilizada y pacífica de resolver conflictos y oposiciones. Este es un ideal a ser buscado todavía.

*Leonardo Boff es articulista del JB online y escribió: Convivencia, Respeto y Tolerancia, Sal Terrae 2006.

Traducción de Mª José Gavito Milano

LA TOLLERANZA NECESSARIA E URGENTE

Oggi nel mondo e anche in Brasile, impera

molta intolleranza verso qualche partito come il

PT e nei confronti di quell’area socialista o

comunista. Intolleranza grave, a volte criminale,

che alcune chiese neo pentecostali diffondono e

alimentano  contro le religioni  afro-brasiliane,

demonizzandole  e perfino invadendo e

danneggiando i  loro ”terreiros”, come avvenuto

in  Bahia alcuni anni fa. C’è intolleranza che

porta al crimine specialmente contro il gruppo

LGBT. Vittima di intolleranza è anche papa

Francesco, attaccato e calunniato perfino con

manifesti affissi su muri di Roma, perché si

mostra  misericordioso e accogliente con tutti,

specialmente con gli emarginati, cosa che i

conservatori non sono abituati   a vedere nelle

rappresentazioni tradizionali di un papa.

 

Il cristianesimo delle origini, della tradizione

di  Gesù storico –  contrariamente all’intolleranza

della  Inquisizione e di una visione

esclusivamente  dottrinaria della fede – era

estremamente tollerante. Gesù ci ha insegnato

che dobbiamo tollerare che il loglio cresca

insieme col grano.  Soltanto alla mietitura si fa la

separazione.   Pietro, già scelto come Apostolo,

seguiva costumi dei Giudei, che  non dovevano

entrare nelle case dei pagani, non potevano

mangiare certi cibi, che li avrebbero resi impuri.

Ma una volta che un Ufficiale romano,  di nome

Cornelio lo aveva invitato,  finì per fargli visita.

Così constatò la profonda umanità dell’Ufficiale

e le sue attenzioni verso i poveri. E concluse:

“Dio mi ha mostrato che nessun uomo

dev’essere considerato profano o impuro; ora

riconosco veramente che non esiste in Dio

nessuna discriminazione di persone, ma gli è

gradito, in qualsiasi nazione, chi ha rispetto

verso  Dio e pratica la giustizia (Atti, 10,28-35).

 

Da questo racconto si evince che il dialogo e

l’incontro tra persone, che cercano un

orientamento religioso, come nel caso

dell’Ufficiale romano, invalidano il preconcetto e

il tabu che rendono difficile il contatto con chi è

diverso.

 

Di fatti è dimostrato che Dio viene

infallibilmente incontrato là  dove “c’è rispetto

per il sacro e dove si pratica la giustizia”, poco

importa la  denominazione religiosa. Inoltre

Gesù insegna che  adorare Dio  va oltre il tempio

perché i veri adoratori devono adorare il Padre in

spirito e verità e questi sono coloro che il Padre

vuole (Gv 4, 23). Esiste pertanto la religione dello

spirito, cioè tutti quelli che vivono valori non

certezza sul cammino che conduce a Dio.

materiali e sono fedeli alla verità, stanno con

Ognuno, secondo la sua cultura e tradizione vive

a modo suo la vita spirituale e si orienta sotto la

guida della verità. Questi merita di essere

rispettato e positivamente tollerato.

 

Mi pare  che non esista una tolleranza maggiore

di quest’atteggiamento di Gesù, abbandonato

nel corso della  storia dalla chiesa-potere

istituzionalizzato (che è parte della chiesa-

popolo di Dio)  che discriminò giudei, pagani,

eretici e numerosi altri condannati al rogo

dall’Inquisizione. In Brasile abbiamo il caso

clamoroso del Padre Gabriele Malagrida (1689-

1761) che lavorò come missionario nel nord del

Brasile, ma per ragioni politiche fu garrotato a

Lisbona dall’Inquisizione, e, dopo morto, “il suo

corpo sia bruciato e ridotto in polvere e cenere,

affinché di lui e della sua tomba non resti

nessun ricordo”.

 

Ecco un esempio di perfetta intolleranza oggi

riesumata  dallo Stato Islamico (ISIS) che sgola

chi non si converte all’islamismo

fondamentalista da loro praticato.

 

Infine, cos’è  la tolleranza  tanto violata ai

nostri giorni?

 

Ci sono due tipi fondamentali di tolleranza,

una passiva, l’altra attiva.

 

La tolleranza passiva  rappresenta

l’atteggiamento di chi accetta la coesistenza con

l’altro, non perché lo desideri e  colga qualche

valore  in questo, ma semplicemente perché non

può farne a meno.

 

La tolleranza attiva consiste

nell’atteggiamento di chi positivamente convive

con l’altro perché lo rispetta e riesce a vedere le

sue ricchezze, che senza il diverso giammai

vedrebbe. Intravede le possibilità della

condivisione e di partnership e così’ si

arricchisce a contatto e nella  convivenza con

l’altro.

 

Esiste un dato innegabile: nessuno è

uguale a un altro, tutti hanno un segno

personalizzante. Per questo esiste la

biodiversità, milioni di forme di vita. Lo stesso

succede, e più profondamente, a livello umano.

Qui le differenze mostrano la ricchezza

dell’unica e medesima Umanità. Possiamo

essere umani in molti modi.

 

L’essere umano deve essere tollerante

come tutta  la realtà lo è. L’intolleranza sarà

sempre una deviazione e una patologia e tale va

considerata. Produce effetti distruttivi, per il

fatto di non accettare le differenze.

 

La tolleranza è la virtù che soggiace alla

democrazia. La democrazia funziona se ci sono

tolleranza  e differenze  partitiche,  ideologiche o

altre,  riconosciute come tali. Insieme alla

tolleranza sta la volontà di cercare convergenze

attraverso  dibattiti e disposizione a

compromessi che sono la forma civile e pacifica

di ridurre conflitti e opposizioni. Questo è l’ideale

ancora da esplorare.

 

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato.

‪