Papa Francisco: o vírus vem de uma economia doente

Na audiência pública do dia 26 de agosto de 2020, como faz sempre às quartas feiras, o Papa Francisco fez uma fala orientadora para todos que estamos submetidos ao ataque do Covid-19. O Papa foi direto na ferida: este vírus é consequência de uma economia doente. Ela subsiste mediante a exploração das pessoas e da devastação da natureza, coisa que eu mesmo venho insistindo, na contramão da maioria dos analistas das mídias sociais sobre a origem do Covid-19. Consideram o vírus em si, como algo isolado que há que se exterminar, sem analisar o contexto em que se insere e por que foi causado: pelo sistema de produção que avança sobre a natureza buscando riqueza e criando injustiça ecológica e  injustiça social planetária. É um sistema anti-vida. Ou acabamos com ele ou ele vai acabar com a vida na Terra  incluindo a espécie humana como vários notáveis do mundo nos advertem, especialmente biólogos e ecólogos. Dada a clareza didática do discurso do Papa, o publicamos aqui pois é certeiro na análise e nos suscita esperança de que podemos criar uma relação amigável para com a natureza e a Terra, incluindo a todos na justiça, na paz e no amor.Lboff

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Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Diante da pandemia e de suas consequências sociais, muitos correm o risco de perder a esperança. Neste tempo de incertezas e angústias, convido a todos a acolherem o dom da esperança que vem de Cristo. É Ele quem nos ajuda a navegar nas águas tumultuosas da doença, da morte e da injustiça, que não têm a última palavra sobre o nosso destino final.

A pandemia destacou e agravou problemas sociais, especialmente a desigualdade. Alguns podem trabalhar em casa, enquanto para muitos outros isso é impossível. Algumas crianças, apesar das dificuldades, podem continuar recebendo uma educação escolar, enquanto para muitas outras foi interrompida abruptamente. Algumas nações poderosas podem emitir dinheiro para enfrentar a emergência, enquanto para outras isso significaria hipotecar o futuro.

Esses sintomas de desigualdade revelam uma doença social; é um vírus que vem de uma economia doente. Precisamos dizer isso simplesmente: a economia está doente. Ela ficou doente. É o fruto de um crescimento econômico injusto – essa é a doença: o fruto de um crescimento econômico injusto – que ignora os valores humanos fundamentais. No mundo de hoje, poucos riquíssimos possuem mais do que o resto da humanidade.

Repito isso porque nos fará pensar: uns poucos muito ricos, um pequeno grupo, possuem mais que o resto da humanidade. Isso é estatística pura. É uma injustiça que clama ao céu! Ao mesmo tempo, esse modelo econômico é indiferente aos danos infligidos à casa comum. Não cuida da casa comum. Estamos perto de ultrapassar muitos dos limites de nosso maravilhoso planeta, com consequências graves e irreversíveis: da perda da biodiversidade e das mudanças climáticas à elevação do nível do mar e à destruição das florestas tropicais.

A desigualdade social e degradação ambiental caminham juntas e têm a mesma raiz (cf. Enc. Laudato Si’, 101): aquela do pecado de querer possuir, de querer dominar irmãos e irmãs, de querer possuir e dominar a natureza e o próprio Deus. Mas esse não é o desígnio da criação.

“No início, Deus confiou a terra e os seus recursos à gestão comum da humanidade, para cuidar dela” (Catecismo da Igreja Católica, 2402). Deus nos pediu para dominarmos a terra em seu nome (cf. Gn 1,28), cultivando e cuidando dela como um jardim, jardim de todos (cf. Gn 2,15). “Enquanto ‘cultivar’ significa lavrar ou trabalhar […], ‘guardar’ significa proteger [e] preservar” (LS, 67). Mas atenção para não interpretar isso como carta branca para fazer da terra o que se quer. Não. Existe “uma relação de reciprocidade responsável” (ibid.) entre nós e a natureza. Uma relação recíproca responsável entre nós e a natureza. Recebemos da criação e damos algo em troca. “Cada comunidade pode tomar da bondade da terra aquilo e que necessita para sua própria sobrevivência, mas também tem o dever de protegê-la” (ibid.). Ambas as partes.

De fato, a terra “existe antes de nós e foi nos dada” (ibid.), Foi dada por Deus “a todo o gênero humano” (CIC, 2402). E, portanto, é nosso dever garantir que seus frutos cheguem a todos, não apenas a alguns. E esse é um elemento-chave de nossa relação com os bens terrenos. Como recordaram os padres do Concílio Vaticano II, “o homem, usando estes bens, não deve considerar as coisas externas que legitimamente possui só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não só a si, mas também aos outros” (Const. past. Gaudium et spes, 69). Com efeito, “a posse de um bem torna quem o possui administrador da Providência, para que dê fruto e partilhe os seus frutos com os outros” (CIC, 2404). Somos administradores de bens, não donos. Administradores. “Sim, mas o bem é meu”. É verdade que é seu, mas para administrá-lo, não para tê-lo egoisticamente para você.

Para assegurar que aquilo que possuímos agregue valor à comunidade, “a autoridade política tem o direito e o dever de regular o exercício legítimo do direito de propriedade em função do bem comum” (ibid., 2406) [1]. A “subordinação da propriedade privada ao destino universal dos bens […] é uma ‘regra de ouro’ do comportamento social e o primeiro princípio de toda a ordem ético-social” (LS, 93). [2]

Propriedade e dinheiro são ferramentas que podem servir à missão. Mas facilmente os transformamos em fins, individuais ou coletivos. E quando isso acontece, os valores humanos essenciais são afetados. O Homo sapiens se deforma e se torna uma espécie de homo œconomicus – no pior sentido – individualista, calculista e dominador. Esquecemos que, criados à imagem e semelhança de Deus, somos seres sociais, criativos e solidários, com uma imensa capacidade de amar. Muitas vezes nos esquecemos disso. Na verdade, somos os seres mais cooperativos entre todas as espécies e prosperamos em comunidade, como bem se vê na experiência dos santos [3]. Há um ditado espanhol que me inspirou essa frase, e é assim: florecemos en racimo como los santos. Florescemos em comunidade como podemos ver na experiência dos santos.

Quando a obsessão em possuir e dominar exclui milhões de pessoas dos bens primários; quando a desigualdade econômica e tecnológica é tal que dilacera o tecido social; e quando a dependência de um progresso material ilimitado ameaça a casa comum, então não podemos ficar parados, apenas olhando. Não, isso é desolador. Não podemos ficar parados e assistir! Com o olhar fixo em Jesus (cf. Hb 12, 2) e com a certeza de que o seu amor opera através da comunidade dos seus discípulos, devemos todos agir juntos, na esperança de gerar algo diferente e melhor. A esperança cristã, enraizada em Deus, é a nossa âncora. Sustenta a vontade de compartilhar, fortalecendo nossa missão como discípulos de Cristo, que compartilhou tudo conosco.

E isso foi compreendido pelas primeiras comunidades cristãs, que, como nós, viveram tempos difíceis. Conscientes de formar um só coração e uma só alma, eles colocavam todos os seus bens em comum, dando testemunho da graça abundante de Cristo para com eles (cf. At 4, 32-35). Estamos passando por uma crise. A pandemia colocou todos nós em crise.

Mas lembrem-se: não se pode sair de uma crise iguais, saímos melhores ou saímos piores. Essa é nossa opção. Depois da crise, continuaremos com esse sistema econômico de injustiça social e desprezo pelo cuidado com o meio ambiente, com a criação, com a casa comum? Vamos pensar sobre isso. Que as comunidades cristãs do século XXI possam recuperar esta realidade – o cuidado pela criação e a justiça social: caminham juntas –, testemunhando assim a Ressurreição do Senhor. Se cuidarmos dos bens que o Criador nos doa, se colocarmos em comum o que possuímos para que a ninguém falte, então poderemos verdadeiramente inspirar esperança para regenerar um mundo mais saudável e mais justo.

E, por fim, vamos pensar nas crianças. Leiam as estatísticas: quantas crianças, hoje, estão morrendo de fome por uma má distribuição das riquezas, por um sistema econômico como eu disse antes; e quantas crianças, hoje, não têm direito à escola, pelo mesmo motivo. Que seja esta imagem, das crianças necessitadas com fome e falta de educação, que nos ajude a compreender que depois desta crise devemos sair melhores. Obrigado.

Notas:

[1] Cfr. GS, 71; São João Paulo II, Carta Encíclica Sollicitudo rei socialis, 42 Enc. Centesimus annus, 40,48).

[2] Cf. São João Paulo II, Carta Encíclica Laborem exercens, 19.

[3] “Florecemos en racimo, como los santos”: expressão comum na língua espanhola

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Frei Betto: carta da neocristã que fez aborto

Frei Betto tem comparecido muitas vezes neste blog. É um frade dominicano, teólogo e jornalista mas principalmente um excelente escritor com inúmeros livros de grande repercussão. Passou quatro anos na prisão, junto com confrades dominicanos, no tempo da ditadura militar. Foi preso porque ajudava a pessoas perseguidas pelos órgãos de repressão e ameaçadas de morte a passaram a fronteira para o  Uruguai. Seu livro “Batismo de sangue” transformado em filme é um testemunho comovedor de como viveu a prisão e a tortura dos confrades com a leitura dos evangelhos e da paixão de Cristo que lhe  fez entender o sofrimento humano e a capacidade de exercer o perdão e a misericórdia. Eco desta espiritualidade aparece nessa carta que recebeu de uma mulher estuprada e que teve que fazer aborto para não morrer junto com o bebê e como, não obstante a discriminação sofrida por católicos, pouco cristãos no sentindo de não terem os mesmos sentimentos que Cristo teve e que esta mulher no-los recorda tão bem.Essa carta pode ajudar os leitores e as leitoras a sentirem o drama vivido recentemente pela menina de 10 anos estuprada e também submetida a interrupção da gravidez, dentro das leis do  Estado brasileiro, para salvar a própria vida. Recordemos a frase recente do Papa Francisco:”Prefiro um ateu que tem ética e misericórdia que um católico sem ética e sem misericórdia” E há dias disse mais: “Deus não te ama  porque te comportas bem e basta. Seu amor é incondicional. Não depende de ti”. Dizer isso é ser cristão no seguimento de Jesus. LBoff

CARTA DA NEOCRISTÃ QUE FEZ ABORTO

Frei Betto

Estimado frade,

Tenho 21 anos. Em 2009, com 9 anos de idade, fui submetida a um aborto. Eu tinha 1,35 e menos de 35 quilos. Segundo os médicos, caso a gravidez prosseguisse morreriam eu e o bebê. Agora soube que caso semelhante ocorreu no Espírito Santo. A menina tem 10 anos.

Nossas histórias têm muitas semelhanças. Tanto ela quanto eu fomos estupradas desde os 6 anos de idade. Ela pelo tio; eu, pelo padrasto. E nós duas tivemos uma infância amargada também pela pobreza. Eu não tinha pai, ela não tem mãe. E o pai dela se encontra na prisão.

Indefesas, fomos obrigadas a nos submeter por medo, muito medo. Isso destroçou nossas infâncias. Eu sentia ódio daquele homem que me violentava com frequência. E ele prometia castigar-me severamente caso eu revelasse o que fazia comigo. O medo paralisa, congela, entope a garganta.

Um dia, comecei a passar mal. Nem minha cabeça nem minha mente estava preparada para a maternidade. Fui levada ao hospital, onde o médico fez o aborto.

A Igreja cristã excomungou toda a equipe médica e os nossos familiares, tanto no meu caso quanto no da menina capixaba. Em um país de tradição cristã como o Brasil, isso significa colocar sobre nossas costas mais uma cruz, a de uma mancha indelével. Por isso, cresci com raiva da Igreja: ela me abortou.

Bispos, padres e pastores nos condenaram sem condenarem a situação que nos levaram a tanto descalabro. Por que não condenam as causas da miséria? Nossos estupradores não teriam sido diferentes se tivessem tido escola e emprego? Nossas famílias não teriam cuidado melhor de nós, e nos oferecido uma infância sadia, se não tivessem sido injustamente empurradas para a miséria? Por que nos condenam e não a quem lamenta a ditadura não ter matado 30 mil? Nem a indiferença de quem poderia ter evitado a morte de mais de 100 mil pela Covid-19? Por que não condenam quem defende o linchamento de bandidos ou adota políticas econômicas que aprofundam a desigualdade social e alastram a miséria que sacrificam a infância de tantas crianças?

É covardia condenar pessoas e fechar os olhos às circunstâncias. Alguém pode chegar ao cúmulo do cinismo de achar que, ao longo daqueles anos, sentimos prazer em ser estupradas sob surras e ameaças?

Deus, porém, é imprevisível. Há meses Ele entrou na minha vida. Sinto-me muito amada por Ele. Fui buscar na Bíblia como Jesus teria agido diante de nossos casos. Teria também nos apartado da comunhão com seus discípulos?

Agora leio os Evangelhos com frequência. Entre o que dizem a Igreja e alguns cristãos, e o proceder de Jesus, vejo que não há convergência. Por isso gostaria de ouvir a sua opinião. Não tenho conhecimentos de teologia, mas o amplo apoio que recebi após aquele sofrimento atroz me permitiu sair da miséria, estudar e desfrutar de uma vida digna.

Narra o capítulo 4 do Evangelho de João que, um dia, Jesus encontrou uma mulher samaritana à beira do poço de Jacó. Ela teve cinco maridos e, agora, vivia com um sexto homem com quem não era casada. Se Jesus pensasse como esses bispos, padres e pastores que nos achincalharam ele teria evitado o contato com uma mulher tão promíscua. Teria feito um sermão moralista abominando tamanha rotatividade conjugal. Teria condenado a samaritana ao quinto dos infernos.

Essa gente jamais teria percebido, como Jesus, que ela trazia no coração um buraco tão profundo que só mesmo Deus seria capaz de caber ali dentro. Foi o que ele fez: não a recriminou e ainda a elogiou por falar a verdade! E foi ela a primeira pessoa a quem ele se revelou como Messias. E ao retornar à cidade para anunciar que o havia encontrado, ela se tornou de fato a primeira apóstola.

Jesus também não condenou a mulher adúltera. Ao contrário, fez os seus acusadores, de pedras nas mãos, admitirem que os pecados deles eram maiores que os dela. Jesus não condenou Madalena, que portava “sete espíritos maus”. Acolheu-a, fez dela discípula e a ela concedeu o mérito de ter sido a primeira testemunha da ressurreição.

Não sei se estou certa em meu modo de pensar. Por isso, escrevo ao senhor. Ainda preciso de misericórdia, no sentido etimológico do termo – de gente capaz de postar seu coração junto à miséria alheia.

Deus o abençoe!

X.

Post-covid-19: What cosmology and ethics to incorporate (IV)

The sustainable way of life is brought about by virtuous practices consistent with a sustainable mode of living. There are many virtues in a different possible world. I will be brief because I have already published three volumes with the title, “Virtues for a different possible world” (Sal Terrae 2005-2006). I mention 10 virtues, without detailing their content, because that would take us too far afield.
Virtues of a different possible, and necessary, world
The first virtue is essential caring. I call it essential because according to a philosophic tradition that came from the Romans, passed down through the centuries, which is best expressed by several authors, especially in Heidegger’s central nucleus of Time and Being. Caring, it is seen as the essence of the human being. It ts a precondition for the group of factors necessary for life. Without caring, life would never have arisen, nor could it survive. Some cosmologists, such as Brian Swimme and Stephan Hawking, viewed caring as the essential dynamic of the universe. Had the four fundamental energies lacked the subtle caring to act synergistically, we would not have the world we have. All life is dependent on caring. Because we are biologically imperfect beings, with no specialized organs, without the infinite care of our mothers, we could not have gotten out of our cribs and sought nourishment. We need the caring of others. All that we love, we also care for, and we love all that we care for. With respect to nature, this requires a relationship that is amicable, non aggressive and respectful of her limits.
The second virtue is the awareness of belonging to nature, to the Earth and the universe. We are part of a great Totality that surrounds us. We are the conscious and intelligent part of nature; we are that part of the Earth that feels, thinks, loves and venerates. This feeling of belonging fills us with respect, marvelous amazement and security.
The third virtue is solidarity and cooperation.  We are social beings who not only live, but coexist with others. We know from bio-anthropology that it was the solidarity and cooperation of our anthropoid ancestors that, by searching for food and bringing it for collective consumption, allowed them to rise to the top of the animal kingdom, and inaugurate the human world. Today, with respect to the coronavirus, what can save us is this solidarity and universal cooperation. Solidarity must begin with the least among us and the invisible. Otherwise, it is not universally inclusive.
The fourth virtue is collective responsibility. We discussed its meaning above. It is the moment of consciousness when each member of society understands the good and bad effects of their decisions and acts. The uncontrolled deforestation of the Amazon would be absolutely irresponsible because it would destroy the balance of the rains for vast regions and eliminate the biodiversity that is indispensable for the future of life. We need not mention nuclear war, whose deadly effects would eliminate all life, especially human life.
The fifth virtue is hospitality, as a duty and a right. Immanuel Kant was the first to present hospitality as both a duty and a right in his famous work, “In view of perpetual peace” (1795). Kant understood that the Earth belongs to all, because God did not gift any part of the Earth to anyone. The Earth belongs to all her inhabitants, who are free to go wherever they want. Wherever someone is found, it is everyone’s the duty to offer hospitality, as a sign of common belonging to the Earth; and we all have the right to be welcomed, without distinctions. To Kant, hospitality and respect for human rights would constitute the pillars of a world republic (Weltrepublik). This theme has great topicality, given the number of refugees and widespread discrimination against different groups. Hospitality is perhaps one of the most urgent virtues for the process of globalization, even though it is one of the least commonly practiced.
The sixth virtue is universal coexistence. Coexistence is a primary factor because we are all products of the coexistence of our parents. We are beings of relationships, which is to say, we do not simply live, but we coexist through our lives. We participate in the lives of others, their joys and sadness. However, for many it is difficult to coexist with those who are different, be it in ethnicity, religion, or political ideas. What is important is to be open to the exchange. That which is different always brings us something new that either benefits or challenges us. What we must never do is turn difference into inequality.  We can be humans of many different backgrounds, be it Brazilian, Kechua, Italian, Aymara, Japanese, Peruvian, Azstec, or Yanomami. Each form is human and has its dignity. Today, through the cybernetic mass media of communications, we open windows onto all people and cultures.  Knowing how to coexist with these differences opens new horizons and brings us into a form of communion with everyone. This coexistence also involves nature. We coexist with the landscape, the jungles, the birds and all other animals. It is not just to see the star filled skies, but to enter into communion with the stars, because we come from them and with them we are part of the great All. In fact, we are part of a community of common destiny with all of creation.
The seventh virtue is unconditional respect.Each being, no matter how small, has value in itself, independent of its usefulness to humans. Albert Schweitzer,the great Swiz physician who went to Gabon, Africa, to care for the lepers, profoundly developed the theme. For Schweitzer, respect is the most important basis of ethics, because it includes welcome, solidarity and love. We must start by respecting ourselves, maintaining dignified attitudes and manners that move others to respect us. It is important to respect all beings of creation, because they have value in themselves. They exist or live and deserve to exist or live. It Is especially valuable to respect all human person, because a human is a carrier of dignity, a sacred being with inalienable rights, regardless of their origin. We owe supreme respect for the sacred and to God, the intimate mystery of all things. We must venerate and bend our knees only before God, because only God deserves that attitude.
The eight virtue is social justice and fundamental equality for all. Justice is more than merely giving to each his or her own. Among humans, justice is love and the minimal respect we owe everyone else. Social justice requires guaranteeing the minimum to all persons, without creating privilege, and equally respecting their rights because we are all human beings and deserve to be humanely treated. Social inequality means social injustice and, theologically, it is an offense to the Creator and His sons and daughters. The major perversity that exists nowadays is perhaps that of leaving millions of people in misery, condemned to die before their time. The violence of social inequality and injustice has been revealed in In the age of this coronavirus, . While some people can safely live quarantined in their homes or apartments, the great majority of the poor are exposed to infection and often to death.
The ninth virtue is the tireless search for peace. Peace is one of the most longed for conditions, because given the type of society we have built, we live in constant competition, called on to consume and to exalt productivity. Peace does not exist by itself.  Peace is the fruit of values that must be lived out and bring peace as a result. One of the most certain ways of understanding peace comes to us from the Earthcharter, where is said: «Peace is the plenitude that results from correct relationships with one’s own self, with other persons, other cultures, other lives, the Earth and the Great All, of whom we are part» (n.16 f). As can be seen, peace is the result of adequate relationships and the fruit of social justice. Without these relationships and this justice we will only know a truce, but never a permanent peace.
The tenth virtue is the development of the spiritual meaning of life. Human beings have a corporal exterior through which we relate with the world and other people.  We also have a psychical interior where our passions, great dreams and our angels and demons are found in the architecture of desire. We must control our demons and lovingly cultivate our angels.  Only that way can we enjoy the equilibrium necessary for life.
But we also posses a depth, the dimension where the great questions of life reside: who are we? Where do we come from? Where are we going? What can we look for after this terrestrial life? What is the Supreme Energy that sustains the heavens and keeps our Common Home circling the Sun and maintains her always alive so that we may live? This is the spiritual dimension of the human being, with intangible values, such as unconditional love, trust in life, and courage to confront the unavoidable difficulties. We realize that the world is filled of meaning, that things are more than things, that they are messengers and have another invisible side. We intuit that there is a mysterious Presence that impregnates all things. The spiritual and religious traditions have called this Presence by a thousand names, without ever being able to totally decipher it. It is the mystery of the world that is sent to the Abyssal Mystery that makes that everything be what it is. Cultivating this space makes us more human, more humble, and roots us in a transcendent reality that is adequate to our infinite desire.
                              Conclusion: to simply be human
The conclusion we draw from these long reflections on the coronavirus 19 is: we must simply be humans, vulnerable, humble, connected with each other, part of nature and the conscious and spiritual part of the Earth with the mission of caring for the sacred inheritance we have received, Mother Earth, for us and future generations.
The last phrases of the Earthcharter are inspiring: «That our time be remembered by the awakening of a new reverence to life, by the firm commitment to achieve sustainability and to intensify the struggle for justice and peace, and for the joyful celebration of life».
*Leonardo Boff is an ecotheologian and has written, in three volumes, Virtues for another possible world,  (3 vol.), Sal Terrae, 2005-2006
  Free translation from the Spanish sent by

Done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

site: http://www.leonardobff.org  

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Visita solidária de Dom Vicente Ferreira e outros ao Quilombo Campo Grande-MG

Transcrevemos aqui o comovente relato da visita que o bispo auxiliar de Belo Horizonte-Brumadinho, Dom Vicente Ferreira, do Padre Júlio e da assistente pastoral Marina Paula Oliveira ao Quilombo Campo Grande  em Campo do Meio-MG, vítima da truculência da polícia militar do Governador Zema do Estado, a ponto de arrancar da escola as crianças, agarradas a seus cadernos e com uma retroescavadeira derrubar a sua escola, crime contra as crianças, à comunidade e ao saber. Sem piedade e misericórdia,a determinação do Governador, seguidor do Presidente Bolsonaro e imitador de seus exemplos, foi implacável, expondo as mais de 400 famílias ao risco da contaminação pelo Covid-19. A lei escrita em papel não está acima da terra produtiva  e da vida sagradas das pessoas. A indignação de muitas pessoas, de várias partes do país e até do exterior não comoveram o coração do Governador, duro como o do faraó do Egito. Esse clamor chegou ao coração de Deus, do Deus da justiça dos humildes e o “apaixonado amante da vida”(Sab 11,24).O apelo do bispo Dom Vicente vai na linha do Papa Francisco e do evangelho de Jesus: não pagar violência com violência, mas permanecer  firme confiança de que a verdade e a justiça prevalecerão sobre os interesses meramente materiais dos que reclam e defendem a terra, abandona, ocupada pelo MST e feita um jardim de produtos agroecológicos, oferecidos a toda a região: Lboff
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Visita solidária ao acampamento quilombo campo grande

Dom Vicente de Paula Ferreira

Padre Júlio César Amaral

Marina Paula Oliveira

       Nesta última semana, acompanhamos o despejo ilegal e irresponsável no Acampamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, sul de Minas Gerais. Apesar de inúmeras reuniões, ligações, denúncias e manifestações públicas, inclusive por parte da Arquidiocese de Belo Horizonte, a ação violenta da polícia militar e do governo Zema prosseguiu, ainda que com violações de direitos humanos. A operação, em meio à pandemia, colocou em risco não só as 450 famílias do acampamento, como também as centenas de apoiadores e policiais envolvidos.

Diante da injustiça e do sentimento de frustração por não conseguir fazer valer a Constituição Brasileira – que garante o direito à terra e moradia – resta apenas uma saída: colocar o corpo físico do lado daqueles em situação de maior vulnerabilidade social.

A Comissão enviada por Dom Walmor, com a missão de prestar solidariedade às famílias acampadas, uniu-se à presença de Dom Pedro Cunha, bispo da Campanha, e ao pároco local. Pensamos que encontraríamos um povo cansado, desanimado e exausto, pelos 3 dias consecutivos de resistência e violações de direitos. Pelo contrário, encontramos um povo forte e aguerrido, unido e disposto para reconstruir tudo aquilo que foi destruído pelas mãos daqueles que teriam o dever de protegê-los.

Tivemos a oportunidade de caminhar e conhecer as plantações de café, camomila, plantas medicinais, viveiros e animais de criação. É triste perceber que num período onde o povo brasileiro passa fome, o governo despeja quem produz.

Fomos acolhidos por mulheres que estavam na linha de frente dos três últimos dias de resistência. Mulheres que cuidaram de crianças, idosos, grávidas, pessoas que passaram mal e que foram feridas. Os feridos foram cuidados com as plantas que o próprio acampamento cultivou, uma vez que foi negado o atendimento médico pelos policiais.

A alimentação foi preparada com alimentos de produção do próprio acampamento e doações de parceiros, uma vez que os policiais não permitiram a entrada de produtos externos.

A mesma razão que o governo Zema utilizou para suspender as buscas das 11 joias ainda não encontradas em Brumadinho – pandemia -, não foi uma razão suficiente para impedir que centenas de vidas fossem colocadas em risco.

O povo, por sua vez, segue firme e inabalável. Fomos acolhidos por uma das famílias que foi despejada. Eles sorriram para nós. Disseram que só suportaram por causa da solidariedade vinda de todo canto do Brasil. Vão reconstruir cada tijolo. Replantar cada muda.

Se os poderosos vão conseguir dormir em paz, ainda não sabemos. Mas sabemos que as centenas de famílias e apoiadores que resistiram, dormirão na certeza de que estavam do lado certo da história, ainda que este caminho exija a resiliência incansável, própria da fé, da esperança e da caridade que brotam do reinado de Deus, em nossa história, inaugurado por Nosso Senhor Jesus Cristo.

fotos: Agatha Azevedo fotos: Agatha Azevedo

SOBRE NÓS

A Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário (RENSER), Em sintonia com o Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra,  responde aos apelos de uma Igreja em saída, comprometida com os mais pobres, envolvendo ministros ordenados, religiosos e leigos no anúncio do Evangelho, sobretudo na formação e no fortalecimento das comunidades eclesiais, promovendo um diálogo constante entre fé cristã e a defesa de uma Ecologia Integral.

LOCALIZAÇÃO

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