Un’escalation della guerra Russia-Ucraina potrebbe mettere in pericolo la vita sulla Terra

               Leonardo Boff

Sempre più spesso si sente parlare di un’escalation della guerra tra Russia e Ucraina, provocata dallo stesso Putin che alla fine ha ammesso, l’eventuale uso di armi nucleari tattiche. Non distruggono molto, ma la radioattività emessa potrebbe rendere la regione inabitabile per molti anni. La ragione fondamentale è che la Russia non può perdere la guerra.

Questa situazione è peggiorata quando la NATO, sotto la pressione degli Stati Uniti, ha esteso la sua azione offensiva dall’Atlantico al Pacifico con l’adesione del Giappone, della Corea del Sud, dell’Australia e della Nuova Zelanda.

La NATO si è vergognosamente sottomessa alla volontà imperiale degli USA. Sembra che non abbia imparato nulla dalle due guerre del XX secolo in Europa che hanno fatto 100 milioni di vittime.

Si sa oggi che dietro la guerra che si sta svolgendo in Ucraina, c’è uno scontro tra USA e Russia/Cina al fine di chi detiene il dominio geopolitico del mondo. Finora ha prevalso un mondo unipolare con il predominio completo degli USA.

Il nostro maestro in geopolitica Luiz Alberto Moniz Bandeira (1935-2017) nel suo minuzioso libro ‘A desordem mundial:o espectro da total dominação (Civilização Brasileira, RJ 2016) ha evidenziato, chiaramente, i tre mantra fondamentali del Pentagono e della politica estera nord-americana:

  • one World-one Empire (USA);
  • full spectrum dominance: dominare l’intero spettro della realtà, sulla terra, nel mare e nell’aria con circa 800 basi militari distribuite in tutto il mondo;
  • destabilizzare tutti i governi dei paesi che resistono o si oppongono a questa strategia imperialista come è avvenuto in Honduras, in Bolivia e nel Brasile con il golpe contro Dilma Rousseff nel 2016 e poi con l’ingiusta detenzione di Lula.

Gli USA non rinunciano al loro proposito di essere l’unica potenza mondiale. Si dà il caso che l’impero nord-americano sia alla deriva, per quanto faccia ancora appello al suo eccezionalismo e al “destino manifesto”, secondo il quale gli USA sarebbero il nuovo popolo di Dio che porterà alle nazioni democrazia, libertà e diritti (sempre inteso all’interno del codice capitalista).

Nel frattempo, la Russia si è armata con potenti armi nucleari, con missili inattaccabili e sta disputando per essere parte della leadership nel processo di globalizzazione. Ha fatto irruzione la Cina con nuovi progetti come la ‘via della seta’ e come potenza economica che ha già superato quella nord-americana. In parallelo a ciò è emerso nel Sud Globale, un gruppo di paesi il cui acronimo è BRICS di cui il Brasile partecipa. In altre parole, non esiste più un mondo unipolare, ma multipolare.

Questo fatto esaspera l’arroganza dei suprematisti neocon che affermano che è necessario continuare la guerra in Ucraina per dissanguare ed eventualmente devastare la Russia e neutralizzare la Cina per affrontarla in una fase successiva. In questo modo torneremmo al mondo unipolare.

Ecco qui gli elementi che possono generare una terza guerra mondiale che sarà terminale. Papa Francesco, nella sua chiara intuizione, ha più volte detto che siamo già nella “terza guerra mondiale a pezzi”. Per questo afferma con tono quasi disperato (ma sempre personalmente speranzoso) che “siamo tutti sulla stessa barca; o ci salviamo tutti o non si salva nessuno” (Fratelli tutti n.32). È la ragione diventata irrazionale e impazzita. Il segretario generale delle Nazioni Unite, António Guterres, ha spesso ripetuto: “l’unica alternativa è la cooperazione di tutti o il suicidio collettivo”.

Perché l’occidente europeo ha optato per la volontà di potenza e non per la volontà di vivere di pacifisti come Albert Schweitzer, Leon Tolstoy, Mahatma Gandhi, Luther King Jr e Dom Helder Câmara? Perché l’Europa, che ha prodotto una grande cultura e tanti geni, santi e sante, ha scelto questa strada che potrebbe devastare l’intero pianeta fino a renderlo inabitabile? Ha lasciato irrompere, senza controllo, il più pericoloso degli archetipi – secondo C.G.Jung – quello del potere, capace di auto-distruggerci? Ecco un mistero della storia umana da decifrare.

Perché è in questo Dio vivente e fonte di vita che riponiamo la nostra ultima speranza. Questo va oltre i limiti della scienza e della ragione strumentale-analitica. È l’atto di fede che rappresenta anche una virtualità presente nel processo cosmo-genico globale. L’alternativa a questa speranza è l’oscurità. Ma la luce ha più diritti dell’oscurità. In questa luce noi crediamo e speriamo.

(traduzione dal portoghese di Gianni Alioti)

A ressurreição no meio da uma sexta-feira santa prolongada

A ressurreição no meio da uma sexta-feira santa prolongada

                              Leonardo Boff

Nem o mais otimista pode negar que vivemos tempos sombrios e ameaçadores. Estamos dentro de um mundo sem regras e no interior do caos, sem termos a certeza de que esse caos possa ser generativo e não somente destrutivo. Agora estamos sob a regência do caos destrutivo. Há uns 18 lugares de guerra, há muitos genocídios e ameaças de uso de armas de destruição em massa. Talvez nem se passem na Terra mas no espaço por onde giram centenas de satélites,alguns carregados de armas mortíferas.Há ainda a ameaça de uma paralização mundial cibernética,feita por uma das potências beligerantes. Tudo pode parar, celulares, aviões, carros, sistema elétrico e de comunicação.Todos ficamos de joelhos, reconhecendo a derrota

Estamos entregues a umas 4-5 pessoas que podem deslanchar, em momentos de insanidade ou sob ameaça  existencial, como é o caso do presidente desatinado dos EUA, um guerra nuclear com armas atômicas estratégicas (não táticas) que podem produzir um inverno nuclear. Tal será a densidade de partículas na atmosfera que impediriam a pentração da luz solar. Os efeitos letais sobre a humanidade e a natureza (as plantas não produzira mais oxigênio) são inimagináveis, beirando o desaparecimento da espécie humana.

Perguntamo-nos: como celebrar a páscoa e a festa da ressurreição neste contexto? A maioria da humanidade vive alheia a estas ameaças, seja pela negação de informações por parte das mídias dos países hegemônicos do grande sistema imperante, seja por ignorância ou descaso. De todos os modos, com ameaças ou sem ameaças, a vida deve continuar com seus afazeres e trabalhos que garantem comida na mesa das pessoas. Viver sem se desesperar.

Antes de mais nada precisamos aclarar o que se entende por ressurreição. Não devemos confundi-la com a reanimação de um cadáver como ocorreu com Lázaro (João 11,1-44; o  filho da viúva de Naim, Lucas 7,15; a filha de Jairo Lucas 8,41). Eles  voltaram à vida mortal que tinham antes e acabaram morrendo. Ressurreição significa outra coisa: uma transformação radical da existência histórica de Jesus de Nazaré, crucificado, morto e enterrado.Talvez São Paulo expressou melhor  o que significa ressurreição: a irrupção do “novissimus Adam”(1Cor 15,45). “Novissimus Adam” sigifica que nesse Crucificado se mostrou, em antecipação do homemm novo, e qual é o futuro da vida: a total realização das possibilidades latentes dentro de cada um, de forma que ele pode ser considerado “o novo ser humano na plenitude de sua humanidade”. Esse ser novo assume a forma de existência do próprio Deus: omnipresença, libertação das amarras do espaço-tempo, com um tipo de vida imortal e eterna, jamais ameaçado pela morte. É pura vida em sua suprema  expressão à semelhança do Deus vivo.

Moisés morreu, Isaías morreu,Sócrates morreu, Buda morreu, Zaratrusta morreu, Confúcio morreu, Lao-ze morreu, Chuang-zu morreu. Jesus ressuscitou e vive entre nós como o Cristo cósmico,presente em todos os espaços no céu e na Terra.De Moisés se seguem os dez mandamentos; de Buda as 5 virtudes básicas, de Confúcio as virtudes do bom funcionário e assim de outros. Pensa-se menos nas pessoas e mais nas doutrinas que deixaram e que humanizam os seguidores. De Jesus se pensa na pessoa que ressusscitou e vive entre nós. Mais importante que os textos  do Novo Testamento, recolhidos após 30-40 anós de sua crucificação e de sua  ressurreição, (compõem o livro do Novo Testamento), é a pessoa de Jesus que conta e com a qual entramos em comunhão como com um ser vivo e presente. Comungamos a totalidade de Jesus (em hebraico, corpo e sangue) pela Eucaristia. E internalizamos sua presença cósmica em todas as coisas.

Essa é a verdade fundamental do cristianismo: a ressurreição do Crucificado. Muitos na história foram crucificados. Mas com Jesus ocorreu algo inaudito que Teilhard de Chardin, palentólogo e que  soube articular a evolução com a fé, chamou de um fenômeno  cósmico“tremendous”. Outros dizem, a ressurreição é uma revolução dentro da   evolução: a emergência  antecipada, aventurada e ditosa do fim bom do ser humano e do universo do qual ele é parte.

Ninguém melhor que o Apóstolo Paulo testemunha a ressurreição dizendo:”Se Cristo não ressuscitou, é vã nossa pregação e vã a nossa fé. Seríamos também mentirosos…Mas na verdade Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos quem morrem… Em Cristo todos reviverão”(1 Coríntios 15,13-15;20;22).

Por fim, permito-me um testemunho pessoal.Quando estive nos lugares santos na Palestina em 1976 ocorreu um fato curioso. Sabemos que estes lugares estão sempre apinhados de gente do mundo inteiro que vêm visitar estes lugares sagrados. Nunca alguém está só.Estive no santo sepulcro, lugar da ressurreição, sozinho, por 18 minutos contados. Para mim foi um prêmio por ter escrito cerca de mil página sobre Jesus e todo um livro sobre “A ressurreição e Cristo e nossa na morte”(Vozes). Nos meus escritos sempre volto ao tema da ressurreição. É o que o cristianismo tem a oferecer, mais que os belos ensinamentos do Mestre.

Por mais dramática que se apresente a atual situação da humanidade que criou para si os instrumentos de autodestruição, não podemos viver tristes. Depois que Cristo ressuscitou e mostrou qual é o nosso futuro bom e bem-aventurado, podemos ainda sorrir, brincar e dançar, como as criancinhas da Faixa de Gaza que escaparam do genocídio.

A Páscoa da ressurreição deste ano nos permite uma discreta alegria e confiança. A última página de nossa história não será escrita pela morte mas pela ressurreição da vida  até aquele momento em que nosso irmão Jesus ressuscitado também nos transformará à semelhança dele.

Leonardo Boff, teólogo e filósofo escreve para a revista do ICL LIBERTA ((https:// www.revistaliberta.com.br); escreveu também A ressurreição de Cristo e a nossa na morte,Vozes 1972 muitas edições : O evangelho do Cristo cósmico, Record 1972 várias edições(https://www.leonardoboff.org)

Die Auferstehung inmitten eines verlängerten Karfreitags

Leonardo Boff

Nicht einmal die größten Optimisten können leugnen, dass wir in düsteren und bedrohlichen Zeiten leben. Wir befinden uns in einer Welt ohne Regeln, inmitten des Chaos, ohne die Gewissheit, dass dieses Chaos nicht nur zerstörerisch, sondern auch schöpferisch sein kann. Wir stehen unter der Herrschaft des zerstörerischen Chaos. Es gibt etwa 18 Kriegsgebiete, zahlreiche Völkermorde und die Drohung mit dem Einsatz von Massenvernichtungswaffen. Vielleicht finden diese Angriffe nicht einmal auf der Erde statt, sondern im Weltraum, wo Hunderte von Satelliten kreisen, von denen einige tödliche Waffen tragen. Hinzu kommt die Bedrohung durch einen globalen Cyber-Shutdown, orchestriert von einer der Kriegsmächte. Alles könnte zum Erliegen kommen: Handys, Flugzeuge, Autos, die Strom- und Kommunikationssysteme. Wir alle würden in die Knie gehen und unsere Niederlage eingestehen.

Wir sind etwa vier bis fünf Personen ausgeliefert, die in einem Anfall von Wahnsinn oder unter existenzieller Bedrohung – wie im Fall des amtierenden US-Präsidenten – einen Atomkrieg mit strategischen (nicht taktischen) Atomwaffen entfesseln könnten, der einen nuklearen Winter zur Folge hätte. Die Partikeldichte in der Atmosphäre wäre so hoch, dass kein Sonnenlicht mehr eindringen könnte. Die verheerenden Folgen für Menschheit und Natur (Pflanzen würden keinen Sauerstoff mehr produzieren) wären unvorstellbar und grenzten an das Aussterben der Menschheit.

Wir fragen uns: Wie können wir in diesem Kontext Ostern und das Fest der Auferstehung feiern? Die meisten Menschen sind sich dieser Bedrohungen nicht bewusst, sei es, weil die Medien der hegemonialen Länder des herrschenden Systems Informationen verweigern oder weil sie es nicht wissen oder es ihnen gleichgültig ist. Wie dem auch sei, mit oder ohne Bedrohungen muss das Leben seinen gewohnten Gang gehen und die Arbeit erfüllen, die den Menschen Nahrung sichert. Es geht darum, ohne Verzweiflung zu leben.

Zunächst müssen wir klären, was unter Auferstehung zu verstehen ist. Wir dürfen sie nicht mit der Wiederbelebung eines Leichnams verwechseln, wie es bei Lazarus geschah (Johannes 11,1–44; dem Sohn der Witwe von Nain, Lukas 7,15; der Tochter des Jairus, Lukas 8,41). Sie kehrten in ihr früheres sterbliches Leben zurück und starben schließlich. Auferstehung bedeutet etwas anderes: eine radikale Transformation der historischen Existenz Jesu von Nazareth, des Gekreuzigten, Toten und Begrabenen. Vielleicht hat der heilige Paulus am besten ausgedrückt, was Auferstehung bedeutet: das Hervortreten des „neuesten Adam“ (1. Korinther 15,45). „Neuester Adam“ bedeutet, dass in diesem Gekreuzigten, in Erwartung des neuen Menschen, die Zukunft des Lebens offenbart wurde: die vollständige Entfaltung der in jedem Menschen schlummernden Möglichkeiten, sodass er als „der neue Mensch in der Fülle seiner Menschlichkeit“ gelten kann. Dieses neue Wesen nimmt die Gestalt von Gottes eigener Existenz an: Allgegenwart, Befreiung von den Fesseln der Raumzeit, mit einer Art unsterblichem und ewigem Leben, niemals vom Tod bedroht. Es ist reines Leben in seinem höchsten Ausdruck, im Ebenbild des lebendigen Gottes.

Moses starb, Jesaja starb, Sokrates starb, Buddha starb, Zarathustra starb, Konfuzius starb, Laotse starb, Zhuangzu starb. Jesus ist auferstanden und lebt unter uns als der kosmische Christus, gegenwärtig in allen Bereichen des Himmels und auf Erden. Von Moses stammen die Zehn Gebote, von Buddha die fünf Tugenden, von Konfuzius die Tugenden des guten Dieners und so weiter. Wir denken weniger an die Personen selbst und mehr an die Lehren, die sie hinterlassen haben und die ihre Anhänger vermenschlichen. Bei Jesus denken wir an die Person, die auferstanden ist und unter uns lebt. Wichtiger als die Texte des Neuen Testaments, die 30–40 Jahre nach seiner Kreuzigung und Auferstehung gesammelt wurden (und das Neue Testament bilden), ist die Person Jesu, die zählt und mit der wir in Gemeinschaft treten wie mit einem lebendigen und gegenwärtigen Wesen. Wir haben Anteil an der Ganzheit Jesu (im Hebräischen: Leib und Blut) durch die Eucharistie. Und wir verinnerlichen seine kosmische Gegenwart in allen Dingen.

Dies ist die grundlegende Wahrheit des Christentums: die Auferstehung der Gekreuzigten. Viele wurden in der Geschichte gekreuzigt. Doch mit Jesus geschah etwas Unerhörtes, das Teilhard de Chardin, ein Paläontologe, der Evolution und Glauben miteinander zu verbinden wusste, als ein „gewaltiges“ kosmisches Phänomen bezeichnete. Andere sehen in der Auferstehung eine Revolution innerhalb der Evolution: das ersehnte, abenteuerliche und seligmachende Hervortreten des Guten für die Menschheit und das Universum, dessen Teil sie ist.

Niemand bezeugt die Auferstehung besser als der Apostel Paulus, der sagt: „Wenn Christus nicht auferstanden ist, ist unsere Predigt nutzlos, und euer Glaube ist es auch. Wir würden dann zu Lügnern werden… Aber Christus ist tatsächlich von den Toten auferstanden als Erstling der Entschlafenen… In Christus werden alle lebendig gemacht werden“ (1. Korinther 15,13-15.20.22).

Zum Schluss möchte ich Ihnen noch ein persönliches Zeugnis geben. Als ich 1976 die heiligen Stätten in Palästina besuchte, geschah etwas Merkwürdiges. Wir wissen, dass diese Orte stets von Menschen aus aller Welt besucht werden, die diese heiligen Stätten aufsuchen. Niemand ist dort jemals allein. Ich aber war 18 Minuten lang allein in der Grabeskirche, dem Ort der Auferstehung. Für mich war dies eine Belohnung dafür, dass ich fast tausend Seiten über Jesus und ein ganzes Buch über „Die Auferstehung, Christus und unseren Tod“ (Vozes) geschrieben hatte. In meinen Schriften kehre ich immer wieder zum Thema der Auferstehung zurück. Sie ist es, was das Christentum zu bieten hat, mehr als die wunderbaren Lehren des Meisters.

So dramatisch die gegenwärtige Lage der Menschheit auch erscheinen mag – sie hat sich selbst die Werkzeuge der Selbstzerstörung geschaffen –, dürfen wir nicht in Trauer verharren. Nachdem Christus auferstanden ist und uns unsere gute und gesegnete Zukunft gezeigt hat, können wir immer noch lächeln, spielen und tanzen, wie die kleinen Kinder im Gazastreifen, die dem Völkermord entkommen sind.

Das diesjährige Osterfest der Auferstehung schenkt uns eine bescheidene Freude und Zuversicht. Die letzte Seite unserer Geschichte wird nicht vom Tod geschrieben, sondern von der Auferstehung des Lebens – bis zu jenem Moment, in dem unser auferstandener Bruder Jesus auch uns in sein Ebenbild verwandeln wird.

Leonardo Boff, Theologe und Philosoph, schreibt für die Zeitschrift des ICL LIBERTA (https:// www.revistaliberta.com.br); er verfasste außerdem „Die Auferstehung Christi und unsere eigene im Tod“, Vozes 1972, zahlreiche Auflagen: „Das Evangelium des kosmischen Christus“, Record 1972, mehrere Auflagen (https://www.leonardoboff.org)

Deutsche Übersetzung von Bettina Gold-Hartnack

A ressurreição no meio da uma sexta-feira santa prolongada

Leonardo Boff

Nem o mais otimista pode negar que vivemos tempos sombrios e ameaçadores. Estamos dentro de um mundo sem regras e no interior do caos, sem termos a certeza de que esse caos possa ser generativo e não somente destrutivo. Agora estamos sob a regência do caos destrutivo. Há uns 18 lugares de guerra, há muitos genocídios e ameaças de uso de armas de destruição em massa. Talvez nem se passem na Terra mas no espaço por onde giram centenas de satélites,alguns carregados de armas mortíferas.Há ainda a ameaça de uma paralização mundial cibernética,feita por uma das potências beligerantes. Tudo pode parar, celulares, aviões, carros, sistema elétrico e de comunicação.Todos ficamos de joelhos, reconhecendo a derrota

Estamos entregues a umas 4-5 pessoas que podem deslanchar, em momentos de insanidade ou sob ameaça  existencial, como é o caso do presidente desatinado dos EUA, um guerra nuclear com armas atômicas estratégicas (não táticas) que podem produzir um inverno nuclear. Tal será a densidade de partículas na atmosfera que impediriam a pentração da luz solar. Os efeitos letais sobre a humanidade e a natureza (as plantas não produzira mais oxigênio) são inimagináveis, beirando o desaparecimento da espécie humana.

Perguntamo-nos: como celebrar a páscoa e a festa da ressurreição neste contexto? A maioria da humanidade vive alheia a estas ameaças, seja pela negação de informações por parte das mídias dos países hegemônicos do grande sistema imperante, seja por ignorância ou descaso. De todos os modos, com ameaças ou sem ameaças, a vida deve continuar com seus afazeres e trabalhos que garantem comida na mesa das pessoas. Viver sem se desesperar.

Antes de mais nada precisamos aclarar o que se entende por ressurreição. Não devemos confundi-la com a reanimação de um cadáver como ocorreu com Lázaro (João 11,1-44; o  filho da viúva de Naim, Lucas 7,15; a filha de Jairo Lucas 8,41). Eles  voltaram à vida mortal que tinham antes e acabaram morrendo. Ressurreição significa outra coisa: uma transformação radical da existência histórica de Jesus de Nazaré, crucificado, morto e enterrado.Talvez São Paulo expressou melhor  o que significa ressurreição: a irrupção do “novissimus Adam”(1Cor 15,45). “Novissimus Adam” sigifica que nesse Crucificado se mostrou, em antecipação do homemm novo, e qual é o futuro da vida: a total realização das possibilidades latentes dentro de cada um, de forma que ele pode ser considerado “o novo ser humano na plenitude de sua humanidade”. Esse ser novo assume a forma de existência do próprio Deus: omnipresença, libertação das amarras do espaço-tempo, com um tipo de vida imortal e eterna, jamais ameaçado pela morte. É pura vida em sua suprema  expressão à semelhança do Deus vivo.

Moisés morreu, Isaías morreu,Sócrates morreu, Buda morreu, Zaratrusta morreu, Confúcio morreu, Lao-ze morreu, Chuang-zu morreu. Jesus ressuscitou e vive entre nós como o Cristo cósmico,presente em todos os espaços no céu e na Terra.De Moisés se seguem os dez mandamentos; de Buda as 5 virtudes básicas, de Confúcio as virtudes do bom funcionário e assim de outros. Pensa-se menos nas pessoas e mais nas doutrinas que deixaram e que humanizam os seguidores. De Jesus se pensa na pessoa que ressusscitou e vive entre nós. Mais importante que os textos  do Novo Testamento, recolhidos após 30-40 anós de sua crucificação e de sua  ressurreição, (compõem o livro do Novo Testamento), é a pessoa de Jesus que conta e com a qual entramos em comunhão como com um ser vivo e presente. Comungamos a totalidade de Jesus (em hebraico, corpo e sangue) pela Eucaristia. E internalizamos sua presença cósmica em todas as coisas.

Essa é a verdade fundamental do cristianismo: a ressurreição do Crucificado. Muitos na história foram crucificados. Mas com Jesus ocorreu algo inaudito que Teilhard de Chardin, palentólogo e que  soube articular a evolução com a fé, chamou de um fenômeno  cósmico“tremendous”. Outros dizem, a ressurreição é uma revolução dentro da   evolução: a emergência  antecipada, aventurada e ditosa do fim bom do ser humano e do universo do qual ele é parte.

Ninguém melhor que o Apóstolo Paulo testemunha a ressurreição dizendo:”Se Cristo não ressuscitou, é vã nossa pregação e vã a nossa fé. Seríamos também mentirosos…Mas na verdade Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos quem morrem… Em Cristo todos reviverão”(1 Coríntios 15,13-15;20;22).

Por fim, permito-me um testemunho pessoal.Quando estive nos lugares santos na Palestina em 1976 ocorreu um fato curioso. Sabemos que estes lugares estão sempre apinhados de gente do mundo inteiro que vêm visitar estes lugares sagrados. Nunca alguém está só.Estive no santo sepulcro, lugar da ressurreição, sozinho, por 18 minutos contados. Para mim foi um prêmio por ter escrito cerca de mil página sobre Jesus e todo um livro sobre “A ressurreição e Cristo e nossa na morte”(Vozes). Nos meus escritos sempre volto ao tema da ressurreição. É o que o cristianismo tem a oferecer, mais que os belos ensinamentos do Mestre.

Por mais dramática que se apresente a atual situação da humanidade que criou para si os instrumentos de autodestruição, não podemos viver tristes. Depois que Cristo ressuscitou e mostrou qual é o nosso futuro bom e bem-aventurado, podemos ainda sorrir, brincar e dançar, como as criancinhas da Faixa de Gaza que escaparam do genocídio.

A Páscoa da ressurreição deste ano nos permite uma discreta alegria e confiança. A última página de nossa história não será escrita pela morte mas pela ressurreição da vida  até aquele momento em que nosso irmão Jesus ressuscitado também nos transformará à semelhança dele.

Leonardo Boff, teólogo e filósofo escreve para a revista do ICL LIBERTA ((https:// www.revistaliberta.com.br); escreveu também A ressurreição de Cristo e a nossa na morte,Vozes 1972 muitas edições : O evangelho do Cristo cósmico, Record 1972 várias edições(https://www.leonardoboff.org)

Resurrezione nel bel mezzo di un Venerdì Santo prolungato

Leonardo Bof

Nemmeno i più ottimisti possono negare che viviamo in tempi bui e minacciosi. Siamo in un mondo senza regole e nel caos, senza avere la certezza che questo caos possa essere generativo e non solo distruttivo. Ora siamo sotto il dominio di un caos distruttivo. Ci sono circa 18 zone di guerra, molti genocidi e minacce di utilizzo di armi di distruzione di massa. Forse non esploderanno nemmeno sulla Terra, ma nello spazio, dove orbitano centinaia di satelliti, alcuni dei quali trasportano armi letali. C’è anche la minaccia di un blocco cibernetico globale, attuato da una delle potenze belligeranti. Tutto potrebbe fermarsi: cellulari, aerei, automobili, sistemi elettrici e di comunicazione. Cadiamo tutti in ginocchio, riconoscendo la sconfitta.

Siamo alla mercé di circa 4-5 persone che, in momenti di follia o sotto minaccia esistenziale, come è il caso del presidente destinato degli Stati Uniti, potrebbero scatenare una guerra nucleare con armi atomiche strategiche (non tattiche) in grado di provocare un inverno nucleare. La densità di particelle nell’atmosfera sarebbe tale da impedire alla luce solare di penetrare. Gli effetti letali sull’umanità e sulla natura (le piante non produrrebbero più ossigeno) sono inimmaginabili, al limite della scomparsa della specie umana.

Ci chiediamo: come celebrare la Pasqua e la festa della Resurrezione in questo contesto? Gran parte dell’umanità vive ignara di queste minacce, sia per la negazione dell’informazione da parte dei media dei paesi egemonici del grande sistema dominante, sia per ignoranza o indifferenza. In ogni caso, con o senza minacce, la vita deve continuare con i suoi compiti e lavori che garantiscono il cibo sulle tavole delle persone. Vivere senza disperarsi.

Prima di tutto, è necessario chiarire cosa si intende per Resurrezione. Non dobbiamo confonderla con la rianimazione di un cadavere, come accadde con Lazzaro (Giovanni 11:1-44; il figlio della vedova di Nain, Luca 7:15; la figlia di Giairo, Luca 8:41). Essi tornarono alla vita mortale che avevano prima e finirono per morire. Resurrezione significa qualcosa di diverso: una trasformazione radicale dell’esistenza storica di Gesù di Nazareth, crocifisso, morto e sepolto. Forse San Paolo ha espresso al meglio il significato di resurrezione: l’irruzione del “novissimus Adam” (1 Cor 15:45). “Novissimus Adam” significa che in questo Crocifisso, in anticipazione dell’uomo nuovo, si è manifestato il futuro della vita: la piena realizzazione delle potenzialità latenti in ciascuno, affinché egli possa essere considerato “il nuovo essere umano nella pienezza della sua umanità”. Questo nuovo essere assume la forma dell’esistenza di Dio stesso: onnipresenza, liberazione dalle catene dello spazio-tempo, con una sorta di vita immortale ed eterna, mai minacciato dalla morte. È la vita pura nella sua suprema espressione, a somiglianza del Dio vivente.

Mosè morì, Isaia morì, Socrate morì, Buddha morì, Zoroastro morì, Confucio morì, Lao-ze morì, Zhuangzi morì. Gesù è risorto e vive tra noi come il Cristo cosmico, presente in tutti gli spazi in cielo e in Terra. Da Mosè provengono i Dieci Comandamenti; da Buddha le cinque virtù fondamentali; da Confucio le virtù del buon funzionario, e così via da altri. Pensiamo meno alle persone e più alle dottrine che ci hanno lasciato, che umanizzano i loro seguaci. Di Gesù, pensiamo alla persona che è risorta e vive tra noi. Più importante dei testi del Nuovo Testamento, raccolti 30-40 anni dopo la sua crocifissione e resurrezione (che costituiscono il libro del Nuovo Testamento), è la persona di Gesù che conta e con la quale entriamo in comunione come con un essere vivente e presente. Partecipiamo alla totalità di Gesù (in ebraico, corpo e sangue) attraverso l’Eucaristia. E interiorizziamo la sua presenza cosmica in ogni cosa.

Questa è la verità fondamentale del cristianesimo: la risurrezione del Crocifisso. Molti nella storia sono stati crocifissi. Ma con Gesù è accaduto qualcosa di inaudito che Teilhard de Chardin, un paleontologo che seppe coniugare l’evoluzione con la fede, definì un fenomeno cosmico “straordinario”. Altri affermano che la resurrezione sia una rivoluzione all’interno dell’evoluzione: l’emergenza anticipata, avventurosa e benedetta del fine ultimo dell’essere umano e dell’universo di cui egli fa parte.

Nessuno meglio dell’Apostolo Paolo testimonia la resurrezione, affermando: «Se Cristo non è risorto, vana è la nostra predicazione e vana la nostra fede. Saremmo anche mentitori… Ma Cristo è veramente risorto dai morti, primizia di coloro che si sono addormentati… In Cristo tutti saranno vivificati (1 Corinzi 15:13-15; 20; 22).

Infine, permettetemi una testimonianza personale. Quando mi trovavo nei luoghi santi in Palestina nel 1976, accadde un fatto curioso. Sappiamo che questi luoghi sono sempre affollati di persone provenienti dal mondo intero che vengono a visitare questi luoghi sacri. Nessuno è mai veramente solo. Io mi trovavo nel Santo Sepolcro, il luogo della resurrezione, da solo, per 18 minuti contati. Per me, fu una ricompensa per aver scritto circa mille pagine su Gesù e tutto un libro su “A ressurreição de Cristo e a nossa na morte” (Cittadella)). Nei miei scritti, torno sempre al tema della resurrezione. È quanto il cristianesimo ha da offrire, più dei meravigliosi insegnamenti del Maestro.

Per quanto drammatica si presenti l’attuale situazione dell’umanità, che ha creato per sé gli strumenti dell’autodistruzione, non possiamo vivere nella tristezza. Dopo che Cristo è risorto e ci ha mostrato quale sia il nostro futuro buono e benedetto, possiamo ancora sorridere, giocare e danzare, come i bambini della Striscia di Gaza scampati al genocidio.

La Pasqua della resurrezione di quest’anno ci concede una gioia e una fiducia discreta. L’ultima pagina della nostra storia non sarà scritta dalla morte, ma dalla resurrezione della vita, fino a quel momento in cui il nostro fratello Gesù risorto ci trasformerà a sua immagine.

Leonardo Boff, teologo e filosofo. Scrive per la rivista ICL LIBERTA (https://www.revistaliberta.com.br). È autore dei libri: “A ressurreição de Cristo e a nossa na morte“, Vozes 1972 e “O evangelho do Cristo cósmico”, Record 1972. Il primo libro è stato pubblicato anche in italiano con il titolo: “La nostra risurrezione nella morte”, Cittadella 1975. (https://www.leonardoboff.org) (Traduzione dal portoghese di Gianni Ali